Por Kyle Bryant – atleta,
orador, fundador da corrida de bicicleta rideATAXIA, para angariar fundos para
a Aliança para a Investigação sobre a Ataxia de Friedreich (FARA – Friedreich’s
Ataxia Research Alliance, EUA)
Um dos principais sintomas
da ataxia de Friedreich (AF) é a perda de propriocepção ou saber onde os braços
e pernas estão no espaço, sem olhar para eles. Isso causa perda de equilíbrio e
coordenação - o que significa a perda da capacidade de correr, caminhar, e
geralmente de se mexer. É um sentimento de impotência quando precisa de pedir a
alguém para ajudar a, simplesmente, ir à casa de banho. Depois de te sido
diagnosticado com AF, não demorou muito a perceber o que o futuro pode trazer.
Eu sabia que tinha que sair na frente desta coisa.
Enquanto estava pesquisar na
Net, deparei-me com um rapaz que vive com esclerose múltipla (EM) que estava a
circunavegar os EUA na sua trike reclinada. Eu vi uma fotografia da sua trike e
eu pensei para mim mesmo "Eu acho que posso fazer isso." Então,
encontrei uma loja próxima que vendia trikes e eu fui dar uma volta para
experimentar. Enquanto pedalava à volta do parque de estacionamento,
apaixonei-me pela liberdade que vinha com esta nova máquina. Finalmente tinha a
liberdade de me mexer quando queria e ir aonde queria. Levei o trike para casa
naquele dia e agora tenho viajado milhares de milhas, incluindo duas viagens através
do país (uma é assunto de um documentário chamado "O Atáxico (The Ataxian)")
porque não me canso deste sentimento de liberdade - nunca desaparece.
| A minha Catrike 700 |
Em 2009, como eu queria
compartilhar esse sentimento com outras pessoas que vivem com ataxia, então angariei
algum dinheiro e criei a Iniciativa Atleta Atáxico (AAI). Os candidatos
apresentam a sua história, pedido de equipamentos, informações financeiras e
cartas de recomendação e nosso comité analisa todos os pedidos e concede bolsas
para equipamentos com base no mérito do pedido e os fundos disponíveis. A AAI
tem ajudado a financiar a compra de equipamento de ciclismo adaptável para 31
pessoas que vivem com ataxia, desde 2009.
Em 2013, financiamos as
nossas primeiras ofertas de equipamento a nível internacional, uma das quais
foi para um indivíduo chamado Barry Rice, na Irlanda. À medida que Barry experimentava
a sensação de liberdade que a sua nova máquina lhe proporcionava, ele decidiu
que queria providenciar o mesmo a outros. Assim, ele criou um evento anual à
imagem do que temos aqui nos EUA, o rideATAXIA. O evento de Barry chama-se
“Cycle Ataxia (Pedala Ataxia)”, e em 20 de junho de 2015, visitei a Irlanda
para a segunda “Cycle Ataxia”.
Esta foi a minha primeira viagem
à Irlanda e a primeira vez que andei de trike fora dos EUA! Os meus pais sempre
me acompanharam em todas as minhas aventuras, pelo que eu também os trouxe
nesta. Recebemos umas boas-vindas incrivelmente carinhosas, de todos que
conhecemos.
O evento consistiu duma
escolha de caminhos entre 13, 38 e 100 quilómetros com paragens para descanso
bem abastecidos e forte apoio nos poucos cruzamentos principais que encontrámos.
Toda a gente deve ter-se divertido muito no ano passado, porque estavam mais de
500 participantes nos três caminhos.
Depois de um breve discurso
inspirador de Barry, o grupo no caminho de 100k fez-se à estrada. O meu pai e
eu escolhemos o caminho de 38k e depois de uma ameaça de chuva pela manhã,
acabou por ser um dia bonito. Pedalámos em estradas agrícolas estreitas e de pouco
tráfego, em quintas de batata e cevada. Mais tarde soubemos que esta é a cevada
que é usada para fazer a cerveja Guinness e o whisky Jameson.
Foi uma sensação
desconfortável andar do lado esquerdo da estrada. Depois de algumas viragens à
direita, comecei a andar para o lado direito até que vi um carro vindo do outro
lado a cerca de 300 jardas (metros?). Eu quase comecei a acenar as mãos para essa
pessoa saber que estava do lado errado, até que me ocorreu que quem estava mal
era eu e rapidamente fui para o outro lado.
Eventos como o “Cycle
Ataxia” servem para unir toda a comunidade AF, do paciente e família até às
empresas farmacêuticas envolvidas no desenvolvimento de tratamentos para a AF.
Uma das equipas mais fortes no “Cycle Ataxia” foi a Horizon Pharma, que está
atualmente a recrutar para um ensaio clínico para a AF, nos EUA.
A AF é uma doença rara que
afeta 1 em cada 50.000 pessoas, o que significa cerca de 5.000 nos EUA e 15 mil
em todo o mundo. Então, quando fui diagnosticado, a minha família e eu sentimo-nos
muito sozinhos – era como se ninguém nunca tivesse ouvido falar de AF antes. No
entanto, é difícil de se sentir solitário numa multidão de 500 pessoas a
pedalar em direção a um objetivo comum: uma cura para a AF.
Esta jornada começou com um
sentimento, e quando posto em prática, esse sentimento tomou vida própria e já
se espalhou internacionalmente. Estou muito orgulhoso do que Barry e sua
família têm sido capazes de fazer com o “Cycle Ataxia”.
1 jarda (yard) = 0,91440
metros, 300 jardas = 274,32 metros
(artigo traduzido)
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