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24 de agosto de 2019

Seminário "Viver com Ataxia"

Dia 21 de setembro em Vila Franca de Xira, na Fábrica das Palavras, Portugal


O lema fundamental, a saúde!!!O objetivo deste seminário consiste numa divulgação de técnicas que posteriormente, doentes, cuidadores, amigos, profissionais de saúde... poderão adotar a fim de melhorar a qualidade de vida do doente. Assim sendo, este seminário incorpora uma vertente teórica, mas também interativa de forma a que juntamente com os profissionais de saúde possamos aprender e apreender todos os conceitos e práticas que visam a pensar sempre no doente.
Este evento é providenciado no seguimento da comemoração do dia internacional das ataxias.
A inscrição é GRATUITA, mas necessária para fins logísticos.
Programa
14:00 – Acreditação
14:30 – Boas-Vindas
Dra. Mª José Santos – Presidente da APAHE
Sessão de Abertura
Membros da Câmara - a designar
15:00 – “Cuidar na Ataxia- Produtos de apoio”
Preletores: Ana Nogueira e Isa Sobral, Enfermeiras de Reabilitação do Centro de Medicina de Reabitação de Alcoitão
Com moderação de Manuela Ralha
15:40 – “A Fisioterapia nas Ataxias: orientações/ aconselhamentos informais”
Preletor: Anabela Matos, Fisioterapeuta do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais
Com moderação de Mª José Santos
16:10 – "Fala e deglutição na Ataxia: como gerir?"
Preletor: Joana Carvalho, Terapeuta da Fala do Campus Neurológico Sénior
Com moderação de Luís Sousa
16:40 – Coffe Break
17:10 – “A Importância da Ocupação na Pessoa com Ataxia - Estratégias para melhorar o envolvimento na ocupação”
Preletor: Vânia Guimarães, Terapeuta Ocupacional do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Com moderação de Vera Silva
17:40 – “Parar, Sentir e Avançar”
Preletor: Cláudia Costa e Cristina Vidal, Fisioterapeutas do Hospital Garcia da Orta
Com moderação de Carla Neves
18:20 – Sessão de Encerramento
Dra. Mª José Santos – Presidente da APAHE
Momento cultural
*Programa sujeito a alterações

3 de abril de 2019

Cycling for Ataxia 2019 - Castro Marim (Algarve) - PORTUGAL

A APAHE Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias, sem fins lucrativos e de âmbito nacional, que não só defende e protege os interesses das pessoas com ataxias hereditárias, forma de patologias genéticas raras, incuráveis e degenerativas, como também alerta a sociedade para a existência das mesmas e dos seus efeitos devastadores, físicos e psicológicos, quer para os próprios, quer para quem os rodeia, nomeadamente os cuidadores,
Numa forma de mantermos os nossos laços Associativos entre os associados, assim como darmo-nos a conhecer à sociedade civil em proximidade, anualmente realizamos eventos desportivos e culturais em vários pontos do País, sendo que no próximo dia 18 de Maio pretendemos deslocar a nossa massa até Castro Marim.
O local de eleição, Castro Marim, pela excelência nas suas paisagens, riqueza de cultura, tradição e história.
DATA DO EVENTO: 18 de Maio de 2019
HORA E LOCAL DE CONCENTRAÇÃO: 09:00, junto ao Pavilhão Desportivo de Castro Marim
VALOR DA INSCRIÇÃO C/ALMOÇO 15€
VALOR DA INSCRIÇÃO S/ALMOÇO 8€
OPCIONAL:
Percurso Pedestre: 2,5Km
Percurso de Bike: 7Km (para quem não tem Bike, a organização tem 25 de reserva)
INSCRIÇÃO INCLUI:
- Pequeno-Almoço;
- Abastecimento de sólidos e líquidos em ambos os percursos;
- Seguro Danos Pessoais;
- Lembranças e Brindes alusivos ao Evento e ao Concelho de Castro Marim.


INSCRIÇÕES em: Clique na imagem


28 de fevereiro de 2018

28 Fevereiro de 2018 - Dia Mundial da Doença Rara

Entrevista com Fatima do Oliveira Ex Presidente da Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias.

Clique na imagem para visualizar conteúdo

"

FÁTIMA TEM UMA DOENÇA RARA: "SOU FORÇADA A ASSISTIR AO DEFINHAR IMPLACÁVEL DAS MINHAS FUNÇÕES MOTORAS"



24 de dezembro de 2017

Investigadores da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles - CA, EUA) revelam reversibilidade da ataxia de Friedreich em ratos modelo

20/12/2017


Em crianças e adultos com ataxia de Friedreich, uma doença hereditária que causa danos ao sistema nervoso, uma perda de coordenação geralmente progride para fraqueza muscular e pode envolver visão, diabetes e outros problemas ao longo de vários anos. Até agora, imitar esses sintomas e progressão em ratos para estudos de investigação tem sido difícil.

Investigadores da UCLA, depois de desenvolver um rato modelo da ataxia de Friedreich que mostra sintomas semelhantes aos dos pacientes, descobriram que muitos dos primeiros sintomas da doença são completamente reversíveis quando o defeito genético ligado à ataxia é revertido. As novas descobertas, que ainda precisam ser replicadas em seres humanos, aparecem no jornal eLife.

"A maior parte da disfunção que estávamos a ver nos ratos foi reversível mesmo depois dos ratos apresentarem disfunção neurológica substancial", disse o Dr. Daniel Geschwind, professor de Neurologia e Psiquiatria da UCLA, e autor principal do novo trabalho. "Ficámos muito surpreendidos com como os ratos melhoraram desde que assumimos que esse grau de disfunção comportamental seria devido à perda de células"

A ataxia de Friedreich pode começar a causar sintomas na infância ou no início da idade adulta. Provoca uma perda de coordenação, ou "ataxia", que faz com que os pacientes tropeçam e cambaleiam, entre outros sintomas iniciais. A doença é conhecida por ser causada por uma mutação genética no gene FXN. A mutação leva a níveis reduzidos da proteína codificada pelo FXN, chamada frataxina. Apesar dos médicos poderem gerir alguns sintomas específicos, não há tratamentos atuais.

"A falta de tratamentos para a ataxia de Friedreich tem sido frustrante para muitos e tem sido, em parte, devido à falta de bons modelos animais da doença", disse Geschwind. "Havia realmente uma necessidade de um rato modelo para ajudar os investigadores a determinar as consequências da redução no corpo inteiro de frataxina".

No novo trabalho, Geschwind e colegas desenvolveram um rato no qual o gene FXN pode ser bloqueado por uma cadeia de ARN que é controlada por um antibiótico. Níveis mais elevados do antibiótico levam a mais bloqueio do gene e, portanto, menores níveis da proteína frataxina. Este sistema permitiu que os investigadores tivessem um controle estrito sobre os níveis de frataxina ao longo da vida do rato, deixando os ratos desenvolverem-se normalmente durante três meses antes de administrar antibióticos para reduzir os níveis de frataxina.

Após 12 semanas com níveis baixos de frataxina, o estudo descobriu que os ratos apresentam sintomas semelhantes aos observados em humanos com a doença, incluindo perda de peso, ataxia, costas curvadas e força muscular reduzida. Quando os investigadores deixaram de dar antibióticos aos ratos doentes, deixando os níveis de frataxina voltar ao normal, a maioria dos sintomas desapareceu.

Os resultados do estudo sugerem que "um pouco de disfunção que está a ser observada nos pacientes, nos primeiros anos de doença, representa uma disfunção neuronal reversível em vez de morte celular e perda de neurónios", disse Geschwind.

Os investigadores também usaram o rato modelo para estudar que outros genes e proteínas são imediatamente afetados por reduções na frataxina, ajudando a apontar o caminho para novos alvos dos medicamentos. Eles esperam continuar esta linha de trabalho, estudando as mudanças bioquímicas que ocorrem em conjunto com a ataxia de Friedrich. Eles também estão disponibilizando este modelo para laboratórios académicos e comerciais que já estão a estudar medicamentos que visem aumentar os níveis de frataxina em pacientes humanos. Nesses casos, o novo rato modelo pode ser usado para testar a eficácia dos medicamentos.

"Este modelo fornece uma nova via importante e potencial para o desenvolvimento terapêutico", disse Geschwind.


Traduzido para a APAHE em 22-12-2017, por Fátima d’Oliveira




25 de agosto de 2017

Investigadores identificam 2 moléculas que aumentam os níveis de Frataxina em modelos animais portadores de Ataxia de Friedreich



27 de Julho de 2017
Autor: Alice Melão
Duas pequenas moléculas demonstraram aumentar os níveis de mRNA e da proteína da frataxina (FXN) em modelos animais da ataxia de Friedreich. De acordo com um relatório publicado na “Neuropharmacology”, estes compostos poderiam ter potencial terapêutico para tratar deficits de FXN na ataxia de Friedreich (FA).

A ataxia de Friedreich é causada por níveis reduzidos da proteína mitocondrial FXN. Embora as funções desta proteína não estejam totalmente estudadas, os estudos mostraram que está envolvido em vários mecanismos de reparação do ADN e metabolismo do ferro.
Demonstrou-se que uma redução da produção da FXN poderia estar associada a um númeroreduzido de mitocôndrias – “o centro de poder" das células - o que poderia, em parte, explicar as manifestações de Faz.
Encontrar formas de aumentar os níveis da FXN nestes pacientes tem sido um foco importante da estratégia terapêutica no combate a esta doença. A terapia de reposição de proteínas, os moduladores da expressão gênica e as terapias genéticas foram testadas para esse fim, mas, infelizmente, esses métodos não foram eficazes no tratamento de todos os sintomas da ataxia de Friedreich.
A Erythropoietin (EPO) é uma proteína que é conhecida por ser reguladora da produção de glóbulos vermelhos. Estudos mais recentes revelaram que também pode atuar como um potente protetor de tecido, como anti-apoptótico (apoptose refere-se à morte celular programada) e como proteína anti-inflamatória.
O EPO humano produzido em laboratório (rhEPO) mostrou aumentar os níveis de FXN em várias células humanas em ambiente laboratorial e em estudos clínicos iniciais. Mas o potencial terapêutico da EPO ainda não foi totalmente explorado nos modelos de ataxia de Friedreich.
No estudo intitulado “Erythropoietin and small molecule agonists of the tissue-protective erythropoietin receptor increase FXN expression in neuronal cells in vitro and in Fxn-deficient KIKO mice in vivo,” ( Eritropoyetina e agonistas de pequenas moléculas do receptor de eritropoietina protetor de tecido aumentam a expressão da FXN em células neuronais in vitro e em ratos KIKO com deficit de Fxn in vivo), investigadores de STATegics e Université Libre de Bruxelles avaliaram o potencial terapêutico de duas pequenas moléculas, as STS-E412 e STS-E424, para o tratamento da ataxia de Friedreich. EsTas duas terapias de investigação foram especificamente projetadas para ativar o recetor de EPO que protege os tecidos.

A equipa de investigadores testou a STS-E412 e a STS-E424 em ratos de laboratório e em células semelhantes às dos neurónios humanos e observou um aumento de duas vezes na expressão da FNX. Este efeito positivo também foi observado em células sanguíneas retiradas de pacientes com ataxia de Friedreich.

Mas o efeito dessas moléculas pequenas não se restringiu à proteína. Os investigadores também observaram níveis aumentados de mRNA (a transcrição do gene que resulta numa proteína) da FXN em células expostas à STS-E412 e à STS-E424.

A descoberta sugere que a atividade destas candidatas a terapias também pode afetar a expressão do gene FXN e não apenas a estabilidade da proteína. O efeito de mRNA observado foi semelhante ao encontrado no tratamento com inibidores de HDAC, uma terapia potencial para a ataxia de Friedreich atualmente sob investigação

Os investigadores confirmaram essas descobertas em ratos com défice de FXN. Após o tratamento com a STS-E412 e a STS-E424, os animais apresentaram níveis aumentados de FXN no coração semelhantes aos obtidos no rhEPO. Adicionalmente, essas pequenas moléculas conseguiram levar ao aumento dos níveis de FXN nos cérebros dos animais, algo que a proteína rhEPO não conseguiu alcançar.

"Os resultados aqui descritos ilustram que essas pequenas moléculas, como o rhEPO, aumentam o mRNA da FXN e a própria proteína em ambientes in vitro e em ratos de laboratório portadores de FA", escrevem os autores. " Concludentemente, o seu pequeno tamanho e consequente permeabilidade aos tecidos e capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica para aumentar a proteína FXN no cérebro, a ampla atividade citoproteica, a falta de atividade eritropoyética e a biodisponibilidade oral sugerem que STS-E412 e STS-E424 podem ter potencial terapêutico no tratamento da FA ", acrescentam.


Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/27/friedreichs-ataxia-study-finds-that-two-small-molecules-activating-epo-receptor-increase-fxn-levels/

Traduzido para a APAHE por: Bárbara Cerdeiras

14 de agosto de 2017

Proteína SIRT3 Necessária como Suplemento para Auxiliar o Coração na Ataxia De Friedreich, sugere o Estudo



25 DE JULHO DE 2017 Joana Fernandes, PhD in News.


Uma proteína chamada SIRT3 foi essencial para restaurar a contratilidade cardíaca e o metabolismo energético que podem resultar de um suplemento promotor de energia chamado mononucleótido de nicotinamida (NMN), informaram os pesquisadores a partir de um estudo nos ratos de modelo da ataxia de Friedreich.

O estudo "Mononucleótido de nicotinamida requer a SIRT3 para melhorar a função cardíaca e bioenergética num modelo de miocardiopatia da ataxia de Friedreich", foi publicado em JCI Insight.

Estudos anteriores mostraram que o suplemento aumentou os níveis de NAD+, uma molécula que ajuda mitocôndria - a potência da célula - a gerar energia a partir de alimentos. A energia adicional auxiliada melhora a função cardíaca em várias doenças.

Mas os cientistas não conheciam o mecanismo exato que levou a ativação de NAD+ a melhorar a função cardíaca.

Usando ratos com a ataxia de Friedreich, os pesquisadores investigaram o efeito que a proteína mitocondrial SIRT3 teve na função cardíaca.

Escreveram os pesquisadores: uma questão-chave que os cientistas não responderam foi se os níveis crescentes da SIRT3 teriam um efeito terapêutico. "Nós propusemo-nos determinar a eficácia do suplemento com NMN [monotunucleótido com nicotinamida] nos [ratos com ataxia de Friedreich] e testar o papel da SIRT3 na intervenção dos efeitos do NMN".

Quando o estudo começou, as células cardíacas dos ratos doentes apresentavam baixos níveis da ARNm Sirt3, uma transcrição genética que gera a proteína. Quando os ratos receberam o suplemento, a sua função cardíaca foi restaurada.

Os pesquisadores então criaram um rato modelo da doença à qual faltava a SIRT3. Queriam saber se a melhoria observada dependia da atividade desta proteína específica. Descobriram que o suplemento não teve efeito sobre os ratos, prova de que a SIRT3 é essencial para o efeito do NMN.

No conjunto, os resultados forneceram informações valiosas sobre a capacidade do suplemento na melhoria da função cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich e o papel essencial da SIRT3 neste empenho.

Os pesquisadores escreveram: "Aqui, referimos a SIRT3 - restauração dependente da função cardíaca e do metabolismo energético pelo suplemento de NMN no coração debilitado do [rato modelo]".
A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa incurável em crianças. Isso advém de uma mutação que leva a uma produção inferior à normal da proteína frataxina.


Os baixos níveis de frataxina levam à fraqueza muscular, sensibilidade anormal nos membros, problemas de movimento, alterações na estrutura do cerebelo e outras regiões cerebrais e diminuição da esperança de vida.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/25/study-suggests-supplement-can-improve-heart-function-of-friedreichs-ataxia-patients/

Tradução para APAHE: Luz Couto

14 de julho de 2017

O aumento da modificação da proteína provoca/causa doença cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich, demonstra estudo



Um aumento anormal na acetilação de proteínas induz a doença cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich (FA) e pode representar um novo alvo terapêutico para a intervenção precoce, conclui um estudo.

O estudo “A progressiva acetilação da proteína lisina da mitocondrial e insuficiência cardíaca num modelo de cardiomiopatia de ataxia de Friedreich " apareceu na “Plos One”.

Os autores do estudo encontraram uma estreita relação entre a acetilação de proteínas - um mecanismo importante que atua ao nível da alteração das proteínas de forma a regular o metabolismo celular - e a perturbação metabólica e funcional observada nos corações dos modelos animais com FA, bem como em pacientes com FA.

O estudo utilizou um modelo animal de FA, em que os ratos foram geneticamente modificados para não produzirem a proteína de frataxina nas células cardíacas, de modo a refletir a perda de frataxina observada em pacientes com FA.

Os investigadores avaliaram as mudanças nos corações dos animais, tanto fisiológicas como funcionais, e documentaram a evolução da doença durante 30, 45 e 60 dias.

Os resultados demonstraram que, ao 30º dia, a falta de frataxina tinha provocado um aumento na acetilação de proteínas das células cardíacas dos ratos. A rapidez deste mecanismo continuou a aumentar com o passar do tempo, e ao 45º dia, ocorreram os primeiros indícios anormais de dano cardíaco, com o espessamento da parede ventricular esquerda e a disfunção diastólica. À medida que a acetilação progrediu, a função cardíaca continuou a diminuir nos modelos com ratos.

No geral, os investigadores detetaram uma forte ligação entre uma maior modificação proteica e a fibrose cardíaca, o dano mitocondrial e o metabolismo prejudicado, para além de disfunção diastólica e sistólica, que conduz à insuficiência cardíaca nos animais.

Embora este estudo mostre que um aumento na acetilação de proteínas cardíacas leva a danos cardíacos e a doença cardíaca, nenhum mecanismo pode, ainda, explicar a razão por trás disso. Os autores do estudo solicitam que haja mais pesquisa a fim de que se desenvolvam novas terapias para atingir a acetilação proteica precoce.

 A FA é uma desordem hereditária rara que afeta cerca de um em cada 50.000 americanos. Geralmente, tem inicio na infância e leva ao comprometimento da coordenação muscular do individuo, piorando ao longo do tempo.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/06/27/friedreichs-ataxia-cardiomyopathy-caused-by-increased-acetylation-of-heart-proteins-study-finds/?utm_source=Friedreich%27s+Ataxia&utm_campaign=0a3198bdce-RSS_WEEKLY_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_ae7feab64b-0a3198bdce-72172285

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras

Investigadores criam "células do coração num prato de laboratório" para estudar a doença cardíaca associada à FA




Autor: Joana Fernandes, PhD 06 / 07/2017

 

Investigadores australianos transformaram com sucesso células-tronco de pacientes com ataxia de Friedreich (FA) em células cardíacas para estudar anomalias moleculares que podem contribuir para esta doença.

Essas "células cardíacas num prato de laboratório" fornecem informações valiosas para o estabelecimento de tratamentos novos.

No seu estudo, " A ataxia de Friedreich influenciou os cardiomiócitos derivados de células estaminais pluripotentes, mostrando anomalias eletrofisiológicas e deficiência no controle de cálcio", apareceu na revista “Aging”.

A FA é causada por baixos níveis da proteína frataxina, devido a anomalias na sequência do gene que codifica esta proteína - repetições de porções de DNA dentro do gene. Quanto maior o número de repetições, mais cedo se dá o início da FA e de todas as suas complicações associadas.

A frataxina desempenha um papel importante nas mitocôndrias, o poder da célula, de modo que a mutação da proteína é responsável por vários sintomas que refletem deficiências na produção de energia. O coração é um dos órgãos afetados por essa falta de energia.

"A cardiomiopatia é detetada em dois terços dos indivíduos com FA]", escreveram os investigadores. "Os indivíduos com FA, geralmente, apresentam cardiomiopatia progressiva do ventrículo esquerdo, que é a principal causa de morte em FA devido a arritmias e/ou insuficiência cardíaca".

Estudos anteriores demonstraram que a morte de células cardíacas, cardiomiócitos e a fibrose podem contribuir para as complicações cardíacas em FA, mas pouco se sabe sobre o impacto da doença no coração.

Os investigadores criaram culturas de células estaminais usando células de três pacientes de FA com complicações cardíacas. A seguir, estimularam o desenvolvimento dessas células-tronco em cardiomiócitos - basicamente, células de coração num prato de laboratório.

Os novos cardiomiócitos apresentaram baixos níveis de frataxina, como era esperado, mas também correntes iónicas anormais, que são cruciais para o funcionamento normal dessas células. Tiveram, também, uma maior variação nas suas taxas de batimento, que estava ligada ao deficiente controle do cálcio, afetando finalmente o funcionamento dos cardiomiócitos.

Juntos, estes resultados abrem caminho não só para entender como os pacientes FA desenvolvem atividade cardíaca anormal mas também para a utilização de células estaminais induzidas para estudar a cardiomiopatia no contexto desta doença.

"Mais importante, os nossos dados indicam, claramente, que as FA iPSC [células-tronco] - cardiomiócitos derivados podem ser usados no escrutínio de compostos capazes de alterar ou reverter fenótipos, em células humanas, proporcionando, deste modo, uma ferramenta inovadora e única para a pesquisa da FA", concluíram os investigadores.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/06/friedreichs-ataxia-heart-disease-is-focus-of-stem-cell-study-by-australian-researchers/

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras

2 de julho de 2017

Mecanismo de doença neurodegenerativa e potencial medicamento para a mesma oferecem esperança para pacientes portadores da Ataxia de Friedreich e de doenças relacionadas

Autor: Pat Bailey on June 6, 2017 in Human & Animal Health

Uma deficiência proteica específica associada à ataxia de Friedreich parece desencadear a doença ao reduzir o número de mitocôndrias nas células (foto de wirOman / gettyimages)
Dois novos estudos sobre doenças progressivas e neurodegenerativas associadas a defeitos nas mitocôndrias das células oferecem esperança para o desenvolvimento de um novo biomarcador de pesquisa e diagnóstico e para o aparecimento de um novo medicamento para o tratamento dessas doenças, relataram investigadores da Universidade da Califórnia, Davis.
Ambos os estudos, em co-autoria, do bioquímico Gino Cortopassi, da UC Davis School of Veterinary Medicine, têm implicações para a ataxia de Friedreich, uma doença hereditária rara que afeta 6.000 pessoas nos Estados Unidos.
Friedreich é caracterizada por neurodegeneração progressiva na coluna vertebral, bem como fraqueza muscular, doença cardíaca e diabetes.
Os resultados destes dois estudos serão publicados esta semana na revista Human Molecular Genetics.


Doenças mitocondriais

A ataxia de Friedrich é uma das várias doenças graves causadas por uma anormalidade nas mitocôndrias - estruturas microscópicas dentro da célula que geram a energia química da célula - e que desempenham um papel fundamental no crescimento das células, no seu funcionamento e morte.
Para além da ataxia de Friedreich, existem outras doenças mitocondriais, tais como a neuropatia óptica de Leber ,a encefalopatia gastrointestinal mielonegênica e a epilepsia mioclônica com fibras vermelhas irregulares - nomes complexos para distúrbios incomuns e devastadores.
Atualmente, não há terapias aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento de doenças mitocondriais, incluindo a ataxia de Friedreich.

O defeito das proteínas diminui os números das mitocôndrias

As deficiências herdadas na proteína mitocondrial frataxina causam a ataxia de Friedreich, mas não é claro como a deficiência nesta única proteína leva à morte de neurônios e à degeneração de músculos.
Um dos novos estudos mostra que a perda da proteína frataxina causa uma diminuição no número das mitocondriais no sangue e nas células da pele de pacientes com ataxia de Friedreich. Os ratos que possuem deficiência nesta proteína também têm menos mitocôndrias.

Existem duas aplicações principais do novo conhecimento, disse o professor Cortopassi.

"Saber agora que a deficiência de frataxina causa escassez de mitocôndrias, permite-nos utilizar o número de mitocôndrias como um biomarcador para determinar a gravidade e a progressão da doença em pacientes com ataxia de Friedreich", disse ele. "Esse biomarcador também poderá ser usado para avaliar a eficácia de novos medicamentos para o tratamento desta doença".

Medicamento de MS mostrou aumentar a produção de mitocôndrias

No segundo estudo, Cortopassi e os colegas focaram-se no medicamento fumarato de dimetilo, ou DMF, medicamento esse já aprovado pela FDA para o tratamento de pacientes adultos com uma forma recidivante de esclerose múltipla, bem como para o tratamento da psoríase, uma doença de pele auto-imune.

O DMF é conhecido por ajudar a prevenir a inflamação e por proteger as células dos danos.

Neste estudo, os investigadores examinaram os efeitos da DMF em células de fibroblastos humanos (pele) e em ratos e pacientes humanos com esclerose múltipla.

Os pesquisadores demonstraram que doses de DMF causam aumento das mitocondriais em fibroblastos de pele humana, em tecidos de rato e em seres humanos. Os investigadores também demonstraram que este medicamento melhorou a expressão do gene mitocondrial.

"Em conjunto, estas conclusões, sugerem que a DMF, ao aumentar as mitocôndrias, tem o potencial de diminuir os sintomas das doenças musculares, que são causadas, pelo menos em parte, por anormalidades mitocondriais", disse Cortopassi, que desde há 25 anos se tem dedicado a atingir uma melhor compreensão das doenças mitocondriais órfãs-  distúrbios esses tão raros que não foram, até ao momento, desenvolvidas terapias para eles.

Em 2011, ele fundou a Ixchel Pharma, num esforço para identificar os medicamentos existentes e para os utilizar para tratar pacientes com ataxia de Friedreich e outras doenças mitocondriais.

O que os outros estão dizendo

Os seguintes comentários são de investigadores não envolvidos em nenhum destes dois estudos, mas conhecedores desta matéria - ataxia de Friedreich e outras doenças mitocondriais:

"Estess estudos são deveras significativos por várias razões. Primeiro, eles identificam um novo mecanismo de doença. Enquanto que os defeitos na produção de energia mitocondrial na ataxia de Friedreich são conhecidos há bastante tempo, a perda de mitocôndrias associadas à diminuição da frataxina, fornece uma explicação racional para essas observações. Em segundo lugar, as alterações na abundância mitocondrial poderão fornecer biomarcadores úteis para avaliar as respostas dos pacientes aos ensaios terapêuticos. Em terceiro lugar, e mais importante, a identificação de DMF como estimulador mitocondrial na ataxia de Friedreich, é um importante passo em frente na pesquisa de terapias efetivas, fornecendo provas da teoria de que a modulação dos sinais que dão indicações às células para fazerem mais mitocôndrias, pode oferecer oportunidades únicas para conceber novos e efetivos medicamentos".

- Giovanni Manfredi, médico e professor, no Brain and Mind Research Institute da Universidade Cornell Weill Cornell Medicine, em Nova Yorke;

"Isto representa um trabalho inovador que fornece um importante contributo para a compreensão da patologia da ataxia de Friedreich e das doenças mitocondriais. Os avanços nestes dois artigos são excitantes porque sugerem que um medicamento atual poderia ser usado para tratar a ataxia de Friedreich e as doenças de DNA mitocondrial, para as quais existem poucas terapias. Este trabalho também mostra o valor da pesquisa básica na adaptação das terapias atuais de forma a ampliar seu alcance para tratar doenças atualmente devastadoras ".

- Mike Murphy, investigador principal, MRC Mitochondrial Biology Unit, Universidade de Cambridge, Reino Unido

"A DMF é um medicamento bem conhecido e aprovado por agências reguladoras, tanto nos EUA como na Europa, e clinicamente utilizada em todo o mundo por muitos anos. Assim, a descoberta de que esta estimula a biogênese mitocondrial em pacientes com esclerose múltipla é muito importante e oferece excelentes perspetivas para o tratamento de pacientes com muitos distúrbios raros que afetam a função mitocondrial, incluindo a devastadora ataxia de Friedreich. Dada a quantidade de tempo e dinheiro necessários, hoje, para o desenvolvimento de novos medicamentos, descobrir um novo uso para uma molécula para a qual já existe informação clínica detalhada disponível, representa, claramente, uma grande, se não a única, esperança para estas pessoas afetadas por uma doença órfã. "

- Franco Taroni, médico e pesquisador, no Carlo Besta Neurological Institute Milan, em Itália.


Colaboradores e financiamentos

O financiamento para ambos os estudos foi fornecido pelo National Institute of Neurological Disorders and Stroke e a Friedreich's Ataxia Research Alliance.

Além de Cortopassi, os colaboradores do estudo de deficiência de proteína de frataxina foram Mittal Jasoliya, Marissa McMackin e Chelsea Henderson, todos da UC Davis e Susan Perlman da UCLA.

Os colaboradores de Cortopassi no estudo do DMF foram Genki Hayashi, Mittal Jasoliya e Sunil Sahdeo, todos da UC Davis; E Francesco Saccà, Chiara Pane, Alessandro Filla, Angela Marsili, Giorgia Puorro, Roberta Lanzillo e Vincenzo Brescia Morra, todos da Universidade Federico II em Nápoles, Itália.


Contato (s) na imprensa

Pat Bailey, UC Davis News and Media Relations, 530-219-9640, pjbailey@ucdavis.edu
Gino Cortopassi, UC Davis School of Veterinary Medicine, 530-754-9665 escritório, 530-304-6810 cell, gcortopassi@ucdavis.edu


Recursos da imprensa

•          Chave para regulamentar a central da energia da célula descoberta
•          O que está por trás do aumento de doenças cardíacas associadas à utilização de medicamentos anti-inflamatórios
•          Veneno do escorpião produz indícios para o desenvolvimento de melhores produtos farmacêuticos


Categorias

Saúde humana e animal; Ciência e tecnologia

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras

11 de junho de 2017

Irregularidades da Estrutura Cerebral no Início Tardio da Ataxia de Friedreich Não Associadas às Características da Doença



As pessoas com início tardio da ataxia de Friedreich têm irregularidades da estrutura cerebral semelhantes, mas não idênticas, como as dos que ficaram doentes em idade mais precoce, demonstraram recentemente os investigadores. O estudo mostra o motivo por que as características da doença diferem em pessoas com início precoce e tardio.

Os investigadores também argumentaram que as suas descobertas - apresentadas no estudo, “Structural Signature of Classical Versus Late-Onset Friedreich’s Ataxia by Multimodality Brain MRI” - podem adicionar conhecimento à pesquisa de biomarcadores de imagem da doença na ataxia de Friedreich. O trabalho foi publicado na revista Human Brain Mapping.

Para comparar os cérebros de pacientes com doença de início precoce e tardio, os investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas no Brasil recrutaram 36 pacientes com ataxia de Friedreich. Entre eles, 13 desenvolveram a condição após os 25 anos de idade e foram considerados pacientes de início tardio. A equipa de pesquisa também recrutou 29 voluntários saudáveis para usar como comparação.

Utilizando a ressonância magnética (MRI) para examinar o cérebro, a equipa avaliou as partes de matéria cinza e branco do cérebro. A matéria cinzenta é composta principalmente de corpos de células nervosas, enquanto a matéria branca é constituída por apêndices de neurónios longos que ligam diferentes partes do cérebro.

Tanto os pacientes com ataxia de Friedreich precoce ou tardia apresentaram áreas na sua matéria cinzenta que tinham um volume anormalmente pequeno. O córtex motor do cérebro estava entre as áreas aparentemente mais afetadas pela doença. Esta área do cérebro superficial ocupa-se principalmente do movimento e apresentou uma espessura reduzida em ambos os grupos de pacientes, em confronto com as averiguações.

Ambos os grupos também apresentaram estruturas anormais em várias regiões da matéria branca. Foram observadas ténues diferenças entre os pacientes que ficaram doentes em idade avançada e os que tiveram a doença de início precoce, em várias regiões cerebrais.

Os pacientes que desenvolveram ataxia em idade mais precoce apresentaram anormalidades mais generalizadas, de um tipo que os investigadores referem como microestruturais.

Quando a equipa de pesquisa tentou correlacionar as conclusões das imagens cerebrais com os sintomas, descobriram que as reduções do volume de matéria cinzenta em certas áreas correspondiam à duração e severidade da doença em pacientes com início precoce. As anormalidades cerebrais em pacientes com ataxia de Friedreich de início tardio não puderam ser ligadas a nenhuma característica da doença. Nem as estruturas anormais das regiões da matéria branca puderam ser ligadas a quaisquer aspectos da doença.


"Esses resultados fornecem informações importantes sobre a biologia da doença e também adicionam informações relevantes sobre o uso de métricas de neuro imagem como bio marcadores para a ataxia de Friedreich. A abordagem multi atlas provou ser uma ferramenta útil para identificar bio marcadores na ataxia de [Friedreich], o que pode ajudar os próximos ensaios clínicos", concluíram os autores.

Tradução para APAHE: Luz Couto
Fonte da noticia: https://friedreichsataxianews.com/2017/05/30/brain-structure-abnormalities-in-late-onset-friedreichs-ataxia-not-linked-to-disease-features/?utm_source=Friedreich%27s+Ataxia&utm_campaign=6b01e48426-RSS_WEEKLY_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_ae7feab64b-6b01e48426-72176765

5 de junho de 2017

A Pfizer procura obter patente sobre uma terapia para a ataxia de Friedreich já desenvolvida pela Resverlogix



Autora: Magdalena Kegel ‎
25‎-‎05‎-‎2017

A Pfizer está a tentar conseguir obter uma patente europeia para uma família de compostos que podem tratar a ataxia de Friedreich, através do aumento dos níveis da proteína frataxin que se encontra em falta nos portadores desta doença.

A sua candidatura à patente refere que a Resverlogix já desenvolveu uma terapia designada de apabetalone (RVX-208) que se baseia nos compostos supra referidos. A Pfizer indicou, no seu pedido, que quer que a patente abranja todos esses compostos, incluindo terapias, como a apabetalone, baseadas nestes e desenvolvidas por outras empresas.

O pedido de patente solicita que a Pfizer, com sede em Nova York, tenha o direito exclusivo de usar os inibidores BET da família dos bromodomain inhibitors para aumentar a proteína frataxin em pacientes com ataxia de Friedreich. BET significa bromodomain e extra-terminal. Apabetalone é um composto BET.

A Resverlogix, com sede em Calgary, no Canadá, respondeu às notícias do pedido de patente de forma pouco expressiva. Em vez de indicar que iria desafiar o pedido de patente, o presidente e diretor executivo da empresa, Donald McCaffrey, disse que "congratulamo-nos com a atenção dada à Resverlogix e à apabetalone, por grupos industriais tão significativos como a Nature Reviews Nephrology e a Pfizer".

"Devido ao crescimento dramático das publicações [em revistas científicas] sobre a BET Bromodomain, durante a última década, não é surpreendente que o nosso composto avançado de fase 3, apabetalone, esteja a receber cada vez mais atenção por parte das comunidades académicas e farmacêuticas globais", acrescentou McCaffrey, num comunicado de imprensa.

O pedido de patente da Pfizer, intitulado "Reguladores de Frataxin" (WO 2017/037567 A1), inclui o uso de BET family of bromodomain inhibitors para impulsionar a expressão da frataxin. A expressão é o processo através do qual a informação de um gene é utilizada para criar um produto funcional como uma proteína.

Embora o pedido da patente cubra os BET bromodomain inhibitors como um grupo, refere, especificamente, a apabetalone como um composto que poderia ser eficaz no tratamento da ataxia de Friedreich.

Os BET bromodomain inhibitors podem alterar a atividade genética, com impacto nos chamados mecanismos epigenéticos. Esses mecanismos são modificações no DNA que ativam ou desativam os genes. Por exemplo, adicionar uma bandeira química a uma molécula de DNA que permitisse ao mecanismo de produção de proteínas saber se um gene estava ou não apto para a produção de proteínas.

Estes mecanismos, de acordo com a Resverlogix, poderiam ser utilizados ​​para tratar várias doenças, entra as quais a insuficiência renal crónica e a doença de Alzheimer.

A apabetalona é o primeiro deste tipo de composto a alcançar a fase de ensaio clínico.

A fase 3 do seu ensaio clinico (NCT02586155) está a avaliar a capacidade que a mesma tem de poder ajudar os pacientes com diabetes de alto risco tipo 2 e que também possuam doença cardíaca coronária. E a fase 2a (NCT03160430) está a avaliar a sua capacidade de trazer benefícios aos pacientes com insuficiência renal crónica, em fase terminal, que se encontrem a efetuar diálise.

Entretanto, a Resverlogix afirmou que um estudo sobre a capacidade da apabetalone ajudar pacientes com insuficiência renal crónica foi publicado recentemente numa revista científica, sustentando a eficácia da droga no tratamento desta condição, conforme declarado pela empresa. De acordo com a empresa, esta publicação apoiou a eficácia da droga no combate a esta condição.[1]

Fonte da Noticia: https://friedreichsataxianews.com/2017/05/25/pfizer-seeks-patent-covering-friedreichs-ataxia-therapy-resverlogixs-has-already-developed/
Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras



[1] Os termos científicos estão em inglês, como no original.

3 de maio de 2017

A velocidade da marcha pode melhorar a deteção da progressão da doença de Ataxia de Friedreichs no curto prazo


Autor: Magdalena Kegel
2017-04-18

A velocidade de marcha pode ser usada como uma medida objetiva para avaliar a progressão da doença em pacientes adultos portadores de Ataxia de Friedreichs e que ainda são capazes de andar, de acordo com um pequeno estudo que sugeriu que esta medida é mais adequada para detetar alterações neurológicas no curto prazo.
Como as atuais ferramentas utilizadas para medir a progressão da doença a curto prazo não são as ideais, a mensuração da velocidade da marcha pode ajudar a melhorar os resultados finais dos ensaios clínicos que avaliam os novos tratamentos de Ataxia de Friedreichs.
O estudo "Marcha longitudinal e declínio do equilíbrio na Ataxia de Friedreichs: Um estudo piloto" foi publicado na revista “Gait and Posture” (Marcha e Postura).
Atualmente, a progressão da doença em pacientes com Ataxia de Friedreichs é avaliada usando três escalas de avaliação: a Escala de Classificação da Ataxia de Friedreichs (FARS), a Escala de Avaliação e Classificação da Ataxia (SARA) e a Escala de Classificação Internacional Co-Operativa da Ataxia (ICARS).
Embora essas ferramentas sejam confiáveis, investigadores do Centro de Pesquisa da Ataxia da Universidade do Sul da Flórida sugerem que estas podem não ser as ideais para detetar mudanças de curto prazo, particularmente ao nível da marcha e do equilíbrio.
A equipa de pesquisa elaborou um estudo-piloto para avaliar dois tipos de ferramentas específicas para a avaliação da marcha e do equilíbrio. Estas ferramentas foram comparadas com as FARS de oito pacientes com Ataxia de Friedreichs e com oito pessoas saudáveis.
Os participantes do estudo foram acompanhados durante dois anos. Foram avaliados através do sistema “Walkway GAITRite” (passadeira que transmite dados para um computador) e do sistema “Biodex Balance” (balança que transmite dados para um computador), bem como através dos resultados obtidos nas FARS no início do estudo e após 6, 12 e 24 meses.
A velocidade de marcha durante a caminhada normal diminuiu 8% após 12 meses e 24,1% após 24 meses. Enquanto isso, a velocidade da marcha, durante a caminhada rápida, diminuiu 13,9% após 12 meses e 30,3% após 24 meses. A equipa de pesquisa observou, igualmente, um declínio em outros aspetos da marcha.
Ao longo dos 24 meses que durou o ensaio, os participantes também apresentaram uma diminuição no equilíbrio. Durante este tempo, os pacientes tiveram um aumento de 17,7% nos resultados dos exames neurológicos FARS. Os participantes saudáveis não manifestaram alterações na marcha ou equilíbrio durante o estudo.
As análises mostraram a existência de uma correlação entre vários aspetos das medidas de marcha e equilíbrio e os resultados obtidos nos testes neurológicos FARS. Várias pontuações obtidas em subsecções das FARS foram associadas aos parâmetros da marcha e do equilíbrio.
Embora os investigadores admitam que mais estudos são necessários para validar o uso da marcha e equilíbrio como medidas específicas para detetar pequenas alterações na função neurológica, sugerem que a velocidade da marcha pode ser um fator chave na deteção da progressão da doença, nomeadamente em pessoas com Ataxia de Friedreichs.


Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras


4 de abril de 2017

Identificar causa da ataxia é um desafio, mas tarefa crucial, diz estudo

Identificar a causa subjacente e estabelecer um diagnóstico de ataxia é crucial, já que estão disponíveis algumas terapias para alguns casos de ataxias imuno-mediadas ou geneticamente adquiridas. Uma revisão de todos os diagnósticos entre uma grande amostra de pacientes revelou que as ataxias familiares, incluindo a ataxia de Friedreich, representavam apenas uma pequena proporção de todos os pacientes com este tipo de condição.

A ataxia causada pelo glúten foi o diagnóstico mais comum entre os casos esporádicos. Dado que a condição pode ser melhorada evitando o consumo de alimentos que contenham glúten, a constatação ilustra a importância de um diagnóstico preciso.

Enquanto o estudo mostrou que a próxima geração de sequenciamento (NGS) ajudaram a estabelecer um diagnóstico médico, uma grande proporção de pacientes permanecem sem diagnóstico.

O estudo, "Causas de ataxia cerebelosa progressiva: avaliação prospetiva de 1500 Doentes", mapeou as anomalias médicas que causam ataxia em todos os pacientes que foram avaliados num centro especializado em ataxia no Reino Unido. O relatório foi publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry.

A ataxia em si não é um diagnóstico, mas sim um conjunto de sintomas que surgem por causa de uma doença subjacente. Em muitos casos, encontrar a razão para a degeneração do cerebelo - a região do cérebro que permite às pessoas se moverem de uma forma harmoniosa e coordenada - é um desafio. Às vezes, os médicos não conseguem identificar a causa.

Para obter uma melhor imagem das causas subjacentes da ataxia na população, os investigadores do Hospital Real Hallamshire, no Reino Unido, examinaram os resultados de trabalho de diagnóstico no centro de ataxia, dos últimos 20 anos.

Os resultados mostraram que apenas 20% dos doentes tinham um tipo hereditário da condição, com a ataxia de Friedreich sendo o mais comum (encontrada em 22% do grupo).

Entre aqueles com doença esporádica, a ataxia causada pelo glúten foi encontrada num quarto dos pacientes. Quase tantos pacientes não tinham qualquer causa identificável. O terceiro diagnóstico mais comum foi a ataxia racionada com o álcool - uma condição que surge após o consumo, prolongado e excessivo de álcool.

A atrofia múltipla do sistema, uma doença neurodegenerativa rara que afeta várias regiões do cérebro, foi encontrada em 11% dos pacientes de ataxia. O restante dos pacientes desenvolveu a doença, como resultado de uma série de causas diferentes, cada um afetando apenas uma pequena percentagem de pacientes.

Durante os primeiros tempos num período de 20 anos, apenas estavam disponíveis testes para a ataxia de Friedreich, ataxia espinocerebelosa e atrofia dentato-rubro-palido-luisiana (DRPLA). O número de testes foram aumentando gradualmente, mas só em 2014 é que houve acesso a métodos NGS para análise genética.

Desde então, a 146 pacientes foram avaliados com testes genéticos com 42 genes diferentes. Dos pacientes testados, 71 pacientes tinham um histórico familiar da doença. Além disso, 33 tinham ataxia esporádica de início precoce e 42 tinham ataxia esporádica de início tardio.

Apenas 32% de todos os pacientes obtiveram um diagnóstico como resultado de um rastreio genético. A identificação da causa genética era mais provável entre os pacientes com doença hereditária.

Tudo dito, pode ser feito um diagnóstico em 63% de todos os pacientes sem diagnóstico estabelecido de ataxia de Friedreich.

"As ataxias imuno-mediadas são comuns. Os avanços nos testes genéticos melhoraram significativamente o diagnóstico de pacientes suspeitos de terem uma ataxia genética. Fazer um diagnóstico das causas da ataxia é essencial devido a potenciais intervenções terapêuticas para algumas ataxias imunes e genéticas", concluíram os investigadores.


(artigo traduzido por Fátima d’Oliveira)





9 de dezembro de 2014

Berto e Buenafuente, pela Ataxia

O teatro Borràs, em Barcelona (Espanha) receberá a 19 de Janeiro um festival de solidariedade em benefício da Ataxia de Friedreich, uma doença rara que afeta dois jovens irmãos de Alcañiz (Espanha), Adrian e Yolanda. Atuarão comediantes de reconhecido prestígio, como Andreu Buenafuente, Berto Romero, Toni Moog, Mago Pop e Peyu, entre outros. Todo o dinheiro arrecadado irá para a Associação de Familiares e Afetados pela Ataxia de Friedreich do Baixo Aragão (ASABAF) e para a Plataforma para a Cura da Ataxia de Friedreich (GENEFA). Os bilhetes podem ser adquiridos via internet e será posto à disposição pelo menos um autocarro, a partir da capital baixo-aragonesa (Teruel, Espanha).
Esta iniciativa surgiu quando a mãe dois jovens e presidente da associação baixo-aragonesa, Margarita Antolin, conseguiu a colaboração de Romero quando ele se apresentou em Alcañiz, em 2013, no Mês da Comédia. Conforme explica Antolin no site da associação, a passagem de Romero por Alcañiz marcou um antes e depois para a ASABAF. "Com ele, temos a esperança de divulgar ao máximo a nossa associação e o seu objetivo a muitos cidadãos e personagens reconhecidos no país", diz ela. Após a primeira reunião, Antolin manteve estreito contato com Romero, via telefone e redes sociais. Reuniram-se mesmo numa das visitas médicas da sua filha Yolanda a Barcelona, para elaborar detalhes da gala.
A ASABAF é uma associação que surgiu em 2013 por iniciativa de Antolin. A sua finalidade é sensibilizar e divulgar a situação e dificuldades dos pacientes com Ataxia de Friedreich e suas famílias, lutar para a investigação de um tratamento eficaz e preventivo para a doença e cobrir as necessidades mais urgentes das pessoas afetadas. A ASABAF colabora ativamente com o Projeto GENEFA, para a investigação usando terapia genética para curar a Ataxia de Friedreich.




25 de novembro de 2014

Deferiprona na ataxia de Friedreich: 6 meses de ensaio clínico


Pandolfo M, Arpa J, Delatycki MB, Le Quan Sang KH, Mariotti C, Munnich A, Sanz-Gallego I, Tai G, Tarnopolsky MA, Taroni F, Spino M, Tricta F


Resumo


OBJETIVO:
Foi realizado um estudo controlado de 6 meses, para avaliar a segurança, tolerabilidade e eficácia da deferiprona na ataxia de Friedreich (FRDA).

MÉTODOS:
Setenta e dois doentes foram tratados com deferiprona, 20, 40, ou 60 mg/kg/dia, ou um placebo, divididos em duas doses diárias. A segurança foi o principal objetivo; os objetivos secundários incluíram avaliações neurológicas padronizadas (Escala de Avaliação da Ataxia de Friedreich [FARS], Escala de Avaliação da Ataxia Cooperativa Internacional [ICARS], Teste Peg 9-Buracos [9HPT], Passeio dos 25 Passos Cronometrado, Carta de Acuidade de Baixo Contraste), estado funcional geral (Atividades da Vida Diária), e avaliações cardíacas.

RESULTADOS:
A deferiprona foi bem tolerada a 20mg/kg/dia, ao passo que eventos adversos ocorreram mais em 40mg/kg/dia do que no grupo placebo. A dose 60mg/kg/dia foi interrompida devido ao agravamento da ataxia em 2 pacientes. Um paciente com deferiprona a 20mg/kg/dia experimentou neutropenia reversível, mas nenhum desenvolveu agranulocitose. Os doentes tratados com deferiprona que receberam 20 ou 40mg/kg/dia mostraram uma redução no índice de massa ventricular esquerda, em comparação com um aumento nos pacientes tratados com o placebo. Os pacientes que receberam 20mg/kg/dia de deferiprona não tiveram qualquer alteração significativa na FARS, semelhante aos pacientes tratados com o placebo, ao passo que os que receberam 40mg/kg/dia tiveram um agravamento nas escalas FARS e ICARS. A falta de deterioração nos doentes tratados com o placebo prejudicou a capacidade de detetar qualquer potencial efeito protetor da deferiprona. No entanto, as análises de subgrupo em pacientes com a doença menos grave sugeriram um benefício da deferiprona 20mg/kg/dia na ICARS, FARS, função cinética e 9HPT.

INTERPRETAÇÃO:
Este estudo demonstrou um perfil de segurança aceitável de deferiprona a 20mg/kg/dia para o tratamento de pacientes com FRDA. As análises dos subgrupos levantam a possibilidade de que, em pacientes com doença menos grave, a deferiprona 20mg/kg/dia pode reduzir a progressão da doença, enquanto que doses mais elevadas parecem piorar a ataxia.