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25 de agosto de 2017

Investigadores identificam 2 moléculas que aumentam os níveis de Frataxina em modelos animais portadores de Ataxia de Friedreich



27 de Julho de 2017
Autor: Alice Melão
Duas pequenas moléculas demonstraram aumentar os níveis de mRNA e da proteína da frataxina (FXN) em modelos animais da ataxia de Friedreich. De acordo com um relatório publicado na “Neuropharmacology”, estes compostos poderiam ter potencial terapêutico para tratar deficits de FXN na ataxia de Friedreich (FA).

A ataxia de Friedreich é causada por níveis reduzidos da proteína mitocondrial FXN. Embora as funções desta proteína não estejam totalmente estudadas, os estudos mostraram que está envolvido em vários mecanismos de reparação do ADN e metabolismo do ferro.
Demonstrou-se que uma redução da produção da FXN poderia estar associada a um númeroreduzido de mitocôndrias – “o centro de poder" das células - o que poderia, em parte, explicar as manifestações de Faz.
Encontrar formas de aumentar os níveis da FXN nestes pacientes tem sido um foco importante da estratégia terapêutica no combate a esta doença. A terapia de reposição de proteínas, os moduladores da expressão gênica e as terapias genéticas foram testadas para esse fim, mas, infelizmente, esses métodos não foram eficazes no tratamento de todos os sintomas da ataxia de Friedreich.
A Erythropoietin (EPO) é uma proteína que é conhecida por ser reguladora da produção de glóbulos vermelhos. Estudos mais recentes revelaram que também pode atuar como um potente protetor de tecido, como anti-apoptótico (apoptose refere-se à morte celular programada) e como proteína anti-inflamatória.
O EPO humano produzido em laboratório (rhEPO) mostrou aumentar os níveis de FXN em várias células humanas em ambiente laboratorial e em estudos clínicos iniciais. Mas o potencial terapêutico da EPO ainda não foi totalmente explorado nos modelos de ataxia de Friedreich.
No estudo intitulado “Erythropoietin and small molecule agonists of the tissue-protective erythropoietin receptor increase FXN expression in neuronal cells in vitro and in Fxn-deficient KIKO mice in vivo,” ( Eritropoyetina e agonistas de pequenas moléculas do receptor de eritropoietina protetor de tecido aumentam a expressão da FXN em células neuronais in vitro e em ratos KIKO com deficit de Fxn in vivo), investigadores de STATegics e Université Libre de Bruxelles avaliaram o potencial terapêutico de duas pequenas moléculas, as STS-E412 e STS-E424, para o tratamento da ataxia de Friedreich. EsTas duas terapias de investigação foram especificamente projetadas para ativar o recetor de EPO que protege os tecidos.

A equipa de investigadores testou a STS-E412 e a STS-E424 em ratos de laboratório e em células semelhantes às dos neurónios humanos e observou um aumento de duas vezes na expressão da FNX. Este efeito positivo também foi observado em células sanguíneas retiradas de pacientes com ataxia de Friedreich.

Mas o efeito dessas moléculas pequenas não se restringiu à proteína. Os investigadores também observaram níveis aumentados de mRNA (a transcrição do gene que resulta numa proteína) da FXN em células expostas à STS-E412 e à STS-E424.

A descoberta sugere que a atividade destas candidatas a terapias também pode afetar a expressão do gene FXN e não apenas a estabilidade da proteína. O efeito de mRNA observado foi semelhante ao encontrado no tratamento com inibidores de HDAC, uma terapia potencial para a ataxia de Friedreich atualmente sob investigação

Os investigadores confirmaram essas descobertas em ratos com défice de FXN. Após o tratamento com a STS-E412 e a STS-E424, os animais apresentaram níveis aumentados de FXN no coração semelhantes aos obtidos no rhEPO. Adicionalmente, essas pequenas moléculas conseguiram levar ao aumento dos níveis de FXN nos cérebros dos animais, algo que a proteína rhEPO não conseguiu alcançar.

"Os resultados aqui descritos ilustram que essas pequenas moléculas, como o rhEPO, aumentam o mRNA da FXN e a própria proteína em ambientes in vitro e em ratos de laboratório portadores de FA", escrevem os autores. " Concludentemente, o seu pequeno tamanho e consequente permeabilidade aos tecidos e capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica para aumentar a proteína FXN no cérebro, a ampla atividade citoproteica, a falta de atividade eritropoyética e a biodisponibilidade oral sugerem que STS-E412 e STS-E424 podem ter potencial terapêutico no tratamento da FA ", acrescentam.


Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/27/friedreichs-ataxia-study-finds-that-two-small-molecules-activating-epo-receptor-increase-fxn-levels/

Traduzido para a APAHE por: Bárbara Cerdeiras

14 de agosto de 2017

Proteína SIRT3 Necessária como Suplemento para Auxiliar o Coração na Ataxia De Friedreich, sugere o Estudo



25 DE JULHO DE 2017 Joana Fernandes, PhD in News.


Uma proteína chamada SIRT3 foi essencial para restaurar a contratilidade cardíaca e o metabolismo energético que podem resultar de um suplemento promotor de energia chamado mononucleótido de nicotinamida (NMN), informaram os pesquisadores a partir de um estudo nos ratos de modelo da ataxia de Friedreich.

O estudo "Mononucleótido de nicotinamida requer a SIRT3 para melhorar a função cardíaca e bioenergética num modelo de miocardiopatia da ataxia de Friedreich", foi publicado em JCI Insight.

Estudos anteriores mostraram que o suplemento aumentou os níveis de NAD+, uma molécula que ajuda mitocôndria - a potência da célula - a gerar energia a partir de alimentos. A energia adicional auxiliada melhora a função cardíaca em várias doenças.

Mas os cientistas não conheciam o mecanismo exato que levou a ativação de NAD+ a melhorar a função cardíaca.

Usando ratos com a ataxia de Friedreich, os pesquisadores investigaram o efeito que a proteína mitocondrial SIRT3 teve na função cardíaca.

Escreveram os pesquisadores: uma questão-chave que os cientistas não responderam foi se os níveis crescentes da SIRT3 teriam um efeito terapêutico. "Nós propusemo-nos determinar a eficácia do suplemento com NMN [monotunucleótido com nicotinamida] nos [ratos com ataxia de Friedreich] e testar o papel da SIRT3 na intervenção dos efeitos do NMN".

Quando o estudo começou, as células cardíacas dos ratos doentes apresentavam baixos níveis da ARNm Sirt3, uma transcrição genética que gera a proteína. Quando os ratos receberam o suplemento, a sua função cardíaca foi restaurada.

Os pesquisadores então criaram um rato modelo da doença à qual faltava a SIRT3. Queriam saber se a melhoria observada dependia da atividade desta proteína específica. Descobriram que o suplemento não teve efeito sobre os ratos, prova de que a SIRT3 é essencial para o efeito do NMN.

No conjunto, os resultados forneceram informações valiosas sobre a capacidade do suplemento na melhoria da função cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich e o papel essencial da SIRT3 neste empenho.

Os pesquisadores escreveram: "Aqui, referimos a SIRT3 - restauração dependente da função cardíaca e do metabolismo energético pelo suplemento de NMN no coração debilitado do [rato modelo]".
A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa incurável em crianças. Isso advém de uma mutação que leva a uma produção inferior à normal da proteína frataxina.


Os baixos níveis de frataxina levam à fraqueza muscular, sensibilidade anormal nos membros, problemas de movimento, alterações na estrutura do cerebelo e outras regiões cerebrais e diminuição da esperança de vida.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/25/study-suggests-supplement-can-improve-heart-function-of-friedreichs-ataxia-patients/

Tradução para APAHE: Luz Couto

14 de julho de 2017

O aumento da modificação da proteína provoca/causa doença cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich, demonstra estudo



Um aumento anormal na acetilação de proteínas induz a doença cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich (FA) e pode representar um novo alvo terapêutico para a intervenção precoce, conclui um estudo.

O estudo “A progressiva acetilação da proteína lisina da mitocondrial e insuficiência cardíaca num modelo de cardiomiopatia de ataxia de Friedreich " apareceu na “Plos One”.

Os autores do estudo encontraram uma estreita relação entre a acetilação de proteínas - um mecanismo importante que atua ao nível da alteração das proteínas de forma a regular o metabolismo celular - e a perturbação metabólica e funcional observada nos corações dos modelos animais com FA, bem como em pacientes com FA.

O estudo utilizou um modelo animal de FA, em que os ratos foram geneticamente modificados para não produzirem a proteína de frataxina nas células cardíacas, de modo a refletir a perda de frataxina observada em pacientes com FA.

Os investigadores avaliaram as mudanças nos corações dos animais, tanto fisiológicas como funcionais, e documentaram a evolução da doença durante 30, 45 e 60 dias.

Os resultados demonstraram que, ao 30º dia, a falta de frataxina tinha provocado um aumento na acetilação de proteínas das células cardíacas dos ratos. A rapidez deste mecanismo continuou a aumentar com o passar do tempo, e ao 45º dia, ocorreram os primeiros indícios anormais de dano cardíaco, com o espessamento da parede ventricular esquerda e a disfunção diastólica. À medida que a acetilação progrediu, a função cardíaca continuou a diminuir nos modelos com ratos.

No geral, os investigadores detetaram uma forte ligação entre uma maior modificação proteica e a fibrose cardíaca, o dano mitocondrial e o metabolismo prejudicado, para além de disfunção diastólica e sistólica, que conduz à insuficiência cardíaca nos animais.

Embora este estudo mostre que um aumento na acetilação de proteínas cardíacas leva a danos cardíacos e a doença cardíaca, nenhum mecanismo pode, ainda, explicar a razão por trás disso. Os autores do estudo solicitam que haja mais pesquisa a fim de que se desenvolvam novas terapias para atingir a acetilação proteica precoce.

 A FA é uma desordem hereditária rara que afeta cerca de um em cada 50.000 americanos. Geralmente, tem inicio na infância e leva ao comprometimento da coordenação muscular do individuo, piorando ao longo do tempo.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/06/27/friedreichs-ataxia-cardiomyopathy-caused-by-increased-acetylation-of-heart-proteins-study-finds/?utm_source=Friedreich%27s+Ataxia&utm_campaign=0a3198bdce-RSS_WEEKLY_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_ae7feab64b-0a3198bdce-72172285

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras

Investigadores criam "células do coração num prato de laboratório" para estudar a doença cardíaca associada à FA




Autor: Joana Fernandes, PhD 06 / 07/2017

 

Investigadores australianos transformaram com sucesso células-tronco de pacientes com ataxia de Friedreich (FA) em células cardíacas para estudar anomalias moleculares que podem contribuir para esta doença.

Essas "células cardíacas num prato de laboratório" fornecem informações valiosas para o estabelecimento de tratamentos novos.

No seu estudo, " A ataxia de Friedreich influenciou os cardiomiócitos derivados de células estaminais pluripotentes, mostrando anomalias eletrofisiológicas e deficiência no controle de cálcio", apareceu na revista “Aging”.

A FA é causada por baixos níveis da proteína frataxina, devido a anomalias na sequência do gene que codifica esta proteína - repetições de porções de DNA dentro do gene. Quanto maior o número de repetições, mais cedo se dá o início da FA e de todas as suas complicações associadas.

A frataxina desempenha um papel importante nas mitocôndrias, o poder da célula, de modo que a mutação da proteína é responsável por vários sintomas que refletem deficiências na produção de energia. O coração é um dos órgãos afetados por essa falta de energia.

"A cardiomiopatia é detetada em dois terços dos indivíduos com FA]", escreveram os investigadores. "Os indivíduos com FA, geralmente, apresentam cardiomiopatia progressiva do ventrículo esquerdo, que é a principal causa de morte em FA devido a arritmias e/ou insuficiência cardíaca".

Estudos anteriores demonstraram que a morte de células cardíacas, cardiomiócitos e a fibrose podem contribuir para as complicações cardíacas em FA, mas pouco se sabe sobre o impacto da doença no coração.

Os investigadores criaram culturas de células estaminais usando células de três pacientes de FA com complicações cardíacas. A seguir, estimularam o desenvolvimento dessas células-tronco em cardiomiócitos - basicamente, células de coração num prato de laboratório.

Os novos cardiomiócitos apresentaram baixos níveis de frataxina, como era esperado, mas também correntes iónicas anormais, que são cruciais para o funcionamento normal dessas células. Tiveram, também, uma maior variação nas suas taxas de batimento, que estava ligada ao deficiente controle do cálcio, afetando finalmente o funcionamento dos cardiomiócitos.

Juntos, estes resultados abrem caminho não só para entender como os pacientes FA desenvolvem atividade cardíaca anormal mas também para a utilização de células estaminais induzidas para estudar a cardiomiopatia no contexto desta doença.

"Mais importante, os nossos dados indicam, claramente, que as FA iPSC [células-tronco] - cardiomiócitos derivados podem ser usados no escrutínio de compostos capazes de alterar ou reverter fenótipos, em células humanas, proporcionando, deste modo, uma ferramenta inovadora e única para a pesquisa da FA", concluíram os investigadores.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/06/friedreichs-ataxia-heart-disease-is-focus-of-stem-cell-study-by-australian-researchers/

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras

2 de outubro de 2014

REATA anuncia o início dos estudos da Fase 2 sobre o RTA 408, para o tratamento da ataxia de Friedreich e miopatias mitocondriais

Reata recebeu autorização da Divisão de Produtos de Neurologia da FDA (Food and Drug Administration – Administração para os Alimentos e para os Medicamentos, EUA) para iniciar dois novos programas clínicos da Fase 2 em pacientes com ataxia de Friedreich e miopatias mitocondriais. Ambas estas doenças órfãs estão associadas com a produção reduzida de energia, fadiga e capacidade de exercício prejudicada. Não existem terapias existentes especificamente aprovadas para o tratamento de pacientes com estas doenças.

A ataxia de Friedreich (AF) é uma doença hereditária causada por defeitos no gene da frataxina, uma proteína que regula os níveis de ferro nas mitocôndrias. Os defeitos em frataxina resultam numa sobrecarga de ferro mitocondrial, causando deficiências no metabolismo, stress oxidativo e danos no ADN mitocondrial. Os pacientes com AF ​​sofrem degeneração progressiva dos sistemas nervoso central e periférico, dificuldade de coordenação e marcha e fadiga devido à privação de energia e perda de massa muscular.

As Miopatias Mitocondriais são um conjunto de doenças órfãs individuais que estão associadas a mutações no ADN mitocondrial. Estes defeitos causam défices da cadeia respiratória e produção de energia comprometida. A maioria destes pacientes compartilham um fenótipo semelhante caracterizado por fraqueza muscular e fadiga. Esses pacientes também podem ter outros sintomas, devido à produção de energia prejudicada em outros sistemas de órgãos.

O RTA 408 funciona através da indução de Nrf2, que regula vários genes que desempenham papéis diretos e indiretos na produção de energia celular (ou seja, trifosfato de adenosina, ou ATP) dentro da mitocôndria. Diretamente, a ativação da via Nrf2 aumenta o uso eficiente de combustível (ácidos gordos e glicose) pela mitocôndria e aumenta a biogênese mitocondrial e consumo basal de oxigênio. Indiretamente, a ativação de Nrf2, através dos seus efeitos antioxidantes, equilibra equivalentes redutores e mantém a homeostase mitocondrial e eficiência. Além dos seus efeitos positivos na eficiência metabólica, a ativação Nrf2 tem sido demonstrada, em estudos pré-clínicos, que promove a reparação e recuperação muscular e reduz marcadores de stress oxidativo e lesão muscular.

"Os nossos colaboradores e nós temos demonstrado em estudos pré-clínicos que a ativação Nrf2 genética ou farmacológica regula positivamente a função mitocondrial e a produção de energia. Esperamos traduzir este efeito ñum melhor funcionamento físico e redução da fadiga em pacientes com ataxia de Friedreich e miopatias mitocondriais. Estas doenças raras e debilitantes, de momento, não possuem quaisquer terapias aprovadas ", observou o Dr. Colin Meyer, Diretor Médico da Reata.

Os dois ensaios da Fase 2 iniciais, serão ambos “às cegas” (mediante sorteio, metade tomará o medicamento em teste e metade tomará um placebo). A finalidade primária da eficácia em ambos os estudos será avaliar o pico de trabalho durante o teste ergométrico. Os estudos também irão explorar mudanças noutras medidas de atividade física, fadiga e biomarcadores associados com o funcionamento mitocondrial.

Sobre Reata Pharmaceuticals, Inc.

Reata Pharmaceuticals, Inc. é uma empresa privada com o objetivo de traduzir a investigação inovadora em medicamentos inovadores para doenças difíceis que têm necessidades por satisfazer. Reata é líder no desenvolvimento de uma nova classe de fármacos com atividade potente de transcrição-regulação chamada moduladores de inflamação antioxidantes (AIMs). AIMs ativa Nrf2, promovendo a produção de numerosos genes antioxidantes, desintoxicantes e anti-inflamatórios, e inibem NF-kB, um fator de transcrição que regula muitas proteínas pró-inflamatórias. A farmacologia de AIMs imita os metabólitos de prostaglandinas endógenos que são responsáveis ​​pela resolução orquestrada da inflamação. Os efeitos anti-inflamatórios, citoprotetor e energéticos no metabolismo da farmacologia AIM foram documentados em mais de 250 artigos científicos e são potencialmente relevantes para uma ampla gama de doenças.

Devido à ampla aplicabilidade da biologia AIM, Reata está conduzindo ativamente ou iniciando dois programas da fase 2 com AIMs, com fins terapêuticos em várias áreas, incluindo a hipertensão arterial pulmonar, oncologia, ataxia de Friedreich, miopatias mitocondriais, dermatologia e oftalmologia.

  


29 de agosto de 2014

As células estaminais mesenquimais melhoram o movimento e diminuem a neurodegeneração em ratos atáxicos

A ataxia de Friedrich (AF) resulta de concentrações insuficientes de uma proteína chamada Frataxina. A Frataxina serve como uma proteína do metabolismo do ferro que coloca ferro em proteínas que necessitam. Porque várias proteínas que desempenham um papel crucial no metabolismo energético em células usam ferro, a Frataxina é uma molécula muito ocupada e sem quantidades suficientes de Frataxina, a energia metabólica diminui e células metabolicamente ativas, como nervos e músculos, enfraquecem e morrem.
Estrutura cristalina da Frataxina

Em pacientes com AF​​, os gânglios da raiz dorsal, que se encontram em frente da medula espinhal, são os primeiros a morrer e degenerar. Podem os tratamentos com células estaminais proporcionar alívio aos estragos da AF?


Para testar essa possibilidade, Salvador Martinez e os seus colegas da Universidade Miguel Hernández em Alicante, Espanha examinaram duas populações de ratos, os quais tinham mutações de perda de funções no gene Frataxina (FXN). Ratos de ambos os grupos foram injetados com células estaminais mesenquimais derivadas da medula óssea isoladas quer de qualquer tipo selvagem, quer de ratos YG8. Os ratos YG8 são geneticamente manipulados para que sofram de uma forma de AF dos ratos, que mostra várias semelhanças com a AF ​​humana. As injeções de células estaminais mesenquimais eram injeções "intratecais", o que significa que foram diretamente injetadas no sistema nervoso.

Como resultado das injeções de células estaminais, ambos os grupos de ratos não mostraram melhoria motora em comparação com ratos não tratados. Os gânglios da raiz dorsal, também mostraram um aumento da expressão da frataxina nos grupos tratados, e menos morte celular.

Porque é que os ratos injetados com células estaminais saem melhor? Investigações posteriores revelaram que as células  estaminais mesenquimais injetadas expressaram os seguintes fatores de crescimento: NT3, NT4 e BDNF. Todos estes fatores de crescimento podem ligar-se a recetores específicos incorporados nas membranas daqueles neurónios sensoriais localizados dentro do gânglio da raiz dorsal e apoiando a sua sobrevivência, impedindo-os assim de morrer. Os ratos tratados com células estaminais também aumentaram os níveis de "enzimas antioxidantes.". Estas são enzimas encontradas nas nossas células que dispõem de moléculas perigosas. As enzimas como a catalase, dismutase-superóxida e assim por diante, são exemplos de enzimas antioxidantes. Os ratos tratados com células estaminais tinham níveis mais elevados de catalase e GPX-1 nos seus gânglios da raiz dorsal, o que é significativo, porque os ratos YG8 mostram uma diminuição dos níveis destas enzimas antioxidantes.

Curiosamente, os resultados não foram significativamente diferentes se as células estaminais injetadas eram isoladas de tipo selvagem ou ratos YG8. Em ambos os casos, as células estaminais mesenquimais injetadas melhoraram o estado dos ratos com AF.

Em conclusão, os transplantes de células estaminais mesenquimais da medula óssea, quer do próprio paciente, quer de células estaminais doadas, é um procedimento de tratamento viável que pode retardar o aparecimento da morte celular nos gânglios da raiz dorsal em pacientes com ataxia de Friedreich.




16 de julho de 2012

Desenvolvimentos terapêuticos na Ataxia de Friedreich

A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária grave, progressiva, neuro e cardiodegenerativa, para a qual não existe, atualmente, qualquer terapia aprovada. A ataxia de Friedreich é causada pela diminuição da expressão e/ou função da frataxina, uma proteína mitocondrial que liga ferro e que está envolvida na formação nos aglomerados de ferro-enxofre. A diminuição da função da frataxina leva à diminuição da formação dos aglomerados de ferro-enxofre, acumulação de ferro mitocondrial, depleção de ferro citosólico, stresse oxidativo e disfunção mitocondrial. A clonagem do gene na origem da ataxia de Friedreich e a elucidação de muitos aspetos dos defeitos bioquímicos subjacentes à doença, têm levado a várias iniciativas terapêuticas na tentativa de aumentar a expressão da frataxina, reverter a acumulação de ferro mitocondrial e alívio do stresse oxidativo. Estas iniciativas estão ainda em desenvolvimento pré-clínico e clínico.



5 de janeiro de 2012

Novo ensaio clínico de medicamento para a ataxia de Friedreich


Investigadores no Hospital San Luigi, Turim (Itália), tiveram autorização para o ensaio clínico (Phase I) de um novo medicamento, concebido especificamente para tratar a ataxia de Friedreich. Foi concedida a aprovação regulamentar para este ensaio clínico, onde até 20 pacientes com a doença irão testar este novo medicamento, conhecido como RG2833.
Os cientistas têm como objectivo descobrir se este medicamento é seguro, e aprender mais sobre os seus efeitos no corpo. Em particular, vão medir quaisquer alterações nos níveis de frataxina, uma proteína chave que é reduzido nas pessoas com ataxia de Friedreich.
RG2833 é um tipo de medicamento denominado “inibidor deacetilásico histónico”, que foi desenvolvido pela companhia farmacêutica Repligen, em colaboração com cientistas americanos. Os inibidores deacetilásicos histónicos podem providenciar um meio para aumentar os níveis de frataxina através da activação do gene responsável pela produção de frataxina, que está “desligado” em pessoas com ataxia de Friedreich. A iniciativa europeia de investigação, GoFAR, apoiou este estudo.

14 de outubro de 2011

Ataxia de Friedreich: a hipótese do círculo vicioso revisitada

Aurelien Bayot, Renata Santos, Jean-Michel Camadro e Pierre Rustin

BMC Medicine 2011, 9:112 doi:10.1186/1741-7015-9-112

Publicado: 11/10/2011

Resumo (provisório)

A ataxia de Friedreich, a doença autossómica recessiva envolvendo o sistema nervoso central e periférico mais frequente, é maioritariamente associada a uma expansão instável dos trinucleotides GAA no primeiro intron do gene FXN, que codifica a proteína frataxina mitocondrial. Desde que foi demonstrado que o FXN estava envolvido na ataxia de Friedreich, nos finais da década de 90 do séc. XX, a consequência da perda de função da frataxina tem gerado um debate vigoroso. Muito cedo, sugerimos uma hipótese unificadora, de acordo com a qual a deficiência de frataxina leva a um círculo vicioso de manipulação deficiente de ferro, uma síntese debilitada de agrupamento ferro-sulfúrico e aumento da produção radical de oxigénio. Contudo, dados obtidos a partir de células e modelos de animais agora indicam que a acumulação de ferro é um acontecimento inconsistente e tardio e que a deficiência de frataxina nem sempre debilita a actividade de agrupamento ferro-sulfúrico, contendo proteínas. Em contraste, a deficiência de frataxina aparece consistentemente associada ao aumento de sensibilidade a espécies reactivas ao oxigénio, em oposição ao aumento de produção radical de oxigénio. Ao compilar conclusões de pesquisas fundamentais para observação clínica, defendemos aqui a opinião que a primeiríssima consequência do esgotamento de frataxina é, na verdade, um estado oxidativo anormal que inicia o mecanismo patogénico que sublinha a ataxia de Friedreich.

Fonte: http://www.biomedcentral.com/1741-7015/9/112/abstract