19 de janeiro de 2015

Cadeirante supera preconceito e é eleita a musa do topless no Rio (Brasil)



A cadeira de rodas veio antes da carreira de modelo na vida da carioca Natache Iamayá, de 32 anos.  Ela começou a perder os movimentos das pernas aos 14 anos e onze anos depois teve de adotar a cadeira como principal instrumento de locomoção.
Mas isso não foi impedimento para que a sua beleza chamasse a atenção e ela fosse eleita por um corpo de jurados uma das musas do topless no Rio de Janeiro em dezembro passado. Natache e a bailarina Karla Klemente, eleita pelo público através de votação na internet, serão apresentadas oficialmente ao público no próximo dia 20, na praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.   
O primeiro trabalho de Natache foi um editorial de moda adaptada. “Fiz trabalhos desse tipo, mas o mercado de moda é muito segmentado e eu comecei a procurar trabalhos que integrassem cadeirantes e andantes. Sei que sou baixa [tem um 1,58 cm] e não sou magra, esquálida. Não dá para fazer passarela, mas o trabalho de modelo é muito mais que isso”, afirma. 
Entre um e outro trabalho específico para os cadeirantes, Natache foi convidada para participar do concurso Topless in Rio, criado pela jornalista Ana Paula Nogueira, que ficou conhecida em 2013, quando foi eleita 1ª miss top less da cidade.
“A ideia deste concurso era democratizar.  A gente prega a liberdade para o corpo, quer quebrar os estereótipos dos concursos de beleza. Não exigimos um tipo físico específico e nem limites de  idade. Só tinha de ser mulher, mas podia ser transexual, desde que tivesse mais de 18 anos”, explica Ana Paula.
Nesta proposta Natache encontrou uma forma de atuar como modelo, sem que isso estivesse atrelado a sua condição de cadeirante. “Já tinha me decepcionado com um concurso anterior. Estava concorrendo, mas quando falaram que minha cadeira não era uma coisa passageira, fui desclassificada”, diz.
Apesar de o nome topless sugerir que as musas só farão fotos com os seios a mostra, Natache não tirou a blusa para ganhar o concurso.

Ataxia de Friedreich
Porta voz desta luta contra o preconceito, a vencedora Natache tem uma doença rara, a ataxia de Friedreich, e começou a notar os primeiros sintomas quando ainda tinha 14 anos.
"Minha infância foi normal. Eu fazia de tudo, estudava e saía muito com amigos. Nunca tive nenhum problema. Quando fiz 14, comecei a reparar que estava andando desengonçada, deixava as coisas cair, minha voz começou a falhar e a ficar mais baixa”, relembra.
A partir daí começou uma batalha – que ela associa ao seriado House (de enigmas médicos) – para descobrir o que estava causando os sintomas.
“Foram cinco anos de tratamentos inconclusivos, de diagnósticos de tumor, esclerose múltipla, Esclerose Lateral Amiotrófica [ELA]. Foram vários diagnósticos sem que os médicos descobrissem o que eu tinha. Até que fiz um exame chamado eletroneuromiografia, que apontou que poderia ser ataxia [transtorno que afeta a o equilíbrio]. Fiz um teste genético e apontou ataxia de Friedreich”, diz.
“Saber o que tinha me deu um alívio, mas também fiquei com medo porque não sabia aonde essa doença ia me levar. Eu só via minha condição piorar.”
Foi neste período que desenvolveu uma depressão. Em parte, diz ela, por conta do preconceito das pessoas, que a viam tropeçar e cair e achavam que ela estava bêbada ou drogada, sem saber que aos poucos ela estava perdendo o movimento das pernas. "Passei um período mal, com depressão, não saia de casa e não falava com as pessoas”.
Para se livrar do quadro de apatia, Natache resolveu voltar a estudar e se matriculou no curso de Direito. Mas o avanço da doença a impediu de continuar a frequentar as aulas. “Parei quando comecei a precisar de ajuda para ficar em pé”, disse.
Segundo o neurologista José Luiz Pedroso, membro da Academia Brasileira de Neurologia e professor afiliado da Universidade Federal de São Paulo, a ataxia de Friedreich é uma doença rara, progressiva, de origem genética e recessiva e que se dá pelo cruzamento de um gene alterado da mãe e do pai.
Segundo o médico, a doença ataca uma em cada 50 mil pessoas, os sintomas começam a aparecer entre os 11 e os 16 anos e não tem cura.
“É uma doença de lenta evolução, mas não existe nenhum remédio comprovado para combatê-la. O que recomendamos é um tratamento multiprofissional, com reabilitação, fonoaudiologia, nutricionista e fisioterapia, além de remédios para tratar as consequências, como dor, alterações na parte ortopédica, diabetes e cardiopatia”.

Exercícios físicos
Natache encontrou nos exercícios físicos uma forma de se manter ativa e atrasar a evolução da doença. “Montei uma rotina com prioridade para os meus tratamentos. Faço musculação todos os dias. Isso é bom física e mentalmente para mim. Não sou marombeira. O exercício é parte do meu tratamento para recuperar o tônus muscular”.
Além disso, a modelo tem consultas com fonoaudiólogo, aulas de pilates e estimulação russa (tratamento de tonificação muscular através de aparelho de eletroterapia). “Para outras mulheres, isso é tratamento de beleza, mas para mim ajuda na respiração”.
Natache diz também se “forçar” a sair de casa, ficar em pé e subir escada para não parar totalmente de movimentar o corpo. “Fico muito cansada com todas essas atividades, parece que tenho 80 anos. Mas tenho de fazer”.
Vaidosa, Natache também não dispensa uma visita semanal ao cabelereiro. “Fico bonita, independente da doença”.  Quando questionada do que mais sente falta da época em que andava, ela não pensa duas vezes. “Dançar e usar salto. Adorava e pegava até os sapatos da minha mão escondidos”.






A Saúde não mente: "Traumatismos - Reabilitação"

16 de janeiro de 2015

Dados recentes do Instituto de Química Bioorgânica (Polónia) fornecem novas pistas sobre Neurobiologia

Dados recentes do Instituto de Química Bioorgânica (Polónia) fornecem novas pistas sobre Neurobiologia (um novo modelo rato de ataxina-3 humanizada combina as características genéticas, patogénese dos neurónios e células gliais e doença, SCA3/DMJ, de início tardio).

De acordo com notícias de Poznan, na Polónia, a investigação indicou que "a ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3/DMJ) é uma doença neurodegenerativa desencadeada pela expansão de repetições CAG no gene ATXN3. Aqui, nós relatamos a geração do primeiro modelo rato de ataxina-3 humanizada (Ki91), que fornece perspetivas sobre a patologia neuronal e glial da SCA3/DMJ."

Foi obtida uma citação da investigação do Instituto de Química Bioorgânica "Primeiro, a ataxina-3 mutante acumulada nos núcleos celulares em todo o cérebro Ki91, mostra manchas imunes difundidas e formam inclusões intranucleares. O alelo humanizado revelou expansões e contrações das repetições CAG nas transmissões inter-geracionais. A mutação CAG também exibia expansões específicas do tecido dependentes da idade, que foi mais proeminente no cerebelo, ponte e testículos dos animais Ki91. Além disso, os ratos Ki91 exibiam processos neuroinflamatórios, mostrando astroglioses na substância branca do cerebelo e a substância negra que acompanhou a desregulamentação transcricional do Serpina3n, um sinal molecular de neurodegeneração e danos cerebrais. Ao mesmo tempo, as células Purkinje do cerebelo em ratos Ki91 mostraram neurodegeneração, uma diminuição acentuada na imunoreatividade das Calbindina D-28 k e uma ligeira diminuição no número de células, modelando assim a degeneração do cerebelo observada na SCA3. Além disso, estas neuropatologias moleculares e celulares foram acompanhadas por défices comportamentais tardios na coordenação motora observados em testes em animais. Em resumo, criámos um modelo rato da ataxina-3 que combina os fenótipos moleculares e comportamentais da doença com as características genéticas da SCA3."

De acordo com as notícias, a investigação concluiu: "Este modelo vai ser muito útil para o estudo da patogenia e as respostas à terapia da SCA3/DMJ e outros distúrbios poliQ.”




13 de janeiro de 2015

"O legado de Marie Schlau" - um projeto literário internacional contra a ataxia de Friedreich


18 autores (Maria Blasco Gamarra; M. Luz González Casas; Diego Plaza González; Imaculada Priego Priego; Maria Pino Brumberg; Eva Plaza González; Pilar Ana Tolosana; Miren Kristina Zarrantz Elizalde; Rámon Roldán Herreruela; Sarah Allen; Nicola Batty, entretanto já falecida; James Wafer, autor da capa; Fátima d’Oliveira; Susan Allen Carter; Jamie Leigh Hansen; Claudia Parada; Marguerite Black; Rebecca Stant).
7 países (Espanha, Reino Unido, Portugal, EUA, México, África do Sul, Austrália).
4 continentes (Europa, América do Norte, África, Oceânia).
3 línguas (espanhol, inglês, português).
1 livro (“O legado de Marie Schlau”).
1 ideia, 1 vontade, 1 objetivo: divulgar a ataxia de Friedreich, uma doença rara, incurável, genética, progressiva e altamente incapacitante e, ao mesmo tempo, angariar fundos para a investigação da doença, na busca dum tratamento e/ou cura.
Esta aventura começou em 2010, quando a autora Maria Blasco Gamarra entrou em contacto com a associação BabelFAmily (http://www.babelfamily.org) com a ideia de um projeto pioneiro: a escrita de um livro, um romance original, por autores com ligações à ataxia de Friedreich.
Finalmente, em 2014, foi publicada a versão impressa do livro em espanhol, “El legado de Marie Schlau”.
De momento, está em preparação a tradução, para posterior publicação, da versão impressa do livro em inglês, “The legacy of Marie Schlau”.
O objetivo é traduzir o livro nos idiomas de todos os autores. Tal só é possível devido ao excecional trabalho desenvolvido pela dedicada equipa de tradutores, todos em regime de voluntariado, da BabelFAmily.
Algumas entrevistas com alguns dos autores já estão disponíveis em http://www.babelfamily.org/pt/.
Todos as receitas angariadas com a venda deste livro destinam-se à investigação da ataxia de Friedreich na busca dum tratamento e/ou cura.
Para mais informações, podem contatar a associação BabelFAmily, através do site (http://www.babelfamily.org/pt/ - Contatos).


(Texto da autoria de Fátima d’Oliveira, uma das autoras envolvidas no projeto.)















12 de janeiro de 2015

A Biogen Idec (BIIB) e o Centro Médico da Universidade de Columbia (EUA) vão conduzir investigações genéticas colaborativas

A Biogen Idec (NASDAQ: BIIB) e o Centro Médico da Universidade de Columbia (EUA) formaram uma aliança estratégica de 30 milhões de dólares para realizar investigação genética sobre as causas subjacentes das doenças e identificar novas abordagens de tratamentos. Como parte deste acordo, uma instalação para sequenciamento e análises e um programa de pós-doutoramento compartilhado serão estabelecidos em Columbia para apoiar estudos genéticos colaborativos. O acordo vai integrar a investigação genómica realizada em Columbia com o conhecimento da Biogen Idec dos mecanismos e caminhos da doença, e especialização em descobrir novos medicamentos.

"Esta colaboração com a Biogen, com o seu foco sobre as causas genéticas das doenças, encaixa-se perfeitamente com o compromisso da Columbia para a medicina de precisão"

"A nossa compreensão da genética humana está-se a expandir rapidamente, e há um reconhecimento crescente de que o elucidar das causas genéticas da doença terá um efeito transformador no atendimento ao paciente e desenvolvimento de medicamentos em muitas doenças diferentes", disse David Goldstein, PhD, diretor-fundador do Instituto de Medicina Genómica da Universidade de Columbia (EUA). "Esta colaboração casa a experiência excecional em desenvolvimento de medicamentos da Biogen com os conhecimentos em genómica de ponta no Centro Médico da Universidade de Columbia (EUA). Não só incidirá na identificação do alvo e validação nas fases iniciais do desenvolvimento do medicamento, mas também irá facilitar a avaliação dos tratamentos, geneticamente informada."

"As tecnologias humanas genéticas e analíticas têm avançado ao ponto onde se estão a tornar fundamentais para a descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos", disse Tim Harris, PhD, DSc, Vice-Presidente Sénior, Tecnologia e Ciências Translacionais, Biogen Idec. "Estamos empenhados em trabalhar com instituições líderes, como Columbia, para avançar a investigação genética básica e, através da combinação de nossas forças, acelerar a descoberta de potenciais novos tratamentos."

A colaboração vai permitir à Biogen Idec e Columbia investigar os genomas de pacientes apresentando respostas de tratamento incomuns ou apresentações originais da doença, e explorar as ligações entre genes, vias e processos de doença. O objetivo final será o de proporcionar alvos múltiplos qualificados para novas abordagens terapêuticas, aumentando o potencial para o desenvolvimento de novos tratamentos.

"Esta colaboração com a Biogen, com o seu foco nas causas genéticas das doenças, encaixa-se perfeitamente com o compromisso da Columbia para a medicina de precisão", disse Lee Goldman, MD, MPH, Professor da Universidade e decano das faculdades de ciências da saúde e medicina. "O desenvolvimento de novos tratamentos com base nesta compreensão genética terá efeitos profundos na prática clínica."

A nova unidade terá uma vasta capacidade para investigação genética e a capacidade de iniciar e concluir projetos de sequenciamento de todo o genoma rapidamente. Permitirá a sequenciação de ADN da população em escala rápida numa ampla gama de áreas de doenças, com o foco em doenças com necessidades clínicas significativas não satisfeitas, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a fibrose pulmonar idiopática.

Tom Maniatis, PhD, Professor de Bioquímica e presidente do Departamento de Bioquímica e Biofísica Molecular no Centro Médico da Universidade de Columbia (EUA) e diretor da iniciativa medicina de precisão em toda a universidade de Columbia, disse: "Os fortes programas de ciências clínicas e básicas em doenças neurodegenerativas na Columbia vai beneficiar significativamente com a aliança Columbia/Biogen. Esperamos que a aliança faça avançar dramaticamente a nossa compreensão da genética destas doenças devastadoras e, finalmente, levar a tratamentos baseados no mecanismo, um aspeto fundamental da iniciativa medicina de precisão da Columbia. "

Sobre a Biogen Idec

Através da medicina ciência de ponta, a Biogen Idec descobre, desenvolve e oferece a pacientes de todo o mundo terapias inovadoras para o tratamento de doenças neurodegenerativas, condições hematológicas e distúrbios autoimunes. Fundada em 1978, a Biogen Idec é a mais antiga empresa de biotecnologia independente do mundo e pacientes de todo o mundo beneficiam das suas terapias inovadoras para a esclerose múltipla (EM) e hemofilia. Para a rotulagem de produtos, comunicados de imprensa e informações adicionais sobre a empresa, visite http://www.biogenidec.com.

Sobre o Centro Médico da Universidade de Columbia

O Centro Médico da Universidade de Columbia fornece liderança internacional em investigação básica, pré-clínica e clínica; médica e ensino das ciências da saúde; e assistência ao paciente. O centro médico treina futuros dirigentes e inclui o trabalho dedicado de muitos médicos, cientistas, profissionais de saúde pública, dentistas e enfermeiros no Colégio de Médicos e Cirurgiões, a Escola Mailman de Saúde Pública, a Faculdade de Medicina Dentária, a Escola de Enfermagem, os departamentos biomédicos da Escola Superior de Artes e Ciências, e centros de investigação e instituições aliadas. O Centro Médico da Universidade de Columbia é o lar do maior entreposto de investigação médica em Nova Iorque (EUA) e do Estado, e uma das maiores constituições médicas de corpo docente do Nordeste. Para obter mais informações, visite http://cumc.columbia.edu ou http://columbiadoctors.org.

Salvo-Conduto

Este comunicado de imprensa contém declarações prospetivas, incluindo declarações relacionadas com os avanços dos nossos esforços de investigação e desenvolvimento de medicamentos. Estas declarações podem ser identificadas por palavras tais como “crença", "espera", "pode", "planeia", "potencial", "irá" e expressões similares, e são baseadas em crenças e expectativas atuais. Estas declarações envolvem riscos e incertezas que podem causar resultados reais que difiram materialmente daqueles refletidos em tais declarações, incluindo riscos e incertezas associados com o desenvolvimento de medicamentos e comercialização, bem como outros riscos e incertezas que são descritos na seção Fatores de Risco do nosso mais recente relatório anual ou trimestral arquivado na Comissão de Segurança e Câmbios dos EUA. Quaisquer declarações prospetivas são válidas apenas a partir da data deste comunicado de imprensa e não assumimos nenhuma obrigação de atualizar quaisquer declarações prospetivas, seja como resultado de novas informações, eventos futuros ou de outra forma.




11 de janeiro de 2015

Através de toda a China: Viajar com esperança, com um cão, uma cadeira de rodas e muito amor

É fácil desenhar um coração na areia e dizer "Eu amo-te", mas poucos têm o coração de Ding Yizhou, 28, que está a desenhar um coração em toda a China, com as marcas dos rodados da cadeira de rodas da sua namorada.

A jornada deles começou em Liuzhou, na Região Autónoma de Guangxi Zhuang, no sul da China. Ding estima que vai demorar três anos. "Mas eu espero que nunca acabe", disse ele.

A sua namorada Lai Min, 28, foi diagnosticado com ataxia espinocerebelosa, quando era ainda uma criança. É uma doença progressiva genética, degenerativa. A sua mãe e o seu tio morreram com ela. O seu pai morreu num acidente de trânsito em 2009.

A condição física de Lai deteriorou-se no início do ano passado, e ela perdeu a capacidade de andar sem ajuda. "O que farão se eu morrer um dia?" ela perguntou aos amigos no seu microblogue.

A mensagem foi vista pelo seu colega de classe da escola primária Ding, que entrou em contato com ela e - pronto! – apaixonaram-se.

Ding gastou todas as suas economias no tratamento médico de Lai, mas sem sucesso. Em desespero, Lai disse a Ding o seu desejo, que soa como uma versão real do filme “Uma semana”.

“Ao invés de ficar na cama e esperar pelo meu último suspiro, eu prefiro gravar a minha imagem com uma câmara em todos os lugares bonitos de toda a China ", disse ela.

Ding não podia fazer mais nada, senão concordar. Apesar de a ideia poder parecer louca a alguns, o homem tinha um plano. A Lai senta-se na sua cadeira de rodas, que Ding puxa com o seu cão de estimação, A Bao. Ding conduz a sua bicicleta, enquanto o cão pastor branco caminha ao seu lado.

Com apenas 200 yuan (cerca de 32 dólares) entre eles, Ding planeou ganhar dinheiro a fazer de cabeleireiro para os moradores ou através de trabalhos agrícolas ao longo do caminho. À noite, quando não há hotéis, eles vão montar uma tenda.

Muitas pessoas foram tocadas pela história deles. Os transeuntes dão-lhes dinheiro, quer eles queriam, quer não. Num prazo de cinco dias, eles tinham cerca de 11.000 yuan, mas Ding recusa patrocínios.

As pessoas que passam por eles têm-lhes oferecido boleia, que educadamente eles recusam. "O melhor cenário está a caminho", diz Ding. "Nós não queremos perder nada."

Quando os repórteres da Xinhua (agência de notícias oficial do governo da República Popular da China) os alcançaram, os dois estavam numa estrada nacional em Laibin, a cerca de 50 quilômetros de onde começaram. Estava a chover. Lai segurava um guarda-chuva; A Bao usava uma capa para a chuva, enquanto Ding, magro e queimado pelo sol, tropeça na chuva, os sapatos já desgastado.

Um velho amigo, o Sr. Pan, deu a Ding um par de sapatos novos. "Ele era um menino tão impertinente na escola", disse Pan. "Eu nunca imaginei que pudesse ser tão responsável e dedicado. O amor pode mudar um homem."

Lai e Ding estão a caminho de Nanning, capital da província de Guangxi, onde alguém lhes doou um triciclo elétrico. Isso vai definitivamente acelerar a jornada deles.

Segue-se a cénica Yunnan e, mais tarde, o Tibete. "Vai ser Verão quando lá chegarmos, por isso não vamos sentir o frio", disse Ding.

Antes de eles terem iniciado a sua louca jornada, o par não pensou muito sobre o futuro, mas depois de apenas alguns dias, suas ideias mudaram.

"Quando a jornada terminar, vou criar uma fundação com o dinheiro doado para ajudar pessoas como Lai", disse Ding.

Lai disse à Xinhua que eles vão se casar ao longo do caminho. "Mas, em comparação com um casamento, eu estou ansiosa pela viagem", ela sorriu.