30 de outubro de 2012

Assembleia Geral da APAHE – Carregueira (Chamusca), 27/10/2012

Realizou-se no passado dia 27 de Outubro de 2012, Sábado, mais uma Assembleia Geral da APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias, A todos os presentes, o nosso bem-haja! Gostaríamos ainda de expressar publicamente o nosso mais profundo agradecimento ao CASC – Centro de Apoio Social da Carregueira (Chamusca), assim como a todos os seus colaboradores, pelas facilidades concedidas na realização desta Assembleia Geral.

 

26 de outubro de 2012

A calpastatina, mediadora da inibição de calpaínas, no cérebro de ratos impede a proteólise da ataxina 3 mutante, localização e agregação nucleares, aliviando a doença de Machado-Joseph.


Simões AT, Gonçalves N, Koeppen A, Déglon N, Kügler S, Duarte CB, Pereira de Almeida L

Centro de Neurociência e Biologia Celular, Universidade de Coimbra, 3004-517 Coimbra, Portugal; Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, 3000-548 Coimbra, Portugal.

 

Resumo

A doença de Machado-Joseph é a ataxia cerebelar hereditária dominante mais frequente. Uma sobre repetição do trinucleotídeo CAG no gene MJD1 traduz-se num trato poliglutamínico na proteína ataxina 3, o que sobre a proteólise, pode acionar a doença de Machado-Joseph. Investigámos o papel das calpaínas na geração dos fragmentos tóxicos da ataxina 3 e a patogénese da doença de Machado-Joseph. Para esse fim, inibimos a atividade das calpaínas em ratos modelos da doença de Machado-Joseph, através da superexpressão da calpastatina, inibidor endógeno da calpaína. O bloqueio da calpaína reduziu o tamanho e o número de inclusões da ataxina 3 mutante, disfunção neural e neurodegeneração. Através da redução da fragmentação da ataxina 3, a superexpressão da calpastatina modificou a localização subcelular da ataxina 3 mutante restringindo a proteína no citoplasma, reduzindo a agregação e a toxicidade nuclear, e ultrapassando a depleção da calpastina observada na expressão da ataxina 3 mutante. As nossas descobertas são as primeiras provas “in vivo” de que a proteólise da ataxina 3 mutante através de calpaínas, medeia a sua translocação para o núcleo, agregação e toxicidade e que a inibição de calpaínas pode providenciar uma terapia eficaz para a doença de Machado-Joseph.
 
Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22843411?dopt=Abstract

1 de outubro de 2012

Um composto presente no vinho tinto pode vir a ser usado para tratar a Ataxia de Friedreich


Um composto natural presente nas uvas e vinho tinto pode ser a chave para descobrir um tratamento para as pessoas com ataxia de Friedreich – uma doença progressiva, para a qual não existem medicamentos.

Investigadores do Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch em Melbourne (Austrália) estão de momento a ensaiar o Resveratrol, um composto encontrado maioritariamente na pele das uvas tintas, que se descobriu prolongar a vida de ratos e que alguns tomam, correntemente, como medicamento anti-envelhecimento.

Os investigadores do Instituto descobriram recentemente que o Resveratrol aumenta a produção da proteína na ataxia de Friedreich, em células e ratos.

 A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária, que geralmente aparece na infância. Causa danos progressivos no sistema nervoso, resultando numa instabilidade crescente, até que precisam de uma cadeira de rodas.

O estudo, com 30 pessoas, procura ver se esta descoberta se traduz em pessoas com ataxia de Friedreich e aumenta os seus níveis desta proteína. Cada pessoa do estudo está a ser tratada por três meses, com uma série de testes a serem efetuados antes e depois do período de tratamento. A quantidade total de Resveratrol tomada no estudo, traduz-se na quantidade presente em 100-500 garrafas de vinho tinto, por pessoa, por dia.

O investigador Professor Martin Delatycki disse que, de momento, está-se a desenvolver muita investigação na Austrália, que parece promissora. “Temos esperança em descobrir um tratamento que possa atrasar a progressão desta doença devastadora”, ele disse.

A Emma conhece, em primeira mão, os efeitos da ataxia de Friedreich. Ela foi diagnosticada com ataxia de Friedreich, aos 8 anos. Karen, a mãe de Emma, diz que a doença teve um grande impacto nas suas vidas.

“A ataxia de Friedreich tem impacto em cada aspeto da tua vida. Quando a Emma foi diagnosticada foi muito difícil, mas foi ainda mais difícil quando ela ficou confinada a uma cadeira de rodas, aos 12 anos de idade. Encontrar um tratamento para esta doença seria um sonho – seria maravilhoso”, diz Karen.

Em toda a Austrália, muitas pessoas nunca ouviram falar de ataxia. Existem, grosso modo, cerca de 4000 na Austrália afetadas pela ataxia – a forma genética mais comum é a ataxia de Friedreich.