3 de julho de 2015

Novas considerações sobre diferentes formas de ataxia cerebelosa

Uma equipa internacional de investigadores publicou recentemente na revista BMC Medical Genetics uma análise da grande coorte de pacientes argelinos com diferentes formas de ataxia. O estudo, intitulado "Estudo molecular e clínico de uma coorte de 110 pacientes argelinos com ataxia autossómica recessiva".

A ataxia é definida como um sinal neurológico caracterizado pela falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. Indivíduos com esta condição médica sentem a coordenação e equilíbrio prejudicados. Nos casos em que somente o cerebelo é afetado a condição é chamada de ataxia cerebelosa. As ataxias cerebelosas autossómicas recessivas (ARCA) correspondem a um grupo de doenças neurodegenerativas com uma grande heterogeneidade genética e fenotípica. Mais de 30 genes ou loci têm sido ligados ao desenvolvimento de mais de 20 doenças ARCA diferentes. Por conseguinte, é necessário um diagnóstico preciso do tipo de doença ARCA, a fim de fornecer o cuidado adequado.

No estudo, os investigadores analisaram 110 pacientes (76 famílias) em vários hospitais na Argélia com um fenótipo de ataxia cerebelosa ligada a um padrão de hereditário autossómico recessivo. Foram recolhidas amostras de sangue de todos os pacientes e extraído ADN genómico para fazer despistagem mutacional e sequencial de genes específicos ligados a fenótipos de ataxia cerebelosa hereditária.

Os investigadores encontraram 23 mutações diferentes, incluindo 6 novas, e 9 diferentes tipos de ARCA presentes no grupo de pacientes analisado. O tipo de ARCA mais comum nesta coorte foi a ataxia de Friedreich, que foi identificada em 49 pacientes (31 famílias). A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa hereditária rara caracterizada pela lesão progressiva do sistema nervoso com degeneração da medula espinal e nervos periféricos que leva a fraqueza muscular, perda sensorial, défice de equilíbrio e falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. A doença é causada por uma mutação num gene chamado frataxina (FXN) que leva a um defeito da expressão da proteína frataxina. O início da doença é geralmente durante a infância ou a adolescência e leva à incapacidade progressiva, a dependência de uma cadeira de rodas e esperança de vida reduzida. Todos os pacientes com ataxia de Friedreich na coorte da Argélia tinham mutações no gene FXN.

Além das mutações mais comuns e formas de ataxia, os investigadores também descobriram formas mais raras ou subdiagnosticadas que poderiam ter sido subestimadas, como ataxia espinocerebelosa autossómica recessiva 8 e 9 (SCAR8, SCAR9), síndroma de Marinesco-Sjögren (MSS), ataxia com apraxia oculomotora tipo 1 (AOA1) e polineupatia, perda auditiva, ataxia, retinite pigmentosa e cataratas (PHARC).

A equipa concluiu que o principal tipo de ARCA presente no grupo de pacientes argelinos analisado foi a ataxia de Friedreich. Eles ainda sugerem que devem ser feitos estudos epidemiológicos para refinar a correlação genótipo/fenótipo nas diferentes condições ARCA e estabelecer uma caracterização clínica mais precisa e detalhada de cada uma.


(artigo traduzido)




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