12 de setembro de 2015

O nível de frataxina está relacionado com a gravidade da ataxia de Friedreich


Embora a base de ataxia de Friedreich se encontre numa mutação à escala no genoma, no gene frataxina que codifica a proteína frataxina, nem todos os tecidos são afetados pela doença. Alguns tecidos funcionam adequadamente, enquanto outros, como os tecidos neuronais e cardíacos sofrem duma capacidade degenerada para funcionar. Os investigadores descobriram que os tecidos diferentes produzem quantidades diferentes da proteína frataxina, e uma equipa de investigadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) levantou a hipótese de que o nível da proteína frataxina pode influenciar a gravidade da ataxia de Friedreich em tecidos fora do sistema nervoso. Eles descobriram que as células vestibulares (da boca) e do sangue que produzem menos frataxina são mais afetadas pelos sintomas.

A maioria (98%) dos indivíduos com ataxia de Friedreich têm uma anomalia no seu ADN, em que ambas as cópias do gene frataxina contem um número anormalmente elevado de repetições de base GAA. Os restantes pacientes têm um gene afetado no qual quer uma mutação pontual ou uma deleção de uma base é criada. Independentemente da causa, a produção de proteína frataxina é afetada porque a transcrição de mARN é reduzida. Isto levou os investigadores a tentar tratar a ataxia de Friedreich, restaurando a proteína frataxina nas células ou substituir a função da proteína frataxina com enzimas. No entanto, desconhece-se se os níveis da proteína frataxina nos tecidos periféricos contribuem, ou não, para os sintomas e se é importante restaurar estes níveis da proteína.

O Dr. Michael Lazaropoulos e o Dr. David R. Lynch no Hospital Infantil da Pensilvânia (EUA) conduziram o estudo, "Os níveis de frataxina nos tecidos periféricos na ataxia de Friedreich", que foi publicado na revista Annals of Clinical and Translational Neurology, com o objetivo de compreender como os níveis de frataxina em tecidos periféricos afetava o estado da doença numa amostra de 521 pacientes com ataxia de Friedreich e 306 portadores (indivíduos não-portadores de sintomas). Para garantir que a variabilidade no nível da proteína durante a vida de um indivíduo não confundisse os resultados, os investigadores testaram amostras de sangue e bucais várias vezes durante o decorrer do estudo.

O nível da proteína frataxina foi negativamente relacionado com o comprimento das repetições GAA – geralmente o tamanho de repetições no mais curto dos dois genes. O nível de proteína relacionou-se bem com os sintomas, como determinado pelo exame Escala de Avaliação da Ataxia de Friedreich (FARS). Esta relação foi mais forte para o nível da proteína frataxina nas células do sangue do que para o nível da proteína nas células bucais. Em pacientes com mutações pontuais, a mutação exata também desempenhou um papel na severidade dos sintomas.

"O presente trabalho demonstra a complexidade dos níveis de frataxina periféricos na ataxia de Friedreich, e a necessidade de consideração de múltiplos fatores na interpretação dos resultados de estudos de intervenção clínica", escreveu o Dr. Lazaropoulos. Uma vez que o nível de proteína se relaciona com os sintomas, parece lógico para estudos clínicos continuar a investigar tratamentos que incidam sobre a substituição da função deficiente proteína frataxina em células.


(artigo traduzido)




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