18 de dezembro de 2014

Concurso Fotográfico de 2014 da EURORDIS: Os vencedores são...

Concurso Fotográfico de 2014 da EURORDIS: Os vencedores são...

O sequenciamento do exome nas ataxias hereditárias e esporádicas não diagnosticadas


Angela Pyle, Tania Smertenko, David Bargiela, Helen Griffin, Jennifer Duff, Marie Appleton, Konstantinos Douroudis, Gerald Pfeffer, Mauro Santibanez-Koref, Gail Eglon, Patrick Yu-Wai-Man, Venkateswaran Ramesh, Rita Horvath, Patrick Chinnery F.


Resumo

As ataxias hereditárias são clinicamente e geneticamente heterogéneas e um diagnóstico molecular não é possível na maioria dos pacientes. Tendo as causas esporádicas, hereditárias e metabólicas comuns sido excluídas, usámos uma abordagem de sequenciamento do exome completo imparcial em 35 indivíduos afetados, a partir de 22 famílias selecionadas aleatoriamente de ascendência europeia branca. Definimos o diagnóstico molecular provável em 14 das 22 famílias (64%). Isto revelou mutações dominantes “de novo”, genes de doenças validadas previamente descritas em famílias isoladas, e ampliou o fenótipo clínico de genes de doenças conhecidas. O rendimento do diagnóstico foi o mesmo, quer em pacientes mais jovens, quer em pacientes com o aparecimento mais tardio, incluindo casos esporádicos. Demonstrámos o impacto da sequenciação do exome num grupo de pacientes notoriamente difíceis de diagnosticar geneticamente. Isto tem implicações importantes para o aconselhamento genético e prestação de serviços de diagnóstico.




15 de dezembro de 2014

O investigador Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra, vai liderar um novo estudo europeu sobre as doenças de Parkinson e de Machado-Joseph, anunciou esta segunda-feira a Universidade de Coimbra.


Visando identificar potenciais alvos terapêuticos nas doenças de Parkinson e Machado-Joseph, este novo projeto europeu, intitulado ‘SynSpread’, foi aprovado pelo programa ‘Joint Programme-Neurodegenerative Disease Research’ (JPND).
O programa comunitário JPND é “a maior iniciativa global de combate às doenças neurodegenerativas”, tendo como objetivo “fomentar a descoberta das causas e tratamentos destas patologias”.
Com a duração de três anos e um orçamento global de 750 mil euros, o projeto pretende “compreender o papel da migração de proteínas” envolvidas naquelas duas “doenças incuráveis”, refere a UC, numa nota hoje divulgada.
“A investigação visa estudar a interação que a autofagia (mecanismo de limpeza no interior da célula) estabelece com a secreção de exossomas (vesículas expelidas pelas células), e como contribuem para a difusão da doença a outras células do cérebro”, adianta Luís Pereira de Almeida.
O estudo será realizado em neurónios de doentes com Parkinson e Machado-Joseph e recorrerá a “técnicas de neuroimagem para mapear o caminho que as proteínas percorrem no contexto da autofagia e secreção de exossomas no cérebro”, explica o cientista do CNC e docente da UC.
“Os resultados desse mapeamento poderão contribuir” para se prever “a progressão das doenças neurodegenerativas”, admite o especialista.

Luís Pereira de Almeida vai coordenar uma equipa portuguesa, constituída por duas dezenas de cientistas, e equipas de investigadores da Universidade do Luxemburgo e da Universidade Paris Descartes.


FONTE:  http://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/investigador-portugues-lidera-estudo-europeu-sobre-parkinson

14 de dezembro de 2014

Natal 2014

A APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias deseja a todos os associados e amigos umas festas muito felizes.


13 de dezembro de 2014

Investigadores identificam células estaminais que podem ser reprogramadas


Um estudo importante: o Professor Thomas Preiss de ANU JCSMR (Escola de Investigação Médica John Curtin da Universidade Nacional Australiana), que esteve envolvido num projeto internacional investigando células estaminais. Foto: Graham Tidy

Os cientistas, incluindo alguns de Canberra (Austrália), identificaram um novo tipo de célula estaminal que é mais fácil de cultivar e manipular como parte de um grande estudo detalhando as mudanças que as células sofrem à medida que são reprogramadas em células estaminais.

Especialistas de todo o mundo, incluindo alguns da Escola de Investigação Médica John Curtin da Universidade Nacional Australiana (Austrália), realizaram o estudo mais detalhado de como as células especializadas do corpo podem ser reprogramadas para ser como as células do embrião.

"O principal objetivo com este trabalho é desenvolver terapias na medicina regenerativa, que é uma abordagem terapêutica em que se acaba, em última instância, por substituir células, tecidos ou órgãos que estão a falhar num paciente com peças de substituição que são feitas em laboratório a partir de células do próprio paciente ou a partir de células estaminais geneticamente muito semelhantes", disse o professor Thomas Preiss da ANU JCSMR.

O Professor Preiss disse que se espera que a investigação possa ajudar a acelerar o desenvolvimento de tratamentos para muitas doenças.

"Há uma série de doenças, onde os tecidos são danificados ou células são perdidas. Variam de doenças neurodegenerativas a lesões medulares, acidentes vasculares cerebrais (AVC), diabetes, doenças sanguíneas e renais e, em última análise, talvez, até mesmo as doenças cardíacas", disse ele.

"Eu não estou a dizer que a nossa publicação permite imediatamente qualquer destas terapias, mas estamos a trabalhar na base molecular de compreender o processo de produção de células que seriam úteis para este tipo de terapia."

Cinquenta especialistas em tecnologias de biologia das células estaminais e genómica têm estado envolvidos no Projeto Grandioso que mapeou o processo molecular detalhado envolvido na geração de células estaminais pluripotentes induzidas (iPS).

Desde 2012 que a descoberta vencedora do Prémio Nobel, de que as células do corpo podem, em princípio, ser estimuladas para se tornarem células iPS, tem havido um aumento na investigação para entender melhor a reprogramação das células iPS.

"Desde então, a corrida tem sido a tornar esse processo mais eficiente para que possa ser mais económico como base para a terapia e também para atender às preocupações de segurança em torno do método original no qual as células iPS eram feitas", Professor Preiss.

"O nosso trabalho é fornecer um nível de detalhe molecular sem precedentes sobre este processo de reprogramação, o que acontece durante esse processo.”

"Compreender o processo é o primeiro passo para ser capaz de controlá-lo melhor, tornando-o mais eficiente e mais seguro."

O Professor Preiss disse que um novo tipo de célula estaminal que pode ser criada em laboratório, também tinha sido descoberta.

"Essa célula estaminal, que está relacionada com as células iPS, é molecularmente distinta e tem propriedades diferentes", disse ele.

"Algumas das propriedades são potencialmente vantajosas para uma abordagem da medicina regenerativa".

O Professor Preiss disse que o novo tipo de célula estaminal que foi identificada, era mais fácil de cultivar e manipular o que ajudaria "nos esforços de investigação de fármacos e modelagem da doença em laboratório".

O Professor Preiss descreveu a investigação como "ciência básica com uma promessa muito clara para a terapia médica futura".

O consórcio do Projeto Grandioso publicará cinco trabalhos na Nature e Nature Communications.

Os investigadores da ANU contribuíram com ideias, dados e análises para quatro dos trabalhos e coordenaram esforços com outros contribuintes australianos.



10 de dezembro de 2014

Já disponível: Resumo Executivo da Conferência Europeia sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos de 2014

Na ECRD deste ano, esteve presente um número recorde de 768 participantes, de 43 países, e foram apresentados mais de 200 posters, tornando estaConferência Europeia sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos (ECRD) a maior de sempre desde a sua primeira realização, em 2001.
A 7.ª ECRD, coorganizada pela EURORDIS e pelaDIA (Associação de Informação sobre Medicamentos), realizou-se em maio deste ano, em Berlim. Já está disponível o Resumo Executivo da ECRD: transfira-o para ver o programa completo da conferência, a lista de participantes e de posters e os resumos dos temas e das sessões.

Pode ainda encontrar um suplemento das apresentações dos oradores e dos posters publicado no Orphanet Journal of Rare Diseases.
O evento, que se realiza de dois em dois anos, é uma plataforma única que agrega todas as doenças raras e todos os países europeus, reunindo representantes dos doentes, do meio académico, profissionais de saúde, indústria, entidades financiadoras, entidades reguladoras e decisores políticos.
O Puzzle das Doenças Raras
O tema da ECRD deste ano foi «O puzzle das Doenças Raras: dar forma à ação»; as peças do puzzle representam as necessidades que a comunidade das doenças raras identificou ao longo das últimas décadas, mas ainda há o desafio de combinar essas peças para desencadear ações e ajudar a formar um plano coerente para as doenças raras.
Durante a sessão de abertura, Lesley Greene, Vice-Presidente do Comité dos Medicamentos Órfãos da Agência Europeia de Medicamentos, Vice-Presidente da Climb (Crianças que Vivem com Doenças Metabólicas Hereditárias) e Representante dos Doentes voluntária na EURORDIS, comentou, «Os praticamente 800 participantes que estiveram presentes na ECRD 2014, em Berlim, representam as várias peças de um puzzle, em que cada um procura uma solução para o mesmo resultado final. Os doentes e as suas famílias são obrigados a fazer esta pesquisa; no dia em que recebem a notícia de que eles ou um ente querido sofre de uma doença rara, a sua vida muda – a partir daí, passam a maior parte do tempo e da sua energia à procura de informação, investigação dedicada, cuidados, tratamentos e uma cura. Outras partes interessadas, dos investigadores à indústria, são atraídos quer pelo interesse, quer pelo desejo de ajudar a aliviar o sofrimento e tentar transformar o intratável em controlável e curável.» Para Lesley Green, a ECRD 2014 de Berlim consistiu na reunião, partilha, colaboração e, com a presença e a participação de todos na conferência, em dar forma ao puzzle das doenças raras.
Objetivos e temas da ECRD
Este ano, os objetivos da conferência foram: divulgar as informações de saúde mais atualizadas sobre doenças raras; demonstrar a importância das ações relativas às doenças raras a nível europeu; elaborarestratégias e mecanismos para aumentar a troca de informação entre as partes interessadas e trocarconhecimentos e boas práticas sobre todas as questões de saúde nas doenças raras.
No total, realizaram-se 38 sessões que cobriram os seguintes seis temas:
Melhoria dos cuidados de saúde
Geração e divulgação de conhecimentos
Investigação – da descoberta até aos doentes
Práticas atuais e inovadoras nos produtos órfãos
Conceitos emergentes e políticas futuras sobre as terapias das doenças raras
Para além dos cuidados médicos
 
Tome nota
Não perca a próxima ECRD, que terá lugar de 26 a 28 de maio de 2016 em Edimburgo, na Escócia!


Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira

FONTE:  http://www.eurordis.org/pt-pt/news/ja-disponivel-resumo-executivo-da-conferencia-europeia-sobre-doencas-raras-e-produtos-orfaos-de-2014

9 de dezembro de 2014

Berto e Buenafuente, pela Ataxia

O teatro Borràs, em Barcelona (Espanha) receberá a 19 de Janeiro um festival de solidariedade em benefício da Ataxia de Friedreich, uma doença rara que afeta dois jovens irmãos de Alcañiz (Espanha), Adrian e Yolanda. Atuarão comediantes de reconhecido prestígio, como Andreu Buenafuente, Berto Romero, Toni Moog, Mago Pop e Peyu, entre outros. Todo o dinheiro arrecadado irá para a Associação de Familiares e Afetados pela Ataxia de Friedreich do Baixo Aragão (ASABAF) e para a Plataforma para a Cura da Ataxia de Friedreich (GENEFA). Os bilhetes podem ser adquiridos via internet e será posto à disposição pelo menos um autocarro, a partir da capital baixo-aragonesa (Teruel, Espanha).
Esta iniciativa surgiu quando a mãe dois jovens e presidente da associação baixo-aragonesa, Margarita Antolin, conseguiu a colaboração de Romero quando ele se apresentou em Alcañiz, em 2013, no Mês da Comédia. Conforme explica Antolin no site da associação, a passagem de Romero por Alcañiz marcou um antes e depois para a ASABAF. "Com ele, temos a esperança de divulgar ao máximo a nossa associação e o seu objetivo a muitos cidadãos e personagens reconhecidos no país", diz ela. Após a primeira reunião, Antolin manteve estreito contato com Romero, via telefone e redes sociais. Reuniram-se mesmo numa das visitas médicas da sua filha Yolanda a Barcelona, para elaborar detalhes da gala.
A ASABAF é uma associação que surgiu em 2013 por iniciativa de Antolin. A sua finalidade é sensibilizar e divulgar a situação e dificuldades dos pacientes com Ataxia de Friedreich e suas famílias, lutar para a investigação de um tratamento eficaz e preventivo para a doença e cobrir as necessidades mais urgentes das pessoas afetadas. A ASABAF colabora ativamente com o Projeto GENEFA, para a investigação usando terapia genética para curar a Ataxia de Friedreich.




0 que é a ataxia?


Insuficiência do Movimento: É uma condição que reduz a capacidade para coordenar os movimentos e pode também ser usado como um termo para qualquer uma das mais de 200 doenças do sistema nervoso que apresentam estes sintomas.

No dia 25 de Setembro assinalou-se o Dia Internacional das Ataxias. É uma doença que reduz a capacidade para coordenar os movimentos e pode também ser usado como um termo para qualquer uma das mais de 200 doenças do sistema nervoso que apresentam estes sintomas. Estima-se que 8.000 pessoas em Espanha sofram de algum tipo de ataxia hereditária.

Conforme explicou o coordenador da Comissão do Estudo de Ataxias e Paraplegias Espásticas Degenerativas da Sociedade Espanhola de Neurobiologia (SEN), Francisco Javier Arpa Gutiérrez "apenas o termo ataxia hereditária engloba mais de 200 tipos de doenças metabólicas, congénitas, devidas a defeitos de reparação no ADN, mitocondriais, canalopatias e devidas ao defeito das configurações e degradação de proteínas. Esta heterogeneidade condiciona que se diagnostique etiologicamente (com motivo razoável) uma percentagem muito baixa destas doenças e para alcançar o seu futuro tratamento também se torna difícil.” Na verdade, de acordo com o mesmo médico, "apenas cerca de 11% das ataxias têm um diagnóstico etiológico conhecido, pelo que melhorar este aspeto é absolutamente necessário se queremos desenvolver tratamentos futuros", ele explica.

As ataxias hereditárias são geralmente progressivas e geralmente não têm uma cura definitiva, além de ser muito incapacitantes. Os médicos tem-las divididos de acordo com o seu método de hereditariedade, de modo que podem ser autossómicas dominantes (como as ataxias espinocerebelosas, também chamadas SCA), autossómicas recessivas (como a Ataxia de Friedreich), ataxias relacionadas com uma doença mitocondrial e ligadas ao cromossoma. No entanto, cada doença e o seu grau de progressão depende de muitos outros fatores, tais como o ambiente, a genética do indivíduo, etc.

Hoje, existem cinco centros em Espanha dedicados às ataxias e paraplegias hereditárias, o Hospital Universitário La Fe, em Valência, o Hospital Universitário La Paz em Madrid, o Hospital Universitário Marqués de Valdecilla em Santander e os Hospitais Clínico e Sant Joan de Déu em Barcelona, embora do ponto do SEN sejam necessários dois ou três outros centros para fornecer o melhor cuidado.




7 de dezembro de 2014

A ataxia espinocerebelosa tipo 36 (SCA36) existe em diversas populações e pode ser causada por uma curta expansão da repetição GGCCTG hexanucleotide


Masato Obayashi, Giovanni Stevanin, Matthis Synofzik, Marie-Lorraine Monin, Charles Duyckaerts, Nozomu Sato, Nathalie Streichenberger, Alain Vighetto, Virginie Desestret, Christelle Tesson, H-Erich Wichmann, Thomas Illig, Johanna Huttenlocher, Yasushi Kita, Yuishin Izumi, Hidehiro Mizusawa, Ludger Schöls, Thomas Klopstock, Alexis Brice, Kinya Ishikawa, Alexandra Dürr


Resumo

Objetivo
A ataxia espinocerebelosa 36 (SCA36) é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante, causada por uma grande (>650) expansão da repetição GGCCTG hexanucleotide no primeiro intrão do gene NOP56. O objetivo deste estudo é esclarecer a prevalência, características clínicas e genéticas da SCA36.

Métodos
A expansão foi testada em 676 casos de SCA independentes e 727 controles da França, Alemanha e Japão. As características clínicas e neuropatológicas foram investigadas em membros da família disponíveis.

Resultados
Os alelos normais variam entre 5 e 14 repetições hexanucleotide. As expansões foram detetadas em 12 famílias em França (prevalência: 1,9% de todas as SCAs francesas), incluindo uma família com ascendência espanhola, outra com ascendência portuguesa e outra com ascendência chinesa; em cinco famílias no Japão (1,5% de todas as SCAs japonesas); mas estavam ausentes em pacientes alemães. Todas as 17 famílias com SCA36 compartilhavam um haplótipo comum para a região de pares 7,5 kb ladeando a expansão. Enquanto 27 indivíduos tinham expansões tipicamente longas, três indivíduos afetados abrigavam pequenas expansões hexanucleotide de 25, 30 e 31 unidades de repetição hexanucleotide, demonstrando que uma pequena expansão pode causar a doença. Todos os pacientes apresentaram ataxia cerebelosa lentamente progressiva frequentemente acompanhada de problemas cognitivos e auditivos, tremores, ptose e sensação reduzida de vibração, com a idade de início variando entre os 39 e os 65 anos, e as características clínicas não apresentaram diferenças entre os indivíduos com expansões curtas e os com tipicamente longas. A neuropatologia num caso pré-sintomático revelou que as células Purkinje e os neurónios hipoglossais são afetados.

Conclusões
A SCA36 é rara, com uma distribuição mundial. Ela pode ser causada por uma curta expansão GGCCTG e associa vários sintomas extra-cerebelosos.




5 de dezembro de 2014

Ataxias hereditárias


São ataxias que, como o nome sugere, são herdadas e, embora o sintoma dominante seja a ataxia, geralmente há outros sintomas acompanhantes, alterando outras estruturas do sistema nervoso (gânglios da base, tronco cerebral, medula espinhal ou nervos periféricos).

Os mecanismos hereditários podem ser:
·         Autossómico dominante
·         Autossómico recessivo
A classificação genómica foi substituída, nos últimos tempos, pelas classificações acima mencionadas.

Existem várias formas clínicas, mas só se irão listar as mais importantes.

1) Ataxias autossómicas dominantes

As características mais frequentes e principais de cada um dos síndromas:

SCA 1. Anteriormente conhecida como ataxia olivopontocerebelosa.
Manifesta-se no começo ou em plena idade adulta.
Aparece uma ataxia progressiva no tronco e extremidades.
Há uma óbvia lentidão dos movimentos voluntários.

Diminuição do equilíbrio. Disartria (dificuldade em pronunciar as palavras) silabeante.
Rigidez muscular e, ocasionalmente, tremor parkinsoniano.
São frequentes as alterações do esfíncter.
Paralisia oculomotora e/ou paralisia facial, ou seja, paralisia dos movimentos oculares ou faciais
Às vezes, uma demência leve está associada.
Na Ressonância Magnética é evidente a atrofia cerebelosa.


SCA 2. Este fenótipo clínico foi descoberto em cubanos e em hindus.
A idade de início varia entre os 2 e os 65 anos.
Os sintomas são variados e incluem:
Movimentos oculares lentos.
Rigidez parkinsoniana.
Ataxia.
Disartria.
Espasticidade leve.

SCA 3 ou doença de Machado-Joseph (DMJ).
É a ataxia hereditária autossómica dominante mais comum.
Inicialmente detetada em portugueses e seus descendentes em Nova Inglaterra (EUA) e Califórnia (EUA).
Existem três tipos:
Tipo I (Tipo esclerose lateral amiotrófica (ELA)-parkinsonismo-distonia)
Aparece nos primeiros 20 anos de vida.
Há fraqueza e espasticidade nos membros, especialmente nos inferiores.
Distonia rosto e pescoço, tronco e extremidades.
Marcha lenta e rígida.
Nistagmo e movimentos oculares rápidos.
Espasmos e mioclonias.
Dificuldade em engolir e falar devido à espasticidade na faringe   .
Tipo II (Tipo atáxico)
Aparece entre os 20 e os 40 anos.
A ataxia e a disartria são visíveis.
É a forma mais comum da doença.
Paralisia ocular.
Espasmos faciais e da língua.
Tipo III (Tipo ataxia-amiotrofia)
Manifesta-se entre os 50 e os 70 anos.
Há uma marcha atáxica e disartria acentuadas.
Atrofia distal por neuropatia periférica.
Défice sensorial distal evidente.
No geral, nesta doença (SCA3), os sintomas continuam a piorar até levar à morte dentro de 15 anos, desde o início, especialmente em pacientes com os tipos I e II.



3 de dezembro de 2014

Avanços no diagnóstico de doenças neurogenéticas






http://www.brasilfashionnews.com.br/noticias_detalhe.aspx?id=23837

O mérito da espectroscopia da ressonância magnética de protões na avaliação longitudinal de ataxias espinocerebelosas e sistemas múltiplos tipo atrofias-cerebelosas (Perspetivas Epidemiológicas & Inovações)



Background:
As ataxias espinocerebelosas (SCA) e sistemas múltiplos tipo atrofia-cerebelosa (MSA-C), muitas vezes apresentam manifestações clínicas semelhantes no início. A espectroscopia da ressonância magnética (MRS) tem provado ser uma ferramenta útil para ajudar a diferenciar os diferentes tipos de SCA e MSA-C em estudos transversais. No entanto, nunca foram relatadas alterações longitudinais dos metabolitos da MRS nestes sujeitos. O objetivo deste estudo foi o de acompanhar a evolução longitudinal dos metabólitos da MRS nestes pacientes e verificar a correlação entre a severidade clínica medida pela Escala de Avaliação e Classificação da Ataxia (SARA) e os metabólitos da MRS.

Resultados:
As reduções significativas de NAA/Cr e NAA/Cho nos hemisférios do cerebelo em todos os pacientes e menos Cho/Cr nos hemisférios do cerebelo em pacientes com SCA2 ou MSA-C foram encontrados em todos os momentos. Nas avaliações iniciais, os pacientes com MSA-C ou SCA2 tendiam a ter menos NAA/Cr e Cho/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA3 ou SCA6. Nos seguimentos, os pacientes com SCA2 ou MSA-C tinham menos NAA/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA3 ou SCA6. Os pacientes com MSA-C tinham menos NAA/Cr na vermis e menos Cho/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA2 no início, e tinham menos NAA/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA2 nos seguimentos.

Conclusão:
Os padrões característicos de evolução neurodegenerativa foram observados em pacientes com SCAs díspares e MSA-C usando a MRS e a SARA. A deficiência continuada da integridade neuronal foi observada em todos os grupos de pacientes. As mudanças longitudinais de metabolitos da MRS e as avaliações SARA eram mais marcantes em pacientes com SCA2 e MSA-C. Embora as alterações nos metabolitos da MRS posam ainda ser usadas para ajudar a compreender a patofisiologia dos distúrbios atáxicos, estão longe de serem um bom biomarcador.