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25 de setembro de 2014

A grande carga social das ataxias




NEUROLOGIA
Estas doenças degenerativas do sistema nervoso caracterizadas pela incapacidade para coordenar os movimentos, não têm cura e incapacitam o paciente. Em Espanha, 8.000 pessoas sofrem de algum tipo de ataxia hereditária.


Sob o termo "ataxia cerebelosa hereditária" englobam-se cerca de 200 tipos de doenças degenerativas do sistema nervoso, em que as células nervosas que são parte do cerebelo começam a atrofiar, resultando numa sintomatologia e num grau de comprometimento variável, que depende de cada paciente e do tipo de ataxia. Mais de 8.000 pessoas padecem de algum tipo de ataxia hereditária, em Espanha. Estas doenças são geralmente progressivas e altamente incapacitantes: muitos pacientes precisam de usar uma cadeira de rodas desde a infância ou adolescência. E isso tem um alto custo social e de saúde.

"De acordo com um estudo recente, tendo em conta os dados de prevalência estimada em Espanha, só os custos totais para pacientes com ataxia espinocerebelosa atingem mais de 167 milhões de euros, dos quais apenas cerca de 21 correspondem a custos de saúde diretos", diz o Dr. Francisco Javier Arpa Gutiérrez, Coordenador da Comissão de Estudo de Ataxias e Paraplegias Espásticas Degenerativas (CEAPED) da Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN). "Estamos, portanto, a falar de doenças muito cruéis, que transportam uma carga social pesada e que precisam de adquirir a visibilidade que merecem."

Para enfrentá-la, está-se a tentar encontrar alvos terapêuticos para o desenvolvimento dum tratamento que pode retardar a progressão dessas doenças, mesmo no campo das células estaminais e no campo da terapia genética. "Em todo caso, os esforços dedicados ao estudo dessas doenças são inadequados, especialmente quando comparado com aqueles que se dedicam a outros processos neurológicos," diz o Dr. Arpa.

No Dia Internacional das Ataxias, assinalado a 25 de Setembro, quer-se promover o desenvolvimento do registo nacional de doentes (REDAPED) e aumentar os recursos da saúde, devido à complexidade da doença. Atualmente em Espanha há apenas cinco unidades de referência para as ataxias hereditárias, quando estima-se que pelo menos mais três seriam necessárias, de acordo com a SEN.

Uma melhor assistência ao paciente
.
"As ataxias espinocerebelosas, também chamadas de SCAs e sobretudo a Ataxia de Friedreich (AF) são, dentro das ataxias hereditárias, as doenças mais conhecidas," diz o Dr. Arpa. "Mas são doenças raras, de modo que, em geral, há uma ignorância social profunda em relação a elas, que condiciona os fundos adequados para a sua pesquisa e desenvolvimento posterior de tratamentos. Hoje em dia, exceto para um número de ataxias metabólicas, não há nenhum fármaco que possa curar a ataxia ou garantir 100% de retardamento da doença”.

Os sintomas começam com perda de equilíbrio e descoordenação na realização dos movimentos. Os primeiros sintomas podem aparecer em qualquer fase da vida: a infância, durante a adolescência, idade adulta e na velhice.

Dada a impossibilidade de um tratamento para curar a doença, só é possível promover a investigação e melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes. "As ataxias não têm cura, mas existem muitos sintomas e complicações associadas que podem ser tratadas de forma integrada e multidisciplinar", conclui Dr. Arpa. "Melhorando a formação continuada dos profissionais e melhorando a qualidade dos cuidados prestados, os pacientes obtém uma melhor qualidade de vida, tanto tempo quanto possível."



14 de setembro de 2014

Associação de Doenças Neuromusculares de Sevilha (Espanha)


A ASENSE é uma entidade a nível provincial, com ações específicas na Andaluzia (Espanha), sem fins lucrativos, composta por pessoas afetadas por doenças neuromusculares, familiares e profissionais da medicina, que promovem todos os tipos de ações e atividades de divulgação, investigação, sensibilização e informação que visa melhorar a qualidade de vida, integração e desenvolvimento dos afetados. Está federada na ASEM (Federação Espanhola de Doenças Neuromusculares).

Dois grupos de investigação hospitalar especializados em doenças neuromusculares mudam-se para o CIBERER  




O grupo de investigação liderado pela Dr.ª Isabel Illa no Serviço de Neurologia do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, Barcelona (Espanha) é incorporado como Unidade 762, enquanto o grupo de investigação liderado por Juan J. Vilchez no Serviço de Neurologia do Hospital La Fe, Valencia (Espanha) é incorporado como Unidade 763. Estas duas novas unidades são mudadas do CIBER para Doenças Neurodegenerativas (CIBERNED).
Os dois novos grupos vão participar do Programa de Investigação de Medicina Mitocondrial do CIBERER, o que pode expandir as suas linhas de investigação em doenças neuromusculares com um componente de translação.

A U762, liderada pela Dr.ª Illa, dedica-se à investigação translacional em doenças neuromusculares, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), distrofia muscular, miastenia gravis, imuno-mediada e miopatias inflamatórias com projetos de busca de biomarcadores, desenvolvimento de novas terapias ou terapia celular em modelos murinos.

A U763, liderada pelo Dr. Vilchez, realiza caracterização clínica e genética das neuropatias hereditárias motoras e sensoriais, diagnóstico das neuropatias genéticas e adquiridas, estudos clínicos e ensaios terapêuticos em distrofias musculares, imunopatogénese das ataxias hereditárias e adquiridas, e caracterização clínica e genética do miastenias congénitas. Além disso, este grupo colabora com outras cinco unidades do CIBERER desde 2012 através do consórcio TREAT-CMT no âmbito do consórcio internacional IRDiRC.

Esses dois grupos mudam-se com seus respetivos orçamentos e Recursos Humanos.



21 de outubro de 2011

Avaliação da eficácia neurológica do idebenone em pacientes pediátricos com ataxia de Friedreich: dados de um estudo controlado de 6 meses, seguido de um estudo aberto de 12 meses.

Meier T, Perlman SL, Rummey C, Coppard NJ, Lynch DR
Santhera Pharmaceuticals, Liestal, Súiça

Resumo

Este estudo tinha como objectivo a investigação da eficácia do idebenone nas funções neurológicas, avaliadas nas tabelas de classificação neurológica ICARS e FARS, em pacientes pediátricos com ataxia de Friedreich (FRDA). 68 pacientes pediátricos foram inscritos num estudo aberto (IONIA-E), onde recebiam idebenone (Catena®), numa dose ajustada ao peso de 1,350/2,250 mg por dia durante 12 meses, após os pacientes terem participado num estudo (IONIA), onde quer idebenone numa dose ajustada ao peso de 450/900 ou 1,350/2,250 mg por dia, quer um placebo, durante 6 meses. Foram sendo registadas as alterações nos totais e sub-totais do ICARS e FARS durante o estudo de 12 meses (IONIA-E), assim como o estudo combinado de 18 meses (IONIA e IONIA-E). Os dados analisados por um modelo ANCOVA, relativos a uma linha básica, resultaram em alterações na ICARS para o estudo IONIA-E de +0.98 pontos (SEM 0.73; p = 0.180), indicando uma tendência para piorar. Contudo, combinado com o estudo IONIA, a alteração foi de -1.03 + 0.68 pontos (p = 0.132), indicando uma tendência de melhoria da função neurológica durante o período de 18 meses. Salienta-se que os pacientes que receberam idebenone, 1,350/2,250 mg por dia, durante este período, apresentaram melhorias significativas nas funções neurológicas (alterações na ICARS: -3.02 + 1.22, p = 0.014). As melhorias nas funções neurológicas, ao longo do tempo, foram mais notadas quando a postura física e mental foram excluídas da análise. Foram obtidos dados comparáveis através da FARS. As descobertas do estudo aberto IONIA-E combinadas com o estudo IONIA, indicam que o idebenone, numa dose de 1,350/2,250 mg por dia, oferece benefícios terapêuticos aos pacientes pediátricos com FRDA, através da estabilização das funções neurológicas gerais e melhoria das capacidades motoras finas e discurso.


Fonte:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21779958?dopt=Abstract

17 de outubro de 2011

Ensaios clínicos podem permitir avanços na Doença de Machado

Manuela Lima, especialista em Genética Humana, falava à margem das XXXVII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas
2011-10-14
Por Lusa
 

Testes para atrasar a progressão dos sintomas
Os ensaios clínicos em curso a nível internacional para testar na doença de Machado-Joseph fármacos já usados noutras patologias semelhantes podem permitir minimizar ou retardar a progressão desta doença degenerativa, que afecta 90 pessoas nos Açores.

“Existe um conjunto de ensaios clínicos, devidamente registados nas bases de dados internacionais, que estão a usar fármacos que já foram testados noutras doenças para perceber se funcionam na doença de Machado-Joseph, tentando atrasar a progressão dos sintomas, nomeadamente os mais incapacitantes e que põe mais em causa o bem-estar e a qualidade de vida do doente”, afirmou hoje a investigadora Manuela Lima, da Universidade dos Açores.

Manuela Lima, especialista em Genética Humana, falava à margem das XXXVII Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas, que estão a decorrer em Ponta Delgada, onde proferiu uma conferência sobre a doença de Machado-Joseph nos Açores, uma patologia que provoca a perda de coordenação motora, não existindo actualmente um tratamento que permita bloquear a sua progressão.

A investigadora salientou que existem no arquipélago "cerca de 90 doe
ntes" com esta patologia, principalmente em S. Miguel e nas Flores, frisando que "a percepção é que a prevalência da doença não tem aumentado".

Manuela Lima sublinhou ser preciso "desmistificar que se trata de uma doença com origem nos Açores", alegando que "a região tem é uma prevalência elevada", o que faz com que "seja preciso investir na gestão dos doentes, proporcionando-lhes os cuidados de saúde adequados, e investigar com base no conjunto de doentes que o arquipélago tem".



Manuela Lima.
“A nossa ideia antiga de que era uma doença açoriana é uma ideia cientificamente errada, porque existem imensos casos no mundo que não têm ligação, nem com os Açores nem com o continente”

, frisou.
Para Manuela Lima, tendo em conta que a cura "não está a ser posta neste momento como uma possibilidade imediata", várias acções podem ser feitas "para melhorar a qualidade de vida dos doentes", nomeadamente o seu enquadramento numa associação como a que existe em S. Miguel.

"É uma doença que se manifesta em doentes de maneiras um pouco diferentes, daí a importância do trabalho de investigação e de intervenção médica", acrescentou, destacando a existência nos Açores da uma equipa multidisciplinar, envolvendo biólogos, neurologistas, especialistas em psicologia e geneticistas.

Manuela Lima recordou ainda que a Universidade dos Açores colabora, numa base semanal, no programa de aconselhamento genético que existe nos Açores desde 1995 e que permite disponibilizar um teste genético aos doentes e às famílias.


FONTE: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=51454&op=all

12 de setembro de 2011

Irregularidade descoberta em pacientes com tipo especifico de ataxia, que pode ser usada como alvo em tratamentos







Para: HEALTH, EDITORES MÉDICOS E NACIONAIS

Contacto: Mary F. Masson, +1-734-764-2220, mfmasson@umich.edu, Margarita Wagerson, +1-734-764-2220, mbauza@umich.edu

Investigadores da Universidade do Michigan (EUA) descobriram uma disfunção nos neurónios de ratos com Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3; esta descoberta pode ser relevante para uma maior gama de ataxias.

ANN ARBOR, Michigan (EUA), 08/09/2011 / PRNewswire-USNewswire / - Uma irregularidade descoberta, pelos investigadores da Universidade do Michigan, em ratos com Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3, pode representar um alvo para futuras terapias.
Num artigo publicado esta semana no Jornal de Neurociência, os investigadores da Universidade do Michigan descobriram que uma disfunção particular nos neurónios ocorre bem antes da morte destes, que é típico deste tipo de ataxia. Essa disfunção, uma alteração no comportamento neural, pode ser um pode ser um possível alvo para potenciais tratamentos.
“Nós estabelecemos num rato, um modelo da doença com o defeito específico na função neural, que ocorre na fase inicial da doença, bem antes da morte dos neurónios”, disse o autor líder, Dr. Vikram G. Shakkottai, M.B.B.S., professor assistente no Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan.
“Com mais estudo, esperamos descobrir que a disfunção neural inicial, precedendo a perda neural, possa ser relevante para a compreensão dos problemas motores numa gama mais vasta de ataxias.”
Cerca de 300.000 pessoas nos EUA padecem de ataxias e possivelmente até 20.000 padecem do tipo de ataxia que foi foco deste estudo: a Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3, também conhecida como a Doença de Machado-Joseph, especifica o co-autor Dr. Henry Paulson, professor de Neurologia na Universidade do Michigan.
Os sintomas da doença são lentamente progressivos, tais como problemas em andar e manter o equilíbrio, juntamente com dificuldades na deglutição e respiratórias. É uma doença incurável e actualmente não existe qualquer medicação para atrasar o curso da doença.
É o tipo de ataxia hereditária de transmissão dominante mais comum e pertence a uma classe de, pelo menos, nove doenças genéticas, denominadas ‘doenças de expansão poliglutaminica’. As mutações nas ‘doenças poliglutaminicas’ são irregularmente longas repetições duma repetição normal de três letras do código genético ADN.
“A ataxia é, na sua grande parte, um mistério. Muitas formas de ataxia são doenças incuráveis, até fatais, e este estudo providencia uma pista para a disfunção precoce nas células cerebrais, um avanço na forma como pensamos nesta classe de doenças degenerativas”, diz Paulson, que é também o director do Centro da Doença de Alzheimer da Universidade do Michigan.
O estudo mostrou que a activação de um tipo específico de canal de potássio foi bem sucedido em melhorar a disfunção motora nos ratos, e pode significar um potencial rumo para uma terapia para a doença humana.
“As nossas descobertas reenfocam a ideia que as disfunções neurais resultantes de problemas em canais, podem sublinhar alguns dos sintomas motores típicos destas ataxias, particularmente precocemente no curso da doença. Estes defeitos precoces na função neural podem ser um alvo para terapias,” diz Shakkottai.
Autores adicionais: Maria do Carmo Costa e James M. Dell’Orco, ambos do Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan; Ananthakrishnan Sankaranarayanan, da Universidade da Califórnia-Davis; e Heike Wulff, da Universidade de Nova Orleães.
Referência do jornal: JN-RM-2798-11



Fonte:



http://news.yahoo.com/abnormality-discovered-patients-specific-ataxia-could-target-treatment-195510795.html