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4 de abril de 2017

Identificar alterações estruturais do cerebelo pode servir como biomarcador para a ataxia, diz estudo

Investigadores da Fundação Santa Lucia IRCCS, Itália, descobriram que a atrofia cerebelosa pode afetar estruturas cerebrais relacionadas com as emoções, pensamento e memória, o que pode em parte explicar os sintomas da ataxia. Os resultados sugerem que identificar alterações na estrutura do cerebelo através de imagens pode ajudar a detetar a degeneração cerebelosa e a ataxia.

Estas observações no estudo, "Impacto da atrofia cortical cerebelosa na massa cinzenta e pedúnculos cerebelosos, avaliada pela morfometria baseada em voxel e difusão de imagens de alta resolução angular", apareceram no jornal Functional Neurology.

O cerebelo é a região do cérebro que controla o movimento e tarefas motoras. Mais recentemente, os cientistas descobriram que é o cerebelo também está envolvido na cognição e nas emoções, embora não seja claro como esta região está ligada a estas funções cerebrais. A atrofia cerebelosa pode afetar todas as regiões ligadas ao cerebelo. Portanto, estudar a estrutura do cérebro de pacientes com esta condição pode lançar luz sobre a conexão funcional e estrutural do cerebelo com o resto do cérebro.

No presente estudo, os autores avaliaram a ocorrência de alterações estruturais no cérebro, devido à degeneração cerebelosa numa coorte de sete pacientes com ataxia cerebelosa - dois com ataxia espinocerebelosa tipo 2, um com ataxia de Friedreich e quatro com ataxia cerebelosa idiopática.

Usando técnicas de imagem e análises estruturais, observaram que diferentes regiões do cérebro - o núcleo caudado, giro do cíngulo e o córtex orbitofrontal - mostraram uma diminuição simétrica no volume de matéria cinzenta dos pacientes comparados com controlos normais.

Juntamente com o cerebelo, a região do núcleo caudado está relacionada com os movimentos voluntários. O giro cingulado está envolvido no controlo emocional na recuperação da memórias e cognição geral, enquanto o córtex orbitofrontal está relacionado com a atividade do cerebelo. Estas observações sugeriram a ligação funcional entre o cerebelo e as três regiões do cérebro.

"Ao comparar os pacientes que apresentavam atrofia cerebelosa geral com os controlos normais, fomos capazes de investigar que regiões do cérebro foram afetadas pela sua atrofia cerebelosa," escreveram os autores.

A ressonância magnética de difusão (dMRI) é uma técnica não-invasiva que mapeia um tecido com base na capacidade de uma molécula de água viajar no tecido. Os investigadores descobriram uma correlação entre os valores da dMRI de uma região do cerebelo, o pedúnculo cerebeloso do meio, e os resultados totais da ataxia e alguns dos seus sub-resultados, tais como as funções cinéticas e os distúrbios do movimento ocular.

Especificamente, os pacientes com baixos valores dMRI tiveram resultados mais elevados na ataxia, enquanto os pacientes com valores elevados dMRI tiveram resultados mais baixos na ataxia - sugerindo que a dMRI poderia ser um biomarcador útil para a imagiologia da degeneração cerebelosa e da ataxia.


(artigo traduzido por Fátima d’Oliveira)




13 de setembro de 2014

Famílias vão 'Walk n' Roll ' no dia 20 de Setembro em prol da ataxia, que aflige muitos


Por Rhony Laigo

foto cortesia de http://ataxia.kintera.org

 Se não fosse a campanha mundial do Desafio do Balde de Gelo, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), ou doença de Lou Gehrig, podia ter sido apenas isso - uma doença que não tem cura. Mas desconhecida para muitos, uma outra doença debilitante que afeta muitos, e, ironicamente, até mesmo os mais jovens, também precisa do mesmo tipo de atenção.

No dia 20 de Setembro, as famílias americanas, seus familiares e amigos, vão fazer exatamente isso. Eles vão caminhar para Long Beach (EUA) para a Sexta Anual LA/OC Walk n 'Roll for Ataxia para que mais pessoas possam estar cientes do distúrbio neurológico relativamente desconhecido chamado ataxia, que significa simplesmente "falta de coordenação".

A partir de 340 S Pine Ave, a caminhada de Sábado até á área do Aquarium em Long Beach vai coincidir com o Dia Internacional da Sensibilização para a Ataxia. O 1K Walk n 'Roll for Ataxia Awareness em Long Beach está sendo organizado pelos Grupos de Apoio às Ataxias de Orange County e Los Angeles, que vão oferecer T-shirts aos primeiros 300 participantes presentes no evento. Os organizadores disseram que não há nenhuma taxa de inscrição, mas que doações são aceites de bom grado.

Pessoalmente, conheço pessoas aqui no sul da Califórnia, que têm vindo a sofrer de ataxia ou falta de controlo muscular por causa dessa desordem neurológica. Uma é próxima da família Balita* e seu nome é Moira, cuja mãe, Saira Velasco, mais conhecido no mundo das celebridades filipinas como Bunny Paras, costumava ser a nossa Gerente de Publicidade para a Secção de Automobilismo. Saira teve que se semi-aposentar para se concentrar na sua filha, que foi diagnosticada com ataxia há quatro anos. Moira tem apenas 15 anos.

Duas outras amigas minhas, do tempo dos meus dias Novaliches (Filipinas), a antes Pamela Jacob, agora conhecida como Pamela Ching, e sua irmã, Aileen Jacob, também sofrem ambas sofrem de ataxia. Para ser mais específica, é chamada SCA7 (ataxia espinocerebelosa, existem vários tipos). E isso não é tudo. Há mais em sua família.

As gémeas de Pamela - Catherine Joyce e Clarissa Janelle, de 27 anos - também sofrem ambas de ataxia.

Mas essa não é a pior parte. O seu irmão do meio, Manuel Jacob, morreu com essa doença. Também era um amigo meu, que me apresentou para o jogo de basebol, que costumávamos jogar no seu relvado. E a filha de Aileen também morreu com essa doença, apenas no ano passado. Ela tinha apenas 21 anos.

Para citar a tia de Pamela, que Pamela postou na sua página no Facebook: "É verdadeiramente inspirador que a fundação ALS (ELA) tenha inspirado o senso de generosidade das pessoas, mas de cada vez que vejo um desafio do balde de gelo, não posso deixar de sentir um aperto no meu coração... uma certa tristeza, porque na verdade é um lembrete de que, até hoje, uma outra doença debilitante chamada ataxia fica esquecida. A ataxia é uma doença neurológica degenerativa que afeta o equilíbrio, a coordenação e a visão. É muito importante para mim – o meu primo, as suas duas filhas e três netas estão todos afetados por esta doença progressiva. Significaria o mundo para eles, se mais pessoas estivessem cientes não só da sua existência, como do impacto global que tem sobre as pessoas que a têm e os seus entes queridos que testemunham os seus efeitos em primeira mão. Infelizmente, a comunidade médica ainda não exerceu qualquer pesquisa agressiva ou significativa para encontrar a cura ou alívio para esta doença. O maior obstáculo é a falta de consciencialização e o financiamento. Que este seja o meu rali pessoal e apelo para que se juntem a nós na Walk n 'Roll to Ataxia e/ou doar para ajudar a espalhar o conhecimento desta doença é muito comumente ‘varrida’ para debaixo do tapete."

De acordo com a ataxia.org.uk, ataxia espinocerebelosa tipo 7 (SCA7) é um tipo de ataxia cerebelosa hereditária. "É causada por um defeito num gene. Isso resulta em danos a determinadas partes do cérebro e para os olhos." A irmã de Pamela, Aileen, além de não ser capaz de andar mais, também perdeu a visão.

No caso da filha de Saira, Moira, ela está sofrendo de outro tipo de ataxia. A ataxia de Friedreich, - uma desordem progressiva "que afeta principalmente o sistema nervoso ... da medula espinhal.”

Saira postou na sua página do Facebook a seguinte mensagem: "Como muitos de vocês devem saber, a nossa filha Moira foi diagnosticada com ataxia há quatro anos. Quero antes de tudo, agradecer profundamente por todos os pensamentos e orações – o vosso apoio tem-nos dado força e esperança para o futuro. Estamos participando na caminhada anual Los Angeles/Orange Country para a consciencialização da ataxia e angariação de fundos que vão no sentido duma cura. Se tiver tempo, por favor sinta-se à vontade para se juntar a nós no passeio pela baía ao lado do Long Beach Aquarium. E se poder poupar um pouco para doar para uma cura, ficaríamos muito satisfeitos. Além disso, quanto mais dinheiro angariarmos, mais bilhetes a Moira tem para ganhar prêmios no sorteio após a caminhada!"

Detalhes do Evento:

6 Anual LA/OC Walk n 'Roll for Ataxia
Sábado, 20 de Setembro de 2014
Atrás do PF Chang’s em Shoreline Aquatic Park
340 S Pine Ave
Long Beach, CA 90802
EUA


*Família Balita: http://www.balita.com – notícias da comunidade filipina nos EUA



5 de setembro de 2014

Mutações no ANO10 causam ataxia e deficiência da coenzima Q10

Resumo
As ataxias hereditárias são distúrbios heterogéneos que afetam crianças e adultos, com mais de 40 genes causadores diferentes, tornando o diagnóstico genético molecular desafiador. Apesar de recentes avanços no sequenciamento de última geração ter melhorado significativamente a deteção de mutações, existem poucos tratamentos para os pacientes com ataxia hereditária. Em dois pacientes com ataxia cerebelosa com início na idade adulta e deficiência a nível muscular da coenzima Q10 (CoQ10), o sequenciamento completo do exome revelou mutações no ANO10, que codifica a anoctamina 10, um membro de uma família de canais de cloreto ativado pelo cálcio putativo, e o gene causador da ataxia-10 espinocerebelosa autossómica recessiva (SCAR10). Ambos os pacientes apresentavam ataxia lentamente progressiva e disartria, levando a uma deficiência grave na sexta década. Epilepsia e dificuldades de aprendizagem também estavam presentes num paciente, enquanto a degeneração da retina e cataratas estavam presentes no outro. A deteção de mutações no ANO10 nos pacientes indica que os defeitos no ANO10 causam níveis baixos de CoQ10 secundários e que os pacientes com SCAR10 podem beneficiar de suplementos de CoQ10.





20 de julho de 2013

Síndroma de Joubert: ataxia cerebelar congénita com o dente molar


Marta Romani PhD, Alessia Micalizzi BSc, Prof Enza Maria Valente MD

Resumo

O Síndroma de Joubert é uma ataxia cerebelar congênita com hereditariedade autossómica recessiva ou ligada ao X, a marca de diagnóstica do que é uma malformação cerebelar e tronco cerebral única reconhecível na imagem latente do cérebro — o chamado sinal do dente molar. Os sinais neurológicos estão presentes desde o período neonatal e incluem hipotonia progredindo para ataxia, atraso global do desenvolvimento, apraxia ocularmotora e respiração desregulada. Estes sinais são variavelmente associados com o envolvimento de vários órgãos, principalmente da retina, rins, esqueleto e fígado. Até agora, foram identificados 21 genes responsáveis, todos os quais codificam para proteínas do cílio primário ou o seu aparelho. O cílio primário é uma organela subcelular que tem um papel-chave no desenvolvimento e em muitas funções celulares, fazendo do Síndroma de Joubert parte da família em expansão das ciliopatias. Existe uma notável clínica e genética sobreposição entre ciliopatias distintas, que podem também ocorrer mesmo dentro das famílias. Tal variabilidade é provavelmente explicada por um modelo oligogénico da hereditariedade, na qual a interação de mutações, variantes raras e polimorfismos em loci distintos modulam a expressividade do fenótipo ciliar.

 

Fonte:

4 de novembro de 2012

Laboratório de pesquisa de análise do movimento: mecanismos e reabilitação da ataxia cerebelar


Uma das principais funções do cerebelo é a de dinamicamente ajustar o movimento de múltiplas articulações e membros, tornando os movimentos suaves e precisos. Para fazer isto, os circuitos cerebelares têm de processar relações cinéticas e temporais complexas entre segmentos do corpo de forma profética, evitando imprecisões causadas por longos atrasos na resposta. Os processos de controlo cerebelar também têm que ser continuamente calibrados por via de mecanismos adaptáveis de maneira a serem úteis num ambiente em mudanças constantes. É claro que danos cerebelares interrompem a adaptação prática-dependente de muitos movimentos. A implicação desses estudos é que a prática de repetição dos movimentos afetados vai providenciar algum benefício para as pessoas com danos cerebelares. Até à data, o treino de reabilitação é o principal, senão único, tratamento para a maioria das doenças cerebelares. Não há muitas provas que comprovem a eficácia do treino de reabilitação, apesar de poder melhorar alguns aspetos do controlo do movimento: estes mecanismos ainda permanecem pouco claros. Assim, pensamos que uma maior compreensão da capacidade de adaptação em pessoas com danos cerebelares pode facilitar a otimização das técnicas de reabilitação.

Vamos testar: (1) Se há manobras que podem melhorar os movimentos de pessoas com danos cerebelares, (2) se as capacidades adaptáveis podem ser aumentadas em pessoas com danos cerebelares, e (3) se as capacidades adaptáveis predizem o resultado da reabilitação (ou seja, aprender). Colocámos a hipótese de que seriamos capazes de aumentar a função cerebelar residual e/ou tocar nos mecanismos extra-cerebelares para melhorar os movimentos e a capacidade de adaptação. Também colocámos a hipótese de que as capacidades adaptáveis vão se correlacionar com as capacidades de aprendizagem nesta população, permitindo-nos prever quem melhor vai responder à reabilitação. Conforme vamos efetuando estes estudos, vamos avaliar teorias diferentes da função cerebelar (por exemplo: controlo da dinâmica, previsão, tempo), através da determinação de quais os aspetos do movimento e adaptação são mais comprometidos em pacientes cerebelares. Assim, este trabalho vai testar as teorias de controlo motor e, ao mesmo tempo, avaliar novas estratégias para reabilitação.

Estudos em curso:

§  Visual contra propriocepção

§  Teste de equilíbrio com resposta visual
Estudos futuros:

§  Programa de exercícios de longo prazo, comparado com o controlo motor

3 de novembro de 2012

Variação genética no gene da ataxia ATXN7 influência o volume da matéria cinzenta cerebelar em adultos saudáveis


van der Heijden CD, Rijpkema M, Arias-Vasquez A, Hakobjan M, Scheffer H, Fernandez G, Franke B, van de Warrenburg BP

Departamento de Neurologia, Centro Médico Nijmegen da Universidade de Radboud, Nijmegen, Holanda
Resumo

São descobertos um número cada vez maior de genes candidatos à causa de doenças comuns e raras do cérebro, mas o mecanismo de ação através dos quais esses genes podem causar as doenças, muitas vezes ainda permanece pouco claro. Alguns dos fatores genéticos conhecidos por aumentar os riscos de doenças comuns no cérebro afetam a estrutura cerebral, até em indivíduos saudáveis e assim, possivelmente, desempenham um papel no normal desenvolvimento de regiões cerebrais especificas. Neste estudo, exploramos este princípio um grupo de doenças cerebrais raras, as ataxias espinocerebelares (SCAs). Como prova do conceito, investigámos se as variações genéticas num gene conhecido por causar a expansão poliglutaminica SCA estão associadas ao volume cerebelar em adultos saudáveis. O único nucleotídeo polimórfico (SNP) funcional, rs3774729 localizado no ATXN7, foi selecionado como variante de interesse. O volume da matéria cinzenta cerebelar foi determinado através do uso da volumetria na informação visual das ressonâncias magnéticas numa amostra de descoberta, analisada a 1.5 T (n=680) e uma réplica analisada a 3 T (n=683), ambas consistindo de adultos saudáveis, com idades entre os 18 e os 35 anos. Os volumes foram comparados como uma função da presença do alelo menor do SNP rs3774729, que foi associado ao significante menor volume da matéria cinzenta cerebelar, quer na amostra de descoberta, quer na réplica (p=0.033 e p=0.024, respetivamente). Os nossos resultados demonstram que uma variante genética comum no gene causador de ataxia ATXN7 influencia o volume da matéria cinzenta cerebelar em jovens adultos saudáveis. Esta descoberta também pode implicar que os genes associados ao volume cerebelar em sujeitos saudáveis são candidatos válidos à causa e modificação da ataxia.

21 de junho de 2012

Ataxia Cerebelar


INTRODUÇÃO

A ataxia cerebelar é um problema, que ocorre como resultado de um trauma ou doença cerebelar, em que os movimentos são desajeitados e incoordenados.

É um sinal clássico de disfunção cerebelar. Representa a influência combinada da dismetria e decomposição dos movimentos na marcha, postura e padrão de movimento.

As manifestações de ataxia são normalmente vistas na marcha do paciente. A ataxia cerebelar resulta da incoordenação muscular devido a lesões no cerebelo. Assim, numa ataxia cerebelar há

1.    Decomposição do movimento

Os movimentos parecem ocorrer em fases. O paciente não é capaz, de uma forma fácil, de combinar os movimentos de várias articulações num só, suave e coordenado movimento. Por exemplo, para mover o braço, primeiro tem que movimentar o ombro, depois o cotovelo e finalmente o pulso.

2.    Assinergia

Falta de coordenação entre agonistas, antagonistas e sinérgicos.

3.    Dismetria

O movimento não é bem executado a nível da direção e força, ou seja, o movimento falha o alvo intencionado: ou vai além (hipermetria) ou fica aquém (hipometria). Isto resulta da perda do circuito neural necessário para controlar a duração e força do movimento.

A ataxia cerebelar pode ser ataxia cerebelar hereditária ou ataxia cerebelar heredofamliar e não ataxia cerebelar hereditária.

A ataxia cerebelar hereditária inclui um espectro amplo de doenças degenerativas que são progressivas, familiares e que se manifestam cedo na vida, com maior peso nas vias cerebelares. A etiologia exata da ataxia cerebelar hereditária não é conhecida, mas descobertas recentes apontam para defeitos nos sistemas de energia mitocondrial e metabolismo piruvato, como fatores provavelmente importantes.

As ataxias hereditárias são definidas, grosso modo, pela forma de transmissão: autossómicas dominantes ou ataxias espinocerebelares e autossómicas recessivas ou ataxias ligadas ao X.

A ataxia cerebelar autossómica dominante é caraterizada pela manifestação da ataxia cerebelar através de ataxia da marcha, disartria, sacadas lentas, nistagmo, sinais de trato corticoespinhais, neuropatia e, mais tarde, oftalmoplegia e disfunção bulbar (disfagia, fasciculações da língua). Sinais extra piramidais podem ser vistos, mas os defeitos cognitivos não costumam verificar-se. A idade de aparecimento varia entre a adolescência e a idade adulta, mas a idade média de aparecimento situa-se entre a terceira e a quarta década de vida.

As ataxias autossómicas recessivas ou ligadas ao X que ocorrem como resultado duma anormalidade metabólica causada congenitamente ou defeitos de enzimas adquiridos, que participam no metabolismo de aminoácidos. Estas doenças normalmente manifestam-se cedo na vida, mas também se podem manifestar numa fase mais tardia. A ataxia autossómica recessiva mais comum é a ataxia de Friedreich, que é uma forma de ataxia hereditária, representando cerca de metade de todas as ataxias hereditárias. O locus do defeito genético é no cromossoma número nove. O gene que codifica a proteína “frataxina” sofre uma mutação. A frataxina é uma proteína mitocondrial que toma parte no metabolismo energético. O defeito na frataxina leva a uma acumulação anormal de ferro na mitocôndria, seguida de morte celular. Há perda neuronal no sistema motor e sensorial. A ataxia de Friedreich manifestasse antes dos 25 anos de idade. Outros exemplos de ataxia autossómica recessiva incluem a ataxia devido a deficiência da vitamina E, doença de Refsum, abetalipopreteinemia, doença de Hartnup.

A ataxia cerebelar não hereditária também é referida como ataxia cerebelar esporádica. A ataxia cerebelar esporádica não é progressiva, isto é, os sintomas não pioram gradualmente. As causas para a ataxia cerebelar não hereditária podem ser: lesão cerebral, cirurgia cerebral, esclerose múltipla, paralisia cerebral, drogas tóxicas, alcoolismo, infeções virais como varicela, malformação do cerebelo nos fetos por nascer, tumores cerebelares, lesões vasculares no cerebelo, distúrbios metabólicos, degeneração cortical cerebelar subaguda; são os fatores conhecidos que podem originar a ataxia cerebelar após o nascimento. A intensidade e duração da ataxia cerebelar não hereditária depende quer da causa, quer do local da lesão.

A marcha cerebelar é mais vista em pacientes com esclerose múltipla, tumores cerebelares (particularmente aqueles que afetam a vérmis desproporcionadamente), por exemplo meduloblastoma, AVC (isquémico e hemorrágico) e mais dramaticamente nas degenerações cerebelares. A severidade e sintomas da ataxia cerebelar variam de pessoa para pessoa. Pode incluir movimentos corporais incoordenados e movimentos oculares involuntários, fala arrastada, dificuldades em engolir, problemas de visão e audição e alterações de comportamento.

Com a ataxia cerebelar, a instabilidade e o balanço irregular do tronco são mais proeminentes, quando o paciente se levanta duma cadeira ou se vira subitamente, enquanto caminha. Quando a ataxia cerebelar pode ser tão severa, o paciente não consegue estar de pé sem assistência. Se for menos severa, estar de pé com os pés juntos e a cabeça ereta, é difícil. Na sua forma mais suave, a melhor forma de demonstrar a ataxia é pedindo ao paciente para andar em linha reta, pé ante pé: após um passo ou dois, o paciente perde o equilíbrio e tem necessidade de colocar um pé de lado, para evitar cair. Se as lesões cerebelares forem bilaterais, frequentemente há tremores da cabeça e do tronco.

O diagnóstico da ataxia cerebelar é muito diferente, porque muitas doenças neurológicas têm sintomas similares. O médico precisa de efetuar vários testes para diagnosticar a doença. Pode incluir TAC e Ressonância Magnética. Também são testados o equilíbrio e a coordenação. O histórico familiar do paciente ajuda a determinar se a ataxia é causada devido a um tumor, ou se devido à hereditariedade. O teste genético determina o tipo de ataxia cerebelar transmitida.

A gestão duma ataxia cerebelar difere, baseada nos fatores de origem e apresentação clínica. A gestão duma ataxia cerebelar inclui cuidados médicos e fisioterapia.

O objetivo mais importante da gestão de pacientes com ataxia cerebelar é identificar as entidades da doença que podem ser tratadas.

As lesões em massa devem ser prontamente reconhecidas e tratadas apropriadamente.

As ataxias cerebelares hereditárias e a maioria das ataxias cerebelares não hereditárias não se podem curar por completo. Mas os tratamentos apropriados podem ajudar o paciente a levar uma vida normal. É recomendada uma avaliaçãheo para cadeiras de rodas aos pacientes que perderam a capacidade de coordenação dos movimentos do corpo. A tais pacientes, a fisioterapia é recomendada.

As dificuldades em engolir e a fala arrastada podem ser resolvidos, até certo ponto, com a ajuda de um terapeuta da fala.

Aos pacientes que sofrem duma deficiência vitamínica, pode ser aconselhada uma dieta especial.

Aos pacientes que têm movimentos oculares anormais e espasmos musculares, é prescrita medicação.

A ataxia cerebelar não progressiva, como as causadas por infeções virais, são curadas num curto período de tempo.

Os tratamentos para a ataxia cerebelar ajudam a reduzir a severidade dos sintomas. Muitos pacientes que sofrem de ataxia cerebelar levam uma vida normal, com a ajuda de tratamentos.





5 de novembro de 2011

Neurogenética

Breve relatório




Adulto-início ataxia cerebelar devido a mutações no CABC1/ADCK3











Correspondência para Dr. Rita Horvath, Instituto de Genética Médica, Newcastle University, Central Parkway, Newcastle upon Tyne NE1 3BZ, Reino Unido; rita.horvath @ ncl.ac.uk

Contribuintes RH, BC, SG, SD, GH, AP, CD, ELB, AH, CF, MB, KS, JK ​​e GSG participaram da coleta de dados.  HL, EH-F, ERP e PFC foram envolvidos no desenho do estudo e da revisão crítica do manuscrito.  RH, GH e PC redigiu o manuscrito.

Recebido 23 de Agosto de 2011

Revisto 22 Setembro de 2011

Aceite 23 de Setembro de 2011

Publicado pela primeira vez On-line 29 de Outubro de 2011 

Abstrato 

Objetivo:  Ataxias hereditárias são doenças heterogéneas que afetam tanto crianças e adultos. A principal causa pode ser identificada em cerca de metade dos pacientes e apenas muito poucos podem receber terapia.

 Métodos Os autores realizaram sequencialmente do conhecido Coenzima Q10 (CoQ10) genes de deficiência em 22 pacientes com ataxia recessiva ou esporádica sem explicação.

 Resultados CABC1/ADCK3 mutações foram detectadas em quatro pacientes e dois irmãos que se apresentam com ataxia cerebelar, epilepsia e sintomas musculares. Espasticidade, distonia, tremor e enxaqueca foram variavelmente presentes; disfunção cognitiva foi severa em casos da primeira infância, mas estava ausente nos adultos.  Em contraste com os relatórios anteriores, dois dos pacientes tiveram um início fenótipo tardio, muito leve e permaneceu estável. A biopsia muscular revelou acúmulo de lipídicos, proliferação mitocondrial e citocromo oxidase-deficiente fibras, mas não típicas fibras vermelhas esfarrapada.  Atividades em cadeia a  enzima e CoQ10 foram diminuídas em pacientes gravemente afetados, mas manteve-se normal em um paciente ligeiramente afectado em 46 anos de idade.

Conclusões Estas observações ressaltam a importância do rastreio de uma causa potencialmente tratável,  CABC1/ADCK3 mutações, não só no início da infância, mas também em pacientes com ataxia cerebelar leve na vida adulta.


FONTE: http://jnnp.bmj.com/content/early/2011/10/29/jnnp-2011-301258.abstract