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29 de agosto de 2018

Ataxia um olhar pró futuro


O Futuro começa hoje. Vamos "olhar" as Ataxias. Todos temos experiências a partilhar.
Existem percursos...existem vidas. Pessoas que não desistem.
Juntos somos mais.

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16 de abril de 2017

Conheça a doença neurológica incapacitante Machado-Joseph

A doença de Machado-Joseph é uma doença neurológica incapacitante que vai piorando ao longo do tempo.

Machado-Joseph é uma doença que surge, geralmente, na idade adulta – entre os 35 e os 50 anos – , no entanto, pode aparecer antes ou depois deste período. No mundo, este quadro atinge até 3 pessoas em cada 100 mil habitantes. Atacando sobretudo a área do cerebelo no cérebro, esta doença neurológica incapacitante é crónica, degenerativa, hereditária e extremamente incapacitante. Conheça a sua origem, sintomas e tratamentos associados.

AFINAL, O QUE É A DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH?

Chama-se doença de Machado-Joseph porque as primeiras manifestações desta doença neurológica incapacitante foram identificadas em famílias residentes nos Estados Unidos, mas com origem dos Açores. No entanto, ainda que assim seja, nada indica que a doença tenha origem nas ilhas em questão. Na verdade, existem casos identificados da doença – também conhecida como a “doença do tropeção” – um pouco por todo o mundo.

CAUSAS DA DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH

Não são conhecidas as causas para esta doença neurológica incapacitante. O que se sabe é que uma pessoa portadora da doença tem 50% de probabilidade de a transmitir aos seus filhos. No entanto, existem casos de famílias com quatro filhos em que nenhum foi afetado, e casos de famílias com um ou dois e em que todos sofrem da doença de Machado-Joseph.

SINTOMAS DA DOENÇA

Os principais sintomas desta doença neurológica incapacitante são:

Dificuldade em obter coordenação ao caminhar;
Recorrente desequilíbrio;
Dificuldades a engolir alimentos e líquidos;
Dificuldades em segurar objetos;
Dificuldades na fala;
Olhos mais salientes;
Visão turva e, por vezes, dupla;
Membros rígidos;
Alterações no sono;
Síndrome das pernas inquietas;
Músculos com atrofia.

DIAGNÓSTICO DA DOENÇA

É possível identificar se se é portador da doença de Machado-Joseph através de uma análise molecular (através do sangue) e ainda por meio de um exame neurológico. Idealmente, é recomendado que este diagnóstico seja efetuado a partir dos 18 anos.
Existem cinco subtipos da doença, possíveis de identificar mediante a realização de alguns exames médicos.

PREVENÇÃO DA DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH

Infelizmente, não existe forma de prevenir a doença. Ainda só é possível fazer um teste, aos 18 anos, para perceber se a pessoa é portadora da doença e assim poder iniciar os tratamentos o mais rapidamente possível.

TRATAMENTO INDICADO

Apesar de não existir, ainda, cura para esta doença neurológica incapacitante, o que é possível é recorrer a tratamentos que aliviem os sintomas decorrentes da mesma.
A toma de medicamentos para estados depressivos, desequilíbrios, alterações do sono e atrofias musculares é essencial para que seja garantido um nível mínimo de qualidade de vida ao paciente portador da doença de Machado-Joseph.
Para além disso, pode ser muito benéfico recorrer a fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e neurologistas para auxiliar no combate à rápida progressão dos sintomas da doença.

Fonte: http://www.e-konomista.pt/artigo/machado-joseph/

19 de novembro de 2014

Família quer educar sobre a doença rara mortal

(Fila de trás, da esquerda para a direita) Vickie Morgan, que tem a doença de Machado-Joseph; Kelven Moss; Ernestine Moss, segurando uma foto de uma filha que morreu da doença; e Brenda McGinnis. (Primeira fila, da esquerda para a direita) Darlena Philpot; Ariel Sims, segurando uma foto do seu irmão, Aaron Sims, que recentemente morreu com a doença; e Anedra Million.



Uma família de Middletown (EUA) devastada por uma doença genética muito rara espera aumentar a consciência para a existência da mesma ao enterrar outro parente, outra vítima da doença de Machado-Joseph.
Quando Aaron Sims, 34, que estudou na Escola Secundária de Middletown, morreu na semana passada, ele tornou-se, pelo menos, a décima pessoa das famílias Sims e Moss-Johnson a morrer da doença de Machado-Joseph. E agora mais dois membros da família, Vickie Johnson, de Middletown, e Cathy Moss, de Atlanta, foram diagnosticadas com a doença mortal.
Johnson parece fraca, fraca demais para ficar de pé.
"Porque é que tinha que ser eu?", ela perguntou antes de se desmanchar em lágrimas.
Essa é uma pergunta que estas famílias fazem há anos. Elas disseram que alguns dos seus parentes faleceram, normalmente antes do seu 50.º aniversário, e que foram mal diagnosticados como padecendo de distrofia muscular. Mas agora, através de testes e encontros com peritos médicos, eles acreditam que todos morreram da doença de Machado-Joseph, ou ataxia espinocerebelosa.
"A comunidade precisa saber o que nós não sabíamos durante gerações", disse Kelvin Moss, 31, treinador da equipa feminina de basquetebol na Escola Secundária de Middletown, que perdeu a avó, mãe, duas tias e um tio para a doença.
Os membros da família reuniram-se e tiveram dificuldade em lembrar os parentes que morreram da doença. Joseph Webb morreu em 1943 com a idade de 46 anos, embora não esteja claro se ele tinha a doença, disseram.
A sua filha, Gaynelle Webb, de 54 anos, morreu em 1972, o mesmo ano da primeira morte conhecida por DMJ, segundo informações da imprensa. A sua morte foi seguida por três de seus filhos: Tot Moss, Raymond Moss Sr., e Edward Johnson. Três das raparigas Moss, Sherry, Debra e Anita morreram da doença e as mortes de Debra e Anita foram separadas por um mês em 2007.
Karen Sims morreu em 2003 e Raymond Moss Jr. morreu há quatro anos. Aaron Sims, que mostrou sinais da doença, quando ele tinha 18 anos, no seu último ano na ESM, morreu no passado dia 8.
Os funerais têm sido um acontecimento comum para estas duas famílias.
"Estamos cansados disso", disse Roxanne Carter, uma amiga próxima da família. "Não podemos aceitar mais isso."
Devido à sua raridade, muitas pessoas não sabem nada sobre a DMJ.
Mais de 20 dos membros da família reuniram-se para discutir o próximo passo. Estão a planear angariações de fundos e campanhas de consciencialização. Eles esperam limitar o número de famílias que precisam de assistência a um progresso relativo de ser perfeitamente saudável, para alguém que necessita de cuidados permanentes. É um processo lento e doloroso, disseram.
A doença de Machado-Joseph é caracterizada pela falta de coordenação, lentamente progressiva, nos braços e pernas, um andar cambaleante, dificuldade na fala e deglutição, e movimentos oculares debilitados, de acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Acidentes Vasculares Cerebrais.
Os afetados pela doença progressiva normalmente vivem até aos 30 e poucos anos, enquanto que aqueles com uma forma mais leve podem ter uma expectativa de vida quase normal, disse o Instituto.
Qualquer filho de um progenitor afetado tem uma hipótese de 50 por cento de herdar o gene da doença. Uma criança que não herda o gene não desenvolve a doença e não pode passá-lo para a próxima geração.
Darlena Philpot, 54, disse que foi testada para a doença e que os resultados deram negativo. Ela não possui o gene, ou se ela o possui, está latente. O teste pode custar até 20.000 dólares, disse ela. O seu teste, por não ter sido tão extenso, custou 6.000 dólares.
Quando ela se encontrou com o seu médico e lhe transmitiu o historial médico da família, a sua reação foi compreensível.
"Quantas pessoas?", ele perguntou.
A possibilidade de receber uma sentença de morte pesa sobre a família.
Como Moss disse: "Está a ficar cada vez mais perto de casa. Eu vivo com medo todos os dias." Os outros na sala acenaram com a cabeça em concordância.
Ariel Sims, 32, perdeu uma bisavó, avô, mãe e irmão para a doença.
"É uma doença terrível que afeta tantas pessoas que você ama e a quem quer bem", disse ela.
Até agora, Sims tem sido uma das mais afortunadas, se é que se pode chamar sorte a perder quatro parentes. Ela é grata, mas cautelosa ao mesmo tempo.
"Esta é uma realidade", disse ela. "Isso é tudo o que temos visto; tudo o que já sabemos. Deus tem-me poupado. Acho que o meu propósito era o de estar cá para a minha mãe e irmão. Eu fui trazida aqui para ajudá-los. "
Enquanto Sims falava, outra caixa de lenços foi passada ao redor da sala. Poucas famílias choraram mais do que estas duas ao longo dos anos. Tudo por causa da mesma doença.
"Perdemos demasiados", disse Philpot. "Precisamos de obter as informações lá fora. É a nossa realidade. Isto é o que é. "
Foi-lhes perguntado que lições tinham aprendido com a doença. Anedra Million, de 41 anos, foi a primeira a responder. Ela apoiou-se na sua fé.
"Tem de haver um propósito", disse ela. "Deus revelar-se-á. Ele só escolhe o melhor, o mais forte. Você tem que viver cada dia como se pudesse ser o último. Vá com força. Caminhe na excelência ".
Philpot olhou ao redor da sala para todos os seus parentes e os rostos estavam manchados de lágrimas, todos de corações partidos. Ela sabe que vai demorar tempo para espalhar a palavra sobre a doença. Ela está confiante de que a sua família está pronta para a batalha.
"A família é tão importante", disse ela. "A família é tudo que temos. São as nossas raízes. É o que somos. "



1 de julho de 2014

IBMC da Universidade do Porto vê reconhecida a competência técnica

Ensaios laboratoriais e atividades clínicas 

O Centro de Genética Preditiva e Preventiva, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto (IBMC), anunciou que viu oficialmente reconhecida a sua competência técnica, através da acreditação de ensaios laboratoriais e atividades clínicas.








Este reconhecimento, pelo Instituto Português da Acreditação (IPAC), segue os requisitos da NP EN ISO 15189, a norma de acreditação mais exigente para laboratórios clínicos, sendo o Centro de Genética Preditiva e Preventiva (CGPP) “o primeiro laboratório acreditado em Portugal para realizar testes genéticos em doenças neurológicas, além da hemocromatose”, explicou o coordenador desta unidade clínica, o médico geneticista Jorge Sequeiros.
De entre os testes genéticos acreditados, destacam-se os para a paramiloidose (PAF TTR), a doença de Charcot-Marie-Tooth, doença de Huntington, doença de Machado-Joseph e outras ataxias espinocerebelosas (SCA1, SCA2, SCA6 e SCA7) e a hemocromatose.
Para Jorge Sequeiros, “o CGPP sempre se preocupou com a qualidade e segurança dos testes, cujos resultados podem ter grande impacto nos doentes e suas famílias”. De facto, explica Jorge Sequeiros, “a acreditação não alterou os procedimentos levados a cabo pelo CGPP e sempre existiu uma avaliação anual da qualidade por uma equipa externa de especialistas” mas, agora, “temos uma entidade oficial que veio acreditar o que é cá feito”.
Jorge Sequeiros refere, a título de exemplo, que “as próprias colheitas de sangue e a extração de ADN foram acreditadas, o que é muito importante, pois estes são os primeiros passos essenciais para um teste genético e onde os erros são tão frequentes”. A acreditação é o processo pelo qual a entidade nacional autorizada (o IPAC, em Portugal) reconhece formalmente a qualidade na realização de tarefas específicas. Apesar das recomendações internacionais e ao contrário de muitos países europeus, a acreditação ainda não é obrigatória em Portugal.
De acordo com o responsável daquele centro de genética, “a mera certificação dos laboratórios não é suficiente”. A acreditação diferencia-se da certificação em vários aspetos, nomeadamente numa “muito maior exigência dos critérios e metodologias usadas, ensaio a ensaio, tendo como princípio a avaliação da competência técnica, bem como o facto de existir uma única entidade acreditadora em cada país”, sustenta.
A acreditação contribui para a melhoria da qualidade dos processos laboratoriais, incluindo a redução dos tempos de resposta, com grande impacto para médicos e utentes. “A resposta mais rápida diminui a ansiedade dos doentes, bem como permite a confirmação do diagnóstico e aplicação atempada das medidas clínicas adequadas, incluindo o aconselhamento genético em familiares”, sublinha Jorge Sequeiros.
O Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto é uma associação sem fins lucrativos e um Laboratório Associado do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTES), com ligação à Universidade do Porto. Atua no sector da saúde através do Centro de Genética Preditiva e Preventiva (CGPP), prestando serviços à comunidade na área dos testes genéticos, aconselhamento genético e formação científica, clínica e laboratorial a profissionais de saúde.

Fonte:  http://www.oprimeirodejaneiro.pt/opj/diarias.asp?cfg=0&idioma=item_lingua1&item=14369

21 de janeiro de 2014

Fundação norte-americana atribui quatro prémios a investigação médica em Coimbra


Prémio na investigação da doença de Machado-Joseph que provoca perda de coordenação motora

21 de janeiro de 2014 - 09h44

Uma fundação norte-americana atribuiu quatro prémios para financiar uma investigação sobre novas terapias para a doença de Machado-Joseph, que está a ser desenvolvida por especialistas de Coimbra, anunciou hoje a Universidade desta cidade.

Um grupo de especialistas liderados por Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), acaba de ser “reconhecido pela National Ataxia Foundation (NAF) com a atribuição de quatro prémios para financiar a investigação na descoberta de terapias para impedir a progressão da doença de Machado-Joseph”, afirma uma nota hoje divulgada pela UC.

A doença de Machado-Joseph é uma patologia cerebral que “provoca a perda de coordenação motora, acabando por confinar os doentes a uma cadeira de rodas e, até ao momento, é incurável”, sublinha a UC, referindo que a doença “tem uma prevalência significativa em Portugal, especialmente nos Açores”.

Luís Pereira de Almeida foi premiado com o financiamento “Pioneer SCA Translational Grant Award”, no valor de 100 mil dólares (cerca de 73.500 euros), para continuar a investigar a “ativação farmacológica da autofagia para aliviar a doença de Machado-Joseph”.

A autofagia consiste na “limpeza” das células e os cientistas vão aprofundar os estudos em animais transgénicos (modelos da doença) que têm mostrado “possíveis efeitos benéficos de fármacos” – aprovados pela FDA (US Food and Drug Administration) e pela Agência Europeia do Medicamento – no “atraso da progressão e alívio dos sintomas da doença”.

Ao grupo de especialistas foram ainda atribuídos três prémios de 15 mil dólares cada um, que permitirão avançar na investigação da mesma doença.

Uma das investigadoras, Liliana Mendonça, está a realizar o transplante de células estaminais neurais em animais transgénicos numa área cerebral afetada pela doença de Machado-Joseph (o cerebelo) e os resultados preliminares já obtidos sugerem que esta poderá constituir uma “promissora” estratégia terapêutica, afirma, na mesma nota, a UC.

Rui Nobre, outro dos especialistas envolvidos na investigação, tem estado a desenvolver “uma estratégia terapêutica promissora associada a uma forma inovadora de administração periférica”, acreditando que poderá dar “um contributo importante para o uso de terapia génica nesta doença”.

A possibilidade de outra molécula (ataxina-2) contribuir para a doença está a ser estudada por Clévio Nóbrega, que “pretende esclarecer o possível mecanismo patogénico e validar a ataxina-2 como potencial alvo terapêutico desta doença”.

Fundada em 1957, “a NAF financia estudos altamente promissores na área das doenças degenerativas que provocam ataxia (descoordenação de movimento), em todo o mundo”, tendo galardoado este ano, “pela primeira vez em quadruplicado”, a investigação que está a ser desenvolvida” por este grupo de investigadores do CNC da UC.

SAPO Saúde com Lusa

Na imagem: Investigador Luís Pereira de Almeida é o primeiro à direita

17 de novembro de 2013

Investigadores da Universidade de Iowa (EUA), relatam descobertas na Doença de Machado-Joseph


Um novo estudo sobre Genética, Distúrbios e Doenças está agora disponível. De acordo com notícias vindas de Iowa City, Iowa (EUA), "A doença de Machado-Joseph (MJD) é uma ataxia predominantemente hereditária causada por uma expansão poliglutaminica codificada no gene ATXN3. Suprimindo a expressão do produto de gene tóxico, representa uma abordagem promissora para uma terapia para a MJD e outras doenças poliglutaminicas."

 

Segundo citação de alguém ligado à investigação da Universidade de Iowa, "Realizámos um extenso ensaio terapêutico de interferência de ARN (ARNi), visando o ATXN3 num modelo do rato, expressando o gene da doença humana completa e sintetizando as características principais da doença. Um vírus adeno-associado (AAV) codificando uma molécula como a microARN (miARN), miRATXN3, foi entregue bilateralmente nos cerebelos de ratos com MJD, com 6 a 8 semanas de idade, que seguiram então até ao estágio final da doença para avaliar a segurança e a eficácia do anti-ATXN3 ARNi. Apesar da repressão eficaz, ao longo da vida do ATXN3 no cerebelo e a aparente segurança da miRATXN3, a deficiência motora não foi amenizada nos modelos tratados do MJD e sobrevivência não foi prolongada. Estes resultados, com uma outra forma eficaz agente de ARNi, sugerem que visando apenas uma extensão grande do cerebelo, pode não ser suficiente para uma terapia humana eficaz “

 

A investigação concluiu: "Os miARNs artificiais ou outras estratégias de supressão de nucleotídeos com base em segmentação, visando o ATXN3 mais amplamente no cérebro, devem ser consideradas em testes pré-clínicos no futuro."

 

 

11 de novembro de 2013

O que é Doença de Machado-Joseph

SCA3 - Ataxia Espinocerebelar Tipo 3 – Doença de Machado Joseph

O que é a Doença de Machado-Joseph?



A Doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma doença crônica que afeta estruturas neurológicas responsáveis principalmente pela coordenação dos movimentos e pelo equilíbrio. Tem um início sutil, em algum momento a vida adulta, e progride de forma gradual, afetando principalmente o caminhar, produzindo oscilações e desvios para os lados e, com o passar do tempo, até mesmo quedas.

A DMJ é uma doença genética. Ela é herdada de modo autossômico dominante, o que quer dizer que todo(a) doente a herdou de um de seus genitores; e que os(as) filhos(as) de um doente poderão também apresentar a condição.

Como são os seus sintomas?

O início da DMJ quase sempre se manifesta por desequilíbrio para caminhar. Isso pode acontecer nas mais variadas idades: houve pacientes que começaram a apresentar a condição aos 10 anos, e houve outros que a apresentaram aos 72 anos. Uma idade que se pode tomar como a média de início, entretanto, seria a dos 32 anos de idade.

Esse desequilíbrio é chamado pelos médicos de "ataxia", e é progressivo. Mas a ataxia não envolve somente o caminhar. Com o passar do tempo, a ataxia pode atingir também a fala, que se torna mal articulada. Em muitos pacientes, esse vai se tornar seu principal problema: a dificuldade de comunicação. Embora intelectualmente normais, essas pessoas não conseguirão se expressar bem através da fala.

A ataxia também pode, com o tempo, atingir os movimentos finos das mãos: os doentes terão dificuldade em escrever, em usar seus utensílios, etc.

Um outro grupo de sintomas importantes são as manifestações oculares. Entre essas manifestações, poderá haver dificuldade de o movimento dos dois olhos ser bem coordenado. Com isso, os dois olhos não fixarão exatamente a mesma imagem cada um. Cada olho poderá fixar pontos diferentes no seu campo de visão. É isso que provoca mais uma dificuldade importante: a visão dupla. A visão dupla é mais aparente quando o paciente olha para longe. Ela é facilmente corrigida se o paciente fechar um dos olhos.

Outros sintomas também podem aparecer, e são às vezes mais perceptíveis para o médico do que para o doente, pois não provocam muita limitação. Em alguns doentes, poderá aparecer uma rigidez que torna os movimentos mais lentos e difíceis de serem executados. Em outros doentes, poderão aparecer uma redução da massa muscular e algum formigamento nos pés.

A DMJ NÃO CAUSA deterioração mental: os pacientes mantêm-se lúcidos, inteligentes e com a memória normal. Entretanto, como se trata de uma condição muito limitante, muitos sofrerão de depressão e de isolamento social. Por isso, podem ser comuns as dificuldades de conciliar o sono, a tristeza e alguma irritabilidade.

Como ela é herdada?

A DMJ é uma doença de herança autossômica dominante. Isso quer dizer que ela é uma "doença vertical", que aparece em todas as gerações de uma família, até onde as pessoas podem se recordar. O diagrama a seguir apresenta uma possível árvore genealógica de uma família com essa doença. Os quadrados simbolizam homens, as bolas simbolizam mulheres. As bolas ou quadrados escuros simbolizam os doentes e as brancas, os sadios. Cada linha horizontal é uma geração. As linhas verticais unem os pais e seus filhos. Imaginem então que esses desenhos simbolizam avós, pais, filhos e netos:


Pode-se perceber que existem filhos de doentes que não herdam a doença (como o irmão da avó, na figura), enquanto outros a herdam. Como isso acontece?

Todos nós herdamos dois genes para cada função corporal. Um gene nós herdamos da mãe e o outro gene, nós herdamos do pai.

O gene que, quando alterado, provoca a doença de Machado-Joseph, é chamado de MJD1. Como nós herdamos dois genes, todos nós temos duas cópias do gene MJD1 - tanto as pessoas sadias, como as doentes. Entretanto, para que nós não tenhamos a doença, as duas cópias do gene MJD1 (tanto a herdada do pai, como a herdada da mãe) devem ser normais. Se uma estiver alterada, mais cedo ou mais tarde ela vai provocar o início da doença. Então, vejamos agora como fica a herança da mesma família mostrada acima, agora com a anotação dos genes de cada pessoa. O gene MJD1 normal, nós vamos chamar de "N"; o gene alterado, nós vamos chamar de "A". Você pode notar que todo mundo, nessa família, vai ter dois genes anotados embaixo de si.

Agora podemos compreender porque um filho de uma pessoa afetada pode não herdar a doença. Observe o irmão da avó: ele não é doente, porque seus dois genes são N. Ele herdou um gene normal de sua mãe sadia (a bisavó da família) e, por sorte, herdou também um gene normal de seu pai doente (o bisavô da família).

Isso acontece porque as pessoas doentes têm dois genes: um gene será alterado (A) e outro gene será quase sempre normal (N). As pessoas doentes transmitem apenas um desses dois genes para cada um de seus(suas) filhos(as). Qualquer um dos dois genes pode ser transmitido. Isso quer dizer que um(a) filho(a) poderá tanto receber o gene N - e nunca apresentar a doença, nem a transmitir para os seus futuros filhos - como poderá receber o gene A, com as mesmas chances. É por isso que os médicos dizem que o risco de um(a) filho(a) herdar a doença de seu pai ou sua mãe doente é de 50%.

Esse tipo de herança é chamado de herança autossômica dominante. Ela é característica da DMJ, bem como de uma série de outras ataxias semelhantes, porém causadas por outros genes. Como o início da doença acontece, em geral, depois da idade reprodutiva, a maioria das pessoas portadoras da DMJ acaba tendo filhos antes de saber que terá a doença.

Como se diagnostica a DMJ?

Foi somente em 1994 que se descobriu qual era exatamente o gene responsável pela doença. Esse gene - o MJD1 do qual já falamos - está localizado dentro do cromossomo 14. A sua função ainda permanece desconhecida. Apesar de não sabermos exatamente para quê esse gene serve, sabemos que ele apresenta uma seqüência repetitiva de moléculas que varia de tamanho. Essas moléculas que se repetem são representadas pelas letras CAG. Uma seqüência CAG, no código genético, codifica o aminoácido glutamina. Os genes normais (N) contêm entre 12 e 37 repetições da seqüência CAG. Os genes alterados (A) contêm mais de 56 repetições CAG.

Essa descoberta tornou possível a realização de um exame molecular, a partir de uma coleta de sangue do paciente. Esse exame "mede" o tamanho das seqüências CAG dos dois genes de cada pessoa. Se uma das seqüências for maior de 56 repetições, então o exame laboratorial identifica a presença de uma mutação. Nós já sabemos que basta um gene alterado - uma mutação - para causar a doença.

A técnica básica desse exame é denominada de PCR (do inglês "polymerase chain reaction"), seguida do acréscimo de uma sonda de DNA que marca as CAGs. O material genético depois passa por uma eletroforese, o que separa os pedaços de DNA de acordo com seu tamanho. Isso possibilita identificar pedaços pequenos (com poucas CAGs - os que se encontram nos genes normais) e pedaços grandes (com muitas CAGs - os que se encontram nos genes mutantes ou alterados).

O que causa a DMJ?

Se você leu a seção acima, pode compreender o que sabemos sobre a causa da DMJ. Se toda a pessoa doente tem um gene com uma seqüência CAG grande, maior do que 56 repetições, então é isso que causa a doença.

Mas não sabemos ainda exatamente porque isso causa a doença.

O que sabemos é que a seqüência CAG do gene produz, por sua vez, uma proteína na qual haverá repetidos aminoácidos glutamina. Se os genes de uma pessoa contêm, por exemplo, cada um, 15 e 70 repetições CAG, isso quer dizer que uma parte das proteínas por eles produzida terá 15 glutaminas, e outra parte terá 70 glutaminas. Sabemos que, quando uma proteína contém mais de 40 glutaminas, essa proteína não é mais digerida dentro da célula, e passa a se acumular dentro das estruturas celulares. Essa é provavelmente a causa da doença. Nossos neurônios não foram feitos para acumular essas "poliglutaminas". É possível que o seu acúmulo provoque a disfunção dos neurônios e, mesmo, sua morte.

As poliglutaminas expandidas que se depositam no neurônio


O que sabemos da origem histórica da DMJ?

A DMJ foi primeiro descrita em 1972 por dois grupos de investigadores norte-americanos. A primeira família descrita descendia de William Machado, um habitante da ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores. A segunda família também descendia de açorianos provenientes dessa mesma ilha. Essas duas famílias norte-americanas moravam, na ocasião, na costa leste dos Estados Unidos. Em 1976, uma terceira família foi identificada, dessa vez na costa oeste daquele país. Essa família também era de origem açoriana (porém da ilha de Flores) e se chamava "Joseph". A partir desse ano, a comunidade de investigadores clínicos concluiu que as três famílias deveriam ter a mesma doença, que passou a ser chamada com o nome das primeiras famílias reconhecidas: "Machado-Joseph".

Como se reconheceu que em todas havia uma ancestralidade açoriana, um grupo de investigadores partiu para aquelas ilhas. Reconheceu-se, então, que entre os açorianos essa doença era muito mais freqüente do que se esperava.

Hoje em dia, sabemos há doentes com DMJ nas mais variadas populações: entre portugueses, franceses, alemães, norte americanos, negros norte e sul-americanos, entre japoneses, chineses, indianos e até mesmo entre aborígenes australianos. Existem evidências de que muitos desses doentes tenham herdado essa condição de longínquos antepassados portugueses. Você deve se lembrar de como os portugueses eram importantes e dominavam o comércio marítimo há 400-500 anos atrás. Supõe-se que foi justamente através das navegações daquela época, que a DMJ se difundiu.

No Rio Grande do Sul, a história foi mais ou menos semelhante. Nosso Estado praticamente não tinha população até a vinda dos açorianos, a partir de 1750. Com essa imigração, nossa população surgiu e se estabeleceu. É bem possível que alguns dos imigrantes daquela época fossem portadores do gene alterado, e que o tenham transmitido aos seus descendentes até as gerações atuais. Sabemos, por exames moleculares, que os doentes gaúchos herdaram o gene que se originou da ilha de Flores, no arquipélago açoriano.

O que se pode fazer para melhorar seus sintomas?

Embora não exista um tratamento que interrompa o curso da doença, ou que previna a doença entre as pessoas ainda sem sintomas, muitos cuidados podem ser tomados para melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Os principais cuidados são a fisioterapia motora e a fonoaudiologia. Ambas auxiliam na preservação das funções motoras. Ensinam aos pacientes como lidar com situações tais como o engasgo e a marcha desequilibrada.

Eventualmente, pode ser necessário o uso de um medicamento para diminuir algum sintoma. Esse parece ser o caso quando o paciente apresenta muita rigidez. Alguns remédios diminuem a rigidez, mas seu uso deve ser bem ponderado, pois efeitos colaterais podem aparecer. O especialista habilitado na sua prescrição é o neurologista.

Em outros casos, mais comuns, o uso de uma medicação anti-depressiva está indicado e pode trazer grande alívio dos sintomas. Já comentamos que a DMJ traz muita incapacitação funcional: o doente deixa paulatinamente de caminhar, de se comunicar e de realizar suas tarefas. Isso traz um enorme sentimento de perda e de tristeza. Esse sentimento - essa depressão - pode, por sua vez, vir a piorar os sintomas motores, produzindo ainda mais limitação. Por isso, é possível que, em muitos casos, o uso judicioso de um anti-depressivo melhore a qualidade de vida do doente e mesmo de sua família.

O que se pode fazer para ajudar as pessoas que estão em risco de herdarem a DMJ?

As pessoas de uma família que tem o diagnóstico de DMJ, podem querer fazer o teste para saber se herdaram a doença antes mesmo de manifestarem os sintomas. Este teste, realizado em pessoas assintomáticas é chamado de "Teste Preditivo para a DMJ".

Este teste é freqüentemente solicitado pelos interessados, para auxiliar suas decisões relacionadas aos seus planos futuros no que diz respeito à família, ao trabalho, etc. Outras pessoas fazem o teste apenas por "necessitar saber".

Os laboratórios costumam realizar esse teste nos indivíduos que tenham 50% de risco de virem a apresentar a condição. É o caso do segundo filho (da última linha) apresentado na Figura 2. Ele é sadio e jovem, e não se sabe ainda se herdou ou não a mutação de sua mãe.

O Teste Preditivo para DMJ compreende uma pré-avaliação onde serão revisados os motivos que levam à decisão de realizá-lo, e o possível impacto de um resultado positivo ou negativo. Este teste é confidencial e sigiloso. O seu resultado somente é dado para o indivíduo que o realizou. Não fica no arquivo hospitalar dessa pessoa.

Como não se conhece ainda uma cura ou um tratamento preventivo para a DMJ, é importante que se compreenda que esse teste preditivo não trará conseqüências "médicas" - quer dizer, medicações ou outros tratamentos.

Uma vez que a motivação para se realizar esse teste é de foro íntimo e individual, e que ao mesmo tempo não há um tratamento disponível, esse teste preditivo não deve ser realizado em crianças e adolescentes.


Reprodução integral do texto de Doença de Machado-Joseph - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Via Postagem no Blog Ataxia Net
 
FONTE: http://adrianaquevedo.blogspot.pt/p/o-que-e-doenca-de-machado-joseph.html

31 de outubro de 2013

Doentes Machado-Joseph vão ter apoio na Terceira

A Associação Atlântica de Apoio ao Doente Machado-Joseph vai estender-se à Terceira. A decisão foi tomada no último encontro regional sobre a doença, que decorreu na semana passada.

De acordo com Maria da Conceição Morgado, presidente do organismo, é comum haver pedidos de ajuda de outras ilhas
Segundo a responsável, importa agora reunir utentes, familiares e profissionais de saúde para compreender as necessidades dos cerca de 11 doentes que, na Terceira, padecem desta degeneração.
Segundo Maria da Conceição Morgado, a Associação Atlântica de Apoio ao Doente Machado-Joseph, com sede em São Miguel, tem uma equipa técnica que presta apoio, através de uma linha telefónica, mas também presencialmente. Há, igualmente, equipas de serviço social e técnicos que ajudam a ultrapassar os problemas de mobilidade dos doentes, nomeadamente através de aulas de hidroginástica.

A prevalência da doença de Machado-Joseph é acentuada nos Açores. Flores e São Miguel são as duas ilhas com maior número de população afetada. Nas Flores, onde um em cada 140 habitantes sofre com este tipo de degeneração, a incidência da doença é maior do que em qualquer outro lugar do mundo

Fonte: http://www.radioatlantida.net/doentes-machado-joseph-vao-ter-apoio-na-terceira

16 de junho de 2013

Doença de Machado-Joseph: um mal raro e hereditário

Falta de equilíbrio, coordenação motora afetada, andar cambaleante. Quem não conhece o problema, muitas vezes pensa que o paciente está embriagado. Mas na verdade, ele sofre de uma doença genética rara que afeta as funções motoras.
Localizado na parte posterior do cérebro, o cerebelo é a região responsável pela coordenação motora e pelo equilíbrio. Por conta de uma mutação genética, a produção de uma proteína chamada ataxina 3 é afetada, provocando um processo degenerativo no sistema nervoso.
O quadro é leve no início, e se agrava com o passar do tempo. A evolução da doença pode resultar em alterações na fala, dificuldade para engolir, visão dupla, rigidez muscular e tremores, levando o paciente à cadeira de rodas em alguns anos.
A doença de Machado-Joseph não tem cura, nem tratamento específico. É recomendado o acompanhamento de profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e neurologistas. Assim é possível controlar os sintomas e proporcionar maior qualidade de vida aos pacientes.
A doença de Machado-Joseph é hereditária, por isso pacientes portadores que desejam ter filhos devem procurar um aconselhamento genético. O risco de transmissão de pai para filho é de 50%.
 
 
FONTE: http://www.minhavida.com.br/saude/videos/15875-doenca-de-machadojoseph-saiba-como-o-problema-afeta-os-movimentos-e-o-equilibrio

19 de dezembro de 2012

DMJ (Doença de Machado Joseph) Artigo elaborado por Drª Patricia Maciel para a APAHE


A doença de Machado-Joseph (DMJ), também conhecida como ataxia espinocerebelosa do tipo 3 (ou SCA 3), é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante. Foi descrita pela primeira vez, na década de 70, em famílias luso-americanas de origem açoriana. Geralmente tem início na idade adulta, entre os 35 e 50 anos de vida, podendo surgir mais tarde ou mais cedo dependendo da gravidade da doença. O principal sintoma é a alteração do equilíbrio e da coordenação dos movimentos (ataxia), sem nunca afectar o intelecto. Com a evolução da doença, surgem sintomas como alterações na fala, dificuldades na deglutição, visão dupla e dificuldades a caminhar ou a realizar outros movimentos. É causada por uma alteração genética que leva a alterações estruturais na proteína ataxina-3, tornando-a tóxica para os neurónios. Até ao momento, não existe cura ou tratamento específico para a doença. Porém, os sintomas podem ser aliviados com acompanhamento de fisioterapeutas, psicólogos, neurologistas e outros profissionais de saúde com o objectivo de melhorar a qualidade de vida do paciente. O  diagnóstico da doença de Machado-Joseph é feito através de um teste genético molecular que permite não só confirmar o diagnóstico clínico mas também prever a ocorrência da doença em familiares de pessoas afectadas, mesmo antes de ela começar.

Patrícia Maciel, licenciada em Bioquímica e doutorada em Ciências Biomédicas – Genética, pela Universidade do Porto, tendo efectuado o seu trabalho de doutoramento na McGill University no Canadá, dedica-se ao estudo desta doença há 20 anos. É actualmente investigadora do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), da Universidade do Minho, aonde lidera um grupo constituído por investigadores com áreas de formação variada envolvendo a Biologia, Bioquímica e as Ciências Farmacêuticas. O seu grupo tem como principais objectivos o desenvolvimento de estratégias terapêuticas para a DMJ, que são testadas em modelos animais criados pelo grupo, bem como o estudo da função normal da proteína ataxina-3 das vias celulares em que está envolvida.

No que diz respeito à proteína ataxina-3, pensa-se que através da sua actividade de hidrolase de ubiquitina, pode estar a modular a destruição (ou manutenção) de certas proteínas celulares. Além de identificar os alvos de acção da ataxina-3, o grupo pretende perceber como é que as interacções da ataxina-3 com os seus parceiros moleculares estão afectadas devido à mutação causadora da DMJ e se isto pode contribuir para a origem da doença, bem como avaliar concretamente de que forma a perda de função da ataxina-3 em neurónios contribui para a DMJ. Relativamente às abordagens terapêuticas, o grupo desenvolveu um modelo da DMJ inserindo o gene humano no nematode C.elegans, um verme com menos de 1mm com um sistema nervoso muito simples, mas muito bem caracterizado, no qual está a testar mais de 1000 compostos terapêuticos com o objectivo de identificar os que são capazes de reverter a doença neste organismo. Dos compostos mais relevantes são escolhidos potenciais candidatos que são testados num outro modelo, o ratinho transgénico de DMJ, também criado e desenvolvido pelo grupo, no sentido de testar fármacos capazes de reverter a doença. Muitos dos compostos que escolhem testar são actualmente usados na clínica para outro tipo de doenças, pelo que, se funcionarem nos modelos animais, poderão ser promissores para futuras terapias para a DMJ.

 
NOTA. A APAHE quer aqui deixar expresso o seu mais profundo e encarecido agradecimento à Dra. Patrícia Maciel, que teve a amabilidade de redigir este artigo para a APAHE.

17 de outubro de 2011

Ensaios clínicos podem permitir avanços na Doença de Machado

Manuela Lima, especialista em Genética Humana, falava à margem das XXXVII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas
2011-10-14
Por Lusa
 

Testes para atrasar a progressão dos sintomas
Os ensaios clínicos em curso a nível internacional para testar na doença de Machado-Joseph fármacos já usados noutras patologias semelhantes podem permitir minimizar ou retardar a progressão desta doença degenerativa, que afecta 90 pessoas nos Açores.

“Existe um conjunto de ensaios clínicos, devidamente registados nas bases de dados internacionais, que estão a usar fármacos que já foram testados noutras doenças para perceber se funcionam na doença de Machado-Joseph, tentando atrasar a progressão dos sintomas, nomeadamente os mais incapacitantes e que põe mais em causa o bem-estar e a qualidade de vida do doente”, afirmou hoje a investigadora Manuela Lima, da Universidade dos Açores.

Manuela Lima, especialista em Genética Humana, falava à margem das XXXVII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas, que estão a decorrer em Ponta Delgada, onde proferiu uma conferência sobre a doença de Machado-Joseph nos Açores, uma patologia que provoca a perda de coordenação motora, não existindo actualmente um tratamento que permita bloquear a sua progressão.

A investigadora salientou que existem no arquipélago "cerca de 90 doe
ntes" com esta patologia, principalmente em S. Miguel e nas Flores, frisando que "a percepção é que a prevalência da doença não tem aumentado".

Manuela Lima sublinhou ser preciso "desmistificar que se trata de uma doença com origem nos Açores", alegando que "a região tem é uma prevalência elevada", o que faz com que "seja preciso investir na gestão dos doentes, proporcionando-lhes os cuidados de saúde adequados, e investigar com base no conjunto de doentes que o arquipélago tem".



Manuela Lima.
“A nossa ideia antiga de que era uma doença açoriana é uma ideia cientificamente errada, porque existem imensos casos no mundo que não têm ligação, nem com os Açores nem com o continente”

, frisou.
Para Manuela Lima, tendo em conta que a cura "não está a ser posta neste momento como uma possibilidade imediata", várias acções podem ser feitas "para melhorar a qualidade de vida dos doentes", nomeadamente o seu enquadramento numa associação como a que existe em S. Miguel.

"É uma doença que se manifesta em doentes de maneiras um pouco diferentes, daí a importância do trabalho de investigação e de intervenção médica", acrescentou, destacando a existência nos Açores da uma equipa multidisciplinar, envolvendo biólogos, neurologistas, especialistas em psicologia e geneticistas.

Manuela Lima recordou ainda que a Universidade dos Açores colabora, numa base semanal, no programa de aconselhamento genético que existe nos Açores desde 1995 e que permite disponibilizar um teste genético aos doentes e às famílias.


FONTE: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=51454&op=all

12 de outubro de 2011

DMJ - Injeções de Celulas Tronco Cordao Umbilical

Beike Robert Frank Flynn
EXPERIÊNCIA DO PACIENTE – A T A X I A

NOME:
Robert Frank Flynn

IDADE:
49

PAÍS:
EUA

DIAGNÓSTICO:
Ataxia III (Doença de Machado-Joseph). Robert tem ataxia hereditária, que herdou de sua família materna.

RAZÃO PARA FAZER O TRATAMENTO:
A condição de Robert foi piorando progressivamente e causou uma diminuição no seu padrão de vida. A principal preocupação era com suas capacidades físicas: Ele não conseguia andar e tinha grande dificuldade para se manter de pé. Sua fala também foi afetada o que tornou difícil para ele se comunicar. Depois que seu irmão recebeu os tratamentos no início deste ano e teve bons resultados, Robert também decidiu vir.
TRATAMENTO: Injeções de Células Tronco de Cordão Umbilical e Fator de Crescimento Nervoso com Fisioterapia
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Tratamento com celulas do tronco

Paciente com Machado Jospeh atinge melhorias após tratamento com celulas do tronco

Beike Paul Thomas Flynn rallelbarren festhält.)
NOME: Paul Thomas Flynn

IDADE: 43

PAÍS: EUA

DIAGNÓSTICO: Ataxia III (Doença de Machado-Joseph). Paul tem ataxia hereditária, que herdou de sua família materna.

RAZÃO PARA FAZER O TRATAMENTO: A condição de Paulo resultou em deficiência física e mental. A principal preocupação são suas capacidades físicas: Quando em pé, ele é muito instável, e exige algo para ajudá-lo a se equilibar. Devido falta de equilíbrio, andar tinha-se tornado cada vez mais difícil.

TRATAMENTO: 6 Injeções de Células Tronco de Cordão Umbilical e Fator de Crescimento Nervoso com Fisioterapia.

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12 de setembro de 2011

Irregularidade descoberta em pacientes com tipo especifico de ataxia, que pode ser usada como alvo em tratamentos







Para: HEALTH, EDITORES MÉDICOS E NACIONAIS

Contacto: Mary F. Masson, +1-734-764-2220, mfmasson@umich.edu, Margarita Wagerson, +1-734-764-2220, mbauza@umich.edu

Investigadores da Universidade do Michigan (EUA) descobriram uma disfunção nos neurónios de ratos com Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3; esta descoberta pode ser relevante para uma maior gama de ataxias.

ANN ARBOR, Michigan (EUA), 08/09/2011 / PRNewswire-USNewswire / - Uma irregularidade descoberta, pelos investigadores da Universidade do Michigan, em ratos com Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3, pode representar um alvo para futuras terapias.
Num artigo publicado esta semana no Jornal de Neurociência, os investigadores da Universidade do Michigan descobriram que uma disfunção particular nos neurónios ocorre bem antes da morte destes, que é típico deste tipo de ataxia. Essa disfunção, uma alteração no comportamento neural, pode ser um pode ser um possível alvo para potenciais tratamentos.
“Nós estabelecemos num rato, um modelo da doença com o defeito específico na função neural, que ocorre na fase inicial da doença, bem antes da morte dos neurónios”, disse o autor líder, Dr. Vikram G. Shakkottai, M.B.B.S., professor assistente no Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan.
“Com mais estudo, esperamos descobrir que a disfunção neural inicial, precedendo a perda neural, possa ser relevante para a compreensão dos problemas motores numa gama mais vasta de ataxias.”
Cerca de 300.000 pessoas nos EUA padecem de ataxias e possivelmente até 20.000 padecem do tipo de ataxia que foi foco deste estudo: a Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3, também conhecida como a Doença de Machado-Joseph, especifica o co-autor Dr. Henry Paulson, professor de Neurologia na Universidade do Michigan.
Os sintomas da doença são lentamente progressivos, tais como problemas em andar e manter o equilíbrio, juntamente com dificuldades na deglutição e respiratórias. É uma doença incurável e actualmente não existe qualquer medicação para atrasar o curso da doença.
É o tipo de ataxia hereditária de transmissão dominante mais comum e pertence a uma classe de, pelo menos, nove doenças genéticas, denominadas ‘doenças de expansão poliglutaminica’. As mutações nas ‘doenças poliglutaminicas’ são irregularmente longas repetições duma repetição normal de três letras do código genético ADN.
“A ataxia é, na sua grande parte, um mistério. Muitas formas de ataxia são doenças incuráveis, até fatais, e este estudo providencia uma pista para a disfunção precoce nas células cerebrais, um avanço na forma como pensamos nesta classe de doenças degenerativas”, diz Paulson, que é também o director do Centro da Doença de Alzheimer da Universidade do Michigan.
O estudo mostrou que a activação de um tipo específico de canal de potássio foi bem sucedido em melhorar a disfunção motora nos ratos, e pode significar um potencial rumo para uma terapia para a doença humana.
“As nossas descobertas reenfocam a ideia que as disfunções neurais resultantes de problemas em canais, podem sublinhar alguns dos sintomas motores típicos destas ataxias, particularmente precocemente no curso da doença. Estes defeitos precoces na função neural podem ser um alvo para terapias,” diz Shakkottai.
Autores adicionais: Maria do Carmo Costa e James M. Dell’Orco, ambos do Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan; Ananthakrishnan Sankaranarayanan, da Universidade da Califórnia-Davis; e Heike Wulff, da Universidade de Nova Orleães.
Referência do jornal: JN-RM-2798-11



Fonte:



http://news.yahoo.com/abnormality-discovered-patients-specific-ataxia-could-target-treatment-195510795.html