Estudo destaca as causas tratáveis das ataxias cerebelosas
Não há curas possíveis para
a maioria dos pacientes que sofrem de doenças do movimento debilitantes,
chamadas ataxias cerebelosas.
Mas nalgumas destas doenças,
os pacientes podem ser tratados eficazmente com regimes, tais como o uso
medicamentos, doses elevadas de vitamina E e dieta isenta de glúten, de acordo
com um estudo publicado na revista Movement
Disorders.
"Os médicos devem
familiarizar-se com essas doenças, porque o máximo benefício terapêutico só é
possível quando feito cedo. Essas condições incomuns representam uma
oportunidade única para tratar doenças incuráveis e progressivas," escrevem
o autor principal Adolfo Ramirez-Zamora, MD, co-autor José Biller, MD, e colegas.
O Dr. Ramirez-Zamora é professor assistente de neurologia e no Departamento de
Neurologia do Centro Médico de Albany (EUA) e o antigo chefe de neurologia da
Universidade Loyola de Chicago (EUA). O Dr. Biller é presidente do Departamento
de Neurologia da Faculdade de Medicina Stritch da Universidade Loyola de
Chicago (EUA).
A palavra ataxia significa sem
coordenação. Os sintomas da ataxia incluem má coordenação, andar cambaleante,
dificuldade em falar e engolir, movimentos oculares involuntários e dificuldade
para realizar atividades motoras finas - tais como escrever ou abotoar uma
camisa. As ataxias hereditárias são degenerativas e progridem ao longo do
tempo. As ataxias são geralmente devidas a danos no cerebelo, uma parte do
cérebro que controla a coordenação muscular.
As lesões cerebelosas crónicas
devido ao álcool ou outras drogas comumente usadas, como o lítio, podem ser
tratadas pela suspensão das drogas problemáticas, os autores relatam.
Abaixo está uma amostragem
de outros tratamentos eficazes para ataxias cerebelosas detalhadas no artigo:
A ataxia com deficiência da
vitamina E (AVED) prejudica a capacidade do organismo em utilizar a vitamina E,
o que resulta na ataxia e outros sintomas debilitantes. As doses elevadas de
vitamina E (800 mg/d) normalmente param a progressão da doença e conduzem a uma
melhoria neurológica - embora a recuperação possa ser lenta e incompleta.
"Os resultados da suplementação de vitamina E também parece ser mais
benéfico se iniciado em doentes com menos de 15 anos de duração da doença,
quanto mais cedo após o diagnóstico é iniciada a suplementação, melhor",
disse o artigo.
A xantomatose
cerebrotendínea (CTX) é tratada com ácido quenodesoxicólico, que é feito a
partir dos ácidos biliares. Começar o tratamento numa fase precoce é
fundamental para evitar a deterioração neurológica.
A ataxia do glúten pode ser
tratada com uma dieta rigorosa sem glúten. A deficiência no transportador tipo
1 de glutose pode ser tratada com um elevado teor de gordura, dieta cetogénica
baixa em hidratos de carbono. A ataxia de descarboxilase do ácido glutâmico pode
ser tratada com imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou esteroides.
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