18 de janeiro de 2017

Frequência das mutações da ataxia espinocerebelosa tipo 1 (SCA1), atrofia dentato-rubro-palido-luisiana (DRPLA) e doença de Machado-Joseph (DMJ) num grande grupo de pacientes com ataxia espinocerebelosa


Resumo  
As ataxias espinocerebelosas (SCAs) são um grupo heterogéneo de distúrbios neurodegenerativos, variando tanto nas manifestações clínicas quanto no modo de hereditariedade. São mapeados seis genes diferentes que causam SCAs autossómicas dominantes: SCA1, SCA2, doença de Machado-Joseph (DMJ)/SCA3, SCA4, SCA5 e atrofia dentato-rubro-palido-luisiana (DRPLA). As expansões de uma repetição de trinucleotídeos CAG instável causam três destes distúrbios: SCA tipo 1 (SCA1), DMJ e DRPLA. Determinamos a frequência das mutações SCA1, DRPLA e DMJ num grande grupo de pacientes SCA não-relacionados com vários padrões de hereditariedade e diferentes origens étnicas. Foram estudados 92 pacientes SCA não-relacionados. A frequência da mutação SCA1 foi de 3% no grupo total de doentes e de 10% no subgrupo SCA hereditária predominantemente não português. Descobrimos a mutação DRPLA em apenas um paciente japonês, que foi previamente diagnosticado com esta doença. Identificamos a mutação DMJ em 41% do grupo geral de pacientes, que incluiu 38 famílias autossómicas dominantes de origem portuguesa; A frequência da mutação DMJ entre os casos de origem não portuguesa dominantes dominantemente hereditários foi de 17%. Estes resultados sugerem que SCA pode ser ocasionalmente causada pela mutação SCA1 e raramente causada pela mutação DRPLA e que, até à data, a mutação DMJ parece ser a causa mais comum de SCA dominante hereditária. Finalmente, os nossos resultados sugerem que os casos recessivos hereditários de SCA não são causados ​​pelas expansões de repetição de trinucleotídeos conhecidas. 


(artigo traduzido) 


Rapaz de Trinity (FL, USA) tem uma surpresa no campeonato nacional


Gavin Lambert pode nomear cada defesa da NFL, e sempre sonhou em conseguir chegar às ligas principais: No entanto, viver com ataxia de Friedreich torna esse sonho difícil de concretizar. 

"Uma pessoa sempre sonha que o seu filho seja capaz de fazer tudo o que seu coração desejar e tudo o que quer, mas descobrir que o seu filho nunca vai fazer algumas das coisas que sabemos que ele queria fazer, é muito difícil", disse a mãe de Gavin, Dawn. 

A ataxia de Friedreich é uma doença neuromuscular que reduz a esperança de vida e que leva à deterioração do corpoPode causar tudo, desde perda de visão e perda auditiva a problemas em andar e problemas cardíacos. 

Dawn diz que ela e o seu marido souberam da doença de Gavin, de 11 anos, depois que ele teve uma convulsão em 2010, embora ela sempre suspeitasse de que algo não estava bem. 

No entanto, a doença de Gavin não o impede de lutar pela realização física. Ele chamou a atenção da Comissão de Desportos de Tampa Bay depois de participar no triatlo infantil. Ele foi o último a atravessar a meta, mas fez isso apesar dos tropeções e quedas que provavelmente desencorajaria outras crianças com a sua idade. 

"Ele só pensou que seria fixe correr, andar de bicicleta e nadar na mesma prova", disse Dawn. "No fimquando ele já está completamente exausto, desgastado até mais não e ainda assim continua, é uma enorme motivação para todos. Especialmente para uma mãe. " 

Funcionários da comissão dos desportos foram tão inspirados por Gavin que surpreenderam toda a sua família com bilhetes para o jogo do Campeonato Nacional entre Alabama e Clemson no Estádio Raymond James. Também receberam uma estadia de fim-de-semana no hotel de acolhimento no centro de Tampa, e desfrutaram de acesso à Central de Fãs no centro de convenções e os concertos de fim-de-semana no Parque Curtis Hixon. 

Dawn diz que a doença de Gavin mudou a visão de toda a família sobre a vida. "Isso nos fez viver todos os dias ao máximo e nos deu uma razão diferente para viver", disse ela. "Mudámos completamente nosso estilo de vida para fazer o que quer que venha e fazemos o melhor possível. Gavin é um rapaz de sorte, deixe-me dizer-lhe. 


NFL – Liga norte-americana profissional de futebol americano 


(artigo traduzido) 


2017: A EURORDIS continua virada para o futuro ao comemorar 20 anos



Em 2017 assinala-se o 20.º aniversário da EURORDIS-Doenças Raras Europa.

20 anos de conquistas
A comunidade das doenças raras, incluindo todas as associações de doenças raras e os seus parceiros, merece estar orgulhosa das suas conquistas durante os últimos 20 anos.
O cenário alterou-se drasticamente durante este tempo. Passámos da quase ignorância ao reconhecimento das doenças raras como uma prioridade de saúde pública na Europa. A legislação europeia agora incentiva as empresas a desenvolver medicamentos órfãos. Foram desenvolvidas competências europeias e tecnologias inovadoras que têm potencial para beneficiar as pessoas com doenças raras. A maioria dos Estados-Membros tem agora estratégias nacionais para as doenças raras e centros de cuidados especializados. A investigação sobre as doenças raras é mais sólida e reconhecida pela sua excelência.
A comunidade das pessoas com doenças raras é maior, está mais bem interligada e é altamente qualificada, com grandes líderes ao leme. Existe na comunidade um espírito de colaboração entre doenças, países e partes interessadas muito diferentes na Europa. Os doentes estão a ser levados a sério e escutados pelos responsáveis pela elaboração de políticas, investigadores e empresas. A centralidade dos doentes foi o termo em voga na década passada.

Seguir em frente
Seguimos em frente com estas mudanças, que são apenas o princípio. As necessidades dos doentes e das famílias são imensas e a comunidade está a apelar para que se tomem mais ações de imediato. Queremos ser ambiciosos e visionários. Continuaremos a colocar sempre os doentes primeiro.
Para sintetizar a nossa visão para os próximos 10 a 20 anos, a EURORDIS tem o prazer de anunciar a visão atualizada para a nossa associação para possibilitar «melhores vidas e curas para as pessoas com doenças raras» e uma declaração de missão ajustada para «trabalhar além das fronteiras e através das várias doenças para melhorar as vidas das pessoas com doenças raras». Esta visão e esta missão refletem o progresso que tem sido conseguido ao longo dos últimos 20 anos, mas também a nossa atitude em relação aos desafios que se avizinham.
Traduzimos tudo isto numa nova identidade – mudámos o nosso nome de Associação Europeia para as Doenças Raras (EURORDIS) para EURORDIS-Doenças Raras Europa e temos um novo logótipo (transfira o novo logótipo e o novo guia de estilo). O reconhecimento oficial da inclusão no nosso nome de Doenças Raras Europa, que já usávamos há uns anos, é mais um passo para reforçar a identidade do movimento das doenças raras, juntando-nos às alianças nacionais europeias (por exemplo, Doenças Raras DinamarcaDoenças Raras Hungria e Doenças Raras Suécia), assim como internacionalmente com outros grupos de doentes como Rare Diseases International.

O futuro
Encaramos agora o futuro com uma grande energia e determinação. Com base na nossa competência coletiva a partir das experiências e dos valores partilhados, juntos iremos continuar a enfrentar os novos desafios que se avizinham.
O envolvimento dos doentes será o termo em voga na próxima década; envolvimento dos doentes na investigação, nos serviços de saúde, nos cuidados médicos e sociais, e no ciclo de vida dos medicamentos.
Esforçamo-nos para criar a mudança transformadora que as pessoas com doenças raras e as suas famílias precisam ao:
·         Promover a sensibilização para as doenças raras entre um público mais alargado e as principais partes interessadas através do Dia das Doenças Raras e de outras iniciativas;
·         Definir as doenças raras como uma prioridade de saúde pública perante novos desafios. Temos de agir com autenticidade e determinação para promover estratégias ousadas para garantir que as doenças raras continuam a ser reconhecidas como uma prioridade de saúde pública em toda a Europa e em todo o mundo. Isto irá assegurar que sejam atendidas as enormes necessidades não satisfeitas das pessoas com doenças raras e que todos os doentes beneficiem de igualdade no acesso a novas oportunidades decorrentes das inovações científicas, tecnológicas e organizativas (por exemplo, as novas Redes Europeias de Referência) de uma forma sustentável e justa.
·         Proporcionar um voz coesa que represente todos os doentes e todas as doenças, tornando esta voz internacional através de iniciativas como a Rare Diseases International e em parceria com as partes interessadas internacionais através de associações como o Comité das ONG para as Doenças Raras;
·         Apoiar a promoção da causa dos doentes com base no conhecimento dos doentes produzido através do programa de inquéritos Rare Barometer para que a perspetiva dos doentes seja trazida para a linha da frente durante a investigação, desenvolvimento de terapêuticas e de políticas. A EURORDIS irá continuar a atuar como agente de conhecimento ao proporcionar e incentivar o fluxo das perspetivas das pessoas com doenças raras dentro e fora da comunidade das doenças raras;
·         Envolver os doentes em todos os níveis importantes para garantir a implementação efetiva de novas políticas e legislação que sejam relevantes para as necessidades dos doentes:
o   Investigação (da investigação básica à ética e das infraestruturas de investigação à disseminação dos resultados da investigação);
o   Desenvolvimento de terapêuticas (ao longo dos pontos fundamentais do ciclo de vida dos medicamentos); e
o   Vias para os cuidados de saúde (dos centros de referência nacionais às Redes Europeias de Referência, dos registos de doentes aos ensaios clínicos, das boas práticas no diagnóstico e da mobilidade transfronteiriça dos doentes ao acesso ao melhor tratamento, e, finalmente, da educação terapêutica dos doentes à formação dos profissionais de saúde).
·         Capacitar os representantes dos doentes e as associações de doentes ao:
o   Informá-los através de ferramentas relevantes tais como a eurordis.org e os webinars da EURORDIS.
o   Interligá-los através de redes como a RareConnect, o Conselho das Alianças Nacionais e o Conselho das Federações Europeias. Iremos apoiar o crescimento dos Grupos Europeus de Defesa dos Doentes e iremos também promover ferramentas de facilitação de parcerias que ligam os doentes aos investigadores e aos médicos. Os doentes irão ficar mais bem ligados às comunidades médica, científica e das políticas.
o   Construir a capacidade dos representantes dos doentes através de oficinas e de formação, incluindo o Curso de Verão da EURORDIS para que estejam preparados para se envolverem na investigação, no desenvolvimento de terapêuticas, na elaboração de políticas e em muito mais. Também iremos continuar a construir as capacidades das partes interessadas, incluindo os médicos, investigadores, empresas e responsáveis pela elaboração de políticas e ajudar a entender melhor as perspetivas das pessoas que vivem com doenças raras.


Os desafios que se avizinham são bastante importantes. Mas a comunidade das doenças raras não se deixa desencorajar facilmente. Foi por isso que avançámos tanto nos últimos 20 anos.
Antecipamos os próximos 20 anos com orgulho, coragem e esperança em relação à forma como podemos possibilitar vidas e curas melhores para as pessoas com doenças raras.
Somos raros, mas juntos somos fortes.

Yann Le Cam,
Diretor Executivo
Terkel Andersen,
Em nome da Direção,



Eva Bearryman, Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 11/01/2017
Page last updated: 12/01/2017