2 de janeiro de 2014

Em Cuba, irão desenvolver novos estudos sobre ataxias hereditárias


Na província oriental cubana de Holguín, existe hoje a maior concentração de pacientes do país afetada pela Ataxia hereditária, doença caracterizada pela perda de coordenação dos movimentos, alterações no equilíbrio, fala e marcha.
 
Foi também detetado que a doença, causada por uma lesão ao nível do cerebelo, medula espinhal e nervos periféricos, tem uma maior incidência na população daquela região para ser portador ou sofrer da doença, em especial a Ataxia Espinocerebelosa tipo 2 (SCA2).
 
Por estas razões, foi criado no ano 2000, o Centro de Investigação e Reabilitação de Ataxias Hereditárias (CIRAH), que presta assistência médica e desenvolve projetos de investigação neste campo da medicina.
 
O seu atual diretor, o Dr. Luis Velásquez Pérez, partilhou com a antropóloga social argentina Irina Podgorny, especializada em História da Ciência, e o turco Ismail Çakmak, professor da Universidade Sabanci de Istambul, a atribuição do prémio de investigação Georg Forster, entregue pela Fundação Alexander von Humboldt, na Alemanha.
 
"Fui proposto para este prêmio por cientistas da rede Eurosca, uma rede europeia para o estudo das ataxias composto por nove grupos de investigadores de 22 países e um cientista americano", explicou Velásquez à Prensa Latina.
O prémio, dado pelos resultados alcançados no estudo deste problema há mais de 20 anos, está equipado com 60 mil euros, que serão destinados para a implementação de um projeto de investigação em colaboração com a Universidade de Tübingen, Alemanha, relacionado com a ataxia SCA2, afirmou.
 
"É um projeto cujo objetivo é a busca de novos alvos terapêuticos para combater a progressão ou a degeneração que ocorre no sistema motor desde os estágios iniciais da doença e que seria aplicável a outras formas de ataxias espinocerebelosas, compartilhando mecanismos similares".
 
Além disso, permitirá ampliar o conhecimento sobre as conexões entre essas células dentro do sistema nervoso e será mais fácil identificar os mecanismos que causam a morte deles, acrescentou.
 
O trabalho será desenvolvido com indivíduos com a mutação que causa ataxia espinocerebelosa tipo 2, ele disse.
 
Numa primeira fase, serão estudadas as rotas relacionadas, como os movimentos e em particular os neurónios localizados na medula espinhal e cérebro, mas desde fases muito iniciais, antes do início dos transtornos da coordenação, equilíbrio e marcha, ele disse.
 
"Isto permitirá identificar alvos para novos ensaios clínicos, mas de início precoce, que não tenham sido até agora em todo o país, mas tendo em conta a elevada prevalência da doença em nossa província, há uma oportunidade única a nível internacional", disse Velásquez, que pertence também à Academia de Ciências de Cuba
 
A Fundação Alexander von Humboldt anualmente financia investigações, na Alemanha, da autoria de mais de dois mil especialistas e possui uma rede mundial com mais de 26 mil cientistas de todas as disciplinas, incluindo 50 prémios Nobel.
 
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