7 de dezembro de 2014

A ataxia espinocerebelosa tipo 36 (SCA36) existe em diversas populações e pode ser causada por uma curta expansão da repetição GGCCTG hexanucleotide


Masato Obayashi, Giovanni Stevanin, Matthis Synofzik, Marie-Lorraine Monin, Charles Duyckaerts, Nozomu Sato, Nathalie Streichenberger, Alain Vighetto, Virginie Desestret, Christelle Tesson, H-Erich Wichmann, Thomas Illig, Johanna Huttenlocher, Yasushi Kita, Yuishin Izumi, Hidehiro Mizusawa, Ludger Schöls, Thomas Klopstock, Alexis Brice, Kinya Ishikawa, Alexandra Dürr


Resumo

Objetivo
A ataxia espinocerebelosa 36 (SCA36) é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante, causada por uma grande (>650) expansão da repetição GGCCTG hexanucleotide no primeiro intrão do gene NOP56. O objetivo deste estudo é esclarecer a prevalência, características clínicas e genéticas da SCA36.

Métodos
A expansão foi testada em 676 casos de SCA independentes e 727 controles da França, Alemanha e Japão. As características clínicas e neuropatológicas foram investigadas em membros da família disponíveis.

Resultados
Os alelos normais variam entre 5 e 14 repetições hexanucleotide. As expansões foram detetadas em 12 famílias em França (prevalência: 1,9% de todas as SCAs francesas), incluindo uma família com ascendência espanhola, outra com ascendência portuguesa e outra com ascendência chinesa; em cinco famílias no Japão (1,5% de todas as SCAs japonesas); mas estavam ausentes em pacientes alemães. Todas as 17 famílias com SCA36 compartilhavam um haplótipo comum para a região de pares 7,5 kb ladeando a expansão. Enquanto 27 indivíduos tinham expansões tipicamente longas, três indivíduos afetados abrigavam pequenas expansões hexanucleotide de 25, 30 e 31 unidades de repetição hexanucleotide, demonstrando que uma pequena expansão pode causar a doença. Todos os pacientes apresentaram ataxia cerebelosa lentamente progressiva frequentemente acompanhada de problemas cognitivos e auditivos, tremores, ptose e sensação reduzida de vibração, com a idade de início variando entre os 39 e os 65 anos, e as características clínicas não apresentaram diferenças entre os indivíduos com expansões curtas e os com tipicamente longas. A neuropatologia num caso pré-sintomático revelou que as células Purkinje e os neurónios hipoglossais são afetados.

Conclusões
A SCA36 é rara, com uma distribuição mundial. Ela pode ser causada por uma curta expansão GGCCTG e associa vários sintomas extra-cerebelosos.




5 de dezembro de 2014

Ataxias hereditárias


São ataxias que, como o nome sugere, são herdadas e, embora o sintoma dominante seja a ataxia, geralmente há outros sintomas acompanhantes, alterando outras estruturas do sistema nervoso (gânglios da base, tronco cerebral, medula espinhal ou nervos periféricos).

Os mecanismos hereditários podem ser:
·         Autossómico dominante
·         Autossómico recessivo
A classificação genómica foi substituída, nos últimos tempos, pelas classificações acima mencionadas.

Existem várias formas clínicas, mas só se irão listar as mais importantes.

1) Ataxias autossómicas dominantes

As características mais frequentes e principais de cada um dos síndromas:

SCA 1. Anteriormente conhecida como ataxia olivopontocerebelosa.
Manifesta-se no começo ou em plena idade adulta.
Aparece uma ataxia progressiva no tronco e extremidades.
Há uma óbvia lentidão dos movimentos voluntários.

Diminuição do equilíbrio. Disartria (dificuldade em pronunciar as palavras) silabeante.
Rigidez muscular e, ocasionalmente, tremor parkinsoniano.
São frequentes as alterações do esfíncter.
Paralisia oculomotora e/ou paralisia facial, ou seja, paralisia dos movimentos oculares ou faciais
Às vezes, uma demência leve está associada.
Na Ressonância Magnética é evidente a atrofia cerebelosa.


SCA 2. Este fenótipo clínico foi descoberto em cubanos e em hindus.
A idade de início varia entre os 2 e os 65 anos.
Os sintomas são variados e incluem:
Movimentos oculares lentos.
Rigidez parkinsoniana.
Ataxia.
Disartria.
Espasticidade leve.

SCA 3 ou doença de Machado-Joseph (DMJ).
É a ataxia hereditária autossómica dominante mais comum.
Inicialmente detetada em portugueses e seus descendentes em Nova Inglaterra (EUA) e Califórnia (EUA).
Existem três tipos:
Tipo I (Tipo esclerose lateral amiotrófica (ELA)-parkinsonismo-distonia)
Aparece nos primeiros 20 anos de vida.
Há fraqueza e espasticidade nos membros, especialmente nos inferiores.
Distonia rosto e pescoço, tronco e extremidades.
Marcha lenta e rígida.
Nistagmo e movimentos oculares rápidos.
Espasmos e mioclonias.
Dificuldade em engolir e falar devido à espasticidade na faringe   .
Tipo II (Tipo atáxico)
Aparece entre os 20 e os 40 anos.
A ataxia e a disartria são visíveis.
É a forma mais comum da doença.
Paralisia ocular.
Espasmos faciais e da língua.
Tipo III (Tipo ataxia-amiotrofia)
Manifesta-se entre os 50 e os 70 anos.
Há uma marcha atáxica e disartria acentuadas.
Atrofia distal por neuropatia periférica.
Défice sensorial distal evidente.
No geral, nesta doença (SCA3), os sintomas continuam a piorar até levar à morte dentro de 15 anos, desde o início, especialmente em pacientes com os tipos I e II.



3 de dezembro de 2014

Avanços no diagnóstico de doenças neurogenéticas






http://www.brasilfashionnews.com.br/noticias_detalhe.aspx?id=23837

O mérito da espectroscopia da ressonância magnética de protões na avaliação longitudinal de ataxias espinocerebelosas e sistemas múltiplos tipo atrofias-cerebelosas (Perspetivas Epidemiológicas & Inovações)



Background:
As ataxias espinocerebelosas (SCA) e sistemas múltiplos tipo atrofia-cerebelosa (MSA-C), muitas vezes apresentam manifestações clínicas semelhantes no início. A espectroscopia da ressonância magnética (MRS) tem provado ser uma ferramenta útil para ajudar a diferenciar os diferentes tipos de SCA e MSA-C em estudos transversais. No entanto, nunca foram relatadas alterações longitudinais dos metabolitos da MRS nestes sujeitos. O objetivo deste estudo foi o de acompanhar a evolução longitudinal dos metabólitos da MRS nestes pacientes e verificar a correlação entre a severidade clínica medida pela Escala de Avaliação e Classificação da Ataxia (SARA) e os metabólitos da MRS.

Resultados:
As reduções significativas de NAA/Cr e NAA/Cho nos hemisférios do cerebelo em todos os pacientes e menos Cho/Cr nos hemisférios do cerebelo em pacientes com SCA2 ou MSA-C foram encontrados em todos os momentos. Nas avaliações iniciais, os pacientes com MSA-C ou SCA2 tendiam a ter menos NAA/Cr e Cho/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA3 ou SCA6. Nos seguimentos, os pacientes com SCA2 ou MSA-C tinham menos NAA/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA3 ou SCA6. Os pacientes com MSA-C tinham menos NAA/Cr na vermis e menos Cho/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA2 no início, e tinham menos NAA/Cr nos hemisférios do cerebelo do que aqueles com SCA2 nos seguimentos.

Conclusão:
Os padrões característicos de evolução neurodegenerativa foram observados em pacientes com SCAs díspares e MSA-C usando a MRS e a SARA. A deficiência continuada da integridade neuronal foi observada em todos os grupos de pacientes. As mudanças longitudinais de metabolitos da MRS e as avaliações SARA eram mais marcantes em pacientes com SCA2 e MSA-C. Embora as alterações nos metabolitos da MRS posam ainda ser usadas para ajudar a compreender a patofisiologia dos distúrbios atáxicos, estão longe de serem um bom biomarcador.



CONCURSO FOTOGRAFICO DA EURORDIS

Agenda preenchida no Encontro de Associados de 2015 em Madrid

O Encontro de Associados da EURORDIS (EAE) de 2015 terá lugar a 29 e 30 de maio, em Madrid.
Todos os anos organizado em cidades europeias diferentes, o EAE proporciona aos seus 200 participantes, constituídos sobretudo por representantes de associações de doentes, profissionais de saúde e decisores políticos, a oportunidade de estabelecer redes, partilhar boas práticas e participar em oficinas.
O evento de dois dias, organizado em colaboração com a FEDER, a Aliança Nacional Espanhola para as Doenças Raras, terá início com a Assembleia Geral, durante a qual será apresentada a Estratégia da EURORDOS para o período de 2015 a 2020. Nesta fase, serão também eleitos quatro diretores para a Direção da EURORDIS.
Em seguida, o Encontro será dividido em várias sessões plenárias, a primeira das quais irá centrar-se nasRedes Europeias de Referência (RER) e analisará questões como a forma de criar e organizar RER e a maneira de envolver os doentes no seu desenvolvimento. Em seguida, decorrerão quatro sessões simultâneas, durante as quais os representantes dos doentes examinarão a organização de RER por área terapêutica.
A Sessão Plenária de sábado de manhã terá como tema os resultados das conferências nacionais e como as opções existentes ou promissoras tratadas nos planos ou estratégias nacionais poderão inspirar outros países.
Em seguida haverá diversas oficinas de capacitação, que terão por base os principais resultados das conferências e das estratégias nacionais para as doenças raras. Estas são organizadas com o objetivo de proporcionar aos doentes os conhecimentos de que necessitam para fazer avançar as políticas e os serviços relativos às doenças raras no seu país e nas suas comunidades locais. Estas oficinas começarão por avaliar o estado atual das conferências e das estratégias nacionais para as doenças raras, centrando-se em tópicos como os Centros de Referência, a investigação e o acesso a medicamentos órfãos e serviços sociais, analisando depois a forma de avançar para manter o processo de desenvolvimento das políticas para as doenças raras a nível nacional e europeu.
Para participar
Se desejar participar, no início de 2015, na secção de membros do site da EURORDIS, estarão disponíveis informações sobre a forma de se inscrever.
O Encontro realizar-se-á em inglês no Rafaelhoteles Atocha Hotel, sendo a Sessão Plenária de sexta-feira, dia 29, traduzida simultaneamente para espanhol. 
Mais informações 
Para mais informações, pode assistir a apresentações do EAE de 2014 ou 2013.
Esperamos encontrá-lo(a) em Madrid!

Eva Bearryman, Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira

 
Fonte: http://www.eurordis.org/pt-pt/news/agenda-preenchida-no-encontro-de-associados-de-2015-em-madrid

2 de dezembro de 2014

Palestra “Conhecer o desequilíbrio: ataxia, uma realidade presente”


Realizou-se no passado dia 29/11/2014, na Carregueira, mais uma intervenção sobre a temática das ataxias. Tendo em atenção o tema atáxico, uma aluna do 3.º ano do curso de Animação Sociocultural, da Escola Profissional de Torres Novas, demonstrou a sua aptidão profissional com uma palestra sobre o tema “Conhecer o desequilíbrio“, na qual foram relatados casos de ataxias.
A plateia estava bem composta e interessada sobre o tema.
Esta foi a ordem do desenvolvimento dos trabalhos:
1)   Apresentação dos oradores presentes, por parte da já referida aluna, de seu nome Daniela Alves.
2)    Lina Valador, em representação da APAHE na qualidade de 1.º Secretário da Mesa da Assembleia Geral, introduziu o tema das ataxias.
3)    António Valador, também em representação da APAHE na qualidade de sócio, fez a demonstração de casos de Machado-Joseph.
4)    Apresentação de 2 documentários sobre a ataxia Friedreich (um da autoria de Ana Cristina Pereira, a 1.ª Presidente da Direção da APAHE, outro sobre Elisa, emigrante na Suíça) seguido da apresentação de um documentário sobre a Doença de Machado-Joseph (DMJ) da fundação Australiana.
5)    Luís Sousa, ainda em representação da APAHE na qualidade de Vice-presidente da Direção relatando o que é viver com uma ataxia.
6)    Eduarda Caetano em representação da ADNC (Amigos de Doentes Neurológicos da Carregueira) relatando o que é conviver com e esclerose múltipla (EM) e as semelhanças com as ataxias.

Em jeito de conclusão, foi mais uma iniciativa em prol das ataxias para que o tema não morra no esquecimento e um alertar de consciências mais incautas.