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14 de novembro de 2017

Simpósio Doenças Raras 2017



Vai realizar-se, no próximo dia 15 de Dezembro, o Simpósio Doenças Raras 2017: Com a investigação, um mundo de possibilidades. Este evento, que se integra na concretização da Estratégia Integrada para as Doenças Raras (2015-2020), terá lugar no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge em Lisboa.
Programa e inscrição AQUI

4 de abril de 2017

Identificar alterações estruturais do cerebelo pode servir como biomarcador para a ataxia, diz estudo

Investigadores da Fundação Santa Lucia IRCCS, Itália, descobriram que a atrofia cerebelosa pode afetar estruturas cerebrais relacionadas com as emoções, pensamento e memória, o que pode em parte explicar os sintomas da ataxia. Os resultados sugerem que identificar alterações na estrutura do cerebelo através de imagens pode ajudar a detetar a degeneração cerebelosa e a ataxia.

Estas observações no estudo, "Impacto da atrofia cortical cerebelosa na massa cinzenta e pedúnculos cerebelosos, avaliada pela morfometria baseada em voxel e difusão de imagens de alta resolução angular", apareceram no jornal Functional Neurology.

O cerebelo é a região do cérebro que controla o movimento e tarefas motoras. Mais recentemente, os cientistas descobriram que é o cerebelo também está envolvido na cognição e nas emoções, embora não seja claro como esta região está ligada a estas funções cerebrais. A atrofia cerebelosa pode afetar todas as regiões ligadas ao cerebelo. Portanto, estudar a estrutura do cérebro de pacientes com esta condição pode lançar luz sobre a conexão funcional e estrutural do cerebelo com o resto do cérebro.

No presente estudo, os autores avaliaram a ocorrência de alterações estruturais no cérebro, devido à degeneração cerebelosa numa coorte de sete pacientes com ataxia cerebelosa - dois com ataxia espinocerebelosa tipo 2, um com ataxia de Friedreich e quatro com ataxia cerebelosa idiopática.

Usando técnicas de imagem e análises estruturais, observaram que diferentes regiões do cérebro - o núcleo caudado, giro do cíngulo e o córtex orbitofrontal - mostraram uma diminuição simétrica no volume de matéria cinzenta dos pacientes comparados com controlos normais.

Juntamente com o cerebelo, a região do núcleo caudado está relacionada com os movimentos voluntários. O giro cingulado está envolvido no controlo emocional na recuperação da memórias e cognição geral, enquanto o córtex orbitofrontal está relacionado com a atividade do cerebelo. Estas observações sugeriram a ligação funcional entre o cerebelo e as três regiões do cérebro.

"Ao comparar os pacientes que apresentavam atrofia cerebelosa geral com os controlos normais, fomos capazes de investigar que regiões do cérebro foram afetadas pela sua atrofia cerebelosa," escreveram os autores.

A ressonância magnética de difusão (dMRI) é uma técnica não-invasiva que mapeia um tecido com base na capacidade de uma molécula de água viajar no tecido. Os investigadores descobriram uma correlação entre os valores da dMRI de uma região do cerebelo, o pedúnculo cerebeloso do meio, e os resultados totais da ataxia e alguns dos seus sub-resultados, tais como as funções cinéticas e os distúrbios do movimento ocular.

Especificamente, os pacientes com baixos valores dMRI tiveram resultados mais elevados na ataxia, enquanto os pacientes com valores elevados dMRI tiveram resultados mais baixos na ataxia - sugerindo que a dMRI poderia ser um biomarcador útil para a imagiologia da degeneração cerebelosa e da ataxia.


(artigo traduzido por Fátima d’Oliveira)




Identificar causa da ataxia é um desafio, mas tarefa crucial, diz estudo

Identificar a causa subjacente e estabelecer um diagnóstico de ataxia é crucial, já que estão disponíveis algumas terapias para alguns casos de ataxias imuno-mediadas ou geneticamente adquiridas. Uma revisão de todos os diagnósticos entre uma grande amostra de pacientes revelou que as ataxias familiares, incluindo a ataxia de Friedreich, representavam apenas uma pequena proporção de todos os pacientes com este tipo de condição.

A ataxia causada pelo glúten foi o diagnóstico mais comum entre os casos esporádicos. Dado que a condição pode ser melhorada evitando o consumo de alimentos que contenham glúten, a constatação ilustra a importância de um diagnóstico preciso.

Enquanto o estudo mostrou que a próxima geração de sequenciamento (NGS) ajudaram a estabelecer um diagnóstico médico, uma grande proporção de pacientes permanecem sem diagnóstico.

O estudo, "Causas de ataxia cerebelosa progressiva: avaliação prospetiva de 1500 Doentes", mapeou as anomalias médicas que causam ataxia em todos os pacientes que foram avaliados num centro especializado em ataxia no Reino Unido. O relatório foi publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry.

A ataxia em si não é um diagnóstico, mas sim um conjunto de sintomas que surgem por causa de uma doença subjacente. Em muitos casos, encontrar a razão para a degeneração do cerebelo - a região do cérebro que permite às pessoas se moverem de uma forma harmoniosa e coordenada - é um desafio. Às vezes, os médicos não conseguem identificar a causa.

Para obter uma melhor imagem das causas subjacentes da ataxia na população, os investigadores do Hospital Real Hallamshire, no Reino Unido, examinaram os resultados de trabalho de diagnóstico no centro de ataxia, dos últimos 20 anos.

Os resultados mostraram que apenas 20% dos doentes tinham um tipo hereditário da condição, com a ataxia de Friedreich sendo o mais comum (encontrada em 22% do grupo).

Entre aqueles com doença esporádica, a ataxia causada pelo glúten foi encontrada num quarto dos pacientes. Quase tantos pacientes não tinham qualquer causa identificável. O terceiro diagnóstico mais comum foi a ataxia racionada com o álcool - uma condição que surge após o consumo, prolongado e excessivo de álcool.

A atrofia múltipla do sistema, uma doença neurodegenerativa rara que afeta várias regiões do cérebro, foi encontrada em 11% dos pacientes de ataxia. O restante dos pacientes desenvolveu a doença, como resultado de uma série de causas diferentes, cada um afetando apenas uma pequena percentagem de pacientes.

Durante os primeiros tempos num período de 20 anos, apenas estavam disponíveis testes para a ataxia de Friedreich, ataxia espinocerebelosa e atrofia dentato-rubro-palido-luisiana (DRPLA). O número de testes foram aumentando gradualmente, mas só em 2014 é que houve acesso a métodos NGS para análise genética.

Desde então, a 146 pacientes foram avaliados com testes genéticos com 42 genes diferentes. Dos pacientes testados, 71 pacientes tinham um histórico familiar da doença. Além disso, 33 tinham ataxia esporádica de início precoce e 42 tinham ataxia esporádica de início tardio.

Apenas 32% de todos os pacientes obtiveram um diagnóstico como resultado de um rastreio genético. A identificação da causa genética era mais provável entre os pacientes com doença hereditária.

Tudo dito, pode ser feito um diagnóstico em 63% de todos os pacientes sem diagnóstico estabelecido de ataxia de Friedreich.

"As ataxias imuno-mediadas são comuns. Os avanços nos testes genéticos melhoraram significativamente o diagnóstico de pacientes suspeitos de terem uma ataxia genética. Fazer um diagnóstico das causas da ataxia é essencial devido a potenciais intervenções terapêuticas para algumas ataxias imunes e genéticas", concluíram os investigadores.


(artigo traduzido por Fátima d’Oliveira)





15 de março de 2014

Investigadores do ICVS/3Bs desenvolveram um novo modelo de ratinho transgénico da doença de Machado- Joseph e demonstraram um atraso da progressão da doença com o tratamento crónico com 17-DMAG



Investigadores do ICVS/3Bs desenvolveram um novo modelo de ratinho transgénico da doença de Machado- Joseph e demonstraram um atraso da progressão da doença com o tratamento crónico com 17-DMAG
Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho liderada pela Profª Patrícia Maciel publicou recentemente um artigo na revista internacional Neurotherapeutics, descrevendo a caracterização de um novo modelo de ratinho da doença de Machado-Joseph (DMJ), a ataxia espinocerebelosa mais prevalente em todo o mundo, e que até agora permanece incurável. Este modelo apresenta várias características semelhantes às da doença humana ao nível dos sintomas neurológicos e das regiões do cérebro afectadas, o que até à data não tinha sido observado num único modelo da doença, tornando-se assim uma ferramenta valiosa para ensaios terapêuticos. As principais vantagens do modelo CMVMJD135 são a ausência de morte prematura e a manifestação de sintomas característicos da DMJ, incluindo perda acentuada da coordenação do movimento e do equilíbrio, assim como perda de força muscular, que se inicia a partir dos 2 meses de idade progredindo ao longo do tempo. Estes ratinhos também apresentam inclusões neuronais positivas para a ataxina-3 em diferentes regiões do cérebro, incluindo os núcleos pônticos, núcleos reticulares laterais e núcleos profundos do cerebelo. Neste trabalho, também foi demonstrado um atraso importante na progressão da doença com o tratamento crónico com o fármaco  17-DMAG, actualmente em ensaios clínicos (fase I) para tumores sólidos avançados, conduzindo a uma melhoria acentuada dos sintomas e da neuropatologia. Adicionalmente, os investigadores analisaram os mecanismos subjacentes a este efeito, mostrando que apesar de a expressão as proteínas “chaperones” (“acompanhantes” de proteínas mal conformadas) no modelo do ratinho CMVMJD135 não ter sido aumentada com o tratamento, o 17- DMAG é eficaz através da indução de autofagia (mecanismo de auto-digestão parcial da célula, que protege contra os agregados). Desta forma, os resultados deste artigo confirmam que a modulação deste mecanismo celular pode ser relevante para o tratamento desta doença e traduzem o potencial deste composto a nível clinico.
Notas adicionais:
O 17-DMAG está em fase de ensaios clínicos em humanos (1ª fase - determinação da segurança de utilização) mas não para este tipo de doenças, antes para tratamento de alguns tipos de cancro.
- E quando irá passar para tratamento, disponibilizado nas farmácias?
Não será uma passagem imediata para a clínica. Ainda não se vende nas farmácias, nem se pode usar em doentes sem antes ser aprovado para esse fim, o que só pode acontecer depois de serem realizados ensaios clínicos em doentes com DMJ.
Por outro lado, este fármaco tem alguns efeitos laterais que o tornam de difícil utilização em doenças neurodegenerativas crónicas como é o caso da doença de Machado-Joseph, em que tem que se administrar o fármaco durante muito tempo.
Por este motivo, os investigadores consideram que os nossos resultados servem para comprovar que o “alvo” a que se dirige o fármaco é um bom alvo a atingir, mas que se tem que melhorar as “armas” a utilizar, ou seja desenvolver compostos com a mesma acção mas com menos efeitos secundários. Felizmente, há já algumas empresas farmacêuticas a trabalhar neste sentido e o grupo da UM está a trabalhar activamente com uma delas no sentido de testar esses novos fármacos no modelo ratinho. Esta é uma situação afortunada, porque é muito raro as empresas farmacêuticas manifestarem interesse nestas doenças raras, que não representam uma grande mais-valia económica. Se os novos fármacos da mesma família tiverem o mesmo efeito benéfico sem terem os efeitos secundários, estarão em melhor posição para passarem a ser testados em humanos.
Entretanto, a equipa da UM continua também a estudar outras possibilidades, nomeadamente com fármacos já considerados seguros para utilização prolongada em humanos, cuja passagem para a clínica será mais fácil (projecto suportado financeiramente pela APAHE, juntamente com a AtaxiaUK).
 
NOTA: A APAHE agradece à Dra. Patrícia Maciel, que amavelmente redigiu este artigo.


10 de março de 2014

UMinho identifica fármaco para tratar doença rara (Machado Joseph)

© Universidade do Minho
Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade do Minho (UMinho) acaba de anunciar o desenvolvimento de um modelo que comprova a eficácia do fármaco 17-DMAG no tratamento da Doença de Machado-Joseph (DMJ), uma doença neurodegenerativa rara e, até ao momento, incurável causada por uma mutação no gene ATXN3.

Em comunicado enviado ao Boas Notícias, a UMinho explica que o medicamento em causa atrasa a progressão da doença - que se carateriza, entre outros sintomas, pela descoordenação dos movimentos corporais e que tem grande incidência na Ilha das Flores, nos Açores - e que está inclusivamente a ser testado em tumores cancerígenos avançados.

A patologia tem como principais consequências a descoordenação dos movimentos corporais, incluindo deficits piramidais, extrapiramidais e cerebelosos, bem como neuropatia periférica e, em alguns casos, "parkinsonismo". Este desequilíbrio pode ter interferências na coordenação dos dedos, mãos, braços e pernas, nos movimentos oculares e no mecanismo de deglutição.
Pegadas de ratinhos normais (esq.) e de ratinhos transgénicos - modelo da DMJ - com diferentes idades, expressas em semanas de vida (dir.), apresentando estes últimos dificuldades em caminhar.

Os resultados da investigação publicada na prestigiada revista científica "Neurotherapeutics" revelam que o fármaco em estudo pode ser útil no tratamento de doentes com Machado-Joseph. "Este fármaco induz a autofagia, um mecanismo celular de defesa cuja ativação provou, em estudos anteriores, ser benéfica na proteção contra esta patologia", explica Patrícia Maciel, coordenadora do projeto e investigadora do Laboratório Associado ICVS/3B’s da UMinho.

O modelo usado para validar a ação do 17-DMAG foi desenvolvido em ratinhos e reúne manifestações clínicas e patológicas semelhantes às da DMJ. "Os ratinhos apresentam uma progressiva descoordenação motora, perda de força e neurónios, bem como uma agregação da proteína ataxina-3 mutada em várias regiões do cérebro", contextualiza a especialista, de 42 anos.

De acordo com Patrícia Maciel, licenciada em Bioquímica e doutorada em Ciências Biomédicas na Universidade do Porto e na Universidade McGill, no Canadá, onde viveu durante quatro anos, este modelo reproduz "muito fielmente" a doença, constituindo-se como uma ferramenta valiosa para testar novas estratégias terapêuticas.

Fonte:
http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_UMinho-identifica-f%C3%A1rmaco-para-tratar-doen%C3%A7a-rara_18999.html?page=0

21 de janeiro de 2014

Fundação norte-americana atribui quatro prémios a investigação médica em Coimbra


Prémio na investigação da doença de Machado-Joseph que provoca perda de coordenação motora

21 de janeiro de 2014 - 09h44

Uma fundação norte-americana atribuiu quatro prémios para financiar uma investigação sobre novas terapias para a doença de Machado-Joseph, que está a ser desenvolvida por especialistas de Coimbra, anunciou hoje a Universidade desta cidade.

Um grupo de especialistas liderados por Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), acaba de ser “reconhecido pela National Ataxia Foundation (NAF) com a atribuição de quatro prémios para financiar a investigação na descoberta de terapias para impedir a progressão da doença de Machado-Joseph”, afirma uma nota hoje divulgada pela UC.

A doença de Machado-Joseph é uma patologia cerebral que “provoca a perda de coordenação motora, acabando por confinar os doentes a uma cadeira de rodas e, até ao momento, é incurável”, sublinha a UC, referindo que a doença “tem uma prevalência significativa em Portugal, especialmente nos Açores”.

Luís Pereira de Almeida foi premiado com o financiamento “Pioneer SCA Translational Grant Award”, no valor de 100 mil dólares (cerca de 73.500 euros), para continuar a investigar a “ativação farmacológica da autofagia para aliviar a doença de Machado-Joseph”.

A autofagia consiste na “limpeza” das células e os cientistas vão aprofundar os estudos em animais transgénicos (modelos da doença) que têm mostrado “possíveis efeitos benéficos de fármacos” – aprovados pela FDA (US Food and Drug Administration) e pela Agência Europeia do Medicamento – no “atraso da progressão e alívio dos sintomas da doença”.

Ao grupo de especialistas foram ainda atribuídos três prémios de 15 mil dólares cada um, que permitirão avançar na investigação da mesma doença.

Uma das investigadoras, Liliana Mendonça, está a realizar o transplante de células estaminais neurais em animais transgénicos numa área cerebral afetada pela doença de Machado-Joseph (o cerebelo) e os resultados preliminares já obtidos sugerem que esta poderá constituir uma “promissora” estratégia terapêutica, afirma, na mesma nota, a UC.

Rui Nobre, outro dos especialistas envolvidos na investigação, tem estado a desenvolver “uma estratégia terapêutica promissora associada a uma forma inovadora de administração periférica”, acreditando que poderá dar “um contributo importante para o uso de terapia génica nesta doença”.

A possibilidade de outra molécula (ataxina-2) contribuir para a doença está a ser estudada por Clévio Nóbrega, que “pretende esclarecer o possível mecanismo patogénico e validar a ataxina-2 como potencial alvo terapêutico desta doença”.

Fundada em 1957, “a NAF financia estudos altamente promissores na área das doenças degenerativas que provocam ataxia (descoordenação de movimento), em todo o mundo”, tendo galardoado este ano, “pela primeira vez em quadruplicado”, a investigação que está a ser desenvolvida” por este grupo de investigadores do CNC da UC.

SAPO Saúde com Lusa

Na imagem: Investigador Luís Pereira de Almeida é o primeiro à direita

20 de novembro de 2013

Edison Pharmaceuticals (EUA), FARA (EUA) e USF (EUA) anunciaram o início da fase 2 dos ensaios clínicos do EPI-743 para a ataxia de Friedreich, em adultos com mutações

A Edison Pharmaceuticals, a Aliança de Investigação para a Ataxia de Friedreich (FARA) e a Universidade do Sul da Flórida (USF) anunciaram o início da fase 2 dum estudo intitulado, "Fase 2A do ensaio clínico de EPI-743 na função visual em pacientes de ataxia de Friedreich com mutações pontuais."

Dada a raridade do genótipo de mutação pontual da ataxia de Friedreich, o ensaio é um estudo único com a duração de três meses, seguido por uma fase de extensão de três meses. Os participantes do estudo devem ser entre os 18 e 65 anos, possuir confirmação genética da mutação pontual da ataxia de Friedreich e atender a certos critérios de severidade de doença. O principal ponto do ensaio é a função visual, com pontos secundários, incluindo as funções neurológicas e neuromusculares, e biomarcadores relevantes para a doença.

O ensaio será realizado na USF Saúde – um membro da Rede Colaborativa de Investigação Clínica na Ataxia de Friedreich – e é financiado por um subsídio concedido pela FARA. O patrocinador do estudo é a USF, e investigador principal é Theresa A. Zesiewicz, MD, FAAN, Professora de Neurologia e Diretora do Centro de Investigação em Ataxia da Universidade do Sul da Flórida.

"A FARA tem estado ansiosa para ver os esforços de desenvolvimento de medicamentos estenderem-se a subgrupos ultra-raros da ataxia de Friedreich, tais como aqueles que abrigam mutações pontuais," disse o Presidente da FARA, Ronald Bartek. "Este é o primeiro estudo dedicado à análise da segurança e resposta de medicamentos experimentais em adultos com mutações pontuais no gene frataxina que representam cerca de 2 a 4% dos pacientes com ataxia de Friedreich".

O EPI-743, atualmente, está sendo avaliado em indivíduos com a repetição da expansão tripla na síntese de frataxina.

Ataxia de Friedreich

A ataxia de Friedreich é que uma doença mitocondrial hereditária autossómica recessiva, que afeta um número estimado de 1 em cada 30.000 indivíduos nos Estados Unidos e na Europa. A ataxia de Friedreich é causada por um defeito no gene frataxina, que codifica uma proteína aminoácida 210 que participa da montagem de proteínas ferro-enxofre (Fe-S)r. Como a maioria dessas proteínas Fe-S estão localizadas na cadeia respiratória nas mitocôndrias, os pacientes com ataxia de Friedreich apresentam-se com sintomas de “falha de energia", incluindo ataxia, fraqueza muscular, insuficiência cardíaca, diabetes e deficiências visuais, auditivas e da fala. A ataxia de Friedreich é uma doença altamente debilitante e é um membro de uma família maior de doenças chamadas doenças mitocondriais que compartilham um mecanismo bioquímico comum no metabolismo energético celular. Não existem medicamentos aprovados pela FDA para a ataxia de Friedreich.

EPI-743

O EPI-743 é uma pequena molécula oralmente biodisponível que está a ser desenvolvida pela Edison Pharmaceuticals para o tratamento da ataxia de Friedreich e outras doenças mitocondriais hereditárias.

Edison Pharmaceuticals

A Edison Pharmaceuticals é uma empresa de biotecnologia dedicada ao desenvolvimento de tratamentos para crianças e adultos com doenças mitocondriais. Mais informações podem ser encontradas em www.edisonpharma.com.

FARA

A Aliança de Investigação para a Ataxia de Friedreich (FARA) é organização sem fins lucrativos, nacional, pública, isenta de impostos, dedicado à cura da ataxia de Friedreich (FA) por meio de investigações. Os subsídios que a FARA concede e outras atividades fornecem suporte para investigações básicas e translacionais da FA, desenvolvimento de medicamentos farmacêutico / biotecnológicos, testes clínicos e conferências científicas. A FARA também serve como um catalisador, entre a comunidade científica e público, para criar trocas de informações que façam avançar unidade médica. Para obter mais informações sobre a FARA, visite-os online em www.curefa.org.

USF Saúde

A USF Saúde é parte integrante da Universidade da Flórida do Sul, uma Universidade de investigação global, classificada em 50.º, a nível nacional, pela National Science Foundation, para as despesas de investigação federal e total entre todas as universidades dos EUA. A missão da USF Saúde é prever e implementar o futuro da saúde. É a parceria da Faculdade de Medicina Morsani, a Faculdade de Enfermagem, a Faculdade de Saúde Pública, a Faculdade de Farmácia, a Escola de Ciências Biomédicas e a Escola de Fisioterapia e Ciências da Reabilitação; e o grupo médico da USF. Para mais informações, visite www.health.usf.edu.


Fonte: http://www.newswest9.com/story/23865557/edison-pharmaceuticals-fara-and-usf-announce-initiation-of-epi-743-phase-2-friedreichs-ataxia-clinical-trial-in-adults

26 de agosto de 2012

Estudo sobre população cigana revela um novo gene da ataxia


Um estudo da universidade australiana ocidental sobre uma população cigana isolada da Europa de Leste desbloqueou pistas sobre uma doença de sério desenvolvimento – ataxia cerebelar congénita.

A Prof. Luba Kalaydjieva e o Dr. Dimitar Azmanov, da Universidade Australiana Ocidental, dizem que a descoberta de uma importante mutação genética deve inspirar outros trabalhos científicos em todo o mundo.

O resultado da sua pesquisa, para o Instituto de Investigação Médica afiliado à Universidade Australiana Ocidental (WAIMR), foi publicado online no prestigiado American Journal of Human Genetics (Jornal Americano de Genética Humana).

Envolveu trabalhar em colaboração com outros investigadores australianos e europeus, para descobrir mutações num gene que nunca tinha sido associado a esta forma de ataxia hereditária em humanos.

As ataxias são um grande grupo de doenças neurodegenerativas que afetam a capacidade de manter o equilíbrio, aprender e manter as capacidades motoras. Enquanto muitos genes já foram implicados nas ataxias hereditárias, compreender a sua base molecular está longe de estar completa. Novos conhecimentos vão ajudar à compreensão do desenvolvimento e função normal do cérebro e aos mecanismos de degeneração.

“Os ciganos são uma população fundadora,” disse a Prof. Kalaydjieva. “Eles derivam de um pequeno número de ancestrais e têm permanecido relativamente isolados das populações que os rodeiam. Este grupo era ideal para estudar, porque são subsolados mais jovens, demonstrando uma diversidade genética limitada.”

“Estudámos uma nova forma de ataxia em 3 famílias, neste grupo étnico. Foram feitas investigações clínicas e de imagens do cérebro na Bulgária, em colaboração com radiologistas do Hospital Sir Charles Gairdner (Perth, Austrália) e do Hospital Princesa Margarida (Perth, Austrália), que foram depois seguidos por estudos genéticos no WAIMR e no Instituto Walter e Eliza Hall (WEHI) (Melbourne, Austrália).”

“Foram detetados sinais de ataxia muito cedo na infância, quando capacidades motoras como gatinhar e rolar não se desenvolveram. Os indivíduos afetados apresentavam atraso no desenvolvimento global, ataxia e défice intelectual. As Ressonâncias Magnéticas mostravam sinais de degeneração do cerebelo, que é a parte do cérebro que controla as capacidades motoras e de aprendizagem. No geral, a esperança de vida não diminui, mas a qualidade de vida é severamente afetada.”

“Os progenitores dos indivíduos afetados não apresentavam quaisquer sintomas clínicos da ataxia, sugerindo uma hereditariedade recessiva,” disse o Dr. Azmanov. “Os nossos estudos genéticos demonstraram alterações únicas na codificação genética metabotrópica do glutamato do recetor 1 (GRM1), que é importante para o desenvolvimento normal do córtex cerebelar. As mutações herdadas pelos indivíduos afetados a partir dos seus progenitores portadores mas não afetados, alterou dramaticamente a estrutura do recetor GRM1.”

A Prof. Kalaydjieva disse que os mecanismos patogenéticos exatos que levam às manifestações clínicas e degeneração cerebelar ainda estão por explicar e que isto abre novas vias de investigação para toda a comunidade científica. “Também fica por esclarecer se outros pacientes de ataxia, em todo o mundo, têm mutações no GRM1,” disse ela.

A Prof. Luba Kalaydjieva, que tem estado a trabalhar na genética do povo Romani nos últimos 20 anos, recentemente reformou-se do WAIMR. Os seus estudos são o foco de investigação a decorrer, sobre várias doenças neurológicas hereditárias.

O Dr. Azmanov tem estado ativamente envolvido nos estudos genéticos da população cigana fundadora nos últimos 5 anos e o seu trabalho tem sido financiado pelo Conselho de Formação e Investigação Médica e Nacional de Saúde.

 

 

2 de julho de 2012

Conferência sobre Investigações sobre Ataxia, 2012


1-3 Novembro, Hotel Radisson Blu London Stansted Airport

(Londres, Reino Unido)
Sobre a Conferência sobre Investigações sobre Ataxia 2012 

A Ataxia UK já organizou três conferências sobre investigação desde 2005, onde cientistas e investigadores oriundos de toda a Europa se têm reunido e partilhado informação e avanços no campo da investigação sobre a ataxia.
Este ano, a Ataxia UK e a Ataxia Irlanda (anteriormente conhecida como a Sociedade para a Ataxia de Friedreich da Irlanda) vão, em conjunto, ser anfitriãs da Conferência sobre Investigações sobre Ataxia, em Londres. Com a presença de investigadores de todo o mundo, esta vai ser uma oportunidade para conhecer gente nova, novas ideias e partilhar resultados com a comunidade internacional que investiga a ataxia.

Oradores convidados

·         Dr. Alexis Brice, Universidade de Sorbonne, França

·         Prof. Silvia Marino, Escola de Medicina e Odontologia Barts & London, Reino Unido

·         Prof. Joel M. Gottesfeld, Instituto de Investigação Scripps, EUA

·         Prof. Annalisa Pastore, Instituto Nacional para a Investigação Médica, Reino Unido

·         Prof. Dimitri Kullman, Universidade de Londres, Reino Unido

·         Dra. Hélène Pruccio, Inserm, França

·         Prof. Stefan Pulst, Universidade do Utah, EUA

·         Prof. Michel Koenig, Universidade de Estrasburgo, França

·         Dr. Sherif El-Khamisy, Universidade do Sussex, Reino Unido

·         Prof. Massimo Pandolfo, Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica
Programa

Quarta-feira, 31 de Outubro

·         Chegada, registro e receção de boas-vindas
Quinta-feira, 01 de Novembro

·         Novas estratégias terapêuticas para as ataxias

·         Análise genética a molecular do gene e proteína frataxina

(noite)

·         Receção na Casa dos Lords
Sexta-feira, 02 de Novembro

·         Ataxia de Friedreich: modelos celulares animais e descoberta de medicamentos

·         Ataxias dominantes

(noite)

·         Jantar da Conferência
Sábado, 03 de Novembro

·         Ataxias recessivas, episódicas e não-hereditárias

·         Do laboratório até à clínica, na investigação sobre ataxias: bio marcadores e ensaios clínicos.
Fonte: http://www.ataxia.org.uk/events.php/51/ataxia-research-conference-2012#about

20 de abril de 2012

Doenças raras


Prémio Rola-Braz é uma bolsa de investigação numa garrafa de vinho
Um Brinde pela Ciência é o último ponto do programa científico que sexta-feira vai discutir a regulação e qualidade dos testes genéticos em Portugal. A discussão, no Porto, será centrada nos três anos de espera pela regulamentação da lei sobre informação genética pessoal e informação de saúde, mas a sessão vai encerrar com um invulgar exemplo de mecenato científico. Ana Rola-Braz decidiu contribuir para a criação de uma bolsa de investigação que permita desenvolver novas formas de diagnóstico de doenças raras, fazendo reverter um euro da venda de cada garrafa de vinho que produziu na região do Douro

É "uma homenagem a uma pessoa de família com a doença de Machado-Joseph", explica a enóloga, que trabalha nas Caves de Santa Marta e é proprietária da marca de vinho Quinta de Remostias, na região do Douro. Ana Rola-Braz quis retribuir por um serviço prestado pelo Centro de Genética Médica Preditiva e Preventiva (CGPP), no Porto, e decidiu oferecer o que faz: vinho.

"Uma ideia fantástica para uma forma de mecenato que é muito comum noutros países, mas que em Portugal é incipiente", nota Cláudio Sunkel, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), onde está o CGPP, acrescentando que "é a primeira vez" que isto acontece no instituto.

A enóloga poderia ter-se limitado a doar uma verba ao CGPP. Mas, após um encontro com os responsáveis do centro e do IBMC, decidiu que seria mais interessante contribuir para um avanço científico nesta área. Assim, foi já seleccionado num concurso um bolseiro que, durante o próximo ano (a bolsa poderá ser alargada), vai tentar encontrar novas formas de diagnóstico da doença de Machado-Joseph (a doença rara de maior prevalência em Portugal) e outras ataxias hereditárias como esta (doenças crónicas que afectam o cerebelo e acabam por deixar as pessoas sem se poderem mexer nem falar).

Sobre o vinho Quinta das Remostias, que será lançado e provado no final do encontro da Orphanet Portugal, Ana Rola-Braz esclarece que se trata de um tinto, da colheita de 2007, feito com as castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, com grau alcoólico de 14% e cujo preço deverá rondar os cinco euros. A enóloga tem um stock de seis mil garrafas (estão à venda à online ou nas lojas de especialidade) para o Prémio Rola-Braz.

Os organizadores do primeiro encontro sobre doenças raras e medicamentos "órfãos" da Orphanet - uma rede que apoia o diagnóstico e tratamento destes doentes, para os quais a indústria farmacêutica tem pouco interesse em desenvolver produtos, e que é liderada por um consórcio de 40 países - esperam que o brinde reservado para o final do dia sirva para celebrar. A Orphanet Portugal espera obter nesta sexta-feira o compromisso do Governo (o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, deverá estar na sessão), para avançar com a regulamentação da lei publicada em Janeiro de 2005. É que a proposta de decreto regulamentar está pronta desde o início de 2009.

"E até agora nada", constata Jorge Sequeiros, cientista do CGPP e que presidiu à comissão que elaborou esta regulamentação. Na mesma altura apresentou-se uma proposta de portaria sobre o licenciamento dos laboratórios de genética médica. Também, nesse caso, nada até agora.

Apesar de a lei publicada em 2005 estar em vigor, a regulamentação deverá clarificar alguns pontos, como as condições de oferta de testes genéticos, a regulação da sua qualidade, o estabelecimento de biobancos ou a protecção de informação sensível. Estima-se que existam 5 a 8 mil doenças raras, afectando no seu conjunto até 6% da população, o que, extrapolando, significa que haverá até 600 mil pessoas com estas patologias em Portugal.
FONTE: http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/premio-rolabraz-e-uma-bolsa-de-investigacao-numa-garrafa-de-vinho-1542576