Estudo encontra uma ligação entre doenças neurodegenerativas e inflamação
Investigadores da
Universidade de McMaster (Canadá) e da Escola de Medicina Icahn em Mount Sinai,
Nova Iorque (EUA), descobriram que uma proteína associada a doenças neurodegenerativas
como a ELA (esclerose lateral amiotrófica), também desempenha um papel importante
na resposta antiviral natural do corpo.
O estudo, publicado na Nature Immunology, oferece uma nova
visão sobre a ligação entre as doenças neurodegenerativas e inflamação, e
fornece uma estrutura para explorar mais plenamente a possibilidade de que uma
infeção viral pode levar ao aparecimento dessas doenças.
Matthew Miller, um
investigador no Instituto Michael G. DeGroote de Investigação de Doenças Infeciosas,
é o principal autor do estudo. Ele disse que as mutações no gene senataxina
(SETX) são conhecidas por causar certos tipos de doenças neurodegenerativas,
tais como: esclerose lateral amiotrófica tipo 4 (ELA4 - um tipo da doença de
Lou Gehrig) e ataxia com apraxia oculomotora tipo 2 (AOA2). No entanto, ninguém
atualmente entende a razão de estas mutações resultarem em doenças
neurodegenerativas.
"Descobrimos que a
deficiência de senataxina, e as células de indivíduos com estas doenças
neurodegenerativas, respondem de forma anormal a infeções virais", disse
Miller. "Especificamente, elas geram anormalmente montantes elevados de
inflamação, que é conhecida por desempenhar um papel importante em várias
doenças neurológicas. O nosso estudo identifica a inflamação anormal como um fator
potencial da ELA, que abre a porta para a exploração de novas opções
terapêuticas."
Os cientistas estudaram a
senataxina, uma proteína implicada numa forma de esclerose lateral amiotrófica
(ELA) de início juvenil e na ataxia com apraxia oculomotora. A ELA, mais
comumente conhecida como doença de Lou Gehrig, é uma doença neurodegenerativa
rara que afeta os neurónios motores e causa problemas de perda muscular e
movimento progressivos. A ataxia com apraxia oculomotora é uma doença rara, com
uma idade média de início por volta dos 15 anos, que causa problemas de
controlo muscular e perda da visão periférica.
Os cientistas usaram estudos
de expressão genética, bem como uma análise cromatina aprofundada para
descobrir o papel regulador da proteína. Enquanto trabalhos anteriores para
caracterizar a proteína tinham sido realizados em células de levedura, este projeto
ganhou novas informações através da análise de células humanas também. A equipa
descobriu que a senataxina tem muito mais poder de regular a atividade dos
genes do que era conhecido anteriormente.
Usando ferramentas genómicas
de última geração, os investigadores descobriram que a senataxina é distribuída
para regular a resposta antiviral natural do corpo num ponto específico. Sem
ela, a exposição a patógenos virais pode levar à inflamação e potencialmente a
doenças fatais. As pessoas com formas de ELA relacionadas com a senataxina e
ataxia têm um gene SETX defeituoso que leva a uma forma disfuncional da
proteína.
"Esta é a primeira
proteína implicada nas doenças neurodegenerativas, que tem sido ligada ao nosso
mecanismo antiviral inato, e que oferece uma pista intrigante para a resposta
inflamatória associada a estas doenças", disse Ivan Marazzi, co-autor do
estudo e professor assistente no Departamento de Microbiologia em Mount Sinai.
"Se a infeção viral
desempenha um papel na progressão da doença continua por ser visto, mas esta
descoberta tem amplas implicações para a investigação biomédica e abre novos
caminhos, que esperamos ansiosamente poder perseguir."
Miller, que também é membro
do Centro de Investigação de Imunologia McMaster e professor assistente de
bioquímica na Escola de Medicina Michael G. DeGroote da McMaster, começou esta
investigação enquanto estava em Mount Sinai. Os estudos de acompanhamento são
um componente importante do seu atual programa de investigação na McMaster.
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