7 de outubro de 2016

Ataxia-telangiectasia ou Síndrome de Louis-Bar

Ataxia-telangiectasia ou Síndrome de Louis-Bar 

 
O que é a ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar? 
A ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar é uma patologia muito rara presente nas crianças em que o cérebro é afetado negativamente, causando sintomas e complicações. Esta doença também pode afetar diferentes partes do corpo. Ataxia significa movimentos descontrolados, normalmente quando anda e telangiectasia significa ampliação dos vasos sanguíneos debaixo da superfície da pele. 



Quais são as causas da ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar? 
A ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar é uma doença hereditária. de uma geração para a outra, numa família. Esta doença é uma doença autossómica recessiva, o que significa que a criança precisa de obter uma cópia do gene defeituoso de ambos os pais. Esta doença desenvolve-se devido a uma mutação no gene ATM, ou gene mutado da ataxia-telangiectasia, o que resulta em morte celular anómala em várias partes do corpo, incluindo o cérebro que é responsável por movimentos do corpo, causando várias complicações. Esta doença afeta igualmente ambos os sexos. 

Quais são os sintomas da ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar? 
Alguns dos sintomas da ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar são: 
  • Coordenação reduzida dos movimentos e marcha anómala, assim como instabilidade 
  • Desenvolvimento mental reduzido 
  • Capacidades ambulatórias atrasadas 
  • Descoloração da pele, especialmente as partes que são expostas à luz solar  
  • Vasos sanguíneos dilatados no nariz, orelhas, ou no interior do cotovelo ou do joelho 
  • Vasos sanguíneos dilatados na parte branca dos olhos 
  • Presença de nistagmo 
  • Convulsões 
  • Sensibilidade à radiação 

Como a ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar é diagnosticada? 
A ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar é diagnosticada com base nas características da ataxia-telangiectasia, movimentos anómalos oculares e comprometimento da fala. Este diagnóstico pode ser confirmado através de rastreio laboratorial. Com toda a observação de sinais e sintomas clínicos, o diagnóstico pode ser feito de forma relativamente fácil. O diagnóstico de ataxia-telangiectasia ou síndrome Bar Louis é difícil de fazer em crianças, pois têm apenas um sintoma de ataxia progressiva que pode ser um sinal de muitas outras doençasA telangiectasia não é observada em crianças até cerca dos seis anos de idade e que também não está presente nalguns casos. Os movimentos oculares são regulares em crianças com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar tornando o diagnóstico mais difícil. Assim, para diagnosticar esta doença nalguns casos, há um teste laboratorial para medir a alfa-fetoproteína no sangue, sendo os níveis elevados em lactentes com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar. Alguns dos outros testes que podem confirmar o diagnóstico, são: 
  • Nível elevado de CA-125, uma outra proteína do sangue 
  • Aumento da degradação cromossómica quando as células do sangue são expostas aos raios-X 
  • Teste de Western Blot mostrando a ausência do gene ATM 
  • Testes genéticos que mostram a mutação no gene ATM 

O que são os tratamentos para a ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar? 
A agora, não há cura definitiva para a ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar. O médico basicamente oferece tratamentos de apoio, que visam controlar os sintomas e prevenir complicações. O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar na qual os membros da família da pessoa afetada, o médico assistenteum imunologista, um pneumologista, bem como um neurologista estão intimamente envolvidos. Também haverá contribuições vitais feitas pelo terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, nutricionista e terapeuta da fala, para questões específicas que o paciente possa ter. Por exemplo, se o paciente tem problemas de deglutição que o leva a demorar muito tempo a terminar as refeições e o paciente pode não ter a nutrição suficiente. Em tais casos, se os mesmos forem identificados cedo o suficiente, a colocação de um tubo de gastrotomia é de grande ajuda para o paciente para fornecimento de suplementos nutricionais. 
Além disso, qualquer suspeita de infeção deve ser tratada rapidamente e adequadamente, pois os indivíduos com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar têm o sistema imunológico comprometido, portanto, têm tendência a apanhar infeções cedo, portanto, devem ser monitorizados e o ambiente em torno deles precisa ser limpo desinfetado. 
Os indivíduos com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar tendem a ter graves doenças do sistema respiratório, com problemas com a respiração profunda e episódios de tosse persistente. Também precisam ser monitorizados e tratados adequadamente. Se os problemas respiratórios forem Identificados cedo o suficiente, então os pacientes devem ser submetidos a um programa abrangente de cuidados respiratórios para prevenir complicações graves. 
Como os indivíduos com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar têm uma quebra cromossómica quando expostos a raios-X, então tais indivíduos só devem ser expostos a raios-X quando for absolutamente necessário. 
A maioria das crianças com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar são capazes de frequentar a escola normal, mas à medida que a doença progride vai chegar uma altura em que necessitam de assistência a tempo inteiro nas suas atividades da vida diária, quer em casa, quer na escola. Como os olhos podem ficar afetados, então pode-se tornar difícil para a criança ler informações corretamente, resultando em declínio no desempenho académico. Nesses casos, o aconselhamento regular do paciente e da família é geralmente bastante útil. 

Quais são algumas das expectativas realistas para os indivíduos com ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar? 
A ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar é uma condição médica que avança com o tempo, mas que não se pode prever a forma como a doença vai progredir. A progressão da doença varia, de caso para caso. Se a pessoa afetada está ciente do que esperar, então torna-se mais fácil para ela lidar com a doença e afeta igualmente, em última análise, o processo da progressão da doença: algumas expectativas potenciais da doença que um indivíduo deve estar ciente são: 
  • Tosse crónica persistente pode ser um sinal de uma infeção pulmonar 
  • Episódios de engasgo ao beber líquidos podem indicar um problema de aspiração 
  • Se uma criança começa a regredir na sua capacidade de crescer isso pode indicar problemas nutricionais. 
  • A imunodeficiência é sugerida em casos de infeções persistentes e frequentes que não melhoram com os medicamentos apropriados 
Tais situações devem ser reconhecidas cedo e comunicadas ao médico responsável para que o tratamento precoce possa ser iniciado e a progressão da doença estar controlada. 
Para ser realista, mesmo que o indivíduo afetado esteja ciente das complicações e poder até abordar essas questões, ainda há uma certa quantidade de deterioração neurológica; daí, realisticamente falando, qualquer pessoa que sofra de ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar terá dificuldades ambulatórias e necessitará de uma cadeira de rodas para se locomover com a progressão da doença. Haverá algum grau de danos nos pulmões, apesar do tratamento imediato das infeções. 
De notar que com o avanço da ciência médica e que com a continuação da investigação, não estará longe o dia em que a ataxia-telangiectasia ou síndrome de Louis-Bar possa ter uma cura definitiva. 


(artigo traduzido) 



PARTICIPAÇÃO EM ESTUDO - ENTREVISTA



Está a decorrer um estudo sobre a experiências com doenças genéticas e com a gestão do risco genético. O estudo é conduzido pelo investigador Álvaro Mendes, do i3S, IBMC-CGPP, da Universidade do Porto, e envolve a realização de uma entrevista. Se está interessado/a em participar ou deseja saber mais sobre o estudo, por favor contacte: Álvaro Mendes | Tel.: 226074942/962825534 | alvaro.mendes@ibmc.up.pt.

30 de setembro de 2016

Envolva-se nas Redes Europeias de Referência



Pela natureza das doenças raras, as pequenas populações de doentes encontram-se dispersas pela Europa, por vezes em locais isolados onde a assistência especializada não existe ou não está acessível. Um médico com os conhecimentos especializados necessários para tratar uma pessoa com uma dada doença rara pode exercer a sua atividade noutro país. 
As Redes Europeias de Referência (RER) constituirão uma oportunidade única de, pela primeira vez, os médicos trabalharem além-fronteiras para responder a este problema. Trata-se de redes de Centros de Referência e de profissionais de saúde que dão apoio a médicos e investigadores para que partilhem a sua prática especializada, os seus conhecimento e os seus recursos em toda a UE. Se os médicos possuírem os conhecimentos mais recentes e mais especializados, há a garantia de que estão mais bem informados para tomar decisões sobre a forma de adaptar os tratamentos e os cuidados. 
Em março de 2016, a Comissão Europeia lançou o primeiro convite à manifestação de interesse por parte das redes que pretendessem tornar-se RER. Foram recebidas 24 candidaturas, envolvendo 370 hospitais e quase 1000 unidades altamente especializadas. As candidaturas a RER que forem aceites serão anunciadas no início de 2017. 
Em vez de serem os doentes a deslocar-se para aceder a cuidados que não existem nos seus países, as RER utilizam ferramentas de comunicação e eHealth para facilitar a mobilidade dos conhecimentos especializados através das fronteiras. 
As RER são obrigadas a envolver os doentes. A EURORDIS está a lançar as fundações da participação dos doentes nas atividades e na governação das RER: 

Grupos Europeus de Defesa dos Doentes (ePAG) 
Não é exequível criar uma RER por cada uma das mais de 6000 doenças raras que existem; por esse motivo, as RER foram organizadas segundo grupos de doenças*. No início de 2016, a EURORDIS desenvolveu um Grupo Europeu de Defesa dos Doentes (ePAG) para cada agrupamento de doenças das RER. Estes ePAG reunirão os representantes dos doentes eleitos e as associações membros para assegurar que a voz dos doentes é ouvida durante todo o processo de desenvolvimento das RER. Através dos ePAG, os representantes dos doentes envolveram-se diretamente nas candidaturas às RER, uma enorme conquista e um marco no percurso de crescimento da influência dos doentes na evolução dos cuidados clínicos. 

Junte-se a um Grupo Europeu de Defesa dos Doentes 
Se representa uma associação de doentes e está interessado em aderir a um ePAG, pode manifestar o seu interesse através desta ferramenta de facilitação de parcerias entre associações de doentes. Não há limite ao número de associações membros por ePAG. Incentivamos todas associações de doentes a aderir, sejam ou não membros da EURORDIS. 
Enquanto associação membro de um ePAG, será consultada sobre temas específicos da RER e dará a sua opinião, que o representante dos doentes do ePAG transmitirá à direção da respetiva RER. Alem disso, receberá informações e notícias atualizadas acerca da atividade da sua RER. 

Torne-se representante dos doentes de um ePAG 
No início deste ano, foram eleitos 86 representantes dos doentes de ePAG para representar a comunidade alargada dos doentes no desenvolvimento das RER. Os representantes dos doentes dos ePAG têm um mandato oficial permanente para representar as associações membros. Estes representantes manterão o contacto com as associações, garantindo a manifestação da voz dos doentes através sua participação na direção e nos comités subclínicos da respetiva RER. 
O recrutamento destes representantes ainda está a decorrer, de modo a assegurar a representação cabal dos doentes na governação de cada uma das RER. Já foram eleitos representantes dos doentes para diversas RER, mas são bem-vindas mais candidaturas para todas as redes e, em particular para as RER relativas a doenças cardíacas e aos transplantes em crianças. Podem candidatar-se associações membros e não membros da EURORDIS. Caso esteja interessado em tornar-se representante de um ePAG, queira contactar lenja.wiehe@eurordis.org. 
Além disso, a EURORDIS está a instituir um programa de capacitação para a liderança de ePAG que dará aos representantes dos doentes de ePAG os conhecimentos e as aptidões de que necessitam para participar com eficácia nas atividades das RER. 
Para mais informações básicas sobre RER, queira ler o Guia sobre RER para representantes dos doentes publicado pela EURORDIS! 
 
 

*Os cancros raros são abrangidos não por um ePAG, mas por três (cancro em adultos, tumores genéticos e cancro pediátrico). 
Forma 
Eva BearrymanCommunications Manager, EURORDIS 
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira 
Page created: 28/09/2016 
Page last updated: 28/09/2016