21 de junho de 2015

Stress oxidativo envolvido na patogénese da ataxia de Friedreich


Investigadores da Universidade da Califórnia, em Davis (UC Davis, Davis, CA, EUA), conduziram recentemente um estudo de avaliação sobre os dados relativos à ligação entre o stress oxidativo e as doenças mitocondriais hereditárias como a ataxia de Friedreich. O estudo foi publicado na revista Free Radical Biology and Medicine e tem por título "O stress oxidativo nas doenças mitocondriais hereditárias".

As doenças mitocondriais são distúrbios raros causadas por mutações do ADN em genes expressos mitocondrialmente. As cinco doenças mitocondriais mais comuns são: ataxia de Friedreich, neuropatia ótica hereditária de Leber (LHON), síndrome de Leigh (LS), encefalomiopatia mitocondrial, acidose láctica, episódios semelhantes aos de um AVC (MELAS) e epilepsia mioclónica com fibras esfarrapadas de vermelho (MERRF). Atualmente, não existem terapias eficazes ou aprovadas para qualquer uma destas condições.

As mitocôndrias são organelos pequenos consideradas as potências das células onde a energia para o corpo é produzida. As mitocôndrias são uma fonte de espécies reativas ao oxigénio (ROS), que, quando presente em níveis elevados, podem induzir danos significativos às estruturas celulares. Este desequilíbrio entre a produção de ROS e sistemas antioxidantes é referido como stress oxidativo. Neste estudo, os investigadores da UC Davis analisaram o envolvimento do stress oxidativo na patogénese das doenças mitocondriais mais comuns.

A ataxia de Friedreich, em particular, é uma doença neurodegenerativa hereditária rara caracterizada pela lesão progressiva do sistema nervoso com degeneração da medula espinal e nervos periféricos que leva a fraqueza muscular, perda sensorial, défice de equilíbrio e falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. A doença é causada por uma mutação num gene chamado frataxina expresso mitocondrialmente (FXN) que leva a um defeito na expressão da proteína frataxina. O início da doença é geralmente durante a infância ou a adolescência e leva à incapacidade progressiva, a dependência de uma cadeira de rodas e esperança de vida reduzida.

Estudos utilizando células de pacientes com ataxia de Friedreich e animais modelo demonstraram que as respostas antioxidantes para proteção contra as ROS são deficientes no contexto da doença. Além disso, os pacientes exibem um aumento nos níveis de ROS e danos oxidativos. O stress oxidativo, por si só pode promover a inflamação, que por sua vez pode causar o stress oxidativo, gerando um ciclo vicioso que finalmente provoca a morte celular.

De acordo com os autores, o modelo atual da ataxia de Friedreich, é que o decréscimo nos níveis da proteína frataxina conduz a uma redução da prote0ção antioxidante, desencadeando efeitos neuro-inflamatórios e neurodegenerativos que resultam em sintomas clínicos da doença.

Em termos de opções terapêuticas, não há nenhum tratamento específico que possa interromper a progressão da doença em pacientes com ataxia de Friedreich, embora um número de medicamentos estejam atualmente a ser testados. Dada a evidência do envolvimento do stress oxidativo na patogénese da doença, estratégias terapêuticas com base em antioxidantes (como idebenone, um análogo da coenzima antioxidante Q10) estão a ser avaliadas. As estratégias terapêuticas destinadas a aumentar a expressão da frataxina também estão a ser testadas.

Na revisão, os autores concluíram que há provas que sustentam o envolvimento do stress oxidativo em todas as cinco doenças mitocondriais analisadas, mas que esta ligação é especialmente observada na ataxia de Friedreich. A equipa sugere que, dado o facto de que o stress oxidativo está subjacente à patogénese das doenças mitocondriais, terapias antioxidantes devem ser consideradas como uma estratégia terapêutica potencial, especialmente para pacientes com ataxia de Friedreich.


(artigo traduzido)



19 de junho de 2015

Ataxia: distúrbio pouco conhecido deixa médicos e pacientes perplexos

Ed Schwartz lembra-se de quando começou a ter problemas com o equilíbrio.
"Começou cerca de 20 anos", lembra Schwartz, 71 anos, que vive em Venetia (PA, EUA). "Eu levantava-me à noite para ir à casa de banho e caía."
Os médicos primeiro disseram-lhe que o seu ouvido interno estava desequilibrado e afetava o seu equilíbrio. Através dos anos, surgiram outras alterações. "Começou por ser uma coisa, depois outra e nós tratámos cada uma dessas coisas", disse ele. "As pernas inquietas, a falta de sono, a respiração. Foram todos tratados individualmente e até cerca de dois anos não os considerávamos como uma única entidade. "
Foi quando Schwartz finalmente recebeu um diagnóstico que resolveu o mistério médico que o estava a intrigar e irritar há duas décadas. O diagnóstico era ataxia, que vem da palavra grega para distúrbio. A Fundação Nacional de Ataxia (NAF, EUA) diz que é um termo usado para descrever um grupo de distúrbios neurológicos que causam problemas com o equilíbrio e movimento coordenado. Também pode afetar a visão, deglutição e fala. O Diretor Executivo da NAF, Michael Parents, disse: "Estima-se que 150 mil americanos sejam afetados por diferentes formas de ataxia, que pode ser hereditária, esporádica ou causada por trauma. A ataxia pode atingir qualquer pessoa em qualquer momento, independentemente da idade, sexo ou raça. Infelizmente, a obtenção de um diagnóstico adequado pode levar anos." Parents diz que o processo envolve um exame neurológico completo, ressonância magnética, histórico familiar e testes genéticos.

O que causa a ataxia?
A ataxia pode ser um sintoma de um número de condições neurológicas ou causada por uma lesão ou fatores ambientais. A investigação da NAF mostra que cerca de 50% herdam a condição através de um defeito genético ou mutação e outros 25% podem atribuir a sua incapacidade a uma causa conhecida, como um AVC (acidente vascular cerebral) ou traumatismo craniano. O restante pode nunca saber a causa para a sua condição.
Schwartz encaixa-se na última categoria e disse que a pista final para a sua condição veio com uma ressonância magnética, que confirmou a atrofia do seu cerebelo. "Andar a pé é difícil", admitiu. "Eu ando com grande dificuldade. Eu caio regularmente. Eu uso um colete especial que é concebido para me ajudar a contrariar problemas." Esse colete pesa 10 libras (4,5 kg aprox.), especialmente concebido para contrabalançá-lo.
A neuropatia contribui para a sua instabilidade e também enfraqueceu a sua aderência. O engenheiro aposentado ainda é produtivo na sua oficina na garagem, mas teve que fazer ajustes. "Eu costumava gostar de trabalhar em carros", disse ele. "Agora, de maneira alguma eu poderia chegar debaixo de um pára-choques e tentar rodar uma porca."
Outros sintomas incluem dificuldade em dormir e apneia do sono, que ele está a controlar com uma máquina de respiração C-PAP. Tudo isto tem sido um desafio para Schwartz e a sua esposa, Linda, que vão celebrar o seu 50.º aniversário de casamento neste verão. Mas ambos são investigadores ávidos e encontraram provas de que muitos pacientes com ataxia também sofrem de intolerância ao glúten. Schwartz eliminou o glúten da sua dieta e diz que notou uma melhoria imediata na digestão e na sua síndrome de pernas inquietas.

Fornecendo recursos e apoio
Para aqueles que são diagnosticados, a NAF fornece ajuda e apoio.
"Não só a Fundação apoia a investigação sobre ataxia em todo o mundo para ajudar a encontrar tratamentos e, finalmente, uma cura", disse Parent, "mas oferece publicações sobre ataxia para médicos, assim como organiza várias conferências médicas para ajudar a informar melhor a comunidade médica sobre ataxia."
A Fundação disponibiliza grupos de apoio para as famílias, incluindo um aqui, na zona oeste da Pensilvânia. Donna Eiben de South Park (WY, EUA), começou o capítulo local há dois anos. "Temos menos de 10 membros do nosso grupo e Ed foi o primeiro membro", disse ela. A ataxia hereditária corre na família de Eiben e cinco membros foram afetados.
"Tem sido uma vida muito difícil para mim e, tanto quanto eu sei, não estou afetada", disse Eiben. "Não havia nenhum grupo de apoio na minha área e eu decidi que precisávamos de um aqui. Tem sido útil para mim e para os outros no grupo para partilhar as nossas experiências e sentimentos e sentir que não estamos sozinhos."
Para Ed Schwartz, ter finalmente um diagnóstico correto deu-lhe paz de espírito. Ele faz fisioterapia duas vezes por semana para se concentrar em exercícios para os olhos, equilíbrio e andar. As mudanças na sua dieta também ajudaram a aliviar os sintomas.
"Eu agora então posso ficar de pé, eu agora posso andar agora e isso é tão significativo", disse ele.
"Graças a Deus que agora eu sei do que se trata," ele continuou. "Não gosto, mas eu sei o que é e estou a aprender mais e mais o tempo todo. Tenho como missão pessoal falar disto ao maior n.º possível de pessoas".
Schwartz aconselha a todos os outros a serem os seus próprios defensores e quer aumentar a consciência sobre a ataxia. "Eu quero, de alguma forma, chegar à comunidade médica e deixar essas pessoas entender quais são os sintomas e o que procurar para que quando alguém chega com isso, eles poderem reconhecê-los e começar a ajudar os pacientes."


(artigo traduzido)




18 de junho de 2015

Cientistas da Universidade de Ruhr, em Bochum (Alemanha) desenvolvem um rato modelo com ataxia: condicionamento do piscar de olhos para um diagnóstico precoce

Os cientistas da Universidade de Ruhr, em Bochum (Alemanha) estabeleceram um rato modelo com a doença humana SCA6 (ataxia espinocerebelosa tipo 6). A SCA6 é caracterizada por défices do movimento e causada por alterações genéticas semelhantes com a coreia de Huntington. O rato modelo será utilizado para investigar os mecanismos da doença. As experiências sugerem que uma deficiência no condicionamento do piscar de olho pode ser um sintoma precoce da doença. A equipa do Departamento de Zoologia e Neurobiologia publicou as suas conclusões no "The Journal of Neuroscience"; o trabalho foi destacado pelo comentário do editor.

Ataxia espinocerebelosa 6: alterações estruturais no canal de cálcio nos neurónios do cerebelo
A SCA6, ou ataxia espinocerebelosa tipo 6, é uma doença do movimento, o que resulta na perda de um tipo especial de neurónios no cerebelo chamados células Purkinje. Esses neurónios processam a informação sensorial para coordenar os movimentos. A doença tem um início tardio e desenvolve-se no segundo período de vida. Os doentes são muitas vezes confinados a uma cadeira de rodas e não há terapias disponíveis. "Para entender como a doença se origina e progride e para desenvolver novas estratégias terapêuticas, foi importante estabelecer um novo rato modelo", diz a Dra. Melanie Mark, uma neurocientista da Universidade de Ruhr, em Bochum (Alemanha).

A modificação de um único fragmento de proteína causa os sintomas da doença
A SCA6 pertence, juntamente com a coreia de Huntington, à família de doenças poliglutaminicas. São caracterizadas por repetições do aminoácido glutamínico em proteínas específicas das doenças. A equipa do Prof. Dr. Stefan Herlitze utilizou um fragmento de canais de cálcio humano a partir de um paciente com SCA6 contendo trechos de glutamina e trouxe-o para as células Purkinje cerebelosas de ratos. Este fragmento de proteína foi suficiente para induzir sintomas semelhantes aos da SCA6.

Dificuldades no condicionamento do piscar de olhos
No entanto, os animais desenvolveram outros problemas antes dos défices de movimento. As propriedades fisiológicas das células Purkinje foram alteradas e o condicionamento da aprendizagem foi prejudicado. O cientista apresentou um tom seguido por um sopro de ar sobre o olho. Os animais saudáveis ​​aprendem a fechar a pálpebra quando ouvem um tom, antes do sopro de ar ser aplicado. No entanto, os animais com o fragmento de canais de cálcio mutado não puderam aprender esta associação. "O condicionamento do piscar de olhos é um método não invasivo, que tem o potencial de ser usado para detetar doenças mediadas cerebelosas durante as fases iniciais antes de os sintomas da doença, tais como défices de movimento, se tornarem evidentes", sugere Stefan Herlitze.


(artigo traduzido)




14 de junho de 2015

Terapia genética promissora para a ataxia de Friedreich, baseada na expressão da frataxina


Uma equipa liderada por investigadores da Universidade Autónoma de Madrid (Espanha) publicou recentemente novos dados sobre a terapia genética para a ataxia de Friedreich com base na expressão do gene da frataxina humano, a partir de sistemas artificiais. O estudo é intitulado "A entrega de 135 kb do lócus ADN genómico da frataxina humana dá origem a diferentes isoformas de frataxina" e foi publicado na revista Genomics.

A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa hereditária rara caracterizada pela lesão progressiva do sistema nervoso com degeneração da medula espinal e nervos periféricos que leva a fraqueza muscular, perda sensorial, défice de equilíbrio e falta de coordenação dos movimentos musculares voluntários. A doença é causada por uma mutação num gene chamado frataxina (FXN) que leva a um defeito de expressão da proteína frataxina. O início da doença é geralmente durante a infância ou a adolescência e leva à incapacidade progressiva, a dependência de uma cadeira de rodas e esperança de vida reduzida. Atualmente, não há tratamento eficaz aprovado para a doença.

A proteína frataxina é encontrada na mitocôndria, pequenas organelas celulares consideradas a "potência" das células. A frataxina é sintetizada como uma forma precursora que é processada pelo processamento da peptidase mitocondrial para gerar a forma madura da proteína. Tem sido relatado que diferentes isoformas de frataxina podem ser formadas devido a mecanismos alternativos de expressão dos genes.

Os vetores que transportam o ADN da frataxina (como vetores virais) têm demonstrado que resgatam, em certa medida, o fenótipo da doença em células derivadas de pacientes com ataxia de Friedreich e em modelos de ratos. A equipa de investigação neste estudo relatou anteriormente o uso de vírus simplex de herpes do tipo 1 de elevada capacidade (HSV-1) vetores amplicon que transportam todo o locus genómico do FXN (IBAC-FXN) como um sistema de administração de genes bem-sucedido que seja capaz de induzir um nível fisiológico da expressão da frataxina, uma persistência a longo prazo da proteína e recuperação funcional das condições normais em células de pacientes com ataxia de Friedreich e em modelos de ratos.

Neste estudo, a equipa utilizou o mesmo sistema IBAC-FXN para analisar a expressão das diferentes isoformas da frataxina tanto em células em cultura como após injeção intracraniana em ratos. Os investigadores descobriram que a expressão do FXN a partir do IBAC-FXN mostravam, tanto em células em cultura como em ratos, todas as diferentes isoformas da frataxina que foram anteriormente descritas.

A equipa concluiu que a terapia genética baseada em vetores HSV-1 contendo todo o locus genómico do gene frataxina pode ser uma estratégia terapêutica alternativa promissora para a ataxia de Friedreich. A equipa sugere que a expressão adequada de todas as isoformas da frataxina pode ser crucial para a restauração completa da expressão da frataxina e, portanto, para a recuperação da função neuronal.


(artigo traduzido)




13 de junho de 2015

Agregados proteicos da ataxia espinocerebelosa tipo 6 causam défices na aprendizagem motora e plasticidade cerebelosa

Melanie D. Mark, Martin Krause, Henk-Jan Boele, Wolfgang Kruse, Stefan Pollok, Thomas Kuner, Deniz Dalkara, Sebastiaan Koekkoek, Chris I. De Zeeuw, e Stefan Herlitze


Resumo

A ataxia espinocerebelosa tipo 6 (SCA6) está ligada à poli-glutamina (poliQ) no terminal C (TC) das subunidades formadoras de poros do tipo P/Q canais de Ca2 + (Cav2.1) e é caracterizada por agregados de proteína CT encontrados em células Purkinje cerebelosas (PCs). Uma hipótese sobre a doença SCA6 é que um fragmento de CT do canal Cav2.1, que é especificamente detetado em frações citosólicas e nucleares em pacientes com SCA6, está associada com a patogénese SCA6. Para testar esta hipótese, expressámos fragmentos de proteínas do canal tipo P/Q de duas variantes de processamento de CT humanas diferentes, como previsto a partir de pacientes com SCA6, em PCs de ratos usando abordagens virais e transgênicas. Estas variantes de processamento representam um curto (CT-curta sem polyQs) e um longo (CT-longa com 27 polyQs) fragmento de CT. Os nossos resultados mostram que as diferentes variantes de processamento das CTs diferencialmente distribuem dentro das PCs, ou seja, as CTs curtas revelam predominantemente inclusões nucleares, enquanto as CTs longas revelam agregados tanto nucleares como citoplasmáticos. A expressão pós-natal das CTs em PCs em ratos revela que apenas as CT longas provocam sintomas semelhantes aos da SCA6, ou seja, os défices no condicionamento do pestanejar (EBC), ataxia e degeneração das PCs. Os fenótipos fisiológicos associados especificamente com o fragmento CT longo podem ser explicados por uma deterioração da LTD e LTP na sinapse paralela à fibra-para-PC e alteração na atividade PC espontânea. Assim, os nossos resultados sugerem que a poliQ transportando o fragmento de CT do canal tipo P/Q é suficiente para causar patogénese da SCA6 em ratos e identifica a EBC como uma nova estratégia de diagnóstico para avaliar as doenças humanas mediadas pelo canal Ca2+.


(artigo traduzido)




10 de junho de 2015

Ataxias cerebelosas autossómicas recessivas doenças genéticas

Lançamento da Rare Diseases International, a voz global das pessoas com doenças raras

Mais de 60 representantes dos doentes de 30 países reuniram-se para o lançamento oficial e a reunião inaugural da Rare Diseases International (RDI), que se realizaram no recente Encontro de Associados da EURORDIS que decorreu em Madrid, bem como para adotar os princípios de uma Declaração Conjunta destinada a promover a causa das doenças raras como prioridade de saúde pública internacional.
A RDI representa os doentes e as famílias de todas as nacionalidades, envolve todas as doenças raras e reúne organizações de doentes de cúpula e federações internacionais de doenças raras específicas de todo o mundo. Até à data, 20 destes grupos inscreveram-se formalmente como membros da RDI, estando previsto que mais 50 se juntem à iniciativa até ao final do ano.
Yann Le Cam, Diretor Executivo da EURORDIS, afirmou no que «a fundação da RDI é um momento histórico, transformando o movimento das pessoas com doenças raras num movimento internacional. Ao juntarmo-nos, estamos a criar uma massa crítica impossível de ignorar. A união torna mais forte cada um de nós a nível local e a todos a nível global.»
Além disso, sublinhou que a globalização não é um desafio para a comunidade de doenças raras mas, sim, parte da solução, comentando que «a complexidade da comunidade das doenças raras pode ser unida através da RDI». As doenças raras são atualmente ignoradas na agenda internacional. Há um longo caminho a percorrer, mas temos de olhar para a nossa diversidade como uma força, não como um problema.»
Durhane Wong-Rieger, presidente e diretora executiva da Associação Canadiana de Doenças Raras (CORD) acrescentou que «a CORD tem beneficiado imenso da sua associação com a EURORDIS. A RDI constituirá um recurso ainda maior, especialmente para os grupos de doentes localizados em países que só agora estão a desenvolver políticas para as doenças raras, pois podem basear-se nas melhores práticas existentes e usufruir de apoio, participando na voz global dos doentes.»   
Peter L. Saltonstall, presidente e diretor executivo da Associação Nacional de Doenças Raras dos EUA (NORD), declarou que «a NORD está satisfeita por aderir à Rare Diseases International e colaborar com os principais grupos de promoção da causa dos doentes de todo o mundo, ajudando assim a tornar as doenças raras uma importante prioridade de saúde pública a nível mundial.»
Os principais objetivos da RDI são:
Ø  Promover as doenças raras como prioridade internacional de saúde pública e de investigação pela sensibilização da sociedade e da influência sobre a elaboração de políticas;
Ø  Representar os membros e as pessoas que vivem com doenças raras em instituições internacionais como a Organização Mundial de Saúde e o Conselho Económico e Social das Nações Unidas; e
Ø  Aumentar a capacidade de os membros poderem melhorar a vida das pessoas com doenças raras ou por elas afetadas, através do intercâmbio de informações, do estabelecimento de redes, do apoio mútuo e de ações comuns.
A RDI é uma iniciativa da EURORDIS, criada em parceria com as alianças nacionais. A fase preliminar da iniciativa tem sido dirigida pela EURORDIS e pelas alianças nacionais de doenças raras dos EUA (NORD), do Canadá (CORD), do Japão (JPA), da China (CORD), da Índia (I-ORD) e pela Aliança Ibero-americana Pan-Regional (ALIBER) e pela Federação Internacional para a Epidermólise Bolhosa (DEBRA Internacional).
A próxima reunião anual da RDI terá lugar em maio de 2016, em Edimburgo, juntamente com a Conferência Europeia sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos (ECRD 2016, em Edimburgo).


Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 10/06/2015
Page last updated: 10/06/2015