INVESTIGADORES IDENTIFICAM O
CITALOPRAM, UM FÁRMACO QUE PERMITE O TRATAMENTO DE UMA DOENÇA NEURODEGENERATIVA
INCURÁVEL.
Uma equipa do Instituto de
Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho
(UMinho) identificou um fármaco, o citalopram, para o tratamento da doença
neurodegenerativa de Machado-Joseph, uma patologia que leva os portadores a
terem problemas de coordenação de movimentos, equilíbrio, articulação na fala e
deglutição dos alimentos.
Em testes realizados em
ratinhos, os investigadores da UMinho confirmaram melhorias significativas na
coordenação dos movimentos e no equilíbrio. A próxima etapa é o estudo ‘Brain’.
Atualmente incurável, a
doença de Machado-Joseph é causada pela mutação do gene ATXN3, que provoca um
mau funcionamento dos neurónios e leva os portadores a terem problemas de
coordenação de movimentos, equilíbrio, articulação na fala e deglutição dos
alimentos. Os sintomas agravam-se com o tempo, levando o doente a usar cadeira
de rodas e, finalmente, a ficar acamado.
De acordo com a academia
minhota, a equipa de cientistas realizaram uma pesquisa abrangente de mais de
600 fármacos já aprovados para uso em humanos e disponíveis no mercado. O citalopram
é geralmente usado como antidepressivo e um potente supressor da agregação e da
toxicidade da proteína mutante no sistema nervoso. Os efeitos daquele fármaco
foram observados quer no modelo transgénico da doença de Machado-Joseph,
através do verme C. elegans, quer num modelo da doença em ratinhos.
Estes resultados promissores
apontam, assim, como novo alvo terapêutico, a via da serotonina, que é uma
espécie de mensageira entre os neurónios, regulando aspetos como a depressão, a
tensão, o humor, o apetite e o sono. O estudo demonstra, ainda, que a
estratégia de descobrir novos usos para fármacos já disponíveis pode ser útil
no caso das doenças raras.
“Os ratinhos responderam
muito bem ao tratamento, apresentando melhorias significativas ao nível da
coordenação motora e de outros sintomas associados”, refere Patrícia Maciel,
membro da equipa de investigadores integrada no laboratório associado ICVS/3B’s
e na Escola de Ciências da Saúde da UMinho, em Braga. Esta equipa é uma
referência internacional a investigar esta área, tendo já sido distinguida com
o Prémio Rafael Hervada, convidado para conferências mundiais e publicado em
revistas de diversas áreas, como a ‘Neurotherapeutics’ e ‘Human Molecular
Genetics’.
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