10 de setembro de 2014

Sinais interrompidos conduzem à neurodegeneração


Os investigadores do Instituto Riken de Ciência do Cérebro, no Japão, em colaboração com a Universidade de Juntendo (Japão) e da Agência de Ciência e Tecnologia do Japão, descobriram que um recetor celular amplamente envolvido na sinalização intracelular do cálcio - o recetor IP3R - pode ser bloqueado num estado fechado pela ação duma enzima, e que este bloqueio pode potencialmente desempenhar um papel na redução da sinalização neuronal observada em doenças neurodegenerativas tais como as doenças de Huntington e Alzheimer.


Na investigação publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas relataram experiências em células humanas e num modelo de rato da doença de Huntington, revelando que a transglutaminase tipo 2 - a proteína de ligação cruzada com enzimas elevadas nas células dos pacientes com doenças neurodegenerativas - interage com o recetor IP3R para travá-lo numa conformação não funcional fechada, impedindo-o de cumprir o seu papel essencial de liberação de cálcio. Eles identificaram um local aminoácido específico no recetor, Gln2746, onde a modificação ocorre, aprofundando a nossa compreensão de como os recetores são bloqueados e, potencialmente, abrindo as portas para estudos sobre outras proteínas funcionais que também são regulados por mudanças conformacionais.
O canal IP3R, que está localizado no retículo endoplasmático, um conjunto de proteínas e compartimento de transporte, tem um papel crucial na sinalização intracelular do cálcio, e está envolvido numa vasta gama de funções celulares, incluindo a produção de energia mitocondrial e a regulação da autofagia, o processo de através do qual as células consomem e degradam componentes não utilizados para manter um equilíbrio saudável das proteínas funcionais. Embora a autofagia seja normalmente um mecanismo que sustenta a manutenção das células, mas também pode provocar uma perda de função celular e tem sido associada a doenças importantes, incluindo a doença de Huntington, Alzheimer, e Parkinson.
Neste trabalho, os cientistas propõem um modelo geral segundo o qual a sinalização anormal de cálcio mediada pelo IP3R causada pela ação da transglutamase tipo 2 leva à disfunção celular e, posteriormente, para o aparecimento de disfunção progressiva do cérebro. A ativação da transglutaminase 2 é comumente associada com inflamação e stress, e a sua ação no canal IP3R pode fornecer uma explicação para as etapas de iniciação e progressão comuns a várias doenças neurodegenerativas.
De acordo com Katsuhiko Mikoshiba, que liderou o estudo, "Nós pensamos que o mecanismo que foi identificado neste estudo pode-nos fornecer um modelo mais geral de outras doenças, tanto do cérebro como de outras partes do corpo, onde a transglutaminase tipo 2 é regulada. Esperamos que essa perceção possa, eventualmente, levar ao desenvolvimento de novos medicamentos e terapias para uma série de doenças neurodegenerativas que colocam um fardo pesado nos pacientes e sociedade ".



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 Fonte: E-News EURORDIS, 10-09-2014

Prémios EURORDIS de 2015: Estão abertas as candidaturas

Prémios EURORDIS de 2015: Estão abertas as candidaturas

5 de setembro de 2014

Mutações no ANO10 causam ataxia e deficiência da coenzima Q10

Resumo
As ataxias hereditárias são distúrbios heterogéneos que afetam crianças e adultos, com mais de 40 genes causadores diferentes, tornando o diagnóstico genético molecular desafiador. Apesar de recentes avanços no sequenciamento de última geração ter melhorado significativamente a deteção de mutações, existem poucos tratamentos para os pacientes com ataxia hereditária. Em dois pacientes com ataxia cerebelosa com início na idade adulta e deficiência a nível muscular da coenzima Q10 (CoQ10), o sequenciamento completo do exome revelou mutações no ANO10, que codifica a anoctamina 10, um membro de uma família de canais de cloreto ativado pelo cálcio putativo, e o gene causador da ataxia-10 espinocerebelosa autossómica recessiva (SCAR10). Ambos os pacientes apresentavam ataxia lentamente progressiva e disartria, levando a uma deficiência grave na sexta década. Epilepsia e dificuldades de aprendizagem também estavam presentes num paciente, enquanto a degeneração da retina e cataratas estavam presentes no outro. A deteção de mutações no ANO10 nos pacientes indica que os defeitos no ANO10 causam níveis baixos de CoQ10 secundários e que os pacientes com SCAR10 podem beneficiar de suplementos de CoQ10.





4 de setembro de 2014

Novos avanços sobre ataxias espinocerebelosas




Doença de Machado-Joseph: entenda a sídrome que atingiu o ator Guilherme Karan

O ator Guilherme Karan está afastado de sua profissão há cerca de 8 anos, isso porque infelizmente ele tem sofrido com a síndrome de Machado-Joseph.

Diante de sua situação, o artista hoje segue isolado em sua casa, vivendo uma cadeira de rodas.

A chamada síndrome de Machado-Joseph é uma doença hereditária que se manifesta na idade adulta de forma degenerativa.

Veja a seguir os detalhes relacionados ao problema que interrompeu de forma lamentável a carreira de Guilherme Karan:

Segundo matérias publicadas recentemente na mídia, a pesquisadora e chefe da área de genética do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Laura Bannach Jardim – que pesquisa há 15 anos essa silenciosa e inconveniente doença – afirma não existir uma predileção em relação ao sexo dos indivíduos propensos a herdar o problema. Ela diz ainda que no sul do Brasil os pacientes costumam manifestar a doença quando têm algo em torno de 34 anos de idade.

Os sintomas iniciais da “Doença de Machado-Joseph”
A doença que normalmente surge somente em indivíduos que possuem pelo menos um dos genitores com o problema, apresenta como sintomas iniciais a falta de coordenação nos movimentos, o desequilíbrio no eixo corporal e as dificuldades para locomoção.

Em alguns casos ainda no inicio da doença é possível que ocorram manifestações oculares de insegurança ao descer uma escada, nesse caso a pessoa se sente como se tivesse consumido alguma bebida alcoólica e se sentisse incapaz de realizar algumas atividades, das mais simples às que exigem maiores esforços.

Em um estágio mais avançado da doença, os pacientes que possuem a síndrome de Machado-Joseph enfrentam uma grande dificuldade em deglutir os alimentos, engasgando-se facilmente.

Em determinada fase pode ocorrer também de a pessoa sentir dificuldades na fala, não conseguindo expressar as palavras de forma coerente e coordenada, somando-se a isso ainda há possibilidade de os olhos perderem a ação conjugada, dessa forma, cada olho pode passar a se movimentar de uma forma distinta, de modo que o paciente acaba tendo uma visão dupla.

Em alguns casos de pacientes com a síndrome, é possível também que a pessoa apresente alguns movimentos involuntários ou perca gradativamente a sensibilidade no corpo, podendo até mesmo contrair uma rigidez comum aos pacientes de Parkinson.

Sobre a doença
A síndrome de Machado-Joseph recebe esse nome em uma espécie de homenagem às duas primeiras famílias que foram diagnosticadas com o problema nos Estados Unidos.

Diversos rumores apontam que a doença teria surgido nos Açores, uma vez que as famílias Machado e Joseph eram originárias de região açoriana. Apesar dos boatos, registros apontam a Ásia como possível responsável pelo surgimento da doença há mais de 7 mil anos.

Diagnóstico da doença
A recomendação feita por especialistas da área da saúde é a de que ao perceber os primeiros sintomas o paciente procure imediatamente um neurologista, para que possa relatar aquilo que vem sentindo.

Tendencialmente o profissional irá perguntar sobre a existência de algum caso da síndrome de Machado-Joseph na família, em caso afirmativo, a doença é previamente diagnosticada, podendo ainda ser realizado um teste genético a partir do DNA do indivíduo.

A síndrome Machado-Joseph em si não leva o paciente à morte, no entanto, o estado degenerativo é progressivo. Com o passar do tempo o paciente sente dificuldade em fazer coisas simples do dia a dia, tais como sentar e engolir seus alimentos, ficando ainda exposto a infecções.

Tratamento da doença de Machado-Joseph
Ainda não existe no mercado um tratamento capaz de interromper os nocivos efeitos da doença, mas os pacientes devem passar por uma série de cuidados que são fundamentais para que eles tenham uma qualidade de vida melhor, contando com o apoio de profissionais como fonoaudiólogos, fisioterapeutas, neurologistas e psicólogos.

Com a fisioterapia o paciente consegue um fortalecimento dos músculos e desenvolve as parte que ainda não foram afetadas com a doença. Há ainda a possibilidade de o paciente receber medicação capaz de proporcionar redução da rigidez e parkisonismo.

Novos estudos sobre o caso
Informações recentes apontam que a pesquisadora Laura, em parceria com uma equipe de genética do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, tem realizado estudo que conta com a colaboração de voluntários, a intenção é realizar testes tendo o Lítio como neuroprotetor.


A expectativa é a de que até no próximo ano seja possível ter uma resposta sobre o estudo, cujo objetivo, em tese ,é impedir que a doença cause danos ao sistema neurológico.

Fonte: http://gestaodelogisticahospitalar.blogspot.pt/2014/09/doenca-de-machado-joseph-entenda.html