2 de maio de 2017

Doença rara - Siringomielia e Síndrome de Arnold-Chiari - Campanha Vamos Salvar o Rui Canosa



“Vamos Salvar o Rui Canosa” é o apelo da campanha de recolha de fundos lançada nas redes sociais para ajudar a suportar as despesas de uma cirurgia a Rui Canosa, portador de uma doença rara, chamada Siringomielia e Síndrome de Arnold-Chiari, doenças que destroem a espinal medula, e que levam a uma morte súbita.
“Se não fizer esta cirurgia vou acabar por morrer, lentamente, numa cama em casa, a saber que aqui no país vizinho posso salvar a minha vida”, refere Rui Canosa no pedido de ajuda que lançou na sua página de facebook.
A cirurgia surge na sequência de uma consulta realizada a Rui Canosa, no mês passado, no Instituto Chiari & Siringomielia & Escoliose, em Barcelona e para a qual havia sido, igualmente, lançada uma campanha de recolha de fundos.
A campanha agora em marcha pretende reunir 22 mil euros. Cerca de 20 mil para a cirurgia e o restante para ajudar a suportar as despesas de deslocação, estadia e alimentação.
Rui Canosa tem 46 anos, vive em Viana do Castelo. Há 25 anos sofreu um acidente de viação que o colocou numa cadeira de rodas.
“A doença encontrava-se estável há cerca de 15 anos mas piorou recentemente, deixando a perna direita paralisada”, afirma no apelo que lançou na sua página de facebook este designer gráfico, desempregado e com uma reforma de 215 euros.

NIB: 003508520015249530006

IBAN: PT50003508520015249530006

Fonte da noticia: Radio Alto Minho (Portugal)
http://radioaltominho.pt/noticias/14558/#prettyphoto[group]/2/

Contactos Rui Canosa:


A FDA acaba de aprovar uma das drogas mais caras do mundo

Bem-vindo ao mais recente escândalo de preço de medicamentos: um tratamento para uma doença rara com um preço de tabela de mais de 700.000 dólares por ano.
A Administração de Alimentos e Drogas (FDA, em inglês), na quinta-feira, deu a sua luz verde para o medicamento, BioMarin Pharmaceutical Inc. (bmrn) Brineura. É o primeiro medicamento aprovado para uma forma da doença de Batten, uma desordem genética rara que devasta o sistema nervoso e pode causar sintomas variando desde a apreensão para dificultar a coordenação dos músculos à perda de visão. Pode afetar tanto adultos como crianças; o Brineura é aprovado para crianças com pelo menos três anos de idade.

O triunfo regulador da BioMarin é uma boa notícia para os pacientes, considerando a escassez de tratamentos disponíveis para a doença Batten. Mas o preço de tabela anual de 702.000 dólares - enquanto muito mais do que os pacientes realmente pagam depois dos descontos, abatimentos e programas de assistência ao paciente - só aumentará a controvérsia em torno dos elevados preços dos medicamentos para doenças raras.
Acredite ou não, o Brineura nem é o medicamento mais caro por aí. Essa distinção vai para a Ravicti Horizon Pharma, que ronda os 793.632 dólares por ano. (Outro concorrente é a terapia de atrofia muscular espinal recentemente aprovada pela Biogen, Spinraza, que custa 750,000 dólares no primeiro ano, mas depois a partir daí desce para 325,000 dólares por ano).
Os fabricantes de medicamentos - especialmente os focados em doenças raras - justificam os elevados preços de tabela, argumentando que é extremamente difícil encontrar tratamentos inovadores que afetam apenas uma fatia da população. Isso torna o processo de ensaio clínico mais embaraçoso e o limitado grupo de pacientes significa que não há um enorme mercado para vender. Basta considerar o exemplo da UniQure, cuja terapia genética de mais de 1 milhão de dólares está a ser posta de parte porque quase não teve vendas em cinco anos.

Mas embora os pacientes não tenham que pagar os preços de tabela por inteiro, as seguradoras e os administradores dos lucros têm que recolher uma parcela robusta da marcação, o que pode eventualmente ter um efeito devastador nos consumidores. E as empresas farmacêuticas concentradas na desordem rara também podem colher benefícios financeiros através do programa Orphan Drug da FDA. Na realidade, a BioMarin está a receber um cobiçado voucher de avaliação prioritária de doenças pediátricas juntamente com a aprovação do Brineura. A empresa pode usar isso para acelerar o processo de aprovação de uma terapia experimental diferente a todos os níveis ou vendê-lo por, potencialmente, centenas de milhões de dólares a outra empresa.

Tradução para APAHE: Luz Couto

Fonte da noticia: http://trueviralnews.com/the-fda-just-approved-one-of-the-most-expensive-drugs-in-the-world/

27 de abril de 2017

Pensa em Viajar? Este artigo pode ser-lhe util. Os 10 Melhores Festivais do Reino Unido que Oferecem Acessos para Deficientes


A organização Attitude is Everything acredita, com razão que pessoas com mobilidade condicionada e limitada e deficientes auditivos devem poder ser capazes de participar de forma independente em eventos de música ao vivo. O seu prémio Charter reconhece o desenvolvimento através de um processo de três passos representados como bronze, prata e ouro.
O Music Festival News partilha a opinião de que as informações de acessos para os festivais devem ser facilmente acessíveis online (Access Starts Online).Aqui está a nossa Guia de Acessos para Deficientes, que esperamos que possa ser usado para ajudar as pessoas com deficiência a planear uma época de festivais perfeita! Ajeite a sua cadeira de rodas e faça as malas…

Festival de Glastonbury

No topo da lista está o altamente popular Festival de Glastonbury. Este foi o primeiro festival de acampamento a receber o padrão de ouro da caridade para as melhores práticas. Alguns dos melhoramentos feitos no festival incluem autocarros acessíveis, um parque de campismo acessível sistemas de Loop de audiência, apoios BSL, instalações acessíveis de duche e WC, mordomos voluntários, serviços de recarga elétrica e serviço de aluguer de cadeiras de rodas. Alguém que queira requerer acesso a uma das instalações de música, com acesso para deficientes deve registar-se com acedência para o Festival de Glastonbury.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival de Glastonbury, clique Aqui

Festival de Greenbelt

Trabalhando no duro para procurar o ouro nas pegadas do Festival de Glastonbury, o Festival de Greenbelt recebeu o padrão de prata da caridade para as melhores práticas. O Festival de Greenbelt tem estado a trabalhar com a Attitude is Everything desde 2011. O premio prateado reflecte uma serie de politicas das melhores praticas, e particularmente Greenbelt que brilha com um regime estabelecido e inclusivo de voluntariado. Na vila do festival, que se chama The Haven, é fornecido apoio de saúde mental, e instalações tais como as de interpretação de língua gestual da British Sign Language, que estão disponíveis de ano para ano.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival de Greenbelt, clique AQUI

British Summer Time Hyde Park

Em 2013, British Summer Time Hyde Park foi o primeiro evento no Reino Unido a receber o premio Padrão de Prata nesse primeiro ano. O Hyde Park tinha varios obstáculos tais como os passeios de pedra dura, tornando a acesso particularmente difícil com o mau tempo. Lutando contra isso, o British Summer Time tem um mapa de acesso indicando os acessos mais fáceis de chegar ao evento, bem como os acessos estando dentro do evento.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival de British Summer Time Hyde Park, clique AQUI

Download Festival

A empresa, líder em entretenimento ao vivo, Live Nation está liderando o caminho para padrões muito elevados na acessibilidades nos festivais e eventos, incluindo o Download Festival. Uma característica de destaque do festival Download, no que diz respeito aos acessos e a inclusão é o estabelecido e acessível parque de campismo. O festival aguarda em conformidade com expectativa o premio de ouro num futuro muito próximo. O website do festival Download oferece fóruns para seus clientes com deficiência poderem interagir uns com os outros e com os funcionários do festival
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival Download, clique AQUI

Just So Festival

O Diretor do Festival Just So, Rowan Hoban disse recentemente: “Se não vos dermos arrepios, não estamos a fazer isto certo. E deve incluir verdadeiramente toda a gente”. Esta declaração do Rowan segue o lançamento da iniciativa da campanha digital chamada Access Starts Online, com o festival Just So a liderar o caminho para a mudança no AIF, Congresso de Festivais em Cardiff. O festival Just So tem mostrado o trabalho de grande parceria com as organizações locais de acesso. O festival familiar de artes agora trabalha no sentido de alcançar no final o padrão ouro.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival Just So, clique AQUI

Kendal Calling

Kendal Calling são a primeira equipa de festivais a ser concedido o estatuto de Access Starts Online, com uma secção fabulosamente informativa sobre acessibilidade que pode ser encontrada com facilidade no site da Kendal Calling. O festival amigo da família também é premiado com o Padrão Prata para acessibilidade, oferecendo uma plataforma de visualização de pulseiras, pulseiras do campismo acessível e passes para estacionamento acessível.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Kendal Calling, clique AQUI

Festival Nº 6

Tendo já ganho o seu Padrão Bronze, o Ground Control (A equipa de produção por detrás do Festival nº 6) tem trabalhado em conjunto com o Attitude is Everything para garantir um status de padrão de Prata. Os melhoramentos incluem um serviço acessível de buggy, um grande número e variedade de unidades de WC acessíveis e uma equipa de acesso dedicada. è reconhecido que todos os funcionários do festival dão uma atitude fantástica quando lidam com os frequentadores com deficiência do festival.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival Nº 6, clique AQUI

Bingley Music Live

O festival executado pelo Município de Bradford, que ocorre no Myrtle Park em Bingley dispõe de WC com um lugar de mudança para adultos, uma área de visualização do palco principal, uma plataforma de visualização do segundo palco, e o uso inovador do amigo dedicado de evento para dar um serviço personalizado nos bares e catering do evento. O festival ambiciona conseguir o Padrão Ouro e esta empenhado em garantir que os visitantes com deficiência tenham uma experiencia igual e inclusiva!
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Bingley Music Live, clique AQUI

Parklife Festival

O Parklife Festival dispõe de uma ficha de duas páginas para download na página no site deles, onde indica informações específicas sobre os acessos. Bilhetes para um assistente pessoal estão disponíveis para os fãs de música que desejem a experiencia do Parklife! A Sacha, que é diretora do festival, insiste que outros festivais devem-se juntar ao regime do Attitude is Everything, e o festival Parklife continua a trabalhar para conseguir o Padrão de Ouro.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Parklife, clique AQUI

Latitude Festival

As instalações de acessos em destaque no festival Latitude, que obtem o Padrão de Prata, incluem um serviço de Interpretação de língua gestual da British Sign Language (BSL) que é fornecido por Hands4U para uma gama de apresentações que, mediante solicitação, são antecipadamente arranjadas. Este serviço estendeu-se para informações online sobre o festival, sendo traduzido através de vídeos BSL no canal do Youtube do Festival Latitude.
Para mais informações sobre os acessos para deficientes no Festival Latitude, clique aqui

Parabéns a todos os festivais nesta lista e a todos que conscientemente trabalham para melhorar os seus eventos com todos em mente. Ainda há um longo caminho a percorrer! #MusicWithoutBarriers. Para os frequentadores de festivais com deficiência, aqui vem um ano menos stressante de planeamento para os festivais conforme desenrola o Access Starts Online. Esperamos que tenham gostado desta guia!

Para saber mais sobre a caridade de Attitude is Everything, pode visitar o site oficial AQUI

Tradução para a APAHE: Alexandra Leal
FONTE: http://www.musicfestivalnews.net/best-uk-festivals-offering-disabled-access/






A história de Ritje e JiePie: atrofia sistémica múltipla




O marido de Ritje, JiePie, faleceu em 2009 devido à doença rara atrofia sistémica múltipla (ASM). Ritje conta-nos agora a sua história.
Foram precisos seis anos para chegar a um diagnóstico correto. Seis anos para sermos ouvidos, para encontrar uma cura, para descobrir alguém que se interessasse.
Quando nos confrontámos com a ASM, ficámos a saber que a doença ainda não era curável. Pelo menos podíamos confiar nas informações que conseguimos encontrar através do grupo de apoio no Reino Unido. Na medida do possível, começámos a traduzi-las para neerlandês e adaptámos algumas informações médicas para as adequar à nossa própria legislação. Recebemos o apoio de um neurologista, que verificou a tradução dos termos médicos.
O meu marido acreditava que encontrariam a cura e incitou o seu próprio neurologista para ser mais ativo na sua investigação. Entretanto, estabelecemos o nosso próprio grupo de apoio para doentes e para médicos.
Em 2008, incentivámos os doentes belgas com ASM a participar em testes de ADN que estão agora centralizados no Reino Unido, contendo mais de 850 amostras de doentes com ASM de toda a Europa.
Pouco tempo depois desta campanha, o marido que tanto amava morreu a 27 de dezembro de 2009. O cérebro de JiePie foi doado ao seu neurologista para investigação.
Durante os anos que antecederam a sua morte, fui a cuidadora de JiePie. Desde então, a nossa associação está a fazer força para que o que está por fazer se venha a realizar. Não ficamos à espera que sejam aplicadas as regras «oficiais», porque levam anos.
Estabelecemos o nosso próprio Conselho Consultivo Médico Voluntário para que possamos consultar diariamente médicos de duas universidades importantes para que se organizem consultas bimensais com doentes com ASM. Estas sessões dão-nos a oportunidade de conhecer um grande grupo de doentes de uma só vez, um tipo de grupo de apoio. Os doentes estão muito satisfeitos pela oportunidade de conhecer outros doentes e receberem o apoio total do grupo. Os médicos dedicam mais tempo a explicar as coisas e dão sugestões aos doentes e às famílias. Trata-se de um grande passo em frente para os nossos doentes com ASM e para a relação com os médicos em geral e esperamos expandir estas consultas a mais hospitais.
Em 2011, em conjunto com o nosso neurologista, organizámos o primeiro congresso dedicado à ASM na Associação Belga de Neurologistas. A maioria destes especialistas não tem as noções suficientes para detetar a ASM nas suas fases iniciais. Ao longo dos anos, representámos os doentes através da participação e presença em congressos dedicados à ASM na Europa e nos EUA.
Continuamos a promover a nossa causa, dando mais visibilidade à ASM e incentivamos os doentes e as suas famílias a participar na investigação, sobretudo dando amostras de sangue para testes de ADN e doando o cérebro do seu ente querido após o seu falecimento para que os investigadores possam trabalhar para encontrar uma cura. Além disso, introduzimos o "Prémio JiePie para investigação", atribuído anualmente para promover a investigação e a sensibilização para a ASM.
Ainda consigo ouvir o que um famoso neurologista americano perguntou aos seus colegas numa conferência:
«Qual é a causa de morte dos vossos doentes com ASM?», ao que estes responderam: «Não sabemos, apenas os acompanhamos na sua fase inicial (máximo de 5 anos). Depois disso, o mais provável é que deixem de conseguir chegar a nós e, por isso, não sabemos o que se passa nas fases finais.»
A verdade é essa, não sabem e não imaginam o que é viver diariamente com a ASM.
Ritje é a Presidente da Direção do grupo belga de apoio à ASM, uma associação que também estabeleceu parcerias com associações europeias dedicadas à ASM.
Contacte Ritje através da comunidade online de ASM que criou na RareConnect, a rede europeia online para pessoas com doenças raras.

Sobre a ASM
A atrofia sistémica múltipla (ASM) é uma doença neurológica progressiva que afeta homens e mulheres adultos, provocada pela degeneração das células nervosas em áreas específicas do cérebro. Esta degeneração celular causa problemas com movimento, equilíbrio e funções automáticas do corpo, tais como o controlo da bexiga.
Estima-se que a ASM afete menos de 5 casos por 100 000 habitantes. Afeta as funções involuntárias (autonómicas) do organismo, incluindo a tensão arterial, a frequência cardíaca, a função da bexiga e a digestão. A doença avança gradualmente e acaba por provocar a morte.
Pode encontrar mais informações em neerlandêsinglêsfrancês e alemão.
O dia mundial da ASM comemora-se a 3 de outubro – participe!

Eva Bearryman, Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 26/04/2017
Page last updated: 27/04/2017






Uma conversa em Lisboa sobre biologia sintética


 “Mexer na vida: aplicações e implicações da biologia sintética” é o tema do ciclo de conversas Dia C: Desafios para a Sustentabilidade desta quinta-feira, às 19h30, no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa. Os oradores convidados são a investigadora Zoë Robaey, do Instituto Rathenau, na Holanda, e o investigador Luís Duarte, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, perto de Lisboa.

Inspirado nos objectivos para o crescimento sustentável das Nações Unidas, este ciclo de debates tem entrada gratuita, mediante inscrição. “A biologia sintética conjuga a perícia da engenharia com a biologia molecular para programar novas funções a partir da edição do código genético de organismos já existentes”, lê-se no comunicado da agência Ciência Viva. “A biologia sintética tem potencial para revolucionar as áreas da saúde, energia, ambiente, alimentação ou da agricultura.”

Nesta conversa haverá questões como: “Poderá a libertação de uma bactéria construída pelo ser humano provocar alterações no equilíbrio dos ecossistemas?” E relembradas questões éticas e ambientais inerentes à biologia sintética. “A médio prazo poderá permitir a correcção de anomalias genéticas em embriões eliminando doenças raras e sem cura, ou criar árvores bioluminescentes capazes de iluminar as nossas cidades, tornando-as mais sustentáveis”, refere ainda o comunicado.


Os temas das próximas conversas já marcadas do Dia C são: “Esperar o pior: a gestão do risco” (25 de Maio); “Limpar o oceano: redução do lixo marinho” (29 de Junho); “Inovar na escola: o papel do aluno, da família e do professor” (28 de Setembro); “Observar a Terra: a monitorização do ambiente a partir do espaço” (26 de Outubro); e “Combater as alterações climáticas: a economia de baixo carbono” (30 de Novembro).

Fonte: https://www.publico.pt/2017/04/26/ciencia/noticia/uma-conversa-em-lisboa-sobre-biologia-sintetica-1769917

26 de abril de 2017

Envolver as famílias nos ensaios clínicos de doenças raras



Autoria: Susan Tansev, Abril, 19,2017
Desenvolver medicamentos para doenças raras é desafiante, mas o apoio dos pacientes e respetivos familiares é fundamental para impulsionar avanços nesta área.


Embora as doenças raras individuais afetem apenas um relativo pequeno número de pessoas, o seu impacto é, em geral, avassalador. Existem cerca de 7000 doenças raras diferentes, sendo que este número cresce todos os anos. No total, as doenças raras afetam cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, mais do que a população global dos EUA. Cerca de 75% dos afetados por doenças raras são crianças e 35% destas irão morrer no seu primeiro ano de vida.
Apesar de ainda haver uma enorme quantidade de necessidades não satisfeitas nesta área, a indústria farmacêutica tem, progressivamente, vindo a focar-se nas doenças raras, trazendo esperança para as pessoas afetadas e respetivas famílias. Existem atualmente mais de 450 medicamentos em desenvolvimento, e quase metade dos novos medicamentos aprovados na Europa, em 2015, foram para doenças raras.
Em fevereiro de 2017, tive a oportunidade de falar sobre a questão da importância do envolvimento dos pacientes nos ensaios clínicos de doenças raras, numa conferência de pediatria, que decorreu na segunda Unidade de Vigilância de Doenças Raras Pediátricas do Reino Unido, organizada em parceria com o Hospital Pediátrico de Birmingham. O tema da conferência foi “Do laboratório para o mercado: Novos tratamentos para crianças com doenças raras” e a sessão na qual participei foi liderada por mim,  por Mohini Samani Presidente da organização NIHR West Midlands Clinical Research Network- Young Person´s Steering Group (NIHR Rede de Apoio à Investigação Clínica da Região de West Midlands – Grupo de Orientação para Jovens), e por um sobrevivente de um cancro infantil do tipo Leucemia Linfoblástica Aguda. Neste artigo do meu blogue, irei efetuar algumas reflexões sobre alguns dos temas-chave abordados na conferência.

Enfrentando o desafio da doença rara
As doenças raras são um verdadeiro desafio para a área de desenvolvimento de medicamentos. Sabemos pouco sobre os mecanismos subjacentes a muitas destas doenças raras e a forma como progridem bem como sobre o impacto que as diferenças na severidade da doença e os seus subtipos acrescentam a este desafio. Tal torna ainda mais difícil saber quais os parâmetros e medidas de resultado que devem ser utilizados nos ensaios clínicos. Outro fator desafiante é que os pacientes podem estar espalhados por todo o mundo, incluindo locais remotos.
Embora os organismos reguladores estejam a tentar facilitar o caminho da comercialização, as vias de aprovação podem ser complexas e podem incluir compromissos pré e pós-comercialização e requisitos de gestão de risco.
Trabalhar em conjunto com os pacientes e suas famílias pode ajudar a indústria farmacêutica a ultrapassar algumas dessas dificuldades.
Envolver as famílias no desenvolvimento de novos medicamentos: centrar a atenção no paciente
O desenvolvimento de um medicamento para uma doença rara é um processo muito complexo, existindo todo um conjunto de diferentes formas de as empresas criarem ensaios centrados no paciente e de melhorarem o envolvimento deste, ensaios esses que conduzam a melhores resultados quer para os pacientes quer para os investigadores.
Trabalhar com os pacientes, com as suas associações de defesa e comunidades pode facilitar o recrutamento de pacientes para ensaios clínicos, através da conceção de um ensaio clinicamente relevante para estes, e pode, ainda, ajudar a garantir que o estudo não só preenche os requisitos regulamentares mas também tem boas probabilidades de ser viabilizado. A internet, as aplicações móveis e as redes sociais também podem, igualmente, ajudar os pacientes a encontrar informações sobre os ensaios clínicos existentes e a verificar a sua possibilidade de participarem nos mesmos.
Todavia, este processo não termina com o recrutamento e identificação de pacientes. O ensaio clínico deve ser concebido de forma a torná-lo o mais possível amigo da família. Tal inclui assegurar que o estudo seja prático e viável para os pacientes e suas famílias, sem ter um impacto muito grande seu dia-a-dia: escola, trabalho e vida familiar. Isso pode incluir manter o número de visitas e intervenções no mínimo, enquanto houver  necessidade de recolher dados suficientes para o estudo, e reduzir o número de viagens de pacientes cuja saúde se encontre fragilizada ou que tenham irmãos em idade escolar e pais que trabalhem. Os grupos de pacientes também podem ajudar a instruir os sites dedicados ao estudo das doenças raras e os próprios investigadores sobre a doença.
As pessoas com doenças raras podem estar espalhadas por extensas áreas geográficas pelo que trabalhar com famílias e grupos de pacientes poderá ajudar as empresas farmacêuticas a perceber onde os pacientes podem estar concentrados ou como os ensaios clínicos podem ser levados até eles. As redes sociais podem-nos ajudar a alcançar os pacientes e a determinar a melhor forma de recrutar a sua participação.
Os pacientes também podem desempenhar um papel importante na criação de documentos de estudo e materiais de recrutamento, quer pela verificação da adequação da linguagem adotada para crianças e adultos quer através da sugestão de materiais alternativos tais como adesivos e ímanes de frigorífico, livros de histórias e de quadradinhos.

Referência para o paciente: como aceder aos ensaios clínicos
A Internet está, cada vez mais, a tornar-se a principal fonte de informações sobre doenças, medicamentos e ensaios clínicos, e isto é particularmente importante nos distúrbios da infância, dado que a primeira geração de nativos digitais está a chegar aos trinta e… e a ter os primeiros filhos. As empresas e as associações de defesa dos pacientes podem usar as oportunidades disponíveis através da internet, das aplicações móveis e das redes sociais para informar os pacientes sobre os tratamentos e ensaios disponíveis, educá-los sobre doenças raras e ajudá-los a conectarem-se e a interagirem com outras famílias.
Uma das oportunidades disponíveis é através de sites de referência, onde os pacientes se podem informar sobre os objetivos do estudo e inscreverem-se para participarem. Contudo, é importante estar ciente de que nem todos os pacientes serão elegíveis para o estudo, e de que os coordenadores do estudo devem acompanhar aqueles que não preenchem os critérios de inclusão a fim de fornecer apoio e discutir outros estudos ou opções de tratamento que possam ser capazes de os ajudar. As enfermeiras prestadoras de cuidados aos pacientes podem ter um papel importante de apoio nestas situações.
Sites de referência, registos médicos digitais e colaborações com geneticistas também podem ajudar as empresas farmacêuticas a saber mais sobre a incidência da doença, sobre a sua prevalência e sobre a localização geográfica de potenciais pacientes.

Do laboratório para o mercado
Os pacientes portadores de doenças raras, com muita frequência, têm poucas opções de tratamento. Através de ensaios clínicos de novos tratamentos, as empresas farmacêuticas podem oferecer esperança a esses pacientes. Os pacientes precisam de ser o centro deste processo e criar relações entre pacientes, associações de defesa de pacientes, investigadores e até sites de referência na matéria é um passo vital para a                    consciencialização da importância dos ensaios clínicos, para a elaboração de ensaios próximos dos pacientes e para a participação destes nos mesmos.
 Tradução para a APAHE por: Barbara Cerdeiras

Veja mais em: http://www.quintiles.com/blog/involving-families-in-rare-disease-clinical-trials#sthash.dqQ0r2G8.dpuf

24 de abril de 2017

Lançamento do 1º Livro da obra Entrevistas - 30 autores e Criadores do século XXI.

A Apahe esteve presente no passado dia 22 de Abril no lançamento do 1º Livro da obra Entrevistas - 30 autores e Criadores do século XXI.
Em sua representação, marcaram presença o Vice-presidente, Luís Sousa e a Presidente de Direção Maria José Santos que, sob o pseudónimo de Sara Madaleno, foi uma das oradoras.
A autora teve oportunidade de divulgar a associação, a ataxia de Machado Joseph, e o seu livro Aros de Prata, cujas receitas revertem na totalidade para a investigação da DMJ, em curso no Instituto de Neurociências da Universidade de Coimbra. A obra encontra-se a venda em suporte eBook.