Ataxia de Friedreich, uma doença neurodegenerativa causada por uma mutação genética

- A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa causada por mutações num gene.
- O gene mutado é o que codifica a proteína chamada frataxina, causando uma deficiência na dita proteína, essencial para a vida das células.
  


O Dr. Javier Arpa, orientador académico de Neurologia do Hospital clínico San Carlos e professor Ad Honorem do departamento de Anatomia, Histologia e Neurociência da Faculdade de Medicina da Universidade Autónoma de Madrid (Espanha), iniciou o programa explicando que nos pacientes com ataxia de Friedreich não há uma deficiência global de frataxina, que provavelmente seria letal, mas níveis anormalmente baixos desta proteína.

O sistema nervoso tem estruturas diferentes e cada uma destas estruturas tem a sua própria função. Desde as regiões mais periféricas do corpo humano ocorre uma falha na sensibilidade profunda, que tem a ver com as articulações; adicionalmente, também afeta o cerebelo e a via motora, como consequência.

O início da doença é bastante variável, mas geralmente ocorre na puberdade. Os pacientes com níveis mais baixos de frataxina têm um início mais precoce, enquanto que aqueles com níveis não tão baixos podem ter um início mais tardio. O sintoma principal é uma ataxia cerebelosa progressiva, ou seja, uma perda progressiva da coordenação motora; embora outros défices sensoriais (proprioceção, visão, audição) e fraqueza muscular também se apresentam. Além da desordem neurológica, muitos doentes também têm uma deficiência do coração (cardiomiopatia hipertrófica) e diabetes, assim como alguns problemas esqueléticos (escoliose, pés cavus).

O Dr. Javier Díaz-Nido, diretor do grupo de investigação sobre ataxias do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa e no CIBER de Doenças Raras (CIBERER), esclareceu que a AF é considerada como a doença hereditária rara que em Espanha poderia afeta cerca de 4-5 pessoas por 100.000 habitantes. É, portanto, uma doença que não é tão rara, das menos “raras” dentro das doenças raras.

É uma doença progressiva que conduz à incapacidade dos pacientes que ficam confinados a uma cadeira de rodas. Atualmente não há tratamento eficaz para travar a deterioração neurológica dos pacientes.

Desde a descoberta de que as mutações no gene frataxina causam a ataxia de Friedreich, em 1996, muitos progressos foram feitos na compreensão desta doença. Embora ainda não tenha levado a um tratamento eficaz que esteja disponível aos pacientes, foram lançadas as bases para que isso seja possível no futuro. De fato, atualmente estão a ser testadas várias terapias experimentais, muitas das quais falharão, mas algumas provavelmente terão sucesso.

Sabemos que a frataxina é uma proteína encontrada principalmente nas mitocôndrias, as centrais de energia das nossas células. Sabemos também que a frataxina ajuda a controlar o metabolismo do ferro e a formação de complexos de ferro e enxofre são essenciais para a função de muitas proteínas celulares. Portanto, não é surpreendente que a ausência completa de frataxina seja letal para as células.

Quando há níveis anormalmente baixos de frataxina, ocorrem várias alterações moleculares de grande importância: como as mitocôndrias trabalham menos, as células têm menos energia e estão sujeitas a um maior stress oxidativo; e, provavelmente, também afeta outros processos celulares em que outro complexo dependente da proteína de ferro e enxofre estão envolvidas.

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A D. Isabel Campos, vice-presidente da Federação das Ataxias da Espanha, foi a responsável por fechar o programa, explicando que a federação é uma organização sem fins lucrativos, que engloba várias associações regionais de ataxia e faz parte de outras federações nacionais e europeias, e que tem como objetivo promover o estudo e a investigação científica no campo das ataxias.

Outras metas da Federação são apoiar e promover toda a investigação que se estão a fazer em ataxias, oferecer serviços de assessoria jurídica, assistência social ou aconselhamento psicológico a sócios e afetados, apoiar as famílias dos pacientes, etc.

Além disso, a Federação organiza várias atividades para os pacientes e as suas famílias.



(artigo traduzido)




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