26 de janeiro de 2012

Grupo de investigação identifica gene que vai permitir melhorar a previsão de quando os sintomas da Machado-Joseph vão surgir

Um estudo desenvolvido por um grupo de investigação liderado por Manuela Lima, da Universidade dos Açores, permitiu descobrir um gene que influencia a idade de início da doença de Machado-Joseph. O gene da Apolipoproteína E, uma proteína que participa no transporte e no metabolismo do colesterol, tem um papel modificador na doença de Machado-Joseph, estando a presença de uma variante específica deste gene associada a um início mais precoce dos sintomas da doença. A partir desta descoberta é possível saber que uma pessoa, que tem a alteração genética que causa a doença de Machado-Joseph e tem uma alteração genética no gene da Apolipoproteína E (APOE), vai ter uma idade de início da enfermidade mais precoce. Esta nova contribuição vai permitir melhorar a previsão do início da doença e, em estudos futuros, poderão ser desenvolvidas terapias dirigidas a este gene de modo a que se possa atrasar, de alguma forma, o seu início. “Trata-se de mais conhecimentos sobre os aspectos genéticos desta doença e que podem permitir o desenvolvimento de terapias que possam pelo menos atrasar o seu início”, revelou a investigadora Conceição Bettencourt. Para já estes novos dados vão dar aos geneticistas novos meios para os ajudar a prever o início da doença, constituindo assim mais um elemento para o aconselhamento genético. A responsável pelo estudo, Manuela Lima, explica que poderão existir outros genes que permitam perceber melhor quando é que a doença vai começar. “Este é o primeiro que ajuda a melhorar a previsão mas não permite prever em absoluto, apenas melhorar a previsão”, esclarece a investigadora. Uma das características da doença de Machado-Joseph, uma ataxia (falta de coordenação nos movimentos do corpo) hereditária de manifestação habitualmente tardia, é a elevada variabilidade clínica patente nos extremos das idades em que aparecem os primeiros sinais (dos 4 aos 70 anos). Este estudo foi publicado em Dezembro de 2011 na revista “Archives of Neurology”, tendo como primeira autora Conceição Bettencourt. O trabalho foi desenvolvido com o objectivo de contribuir para a compreensão da doença de Machado-Joseph e exigiu a análise de cerca de 200 doentes naturais dos Açores, de Portugal Continental e do Brasil. Manuela Lima salientou ainda a importância do trabalho colaborativo neste estudo. “Numa doença mundialmente rara apenas a colaboração entre diferentes equipas pode permitir o progresso do conhecimento. No caso deste trabalho a colaboração nacional com o grupo do professor Jorge Sequeiros e a cooperação internacional da professora Laura Jardim, que é do Brasil”, afirmou. A investigadora realçou ainda a importância da parceria com o serviço de neurologia do Hospital do Divino Espírito Santo no desenvolvimento do trabalho, que pretende, através da análise da variabilidade genética e da sua associação com a componente clínica, obter ferramentas mais eficazes com vista à previsão da idade de início, bem como a compreensão das alterações que caracterizam a progressão e a severidade da doença.• O que causa a doença de Machado-Joseph? A doença de Machado-Joseph é causada pela alteração de um gene localizado no cromossoma 14, que codifica uma proteína designada de “ataxina-3”. A doença é dominante, o que significa que basta uma dose do gene mutado (alterado), herdado a partir do pai ou da mãe, para a fazer surgir. Localizada no cromossoma 14 em 1993 e identificada um ano mais tarde, a mutação na base desta doença corresponde a uma repetição de um motivo de três bases de DNA. Essa repetição leva à formação da proteína alterada, que adquire uma função neurotóxica através de mecanismos ainda pouco conhecidos mas que estão a ser intensamente estudados. A compreensão destes mecanismos assume um papel fundamental, já que a possibilidade de terapia para esta doença está intimamente relacionada com o conhecimento acerca da função da proteína e dos efeitos fisiológicos associados.

 ANA CARVALHO MELO



Descoberta previne início de Machado-Joseph

25 de janeiro de 2012

Notícias do Instituto Buck para a Investigação sobre o Envelhecimento: conhecimento sobre a investigação de células estaminais

NewsRx.com
20120119

Os investigadores discutem sobre “O papel das células estaminais pluripotentes induzidas na medicina regenerativa: doenças neurodegenerativas”, após novas descobertas na investigação de células estaminais. “A doença de Alzheimer, a doença de Parkinson, a doença de Huntington, a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a ataxia de Friedreich são as doenças neurodegenerativas humanas mais comuns, patologicamente caracterizadas por uma perda, específica e progressiva, de certas populações neurais. Os mecanismos exactos da morte das células neurais nestas doenças não são claros, embora algumas doenças sejam hereditárias e os genes causadores dessas doenças já tenham sido identificados”, escreveram os cientistas no jornal Stem Cell Research & Therapy (Investigação de Células Estaminais & Terapia).
“Actualmente não existem terapias clínicas eficazes para muitas destas doenças. A capacidade, recentemente adquirida, de reprogramar células somáticas adultas humanas para células estaminais pluripotentes induzidas (iPSCs) em cultura, pode providenciar uma ferramenta poderosa para modelos “in vitro” de doenças neurodegenerativas e uma fonte ilimitada para terapias de substituição celular”, escreveu J. Peng e colegas, do Instituto Buck para a Investigação sobre o Envelhecimento.
Os investigadores concluem: “Presentemente, sumarizámos progressos recentes na geração iPSCs e diferenciação nos tipos de células neurais, e discutimos as aplicações potenciais para mecanismos de estudo da doença in vitro e terapias de substituição celular in vivo.”

Fonte: http://www.lifeextensionretail.com/NewsArticleDetails.aspx?NewsID=12170&Section=AGING

17 de janeiro de 2012

Ataxia-Telangiectasia (Síndrome de Louis-Bar)

A ataxia-telangiectasia (A-T) é carcterizada por ataxia cerebelar progressiva que aparece entre um e quatro anos de idade, apraxia aculomotora, infecções frequentes, coreoatetose, telangiectasias da conjuntiva, imunodeficiência e um risco elevado de malignidade, em especial leucemia e linfoma. O ATM (ataxia-telangiectasia mutated) é o único gene conhecido associado com a ataxia-telangiectasia.
Mais Informação em:
http://www.centrodegenomas.com.br/m470-1/ataxia-telangiectasia_sindrome_de_louis-bar

9 de janeiro de 2012

A presença da APAHE no mundo da investigação científica

De momento, a APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias é co-financiadora de 2 (duas) investigações sobre ataxias hereditárias: 
Ø  Investigação levada a cabo pelo Dr. Pierre Rustin, sobre a ataxia de Friedreich (ver http://www.babelfamily.org/pt/component/content/article/34-news-database/172-o-projecto-do-prof-pierre-rustin-a-identificacao-de-alvos-adicionais-na-ataxia-de-friedreich), no Hospital Robert Debré (França), num período previsto de 5 anos (3 co-financiado por associações + 2 financiados por uma fundação particular), e que teve início em 2010. 

Ø  Investigação a ser levada a cabo pela Dra. Patrícia Maciel, sobre a Doença de Machado-Joseph (ver http://artigosataxiashereditarias.blogspot.com, entrada: 02/06/2011), na Universidade do Minho (Portugal), num período previsto de 2 anos, e que tem início previsto para o próximo mês (Fevereiro/2012). 

Os co-financiamentos de ambas as investigações são coordenados pela Ataxia UK (http://www.ataxia.org.uk).
Queremos agradecer a todos os n/ sócios e apoiantes, pois sem a ajuda deles, nada disto seria possível.
Esperamos poder continuar a realizar este tipo de acções.
A todos, o nosso mais profundo e sentido muito obrigado e bem-haja. 

Fátima d’Oliveira

Presidente da Direcção da APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias

Ataxia após uma apoplexia

Ataxia significa sem coordenação. Pode ocorrer após uma apoplexia e pode afectar várias partes do corpo, incluindo os olhos, mãos, braços, pernas, corpo e fala. A ataxia é mais comum após uma apoplexia cerebelar e pode ser identificada através de um porte instável, incapacidade de realizar movimentos rápidos alternados, incoordenação dos membros inferiores, discurso arrastado, dificuldade em deglutir, movimentos bruscos e irregulares, e equilíbrio desigual.
O tratamento da ataxia envolve terapia da fala, terapia ocupacional e fisioterapia. O terapeuta da fala pode ajudar a fortalecer os músculos necessários ao discurso oral e à deglutição, ensinar exercícios respiratórios para melhorar o discurso, ensinar os pacientes a falarem mais devagar, recomendar alterações na alimentação de cada um para uma deglutição mais segura, e aconselhar os pacientes acerca do uso de aparelhos adaptáveis de comunicação se necessário. O terapeuta ocupacional pode introduzir equipamento adaptável para ajudar a compensar a coordenação diminuída, assim como ensinar exercícios de coordenação para a chamada motricidade fina. O fisioterapeuta pode trabalhar na melhoria do porte, equilíbrio e força.

5 de janeiro de 2012

Novo ensaio clínico de medicamento para a ataxia de Friedreich


Investigadores no Hospital San Luigi, Turim (Itália), tiveram autorização para o ensaio clínico (Phase I) de um novo medicamento, concebido especificamente para tratar a ataxia de Friedreich. Foi concedida a aprovação regulamentar para este ensaio clínico, onde até 20 pacientes com a doença irão testar este novo medicamento, conhecido como RG2833.
Os cientistas têm como objectivo descobrir se este medicamento é seguro, e aprender mais sobre os seus efeitos no corpo. Em particular, vão medir quaisquer alterações nos níveis de frataxina, uma proteína chave que é reduzido nas pessoas com ataxia de Friedreich.
RG2833 é um tipo de medicamento denominado “inibidor deacetilásico histónico”, que foi desenvolvido pela companhia farmacêutica Repligen, em colaboração com cientistas americanos. Os inibidores deacetilásicos histónicos podem providenciar um meio para aumentar os níveis de frataxina através da activação do gene responsável pela produção de frataxina, que está “desligado” em pessoas com ataxia de Friedreich. A iniciativa europeia de investigação, GoFAR, apoiou este estudo.

3 de janeiro de 2012

Ataxia


A ataxia é uma desordem de equilíbrio debilitado e coordenação fraca dos movimentos intencionais. Resulta da disfunção cerebelar devido a (1) dano de qualquer das duas vias aferentes (desde o aparelho vestibular ao vermis caudal ou desde a espinal medula ou tronco cerebral ao cerebelo) ou (2) dano nas fibras motoras para e desde o cerebelo. Os diagnósticos diferenciais de ataxia em crianças é amplo e inclui encefalite do tronco cerebral devido a monocitogenes Listeria. Descobertas clínicas em rombencefalomilopatia burgdorferi Borrelia devido a vasculopatia inflamatória na medula inclui os primeiros sintomas, agudos, de disfunção do tronco cerebral seguida, nalguns casos, de mielitis progressiva.

Histórico

A história dum paciente com ataxia foca-se (1) na idade da criança; (2) presença de febre, doenças recentes, imunização, trauma, medicações em casa e ingestão ou intoxicação; (3) progressão, duração e frequência da ataxia, se intermitente; (4) presença de sintomas constitucionais; e (5) histórico familiar de enxaquecas. A febre e a ataxia têm sido relatados raramente como descobertas solitárias em pacientes com meningite bacteriana.

Exames físicos

Tendo em consideração o diagnóstico diferencial, o clínico primeiro devia distinguir disfunção cerebelar e ataxia de outras desordens de porte (desordens musculares ou neuromusculares, doença da anca ou membros inferiores) e incoordenação (desordens neuromusculares ou neurosensoriais, coreia). A criança verbal com audição média ou doença do ouvido interno que leva a queixas de tonturas de desequilíbrio; isto não é normalmente o caso em crianças com ataxia devido a doença cerebelar ou da coluna posterior. A criança atáxica não é fraca. Nas crianças com ataxia cerebelar, o teste Romberg é positivo, quer com olhos abertos, quer com os olhos fechados. De pé e com os braços esticados, a criança cai na direcção do hemisfério cerebelar afectado. A ataxia devido a doença da coluna posterior é associada a um resultado positivo no teste Romberg, apenas quando os olhos estão fechados.

O sítio da doença cerebelar pode ser localizado no cerebelo, ou parte do cerebelo envolvida. O dano na vermis cerebelar resulta em ataxia do tronco e porte, enquanto que o dano nos hemisférios cerebelares resulta em ataxia ipsilateral dos membros inferiores e nistagmo. Pode ocorrer hipotonia e disartria quando a lesão cerebelar é difusa.

Uma vez que a doença está localizada no cerebelo, tem inicio a avaliação de objectivos e causas que possam pôr a vida em risco. Tumores no sistema nervoso central, nomeadamente glioma do tronco cerebral, são normalmente associados a ataxias crónicas, intermitentes, mas raramente podem causar ataxia aguda. Sinais de maior pressão intracraniana podem estar presentes, mas não é assim invariavelmente. Por outro lado, uma maior pressão intracraniana, de qualquer causa, pode inicialmente manifestar-se como ataxia. Um exame clínico geral deve ser minucioso e deve ser dirigido em distinguir etiologias. Febre e uma nova irritação cutânea, ou a curar-se, podem ser pista para uma cerebelite aguda infecciosa ou pós-infecciosa. Um exame cuidado da pele e couro cabeludo em busca de carraças é legitimo, pois os sinais iniciais da paralisia da carraça são ataxia e nistagmo; fraqueza motora e paralisia ascendente instalam-se nas 48 horas a seguir. A doença do ouvido médio pode resultar em disfunção vestibular e ataxia. Uma massa abdominal pode ser palpável na criança com neuroblastoma; um sindroma paraneoplástico de uma ataxia-opsoclonus pode ocorrrer em tal criança e é normalmente agudo no aparecimento. A ataxia crónica e o atraso severo no neurodesenvolvimento normalmente persistem nestes pacientes. É de realçar que uma percentagem significativa de crianças com a presença da ataxia-opsoclonus de neuroblastoma, têm apresentação de pleocitosis, o que pode ser facilmente confundido com cerebilite aguda infecciosa. A não ser que a ataxia seja de muito curta duração, como num sindroma de enxaqueca em artéria basilar ou vertigens paroximais benignas, é necessária uma avaliação mais profunda.


Fonte: http://drugswell.com/wowo/blog1.php/2011/12/31/ataxia-1