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9 de novembro de 2013

Descoberta revoluciona batalha contra doenças genéticas

Novo método promete transformar a forma como cientistas manipulam genes e pode eliminar problemas hereditários
MASSACHUSETTS - Uma descoberta que entusiasmou geneticistas no mundo promete revolucionar a manipulação do genoma de organismos vivos, incluindo humanos. A técnica tem sido vista como um marco da ciência porque pode transformar o tratamento de uma série de doenças, desde câncer e infecções incuráveis a problemas hereditários, como a anemia falciforme e a síndrome de Down.
Os cientistas fizeram alterações precisas no genoma por meio de um método chamado Crispr, que torna possível editar qualquer parte dos 23 pares de cromossomos humanos sem ter depois mutações inesperadas ou falhas. Eles esperam usá-la em breve em testes de terapia genética em humanos para tratar a infecção por vírus como o HIV ou distúrbios genéticos como a doença de Huntington. Num uso mais polêmico, ela poderia corrigir defeitos genéticos em embriões de fertilização in vitro (FIV). A atual engenharia é imprecisa e geralmente envolve vírus modificados que inserem o DNA no genoma.
- A Crispr é absolutamente formidável. É incrivelmente poderosa e tem muitas implicações para a agricultura e para uma potencial terapia genética em humanos - afirmou Craig Mello, da Escola Médica da Universidade de Massachusetts, que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta da interferência do RNA. - É uma tremenda descoberta com grandes implicações para a genética molecular. É realmente de cair o queixo.
Além da engenharia genética de plantas e animais, podendo acelerar o desenvolvimento da pecuária e de sementes geneticamente modificadas, ela poderia alterar o DNA de esperma, óvulos e embriões, eliminando o risco de doenças genéticas até para as gerações subsequentes.
No entanto, a perspectiva dos chamados “bebês projetados” ainda provoca polêmica, e as técnicas para este tipo de manipulação estão proibidas em vários países, entre eles o Brasil. Mesmo assim, cientistas acreditam ser apenas uma questão de tempo até que elas sejam usadas com o objetivo de eliminar males hereditários.
- Seria difícil argumentar contra o seu uso se ela for segura, confiável e eficiente como parece ser. Quem condenaria uma criança a um terrível sofrimento e talvez à morte prematura quando há uma terapia capaz de reparar o problema? - questionou Dagan Wells, cientista especialista em FIV, da Universidade de Oxford.
O método Crispr foi descoberto inicialmente como parte da defesa imunológica natural de algumas bactérias contra vírus invasores. Só no ano passado que cientistas, liderados por Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, publicaram um primeiro estudo mostrando que ele na verdade funciona em qualquer área de um genoma se associado a uma enzima de restrição (capaz de cortar uma molécula num local bem definido) chamada CAS9.
Desde então, várias equipes vêm mostrando que o sistema Crispr-CAS9 poderia ser adaptado para funcionar em uma série de outras formas de vida, de mosca da fruta a camundongos. No início deste ano, grupos de cientistas demonstraram que o sistema pode ainda ser usado com precisão para projetar o DNA de embriões de camundongos e de células-tronco humanas.
- A eficiência e a facilidade do seu uso não têm precedentes. Estou entusiasmado - disse George Church, geneticista da Universidade de Harvard e coordenador do grupo que usou o Crispr para modificar o genoma humano.
David Adams, geneticista do Instituto Wellcome Trust Sanger, em Cambridge, também celebrou a nova técnica.
- Tivemos outras tecnologias para a manipulação do genoma, mas todas deixam uma ‘cicatriz’ ou um DNA estranho no genoma. Esta não deixa cicatrizes e torna possível editar os nucleotídeos do DNA, as ‘letras’ do livro genético, sem quaisquer outras alterações indesejadas - apontou.
 
 

21 de junho de 2012

Ataxia Cerebelar


INTRODUÇÃO

A ataxia cerebelar é um problema, que ocorre como resultado de um trauma ou doença cerebelar, em que os movimentos são desajeitados e incoordenados.

É um sinal clássico de disfunção cerebelar. Representa a influência combinada da dismetria e decomposição dos movimentos na marcha, postura e padrão de movimento.

As manifestações de ataxia são normalmente vistas na marcha do paciente. A ataxia cerebelar resulta da incoordenação muscular devido a lesões no cerebelo. Assim, numa ataxia cerebelar há

1.    Decomposição do movimento

Os movimentos parecem ocorrer em fases. O paciente não é capaz, de uma forma fácil, de combinar os movimentos de várias articulações num só, suave e coordenado movimento. Por exemplo, para mover o braço, primeiro tem que movimentar o ombro, depois o cotovelo e finalmente o pulso.

2.    Assinergia

Falta de coordenação entre agonistas, antagonistas e sinérgicos.

3.    Dismetria

O movimento não é bem executado a nível da direção e força, ou seja, o movimento falha o alvo intencionado: ou vai além (hipermetria) ou fica aquém (hipometria). Isto resulta da perda do circuito neural necessário para controlar a duração e força do movimento.

A ataxia cerebelar pode ser ataxia cerebelar hereditária ou ataxia cerebelar heredofamliar e não ataxia cerebelar hereditária.

A ataxia cerebelar hereditária inclui um espectro amplo de doenças degenerativas que são progressivas, familiares e que se manifestam cedo na vida, com maior peso nas vias cerebelares. A etiologia exata da ataxia cerebelar hereditária não é conhecida, mas descobertas recentes apontam para defeitos nos sistemas de energia mitocondrial e metabolismo piruvato, como fatores provavelmente importantes.

As ataxias hereditárias são definidas, grosso modo, pela forma de transmissão: autossómicas dominantes ou ataxias espinocerebelares e autossómicas recessivas ou ataxias ligadas ao X.

A ataxia cerebelar autossómica dominante é caraterizada pela manifestação da ataxia cerebelar através de ataxia da marcha, disartria, sacadas lentas, nistagmo, sinais de trato corticoespinhais, neuropatia e, mais tarde, oftalmoplegia e disfunção bulbar (disfagia, fasciculações da língua). Sinais extra piramidais podem ser vistos, mas os defeitos cognitivos não costumam verificar-se. A idade de aparecimento varia entre a adolescência e a idade adulta, mas a idade média de aparecimento situa-se entre a terceira e a quarta década de vida.

As ataxias autossómicas recessivas ou ligadas ao X que ocorrem como resultado duma anormalidade metabólica causada congenitamente ou defeitos de enzimas adquiridos, que participam no metabolismo de aminoácidos. Estas doenças normalmente manifestam-se cedo na vida, mas também se podem manifestar numa fase mais tardia. A ataxia autossómica recessiva mais comum é a ataxia de Friedreich, que é uma forma de ataxia hereditária, representando cerca de metade de todas as ataxias hereditárias. O locus do defeito genético é no cromossoma número nove. O gene que codifica a proteína “frataxina” sofre uma mutação. A frataxina é uma proteína mitocondrial que toma parte no metabolismo energético. O defeito na frataxina leva a uma acumulação anormal de ferro na mitocôndria, seguida de morte celular. Há perda neuronal no sistema motor e sensorial. A ataxia de Friedreich manifestasse antes dos 25 anos de idade. Outros exemplos de ataxia autossómica recessiva incluem a ataxia devido a deficiência da vitamina E, doença de Refsum, abetalipopreteinemia, doença de Hartnup.

A ataxia cerebelar não hereditária também é referida como ataxia cerebelar esporádica. A ataxia cerebelar esporádica não é progressiva, isto é, os sintomas não pioram gradualmente. As causas para a ataxia cerebelar não hereditária podem ser: lesão cerebral, cirurgia cerebral, esclerose múltipla, paralisia cerebral, drogas tóxicas, alcoolismo, infeções virais como varicela, malformação do cerebelo nos fetos por nascer, tumores cerebelares, lesões vasculares no cerebelo, distúrbios metabólicos, degeneração cortical cerebelar subaguda; são os fatores conhecidos que podem originar a ataxia cerebelar após o nascimento. A intensidade e duração da ataxia cerebelar não hereditária depende quer da causa, quer do local da lesão.

A marcha cerebelar é mais vista em pacientes com esclerose múltipla, tumores cerebelares (particularmente aqueles que afetam a vérmis desproporcionadamente), por exemplo meduloblastoma, AVC (isquémico e hemorrágico) e mais dramaticamente nas degenerações cerebelares. A severidade e sintomas da ataxia cerebelar variam de pessoa para pessoa. Pode incluir movimentos corporais incoordenados e movimentos oculares involuntários, fala arrastada, dificuldades em engolir, problemas de visão e audição e alterações de comportamento.

Com a ataxia cerebelar, a instabilidade e o balanço irregular do tronco são mais proeminentes, quando o paciente se levanta duma cadeira ou se vira subitamente, enquanto caminha. Quando a ataxia cerebelar pode ser tão severa, o paciente não consegue estar de pé sem assistência. Se for menos severa, estar de pé com os pés juntos e a cabeça ereta, é difícil. Na sua forma mais suave, a melhor forma de demonstrar a ataxia é pedindo ao paciente para andar em linha reta, pé ante pé: após um passo ou dois, o paciente perde o equilíbrio e tem necessidade de colocar um pé de lado, para evitar cair. Se as lesões cerebelares forem bilaterais, frequentemente há tremores da cabeça e do tronco.

O diagnóstico da ataxia cerebelar é muito diferente, porque muitas doenças neurológicas têm sintomas similares. O médico precisa de efetuar vários testes para diagnosticar a doença. Pode incluir TAC e Ressonância Magnética. Também são testados o equilíbrio e a coordenação. O histórico familiar do paciente ajuda a determinar se a ataxia é causada devido a um tumor, ou se devido à hereditariedade. O teste genético determina o tipo de ataxia cerebelar transmitida.

A gestão duma ataxia cerebelar difere, baseada nos fatores de origem e apresentação clínica. A gestão duma ataxia cerebelar inclui cuidados médicos e fisioterapia.

O objetivo mais importante da gestão de pacientes com ataxia cerebelar é identificar as entidades da doença que podem ser tratadas.

As lesões em massa devem ser prontamente reconhecidas e tratadas apropriadamente.

As ataxias cerebelares hereditárias e a maioria das ataxias cerebelares não hereditárias não se podem curar por completo. Mas os tratamentos apropriados podem ajudar o paciente a levar uma vida normal. É recomendada uma avaliaçãheo para cadeiras de rodas aos pacientes que perderam a capacidade de coordenação dos movimentos do corpo. A tais pacientes, a fisioterapia é recomendada.

As dificuldades em engolir e a fala arrastada podem ser resolvidos, até certo ponto, com a ajuda de um terapeuta da fala.

Aos pacientes que sofrem duma deficiência vitamínica, pode ser aconselhada uma dieta especial.

Aos pacientes que têm movimentos oculares anormais e espasmos musculares, é prescrita medicação.

A ataxia cerebelar não progressiva, como as causadas por infeções virais, são curadas num curto período de tempo.

Os tratamentos para a ataxia cerebelar ajudam a reduzir a severidade dos sintomas. Muitos pacientes que sofrem de ataxia cerebelar levam uma vida normal, com a ajuda de tratamentos.