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19 de dezembro de 2012

DMJ (Doença de Machado Joseph) Artigo elaborado por Drª Patricia Maciel para a APAHE


A doença de Machado-Joseph (DMJ), também conhecida como ataxia espinocerebelosa do tipo 3 (ou SCA 3), é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante. Foi descrita pela primeira vez, na década de 70, em famílias luso-americanas de origem açoriana. Geralmente tem início na idade adulta, entre os 35 e 50 anos de vida, podendo surgir mais tarde ou mais cedo dependendo da gravidade da doença. O principal sintoma é a alteração do equilíbrio e da coordenação dos movimentos (ataxia), sem nunca afectar o intelecto. Com a evolução da doença, surgem sintomas como alterações na fala, dificuldades na deglutição, visão dupla e dificuldades a caminhar ou a realizar outros movimentos. É causada por uma alteração genética que leva a alterações estruturais na proteína ataxina-3, tornando-a tóxica para os neurónios. Até ao momento, não existe cura ou tratamento específico para a doença. Porém, os sintomas podem ser aliviados com acompanhamento de fisioterapeutas, psicólogos, neurologistas e outros profissionais de saúde com o objectivo de melhorar a qualidade de vida do paciente. O  diagnóstico da doença de Machado-Joseph é feito através de um teste genético molecular que permite não só confirmar o diagnóstico clínico mas também prever a ocorrência da doença em familiares de pessoas afectadas, mesmo antes de ela começar.

Patrícia Maciel, licenciada em Bioquímica e doutorada em Ciências Biomédicas – Genética, pela Universidade do Porto, tendo efectuado o seu trabalho de doutoramento na McGill University no Canadá, dedica-se ao estudo desta doença há 20 anos. É actualmente investigadora do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), da Universidade do Minho, aonde lidera um grupo constituído por investigadores com áreas de formação variada envolvendo a Biologia, Bioquímica e as Ciências Farmacêuticas. O seu grupo tem como principais objectivos o desenvolvimento de estratégias terapêuticas para a DMJ, que são testadas em modelos animais criados pelo grupo, bem como o estudo da função normal da proteína ataxina-3 das vias celulares em que está envolvida.

No que diz respeito à proteína ataxina-3, pensa-se que através da sua actividade de hidrolase de ubiquitina, pode estar a modular a destruição (ou manutenção) de certas proteínas celulares. Além de identificar os alvos de acção da ataxina-3, o grupo pretende perceber como é que as interacções da ataxina-3 com os seus parceiros moleculares estão afectadas devido à mutação causadora da DMJ e se isto pode contribuir para a origem da doença, bem como avaliar concretamente de que forma a perda de função da ataxina-3 em neurónios contribui para a DMJ. Relativamente às abordagens terapêuticas, o grupo desenvolveu um modelo da DMJ inserindo o gene humano no nematode C.elegans, um verme com menos de 1mm com um sistema nervoso muito simples, mas muito bem caracterizado, no qual está a testar mais de 1000 compostos terapêuticos com o objectivo de identificar os que são capazes de reverter a doença neste organismo. Dos compostos mais relevantes são escolhidos potenciais candidatos que são testados num outro modelo, o ratinho transgénico de DMJ, também criado e desenvolvido pelo grupo, no sentido de testar fármacos capazes de reverter a doença. Muitos dos compostos que escolhem testar são actualmente usados na clínica para outro tipo de doenças, pelo que, se funcionarem nos modelos animais, poderão ser promissores para futuras terapias para a DMJ.

 
NOTA. A APAHE quer aqui deixar expresso o seu mais profundo e encarecido agradecimento à Dra. Patrícia Maciel, que teve a amabilidade de redigir este artigo para a APAHE.

9 de janeiro de 2012

A presença da APAHE no mundo da investigação científica

De momento, a APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias é co-financiadora de 2 (duas) investigações sobre ataxias hereditárias: 
Ø  Investigação levada a cabo pelo Dr. Pierre Rustin, sobre a ataxia de Friedreich (ver http://www.babelfamily.org/pt/component/content/article/34-news-database/172-o-projecto-do-prof-pierre-rustin-a-identificacao-de-alvos-adicionais-na-ataxia-de-friedreich), no Hospital Robert Debré (França), num período previsto de 5 anos (3 co-financiado por associações + 2 financiados por uma fundação particular), e que teve início em 2010. 

Ø  Investigação a ser levada a cabo pela Dra. Patrícia Maciel, sobre a Doença de Machado-Joseph (ver http://artigosataxiashereditarias.blogspot.com, entrada: 02/06/2011), na Universidade do Minho (Portugal), num período previsto de 2 anos, e que tem início previsto para o próximo mês (Fevereiro/2012). 

Os co-financiamentos de ambas as investigações são coordenados pela Ataxia UK (http://www.ataxia.org.uk).
Queremos agradecer a todos os n/ sócios e apoiantes, pois sem a ajuda deles, nada disto seria possível.
Esperamos poder continuar a realizar este tipo de acções.
A todos, o nosso mais profundo e sentido muito obrigado e bem-haja. 

Fátima d’Oliveira

Presidente da Direcção da APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias