25 de maio de 2015

As avaliações da Escala da Ataxia de Friedreich descrevem as características clínicas


As escalas de avaliação usadas ​​para descrever sucintamente a gravidade da ataxia de Friedreich e do impacto na qualidade de vida dos pacientes variam entre ser abrangentes o suficiente para descrever adequadamente os sintomas do paciente e excessivamente detalhadas e complicadas. Um novo estudo publicado no Journal of the Neurological Sciences comparou duas escalas, a Escala de Impacto da Ataxia de Friedreich (FAIS) e a 2.ª Versão Curta do Formulário do Inquérito de Saúde (SF-36v2), para determinar a relação entre as avaliações e as características dos pacientes ao longo do tempo.

"A pontuação total da Escala de Avaliação da Ataxia de Friedreich (FARS), idade de início e duração da doença, estava significativamente correlacionada com as subescalas FAIS na medição dos sintomas e do funcionamento físico", declararam os autores do estudo, "Um Estudo Longitudinal de Escala de Impacto da Ataxia de Friedreich." " As medidas sumárias físicas e mentais da SF-36 V2 também se correlacionaram bem com as subescalas FAIS."

Mais de 100 pacientes com ataxia de Friedreich causada por duas cópias da expansão GAA no intrão 1 de FXN (o gene que codifica a proteína frataxina) foram incluídos no estudo. Os pacientes completaram o FAIS no início do estudo. A meio do estudo (12 meses), 70 indivíduos foram reavaliados, e no final do estudo (24 meses), 49 indivíduos apresentaram dados finais.

Olhando para as pontuações, parece que as escalas poderiam dar uma indicação da gravidade da doença e do estado de saúde dos pacientes. No entanto, as escalas detetaram alterações mínimas ao longo do tempo, o que levou os investigadores a questionar a sua utilização durante os estudos de intervenção.

Para completar a FAIS, são medidas oito áreas: fala, função do membro superior, função do membro inferior, movimento do corpo, tarefas complexas, isolamento, humor e auto-perceção. Estas zonas contêm um total de 126 itens para criar a FAIS. Da mesma forma, no SF-36v2, são usadas oito escalas: função física, papéis físicos, dor corporal, saúde geral, vitalidade, função social, papel emocional e saúde mental. Cada uma destas áreas contém vários itens, resultando em 36 itens utilizados para descrever as características clínicas da ataxia de Friedreich. Aglomerando grupos semelhantes em conjunto, a SF-36v2 fornece duas medidas sumárias: saúde física e saúde mental.

Ao avaliar a FAIS, os investigadores descobriram uma forma sobre descrever o estado de saúde de pacientes com ataxia de Friedreich. A definição dessas medições podem ser úteis na criação de uma única "linguagem" para usar quando se discute ensaios clínicos para a ataxia de Friedreich e opções de tratamento gerais para os pacientes.


(artigo traduzido)




23 de maio de 2015

Desejo de um último passeio num helicóptero, dum veterano das Forças Armadas dos EUA, é concedido

Redding, Califórnia, EUA - John Hayes é um Ranger do Exército dos EUA veterano de 52 anos, que vive com a doença de Machado-Joseph. Um de seus últimos desejos era voar num helicóptero uma última vez e o seu desejo tornou-se realidade.

"Vale a pena fazer coisas por ele. Ele é alguém por quem faria qualquer coisa,” disse o amigo e veterano do Vietname, Gregg Schrumpf.

Hayes serviu em Grenada, onde saltar de helicópteros era uma segunda natureza. Ele saltou de C-130, C-141 e helicópteros Chinook cerca de 140 vezes.

Sabendo do amor de Hayes por helicópteros, Schrumpf falou com a Air Shasta (empresa norte-americana de helicópteros) num capricho, para ver se podia pagar-lhe um último passeio. Christine Everson, da Air Shasta, decidiu ver o que podia fazer para ajudar e as doações começaram a aparecer.

"Todos trabalharam juntos para conseguir este feito. Foi simplesmente fantástico", Schrumpf partilhou.

O dia começou com uma procissão liderada por escoltas do Projeto Missing in America (Desaparecidos na América), bem como Minis da Shasta (Shasta Minis – Organização). Hayes foi conduzido num Mini da Shasta decorado patrioticamente.

Chegaram à Air Shasta no Aeroporto Municipal de Redding e colocaram Hayes no helicóptero para visitar alguns dos seus lugares favoritos.

Hayes, Schrumpf e a cuidadora de Hayes, Jenni Church, foram todos passageiros do passeio.

"Foi incrível. Também foi ótimo assistir o John o máximo que eu pude vê-lo. Foi realmente uma bela experiência," Church partilhou enquanto se sentava ao lado de Hayes.

Church cuida de Hayes há seis anos.

"Tudo que ele quer é ser amado e eu tenho muito para lhe dar", disse Church.

Após o passeio, todos se divertiram num almoço, com alguns risos sobre toda a experiência. Church disse que é uma experiência John nunca vai esquecer.

"John é um veterano. Ele está muito orgulhoso do seu serviço e de ter sido capaz de servir o seu país, e eu acho que poder honrá-lo desta maneira é uma coisa realmente maravilhosa", explicou Church.


Grenada – ilha situada no Mar das Caraíbas, é um país independente desde 1974. Entre 25 de outubro e 15 de novembro de 1983 foi invadido pelos EUA, numa tentativa de repor o governo eleito, anteriormente deposto em 1979.


(artigo traduzido)




22 de maio de 2015

Mais um feito atáxico!

 


No próximo dia 27 de junho de 2015, sábado, pelas 16h00, no Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Fátima, vai ter lugar o lançamento do livro “ELA – Essência de uma Princesa”, da autoria de Manuela Pereira e Elisa Silva.
Estão todos convidados a comparecer neste lançamento!
Elisa Silva é atáxica (tem ataxia de Friedreich) e já foi notícia neste mesmo blogue, no dia 10 de fevereiro de 2015 (http://artigosataxiashereditarias.blogspot.pt/2015/02/viver-com-ataxia-de-friedreich-um.html), com um vídeo onde falava da sua experiência sobre viver com a doença.
A seguir, indicamos mais pormenores sobre o livro e o seu lançamento:

Livro
Título: “ELA – Essência de uma Princesa”
Autora: Manuela Pereira & Elisa Silva
Ano: 2015

Lançamento
Dia: 27/06/2015
Hora: 16h00
Localidade: Fátima
Local: Colégio do Sagrado Coração de Maria, Rua Jacinto Marto n.º 40, 2495-450 Fátima




20 de maio de 2015

Finalista da Escola Secundária de Buchholz (Gainesville, FL, EUA) supera doença rara para a festa de formação

Josh Wooten, de 17 anos de idade e finalista na Escola Secundária de Buchholz, vai-se formar este mês e espera tornar-se engenheiro civil. Ele também mal consegue andar.

Josh tem uma doença genética rara chamada ataxia de Friedreich (AF), em que o organismo não produz a quantidade suficiente duma determinada proteína, chamada fraxatina. Sem esta proteína, o corpo tem danos nos nervos, fraqueza cardíaca, e os movimentos se vão tornando cada vez mais difíceis, de acordo com os investigadores que estudam a doença na Universidade da Flórida (EUA).

Ou, como diz o Josh, que faz com que pareça estar bêbado.

"A ataxia de Friedreich é como estar sempre bêbado, mas sem a parte divertida", disse ele. "Uma pessoa está sempre cansada e constantemente sem equilíbrio. Já aconteceu pessoas chamarem a polícia quando me viram dirigir-me para o meu carro, porque achavam que eu estava bêbado. Realmente é uma porcaria."

Josh começou a mostrar sinais de enfraquecimento nos reflexos quando tinha apenas 7 anos de idade, de acordo com a sua mãe. A família passou de médico para médico, à procura de uma explicação, na esperança de uma cura simples. Quando Josh fez 10 anos, eles descobriram que era AF, e logo depois Josh começou a ter problemas em andar de bicicleta e jogar futebol, as suas atividades favoritas.

"Logo antes do seu 10.º aniversário, ele foi para acender uma vela e suas mãos tremiam tanto que ele não podia acender um fósforo," a mãe de Josh, Karla Wooten, lembrou. "E nesse ano, fisicamente, ele não tinha reflexos no joelho. Eu ficava a pensar, por que é que o martelo não se está a mexer? A mente não pensa uma coisa muito má ao princípio, sabe? Não queremos pensar nisso, porque é o nosso filho.”

A AF é uma doença degenerativa e a maioria dos pacientes que sofrem dela não chegam a comemorar o seu 40º aniversário. Primeiro vão-se os reflexos, depois o movimento, depois o coração. Até agora, todas as opções de tratamento têm-se centrado no alívio dos sintomas, para que aqueles com AF possam levar uma vida relativamente normal, sem dor. O sucesso tem sido limitado. A terapia genética que está a ser investigada na UF (Universidade da Flórida, EUA), no entanto, tenta curar o problema na raiz, de acordo com Manuela Corti, PT, Ph.D.

"Estamos a desenvolver uma estratégia de terapia genética que corrige a deficiência de frataxina no coração e sistema nervoso central", disse Corti. "Esta estratégia consiste em substituir o gene incorreto que causa a doença por uma cópia correta do gene."

O estudo está na fase preliminar. Corti e o colega investigador, Dr. Barry Byrne, concluíram o desenvolvimento da terapia genética e reuniram provas de que o medicamento que criaram é bem sucedido em restaurar os níveis de frataxina nas células que apresentam uma deficiência.

Corti disse que o próximo passo é testar a segurança e a eficácia do medicamento em animais de pequeno e grande porte. A esperança é fazer avançar esta tecnologia ao nível de testes em humanos dentro de dois anos.

Claro, estudos abrangentes, como este exigem grandes financiamentos.

Atualmente, a investigação é apoiada pela Rede Infantil Miracle (Children’s Miracle Network) e vários subsídios da universidade. A comunidade também se está a unir para ajudar o amigo e vizinho. Através de várias angariações de fundos, a família Wooten e os seus apoiantes já reuniram mais de vinte mil dólares para a investigação.

A colega de Josh em Buchholz, Emily Bowers, tem estado à frente de muitos dos esforços e feito de tudo, desde vender chocolate quente aos seus colegas, até organizar uma "Guerra do Centavo" numa escola primária, para suscitar interesse nas crianças e nos pais em doar para a causa.

Bowers consegue isso através de um grupo chamado de Força Ocupacional Saudável da América (Health Occupation Strenght of America), ou HOSA, que é um clube em todo o país para estudantes que incentivam o serviço comunitário. A sua criatividade já resultou em milhares de dólares angariados.

"Eu conheço Josh desde o segundo ano e quando descobri que ele estava num ensaio clínico, quis ajudar, tanto quanto podia," disse Bowers. "Eu só queria angariar tanto dinheiro quanto possível para ele e espero continuar quando for para a faculdade no próximo ano."

Rebecca Masio, uma professora que participou na recente angariação de fundos “Guerra do Centavo”, teve Josh como aluno no quinto ano.

"A ‘Guerra do Centavo’ foi tão divertida para os alunos", disse ela. "A generosidade que vi entre os alunos mais jovens, esvaziando o mealheiro ou a dar o dinheiro da fada-dos-dentes, foi fantástica. Eu conheço a família Wooten desde os anos pré-escolares e eles são uma família incrível, maravilhosa. Vou continuar a ajudar e a apoiar a luta de Josh até encontrar uma cura".

Os esforços têm ido além do sistema escolar e até à comunidade, também. Um jantar e um leilão foram recentemente realizados em Tioga Town Center para ajudar a angariar fundos.

Quanto a Josh, ele espera terminar o ensino secundário antes de ficar confinado a uma cadeira de rodas, com a ajuda do seu cão de serviço e colegas.

A sua mãe diz que a vivência com a AF tem sido difícil para todos, mas que Josh tem sido o mais forte na família.

"Josh, apesar do que tem, é muito independente e muito capaz", disse ela. "A coisa mais importante que eu espero lhe ter conseguido ensinar, é que o que uma pessoa tem não a define como ser humano. É bom e reconfortante saber que estamos à beira de um avanço para a cura da AF, e estamos a apostar nisso todos os recursos que podemos, de modo que durante a vida de Josh, possa haver uma cura".


(artigo traduzido)





18 de maio de 2015

Zumba Solidária



Esperamos por ti, no próximo dia 31 de maio de 2015, pelas 10h00, na freguesia de Cadima (concelho de Cantanhede¸ distrito de Coimbra).
Junta-te a nós e vem zumbar connosco!



Informação

A partir desta data, a APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias tem o prazer de informar que vai começar a indicar, sempre que possível, quais os artigos, publicados neste blogue, se tratam de traduções, pois a inteira responsabilidade do conteúdo desses mesmos artigos cabe aos autores originais do mesmo (link indicado no final).

Obrigado.

16 de maio de 2015

Estudos da patogénese molecular na ataxia espinocerebelosa tipo 1 (SCA1)


Janghoo Lim, Ph.D.
Universidade de Yale, New Haven, CT, EUA


As ataxias cerebelosas hereditárias humanas são um grupo geneticamente heterogéneo, mas clinicamente semelhante de distúrbios que compartilham muitas características neurológicas e patológicos, tais como perda de equilíbrio e coordenação e degeneração das células Purkinje cerebelosas (PC). Utilizámos a ataxia espinocerebelosa tipo 1 (SCA1) como um protótipo das ataxias cerebelosas dominantes hereditárias. Ao investigar os mecanismos fundamentais da patogénese da SCA1, esperamos obter conhecimentos sobre as principais características comuns desta e de várias outras doenças neurodegenerativas. A SCA1 é causada por uma expansão da glutamina na proteína ataxina-1 (ATXN1). Com base nos nossos estudos sobre a SCA1 e ATXN1, descobrimos recentemente que o nível de ativação da sinalização Wnt-p-catenina é significativamente regulada dentro quer das PCs quer das não-PCs dum modelo de rato com SCA1 que expressa a ATXN1 mutante apenas das PCs. Isto sugere que a proteína mutante é capaz de ativar a sinalização Wnt-p-catenina em células vizinhas, e que esta ativação pode ser relevante para a patogénese de SCA1. Nesta proposta, vamos testar a hipótese de que a ativação da sinalização Wnt nas não-PCs podem causar ou contribuir para a disfunção das PC ou degeneração na SCA1. Para testar esta ideia, vamos realizar uma combinação de estudos biológicos moleculares e celulares, bem como estudos genéticos em ratos. Acreditamos que este estudo nos levará a compreender melhor os mecanismos patogénicos da SCA1 e de várias outras ataxias hereditárias, que, esperamos, vai abrir a possibilidade de futuras terapias.


(esta investigação vai receber um financiamento da NAF, conforme notícia de 13 de abril de 2015 - http://artigosataxiashereditarias.blogspot.pt/2015/04/investigacoes-sobre-ataxia.html)




15 de maio de 2015

A segmentação da localização intracelular da ataxina-3 como nova estratégia de tratamento para a ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3)


Thorsten Schmidt, Ph.D.
Universidade de Tubingen, Tübingen, Alemanha


A ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3), que é também conhecida como doença de Machado-Joseph (DMJ) é provocada pela expansão de uma repetição em série de três elementos de ADN, C, A e G no âmbito do chamado gene da ataxina-3. O gene da ataxina-3 serve como modelo da proteína ataxina-3. Em pacientes com SCA3, as moléculas da proteína agregam-se em subpopulações características das 100 mil milhões de células do cérebro humano. Estes agregados de proteínas são tipicamente encontrados no interior do núcleo celular, embora a ataxina-3 normalmente resida no citoplasma. Isto significa que, na SCA3, "algo" impacta a localização da ataxina-3, move-a a partir do citoplasma para o núcleo e permite que agregue lá. Nos últimos anos, estudámos extensivamente este movimento da ataxina-3 no interior da célula. Saliente-se que observámos que modelos específicos de rato desenvolvem sintomas da SCA3, só se a ataxina-3 se mover para o núcleo. Em outras palavras: Mantendo a ataxina-3 no citoplasma protegeu os nossos ratos da doença! Portanto, antecipámos este processo de transporte como uma nova estratégia alvo ou tratamento para a SCA3. Mas qual o medicamento capaz de manter a ataxina-3 no citoplasma? O desenvolvimento de um novo medicamento pode demorar anos ou mesmo décadas, pois são necessários extensos estudos sobre a sua função e segurança, até que seja aprovado pela FDA (Food and Drug Administration – entidade responsável pela aprovação de novos medicamentos nos EUA) para uso em humanos. Perguntámo-nos, portanto, se os medicamentos que já são aprovados pela FDA e no mercado (mas para uma indicação diferente) podem afetar a localização da ataxina-3. De modo a identificar tais medicamentos, gerámos um ensaio que permite avaliar se um determinado composto ou fármaco é capaz de reter a ataxina-3 no citoplasma. Recentemente utilizámos este ensaio para testar um conjunto de medicamentos aprovados pela FDA e identificámos dois medicamentos que não só mantêm a ataxina-3 no citoplasma, mas também podem até mesmo impedir a sua agregação. Os medicamentos identificados já estão no mercado há décadas (para a sua respetiva indicação) e são usados por milhões de pacientes. A fim de descobrir se estes medicamentos também podem ser utilizado para o tratamento da SCA3, pretendemos confirmar, com este projeto, se qualquer dos dois medicamentos é eficaz em mamíferos, isto é, no nosso modelo de rato com SCA3. A confirmação positiva não significa que este medicamento poderia imediatamente ser administrado a pacientes humanos com SCA3, mas seria um próximo passo crítico para o desenvolvimento de um tratamento para a SCA3.


(esta investigação vai receber um financiamento da NAF, conforme notícia de 13 de abril de 2015 - http://artigosataxiashereditarias.blogspot.pt/2015/04/investigacoes-sobre-ataxia.html)




Definindo as vias que regulam os níveis da proteína poliglutamínica na DMJ/SCA3

Maria do Carmo Pereira da Costa, Ph.D.
Universidade do Michigan, Ann Arbor, MI, EUA


Apesar dos muitos avanços que têm sido feitos para o entendimento das doenças poliglutamínicas (poliQ), nenhum tratamento preventivo está ainda disponível para este grupo de doenças neurodegenerativas fatais, que incluem a doença de Machado-Joseph (DMJ), também conhecida como ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3). Na DMJ e outras doenças poliQ a proteína mutante tóxica acumula-se. Assim, uma estratégia terapêutica simples é a de reduzir os níveis do gene mutante ou proteína codificada.
O objetivo desta proposta é identificar as vias moleculares que modulam os níveis da polyQ ATXN3 expandida, a proteína tóxica que causa a DMJ. Procuro compreender a biologia da ATXN3, em particular a sua estabilidade celular e depuração, com o objetivo a longo prazo de manipular vias celulares específicas para reduzir os níveis da ATXN3 tóxica, como uma terapia potencial para a DMJ. Recentemente rastreei o genoma humano completo (18.110 genes) para genes que modulam a ATXN3 mutante em abundância nas células. Com base neste dados de todo o genoma e usando bioinformática proponho selecionar um grupo de genes candidatos para posterior validação num modelo de célula independente da DMJ. Usarei, então, abordagens farmacológicas e/ou genéticas para validar adicionalmente vias moleculares que regulam a abundância da ATXN3 mutante no cérebro utilizando ratos que são modificados para expressar o gene mutante humano completo. Os estudos propostos vão fazer avançar o conhecimento sobre como as células lidam com esta importante proteica ataxia e identificar novos alvos celulares para uma terapia potencial para doentes com DMJ.


(esta investigação vai receber um financiamento da NAF, conforme notícia de 13 de abril de 2015 - http://artigosataxiashereditarias.blogspot.pt/2015/04/investigacoes-sobre-ataxia.html)




Determinantes da patogénese neurónio-específica: estudo num modelo C. elegans da SCA3

 C. elegans


Andreia Teixeira-Castro, Ph.D.
Universidade do Minho, Braga, Portugal


A ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3), também conhecida como doença de Machado-Joseph (DMJ), é causada por mutações na proteína ataxina-3 que tornam esta proteína propensa a agregar e ser tóxica para grupos específicos de neurónios. Isso leva à neurodegeneração progressiva e os sintomas típicos da SCA3: ataxia e limitações severas no movimento dos olhos e da deglutição, entre outros. Atualmente não há tratamento eficaz para esta doença. Neste projeto, estamos interessados ​​em entender por que a proteína mutante ataxina-3, apesar de estar presente em quase todas as regiões do corpo humano, incluindo o cérebro, parece afetar e causar a morte de células específicas do cérebro (neurônios) e não a todas. Para isto, iremos utilizar um modelo da doença no verme C. elegans, que apesar de ser um animal muito simples, possui um sistema nervoso muito bem caracterizado de 302 neurónios, é muito bem caracterizado a nível molecular e genético, é transparente - permitindo a monitorização de eventos dentro dos neurónios do animal vivo, e, ao contrário dos ratos modelo, é passível de estudos em grande escala. Este modelo, o qual foi gerado no nosso laboratório, expressa a proteína humana mutante no seu sistema nervoso e replica características importantes da doença, tais como a agregação da ataxina-3 e um défice neurológico dos animais (incluindo o movimento anormal). Vamos usá-lo para analisar cada um dos 302 neurónios e para determinar quais subtipos de neurónios são afetados pela expressão da ataxina-3 mutante humana (através da identificação dos neurónios que contêm inclusões/agregados de ataxina-3). De seguida, vamos isolar esses neurónios e também outros resistentes à presença da ataxina-3 mutante e vamos analisar todas as moléculas (perfis de ARN) que estão presentes em neurónios afetados contra neurónios resistentes no verme com SCA3. A partir deste trabalho, esperamos identificar novos intérpretes, que vão nos ajudar a entender melhor o padrão intrigante de neurodegeneração e acreditamos que essas moléculas podem constituir novos alvos celulares para o desenvolvimento de novas terapias para a SCA3.


C. elegansCaenorhabditis elegans é uma espécie de nematódeo da família Rhabditidae,  que mede cerca de 1 milímetro de comprimento e vive em ambientes temperados. Tornou-se um importante modelo para o estudo da biologia, especialmente a biologia do desenvolvimento, desde a década de 1970.


(esta investigação vai receber um financiamento da NAF, conforme notícia de 13 de abril de 2015 - http://artigosataxiashereditarias.blogspot.pt/2015/04/investigacoes-sobre-ataxia.html)





11 de maio de 2015

Mutação no ADN induzida pelas repetições na ataxia de Friedreich

Uma longa sequência de repetições no ADN são a base molecular para a ataxia de Friedreich. O início do primeiro intrão do FXN, o gene que codifica a proteína frataxina, tem um número anormalmente grande de repetições GAA em pacientes com ataxia de Friedreich, em comparação com indivíduos normais. Um grande conjunto de evidências que mostra repetições de ADN aumenta a probabilidade de mutações em torno de segmentos de ADN, em parte devido à instabilidade cromossómica das mutações de repetição, e este fenómeno é denominado mutagénese induzida por repetição (RIM).

O Dr. Shah Kartik e o Dr. Sergei Mirkin no Departamento de Biologia da Universidade Tufts (EUA) estão a trabalhar para entender a RIM. Eles recentemente reviram os dados experimentais que suportam a base científica da RIM no artigo, "O Lado Oculto das ​​Repetições de ADN Instáveis: Mutagénese à Distância", que foi publicado na revista DNA Repair.

Concentrando-se especificamente nas repetições GAA na ataxia de Friedreich, a RIM pode ocorrer, pelo menos, três vezes mais frequentemente em células derivadas de pacientes com ataxia de Friedreich. O número de unidades de repetição também faz a diferença: a duplicação do número de repetições aumenta a taxa de mutação 100 vezes. Estas mutações geralmente vêm na forma de alterações de nucleotídeos únicos que estão dentro de um quilobase das repetições em qualquer direção.

Mais do que apenas o ADN repetir-se, pode afetar a taxa de RIM. Polimerases de ADN que leem e sintetizam ADN podem levar a mutações RIM em torno das repetições GAA. As RIM relacionadas com as repetições GAA são mais frequentemente causadas por polimerase zeta.

Para tomar nota, a deficiência de frataxina é devido em grande parte à macro mudanças no ADN resultantes de repetições GAA. As unidades de repetição podem formar estruturas que bloqueiam o alongamento da transcrição, um passo necessário que antecede a síntese de proteínas. No entanto, pela compreensão dos mecanismos por trás da RIM relacionados com as repetições GAA, os investigadores podem ser capazes de explorar técnicas de engenharia genética para desenvolver novos tratamentos para a ataxia de Friedreich.