23 de janeiro de 2017

Estudo conclui que os testes de equilíbrio são cruciais na avaliação de pacientes com ataxia de Friedreich


Os sintomas neurológicos mais evidentes da ataxia de Friedreich são o movimento mal coordenado, distúrbios da marcha e tonturas, confirmou um estudo publicado na revista International Archives of Otorhinolaryngology, o que implica que as mudanças no sistema vestibular que governam o equilíbrio também incomodam a grande maioria dos pacientes. 

O teste vestibular é, por essa razão, importante porque os sintomas otoneurológicos, ou aqueles associados às porções do sistema nervoso relacionadas com o ouvido, ocorrem precocemente na doença. Esta informação poderia ajudar os médicos no acompanhamento de pacientes com ataxia de Friedreich. 

Para estudar os distúrbios vestibulares em pessoas com ataxia de Friedreich, uma equipa de investigadores liderada pelo Dr. Hélio Afonso Ghizoni Teive, do Departamento de Medicina Interna do Hospital das Clínicas de Curitiba (Brasil), analisou 30 pacientes com idade entre 6 e 72 anos. Recolheu-se o historial médico dos pacientes e foram submetidos a verificações do ouvido, nariz e garganta, bem como avaliações vestibulares, que avaliaa função do equilíbrio no ouvido interno. 

Os resultados mostraram que 66,7% destes pacientes tinham dificuldades de movimento, 56,7% tinham distúrbios na marcha e 50% tinham tonturas. 

O teste vestibular consistiu em testes de calor, nos quais o canal auditivo externo é submetido a ar frio ou quente para detetar as assimetrias no sistema de equilíbrio; Teste do nistagmo do olhar, que avalia o movimento involuntário do olho; Teste da cadeira rotativa; E teste do nistagmo optocinético, ou movimento dos olhos enquanto rastreiam um campo em movimento. 

Foram observadas alterações problemáticas em 90% dos pacientes em todos os testes, com a maioria ocorrendo em pacientes com disfunção vestibular central. Mais precisamente, 73,4% dos pacientes apresentaram alterações no teste de calor, 50,1% apresentaram anomalias no teste do nistagmo do olhar, 36,7% apresentaram distúrbios no teste da cadeira rotativa e 33,4% apresentaram distúrbios no teste do nistagmo optocinético. 

"O estudo enfatiza a importância da avaliação vestibular para o diagnóstico de doenças neurodegenerativas, uma vez que, na maioria dos casos, os sintomas otoneurológicos se apresentam precocemente e essa informação pode auxiliar na escolha dos procedimentos a serem realizados na monitorização clínica e terapêutica" escreveram Teive e os seus colegas no relatório, intitulado "Anomalias otoneurológicas em pacientes com ataxia de Friedreich". 

A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa autossómica recessiva. Os sintomas mais comuns incluem movimentos involuntários dos membros, mas nistagmo, movimentos oculares involuntários e, em alguns casos, perda auditiva também é comum. 


(artigo traduzido) 


Cientistas usam técnica de edição genética para restaurar a produção da proteína frataxina em ratos



Os investigadores corrigiram com sucesso um gene mutado da frataxina que leva à redução da produção da proteína frataxina (FTX) e ao desenvolvimento da doença em rato, de acordo com uma nova investigação. 

Esta realização fornece uma nova visão em métodos de laboratório para estudar a doença e apoia o potencial terapêutico de técnicas de edição de genes para tratar pacientes com ataxia de Friedreich (FRDA) no futuro. 

O estudo, "Deleção das repetições GAA do gene humano dfrataxina com o sistema de CRISPR-Cas9 em células derivadas de YG8R e ratos modelos da ataxia de Friedreich, foi publicado no jornal Gene Therapy. 

A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa pediátrica incurável causada por uma mutação no gene da frataxina, chamada expansão de repetição GAA, que prejudica a expressão normal da proteína FTX. Isso, por sua vez, limita a produção de proteínas ferro-enxofre nas mitocôndrias, o depósito de energia da célula, causando um declínio na produção de energia, dano oxidativo, metabolismo alterado do ferro e disfunção mitocondrial geral. 

Nos últimos anos, os investigadores desenvolveram técnicas de edição genética que lhes permitem reparar, substituir ou modificar genes específicos. Esta capacidade tem grande potencial terapêutico para doenças causadas por mutações genéticas, como a ataxia de Friedreich. 

"Como uma doença monogénica, a FRDA é um bom candidato patológico para a terapia genética, assim, alguns projetos de investigação estão tentar aumentar o nível da proteína frataxina em células FRDA e em ratos modelos usando abordagens de terapia genética", escreveram os investigadores. 

Os investigadores usaram CRISPR-Cas9, um sistema que usa proteínas especializadas para direcionar com precisão um dado segmento de ADN para remover a expansão mutada GAA do ADN de dois modelos de ratos que transportam cópias do gene da frataxina humana, conhecido como YG8R e YG8sR. O modelo YG8sR apresenta sintomas mais graves do que o modelo original do rato, incluindo défices comportamentais significativos. Também realizaram a técnica em culturas de células derivadas destes animais. 

Os resultados mostraram que este método corrigiu com sucesso a porção mutada do gene tanto em ratos como em culturas de células, restaurando assim a expressão correta do gene da frataxina e a produção da proteína FTX. 

Os invesatigadores também observaram que os ratos YG8sR parecem ser um modelo melhor e mais adequado para estudar os efeitos terapêuticos potenciais de corrigir o gene mutado de frataxina usando o sistema CRISPR-Cas9. 

Segundo os autores, são necessários mais estudos usando animais vivos para "verificar se a edição de GAA aumenta a expressão da proteína FXN suficiente para reduzir ou abrogar os sintomas associados à ataxia de Friedreich". 


(artigo traduzido)