Uma equipa internacional de investigadores
publicou recentemente na revista BMC
Medical Genetics uma análise da grande coorte de pacientes argelinos com
diferentes formas de ataxia. O estudo, intitulado "Estudo molecular e
clínico de uma coorte de 110 pacientes argelinos com ataxia autossómica
recessiva".
A ataxia é definida como um
sinal neurológico caracterizado pela falta de coordenação dos movimentos
musculares voluntários. Indivíduos com esta condição médica sentem a coordenação
e equilíbrio prejudicados. Nos casos em que somente o cerebelo é afetado a
condição é chamada de ataxia cerebelosa. As ataxias cerebelosas autossómicas
recessivas (ARCA) correspondem a um grupo de doenças neurodegenerativas com uma
grande heterogeneidade genética e fenotípica. Mais de 30 genes ou loci têm sido
ligados ao desenvolvimento de mais de 20 doenças ARCA diferentes. Por
conseguinte, é necessário um diagnóstico preciso do tipo de doença ARCA, a fim
de fornecer o cuidado adequado.
No estudo, os investigadores
analisaram 110 pacientes (76 famílias) em vários hospitais na Argélia com um
fenótipo de ataxia cerebelosa ligada a um padrão de hereditário autossómico
recessivo. Foram recolhidas amostras de sangue de todos os pacientes e extraído
ADN genómico para fazer despistagem mutacional e sequencial de genes
específicos ligados a fenótipos de ataxia cerebelosa hereditária.
Os investigadores
encontraram 23 mutações diferentes, incluindo 6 novas, e 9 diferentes tipos de
ARCA presentes no grupo de pacientes analisado. O tipo de ARCA mais comum nesta
coorte foi a ataxia de Friedreich, que foi identificada em 49 pacientes (31
famílias). A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa hereditária
rara caracterizada pela lesão progressiva do sistema nervoso com degeneração da
medula espinal e nervos periféricos que leva a fraqueza muscular, perda
sensorial, défice de equilíbrio e falta de coordenação dos movimentos
musculares voluntários. A doença é causada por uma mutação num gene chamado
frataxina (FXN) que leva a um defeito da expressão da proteína frataxina. O
início da doença é geralmente durante a infância ou a adolescência e leva à
incapacidade progressiva, a dependência de uma cadeira de rodas e esperança de
vida reduzida. Todos os pacientes com ataxia de Friedreich na coorte da Argélia
tinham mutações no gene FXN.
Além das mutações mais
comuns e formas de ataxia, os investigadores também descobriram formas mais
raras ou subdiagnosticadas que poderiam ter sido subestimadas, como ataxia
espinocerebelosa autossómica recessiva 8 e 9 (SCAR8, SCAR9), síndroma de Marinesco-Sjögren
(MSS), ataxia com apraxia oculomotora tipo 1 (AOA1) e polineupatia, perda
auditiva, ataxia, retinite pigmentosa e cataratas (PHARC).
A equipa concluiu que o
principal tipo de ARCA presente no grupo de pacientes argelinos analisado foi a
ataxia de Friedreich. Eles ainda sugerem que devem ser feitos estudos epidemiológicos
para refinar a correlação genótipo/fenótipo nas diferentes condições ARCA e
estabelecer uma caracterização clínica mais precisa e detalhada de cada uma.
(artigo traduzido)
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