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22 de abril de 2017

Portugal - Para familiares e portadores de Machado Joseph

PARTICIPAÇÃO EM ESTUDO - ENTREVISTA
Experiência familiar com doenças hereditárias

Estamos a convidá-lo/a a participar numa entrevista inserida num projecto de investigação. Por favor, leia esta informação antes de decidir se quer ou não participar. Se tiver alguma dúvida ou quiser mais informações pode contactar-nos (ver em baixo). Se decidir participar agradecemos-lhe desde já. Se não quiser participar não haverá quaisquer prejuízos para si e agradecemos a consideração deste convite.

Qual o objectivo do estudo? Este estudo pretende conhecer a experiência individual e familiar com doenças hereditárias e a gestão do risco genético.
                                                                                                  
Financiamento do estudo. O estudo é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/BPD/88647/2012).

Quem conduz o estudo? O estudo é conduzido por Álvaro Mendes, investigador no i3S, UnIGENe-IBMC, Universidade do Porto.

Considerações éticas. Este estudo obteve aprovação da Comissão de Ética Humana do IBMC, Universidade do Porto.

O que acontece se decidir participar? Será contactado pelo investigador para agendar a entrevista em data e local da sua conveniência (se preferir poderá ser em sua casa). A entrevista será gravada, presencial, e terá cerca de 1 hora de duração. Pode desistir do estudo em qualquer altura (e os seus dados, neste caso, serão removidos), sem dar justificações e sem quaisquer prejuízos para si ou para a sua família.

Confidencialidade e privacidade. A gravação e transcrição da entrevista apenas serão acessíveis ao investigador. Os dados serão anonimizados de modo a que não seja possível a sua identificação. Excertos da entrevista poderão ser incluídos em apresentações e publicações académicas, nas quais a sua identidade manter-se-á anónima. Os dados serão usados somente para este estudo. As gravações e transcrições serão arquivadas de forma segura e confidencial em repositório institucional do IBMC até ao final do projecto (Março de 2020), após o qual serão eliminados.

Quais são os possíveis benefícios em participar? A sua experiência ajudará a compreender melhor a vivência de doenças hereditárias e do risco genético e a melhorar os serviços clínicos prestados. Será dinamizado um workshop em que os principais resultados das entrevistas serão apresentados e discutidos. Iremos convidá-lo/a a participar, se estiver interessado/a.

Quais são os possíveis riscos em participar? Algumas pessoas podem achar a partilha das suas experiências em relação ao risco genético, à doença e à família, difícil. Se isso acontecer, o investigador irá aconselhá-lo/a a contactar a equipa clínica do seu serviço de saúde caso precise de apoio.

Contactos. Se está interessado em participar ou deseja saber mais sobre o estudo, por favor contacte: Álvaro Mendes | Tel.: 962825534 | alvaro.mendes@ibmc.up.pt | CGPP-IBMC, Rua Júlio Amaral Carvalho, 45; 4200-135, Porto.


Obrigado pela sua atenção.

15 de dezembro de 2014

O investigador Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra, vai liderar um novo estudo europeu sobre as doenças de Parkinson e de Machado-Joseph, anunciou esta segunda-feira a Universidade de Coimbra.


Visando identificar potenciais alvos terapêuticos nas doenças de Parkinson e Machado-Joseph, este novo projeto europeu, intitulado ‘SynSpread’, foi aprovado pelo programa ‘Joint Programme-Neurodegenerative Disease Research’ (JPND).
O programa comunitário JPND é “a maior iniciativa global de combate às doenças neurodegenerativas”, tendo como objetivo “fomentar a descoberta das causas e tratamentos destas patologias”.
Com a duração de três anos e um orçamento global de 750 mil euros, o projeto pretende “compreender o papel da migração de proteínas” envolvidas naquelas duas “doenças incuráveis”, refere a UC, numa nota hoje divulgada.
“A investigação visa estudar a interação que a autofagia (mecanismo de limpeza no interior da célula) estabelece com a secreção de exossomas (vesículas expelidas pelas células), e como contribuem para a difusão da doença a outras células do cérebro”, adianta Luís Pereira de Almeida.
O estudo será realizado em neurónios de doentes com Parkinson e Machado-Joseph e recorrerá a “técnicas de neuroimagem para mapear o caminho que as proteínas percorrem no contexto da autofagia e secreção de exossomas no cérebro”, explica o cientista do CNC e docente da UC.
“Os resultados desse mapeamento poderão contribuir” para se prever “a progressão das doenças neurodegenerativas”, admite o especialista.

Luís Pereira de Almeida vai coordenar uma equipa portuguesa, constituída por duas dezenas de cientistas, e equipas de investigadores da Universidade do Luxemburgo e da Universidade Paris Descartes.


FONTE:  http://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/investigador-portugues-lidera-estudo-europeu-sobre-parkinson

24 de novembro de 2014

BioBlast Pharma (empresa farmacêutica sedeada em Israel): produtos candidatos


(…)

Cabaletta para o tratamento da ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3) (doença de Machado-Joseph)

A SCA3, também conhecida como a doença de Machado-Joseph, é a doença mais comum entre as ataxias cerebelosas, que são um grupo de doenças genéticas que se caracterizam por défices de memória, espasticidade, dificuldade em falar e engolir, fraqueza nos braços e outros distúrbios musculares. Os sintomas podem começar no início da adolescência e piorar com o tempo. Em casos graves, a SCA pode levar a uma morte precoce na quarta década de vida. A SCA3 é incurável, e não há atualmente nenhum tratamento eficaz para a doença.

A SCA3 é causada por uma mutação no ADN que leva à criação de uma proteína patológica – a ataxina 3. A ataxina 3 é instável, agrega-se no interior das células e, eventualmente, conduz à morte celular.

A Cabaletta foi sintetizada para ser eficaz, tanto como um agente anti-agregação da proteína mutante, assim como um intensificador da autofagia, na redução dos agregados de proteína e melhorar a sobrevivência de células em vários ataxias espinocerebelosas incluindo células SCA3. Estudos adicionais em animais mostram que a ativação da autofagia pode ser benéfica para aliviar os sintomas da doença.

Após conclusão dos trabalhos pré-clínicos adicionais, a Bioblast está atualmente conduzindo a Fase 2 do estudo.


(…)


BB-FA para o tratamento da ataxia de Friedrich

A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária caracterizada pela deterioração progressiva do sistema muscular e nervoso, resultando em perturbações da marcha (ataxia), défice cognitivo, doença cardíaca progressiva e diabetes. Os pacientes são geralmente diagnosticados na primeira ou segunda década de vida, e 15 anos após o diagnóstico, costumam estar confinados a cadeira de rodas. A maioria não sobrevive além da quarta década de vida. Em muitos casos, a causa de morte é uma doença cardíaca grave. As causas subjacentes da ataxia de Friedrich são os níveis reduzidos de frataxina - uma proteína responsável por conjuntos de ferro-enxofre na mitocôndria que são críticos para a atividade mitocondrial. Os dados pré-clínicos demonstraram o sucesso da colocação de frataxina na mitocôndria e no tratamento do stress oxidativo em células de pacientes com ataxia de Friedreich. Estamos a avançar o programa ataxia de Friedreich através do seu desenvolvimento pré-clínico.


(…)




22 de novembro de 2014

Transplante de células estaminais neurais melhora coordenação motora, neuropatologia no rato modelo da doença de Machado-Joseph


Doenças de repetição da SBMA (Spinal and Bulbar Muscular Atrophy – atrofia muscular espinhal bulbar) a Doença Motora dos Neurónios

A investigação indica que o transplante de células estaminais neurais feitos a partir da parte do cérebro mais afetada na doença de Machado-Joseph alivia a deficiências motoras e neuropatológicas no rato modelo e, portanto, pode proporcionar uma terapia para esta ataxia hereditária.

A doença de Machado-Joseph/ataxia espinocerebelosa tipo 3 é uma doença neurodegenerativa genética causando enorme sofrimento sem tratamento eficaz. A doença é causada pelo excesso da repetição do trinucleótido citosina-adenina-guanina (CAG), que traduz-se numa extensão de poliglutamina longa demais dentro da proteína ataxina-3, que se torna propensa a agregações e tóxica. Os pacientes com a doença de Machado-Joseph apresentam deficiências graves na marcha e coordenação do movimento voluntário, e na articulação e deglutição. Esses prejuízos estão associados a várias alterações neuropatológicas incluindo a agregação da ataxina-3 mutante no cérebro do paciente. A condição é marcada perda neuronal e atrofia de grandes neurónios no cerebelo, tronco cerebral e corpo estriado.

Apesar de já haver uma maior compreensão da sua patologia, não há ainda qualquer terapia capaz de modificar a progressão da doença. A extensa neurodegeneração em pacientes sintomáticos sugere que um tratamento eficaz dos pacientes sintomáticos da doença de Machado-Joseph pode exigir a substituição de células.

As células estaminais neurais (NSC) são células multipotentes, auto-renováveis, com a capacidade de se diferenciar em todas as células neurais (neurónios, astrócitos e oligodendrócitos), que constituem o sistema nervoso. Este trabalho, investigou pela primeira vez se o transplante de células estaminais neuronais cerebelares (cNSC) do rato não mutante para o cerebelo de ratos adultos transgénicos com a doença de Machado-Joseph iria aliviar a coordenação motora e defeitos neuropatológicos.

Verificou-se que após a transplantação para o cerebelo de ratos adultos da doença de Machado-Joseph, as cNSC diferenciadas em neurónios, astrócitos e oligodendrócitos. É importante ressaltar que o transplante das cNSC mediou um alívio significativo e robusto das deficiências do comportamento motor em testes, em comparação com ratos controle de DMJ injetados com HBSS (2,1; 5,3; 1,7 e 2,9 dobra melhora, respetivamente). Esta melhoria correlacionada com a redução da neuropatologia associada à doença de Machado-Joseph, ou seja, redução de perda de células de Purkinje, redução do encolhimento das camadas celulares, e redução da agregação das ataxinas-3 mutantes. Além disso, observou-se uma redução significativa dos marcadores de neuroinflamação no cerebelo e um aumento dos níveis de fatores neurotróficos, o que indica que o transplante das cNSC também desencadeou efeitos neuroprotetores importantes.

Assim, as cNSC têm o potencial de serem usadas como um substituto celular e uma abordagem neuroprotectora para a terapia da doença de Machado-Joseph. O próximo passo é avaliar se as células estaminais neurais geradas por indução de fibroblastos do paciente podem mediar benefícios semelhantes, abrindo o caminho para o transplante de células estaminais neurais geradas a partir de células do próprio paciente.



19 de novembro de 2014

Família quer educar sobre a doença rara mortal

(Fila de trás, da esquerda para a direita) Vickie Morgan, que tem a doença de Machado-Joseph; Kelven Moss; Ernestine Moss, segurando uma foto de uma filha que morreu da doença; e Brenda McGinnis. (Primeira fila, da esquerda para a direita) Darlena Philpot; Ariel Sims, segurando uma foto do seu irmão, Aaron Sims, que recentemente morreu com a doença; e Anedra Million.



Uma família de Middletown (EUA) devastada por uma doença genética muito rara espera aumentar a consciência para a existência da mesma ao enterrar outro parente, outra vítima da doença de Machado-Joseph.
Quando Aaron Sims, 34, que estudou na Escola Secundária de Middletown, morreu na semana passada, ele tornou-se, pelo menos, a décima pessoa das famílias Sims e Moss-Johnson a morrer da doença de Machado-Joseph. E agora mais dois membros da família, Vickie Johnson, de Middletown, e Cathy Moss, de Atlanta, foram diagnosticadas com a doença mortal.
Johnson parece fraca, fraca demais para ficar de pé.
"Porque é que tinha que ser eu?", ela perguntou antes de se desmanchar em lágrimas.
Essa é uma pergunta que estas famílias fazem há anos. Elas disseram que alguns dos seus parentes faleceram, normalmente antes do seu 50.º aniversário, e que foram mal diagnosticados como padecendo de distrofia muscular. Mas agora, através de testes e encontros com peritos médicos, eles acreditam que todos morreram da doença de Machado-Joseph, ou ataxia espinocerebelosa.
"A comunidade precisa saber o que nós não sabíamos durante gerações", disse Kelvin Moss, 31, treinador da equipa feminina de basquetebol na Escola Secundária de Middletown, que perdeu a avó, mãe, duas tias e um tio para a doença.
Os membros da família reuniram-se e tiveram dificuldade em lembrar os parentes que morreram da doença. Joseph Webb morreu em 1943 com a idade de 46 anos, embora não esteja claro se ele tinha a doença, disseram.
A sua filha, Gaynelle Webb, de 54 anos, morreu em 1972, o mesmo ano da primeira morte conhecida por DMJ, segundo informações da imprensa. A sua morte foi seguida por três de seus filhos: Tot Moss, Raymond Moss Sr., e Edward Johnson. Três das raparigas Moss, Sherry, Debra e Anita morreram da doença e as mortes de Debra e Anita foram separadas por um mês em 2007.
Karen Sims morreu em 2003 e Raymond Moss Jr. morreu há quatro anos. Aaron Sims, que mostrou sinais da doença, quando ele tinha 18 anos, no seu último ano na ESM, morreu no passado dia 8.
Os funerais têm sido um acontecimento comum para estas duas famílias.
"Estamos cansados disso", disse Roxanne Carter, uma amiga próxima da família. "Não podemos aceitar mais isso."
Devido à sua raridade, muitas pessoas não sabem nada sobre a DMJ.
Mais de 20 dos membros da família reuniram-se para discutir o próximo passo. Estão a planear angariações de fundos e campanhas de consciencialização. Eles esperam limitar o número de famílias que precisam de assistência a um progresso relativo de ser perfeitamente saudável, para alguém que necessita de cuidados permanentes. É um processo lento e doloroso, disseram.
A doença de Machado-Joseph é caracterizada pela falta de coordenação, lentamente progressiva, nos braços e pernas, um andar cambaleante, dificuldade na fala e deglutição, e movimentos oculares debilitados, de acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Acidentes Vasculares Cerebrais.
Os afetados pela doença progressiva normalmente vivem até aos 30 e poucos anos, enquanto que aqueles com uma forma mais leve podem ter uma expectativa de vida quase normal, disse o Instituto.
Qualquer filho de um progenitor afetado tem uma hipótese de 50 por cento de herdar o gene da doença. Uma criança que não herda o gene não desenvolve a doença e não pode passá-lo para a próxima geração.
Darlena Philpot, 54, disse que foi testada para a doença e que os resultados deram negativo. Ela não possui o gene, ou se ela o possui, está latente. O teste pode custar até 20.000 dólares, disse ela. O seu teste, por não ter sido tão extenso, custou 6.000 dólares.
Quando ela se encontrou com o seu médico e lhe transmitiu o historial médico da família, a sua reação foi compreensível.
"Quantas pessoas?", ele perguntou.
A possibilidade de receber uma sentença de morte pesa sobre a família.
Como Moss disse: "Está a ficar cada vez mais perto de casa. Eu vivo com medo todos os dias." Os outros na sala acenaram com a cabeça em concordância.
Ariel Sims, 32, perdeu uma bisavó, avô, mãe e irmão para a doença.
"É uma doença terrível que afeta tantas pessoas que você ama e a quem quer bem", disse ela.
Até agora, Sims tem sido uma das mais afortunadas, se é que se pode chamar sorte a perder quatro parentes. Ela é grata, mas cautelosa ao mesmo tempo.
"Esta é uma realidade", disse ela. "Isso é tudo o que temos visto; tudo o que já sabemos. Deus tem-me poupado. Acho que o meu propósito era o de estar cá para a minha mãe e irmão. Eu fui trazida aqui para ajudá-los. "
Enquanto Sims falava, outra caixa de lenços foi passada ao redor da sala. Poucas famílias choraram mais do que estas duas ao longo dos anos. Tudo por causa da mesma doença.
"Perdemos demasiados", disse Philpot. "Precisamos de obter as informações lá fora. É a nossa realidade. Isto é o que é. "
Foi-lhes perguntado que lições tinham aprendido com a doença. Anedra Million, de 41 anos, foi a primeira a responder. Ela apoiou-se na sua fé.
"Tem de haver um propósito", disse ela. "Deus revelar-se-á. Ele só escolhe o melhor, o mais forte. Você tem que viver cada dia como se pudesse ser o último. Vá com força. Caminhe na excelência ".
Philpot olhou ao redor da sala para todos os seus parentes e os rostos estavam manchados de lágrimas, todos de corações partidos. Ela sabe que vai demorar tempo para espalhar a palavra sobre a doença. Ela está confiante de que a sua família está pronta para a batalha.
"A família é tão importante", disse ela. "A família é tudo que temos. São as nossas raízes. É o que somos. "



7 de novembro de 2014

O papel da apolipoproteína E como fator de risco para o início da doença de Machado-Joseph (DMJ) numa idade mais precoce, é duvidoso


Qi Zhou, Wang Ni, Yi Dong, Ning Wang, Shi-Rui Gan, Zhi-Ying Wu


Resumo

A doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma doença neurodegenerativa hereditária causada por uma repetição CAG expandida no gene ATXN3. Embora o principal determinante genético da idade de início (AAO) é o comprimento do segmento de CAG expandido, a contribuição genética adicional da DMJ para a AAO ainda não foi, na maioria, esclarecida. Recentemente, foi sugerido em dois estudos independentes que a apolipoproteína E (APOE) pode estar associada à variabilidade da AAO em pacientes com DMJ. Para identificar o efeito modificador potencial dos polimorfismos APOE na AAO de paciente com DMJ, 403 pacientes com DMJ (confirmado por testes moleculares) do leste e sudeste da China foram incluídos no presente estudo. Repetições CAG no ATXN3 e polimorfismos APOE foram genotipados. Os dados foram analisados utilizando um pacote estatístico. Nenhuma contribuição dos polimorfismos APOE à variação no início da doença foi observada usando ANCOVA (F = 0,183, P = 0,947). No entanto, efeitos relevantes sobre a AAO da DMJ foram encontrados para o alelo ATXN3 normal e para a interação de alelos mutantes e normais ATXN3 num modelo de regressão linear múltipla (P = 0,043 e P = 0,035, respetivamente). O nosso estudo não suporta um papel para a APOE como um modificador genético da AAO da DMJ. Além disso, o nosso estudo apresenta evidências de que o alelo ATXN3 normal e sua interação com alelos mutantes contribui para a variância da AAO em pacientes com DMJ.




5 de outubro de 2014

Na direção duma terapia ARNi para a Doença de Machado-Joseph, doença poliglutamínica



do Carmo Costa, Maria; Luna; Cancalon, Katiuska; Fischer, Svetlana; Ashraf, Naila S; Ouyang, Michelle; Dharia, Rahil M; Martin; Fishman, Lucas; Yang, Iêmen; Shakkottai, Vikram G; Davidson, Beverly L; Rodríguez; Lebrón, Edgardo; Paulson, Henry L;


A doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma ataxia hereditária dominante causada por uma expansão da codificação poliglutamínica no gene ATXN3. Suprimindo a expressão do produto do gene tóxico representa uma abordagem promissora para a terapia para a DMJ e outras doenças poliglutamínicas. Foi realizado um ensaio terapêutico alargado da interferência do ARN (ARNi) visando o ATXN3 num rato modelo expressando o gene da doença humana completo e recapitulando as características-chave da doença. Vírus adeno-associados (AAV) codificando uma molécula semelhante a um microARN (miARN), miRATXN3, foi entregue bilateralmente no cerebelo de ratos com DMJ, com 6 a 8 semanas de idade, que foram seguidos até a fase final da doença para avaliar a segurança e eficácia dos ARNi anti-ATXN3. Apesar de eficaz, a supressão, ao longo da vida, do ATXN3 no cerebelo e a aparente segurança do miRATXN3, o comprometimento motor não foi amenizado em ratos com DMJ tratados e a sobrevivência não foi prolongada. Estes resultados com um agente de ARNi de outra forma eficaz sugerem que a segmentação em grande parte do cerebelo por si só pode não ser suficiente para terapia humana efetiva. MiARNs artificiais ou outras estratégias de repressão à base de nucleotídeos visando o ATXN3 mais amplamente no cérebro deve ser considerado em futuros testes pré-clínicos.



13 de setembro de 2014

"Atrofia cerebelosa cortical" vai encolhendo na era do sequenciamento da próxima geração

Kunihiro Yoshida, Satoko Miyatake, Tomomi Kinoshita, Hiroshi Doi, Yoshinori Tsurusaki, Noriko Miyake, Hirotomo Saitsu e Naomichi Matsumoto


A atrofia cerebelosa cortical (CCA) indica uma ataxia degenerativa não-hereditária de etiologia desconhecida. Esta entidade é muitas vezes referida como atrofia cerebelosa cortical de início tardio, ataxia cerebelosa idiopática esporádica ou ataxia de início adulto esporádica de etiologia desconhecida. O diagnóstico de CCA deve cumprir os seguintes critérios: ataxia progressiva; início da doença depois de 20 anos de idade; nenhuma instalação aguda ou subaguda da doença; história familiar informativa e negativa, ou nenhuma evidência duma mutação genética causadora; nenhuma causa sintomática estabelecida; e não possível ou provável atrofia sistémica múltipla. Em suma, o diagnóstico de CCA deve ser feito por exclusão de causas adquiridas e genéticas de ataxia, bem como atrofias sistémicas múltiplas.

De acordo com a secretaria japonesa de "doenças incuráveis​​" administrada pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, o número total de pacientes com ataxia espinocerebelosa, excluindo a atrofia sistémica múltipla, eram de 25.477, no ano fiscal de 2012 Com base nos dados publicados por Tsuji et al., o número estimado de CCA é de aproximadamente ~10.000 no presente. No entanto, é muito improvável que esses pacientes preenchessem os critérios de diagnóstico mostrado acima, porque a história da família muitas vezes não era totalmente informativa, e os testes genéticos não eram obrigatórios para entrar no registro. Portanto, acredita-se que a CCA é um grupo heterogêneo de distúrbios atáxicos. Relatórios anteriores indicaram que ~2-20% dos pacientes com diagnóstico de CCA foram confirmados através de testes genéticos como tendo mutações num dos genes causadores de ataxias cerebelosas autossómicas dominantes. Na verdade, 11 pacientes (15,1%) da nossa coorte de 73 pacientes atáxicos sem uma história familiar aparente tinham conhecidas mutações genéticas (SCA6: 3; SCA31: 4; DMJ/SCA3: 2; SCA2: 1 e DRPLA: 1). Além disso, utilizando sequenciamento da última geração, agora é possível identificar variantes causadoras de doenças muito raras.

Recentemente, identificamos uma nova mutação ANO10 num paciente CCA, usando sequenciamento da última geração. Ele era um homem de 66 anos, de nacionalidade japonesa, que desenvolveu instabilidade da marcha e disartria aos 41 anos. A sua mãe e o seu pai faleceram aos 94 anos e 78 anos, respetivamente, mas informações confiáveis ​​sobre a sua consanguinidade não foram obtidas. Ambos foram identificados como não tendo ataxia de marcha ou disartria durante a sua vida. Ele tinha dois irmãos e dois filhos, todos eles não estando afetados. Desde que ele se apercebeu de distúrbios na marcha e na fala, os seus sintomas atáxicos progrediram muito gradualmente. Ele reformou-se do seu trabalho como professor com a idade de 55 anos, por causa da ataxia debilitante. No momento, ele está numa cadeira de rodas e não pode levantar-se sem se segurar a algo por causa da severa ataxia do tronco. Exames neurológicos revelaram aumento dos reflexos profundos com um sinal de Babinski bilateral positivo, além de ataxia cerebelosa. Deficiência intelectual, parkinsonismo ou movimentos involuntários não foram observados. Desperdício muscular e diminuição da sensibilidade da vibração em membros inferiores foram anotados. As imagens da ressonância magnética (RM) aos 64 anos indicava atrofia cerebelosa, mas não do tronco cerebral ou atrofia cerebral (Figuras 1a e b). Lesões anormais de intensidade elevada não foram observadas, tanto em regiões supratentoriais, como em subtentoriais. O teste genético usando ADN genómico obtido de leucócitos do sangue periférico, não revelou quaisquer mutações conhecidas para ataxias cerebelosas autossómicas dominantes (SCA1, SCA2, DMJ/SCA3, SCA6, SCA7, SCA12, SCA17, DRPLA e SCA31).

Figura 1.


As imagens da ressonância magnética aos 64 anos mostram atrofia cerebelosa, sem atrofia do tronco cerebral ou pedúnculo cerebelar médio. O sinal cross bun quente não é observado (a: TR (tempo de repetição) 4.427,49 / TE (tempo de eco) 100; b: TR 4.961,44 / TE 90). Uma mutação modular homozigótica (c.493_494dup: p.Ile166Alafs * 3) no ANO10 é indicada (c).As setas vermelhas indicam duplicação GG no paciente.


Este paciente chamou a nossa atenção porque a consanguinidade de seus pais não era totalmente informativa, deixando em aberto a possibilidade de ele ter uma das raras ataxias cerebelosas autossómicas recessivas. Para explorar ainda mais para a causa genética da sua ataxia, realizamos o sequenciamento completo ao exome. O ADN genómico foi capturado usando um kit v5 SureSelect Humano All Exon (Agilent Technologies, Santa Clara, CA, EUA) e sequenciado num HiSeq2000 com 101 bp emparelhado (Illumina, San Diego, CA, EUA). A análise de imagens e chamadas de base foram realizadas pelo software de controlo de sequência de análise em tempo real e software CASAVA v1.8 (Illumina). As leituras foram alinhadas para GRCh37 com Novoalign (http://www.novocraft.com/). Duplicados de PCR foram removidos usando Picard (http://picard.sourceforge.net/). As variantes foram chamadas pelo Toolkit Análise do Genoma (http://www.broadinstitute.org/gatk/) e anotada usando ANNOVAR (http://www.openbioinformatics.org/annovar/) após a exclusão das variantes comuns registradas na base de dados comum dbSNP135 (frequência do alelo menor, maior ou igual a 0.01). A profundidade média da cobertura do sequenciamento completo do exome foi de 92,6 ×, e mais de 93,1% do total de sequência da codificação dos genes RefSeq conseguiu uma profundidade de leitura 20 ×. Obtivemos proteínas de alteração raras e chamadas variantes após a filtragem contra 575 exomes de controlo. Uma nova mutação modular homozigótica (c.493_494dup: p.Ile166Alafs * 3) no ANO10, confirmada pelo sequenciamento Sanger, foi identificada (Figura 1c). A sua condição foi diagnosticada como ataxia espinocerebelosa autossómica recessiva tipo ataxia 10 (SCAR10, OMIM 613728). Esta é a sexta mutação identificada no ANO10 até agora, e este caso é o segundo no Japão após o paciente relatado por Maruyama et al. O nosso caso foi clinicamente bastante semelhante ao seu caso, com ambos apresentando o puro fenótipo cerebeloso de início tardio.

Especulamos que ele poderia ter CCA típica quando veio ao nosso hospital aos 46 anos. Ele cumpria os critérios clínicos para a CCA e os testes genéticos descartavam ataxias cerebelosas autossómicas dominantes conhecidas com as repetições das expansões e SCA31. Agora, a situação mudou. O sequenciamento completo do exome permitiu a identificação de mutações causadoras de doenças raras, mesmo em pacientes aparentemente esporádicos. Portanto, precisamos de chamar a profundidade dos testes genéticos em questão com mais cuidado quando discutimos se o paciente preenche os critérios da CCA. Como o custo do desempenho do sequenciamento da próxima geração está a melhorar, a definição precisa de CCA visando o teste genético está a tornar-se cada vez mais difícil. Um número significativo de pacientes com CCA será provado terem mutações estáticos ataxias cerebelosas autossómicas dominantes raras ou ataxias cerebelosas autossómicas recessivas com esta técnica num futuro próximo, se forem testados. Agora, devemos reconhecer com mais rigor que um diagnóstico provisório de "CCA" inclui muitas causas genéticas diferentes.




12 de setembro de 2014

Gerardo Smart põe toda a sua garra e junta-se ao grupo do CRiGaL



Gerardo Smart é um jovem natural de Río Gallegos (Argentina) que foi diagnosticado com uma doença hereditária chamada SCA tipo 3 – Doença de Machado-Joseph, o que não o impede de lutar para ter a melhor qualidade de vida possível. Ele foi recebido pelo clube CRiGaL, onde começou a fazer atividade física. É um dos exemplos mais claros de "lutar por uma melhor qualidade de vida", o jovem de Río Gallegos,
Gerardo Smart decidiu voltar à atividade física após ser diagnosticado, anos atrás, com uma doença hereditária chamada SCA tipo 3 – Doença de Machado-Joseph, ou ataxia espinocerebelosa tipo três.

Esta doença realmente complicou a sua vida, a ponto de o levar a deslocar-se em cadeiras de rodas.

Apesar das dificuldades físicas causadas pela sua doença, Gerardo nunca desistiu e continuou o seu tratamento assistido por pessoal dos Angeles Especiales.

No entanto, a sua atitude exemplar não termina aí e começou a praticar segunda-feira com o grupo CRiGaL onde os jovens com diferentes deficiências são bem-vindos para a prática de desporto, numa grande obra do Professor Luciano Dalla Fontana.

O trabalho
No meio do treino de Segunda-feira, o jornal TiempoSur falou com Juan Soto, presidente do CRiGaL, que disse que estão a trabalhar olhando para o futuro do clube e a receber crianças para se juntarem ao CRiGaL e para que, no futuro, possam apresentar-se na Primeira Divisão do clube.
Juan disse que as crianças que vêm "começam com o básico", que é a formação inicial, que os ensina a pegar uma bola, como fazer um passe, como levantar do chão. "Todos nós começamos depois de adquirir uma deficiência e aprender a praticar desporto nesta situação é algo novo. Como tudo na vida, começa-se pelo princípio e este é o início da formação de base", disse ele.

Quanto às deficiências, ele disse que há uma revisão da pontuação que a federação dá a cada pessoa, de acordo com sua patologia e as competências adquiridas.

"Eles começam no próximo ano na terceira divisão, que é a promocional da Federação Argentina de Basquetebol em cadeira de rodas", disse ele.

O "novo"
Desde Segunda que o CRiGaL recebeu Gerardo Smart como novo jogador e sobre isso, Juan disse: "Nós temos que abrir as portas a toda a gente, independentemente da sua condição física e o importante é que é um lugar para o desporto, o que fez bem a todos e em especial a ele, porque a atividade física é sempre recomendada, por isso é um incentivo para nós ver que temos quatro novos futuros jogadores do clube."

O professor
Soto disse que Luciano Dalla Fontana sabe muito sobre desporto para deficientes e disse que "é um treinador de basquetebol profissional e foi-o como jogador, pelo que agora está a demonstrar a sua capacidade."

Esses pais ou crianças com deficiência que estão relutantes em participar, deve saber que o CRiGaL os aguarda às Segundas, Quartas e Sextas-feiras, entre as 19h00 e as 20h00, já que desde essa hora até às 22h00 treinam os jogadores que já estão a trabalhar no clube.
"Neste caso, estas crianças começam uma fase onde tudo é novo, mas que vai assegurar-lhes maior qualidade de vida", disse Juan.

O competitivo
Quanto à equipa que joga na Liga "A", o Presidente disse que este fim-de-semana recebem a APRI do Uruguai, que é uma equipa muito boa e que a maioria pertence à seleção uruguaia, logo têm muita experiência.
"Jogámos duas vezes contra eles e correu-nos relativamente bem, por isso este fim-de-semana, sábado e domingo às oito da noite, vamos medir forças e, se ganharmos, ficamos bem colocados na classificação", disse.

Também disse que estão à espera de ajuda do Governo de Santa Cruz (Argentina), pois têm que proporcionar abrigo e alimento às pessoas da APRI, à semelhança do que aconteceu quando o CRiGaL viajou para o Uruguai, pelo que continuam esperando, mas muito preocupados porque o assunto ainda não ficou bem esclarecido.




29 de junho de 2014

Ensaio Clínico para a Doença de Machado-Joseph


O Centro de Genética Preditiva e Preventiva (CGPP), do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), da Universidade do Porto, está a organizar um ensaio clínico para testar o efeito de um novo fármaco, no atraso da progressão da doença de Machado-Joseph.


Nesse sentido, uma equipa de investigadores e médicos neurologistas (Professora Doutora Paula Coutinho, Leal Loureiro, Jorge Sequeiros, Patrícia Maciel e Manuela Lima) estão neste momento a definir os critérios para recrutar doentes e tentar avaliar o número possível de interessados.
O ensaio clínico destinar-se-á a pessoas com a doença de Machado-Joseph, com mais de 18 anos e capazes de se deslocar independentemente ou com algum apoio, mas sem uso de cadeira de rodas.


Caso reúna estas condições ou tenha algum familiar com estas características que queira participar neste ensaio, por favor entre em contacto connosco através do e-mail: ensaio.DMJ@ibmc.up.pt ou através do telefone: (+351) 22 607 49 42.


Chamamos a atenção para que a data de início do ensaio ainda não está fixada e ainda se procura financiamento para o mesmo. Além disso, para entrar no ensaio, será necessário um exame prévio para observação dos critérios de inclusão/exclusão que estão a ser definidos.







15 de março de 2014

Investigadores do ICVS/3Bs desenvolveram um novo modelo de ratinho transgénico da doença de Machado- Joseph e demonstraram um atraso da progressão da doença com o tratamento crónico com 17-DMAG



Investigadores do ICVS/3Bs desenvolveram um novo modelo de ratinho transgénico da doença de Machado- Joseph e demonstraram um atraso da progressão da doença com o tratamento crónico com 17-DMAG
Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho liderada pela Profª Patrícia Maciel publicou recentemente um artigo na revista internacional Neurotherapeutics, descrevendo a caracterização de um novo modelo de ratinho da doença de Machado-Joseph (DMJ), a ataxia espinocerebelosa mais prevalente em todo o mundo, e que até agora permanece incurável. Este modelo apresenta várias características semelhantes às da doença humana ao nível dos sintomas neurológicos e das regiões do cérebro afectadas, o que até à data não tinha sido observado num único modelo da doença, tornando-se assim uma ferramenta valiosa para ensaios terapêuticos. As principais vantagens do modelo CMVMJD135 são a ausência de morte prematura e a manifestação de sintomas característicos da DMJ, incluindo perda acentuada da coordenação do movimento e do equilíbrio, assim como perda de força muscular, que se inicia a partir dos 2 meses de idade progredindo ao longo do tempo. Estes ratinhos também apresentam inclusões neuronais positivas para a ataxina-3 em diferentes regiões do cérebro, incluindo os núcleos pônticos, núcleos reticulares laterais e núcleos profundos do cerebelo. Neste trabalho, também foi demonstrado um atraso importante na progressão da doença com o tratamento crónico com o fármaco  17-DMAG, actualmente em ensaios clínicos (fase I) para tumores sólidos avançados, conduzindo a uma melhoria acentuada dos sintomas e da neuropatologia. Adicionalmente, os investigadores analisaram os mecanismos subjacentes a este efeito, mostrando que apesar de a expressão as proteínas “chaperones” (“acompanhantes” de proteínas mal conformadas) no modelo do ratinho CMVMJD135 não ter sido aumentada com o tratamento, o 17- DMAG é eficaz através da indução de autofagia (mecanismo de auto-digestão parcial da célula, que protege contra os agregados). Desta forma, os resultados deste artigo confirmam que a modulação deste mecanismo celular pode ser relevante para o tratamento desta doença e traduzem o potencial deste composto a nível clinico.
Notas adicionais:
O 17-DMAG está em fase de ensaios clínicos em humanos (1ª fase - determinação da segurança de utilização) mas não para este tipo de doenças, antes para tratamento de alguns tipos de cancro.
- E quando irá passar para tratamento, disponibilizado nas farmácias?
Não será uma passagem imediata para a clínica. Ainda não se vende nas farmácias, nem se pode usar em doentes sem antes ser aprovado para esse fim, o que só pode acontecer depois de serem realizados ensaios clínicos em doentes com DMJ.
Por outro lado, este fármaco tem alguns efeitos laterais que o tornam de difícil utilização em doenças neurodegenerativas crónicas como é o caso da doença de Machado-Joseph, em que tem que se administrar o fármaco durante muito tempo.
Por este motivo, os investigadores consideram que os nossos resultados servem para comprovar que o “alvo” a que se dirige o fármaco é um bom alvo a atingir, mas que se tem que melhorar as “armas” a utilizar, ou seja desenvolver compostos com a mesma acção mas com menos efeitos secundários. Felizmente, há já algumas empresas farmacêuticas a trabalhar neste sentido e o grupo da UM está a trabalhar activamente com uma delas no sentido de testar esses novos fármacos no modelo ratinho. Esta é uma situação afortunada, porque é muito raro as empresas farmacêuticas manifestarem interesse nestas doenças raras, que não representam uma grande mais-valia económica. Se os novos fármacos da mesma família tiverem o mesmo efeito benéfico sem terem os efeitos secundários, estarão em melhor posição para passarem a ser testados em humanos.
Entretanto, a equipa da UM continua também a estudar outras possibilidades, nomeadamente com fármacos já considerados seguros para utilização prolongada em humanos, cuja passagem para a clínica será mais fácil (projecto suportado financeiramente pela APAHE, juntamente com a AtaxiaUK).
 
NOTA: A APAHE agradece à Dra. Patrícia Maciel, que amavelmente redigiu este artigo.


10 de março de 2014

UMinho identifica fármaco para tratar doença rara (Machado Joseph)

© Universidade do Minho
Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade do Minho (UMinho) acaba de anunciar o desenvolvimento de um modelo que comprova a eficácia do fármaco 17-DMAG no tratamento da Doença de Machado-Joseph (DMJ), uma doença neurodegenerativa rara e, até ao momento, incurável causada por uma mutação no gene ATXN3.

Em comunicado enviado ao Boas Notícias, a UMinho explica que o medicamento em causa atrasa a progressão da doença - que se carateriza, entre outros sintomas, pela descoordenação dos movimentos corporais e que tem grande incidência na Ilha das Flores, nos Açores - e que está inclusivamente a ser testado em tumores cancerígenos avançados.

A patologia tem como principais consequências a descoordenação dos movimentos corporais, incluindo deficits piramidais, extrapiramidais e cerebelosos, bem como neuropatia periférica e, em alguns casos, "parkinsonismo". Este desequilíbrio pode ter interferências na coordenação dos dedos, mãos, braços e pernas, nos movimentos oculares e no mecanismo de deglutição.
Pegadas de ratinhos normais (esq.) e de ratinhos transgénicos - modelo da DMJ - com diferentes idades, expressas em semanas de vida (dir.), apresentando estes últimos dificuldades em caminhar.

Os resultados da investigação publicada na prestigiada revista científica "Neurotherapeutics" revelam que o fármaco em estudo pode ser útil no tratamento de doentes com Machado-Joseph. "Este fármaco induz a autofagia, um mecanismo celular de defesa cuja ativação provou, em estudos anteriores, ser benéfica na proteção contra esta patologia", explica Patrícia Maciel, coordenadora do projeto e investigadora do Laboratório Associado ICVS/3B’s da UMinho.

O modelo usado para validar a ação do 17-DMAG foi desenvolvido em ratinhos e reúne manifestações clínicas e patológicas semelhantes às da DMJ. "Os ratinhos apresentam uma progressiva descoordenação motora, perda de força e neurónios, bem como uma agregação da proteína ataxina-3 mutada em várias regiões do cérebro", contextualiza a especialista, de 42 anos.

De acordo com Patrícia Maciel, licenciada em Bioquímica e doutorada em Ciências Biomédicas na Universidade do Porto e na Universidade McGill, no Canadá, onde viveu durante quatro anos, este modelo reproduz "muito fielmente" a doença, constituindo-se como uma ferramenta valiosa para testar novas estratégias terapêuticas.

Fonte:
http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_UMinho-identifica-f%C3%A1rmaco-para-tratar-doen%C3%A7a-rara_18999.html?page=0

27 de julho de 2012

Nova esperança para doença neurodegenerativa


Uma equipa portuguesa do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra foi capaz de parar a degeneração cerebral em ratos, através do bloqueio de uma molécula denominada calpaína.



Os investigadores estão um passo mais próximos de descobrir um tratamento para a Doença de Machado-Joseph (DMJ), uma doença neurodegenerativa fatal, após uma equipa portuguesa do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra ter sido capaz de parar a degeneração cerebral em ratos, através do bloqueio de uma molécula denominada calpaína. A calpaína é conhecida por cortar a ataxina-3 (a proteína mutante por detrás da DMJ) em fragmentos, e o estudo, que vai ser publicado no jornal Brain (Cérebro), prova que estes fragmentos são cruciais para acionar a neurodegeneração.



Se este trabalho poder ser repetido em pacientes humanos – e os resultados preliminares do estudo assim o sugerem –, os medicamentos que bloqueiam a calpaína podem tornar-se o primeiro tratamento capazes de travarem a DMJ. Luís Pereira de Almeida – o líder da equipa de investigação – acrescenta “e mesmo que não consigamos prevenir com totalidade a clivagem da ataxina-3, dado que esta é uma doença que se revela mais tarde, reduzir a sua velocidade pode ser o suficiente para travá-la de aparecer durante o tempo de vida dos pacientes, o que seria uma vitória incrível numa doença terrível”.

E de facto, a DMJ (também chamada de ataxia espinocerebelar tipo 3 ou SCA3) é terrível – uma doença neurodegenerativa que causa ataxia (uma incapacidade de controlar os movimentos do corpo), confinando os pacientes a cadeiras de rodas e a uma dependência total, a doença é fatal e não tem tratamento. E apesar de rara, há locais onde a sua incidência é mais elevada – como a ilha portuguesa açoriana das Flores –, podendo atingir cerca de 1 em cada 140 indivíduos. Isto, juntamente com o facto de a severidade da doença tender a aumentar à medida que é transmitida de uma geração para a próxima, e que é transmitida a metade de todas as crianças com progenitores afetados, torna a descoberta de um tratamento seriamente urgente.

Também sabemos que a DMJ é causada por uma parte aberrante de ADN que se multiplica dentro do gene MJD1 (quanto mais longa é a parte, pior é a doença), produzindo a proteína mutante ataxina-3, proteína que agrega a formação de depósitos nas áreas do cérebro afetadas pela doença. O que não sabemos é o que leva à neurodegeneração, tornando mais difícil desenvolver tratamentos capazes de travar o processo.

No estudo agora publicado, Ana Simões (a primeira autora do trabalho), Pereira de Almeida e colegas observaram novas terapias, através de outro mistério da DMJ – a razão porque a ataxina-3 normal “vive” fora dos núcleos celulares, enquanto os depósitos da sua forma mutada são encontrados dentro (apesar de a proteína mutante ser maior e, supostamente, haver maior dificuldade em atravessar o núcleo). É normal pensar que se se descobrisse porque isto acontece, podia ser travado, interferindo com a doença.

E isto é onde os fragmentos de ataxina-3 entram – a “hipótese fragmentária tóxica” é uma teoria que afirma que algumas doenças neurodegenerativas são acionadas através da produção de fragmentos tóxicos a partir da proteína mutada por detrás da doença. A doença de Alzheimer tem sido ligada a isso, por exemplo e, mais recentemente, também a DMJ. De facto, recentemente foi demonstrado que a ataxina-3 mutante, quebrada pela calpaína, produz fragmentos tóxicos que são capazes não só de escapar aos mecanismos celulares de controlo de qualidade, como também de acionar a agregação da ataxina-3 (que vai levar aos depósitos cerebrais). E se a DMJ é acionada pelos fragmentos tóxicos produzidos pela calpaína, isso explicaria como é que os depósitos anormais chegam aos núcleos (já que são os fragmentos, e não a proteína, a entrar) e também, finalmente, dar-nos-ia uma forma de travar a DMJ (através do bloqueio da calpaína).

Então, poderia a calpaína ser a chave para a neurodegeneração da DMJ, assim como o seu tratamento? No trabalho agora publicado, o grupo de Pereira de Almeida investiga a possibilidade com a ajuda do único inibidor da calpaína conhecido no corpo, uma molécula chamada calpastatina (ou CAST). A ideia é a de que se a calpaína é importante para a DMJ, a CAST será capaz de travá-la.

Através da utilização de ratos com níveis diferentes de CAST no cérebro, assim como a ataxina-3 mutante, os investigadores descobriram que pondo grandes quantidades de CAST nos cérebros dos ratos com DMJ, reduz os depósitos anormais de proteínas, assim como a neurodegeneração e a disfunção neural típica da doença. Estes animais tratados com CAST também tinham uma atividade calpaínica mais baixa (quando comparados com os ratos “normais” com DMJ), provando que o CAST estava a afetar a calpaína. A hipótese de que o CAST estava a agir através da travagem da formação de fragmentos tóxicos foi ainda confirmada quando fragmentos da proteína mutante foram encontrados, em grandes quantidades, em animais doentes, mas em quantidades muito reduzidas nos animais tratados com níveis elevados de CAST.

De forma interessante, Simões e os colegas também descobriram que o CAST parecia que tinha um papel na doença propriamente dita – havia muito menos CAST no cérebro dos ratos doentes de que nos saudáveis, e quando os níveis da ataxina-3 mutante aumentavam no cérebro dos ratos com DMJ, o CAST desaparecia (aparentemente apagado pela proteína mutante?).

Pela primeira vez em sujeitos vivos (no caso, ratos), estes resultados demonstram uma ligação entre a quebra da ataxina-3 mutante, a formação de depósitos anormais de proteínas e os danos neurais que provocam a DMJ. Também provam que os fragmentos tóxicos são cruciais para acionar a destruição cerebral. Como Pereira explica “é como se a ataxina-3 ficasse ‘cravada’ pela calpaína, com estes fragmentos ‘armados’ forçando o acesso aos centros de controlo celular, onde bloqueiam as mais diversas funções e causam a morte celular. Porque são pequenos, têm mais capacidade de entrar no núcleo celular para provocar danos”. Os resultados também abrem as portas a investigações similares sobre outras doenças neurodegenerativas com a “ligação do fragmento tóxico”.

Mas o mais importante de tudo, é facto deste novo trabalho revelar que o CAST pode travar a neurodegeneração da DMJ.

A questão que agora se levanta, é se pode ser repetido em humanos? E na verdade algumas experiências preliminares, mas muito promissoras, levadas a cabo pela equipa de Pereira de Almeida, mostram que os níveis de CAST são mais baixos que o normal no cérebro dos pacientes com DMJ, sugerindo um mecanismo da doença similar nos humanos e nos ratos (e assim também um efeito terapêutico similar do CAST), o que são grandes notícias não só para os cientistas envolvidos, mas especialmente para todas as famílias afetadas. E o grupo já está a testar medicação via oral capaz de bloquear a calpaína, apesar de por agora, só em animais.


6 de dezembro de 2011

Ataxias friedreich e Machado Joseph (Informação varia)

A Ataxia de Friedreich, foi a primeira ataxia hereditária a ser distinguida de outras formas de ataxia.Seu nome se origina do médico neurologista alemão Nicholaus Friedreich (1825-1882), professor de medicina em Heidelberg, Alemanha, o primeiro a descrever em 1863 a misteriosa doença caracterizada pela perda gradual de coordenação e progressiva degeneração do sistema nervoso. Ele descreveu uma série de artigos sobre nove pacientes, de três famílias diferentes, afectados por um tipo de patologia cerebelar, entre 1863 e 1877. A partir de então outros autores passaram a descrever diversos quadros distintos de ataxias, surgindo então as primeiras classificações das doenças cerebelares (....) saiba mais Continue a ler AQUI

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Análise clinica e molecular da ataxia de Friedreich: revisao da literatura  (Continue a ler AQUI)

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Ataxia de Friedreich é uma das ataxias hereditarias recessivas mais comuns (Continue a ler AQUI)

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Doenças e sintomas - MACHADO JOSEPH - (Continue a ler AQUI)

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A Doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma doença crônica que afeta estruturas neurológicas responsáveis principalmente pela coordenação dos movimentos e pelo equilíbrio (Continue a ler AQUI)

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A doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma doença neurológica hereditária, com uma história fascinante, desde a origem do seu nome, até à origem (ou origens) da mutação e sua difusão pelo mundo. A descoberta da DMJ e, portanto, a história da sua investigação é, no entanto, muito recente.






12 de outubro de 2011

DMJ - Injeções de Celulas Tronco Cordao Umbilical

Beike Robert Frank Flynn
EXPERIÊNCIA DO PACIENTE – A T A X I A

NOME:
Robert Frank Flynn

IDADE:
49

PAÍS:
EUA

DIAGNÓSTICO:
Ataxia III (Doença de Machado-Joseph). Robert tem ataxia hereditária, que herdou de sua família materna.

RAZÃO PARA FAZER O TRATAMENTO:
A condição de Robert foi piorando progressivamente e causou uma diminuição no seu padrão de vida. A principal preocupação era com suas capacidades físicas: Ele não conseguia andar e tinha grande dificuldade para se manter de pé. Sua fala também foi afetada o que tornou difícil para ele se comunicar. Depois que seu irmão recebeu os tratamentos no início deste ano e teve bons resultados, Robert também decidiu vir.
TRATAMENTO: Injeções de Células Tronco de Cordão Umbilical e Fator de Crescimento Nervoso com Fisioterapia
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