23 de março de 2007

Investigadores da Universidade do Minho avançam no combate a patologia neurológica

Identificado gene de doença incurável


Investigadores portugueses, da Universidade do Minho (UM), progridem no conhecimento de uma doença neurodegenerativa ao caracterizarem um gene homólogo àquele que a motiva.
Um grupo de cientistas portugueses caracterizou um gene homólogo do causador de uma patologia neurológica identificada pela primeira vez em Portugal, avançando assim no conhecimento da doença de Machado-Joseph (DMJ).
Patrícia Maciel e Ana João Rodrigues, investigadoras do Instituto de Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho, são as principais autoras desta investigação. Juntamente com Jorge Sequeiros, Cláudia Santos, Maria do Carmo Costa e um grupo de cientistas norte-americanos, formam a equipa responsável pelo estudo publicado na edição online da revista da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental.
Segundo Patrícia Maciel, “o trabalho consistiu em caracterizar um gene homólogo ao causador da DMJ num pequeníssimo verme chamado Caenorhabditis elegans, o primeiro animal cujo genoma foi completamente sequenciado”. O objectivo era, então, compreender a função biológica da ataxina-3, uma proteína codificada pelo gene gerador da doença, e saber por que razão a mutação causadora da DMJ leva à morte neuronal.
A DMJ é uma patologia neurodegenerativa, ainda incurável, responsável pela perda progressiva das capacidades, essencialmente motoras, e pela morte de conjuntos de neurónios, embora sem desaparecimento das capacidades cognitivas. Patrícia Maciel explica que “embora exista uma grande variabilidade clínica nesta doença, os primeiros sintomas são em geral a perda de equilíbrio e dificuldades na marcha, na articulação da fala e no deglutir dos alimentos, bem como defeitos subtis nos movimentos dos olhos”.
A DMJ foi diagnosticada pela primeira vez nos Açores por Paula Coutinho, uma investigadora portuguesa. Depois de identificado o gene causador chegou-se à conclusão de que a doença não era, afinal, uma “doença açoriana”, mas que afectava várias populações em diferentes locais do globo.
O nome de Machado-Joseph explica-se porque o primeiro caso desta patologia foi detectado na década de 70 na ilha açoriana de São Miguel num paciente chamado William Machado e o seguinte foi diagnosticado a uma família chamada Joseph, nos Estados Unidos, Califórnia.

Cientistas portugueses identificam gene homólogo ao causador da doença de Machado-Joseph

Cientistas portugueses deram mais um passo no conhecimento de uma doença neurológica identificada pela primeira vez em Portugal, ao caracterizarem um gene homólogo do causador dessa patologia, num estudo publicado numa revista norte-americana de biologia experimental.
Segundo as principais autoras da investigação, Patrícia Maciel e Ana João Rodrigues, do Instituto de Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho, o objectivo foi tentar compreender a função biológica, até agora desconhecida, da ataxina-3, uma proteína que é codificada pelo gene responsável pela doença de Machado-Joseph (DMJ)."O trabalho consistiu em caracterizar um gene homólogo ao causador da DMJ num pequeníssimo verme chamado Caenorhabditis elegans, o primeiro animal cujo genoma foi completamente sequenciado", explicou a cientista Patrícia Maciel à agência Lusa."Esse modelo [C. elegans] é também usado no ensino do sistema nervoso aos alunos de Medicina", acrescentou.O estudo está na edição online da revista da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental (FASEB Journal) e teve também como co-autores Jorge Sequeiros, Cláudia Santos, Maria do Carmo Costa e um grupo de colegas norte-americanos.A DMJ é uma doença neurodegenerativa com início na idade adulta que provoca perda progressiva das capacidades, sobretudo no que respeita à coordenação motora, e a morte, também gradual, de conjuntos específicos de neurónios."Embora exista uma grande variabilidade clínica nesta doença, os primeiros sintomas são em geral a perda de equilíbrio e dificuldades na marcha, na articulação da fala e no deglutir dos alimentos, bem como defeitos subtis nos movimentos dos olhos", referiu Patrícia Maciel.A doença, ainda incurável, progride para uma dificuldade cada vez maior na coordenação dos movimentos até confinar os pacientes ao leito, mas sem perda das capacidades cognitivas.Descrita como entidade clínica individual em 1978 pela neurologista portuguesa Paula Coutinho, que a estudou em famílias açorianas e de Portugal continental, esta doença foi depois encontrada noutras partes do mundo.Segundo Patrícia Maciel, "o trabalho pioneiro da professora Paula Coutinho abriu portas ao estudo do mapeamento do gene da doença pelo grupo do professor Jorge Sequeiros [do Instituto de Biologia Molecular e Celular, da Universidade do Porto] e iniciou anos de dedicação de vários investigadores portugueses a este tema".Após a identificação do gene causador, tornou-se claro que a doença existia em várias populações, em diversas localizações geográficas, levando ao abandono da sua designação inicial de "doença açoriana", também conhecida no arquipélago por "doença do tropeção".Passou a chamar-se ooença de Machado-Joseph porque o primeiro caso foi diagnosticado nos anos 70 num descendente de uma família da Bretanha na ilha de São Miguel, chamado William Machado, e logo outro numa família chamada Joseph, residente no norte do estado norte-americano da Califórnia.Anos mais tarde, em 1994, um grupo japonês clonou o gene causador da doença. O estudo da relação entre as mutações presentes nos doentes e as suas manifestações clínicas foi realizado por Patrícia Maciel, juntamente com os seus colegas Jorge Sequeiros e Paula Coutinho.O trabalho agora publicado insere-se no esforço desenvolvido pelo grupo de Patrícia Maciel para tentar, por um lado, compreender o mecanismo pelo qual a mutação causadora da DMJ causa a morte neuronal e, por outro, a função biológica da ataxina-3, a proteína que o gene codifica.Patrícia Maciel é licenciada em Bioquímica e doutorada em Ciências Biomédicas pela Universidade do Porto, docente no curso de Medicina da Escola de Ciências de Saúde da Universidade do Minho e responsável de investigação em Neurociências no Instituto de Ciências da Vida e da Saúde da mesma universidade.
(PÚBLICO 16/03/2007)