31 de julho de 2012

Fármaco inovador ataca várias doenças degenerativas

Uma nova classe de fármacos desenvolvidos na Feinberg School of Medicine da Northwestern University, nos EUA, revelou-se promissora enquanto terapia eficaz tanto para a doença de Alzheimer como a doença de Parkinson, a esclerose múltipla e as lesões traumáticas no cérebro através da redução da inflamação.
De acordo com o portal Science Daily, os medicamentos em questão - destinados a ser administrados por via oral e que foram recentemente patenteados - têm como alvo um tipo particular de inflamação cerebral que é um denominador comum em todas estas doenças neurológicas e nas lesões do cérebro resultantes de traumas ou acidente vascular cerebral.
Quando os fármacos foram administrados a ratinhos programados geneticamente para desenvolver Alzheimer, conseguiram impedir que a doença progredisse e se desenvolvesse completamente.
O tratamento em questão oferece uma perspetiva terapêutica diferente daquela que é habitual e que se destina, tradicionalmente, a evitar a multiplicação, no cérebro, das placas beta-amilóides, que são um indicador mas não uma causa provada do Alzheimer. Em vez disso, o fármaco trabalha prevenindo a sobreprodução das citocinas pró-inflamatórias, proteínas prejudiciais ao funcionamento daquele órgão.
"Estes medicamentos - denominados provisoriamente MW151 e MW189 - podem tornar-se parte de um conjunto de fármacos com potencial para serem usados na prevenção do desenvolvimento do Alzheimer", afirmou Martin Watterson, professor de farmacologia molecular e bioquímica na Feinberg School, onde foi desenvolvido.
Uma vez que este mecanismo inflamatório prejudicial também tem um papel no desenvolvimento de outras doenças neurodegenerativas, a nova classe de medicamentos, em particular o MW151, poderá ainda funcionar como terapia adicional para a doença de Parkinson, a esclerose lateral amiotrófica, a esclerose múltipla e várias demências, além de aliviar as lesões cerebrais em consequência de traumas.
Segundo os investigadores, outros testes realizados em ratinhos e que serão aprofundados futuramente evidenciaram que os fármacos conseguem inibir a progressão da esclerose múltipla e, no caso de danos no cérebro, prevenir complicações a longo-prazo como o risco de convulsões e diversos problemas cognitivos.
 

28 de julho de 2012

Uma nova estratégia de terapia genética aumenta os níveis de proteína deficiente na ataxia de Friedreich

Uma nova abordagem à terapia genética que instrui as próprias células da pessoa a produzir maior quantidade de uma proteína natural de combate às doenças, pode oferecer uma solução para o tratamento de muitas doenças genéticas. O método foi utilizado para descobrir um aumento de 2 a 3 vezes na produção da proteína deficiente em pacientes com ataxia de Friedreich, como descrito num artigo publicado na Terapia Genética Humana (Human Gene Therapy).



O método inovador de terapia genética descrito por Jacques Tremblay, Pierre Chapdelaine, Zoé Coulombe e Joel Rousseau, da Universidade de Laval, Québec, e da Universidade do Québec, Canadá, aproveita a capacidade de uma família de proteínas, denominadas proteínas de efeito Tal (TALE), visarem sequências de ADN específicas. Como modelo para demonstrar a forma de como este método podia ser usado para tratar doenças genéticas, os autores fizeram com que as proteínas TALE visassem o gene que codifica a proteína frataxina, que é deficiente na ataxia de Friedrech. A capacidade de induzir células a produzir mais frataxina pode reduzir os sintomas da doença e providenciar uma estratégia terapêutica eficaz e a longo prazo, concluem os autores.

“Esta é uma abordagem muito inteligente para tratar uma doença recessiva causada pela quantidade inferior de uma, noutras situações, proteína normal,” diz o Dr. James M. Wilson, Editor Chefe e Diretor do Programa de Terapia Genética, Departamento de Patologia e Laboratório de Medicina, Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pennsylvania, Filadélfia (EUA).





Fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2012/07/120725105212.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+sciencedaily+%28ScienceDaily%3A+Latest+Science+News%29

27 de julho de 2012

Nova esperança para doença neurodegenerativa


Uma equipa portuguesa do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra foi capaz de parar a degeneração cerebral em ratos, através do bloqueio de uma molécula denominada calpaína.



Os investigadores estão um passo mais próximos de descobrir um tratamento para a Doença de Machado-Joseph (DMJ), uma doença neurodegenerativa fatal, após uma equipa portuguesa do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra ter sido capaz de parar a degeneração cerebral em ratos, através do bloqueio de uma molécula denominada calpaína. A calpaína é conhecida por cortar a ataxina-3 (a proteína mutante por detrás da DMJ) em fragmentos, e o estudo, que vai ser publicado no jornal Brain (Cérebro), prova que estes fragmentos são cruciais para acionar a neurodegeneração.



Se este trabalho poder ser repetido em pacientes humanos – e os resultados preliminares do estudo assim o sugerem –, os medicamentos que bloqueiam a calpaína podem tornar-se o primeiro tratamento capazes de travarem a DMJ. Luís Pereira de Almeida – o líder da equipa de investigação – acrescenta “e mesmo que não consigamos prevenir com totalidade a clivagem da ataxina-3, dado que esta é uma doença que se revela mais tarde, reduzir a sua velocidade pode ser o suficiente para travá-la de aparecer durante o tempo de vida dos pacientes, o que seria uma vitória incrível numa doença terrível”.

E de facto, a DMJ (também chamada de ataxia espinocerebelar tipo 3 ou SCA3) é terrível – uma doença neurodegenerativa que causa ataxia (uma incapacidade de controlar os movimentos do corpo), confinando os pacientes a cadeiras de rodas e a uma dependência total, a doença é fatal e não tem tratamento. E apesar de rara, há locais onde a sua incidência é mais elevada – como a ilha portuguesa açoriana das Flores –, podendo atingir cerca de 1 em cada 140 indivíduos. Isto, juntamente com o facto de a severidade da doença tender a aumentar à medida que é transmitida de uma geração para a próxima, e que é transmitida a metade de todas as crianças com progenitores afetados, torna a descoberta de um tratamento seriamente urgente.

Também sabemos que a DMJ é causada por uma parte aberrante de ADN que se multiplica dentro do gene MJD1 (quanto mais longa é a parte, pior é a doença), produzindo a proteína mutante ataxina-3, proteína que agrega a formação de depósitos nas áreas do cérebro afetadas pela doença. O que não sabemos é o que leva à neurodegeneração, tornando mais difícil desenvolver tratamentos capazes de travar o processo.

No estudo agora publicado, Ana Simões (a primeira autora do trabalho), Pereira de Almeida e colegas observaram novas terapias, através de outro mistério da DMJ – a razão porque a ataxina-3 normal “vive” fora dos núcleos celulares, enquanto os depósitos da sua forma mutada são encontrados dentro (apesar de a proteína mutante ser maior e, supostamente, haver maior dificuldade em atravessar o núcleo). É normal pensar que se se descobrisse porque isto acontece, podia ser travado, interferindo com a doença.

E isto é onde os fragmentos de ataxina-3 entram – a “hipótese fragmentária tóxica” é uma teoria que afirma que algumas doenças neurodegenerativas são acionadas através da produção de fragmentos tóxicos a partir da proteína mutada por detrás da doença. A doença de Alzheimer tem sido ligada a isso, por exemplo e, mais recentemente, também a DMJ. De facto, recentemente foi demonstrado que a ataxina-3 mutante, quebrada pela calpaína, produz fragmentos tóxicos que são capazes não só de escapar aos mecanismos celulares de controlo de qualidade, como também de acionar a agregação da ataxina-3 (que vai levar aos depósitos cerebrais). E se a DMJ é acionada pelos fragmentos tóxicos produzidos pela calpaína, isso explicaria como é que os depósitos anormais chegam aos núcleos (já que são os fragmentos, e não a proteína, a entrar) e também, finalmente, dar-nos-ia uma forma de travar a DMJ (através do bloqueio da calpaína).

Então, poderia a calpaína ser a chave para a neurodegeneração da DMJ, assim como o seu tratamento? No trabalho agora publicado, o grupo de Pereira de Almeida investiga a possibilidade com a ajuda do único inibidor da calpaína conhecido no corpo, uma molécula chamada calpastatina (ou CAST). A ideia é a de que se a calpaína é importante para a DMJ, a CAST será capaz de travá-la.

Através da utilização de ratos com níveis diferentes de CAST no cérebro, assim como a ataxina-3 mutante, os investigadores descobriram que pondo grandes quantidades de CAST nos cérebros dos ratos com DMJ, reduz os depósitos anormais de proteínas, assim como a neurodegeneração e a disfunção neural típica da doença. Estes animais tratados com CAST também tinham uma atividade calpaínica mais baixa (quando comparados com os ratos “normais” com DMJ), provando que o CAST estava a afetar a calpaína. A hipótese de que o CAST estava a agir através da travagem da formação de fragmentos tóxicos foi ainda confirmada quando fragmentos da proteína mutante foram encontrados, em grandes quantidades, em animais doentes, mas em quantidades muito reduzidas nos animais tratados com níveis elevados de CAST.

De forma interessante, Simões e os colegas também descobriram que o CAST parecia que tinha um papel na doença propriamente dita – havia muito menos CAST no cérebro dos ratos doentes de que nos saudáveis, e quando os níveis da ataxina-3 mutante aumentavam no cérebro dos ratos com DMJ, o CAST desaparecia (aparentemente apagado pela proteína mutante?).

Pela primeira vez em sujeitos vivos (no caso, ratos), estes resultados demonstram uma ligação entre a quebra da ataxina-3 mutante, a formação de depósitos anormais de proteínas e os danos neurais que provocam a DMJ. Também provam que os fragmentos tóxicos são cruciais para acionar a destruição cerebral. Como Pereira explica “é como se a ataxina-3 ficasse ‘cravada’ pela calpaína, com estes fragmentos ‘armados’ forçando o acesso aos centros de controlo celular, onde bloqueiam as mais diversas funções e causam a morte celular. Porque são pequenos, têm mais capacidade de entrar no núcleo celular para provocar danos”. Os resultados também abrem as portas a investigações similares sobre outras doenças neurodegenerativas com a “ligação do fragmento tóxico”.

Mas o mais importante de tudo, é facto deste novo trabalho revelar que o CAST pode travar a neurodegeneração da DMJ.

A questão que agora se levanta, é se pode ser repetido em humanos? E na verdade algumas experiências preliminares, mas muito promissoras, levadas a cabo pela equipa de Pereira de Almeida, mostram que os níveis de CAST são mais baixos que o normal no cérebro dos pacientes com DMJ, sugerindo um mecanismo da doença similar nos humanos e nos ratos (e assim também um efeito terapêutico similar do CAST), o que são grandes notícias não só para os cientistas envolvidos, mas especialmente para todas as famílias afetadas. E o grupo já está a testar medicação via oral capaz de bloquear a calpaína, apesar de por agora, só em animais.


19 de julho de 2012

Começa um ensaio clínico para a ataxia de Friedreich, em Londres


(13 de Julho de 2012)

Temos o prazer de anunciar que o ensaio clínico, conduzido pelo Professor Richard Festenstein no Colégio Imperial de Londres (Imperial College London), já teve início. A equipa vai testar um tipo promissor de tratamento potencial para a ataxia de Friedreich (AF) conhecido como inibidores de histona desacetilase ou HDACi. Este tipo de medicamento é uma proteína que pode ligar o gene da frataxina. Na AF, o gene da frataxina é desligado, resultando numa produção limitada da frataxina, proteína essencial.

Nesta altura inicial, o principal objetivo do ensaio é o de descobrir se o medicamento pode aumentar os níveis de frataxina. A equipa também vai estudar se o medicamento é bem tolerado e descobrir mais sobre a sua segurança.
Fonte: http://www.ataxia.org.uk/news.php/257/New%20Friedreich's%20ataxia%20trial%20begins%20in%20London

Dia Internacional das Ataxias


No próximo dia 25 de Setembro assinala-se, um pouco por todo o mundo, o Dia Internacional das Ataxias.

A APAHE também pretende assinalar essa data, mas, por motivos de agenda, tal terá lugar no final-de-semana imediatamente anterior, dia 22 de Setembro de 2012, Sábado, na cidade de Coimbra, nas instalações da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra – Anfiteatro A (Rua Sílvio Lima, Univ. Coimbra – Polo II, 3030-790 Coimbra), pelas 14h15.

Para as devidas inscrições (gratuitas, mas obrigatórias), agradecemos que consultem o link http://www.apahe.pt.vu/?menu=dia_20120922_inscricao, até 17/09/2012.

Contamos com a V/ presença!


16 de julho de 2012

Desenvolvimentos terapêuticos na Ataxia de Friedreich

A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária grave, progressiva, neuro e cardiodegenerativa, para a qual não existe, atualmente, qualquer terapia aprovada. A ataxia de Friedreich é causada pela diminuição da expressão e/ou função da frataxina, uma proteína mitocondrial que liga ferro e que está envolvida na formação nos aglomerados de ferro-enxofre. A diminuição da função da frataxina leva à diminuição da formação dos aglomerados de ferro-enxofre, acumulação de ferro mitocondrial, depleção de ferro citosólico, stresse oxidativo e disfunção mitocondrial. A clonagem do gene na origem da ataxia de Friedreich e a elucidação de muitos aspetos dos defeitos bioquímicos subjacentes à doença, têm levado a várias iniciativas terapêuticas na tentativa de aumentar a expressão da frataxina, reverter a acumulação de ferro mitocondrial e alívio do stresse oxidativo. Estas iniciativas estão ainda em desenvolvimento pré-clínico e clínico.



2 de julho de 2012

Conferência sobre Investigações sobre Ataxia, 2012


1-3 Novembro, Hotel Radisson Blu London Stansted Airport

(Londres, Reino Unido)
Sobre a Conferência sobre Investigações sobre Ataxia 2012 

A Ataxia UK já organizou três conferências sobre investigação desde 2005, onde cientistas e investigadores oriundos de toda a Europa se têm reunido e partilhado informação e avanços no campo da investigação sobre a ataxia.
Este ano, a Ataxia UK e a Ataxia Irlanda (anteriormente conhecida como a Sociedade para a Ataxia de Friedreich da Irlanda) vão, em conjunto, ser anfitriãs da Conferência sobre Investigações sobre Ataxia, em Londres. Com a presença de investigadores de todo o mundo, esta vai ser uma oportunidade para conhecer gente nova, novas ideias e partilhar resultados com a comunidade internacional que investiga a ataxia.

Oradores convidados

·         Dr. Alexis Brice, Universidade de Sorbonne, França

·         Prof. Silvia Marino, Escola de Medicina e Odontologia Barts & London, Reino Unido

·         Prof. Joel M. Gottesfeld, Instituto de Investigação Scripps, EUA

·         Prof. Annalisa Pastore, Instituto Nacional para a Investigação Médica, Reino Unido

·         Prof. Dimitri Kullman, Universidade de Londres, Reino Unido

·         Dra. Hélène Pruccio, Inserm, França

·         Prof. Stefan Pulst, Universidade do Utah, EUA

·         Prof. Michel Koenig, Universidade de Estrasburgo, França

·         Dr. Sherif El-Khamisy, Universidade do Sussex, Reino Unido

·         Prof. Massimo Pandolfo, Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica
Programa

Quarta-feira, 31 de Outubro

·         Chegada, registro e receção de boas-vindas
Quinta-feira, 01 de Novembro

·         Novas estratégias terapêuticas para as ataxias

·         Análise genética a molecular do gene e proteína frataxina

(noite)

·         Receção na Casa dos Lords
Sexta-feira, 02 de Novembro

·         Ataxia de Friedreich: modelos celulares animais e descoberta de medicamentos

·         Ataxias dominantes

(noite)

·         Jantar da Conferência
Sábado, 03 de Novembro

·         Ataxias recessivas, episódicas e não-hereditárias

·         Do laboratório até à clínica, na investigação sobre ataxias: bio marcadores e ensaios clínicos.
Fonte: http://www.ataxia.org.uk/events.php/51/ataxia-research-conference-2012#about