Embora a base de ataxia de
Friedreich se encontre numa mutação à escala no genoma, no gene frataxina que
codifica a proteína frataxina, nem todos os tecidos são afetados pela doença.
Alguns tecidos funcionam adequadamente, enquanto outros, como os tecidos
neuronais e cardíacos sofrem duma capacidade degenerada para funcionar. Os investigadores
descobriram que os tecidos diferentes produzem quantidades diferentes da
proteína frataxina, e uma equipa de investigadores da Universidade da
Pensilvânia (EUA) levantou a hipótese de que o nível da proteína frataxina pode
influenciar a gravidade da ataxia de Friedreich em tecidos fora do sistema
nervoso. Eles descobriram que as células vestibulares (da boca) e do sangue que
produzem menos frataxina são mais afetadas pelos sintomas.
A maioria (98%) dos
indivíduos com ataxia de Friedreich têm uma anomalia no seu ADN, em que ambas
as cópias do gene frataxina contem um número anormalmente elevado de repetições
de base GAA. Os restantes pacientes têm um gene afetado no qual quer uma
mutação pontual ou uma deleção de uma base é criada. Independentemente da
causa, a produção de proteína frataxina é afetada porque a transcrição de mARN
é reduzida. Isto levou os investigadores a tentar tratar a ataxia de
Friedreich, restaurando a proteína frataxina nas células ou substituir a função
da proteína frataxina com enzimas. No entanto, desconhece-se se os níveis da
proteína frataxina nos tecidos periféricos contribuem, ou não, para os sintomas
e se é importante restaurar estes níveis da proteína.
O Dr. Michael Lazaropoulos e
o Dr. David R. Lynch no Hospital Infantil da Pensilvânia (EUA) conduziram o
estudo, "Os níveis de frataxina nos
tecidos periféricos na ataxia de Friedreich", que foi publicado na
revista Annals of Clinical and
Translational Neurology, com o objetivo de compreender como os níveis de
frataxina em tecidos periféricos afetava o estado da doença numa amostra de 521
pacientes com ataxia de Friedreich e 306 portadores (indivíduos não-portadores
de sintomas). Para garantir que a variabilidade no nível da proteína durante a
vida de um indivíduo não confundisse os resultados, os investigadores testaram amostras
de sangue e bucais várias vezes durante o decorrer do estudo.
O nível da proteína frataxina
foi negativamente relacionado com o comprimento das repetições GAA – geralmente
o tamanho de repetições no mais curto dos dois genes. O nível de proteína relacionou-se
bem com os sintomas, como determinado pelo exame Escala de Avaliação da Ataxia
de Friedreich (FARS). Esta relação foi mais forte para o nível da proteína
frataxina nas células do sangue do que para o nível da proteína nas células
bucais. Em pacientes com mutações pontuais, a mutação exata também desempenhou
um papel na severidade dos sintomas.
"O presente trabalho
demonstra a complexidade dos níveis de frataxina periféricos na ataxia de
Friedreich, e a necessidade de consideração de múltiplos fatores na
interpretação dos resultados de estudos de intervenção clínica", escreveu o
Dr. Lazaropoulos. Uma vez que o nível de proteína se relaciona com os sintomas,
parece lógico para estudos clínicos continuar a investigar tratamentos que
incidam sobre a substituição da função deficiente proteína frataxina em
células.
(artigo traduzido)
Fonte: http://friedreichsataxianews.com/2015/09/10/frataxin-level-correlates-friedreichs-ataxia-severity/

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