11 de setembro de 2015

Um pouco de compreensão chega longe


Larry e Noella Plourde sabem que algumas pessoas podem ser cruéis quando se trata de coisas de que nada sabem.

Larry, 77, tem ataxia cerebelosa, o que faz com seja desajeitado, tenha a fala arrastada, falta de equilíbrio e dificuldade em engolir.

Ele não parece doente, e tem um grande sorriso e um bom sentido de humor, para que não se note imediato que algo não está bem.

Ele e Noella, 74, foram a um jantar público uma vez, que é algo que eles gostam de fazer, e aprenderam rapidamente que algumas pessoas podem ser cruéis.

"Larry foi sentar-se na cadeira e caiu e a senhora em frente começou a rir porque ele tinha caído", lembrou Noella.

Eles sentiram-se muito mal, especialmente desde que Larry não conseguia controlar a sua coordenação.

Sentiram a leviandade das pessoas noutras alturas também, inclusive no inverno passado quando eles foram a um restaurante de fast-food cuja entrada não tinha sido nivelada o suficiente para a cadeira de rodas de Larry entrar.

"Eu conversei com o gerente e o gerente disse: 'Nós vamos arranjar pessoas para levantá-lo e levá-lo para dentro e, em seguida, levá-lo para fora quando estiverem prontos para sair'", disse Noella.

Às vezes os motoristas estacionam os carros e camiões em locais designados para aqueles que são deficientes.

"Havia um jovem casal com dois filhos pequenos estacionados em frente ao supermercado, e eles estavam a carregar o seu carro com as compras", disse Noella. "Eu disse, 'Por que estacionaram aí?" Eles disseram que era só por alguns minutos. Eles não perceberam."

Noella disse que iria apreciar se quem estivesse às compras se oferecessem para abrir as portas àqueles em cadeiras de rodas.

"Gostaria que as pessoas tivessem mais consideração. Eu realmente não consigo abrir uma porta e estar por detrás da cadeira; por vezes, a porta vai bater-me nas costas. Eu não posso abri-la, porque estou a tentar atravessar com a cadeira. Deviam ter mais portas automáticas. "

Antes que pareça que os Plourdes estão a queixar-se das suas vidas, importa esclarecer. Eles são muito felizes, casados há 55 anos desde junho passado. Eles têm dois filhos, já crescidos; três netos encantadores; e muitos amigos em Meadowview Estates, um condomínio em Winslow (ME, EUA), onde têm vivido há 22 anos. Noella é a tesoureira da associação do condomínio e Larry costumava ser o presidente, mas teve de renunciar quando sua condição progrediu e as pessoas não podiam entender o que estava a dizer quando atendia o telefone.

Os Plourdes amam-se. Isso é óbvio na maneira como cuidam um do outro, contam piadas e riem muito. Larry sente-se afortunado por ter uma scooter que pode levar para todo o lado - até mesmo para Waterville, onde ele apadrinha a Rite Aid na Rua Principal e a Árvore do Dinheiro n’ O Concurso. Ele também vai ao Lar Mount St. Joseph na College Avenue para ver o seu irmão, Richard, que é um ano mais velho e também tem ataxia cerebelosa. Mas Larry não tem saído muito na sua scooter nestas últimas semanas, porque tem estado muito calor; espera poder fazê-lo em breve, quando o tempo arrefecer.

"Estou ansioso por isso. Adoro."

Ele foi diagnosticado com ataxia cerebelosa aos 40, mas os sintomas começaram muito mais cedo, não muito tempo depois de ter terminado o ensino secundário.

Ele cresceu numa quinta em Winslow, onde a família de sete filhos tinham vacas e porcos e outros animais, cortavam feno e viviam uma vida idílica. Ele estudou na Escola Secundária de Winslow até 1956 e dois anos mais tarde conheceu Noella, que era estudava na Escola Mount Merici, em Waterville. Ela convidou-o para saira, e mais tarde ele foi o par dela no baile de finalistas. Eles casaram-se em 1960.

Ele estava a trabalhar na Estufa da Flo em Grove Street, em Waterville, quando começou a ter problemas de equilíbrio e, às vezes, tropeçar nas escadas.

Ele continuou a trabalhar, conseguiu um emprego na JC Penney e, mais tarde, Montgomery Ward em Waterville, onde foi gerente de mercadorias. Ele dirigiu uma rota de vendas a retalho para a Harris Baking Co. e, de seguida, passou 11 anos a cuidar de uma máquina e a trabalhar como operador de impressora em Keyes Fibre Co., que agora é Huhtamaki. Até então, havia-se tornado claro que algo estava errado. A sua coordenação e habilidades motoras finas estavam-se a deteriorar.

"Eu estava a tropeçar muito e a cair. Eu tinha torcido os tornozelos; eu parti um dedo do pé. Tentaram dar-me um emprego como zelador, mas disseram que eu estaria sozinho se caísse e que não era seguro ".

Então, ele reformou-se por invalidez e em 1976 foi diagnosticado com ataxia cerebelosa. Foi um golpe ouvir aquelas palavras.

"Senti-me em baixo, muito em baixo. Eu pensei que queria morrer, mas então percebi que tinha uma esposa querida, dois filhos queridos na escola e que tinha que levantar o rabo e fazer o que puder."

Noella estava a trabalhar nas Canalizações, Aquecimento e Ar Condicionado do Houle, em Waterville como gerente assistente de escritório e decidiu reformar-se para cuidar do seu marido. Ela gosta de dizer que ele cuida dela tanto quanto ela dele.

Em junho, ela disse, ele foi com a sua scooter a uma florista em Waterville e não pode entrar porque a loja não tinha rampa.

"Ele buzinou a sua buzina, a menina saiu e ele encomendou algumas flores. Escolheu a cor, pagou-as e recebi-as no nosso aniversário ".

Noella sorri com a lembrança. Ela tem fibromialgia, o que afeta os músculos e tecidos moles e provoca dor. Ela também tem fadiga crónica e dores de cabeça terríveis. No entanto, ela não se queixa, nem Larry, que foi sujeito a uma cirurgia de coração aberto em dezembro para corrigir uma válvula do coração. Por mais estranho que possa parecer a alguns, eles vêm-se como afortunados.

"Peço a Deus para me ajudar a permanecer saudável para que eu possa cuidar dele", diz Noella. "Está a funcionar."

E Larry defende que há muitas pessoas que estão bem pior do que ele, então não tem motivos para se queixar.

"Eles têm dores e têm isto e aquilo. Eu não tenho dores, a não ser que caia. Não há cura, mas não há dor. "

Ele faz um jogo de palavras cruzadas diariamente, joga jogos no computador, lê revistas de desporto e frequenta um grupo de apoio para pessoas com ataxia cerebelosa a cada dois meses no YMCA Casco Bay Regional em Freeport. Ele foi escolhido como orador convidado uma vez, para ajudar pessoas recém-diagnosticadas a lidar com isso e a se sentirem com menos medo.

"Eu acho que nós somos tão afortunados que Deus nos deu tanta coisa para olhar em frente", disse ele.


(artigo traduzido)




Sem comentários:

Publicar um comentário