13 de junho de 2016

Tornar as doenças raras uma prioridade de saúde internacional


O encontro anual da Rare Diseases International (RDI), a aliança global de pessoas com doenças rara de todas as nacionalidades e de todas as doenças raras, teve lugar recentemente em Edimburgo, juntamente com a Conferência Internacional sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos (ECRD 2016). 
Naquele que foi o segundo encontro anual da RDI, tendo o primeiro sido em maio de 2015, mais de 80 participantes estiveram dedicados: ao progresso na atividade da RDI efetuado até agora; à forma de defender a causa das doenças raras para que se torne uma prioridade de saúde pública internacional; ao modo como as partes interessadas nas doenças raras a nível internacional podem unir forças para fazer com que isso se concretize e também aos próximos passos e prioridades estratégicas para a RDI. 
Yann Le Camdirector executivo da EURORDIS e membro do recentemente eleito Conselho da RDI, apresentou um projeto de plano de ação para os próximos 3 anos, que está na fase de consulta através do Grupo de Discussão da RDI da RareConnect. 
Saiba mais sobre a visão, missão e objetivos da RDI. 
Os 36 membros da RDI incluem alianças nacionais de doenças raras de 23 países, 6 federações internacionais de doenças específicas e 3 redes regionais. Saiba mais sobre a forma de a sua associação se tornar membro da RDI. O objetivo atual é duplicar o número de associados até 2018. 
Durhane Wong-Rieger, presidente da Associação Canadiana para as Doenças Raras e membro do Conselho da RDI, interveio no encontro: «Tem havido uma grande melhoria ao longo das últimas duas décadas. Agora, quando se faz referência às doenças raras, as pessoas já sabem de que se está a falar. Atualmente, o nosso papel é assegurar que as doenças raras são explicitamente reconhecidas como parte da cobertura de saúde universal. A RDI irá criar imensas oportunidades no futuro próximo. Neste momento, precisamos de trabalhar juntos; precisamos de acreditar para tornar a RDI um sucesso, para reunir a comunidade global de doenças raras e para garantir que as doenças raras são reconhecidas como uma prioridade de saúde pública.» 
Também falou sobre a diferença entre comunidades de doenças raras e nas ações nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, «nem todos estão a avançar ao mesmo ritmo – precisamos de avançar como uma comunidade global de doenças raras para impedir que esta diferença aumente.» 
Para trabalhar no sentido de fazer a ponte e no sentido de tornar as doenças raras uma prioridade de saúde pública internacional, foi adotada em maio de 2015 a declaração conjunta intitulada Doenças Raras: uma prioridade de saúde pública internacional que voltou a ser apresentada no encontro em Edimburgo. Anders Olauson, fundador e presidente da Fundação AGRENSKA, apresentou a nova ONG Comité para as Doenças Raras, em que a RDI irá representar as pessoas com doenças raras. A reunião inaugural deste comité, que foi criado sob a égide da Conferência das ONG (CoNGO), que tem Estatuto Consultivo no Conselho Económico e Social das Nações Unidas, terá lugar em novembro de 2016. 
O encontro da RDI em Edimburgo também incluiu apresentações de Alain Baumann, da Federação Mundial de Hemofilia, que partilhou o seu modelo de programas de cuidados nacionais sustentáveis em países em desenvolvimento; de John Forman, presidente da Conferência Internacional sobre Doenças Raras e Medicamentos Órfãos (ICORD), com a qual a RDI colabora na atividade internacional da conferência; de Emmanuel Chantelot, presidente do grupo de trabalho sobre Doenças Raras da Federação Internacional de Associações de Fabricantes de Produtos Farmacêuticos (IFPMA); e do Dr Iiro Eerola, que apresentou oConsórcio Internacional para a Investigação sobre Doenças Raras. 
Assista aqui a todas as comunicações do encontro da RDI. 
Após o encontro da RDI, várias sessões da ECRD 2016 também se dedicaram às doenças raras no contexto internacional, e as respetivas comunicações irão estar disponíveis em breve. O poster da RDI na ECRD 2016 está disponível aqui. 
Questões sobre a RDI? Entre em contacto com Paloma Tejada, Gestora Sénior da RDI:Paloma.tejada@eurordis.org ou visite www.rarediseasesinternational.org para mais informações. Também se pode inscrever para ser incluído na lista de discussão da RDI, seguir @rarediseasesint e juntar-se ao grupo de discussão da RDI na RareConnect. 
Forma 
Eva BearrymanJunior Communications Manager, EURORDIS 
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira 
Page created: 08/06/2016 
Page last updated: 07/06/2016 


7 de junho de 2016

Ataxias hereditárias: onde estamos agora? Quatro décadas de investigação local

 
D C Smith, L J Greenberg, A Bryer 


Resumo 
As ataxias hereditárias têm sido estudadas na Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul)  mais de 40 anos, na sequência de investigações clínicas por Beighton e colegas no início da década de 1970. Este grupo de doenças hereditárias é caracterizada por neurodegeneração progressiva e sintomas associados, incluindo a incapacidade para coordenar os movimentos. Na sequência de estudos iniciais locais e internacionais, e a descoberta dos genes responsáveis ​​pelas ataxias hereditárias dominantes e recessivaprincipais na década de 1990, um serviço local de testes moleculares foi estabelecido no Hospital Groote Schuur (Cidade do Cabo, África do Sul). Mais de 1 600 pessoas foram encaminhadas através deste serviço de teste (agora oferecido pelo Serviço Laboratorial de Saúde Nacional), levando ao diagnóstico molecular de 253 famílias com tipos de ataxia espinocerebelosa 1, 2, 3, 6 ou 7, e 30 famílias com ataxia de Friedreich. Esta é provável que seja uma sub-representação do número de sul-africanos afetados com ataxia hereditária, e futuros esforços de investigação vão-se concentrar em aumentar a sensibilização para este grupo de doenças, tanto localmente como em todo o resto da África. Tecnologias da próxima geração serão benéficas na identificação de genes adicionais subjacentes à ataxia hereditária em pacientes indígenas para permitir a gestão e tratamento mais apropriado de indivíduos com formas não diagnosticadas molecularmente da doença. 


(artigo traduzido)