Silva
UC, Marques W Jr, Lourenço CM, Hallak JE, Osório FL
Resumo
Poucos estudos investigaram
a associação entre a ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3) e distúrbios
psiquiátricos, usando principalmente escalas de rastreio para avaliar sinais e
sintomas de depressão e ansiedade. Com estas limitações em mente, avaliámos a
prevalência de perturbações psiquiátricas do Eixo I DSM-IV em pacientes com SCA3
e as suas possíveis associações com o comprimento das repetições CAG e
características sócio-demográficas, destacando os potenciais fatores de risco.
Foram recolhidas amostras de ADN de 59 adultos diagnosticados com SCA3 para a
quantificação de repetições CAG. Em seguida, os pacientes foram avaliados em
relação à presença de perturbações psiquiátricas com a Entrevista Clínica Estruturada
para o DSM-IV. Cerca de metade da amostra apresentava pelo menos uma
perturbação psiquiátrica (perturbação do humor 45,2%), principalmente distimia
e depressão atual. Não houve diferenças estatisticamente significativas no
comprimento da repetição CAG entre indivíduos com e sem perturbações
psiquiátricas. A perceção de que a SCA3 tem um impacto negativo na vida e a
avaliação subjetiva do estado de saúde atual como mau surgiram como fatores de
risco para a ocorrência de perturbações psiquiátricas na amostra. Há uma maior
prevalência de perturbações psiquiátricas em pacientes com SCA3 em comparação
com a população em geral. A falta de associação entre as repetições CAG e
ocorrência de perturbações psiquiátricas apoia a hipótese de que as perturbações
psiquiátricas neste grupo estão associadas a respostas emocionais adaptativas ao
adoecer.
(artigo traduzido)
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