12 de outubro de 2015

EQUIPA DA UMINHO IDENTIFICA FÁRMACO PARA A DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH

INVESTIGADORES IDENTIFICAM O CITALOPRAM, UM FÁRMACO QUE PERMITE O TRATAMENTO DE UMA DOENÇA NEURODEGENERATIVA INCURÁVEL.


Uma equipa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho (UMinho) identificou um fármaco, o citalopram, para o tratamento da doença neurodegenerativa de Machado-Joseph, uma patologia que leva os portadores a terem problemas de coordenação de movimentos, equilíbrio, articulação na fala e deglutição dos alimentos.
Em testes realizados em ratinhos, os investigadores da UMinho confirmaram melhorias significativas na coordenação dos movimentos e no equilíbrio. A próxima etapa é o estudo ‘Brain’.
Atualmente incurável, a doença de Machado-Joseph é causada pela mutação do gene ATXN3, que provoca um mau funcionamento dos neurónios e leva os portadores a terem problemas de coordenação de movimentos, equilíbrio, articulação na fala e deglutição dos alimentos. Os sintomas agravam-se com o tempo, levando o doente a usar cadeira de rodas e, finalmente, a ficar acamado.
De acordo com a academia minhota, a equipa de cientistas realizaram uma pesquisa abrangente de mais de 600 fármacos já aprovados para uso em humanos e disponíveis no mercado. O citalopram é geralmente usado como antidepressivo e um potente supressor da agregação e da toxicidade da proteína mutante no sistema nervoso. Os efeitos daquele fármaco foram observados quer no modelo transgénico da doença de Machado-Joseph, através do verme C. elegans, quer num modelo da doença em ratinhos.
Estes resultados promissores apontam, assim, como novo alvo terapêutico, a via da serotonina, que é uma espécie de mensageira entre os neurónios, regulando aspetos como a depressão, a tensão, o humor, o apetite e o sono. O estudo demonstra, ainda, que a estratégia de descobrir novos usos para fármacos já disponíveis pode ser útil no caso das doenças raras.
“Os ratinhos responderam muito bem ao tratamento, apresentando melhorias significativas ao nível da coordenação motora e de outros sintomas associados”, refere Patrícia Maciel, membro da equipa de investigadores integrada no laboratório associado ICVS/3B’s e na Escola de Ciências da Saúde da UMinho, em Braga. Esta equipa é uma referência internacional a investigar esta área, tendo já sido distinguida com o Prémio Rafael Hervada, convidado para conferências mundiais e publicado em revistas de diversas áreas, como a ‘Neurotherapeutics’ e ‘Human Molecular Genetics’.




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