27 de julho de 2015

Novo estudo avalia ferramentas para medir a progressão da doença em pacientes com ataxia de Friedreich


Um estudo publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry analisou o desempenho de quatro diferentes ferramentas na avaliação da progressão da doença em pacientes com ataxia de Friedreich. O estudo, intitulado "Um estudo de até 12 anos de seguimento de pacientes com ataxia de Friedreich, utilizando quatro instrumentos de medição" e foi liderado por investigadores do Centro de Investigação Genética para a Saúde Bruce Lefroy, do Instituto de Investigação Infantil Murdoch, na Austrália.

A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa hereditária rara caracterizada pela lesão progressiva do sistema nervoso com degeneração da medula espinal e nervos periféricos que leva à fraqueza muscular, perda sensorial, défice de equilíbrio e falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. Os pacientes também podem experimentar deformidades esqueléticas, diabetes mellitus e cardiomiopatia hipertrófica (distúrbio no qual o músculo cardíaco torna-se anormalmente hipertrofiado). O início da doença é geralmente durante a infância ou adolescência e a desordem leva à incapacidade progressiva, à dependência de uma cadeira de rodas e esperança de vida reduzida.

A doença é causada por uma mutação num gene chamado frataxina (FXN), mais especificamente por uma expansão de guanina-adenina-adenina (GAA), repetições trinucleotídicas no primeiro intrão do gene FXN, o que leva a uma redução nos níveis de proteína frataxina. Os alelos FXN normais contêm menos de 36 repetições GAA, enquanto os alelos causadores de doenças têm repetições da expansão GAA que podem ir até 1700. Pensa-se que o comprimento da expansão da repetição GAA esteja associado diretamente com a gravidade da doença.

Não há atualmente nenhuma terapia capaz de retardar ou reverter a progressão da doença ataxia de Friedreich; assim, existe uma necessidade urgente de tratamentos e ferramentas capazes de avaliar com precisão a sua eficácia.

No estudo, os investigadores investigaram a progressão da doença ataxia de Friedreich com base nas alterações anuais nos resultados de quatro medidas clínicas: a Tabela de Avaliação da Ataxia de Friedreich (FARS), a Tabela de Avaliação de Ataxia Cooperativa Internacional (ICARS), a Medida de Independência Funcional (FIM) e o Índice de Barthel Modificado (MBI). O estudo foi realizado durante um período de 12 anos e avaliados 147 pacientes com ataxia de Friedreich. Os investigadores também avaliaram o impacto da idade de início e o comprimento da repetição GAA na progressão da doença e do desempenho dos resultados.

Os investigadores descobriram que, nos primeiros 20 anos após o início da doença, tanto os resultados da FARS, como da ICARS, exibiram uma mudança maior em comparação com os 20 anos subsequentes, que foram caracterizados por pequenas alterações no resultado médio. De acordo com os resultados da MIF e da MBI, porém, o valor médio continuou a agravar-se para além dos 20 anos após o início da doença. Os investigadores descobriram que os pacientes com um maior número de repetições GAA e um início precoce da doença experimentaram uma progressão da doença mais rápida e um declínio funcional associado, nos primeiros 20 anos após o início.

A equipa de investigação concluiu que os pacientes com ataxia de Friedreich com uma repetição GAA de maior comprimento e idade mais precoce no início da doença tiveram resultados maiores na FARS e ICARS e resultados menores na MIF e MBI, indicando um perfil mais grave da doença. A equipa sugere que medidas FARS e ICARS são mais sensíveis a alterações nos primeiros 20 anos após o início da doença e são mais adequadas para estudos de intervenção. Se forem necessários participantes de todas as fases da doença (incluindo para além de 20 anos de duração da doença) num estudo, então os autores acreditam que a MBI pode ser a melhor ferramenta para empregar.


(artigo traduzido)



26 de julho de 2015

Alterações estruturais e funcionais no cerebelo dos pacientes com ataxia


Um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, revelou alterações estruturais e funcionais no cerebelo de pacientes com distúrbios hereditários atáxicos, nomeadamente ataxia espinocerebelosa (SCA) e ataxia de Friedreich. O estudo foi publicado na revista Brain e intitula-se "Anomalias estruturais e funcionais na ressonância magnética do córtex cerebelar e núcleos na SCA3, SCA6 e ataxia de Friedreich".

A ataxia é definida como um sinal neurológico caracterizado pela falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. Entre as ataxias hereditárias, a ataxia de Friedreich é a ataxia recessiva mais comum nos EUA e na Europa. A doença é uma desordem neurodegenerativa hereditária rara caracterizada pela lesão progressiva do sistema nervoso com degeneração da medula espinal e nervos periféricos, que levam à fraqueza muscular, perda sensorial, défice de equilíbrio e falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. A doença é causada por uma mutação num gene chamado frataxina e pode levar à incapacidade progressiva, à dependência de uma cadeira de rodas e à redução da esperança de vida.

A SCA é uma doença genética progressiva, neurodegenerativa, que compreende várias formas da doença (SCA1 a SCA29). Caracteriza-se por uma insuficiência no controlo muscular, e uma falta de equilíbrio e coordenação, devido aos danos nas partes do sistema nervoso que controlam o movimento. A SCA tipo 3 e 6 (SCA3 e SCA6) estão entre as ataxias autossómicas dominantes hereditárias mais comuns.

O cerebelo, uma região do cérebro que desempenha um papel importante no controlo motor, está envolvido em todos estas três ataxias hereditárias. No entanto, o impacto de cada doença nos tecidos cerebelosos é diferente, e essas diferenças podem ser avaliadas através de exames cerebrais de diagnóstico. A SCA6 é caracterizada por uma redução significativa do córtex cerebeloso, enquanto que os núcleos cerebelosos pensa-se que são preservados. A SCA3 e a ataxia de Friedreich, por outro lado, são caracterizadas pela preservação do córtex cerebeloso e uma redução no tamanho dos núcleos cerebelosos.

No estudo, os investigadores usaram a imagem ponderada em suscetibilidade (SWI), uma técnica que permite a visualização dos núcleos cerebelosos e a quantificação do seu volume, para avaliar a atrofia do núcleo cerebeloso em 12 pacientes com ataxia de Friedreich, 10 pacientes com SCA3 e 12 pacientes com SCA6. Como controlo, os indivíduos saudáveis ​​pareados foram avaliados. Uma ressonância magnética de campo ultra-elevado (MRI) de um movimento de mão simples foi usada para analisar a função do córtex cerebeloso e núcleos.

Os investigadores descobriram que, como esperado, o volume do cerebelo foi grandemente reduzido em pacientes com SCA6, enquanto estava ligeiramente reduzida no grupo SCA3 e preservados em pacientes com ataxia de Friedreich. A atrofia do núcleo cerebeloso foi detetada não apenas em pacientes com SCA3 e ataxia de Friedreich, mas também na coorte SCA6 em comparação com os controlos saudáveis, o efeito mais pronunciado nos doentes com SCA6.

A ressonância magnética funcional revelou alterações tanto no córtex cerebeloso, como nos núcleos, em todas as três doenças. Em relação aos núcleos cerebelosos, a redução foi mais proeminente em pacientes com ataxia de Friedreich, enquanto que o sinal de ressonância magnética funcional no córtex cerebeloso foi especialmente diminuído em pacientes com SCA3 e ataxia de Friedreich, em comparação com o grupo SCA6.

A equipa de investigação concluiu que a atrofia dos núcleos cerebelosos podia ser detetada em todos os três grupos de pacientes – ataxia de Friedreich, SCA3 e SCA6. As três doenças foram associadas a uma disfunção geral do cerebelo, envolvendo o córtex cerebeloso e núcleos cerebelosos. A equipa sugere que mais estudos de longo prazo devem investigar se esta patologia nuclear pode ser considerada um biomarcador útil da progressão da doença.


(artigo traduzido)







25 de julho de 2015

Diminuindo o risco de queda na ataxia espinocerebelosa

Citação
Santos de Oliveira LA, Martins CP, Horsczaruk CH, Lima da Silva DC, Martins JV, Vasconcelos LF, Rodrigues Ede C - J Phys. Ther. Sci. 2015; 27(4): 1223-1225.
Afiliação
Programa de pós-graduação em Ciências da Reabilitação, Centro Universitário Augusto Motta, Brasil; Instituto Federal do Rio de Janeiro, Brasil.
Direitos de autor
(Copyright © 2015, Society of Physical Therapy Science)
DOI
10,1589/jpts.27.1223
PMID
25995594
PMCID
PMC4434015
Resumo
[Finalidade] A ataxia espinocerebelosa consiste de um grupo de doenças autossómicas dominantes que causam a degeneração progressiva, principalmente no cerebelo e as suas ligações. As quedas, que são uma preocupação significativa desta doença, reduzem a mobilidade dos pacientes, deterioram a sua saúde e têm consequências físicas e sociais. O objetivo deste estudo foi testar a eficácia de um protocolo modificado para melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de queda de pacientes com ataxia espinocerebelosas exclusivamente.
[Sujeitos e Métodos] Exercícios com o objetivo de melhorar o equilíbrio estático e dinâmico, movimentos de corpo inteiro, medidas para prevenir quedas e estratégias de queda foram realizadas duas vezes por semana durante quatro semanas por 11 pacientes com ataxia espinocerebelosa. O equilíbrio foi avaliado utilizando a Escala de Equilíbrio de Berg.
[Resultados] Os resultados mostram que houve um aumento significativo nos resultados da Escala de Equilíbrio de Berg, após as intervenções (Wilcoxon p=0,0034).
[Conclusão] Este estudo demonstrou que o protocolo modificado é eficaz em reduzir o risco de queda em pacientes com ataxia espinocerebelosa. Este protocolo pode ser uma opção útil para lidar adequadamente com as quedas causadas pela ataxia espinocerebelosa.


(artigo traduzido)




Merck (Kenilworth, NJ, EUA) investe 55 milhões de dólares na RaNA Therapeutics (Cambridge, MA, EUA), tentando avançar com medicamentos baseados no ARN

A empresa Merck & Co aparentemente ficou animada com a perspetiva de desbravar terreno com novas terapias baseadas no ARN.

A MRL Ventures, uma empresa afiliada da Merck dedicada ao investimento biotecnológico, concordou em se juntar ao grupo Baupost com um investimento de 55 milhões de dólares na empresa baseada em Cambridge, Massachusetts (EUA), RaNA Therapeutics. Isto incluiu um punhado de investidores que normalmente se concentram em empresas públicas – Rock Springs Capital Management (EUA), Brookside Capital (EUA), e Leerink Partners (EUA). Os investidores anteriores, tais como a Atlas Venture (EUA), a SR One (EUA) do grupo GlaxoSmithKline, a Pfizer Venture Investments (EUA) e a Monsanto (EUA), todos continuaram após terem participado, em janeiro de 2012, no resultado de 20,7 milhões de dólares.

A RaNA Therapeutics planeia usar o dinheiro para desenvolver ainda mais a tecnologia que tem como alvo longos trechos de ARN que não contêm código para produção de proteínas, mas que contêm códigos que regulam o modo como as proteínas relacionadas com a doença são expressas. Embora muitas terapias baseados no ARN em desenvolvimento envolvam desligar proteínas relacionadas com a doença através do que é chamada interferência de ARN (uma área onde a Merck não foi muito longe), A RaNA toma o rumo oposto. Destina-se a marcar-se a transcrição do ARN, que produz determinadas proteínas desejáveis. A GlaxoSmithKline mostrou recentemente interesse neste território biológico menos explorado, que alguns chamam de "matéria escura" do genoma, através de um investimento de 95 milhões de dólares num instituto de investigação sem fins lucrativos chamado Instituto Altius para as Ciências Biomédicas (EUA). Enquanto que esse trabalho ganhou destaque, as grandes farmacêuticas têm mostrado interesse nas regiões do ARN 'não codificantes' há já alguns anos.
  
"Estou extremamente animado sobre a RaNA e o progresso que tem feito desde que começámos", disse Brian Gallagher, Jr., sócio da SR One, do grupo GlaxoSmithKline. "É uma tecnologia extremamente inovadora, com um enorme potencial para o tratamento de doenças utilizando a abordagem do seu novo ganho de funções."

Enquanto que a RaNA é uma das poucas empresas que se pensa estarem ativamente desenvolvendo medicamentos que operam contra longos trechos não-codificantes de ARN (ver este resumo detalhado em Timmerman Report), que não é a sua única grande ideia. A RaNA expandiu seu repertório através do desenvolvimento de tecnologia para estabilizar moléculas do ARN mensageiro na corrente sanguínea para que elas se possam tornar, elas próprias, medicamentos. A ideia de injetar mARNs no corpo para que possam atuar como pequenas fábricas de medicamentos produtoras de proteínas, ou seletivamente elevar a expressão de certas proteínas, cativou a imaginação dos fabricantes de medicamentos, incluindo a Merck. Antes de investir na RaNA, investiu 100 milhões de dólares na Moderna Therapeutics (EUA) em janeiro.

Um dos grandes desafios é fazer com que mARNs possam se traduzidos em proteínas que podem executar uma função biológica antes de ser feitos em pedaços pelo sistema imunológico. Este trabalho ainda está nos estágios iniciais de investigação e desenvolvimento, ou seja, é um longo caminho até ser testado em seres humanos. A RaNA, que tem cerca de 25 funcionários, está a trabalhar para otimizar os seus medicamentos candidatos para que eles possam estar prontos para os tipos de estudos com animais necessários para preparar o caminho para ensaios clínicos.

Mas os estudos em humanos estão à vista. O foco inicial da empresa está no desenvolvimento de medicamentos para a atrofia muscular espinhal (uma doença genética de controlo muscular) e ataxia de Friedreich (uma doença neurodegenerativa genética). O objetivo da RaNA é trazer dois novos candidatos a fármacos para ensaios clínicos em 2017, disse o CEO Ron Renaud.

Durante os seus primeiros dias, a RaNA tem concentrado em algumas regiões reguladoras específicas, mais notavelmente o Polycomb repressivo complexo 2, ou PRC2. Através da criação de uma pequena molécula de oligonucleótido sintético para bloquear a atividade repressora da PRC2, a RaNA espera que possa aumentar a quantidade de ARN transcrito a partir de um gene relacionado chamado SMN2. Se ARN suficiente ficar transcrito a partir desse gene, e se se fizerem cópias funcionais suficientes da proteína SMN2, então os investigadores acreditam que podem reduzir os sintomas da atrofia muscular espinhal. Outros investigadores têm publicado trabalhos sobre o papel do complexo PRC2 na disseminação do cancro.

Os pacientes com ataxia de Freidreich têm mutações genéticas que limitam a sua capacidade de produzir frataxina, uma proteína que ajuda a mover ferro e funções nas mitocôndrias, as fábricas de energia, da célula. A crença da RaNA é que pode estabilizar o ARNm para a frataxina, pelo menos o suficiente para que o suficiente da proteína essencial seja produzida, e que não se degrade muito rapidamente.

A empresa tem um pouco mais acontecendo, que não discute publicamente. Tem mantido os eus advogados ocupados, com a apresentação de 120 pedidos de patentes cobrindo sequências específicas de ácidos nucleicos, bem como métodos tecnológicos e composições de matéria para candidatos a fármacos. Mais de 70 genes-alvo diferentes são cobertos pelas suas declarações de propriedade intelectual - mais do que pode desenvolver praticamente de uma só vez, especialmente sem quaisquer colaboradores da Big Pharma para ajudar. Mesmo 55 milhões de dólares não são suficientes para avançar simultaneamente em todas as frentes. "Temos que priorizar", disse Renaud.

Muitos concorrentes têm outras ideias sobre como abordar ambas as doenças, e muitas estão ainda a ser testadas. A Biogen (EUA) e a Isis Pharmaceuticals (EUA) têm um programa para a atrofia muscular espinhal em ensaios clínicos, assim como a Roche (Suíça) e a PTC Therapeutics (EUA), além da Novartis (Suíça). A Edison Pharmaceuticals (EUA) tem um fármaco candidato em ensaios de fase intermédia para a ataxia de Freidreich.

Mesmo enquanto a biotecnologia está em pleno desenvolvimento, atraindo um fluxo de recém-chegados, ainda é um mundo pequeno, construído com base em relacionamentos de longo prazo. Renaud, que anteriormente foi CEO da Idenix Pharmaceuticals (EUA), conhece a equipa Merck muito bem - ele vendeu a Idenix à Merck no ano passado 3,9 biliões de dólares. O outro investidor, o Grupo Baupost (EUA), foi um grande investidor na Idenix. A Rock Springs e a Brookside estão certamente familiarizados com os outros jogadores na arena da RaNA.

"Vê nomes aqui que tenham estado envolvidos em outras empresas terapêuticas de ARN, outras peças de terapia genética, outras empresas de biotecnologia em fase precoce", disse Renaud.

Renaud ingressou na empresa em dezembro. Uma decisão inicial, quando a empresa estava clamando por mais espaço no laboratório, foi de se comprometer com um contrato de arrendamento a longo prazo no espaço anteriormente ocupado pela Vertex Pharmaceuticals (EUA). Foi quadruplicar o tamanho dos laboratórios anteriores de RaNA.

Esse compromisso, feito num mercado em brasa para a imobiliária biotecnológica em torno da Kendall Square em Cambridge (EUA), foi feito antes da RaNA ter conseguido este financiamento de 55 milhões de dólares. Renaud disse que não estava preocupado: ele estava confiante de que iria angariar o dinheiro durante estes tempos de bonança. Os investidores que normalmente investiam em empresas públicas, como os já mencionados, têm-se voltado para empresas privadas como a RaNA na busca de pechinchas que podem comprar hoje e vender mais tarde, quando vão a público. A recuperação no ambiente de financiamento permitiu a pequenas empresas, como a RaNA, esticarem-se para além de fazer apenas uma tecnologia, ou um único candidato a fármaco.

"Há uma série de benefícios na construção de uma pequena empresa de biotecnologia num ambiente muito positivo", disse Renaud.


Big Pharma – alcunha da indústria farmacêutica


(artigo traduzido)





23 de julho de 2015

Uma rede citosolica que suprime as mitocôndrias mediadas por stress proteostatico e a morte celular

As mitocôndrias são organelas multifuncionais, cuja disfunção neuromuscular leva à degeneração e ao envelhecimento. A multifuncionalidade representa um grande desafio para a compreensão dos mecanismos pelos quais a disfunção mitocondrial provoca patologias específicas. Entre os principais mediadores mitocondriais da morte celular, estão a depleção de energia, a produção de radicais livres, as falhas na biossíntese do aglomerado de ferro-enxofre, a libertação de moléculas sinalizadoras pró-apoptóticas e não-celular-autónomas, e a sinalização alterada do stress. Aqui nós identificámos uma nova via de morte celular mediada por mitocôndrias em levedura. Esta via foi nomeada precursora mitocondrial de sobre-acumulação de stress (mPOS), e é caracterizado pela acumulação anormal de precursores mitocondriais no citosol. A mPOS pode ser desencadeada por danos mitocondriais clinicamente relevantes, que não se limitam aos mecanismos fundamentais da importação da proteína. Também descobrimos uma grande rede de genes que suprimem a mPOS, modulando a biogênese ribossomal, decapando o mensageiro ARN, a tradução específico da transcrição, o acompanhamento e volta da proteína. Em resposta à mPOS, várias proteínas associadas a ribossomas foram reguladas positivamente, incluindo a Gis2 e a Nog2, que promovem tradução independente e inibem a exportação nuclear das subunidades do ribossoma 60S, respetivamente. A regulação positiva da Gis2 e da Nog2 promove a sobrevivência celular, o que pode fazer parte de um circuito fechado de realimentação, que atenua a mPOS. Os nossos dados indicam que a disfunção mitocondrial contribui diretamente para o stress proteostatico citosolico, e fornece uma explicação para a associação entre estas duas características de doenças degenerativas e envelhecimento. Os resultados são relevantes para a compreensão de doenças (por exemplo, ataxia espinocerebelosa, esclerose lateral amiotrófica e distrofia miotónica) que envolvem mutações dentro da rede anti-degenerativa.



(artigo traduzido)




22 de julho de 2015

Novas Parcerias para a EURORDIS




A União dos Doentes da Rússia
A União de Doentes da Rússia (UDR) é uma organização não-governamental e a voz de
cerca de 20 000 doentes na Rússia, incluindo aqueles que vivem com uma doença rara. O principal objetivo da UDR é garantir que os doentes, incluindo os doentes com doenças raras, tenham direito a todos os tratamentos necessários. Este acordo continua a forte colaboração existente entre a EURORDIS e a UDR, que está em vigor desde 2011 quando a UDR se tornou membro da EURORDIS e do Conselho de Alianças Nacionais (CNA).
A UDR e a EURORDIS acordaram em objetivos comuns:
§  Fortalecer a voz comum, europeia e internacional, das pessoas que vivem com uma doença rara e encarar as doenças raras como um desafio comum, promover as doenças raras como uma prioridade de saúde pública internacional e desenvolver ações, estruturas e regras a nível mundial; e
§  Abordar as principais expetativas que as comunidades de doentes têm em comum na Rússia e na UE, como a promoção da política de investigação e financiamento de doenças raras, permitindo o diagnóstico precoce e melhor das doenças, promover a igualdade de acesso ao melhor padrão de atendimento e promover o desenvolvimento/disponibilidade de tratamentos e medicamentos seguros e eficazes.

A Sociedade Europeia de Genética Humana
A Sociedade Europeia de Genética Humana (ESHG) e a EURORDIS iniciaram uma nova
parceria na recente Conferência Anual da ESHG. Ambas as organizações vão trabalhar em conjunto para promover ou desenvolver a sensibilização para as doenças genéticas raras, investigação para as doenças raras e acesso à informação.
As duas organizações irão alinhar e apoiar-se mutuamente numa variedade de atividades, incluindo conferências (como a Conferência Anual da ESHG e a Conferência Europeia sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos, esta última organizada pela EURORDIS e seus parceiros), ações políticas e iniciativas de interesse comum.
Os representantes dos doentes tem uma voz cada vez mais presente em todos os aspectos do desenvolvimento de medicamentos, incluindo a investigação. Apesar de terem sido feitos grandes avanços na sensibilização e no aumento do financiamento para a investigação das doenças raras, permanecem importantes desafios em relação à melhor utilização dos recursos e à forma como coordenar os esforços e melhorar a política. A EURORDIS e outras associações de doenças raras estão continuamente a desenvolver iniciativas a nível nacional e europeu para promover a investigação em doenças raras, desde a concessão de financiamento ao envolvimento direto em projetos de investigação.


Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 22/07/2015
Page last updated: 22/07/2015





18 de julho de 2015

A doença de Machado-Joseph (DMJ) ou ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3)

O que é a Doença de Machado-Joseph (DMJ)?
A doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma doença neurológica hereditária (de transmissão autossómica dominante), crónica e altamente incapacitante. A principal área do cérebro afetada é o cerebelo (responsável pela coordenação motora).

Quais os principais sintomas?
– Descoordenação da marcha
– Desequilíbrio
– Dificuldades a nível da deglutição (do engolir)
– Dificuldades a nível da fala (“disartria”)
– Visão “dupla” (diplopia) e “enevoada”
– Olhos protuberantes (devido à retração palpebral)
– Espasticidade (rigidez dos membros)
– Atrofia muscular

Quais as probabilidades dos filhos de um portador de DMJ serem, também eles portadores?
Qualquer filho de um portador de DMJ tem 50% de probabilidades de ser portador. Assim, existem famílias com 4 filhos em que todos são portadores da doença, e outras famílias, com 2 ou 3 filhos, em que nenhum é portador.

A doença teve origem nos Açores?
Não. O facto de as primeiras descrições da DMJ terem sido relativas a famílias de origem açoreana, residentes nos Estados Unidos da América, terá contribuído para esta ideia falsa. A verdade é que há casos de famílias portadoras de DMJ um pouco por todo o mundo, sem qualquer relação com famílias portuguesas ou açorianas.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através de um exame neurológico e de uma análise molecular (é retirado sangue que posteriormente será analisado).

É possível tratar a doença?
Ainda não há medicação específica para tratar a DMJ. No entanto, é possível uma medicação para quadros clínicos como a depressão, as alterações de sono, a distonia, as contraturas musculares e a dor. Isto é crucial para melhorar a qualidade de vida dos doentes com DMJ.

É possível prevenir a doença?
Não é possível evitar que a doença se manifeste. No entanto, é possível, a partir dos 18 anos, aceder ao Teste Preditivo. Este teste permite que o indivíduo saiba se é, ou não, portador da doença. A partir daí, é-lhe possível decidir se quer ou não ter filhos, bem como reestruturar, se necessário, outros projectos de vida.