18 de março de 2015

Há muitos caminhos para a degeneração dos neurónios

Os neurónios adultos são coisas delicadas. O excesso de proteína pode atirá-los fora de curso, resultando em neurodegeneração.

Depois de mostrar como a ATAXIN1 mutante (a proteína associada à doença neurodegenerativa ataxia espinocerebelosa 1) não pode dobrar-se e ser descartada adequadamente, resultando em neurónios a funcionar mal, a Dra. Huda Zoghbi, professora de genética molecular e humana na Faculdade de Medicina Baylor (Texas, EUA) e diretora do Instituto de Investigação Neurológica Jan e Dan Duncan do Hospital Infantil Baylor do Texas (EUA), e os seus colegas encontraram uma proteína de ligação de ARN chamada PUMILIO1, que regula os níveis de ATAXIN1. A perda de atividade da PUMILIO1 - como quando é batida ou perdida - aumenta a quantidade de ATAXIN1 normal na célula e, em estudos em ratos, causa neurodegeneração similar à da ataxia espinocerebelosa 1.

As pessoas e os animais que têm este distúrbio primeiro perdem o equilíbrio e depois, lentamente, começam a perder a capacidade de engolir e, nas pessoas, de falar. Mais tarde ou mais cedo, a espasticidade e a paralisia aparecem e, eventualmente, o paciente morre. No entanto, o distúrbio ataxia espinocerebelosa 1 é bastante raro, ocorrendo em cerca de 1 a 2 em cada 100.000 pessoas. É herdada dominantemente quando a proteína mutada é defeituosa. O filho de uma pessoa com a doença tem uma em duas hipóteses de herdar o gene defeituoso e herdar a doença.

Agora, num relatório na revista Cell, Zoghbi e o Dr. Vincenzo A. Gennarino (pós-doutorado no laboratório de Zoghbi e no Instituto de Investigação Neurológica), e os seus colegas demonstraram que uma proteína de ligação de ARN chamada PUMILIO1 também regula os níveis da proteína ATAXIN1. Quando um rato não possui uma cópia do gene PUMILIO1, a quantidade de ATAXIN1 aumenta, começando no início do desenvolvimento. O rato que perde a cópia ou cópias do PUMILIO1 desenvolve sintomas que lembram a ataxia espinocerebelosa 1, perda de coordenação motora e degeneração dos neurónios Purkinje do cerebelo. A eliminação da cópia do gene PUMILIO1 em ratos que já não possuem uma cópia de ATAXIN1 reduz os sintomas anormais e resgata os animais da doença.

Os investigadores postulam que é essencial para manter níveis precisos de ambas as proteínas - PUMILIO1 ATAXIN1. Se se perde esse equilíbrio, os animais desenvolvem sintomas da doença neurodegenerativa. As mutações que diminuem os níveis de PUMILIO1 em 50 por cento ou aumentam os níveis de ATAXIN1 em 30 a 50 por cento, numa fase precoce do desenvolvimento podem causar a degeneração precoce do início do cerebelo.

"Esta descoberta é importante. Pode haver pacientes que não possuem uma cópia funcional de PUMILIO1 através de uma variação do número de cópias ou uma mutação que inativa-o. Esses pacientes estão em risco de neurodegeneração de início precoce. Os pacientes que têm uma duplicação de ATAXIN1 (uma cópia extra) estão em risco de ataxia infantil ", disse Zoghbi, que também é professora de pediatria, neurociência e neurologia aa Baylor e investigadora no Instituto Médico Howard Hughes (Maryland, EUA).

"Se pudéssemos encontrar um tratamento que reduz a ATAXIN1 logo no início, seria útil a longo prazo", disse ela. "Isso dá esperança nesta doença."

As descobertas com a PUMILIO1 demonstram que os neurónios exigem apenas a quantidade certa da proteína importante - não muito e não muito pouco.

"Isso mostra que as células do cérebro não são tolerantes com demasia de uma proteína normal", disse ela. "Se pudermos voltar e diminuir um pouco as proteínas no início da vida antes do sistema vacilar, podemos ter um efeito."

"Para o início mais tardio da ataxia espinocerebelosa 1, se pudéssemos chegar a uma estratégia para encontrar moléculas para diminuir a ATAXIN1 mutante - não mais do que 10 a 20 por cento – talvez pudéssemos ser capazes de aliviar a doença", disse Zoghbi.

"Isto poderia ser importante no estudo de outras doenças neurodegenerativas. Nós não sabemos que proteínas estão envolvidas e o que acontece em doenças como Parkinson, Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica (ELA) e distúrbios semelhantes", disse Gennarino. "Por essas e outras condições neurodegenerativas que não se encaixam nas categorias mendelianas, pode ser mais frutífero encontrar fatores que elevem os níveis das proteínas-chave das doenças."

Outro que participaram neste trabalho incluem Ravi K. Singh, Joshua J. White, Antonia De Maio, Kihoon Han, Ji-Yoen Kim, Paymaan Jafar-Nejad, Alberto di Ronza, Hyojin Kang, Layal S. Sayegh, Thomas A. Cooper e Roy V. Sillitoe, todos da Baylor; e Harry T. Orr, do Instituto de Neurociência Translacional da Universidade de Minnesota em Minneapolis (EUA).




Doenças raras avançam para a internacionalização

A 22.ª reunião da Mesa Redonda Empresarial da EURORDIS teve lugar recentemente em Bruxelas por ocasião do Dia das Doenças Raras de 2015 e foi dedicada ao tema «Doenças Raras: avançar para o nível global».
Este grupo da EURORDIS, constituído por empresas, reúne-se uma vez por ano para analisar assuntos relacionados com o desenvolvimento e o acesso a tratamentos para as doenças raras. O grupo reúne empresas do ramo farmacêutico, biotecnológico e de prestação de serviços cujo trabalho tem impacto sobre as pessoas com doenças raras e que partilham um interesse comum nas doenças raras e no desenvolvimento de medicamentos órfãos.
Na situação atual, o desenvolvimento de terapias inovadoras para as doenças raras tem uma natureza maioritariamente global devido à raridade dos doentes e dos peritos, bem como ao facto de as empresas e os investidores terem uma estratégia de mercado cada vez mais global.
As doenças raras ainda não são reconhecidas como uma prioridade de saúde pública internacional. A EURORDIS pretende alterar esta situação nos próximos 5 a 10 anos. Num mundo em que cada vez mais países podem proporcionar melhor acesso aos cuidados de saúde a pelo menos uma parte da sua população, e em que a Internet está a mudar a forma como temos acesso a informações e construímos comunidades, a grave situação em que se encontram milhões de pessoas com doenças raras pode ser melhorada para além dos países da OCDE.
Uma estratégia internacional de investigação e de políticas de saúde pode dar um contributo significativo para a melhoria da vida das pessoas com doenças raras. Para tal, pode alargar-se a um maior número de doentes o acesso à informação, a um diagnóstico rigoroso e a cuidados abrangentes de qualidade, bem como a terapêuticas novas e inovadoras.
A reunião teve como objetivo discutir as oportunidades que a "internacionalização" apresenta, bem como analisar possíveis abordagens para uma internacionalização duradoura, estruturada e progressiva que envolva os doentes, as associações de doentes, os investigadores e a indústria.
O debate centrou-se nas atuais iniciativas estratégicas com potencialidades para estruturar essa internacionalização e a forma como essas iniciativas podem ser sinergicamente reunidas para otimizar os resultados. Foram abordados os seguintes temas:
§  Sensibilização, atualmente alcançada através do Dia das Doenças Raras, a campanha anual internacional destinada a sensibilizar os decisores políticos, as partes interessadas e o público que teve início em 2008 e que conta agora com mais de 80 países de todo o mundo.
§  Comunidades de doentes, tais como o RareConnect, um espaço online seguro, disponível em 5 idiomas, no qual as pessoas afetadas pelas doenças raras podem estabelecer contactos mútuos e participar em conversas sobre a sua doença ou assuntos de interesse comum. Estas comunidades começaram em 2010 e envolvem 40 países.
§  Investigação através de grupos como o Consórcio Internacional para a Investigação sobre Doenças Raras (IRDiRC), iniciado em 2009-2010, cujos objetivos são disponibilizar ferramentas de diagnóstico para a maioria das doenças raras e ajudar a fornecer 200 novas terapêuticas para doenças raras até 2020. Os investigadores no domínio das doenças raras sempre colaboraram a nível internacional para garantir a excelência da investigação e o progresso científico, mas de forma fragmentada. O IRDiRC cria um quadro político comum, coordena ações entre instituições de financiamento e organiza colaborações internacionais em áreas críticas.
§  Visibilidade das doenças raras nos sistemas de saúde através de ações constantes que englobam: a incorporação das doenças raras na revisão do sistema de codificação internacional de doenças CID 11; a promoção e a divulgação do código Orpha; e a indexação do código Orpha com outros sistemas de codificação além do CID, tais como o SNOMED. Leia mais sobre a codificação de doenças raras.
§  Conferências políticas multiparticipadas incluindo: a Conferência Europeia sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos (ECRD) organizada pela EURORDIS e pelos seus parceiros, que atrai um grande número de doentes de fora da Europa; a Cimeira de Mudança da NORD sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos, que se realiza nos EUA, e a Conferência Internacional sobre Doenças Raras e Produtos Órfãos (ICORD), que promove políticas para as doenças raras noutras zonas do mundo.
§  Entidades reguladoras que estão a acelerar o seu quadro de colaboração, principalmente entre a UE, os EUA, o Canadá e o Japão. Durante a reunião, a necessidade de reforçar a colaboração, a fim de simplificar os requisitos regulamentares de apoio a ensaios clínicos globais, foi identificada como uma prioridade.
§  Empresas farmacêuticas e de biotecnologia que ainda não estão a colaborar a nível internacional. Os participantes da reunião chegaram à conclusão que esta colaboração é agora necessária e identificaram potenciais iniciativas pré-concorrenciais que podem ser implementadas para criar um ambiente político e parcerias mais favoráveis. Durante a reunião, as empresas também foram incentivadas a aderir ao IRDiRC.
§  As associações de doentes, que precisam de se unir numa rede internacional para reforçar as suas capacidades e para falar com uma voz global, apresentaram a iniciativa Rare Diseases International, que foi cofundada com a NORD dos EUA, a CORD do Canadá, a JPA do Japão, a CORD da China, a IORD da Índia, a ALIBER Ibero-América e outros grupos.
Durhane Wong-Rieger, Presidente da Associação Canadiana para as Doenças Raras, participou do encontro e comentou que «a EURORDIS tem um grande histórico de trabalho internacionalmente com diferentes culturas e línguas, servindo de inspiração fora da Europa. É preciso ter a certeza de que os doentes do mundo se sentem igualmente representados e que tenham acesso a uma verdadeira comunidade global, não apenas através das ferramentas online, mas também através das suas próprias comunidades locais. Necessitamos de pensar desde o início sobre como desenvolver medicamentos numa perspetiva global, tendo em conta todos os países em vias de desenvolvimento.»
Fique atento às notícias sobre o lançamento da Rare Diseases International, a nova iniciativa da EURORDIS.


Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 18/03/2015
Page last updated: 12/03/2015




17 de março de 2015

Conferência Internacional sobre a Doença de Machado-Joseph (DMJ)


28/29 de Agosto de 2015
Cairns, Queensland, Austrália

Bem-vindo/a & convite para participar
A Fundação MJD convida-o/a para a Conferência Internacional DMJ 2015. O tema da conferência, "Excelência na investigação - Um mundo de esperança", vai reunir pessoas de todo o mundo - cientistas, profissionais de saúde e as famílias - para partilhar experiências e conhecimentos do Doença de Machado-Joseph.

Sobre a DMJ e a Fundação MJD (Machado-Joseph Disease)
A Doença de Machado-Joseph é uma doença neurodegenerativa hereditária. Isso resulta em danos para o cerebelo que, inicialmente, provocam fraqueza muscular e progride ao longo do tempo para uma total falta de controlo voluntário e incapacidade física permanente muito significativa. Não há cura conhecida, ainda. A Fundação MJD visa proporcionar uma melhor qualidade de vida aos australianos indígenas e suas famílias que vivam com a doença de Machado-Joseph, em Arnhem Land e mais além. Para mais informações sobre a DMJ ou o trabalho da Fundação MJD, visite http://www.mjd.org.au.




CIRAH: novos desafios

O Centro de Investigação e Reabilitação de Ataxias Hereditárias (CIRAH) em Holguín (Cuba) comemorou o 15.º aniversário da sua inauguração com a firme convicção de que, mais cedo ou mais tarde, a neurociência vai encontrar terapias que modifiquem o curso clínico e a idade de início da doença num estágio inicial, enquanto os especialistas agora optam por neuroreabilitação.
Foi assim que se manifestou o grupo que leva a cabo várias investigações de terapias muito promissoras, numa homenagem.
Durante estes 15 anos, cerca de 8000 cubanos e de latitudes diferentes foram atendidos no CIRAH, dos quais 800 receberam reabilitação e 1500 foram inscritos em programas de diagnóstico pré-natal, disse o Dr. Luis Velázquez Pérez, diretor do centro.
A instituição dispõe dum capital humano jovem e muito preparado, incluindo 14 doutorados, 30 mestres e 55 especialistas de diferentes ramos, que alcançaram mais de 200 publicações em revistas indexadas e cerca de 100 prémios nacionais e internacionais.
Além disso, o CIRAH estabelece novas colaborações com várias instituições cubanas e estrangeiras, a fim de expandir a sua investigação. Entre as universidades nacionais estão Holguin, Camaguey e Las Villas; entre as universidades internacionais estão as alemãs de Tuebingen, Bona e Frankfurt.
O CIRAH, único do seu tipo no país, foi criado em 2000 com base numa ideia de Fidel Castro, neste território oriental do país, como resposta a um problema de saúde em Cuba, principalmente em Holguín, onde está concentrado o maior número de indivíduos doentes, além do risco, com ataxia espinocerebelosa tipo 2 (SCA2), estimando-se uma população de cerca de 5533 indivíduos envolvidos.
O país tem mais de 8000 pessoas em risco da doença e cerca de 800 pacientes, pertencentes a 168 famílias, as quais estão relacionadas com estas doenças, dos quais 75,7% pertencem à forma molecular do tipo 2 (SCA2).
Em cada ano nascem 22 crianças portadoras do gene, aparecem 35 novos casos e 15 pacientes morrem.
Os principais sintomas da ataxia são: marcha descoordenada, instabilidade postural, distúrbio da fala (disartria), dismetría (imprecisões na magnitude e extensão dos movimentos) e abrandamento dos movimentos horizontais rápidos dos olhos.




12 de março de 2015

Análise funcional ajuda a definir o espectro mutacional KCNC3 em processos de ataxia holandeses

Anna Duarri, Esther A. R. Nibbeling, Michiel R. Fokkens, Michel Meijer, Melissa Boerrigter, Corien C. Verschuuren-Bemelmans, Berry P. H. Kremer, Bart P. van de Warrenburg, Dennis Dooijes, Erik Boddeke, Richard J. Sinke, Dineke S. Verbeek

Resumo
A ataxia espinocerebelosa tipo 13 (SCA13) é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante hereditária do cerebelo causada por mutações no canal de potássio dependentes da voltagem KCNC3. Para identificar novas mutações de SCA13 patogénicas em KCNC3 e obter dados sobre a prevalência da doença nos Países Baixos, sequenciámos o código de KCNC3 em toda a região, em 848 pacientes holandeses com ataxia cerebelosa de origem familial ou esporádica. Avaliámos a patogenicidade das variantes identificadas por análise de co-segregação e previsão in silico seguido de estudos bioquímicos e eletrofisiológicos. Foram identificadas 19 variantes em KCNC3 incluindo 2 não codificadas, 11 missense e 6 variantes sinónimas. Duas variantes missense não co-segregavam com a doença e foram excluídas por mutações potencialmente causadoras de doenças. Foram também identificadas as previamente relatadas mutações p.R420H e p.R423H, na nossa coorte. Das 7 restantes variantes missense, a análise funcional revelou que 2 variantes missense deslocam a ativação do canal Kv3.3 para voltagens mais negativas. Estas variações foram associadas ao início precoce da doença e deficiência mental leve. Além disso, uma outra variante missense deslocou a ativação do canal para voltagens mais positivas e foi associada à marcha atáxica espástica. As variantes missense restantes não alteravam qualquer das características do canal. Destas três variantes funcionais, uma única variante in silico foi prevista ser prejudicial e segregada com a doença. As outras duas variantes in silico foram previstas serem benignas e a análise à co-segregação não foi ótima ou só poderia ser parcialmente confirmada. Portanto, podemos concluir que identificámos pelo menos uma nova mutação patogénica em KCNC3 que causa a SCA13 e duas adicionalmente potenciais mutações SCA13. Isto leva a uma estimativa de prevalência da SCA13 na Holanda para estar entre 0,6% e 1,3%.



11 de março de 2015

Cientistas descobrem 'interruptor' de doença degenerativa dos nervos


Uma cientista italiana descobriu o que pode ser um "interruptor" molecular que poderia interromper a progressão de doenças nervosas degenerativas, como Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA).
A equipa da Universidade de Trento (Itália) liderada pela bióloga Maria Pennuto descobriu que uma forma rara de atrofia muscular espinhal causada por uma mutação no cromossoma X foi desencadeada por uma alteração dos recetores androgénicos, tornando-os excessivamente ativos.
A equipe de Pennuto foi capaz de "desligar" os recetores excessivamente ativos em moscas da fruta doentes, e isso abrandou a sua doença degenerativa.
"Interruptores similares estão presentes em outras proteínas associadas a outras doenças nervosas degenerativas, como Parkinson, esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença de Huntington e ataxia espinocerebelosa autossómica dominante (SCA1)", disse Pennuto. "Se a investigação confirmar a nossa intuição sobre as outras doenças, poderemos estar no caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos moleculares".
Os resultados foram publicados na revista Neuron.




Gene responsável por doença neurodegenerativa descoberto durante estudo sobre famílias portuguesas



Um grupo de investigadores descobriu, num estudo ao ADN de famílias portuguesas, um novo gene cuja mutação provoca uma forma específica de ataxia, uma doença neurodegenerativa.
Os investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e da University College London (UCL) usaram uma tecnologia desenvolvida recentemente que permite, de uma forma relativamente rápida, a sequenciação de exomas, ou seja, a sequenciação de todos os genes do genoma humano ao mesmo tempo.
A tecnologia foi usada para estudar nove famílias portuguesas com Ataxia Recessiva com Apraxia Ocular (ARAO), identificadas durante um estudo nacional e sistemático em ataxias hereditárias realizado entre 1994 e 2004 em Portugal.
A investigação permitiu identificar um novo gene (PNKP) cuja mutação origina uma forma recessiva de ataxia, uma doença que se caracteriza pela falta de coordenação nos movimentos do corpo.
“Agora que sabemos qual é o gene envolvido na doença, sabemos qual é a via biológica que está afetada e este conhecimento permite focar os esforços para o desenvolvimento de novas terapias, ou para a experimentação de terapias já existentes para doenças relacionadas”, afirmou José Miguel Brás, primeiro autor do estudo e investigador na UCL.
O cientista considera “de extrema importância” os estudos nacionais para a identificação de genes associados a formas familiares de doenças pois ajudam no diagnóstico, permitem determinar a existência da alteração genética noutros membros da mesma ou de outra família e podem identificar defeitos moleculares passíveis de serem tratados.
Rita Guerreiro, também investigadora na UCL, vincou o potencial que estes estudos têm para as famílias, mesmo sendo caros.
“Teria todo o interesse ver a continuação destes estudos a nível nacional de recrutamento e caracterização de famílias, não só para ataxias, mas para outras doenças neurológicas também”, defendeu.
A descoberta feita pelos cientistas portugueses não terá um efeito imediato para encontrar uma cura para a Ataxia, mas é um passo na identificação de todos os genes que contribuem para estas doenças.
“Como estas famílias fazem parte de um estudo sistemático a nível nacional, sabemos que 30 a 40% têm uma alteração genética ainda por definir e estamos a trabalhar para darmos uma resposta a estas famílias também”, referiu Rita Guerreiro.
O artigo, publicado no American Journal of Human Genetics, é resultado de uma colaboração entre o laboratório de José Brás e Rita Guerreiro na UCL, que se centra na investigação sobre doenças neurológicas e o IBMC, no Porto.
“Esta colaboração permitiu estabelecer o diagnóstico molecular nestas famílias e identificar a forma genética mais comum de Ataxia com Apraxia Ocular na população Portuguesa”, referiu Isabel Alonso, investigadora no IBMC.