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25 de fevereiro de 2020

Dia Mundial das Doenças Raras -EVENTO- (29FEV2020)

Caros,
Temos o prazer de anunciar o presente evento, no qual iremos marcar presença, no próximo dia 29 de fevereiro de 2020, a realizar entre as 11h e a 13h, em Coimbra no CNC UC, de forma a assinalar o Dia Mundial das Doenças Raras.
Contamos com a sua presença, para tal só necessita de se inscrever através do número 304 502 935.
Com os melhores cumprimentos,
P`la Direção

24 de agosto de 2019

Seminário "Viver com Ataxia"

Dia 21 de setembro em Vila Franca de Xira, na Fábrica das Palavras, Portugal


O lema fundamental, a saúde!!!O objetivo deste seminário consiste numa divulgação de técnicas que posteriormente, doentes, cuidadores, amigos, profissionais de saúde... poderão adotar a fim de melhorar a qualidade de vida do doente. Assim sendo, este seminário incorpora uma vertente teórica, mas também interativa de forma a que juntamente com os profissionais de saúde possamos aprender e apreender todos os conceitos e práticas que visam a pensar sempre no doente.
Este evento é providenciado no seguimento da comemoração do dia internacional das ataxias.
A inscrição é GRATUITA, mas necessária para fins logísticos.
Programa
14:00 – Acreditação
14:30 – Boas-Vindas
Dra. Mª José Santos – Presidente da APAHE
Sessão de Abertura
Membros da Câmara - a designar
15:00 – “Cuidar na Ataxia- Produtos de apoio”
Preletores: Ana Nogueira e Isa Sobral, Enfermeiras de Reabilitação do Centro de Medicina de Reabitação de Alcoitão
Com moderação de Manuela Ralha
15:40 – “A Fisioterapia nas Ataxias: orientações/ aconselhamentos informais”
Preletor: Anabela Matos, Fisioterapeuta do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais
Com moderação de Mª José Santos
16:10 – "Fala e deglutição na Ataxia: como gerir?"
Preletor: Joana Carvalho, Terapeuta da Fala do Campus Neurológico Sénior
Com moderação de Luís Sousa
16:40 – Coffe Break
17:10 – “A Importância da Ocupação na Pessoa com Ataxia - Estratégias para melhorar o envolvimento na ocupação”
Preletor: Vânia Guimarães, Terapeuta Ocupacional do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Com moderação de Vera Silva
17:40 – “Parar, Sentir e Avançar”
Preletor: Cláudia Costa e Cristina Vidal, Fisioterapeutas do Hospital Garcia da Orta
Com moderação de Carla Neves
18:20 – Sessão de Encerramento
Dra. Mª José Santos – Presidente da APAHE
Momento cultural
*Programa sujeito a alterações

3 de abril de 2019

Cycling for Ataxia 2019 - Castro Marim (Algarve) - PORTUGAL

A APAHE Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias, sem fins lucrativos e de âmbito nacional, que não só defende e protege os interesses das pessoas com ataxias hereditárias, forma de patologias genéticas raras, incuráveis e degenerativas, como também alerta a sociedade para a existência das mesmas e dos seus efeitos devastadores, físicos e psicológicos, quer para os próprios, quer para quem os rodeia, nomeadamente os cuidadores,
Numa forma de mantermos os nossos laços Associativos entre os associados, assim como darmo-nos a conhecer à sociedade civil em proximidade, anualmente realizamos eventos desportivos e culturais em vários pontos do País, sendo que no próximo dia 18 de Maio pretendemos deslocar a nossa massa até Castro Marim.
O local de eleição, Castro Marim, pela excelência nas suas paisagens, riqueza de cultura, tradição e história.
DATA DO EVENTO: 18 de Maio de 2019
HORA E LOCAL DE CONCENTRAÇÃO: 09:00, junto ao Pavilhão Desportivo de Castro Marim
VALOR DA INSCRIÇÃO C/ALMOÇO 15€
VALOR DA INSCRIÇÃO S/ALMOÇO 8€
OPCIONAL:
Percurso Pedestre: 2,5Km
Percurso de Bike: 7Km (para quem não tem Bike, a organização tem 25 de reserva)
INSCRIÇÃO INCLUI:
- Pequeno-Almoço;
- Abastecimento de sólidos e líquidos em ambos os percursos;
- Seguro Danos Pessoais;
- Lembranças e Brindes alusivos ao Evento e ao Concelho de Castro Marim.


INSCRIÇÕES em: Clique na imagem


15 de setembro de 2018

Medicamento para a depressão trata doença de Machado-Joseph



Medicamento para a depressão pode ser usado no tratamento sintomático da doença de Machado-Joseph. Revelação surge em dois estudos da Escola de Medicina e do ICVS da UMinho e do ICVS.

Noticia completa AQUI

4 de abril de 2017

Identificar alterações estruturais do cerebelo pode servir como biomarcador para a ataxia, diz estudo

Investigadores da Fundação Santa Lucia IRCCS, Itália, descobriram que a atrofia cerebelosa pode afetar estruturas cerebrais relacionadas com as emoções, pensamento e memória, o que pode em parte explicar os sintomas da ataxia. Os resultados sugerem que identificar alterações na estrutura do cerebelo através de imagens pode ajudar a detetar a degeneração cerebelosa e a ataxia.

Estas observações no estudo, "Impacto da atrofia cortical cerebelosa na massa cinzenta e pedúnculos cerebelosos, avaliada pela morfometria baseada em voxel e difusão de imagens de alta resolução angular", apareceram no jornal Functional Neurology.

O cerebelo é a região do cérebro que controla o movimento e tarefas motoras. Mais recentemente, os cientistas descobriram que é o cerebelo também está envolvido na cognição e nas emoções, embora não seja claro como esta região está ligada a estas funções cerebrais. A atrofia cerebelosa pode afetar todas as regiões ligadas ao cerebelo. Portanto, estudar a estrutura do cérebro de pacientes com esta condição pode lançar luz sobre a conexão funcional e estrutural do cerebelo com o resto do cérebro.

No presente estudo, os autores avaliaram a ocorrência de alterações estruturais no cérebro, devido à degeneração cerebelosa numa coorte de sete pacientes com ataxia cerebelosa - dois com ataxia espinocerebelosa tipo 2, um com ataxia de Friedreich e quatro com ataxia cerebelosa idiopática.

Usando técnicas de imagem e análises estruturais, observaram que diferentes regiões do cérebro - o núcleo caudado, giro do cíngulo e o córtex orbitofrontal - mostraram uma diminuição simétrica no volume de matéria cinzenta dos pacientes comparados com controlos normais.

Juntamente com o cerebelo, a região do núcleo caudado está relacionada com os movimentos voluntários. O giro cingulado está envolvido no controlo emocional na recuperação da memórias e cognição geral, enquanto o córtex orbitofrontal está relacionado com a atividade do cerebelo. Estas observações sugeriram a ligação funcional entre o cerebelo e as três regiões do cérebro.

"Ao comparar os pacientes que apresentavam atrofia cerebelosa geral com os controlos normais, fomos capazes de investigar que regiões do cérebro foram afetadas pela sua atrofia cerebelosa," escreveram os autores.

A ressonância magnética de difusão (dMRI) é uma técnica não-invasiva que mapeia um tecido com base na capacidade de uma molécula de água viajar no tecido. Os investigadores descobriram uma correlação entre os valores da dMRI de uma região do cerebelo, o pedúnculo cerebeloso do meio, e os resultados totais da ataxia e alguns dos seus sub-resultados, tais como as funções cinéticas e os distúrbios do movimento ocular.

Especificamente, os pacientes com baixos valores dMRI tiveram resultados mais elevados na ataxia, enquanto os pacientes com valores elevados dMRI tiveram resultados mais baixos na ataxia - sugerindo que a dMRI poderia ser um biomarcador útil para a imagiologia da degeneração cerebelosa e da ataxia.


(artigo traduzido por Fátima d’Oliveira)




8 de janeiro de 2015

Características biológicas e clínicas da coorte do Consórcio Europeu da Ataxia de Friedreich para Estudos Translacionais (EFACTS): uma análise transversal dos dados de base

Prof Kathrin Reetz, MD, Imis Dogan, PhD, Ana S Costa, MSc Manuel Dafotakis, MD, Kathrin Fedosov, MSc, Paola Giunti, MD, Michael H Parkinson, MBBS, Mary G Sweeney, BSc, Caterina Mariotti, MD, Marta Panzeri, MD, Lorenzo Nanetti, MD, Javier Arpa, MD, Irene Sanz-Gallego, MD, Prof Alexandra Durr, MD, Perrine Charles, MD, Sylvia Boesch, MD, Wolfgang Nachbauer, MD, Thomas Klopstock, MD, Ivan Karin, MD, Chantal Depondt, MD, Jennifer Müller vom Hagen, MD, Prof Ludger Schols, MD, Ilaria A Giordano, MD, Prof Thomas Klockgether, MD, Katrin Bürk, MD, Prof Massimo Pandolfo, MD, Prof Jörg B Schulz, MD

Sumário

Background
A ataxia de Friedreich é uma doença rara neurodegenerativa autossómica recessiva. Aqui nós relatamos os dados de base transversais para estabelecer as características clínicas e biológicas para um registro internacional futuro de um banco de dados europeu da ataxia de Friedreich.

Métodos
Dentro da moldura do Consórcio Europeu da Ataxia de Friedreich para Estudos Translacionais (EFACTS), avaliámos uma coorte de pacientes com ataxia de Friedreich geneticamente confirmada. O desfecho primário de medida foi a Escala de Avaliação e Classificação de Ataxia (SARA) e desfechos secundários de medida foram o Inventário de Sinais Não-Atáxicos (INAS), o teste de coordenação baseado no desempenho no Índice Funcional da Ataxia Espinocerebelosa (SCAFI), a fonémica neurocognitiva no teste de fluência verbal, e dois de medidas de qualidade de vida: as atividades da vida diária (ADL) parte Escala de Avaliação da Ataxia de Friedreich e EQ-5D. A coorte de ataxia de Friedreich foi subdividida em três grupos: início precoce da doença (≤14 anos), início intermediário (15-24 anos), e início tardio (≥25 anos), que foram comparados para características clínicas e medidas dos resultados. Foi utilizada análise de regressão linear para estimar o declínio anual de medidas de resultados clínicos baseados no tempo de duração da doença. Este estudo está registrado com ClinicalTrials.gov, número NCT02069509.

Descobertas
Foram incluídos 592 pacientes com ataxia de Friedreich geneticamente confirmada, entre 15 de Setembro de 2010 e 30 de Abril de 2013, em 11 locais em sete países europeus. A idade de início da doença foi inversamente correlacionada com o número de repetições GAA no gene frataxina (FXN): cada 100 repetições GAA sobre no alelo mais pequeno foi associado com um início mais cedo 2-3 anos (SE 0-2). As análises de regressão mostraram um agravamento anual estimado significativo da SARA (coeficiente de regressão 0-86 pontos [SE 0-05], INAS (0-14 pontos [0-01]), resultados SCAFI Z (-0-09 [0-01]), fluência verbal (-0-34 palavras [0-07]), e ADL (0-64 pontos [0-04]) durante os primeiros 25 anos de doença; a curva de regressão para o estado relacionado com a saúde de qualidade de vida do EQ-5D não foi significativa (-0-33 pontos [0-18]). Para a SARA, a taxa anual prevista de agravamento foi significativamente maior em pacientes com início mais precoce (n=354; 1-04 pontos [0-13]) e os pacientes com início intermediário (n=137; 1-17 pontos [0-22]) do que em pacientes com início tardio (n=100; 0-56 pontos [0-10]).

Interpretação
Os resultados desta análise transversal da coorte do EFACTS sugerem que o início mais precoce da doença está associado com um maior número de repetições GAA e uma progressão mais rápida da doença. O diferencial estimado da progressão dos sintomas de ataxia relacionados com a idade de início tem implicações para a conceção de ensaios clínicos na ataxia de Friedreich, para os quais a SARA pode ser a medida mais adequada para monitorar a progressão da doença.

Financiamento
Comissão Europeia.



21 de dezembro de 2014

O transplante de células estaminais neurais cerebelosas melhora a coordenação motora e neuropatologia em ratos com a doença de Machado-Joseph



Liliana S. Mendonça, Clévio Nóbrega, Hirokazu Hirai, Brian K. Kaspar, Luís Pereira de Almeida


Resumo
A doença de Machado-Joseph é uma doença neurodegenerativa sem tratamento eficaz. Os pacientes com a doença de Machado-Joseph apresentam deficiências motoras significativas, tais como ataxia de marcha, associada a várias alterações neuropatológicas incluindo inclusões de ATXN3 mutantes, marcada perda neuronal e atrofia do cerebelo. Assim, um tratamento eficaz dos pacientes sintomáticos com doença de Machado-Joseph pode exigir a substituição de células, que investigámos neste estudo. Para isso, nós injetámos células estaminais neurais cerebelosas no cerebelo de ratos transgénicos com a doença de Machado-Joseph adultos e avaliámos o efeito sobre a neuropatologia, mediadores da neuroinflamação e níveis do fator neurotrófico e coordenação motora. Descobrimos que após o transplante para 0o cerebelo dos ratos adultos com a doença de Machado-Joseph, as células estaminais neurais cerebelosas se diferenciavam em neurónios, astrócitos e oligodendrócitos. É importante ressaltar que o transplante de células estaminais neurais cerebelosas medeiam um alívio significativo e robusto das deficiências do comportamento motor, que se correlacionou com a preservação da neuropatologia associada à doença de Machado-Joseph, ou seja, redução da perda de células Purkinje, a redução da camada de encolhimento celular e agregados ATXN3 mutantes. Além disso, foi observada uma redução significativa da neuroinflamação e um aumento dos níveis dos fatores neurotróficos, o que indica que o transplante de células estaminais neurais cerebelosas também desencadeia efeitos neuroprotetores importantes. Assim, as células estaminais neurais cerebelosas têm o potencial de ser usadas como um substituto celular e uma abordagem neuroprotetora para a terapia da doença de Machado-Joseph.


Fonte: http://brain.oxfordjournals.org/content/early/2014/12/19/brain.awu352

5 de dezembro de 2014

Ataxias hereditárias


São ataxias que, como o nome sugere, são herdadas e, embora o sintoma dominante seja a ataxia, geralmente há outros sintomas acompanhantes, alterando outras estruturas do sistema nervoso (gânglios da base, tronco cerebral, medula espinhal ou nervos periféricos).

Os mecanismos hereditários podem ser:
·         Autossómico dominante
·         Autossómico recessivo
A classificação genómica foi substituída, nos últimos tempos, pelas classificações acima mencionadas.

Existem várias formas clínicas, mas só se irão listar as mais importantes.

1) Ataxias autossómicas dominantes

As características mais frequentes e principais de cada um dos síndromas:

SCA 1. Anteriormente conhecida como ataxia olivopontocerebelosa.
Manifesta-se no começo ou em plena idade adulta.
Aparece uma ataxia progressiva no tronco e extremidades.
Há uma óbvia lentidão dos movimentos voluntários.

Diminuição do equilíbrio. Disartria (dificuldade em pronunciar as palavras) silabeante.
Rigidez muscular e, ocasionalmente, tremor parkinsoniano.
São frequentes as alterações do esfíncter.
Paralisia oculomotora e/ou paralisia facial, ou seja, paralisia dos movimentos oculares ou faciais
Às vezes, uma demência leve está associada.
Na Ressonância Magnética é evidente a atrofia cerebelosa.


SCA 2. Este fenótipo clínico foi descoberto em cubanos e em hindus.
A idade de início varia entre os 2 e os 65 anos.
Os sintomas são variados e incluem:
Movimentos oculares lentos.
Rigidez parkinsoniana.
Ataxia.
Disartria.
Espasticidade leve.

SCA 3 ou doença de Machado-Joseph (DMJ).
É a ataxia hereditária autossómica dominante mais comum.
Inicialmente detetada em portugueses e seus descendentes em Nova Inglaterra (EUA) e Califórnia (EUA).
Existem três tipos:
Tipo I (Tipo esclerose lateral amiotrófica (ELA)-parkinsonismo-distonia)
Aparece nos primeiros 20 anos de vida.
Há fraqueza e espasticidade nos membros, especialmente nos inferiores.
Distonia rosto e pescoço, tronco e extremidades.
Marcha lenta e rígida.
Nistagmo e movimentos oculares rápidos.
Espasmos e mioclonias.
Dificuldade em engolir e falar devido à espasticidade na faringe   .
Tipo II (Tipo atáxico)
Aparece entre os 20 e os 40 anos.
A ataxia e a disartria são visíveis.
É a forma mais comum da doença.
Paralisia ocular.
Espasmos faciais e da língua.
Tipo III (Tipo ataxia-amiotrofia)
Manifesta-se entre os 50 e os 70 anos.
Há uma marcha atáxica e disartria acentuadas.
Atrofia distal por neuropatia periférica.
Défice sensorial distal evidente.
No geral, nesta doença (SCA3), os sintomas continuam a piorar até levar à morte dentro de 15 anos, desde o início, especialmente em pacientes com os tipos I e II.



25 de setembro de 2014

A grande carga social das ataxias




NEUROLOGIA
Estas doenças degenerativas do sistema nervoso caracterizadas pela incapacidade para coordenar os movimentos, não têm cura e incapacitam o paciente. Em Espanha, 8.000 pessoas sofrem de algum tipo de ataxia hereditária.


Sob o termo "ataxia cerebelosa hereditária" englobam-se cerca de 200 tipos de doenças degenerativas do sistema nervoso, em que as células nervosas que são parte do cerebelo começam a atrofiar, resultando numa sintomatologia e num grau de comprometimento variável, que depende de cada paciente e do tipo de ataxia. Mais de 8.000 pessoas padecem de algum tipo de ataxia hereditária, em Espanha. Estas doenças são geralmente progressivas e altamente incapacitantes: muitos pacientes precisam de usar uma cadeira de rodas desde a infância ou adolescência. E isso tem um alto custo social e de saúde.

"De acordo com um estudo recente, tendo em conta os dados de prevalência estimada em Espanha, só os custos totais para pacientes com ataxia espinocerebelosa atingem mais de 167 milhões de euros, dos quais apenas cerca de 21 correspondem a custos de saúde diretos", diz o Dr. Francisco Javier Arpa Gutiérrez, Coordenador da Comissão de Estudo de Ataxias e Paraplegias Espásticas Degenerativas (CEAPED) da Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN). "Estamos, portanto, a falar de doenças muito cruéis, que transportam uma carga social pesada e que precisam de adquirir a visibilidade que merecem."

Para enfrentá-la, está-se a tentar encontrar alvos terapêuticos para o desenvolvimento dum tratamento que pode retardar a progressão dessas doenças, mesmo no campo das células estaminais e no campo da terapia genética. "Em todo caso, os esforços dedicados ao estudo dessas doenças são inadequados, especialmente quando comparado com aqueles que se dedicam a outros processos neurológicos," diz o Dr. Arpa.

No Dia Internacional das Ataxias, assinalado a 25 de Setembro, quer-se promover o desenvolvimento do registo nacional de doentes (REDAPED) e aumentar os recursos da saúde, devido à complexidade da doença. Atualmente em Espanha há apenas cinco unidades de referência para as ataxias hereditárias, quando estima-se que pelo menos mais três seriam necessárias, de acordo com a SEN.

Uma melhor assistência ao paciente
.
"As ataxias espinocerebelosas, também chamadas de SCAs e sobretudo a Ataxia de Friedreich (AF) são, dentro das ataxias hereditárias, as doenças mais conhecidas," diz o Dr. Arpa. "Mas são doenças raras, de modo que, em geral, há uma ignorância social profunda em relação a elas, que condiciona os fundos adequados para a sua pesquisa e desenvolvimento posterior de tratamentos. Hoje em dia, exceto para um número de ataxias metabólicas, não há nenhum fármaco que possa curar a ataxia ou garantir 100% de retardamento da doença”.

Os sintomas começam com perda de equilíbrio e descoordenação na realização dos movimentos. Os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer fase da vida: a infância, durante a adolescência, idade adulta e na velhice.

Dada a impossibilidade de um tratamento para curar a doença, só é possível promover a investigação e melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes. "As ataxias não têm cura, mas existem muitos sintomas e complicações associadas que podem ser tratadas de forma integrada e multidisciplinar", conclui Dr. Arpa. "Melhorando a formação continuada dos profissionais e melhorando a qualidade dos cuidados prestados, os pacientes obtém uma melhor qualidade de vida, tanto tempo quanto possível."



13 de setembro de 2014

Famílias vão 'Walk n' Roll ' no dia 20 de Setembro em prol da ataxia, que aflige muitos


Por Rhony Laigo

foto cortesia de http://ataxia.kintera.org

 Se não fosse a campanha mundial do Desafio do Balde de Gelo, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), ou doença de Lou Gehrig, podia ter sido apenas isso - uma doença que não tem cura. Mas desconhecida para muitos, uma outra doença debilitante que afeta muitos, e, ironicamente, até mesmo os mais jovens, também precisa do mesmo tipo de atenção.

No dia 20 de Setembro, as famílias americanas, seus familiares e amigos, vão fazer exatamente isso. Eles vão caminhar para Long Beach (EUA) para a Sexta Anual LA/OC Walk n 'Roll for Ataxia para que mais pessoas possam estar cientes do distúrbio neurológico relativamente desconhecido chamado ataxia, que significa simplesmente "falta de coordenação".

A partir de 340 S Pine Ave, a caminhada de Sábado até á área do Aquarium em Long Beach vai coincidir com o Dia Internacional da Sensibilização para a Ataxia. O 1K Walk n 'Roll for Ataxia Awareness em Long Beach está sendo organizado pelos Grupos de Apoio às Ataxias de Orange County e Los Angeles, que vão oferecer T-shirts aos primeiros 300 participantes presentes no evento. Os organizadores disseram que não há nenhuma taxa de inscrição, mas que doações são aceites de bom grado.

Pessoalmente, conheço pessoas aqui no sul da Califórnia, que têm vindo a sofrer de ataxia ou falta de controlo muscular por causa dessa desordem neurológica. Uma é próxima da família Balita* e seu nome é Moira, cuja mãe, Saira Velasco, mais conhecido no mundo das celebridades filipinas como Bunny Paras, costumava ser a nossa Gerente de Publicidade para a Secção de Automobilismo. Saira teve que se semi-aposentar para se concentrar na sua filha, que foi diagnosticada com ataxia há quatro anos. Moira tem apenas 15 anos.

Duas outras amigas minhas, do tempo dos meus dias Novaliches (Filipinas), a antes Pamela Jacob, agora conhecida como Pamela Ching, e sua irmã, Aileen Jacob, também sofrem ambas sofrem de ataxia. Para ser mais específica, é chamada SCA7 (ataxia espinocerebelosa, existem vários tipos). E isso não é tudo. Há mais em sua família.

As gémeas de Pamela - Catherine Joyce e Clarissa Janelle, de 27 anos - também sofrem ambas de ataxia.

Mas essa não é a pior parte. O seu irmão do meio, Manuel Jacob, morreu com essa doença. Também era um amigo meu, que me apresentou para o jogo de basebol, que costumávamos jogar no seu relvado. E a filha de Aileen também morreu com essa doença, apenas no ano passado. Ela tinha apenas 21 anos.

Para citar a tia de Pamela, que Pamela postou na sua página no Facebook: "É verdadeiramente inspirador que a fundação ALS (ELA) tenha inspirado o senso de generosidade das pessoas, mas de cada vez que vejo um desafio do balde de gelo, não posso deixar de sentir um aperto no meu coração... uma certa tristeza, porque na verdade é um lembrete de que, até hoje, uma outra doença debilitante chamada ataxia fica esquecida. A ataxia é uma doença neurológica degenerativa que afeta o equilíbrio, a coordenação e a visão. É muito importante para mim – o meu primo, as suas duas filhas e três netas estão todos afetados por esta doença progressiva. Significaria o mundo para eles, se mais pessoas estivessem cientes não só da sua existência, como do impacto global que tem sobre as pessoas que a têm e os seus entes queridos que testemunham os seus efeitos em primeira mão. Infelizmente, a comunidade médica ainda não exerceu qualquer pesquisa agressiva ou significativa para encontrar a cura ou alívio para esta doença. O maior obstáculo é a falta de consciencialização e o financiamento. Que este seja o meu rali pessoal e apelo para que se juntem a nós na Walk n 'Roll to Ataxia e/ou doar para ajudar a espalhar o conhecimento desta doença é muito comumente ‘varrida’ para debaixo do tapete."

De acordo com a ataxia.org.uk, ataxia espinocerebelosa tipo 7 (SCA7) é um tipo de ataxia cerebelosa hereditária. "É causada por um defeito num gene. Isso resulta em danos a determinadas partes do cérebro e para os olhos." A irmã de Pamela, Aileen, além de não ser capaz de andar mais, também perdeu a visão.

No caso da filha de Saira, Moira, ela está sofrendo de outro tipo de ataxia. A ataxia de Friedreich, - uma desordem progressiva "que afeta principalmente o sistema nervoso ... da medula espinhal.”

Saira postou na sua página do Facebook a seguinte mensagem: "Como muitos de vocês devem saber, a nossa filha Moira foi diagnosticada com ataxia há quatro anos. Quero antes de tudo, agradecer profundamente por todos os pensamentos e orações – o vosso apoio tem-nos dado força e esperança para o futuro. Estamos participando na caminhada anual Los Angeles/Orange Country para a consciencialização da ataxia e angariação de fundos que vão no sentido duma cura. Se tiver tempo, por favor sinta-se à vontade para se juntar a nós no passeio pela baía ao lado do Long Beach Aquarium. E se poder poupar um pouco para doar para uma cura, ficaríamos muito satisfeitos. Além disso, quanto mais dinheiro angariarmos, mais bilhetes a Moira tem para ganhar prêmios no sorteio após a caminhada!"

Detalhes do Evento:

6 Anual LA/OC Walk n 'Roll for Ataxia
Sábado, 20 de Setembro de 2014
Atrás do PF Chang’s em Shoreline Aquatic Park
340 S Pine Ave
Long Beach, CA 90802
EUA


*Família Balita: http://www.balita.com – notícias da comunidade filipina nos EUA



5 de fevereiro de 2014

Utilidade de imunoensaios de frataxina para o diagnóstico da ataxia de Friedreich

Eric C Deutsch, Devin Oglesbee, Nathaniel R Greeley, David R Lynch


Resumo

Pano de fundo: A ataxia de Friedreich (FRDA) é uma doença neurodegenerativa, causada por mutações no gene frataxina (FXN), resultando numa expressão reduzida da proteína mitocondrial frataxina. Uma melhor compreensão da fisiopatologia da doença tem levado a uma crescente necessidade de biomarcadores informativos para avaliar a progressão da doença e resposta à intervenção terapêutica.

Objetivo: Avaliar o desempenho das medições de frataxina como uma ferramenta de diagnóstico usando dois imunoensaios diferentes.

Métodos: Foi fornecida informação clínica e demográfica através dum estudo longitudinal em curso, na história natural da FRDA. Os níveis da proteína frataxina de vários tipos de células em controlos, portadores e pacientes de FRDA foram medidos e comparados usando um imunoensaio de fluxo lateral e um imunoensaio baseado em Luminex xMAP. As análises curvas das características dos recetores em funcionamento foram então efetuadas para avaliar a sensibilidade, especificidade e valores preditivos positivos e negativos para cada imunoensaio.

Resultados: Para todo o sangue e as células bucais, analisar os portadores e pacientes de FRDA juntos numa coorte resultou em maior sensibilidade e valores preditivos positivos em comparação com análise de controlos e portadores juntos, com resultados semelhantes entre cada tipo de tecido. Comparámos então a utilidade de um imunoensaio de fluxo lateral com um imunoensaio de baseado em Luminex xMAP Luminex multianalito, e mostrou que ambos os ensaios demonstram altos valores preditivos positivos com baixas taxas de falsos negativos e falsos positivos.

Conclusões: As medições de frataxina de tecidos periféricos podem ser usadas para identificar portadores e pacientes de FRDA. Enquanto vários tipos de células e ensaios podem ser úteis para fins de diagnóstico, cada ensaio e tipo de célula usado tem suas vantagens e desvantagens, dependendo do projeto de estudo e âmbito de aplicação.


3 de outubro de 2013

Uma nova luz que incide no caminho da neurodegenerescência

Os investigadores da Universidade de Adelaide (Austrália) identificaram um provável caminho molecular que causa um grupo de doenças neurodegenerativas incuráveis, incluindo a Doença de Huntington e a Doença de Lou Gehrig.
O grupo de cerca de 20 doenças, que apresentam sintomas sobrepostos que normalmente incluem a morte de células nervosas, compartilham um mecanismo de mutação genética semelhante ‒ mas como esta forma de mutação causa essas doenças tem permanecido um mistério.
"Apesar dos genes que causam algumas dessas doenças terem sido identificados há 20 anos, ainda não conseguimos perceber os mecanismos subjacentes que levam as pessoas a desenvolver sintomas clínicos," diz o Professor Robert Richards, Diretor de Genética na Escola de Ciências Moleculares e Biomédicas da Universidade.
"Com a descoberta do caminho molecular para estas doenças, agora esperamos ser capazes de definir metas para a intervenção e então aparecer com terapias potenciais. Em última análise, isso ajudará os pacientes a reduzir a quantidade de degeneração de células nervosas ou retardar a sua progressão."
Num artigo publicado no Frontiers in Molecular Neuroscience (Fronteiras na Neurociência Molecular), o Professor Richards e colegas descrevem a sua teoria inovadora e novas evidências para o papel fundamental do ARN (ácido ribonucleico) no desenvolvimento das doenças. O ARN é uma molécula grande na célula que copia o código genético do ADN (ácido desoxirribonucleico) da célula e converte-o para as proteínas que impulsionam funções biológicas.
As pessoas com essas doenças todas têm números expandidos de cópias de sequências especificas das “bases nucleotoides” que compõem o ADN.
"Na maioria dos casos as pessoas com essas doenças possuem números aumentados de sequências de repetição no seu ARN," diz o Professor Richards. "A doença desenvolve-se quando as pessoas têm muitas cópias da sequência de repetição. Acima de um determinado limiar, quanto mais cópias têm, mais cedo a doença se desenvolve e mais graves os sintomas. A atual lacuna de conhecimento é porque é que estas repetições expandidas de sequências de genes no ARN, se traduz em sintomas reais."
O Professor Richards diz a evidência aponta para um ARN disfuncional e um papel essencial do sistema imunológico do corpo no desenvolvimento da doença.
"Em vez de reconhecer a ‘repetição expandida de ARN’ como o seu próprio ARN, acreditamos a ‘repetição expandida de ARN’ é vista como estranha, como o ARN num vírus e esta ativa o sistema imunológico inato, resultando numa perda de função e, finalmente, na morte da célula," ele diz.
O laboratório da Universidade de Adelaide modelou e definiu o percurso da doença da repetição expandida do ARN, usando moscas (drosófila).
Outros laboratórios relataram, anteriormente inexplicável, sinais característicos desta via em estudos de pacientes com a Doença de Huntington e Distrofia Miotónica. "Este novo entendimento, uma vez comprovado em cada uma das doenças humanas relevantes, abre o caminho para tratamentos potenciais e deve ser motivo de esperança para as pessoas com essas doenças devastadoras," diz o Professor Richards.
Esta investigação foi parcialmente financiada pelo Conselho Nacional de Saúde e Investigação Médica da Austrália e a Fundação Nacional do Ataxia dos EUA
 
Fonte: http://www.healthcanal.com/brain-nerves/brain-diseases/43013-shining-light-on-neurodegenerative-pathway.html

7 de maio de 2013

Aumentam os ensaios clínicos que recrutam doentes fora da Europa

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou um relatório em abril sobre a localização geográfica dos ensaios clínicos incluídos nos pedidos de autorização de introdução no mercado submetidos à Agência. O relatório revela que, dos doentes recrutados para ensaios clínicos, mais de 60% eram de fora do Espaço Económico Europeu (EEE) e da Suíça. Também existem dados, que serão disponibilizados brevemente, para os medicamentos órfãos. Qual é o significado disto para os doentes com doenças raras da UE?
O relatório da EMA mostra que os ensaios clínicos diminuíram de 32% para 19% durante o período de observação (2005-2011) nos 15 Estados-Membros iniciais da UE, mais a Noruega, Islândia e Liechtenstein. Em consequência disso, as pessoas com doenças raras que vivem nestes países e noutros Estados-Membros da UE estão a ser privadas de oportunidades para participar em ensaios clínicos. O relatório vem confirmar os temores de que a investigação está a ser desviada para fora da Europa devido aos procedimentos administrativos complexos e onerosos que a Diretiva 2001/20/CE (Diretiva relativa aos Ensaios Clínicos) veio estabelecer para a realização de ensaios clínicos na UE.
Instituições europeias de referência na investigação médica, como a European Science Foundation (Fundação Europeia da Ciência) e a Academy of Medical Sciences (Academia de Ciências Médicas), defendem a introdução de reformas na Diretiva relativa aos Ensaios Clínicos, afirmando que na sua versão atual esta dificulta a investigação de tratamentos com potencial para salvar vidas sem acrescentar nada à segurança dos doentes, que é aquilo para que supostamente deveria servir. A Diretiva relativa aos Ensaios Clínicos tem sido acusada de ser responsável por aumentar os custos e o tempo necessário para dar início aos ensaios clínicos devido à burocracia pesada e complexa a que obriga, e levando desse modo a investigação médica para fora da UE.
Em consequência disso, a Comissão Europeia, em julho de 2012, adotou uma Proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo aos ensaios clínicos de medicamentos para uso humano e que revoga a Diretiva 2001/20/CE. Este processo de revisão está atualmente a decorrer. Foi publicado um Projeto de Relatório em janeiro de 2013 e foram apresentadas 713 emendas até ao final do prazo para a respetiva submissão – 26 de fevereiro –, incluindo uma Emenda importante proposta pela EURORDIS que ajuda o Estado-Membro declarante e os Estados-Membros envolvidos a fornecer uma avaliação bem informada da sua aplicação através da consulta ao Grupo de Trabalho dos Pareceres Científicos (SAWP) da EMA. Considerando que o conhecimento relativo a cada uma das mais de 6000 doenças raras identificadas até à data é frequentemente escasso a nível nacional, o SAWP está mais bem colocado para fornecer o conhecimento necessário. A legislação revista sobre os Ensaios Clínicos será votada pela Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar do Parlamento Europeu no dia 29 de maio. A votação em plenário está prevista para junho de 2013.
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
 



29 de dezembro de 2012

Mutações missense ligadas à ataxia de Friedreich têm efeitos diferentes mas sinergísticos nas isoformas mitocondriais da frataxina


Hongqiao Li, Oleksandr Gakh, Douglas Y. Smith IV, Wasantha K Ranatunga e Grazia Isaya

 


Cápsula

Fundo: Mutações missense na frataxina contribuem para a fisiopatologia da ataxia de Friedreich com mecanismos indefinidos.

Resultados: As variáveis das mutações agressivas clinicamente afetam a estabilidade, biogénese ou atividade catalítica de duas isoformas mitocondriais da frataxina.

Conclusão: Uma única mutação pontual pode levar à destabilização ou inativação de múltiplas isoformas de frataxina.

Significado: A severidade clínica das mutações da frataxina revela efeitos deletérios complexos que sinergicamente levam à perda global de frataxina funcional.

 

 

Resumo

A ataxia de Friedreich é uma doença multisistémica de aparecimento precoce, ligada a uma variedade de defeitos moleculares no gene nuclear FRDA. Este gene habitualmente codifica a proteína ligada ao ferro frataxina (FXN), que é crítica para o metabolismo mitocondrial do ferro, homeostase celular global do ferro e proteção antioxidante. Na maioria dos pacientes com ataxia de Friedreich, está presente uma grande extensão da repetição GAA nos primeiros intrões de ambos os alelos FRDA, que resulta em silenciamento transcricional levando, em último caso, a níveis insuficientes da proteína FXN na matriz mitocondrial e, provavelmente, outros compartimentos celulares. A falta de FXN, por sua vez, debilita a incorporação de ferro no cacho de ferro-enxofre e cofatores hematológicos, causando défices enzimáticos generalizados e danos oxidativos catalisados pelo excesso de ferro lábil. Numa minoria de pacientes, uma expansão GAA típica está presente apenas num alelo FRDA, enquanto uma mutação missense está presente no outro alelo. Embora se saiba que o curso da doença para estes pacientes pode ser tão severo como para os pacientes com os dois alelos FRDA expandidos, os mecanismos fisiopatológicos subjacentes não são compreendidos. As células humanas normalmente contêm duas grandes isoformas mitocondriais de FXN (FXN42-210 e FXN81-210) que têm propriedades bioquímicas e papéis funcionais diferentes Usando sistemas sem células e modelos celulares diferentes, mostramos que duas das mais clinicamente severas mutações pontuais da FXN, I154F e W155R, têm efeitos únicos diretos e indiretos na estabilidade, biogénese ou atividade catalítica da FXN42-210 e FXN81-210 sob condições fisiológicas. Os nossos dados indicam que as mutações pontuais da frataxina têm efeitos bioquímicos complexos, que sinergicamente contribuem para a fisiopatologia da ataxia de Friedreich.

 
Fonte: http://www.jbc.org/content/early/2012/12/26/jbc.M112.435263.abstract

25 de novembro de 2012

Equipa internacional descobre pista para a Ataxia de Friedreich, doença devastadora do sistema nervoso


(Medical Xpress) – Uma nova forma de ferro pode conter a pista que leva ao tratamento duma doença hereditária e fatal do sistema nervoso que pode causar distúrbios no andar, problemas na fala, doenças cardíacas, diabetes e outros sintomas.

 

No estudo publicado em “Procedimentos da Academia Natural de Ciências”, os investigadores revelaram um fio de provas sobre a ataxia de Friedreich (AF), uma doença rara que aparece entre os 5 e os 15 anos.

Os coautores Professor Tim St Pierre e Dra. Lucia Gutierrez, do Grupo BioMagnetics da Universidade Ocidental da Austrália, são peritos, aclamados internacionalmente, no papel do ferro no corpo e modos de medir e detetar ferro.

Com Adam Fleming, estudante de doutoramento na Universidade Ocidental da Austrália, e outros investigadores da Universidade de Sydney conduzidos pelo Professor Des Richardson, assim como instituições no Canadá e em Espanha, descobriram uma nova forma de ferro, ainda não batizada, no coração dos ratos com a doença.

 “O ferro parece uma forma mineralizada de ferro e fosfato,” disse o Professor St Pierre. “É um tipo de ferrugem que não é um óxido de ferro.”

 A equipa da Universidade Ocidental da Austrália e os seus colegas à volta do mundo usaram técnicas que incluem a espectroscopia Mössbauer e medições de suscetibilidade magnéticas para tentar identificar a substância que continha o ferro e que foi inicialmente mostrada no microscópio de eletrões. As experiências foram levadas a cabo em fígados e corações de ratos com AF, a temperaturas tão baixas como 5 Kelvin, ou 268 graus centígrados negativos.

Em pacientes com AF há uma ausência ou redução da proteína ligada ao ferro, a frataxina, nas células, diz o Professor St Pierre.

“Já se suspeitava que uma alteração no metabolismo do ferro fosse parte do modelo de danos em pacientes, cujas mitocôndrias celulares (suplemento de energia celular) têm mais ferro que o habitual, enquanto há menos que o habitual no citosol (liquido que se encontra dentro das células),” ele diz. “Um excesso de ferro onde não devia pode causar problemas, assim como a deficiência de ferro também pode causar problemas. O excesso de ferro em alguns órgãos pode causar uma acumulação de radicais livres prejudiciais.”


1 de outubro de 2012

Um composto presente no vinho tinto pode vir a ser usado para tratar a Ataxia de Friedreich


Um composto natural presente nas uvas e vinho tinto pode ser a chave para descobrir um tratamento para as pessoas com ataxia de Friedreich – uma doença progressiva, para a qual não existem medicamentos.

Investigadores do Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch em Melbourne (Austrália) estão de momento a ensaiar o Resveratrol, um composto encontrado maioritariamente na pele das uvas tintas, que se descobriu prolongar a vida de ratos e que alguns tomam, correntemente, como medicamento anti-envelhecimento.

Os investigadores do Instituto descobriram recentemente que o Resveratrol aumenta a produção da proteína na ataxia de Friedreich, em células e ratos.

 A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária, que geralmente aparece na infância. Causa danos progressivos no sistema nervoso, resultando numa instabilidade crescente, até que precisam de uma cadeira de rodas.

O estudo, com 30 pessoas, procura ver se esta descoberta se traduz em pessoas com ataxia de Friedreich e aumenta os seus níveis desta proteína. Cada pessoa do estudo está a ser tratada por três meses, com uma série de testes a serem efetuados antes e depois do período de tratamento. A quantidade total de Resveratrol tomada no estudo, traduz-se na quantidade presente em 100-500 garrafas de vinho tinto, por pessoa, por dia.

O investigador Professor Martin Delatycki disse que, de momento, está-se a desenvolver muita investigação na Austrália, que parece promissora. “Temos esperança em descobrir um tratamento que possa atrasar a progressão desta doença devastadora”, ele disse.

A Emma conhece, em primeira mão, os efeitos da ataxia de Friedreich. Ela foi diagnosticada com ataxia de Friedreich, aos 8 anos. Karen, a mãe de Emma, diz que a doença teve um grande impacto nas suas vidas.

“A ataxia de Friedreich tem impacto em cada aspeto da tua vida. Quando a Emma foi diagnosticada foi muito difícil, mas foi ainda mais difícil quando ela ficou confinada a uma cadeira de rodas, aos 12 anos de idade. Encontrar um tratamento para esta doença seria um sonho – seria maravilhoso”, diz Karen.

Em toda a Austrália, muitas pessoas nunca ouviram falar de ataxia. Existem, grosso modo, cerca de 4000 na Austrália afetadas pela ataxia – a forma genética mais comum é a ataxia de Friedreich.