6 de março de 2017

Estudo sobre dispositivo de vibração, Equistasi, para auxiliar o movimento em pacientes com ataxia


Equistasi, um dispositivo médico, pode melhorar a ataxia dos membros e da marcha - uma perda de controlo do movimento muscular voluntário - em pacientes com ataxia cerebelosa hereditária, como a ataxia de Friedreich, mas mais estudos são necessários para confirmar essas conclusões. 

O estudo, "Um estabilizador propriocetivo portátil para a reabilitação dos membros e ataxia de marcha nas ataxias cerebelosas hereditárias: um estudo piloto aberto", foi publicado na revista Neurological Sciences. 

Equistasi é um dispositivo médico que consiste numa placa retangular composta exclusivamente de fibras de nanotecnologia que transformam a temperatura do corpo em energia vibratória mecânica. Este dispositivo ajuda a coordenar o movimento, e foi testado em pacientes com doenças de movimento, como Parkinson, mas se ele também pode beneficiar pacientes com ataxia de Friedreich era desconhecido. 

O estudo envolveu 11 adultos com ataxia espinocerebelosa (SCA) ou ataxia de Friedreich (FRDA), que foram convidados a usar Equistasi durante três semanas. A avaliação clínica foi realizada no início do estudo, após o uso do dispositivo (T1) e três semanas após a interrupção do uso do dispositivo (T2). As medidas incluíram a avaliação e a pontuação da ataxia (SARA), o teste de nove furos (9-HPT), o teste de disartria PATA e o teste da caminhada de 6 minutos (6-MWT). A medição da marcha foi realizada usando um sensor inercial portátil (BTS-G-Walk). 

Os resultados mostraram que, entre o início do estudo e T1, os pacientes apresentaram melhorias significativas na SARA, na mão dominante do 9HPT, no teste PATA e na 6MWT. Também melhoraram em vários parâmetros da medição da marcha. Apesar da tendência geral de piorar em todos esses parâmetros após a descontinuação do dispositivo, a maioria dos parâmetros que melhoraram em T1 não foram significativamente diferentes em T2. 

"Este pequeno estudo representa uma primeira evidência preliminar de que a vibração mecânica focal exercida por um estabilizador propriocetivo portátil pode melhorar a ataxia dos membros e da marcha em pacientes afetados por ataxias cerebelosas hereditárias", escreveram os investigadores. "Uma vez que nosso estudo foi gerado na hipótese da natureza, um estudo maior seria necessário para confirmar os resultados aqui apresentados. São necessários outros estudos controlados mais amplos para estabelecer a eficácia desta abordagem terapêutica reabilitadora não-farmacológica para a ataxia dos membros e da marcha em ataxias cerebelosas hereditárias". 

A ataxia de Friedrich é uma doença neurodegenerativa pediátrica incurável que deriva de uma mutação no gene da frataxina (causada por repetições duma sequência de ADN, conhecida como expansão de repetição GAA), o que prejudica a expressão normal da proteína frataxina. Estas expansões causam uma redução substancial nos níveis da proteína frataxina, com consequências a nível celular. 

Os níveis baixos de frataxina são responsáveis ​​por várias manifestações clínicas, como ataxia, fraqueza muscular, sensibilidade anómala dos membros e várias alterações na estrutura de regiões cerebrais como o cerebelo. 


(artigo traduzido) 


Estudo sugere que a flexibilidade de pensamento seja debilitada em pacientes com ataxia de Friedreich



A flexibilidade de pensamento é debilitada em pessoas com ataxia de Friedreich (AF), incluindo a capacidade de prever e suprimir uma resposta verbal, de acordo com uma nova investigação. 

O estudo“Medindo a flexibilidade cognitiva e a inibição na ataxia de Friedreichfoi publicado na revista The Cerebellum. 

Curiosamente, estas anomalias não parecem estar associadas às características clínicas da doença, tais como idade de início, duração, características genéticas e as pontuações que os pacientes obtiveram na Tabela da Avaliação da Ataxia de Friedreich, que mede a gravidade da doença. 

Estas observações sugerem que as anomalias na flexibilidade de pensamento podem não estar relacionadas com a doença de uma forma direta. 

Trabalhos anteriores demonstraram que a AF tem um impacto sutil na capacidade de pensar dos pacientes. No entanto, ainda falta uma ferramenta clinicamente relevante para medir as mudanças na cognição em pacientes com ataxia de Friedreich. Tal ferramenta seria inestimável na medição da resposta dos pacientes a medicamentos ou outras intervenções em ensaios clínicos. 

Investigadores liderados pelo Prof. Martin Delatycki no Instituto de Investigação Infantil Murdoch, na Austrália, examinaram a flexibilidade de pensamento e a capacidade de suprimir uma resposta previsível em 43 pessoas com ataxia de Friedreich e 42 controlos saudáveis, ​​usando três testes diferentes. Estes foram o Teste de Concluir uma Frase (HSCT), o Teste da Pontuação (TMT) e o Teste de Stroop (ST). 

O HSCT é composto por duas partes, que avaliam a resposta verbal e a supressão da resposta. Para ambas as partes os investigadores leram 15 frases em voz alta e pediram aos participantes para concluir a frase com uma palavra lógica (parte A) ou com a palavra que não se encaixava com o resto da frase (parte B). 

No TMT, os participantes foram convidados a desenhar uma linha sequencial dos números 1 a 25, e entre números sequenciais e letras o mais rápido possível. 

O ST avalia a capacidade de uma pessoa para separar a leitura de uma palavra de cor de nomear a cor real. Os nomes das cores foram escritos usando letras de outra cor. Os participantes foram convidados a nomear a cor das letras em vez de ler as palavras. 

Embora não houvesse diferenças significativas no TMT e no ST entre as pessoas com ataxia de Friedreich e controlos saudáveis, o HSCT mostrou que a capacidade dos pacientes com AF para predizer e suprimir uma resposta foi significativamente debilitada. 

Os investigadores concluíram que o HSCT pode ser um método sensível de medição de problemas de pensamento em pacientes com AF e um teste útil em ensaios clínicos. 

"Os indicadores de capacidade de supressão da resposta ou flexibilidade cognitiva não foram significativamente relacionados com as características clínicas da [ataxia de Friedreich], sugerindo que, embora significativa, a deficiência não se relaciona com o processo da doença de uma maneira simples", concluíram os autores. 


(artigo traduzido)