4 de setembro de 2014
Doença de Machado-Joseph: entenda a sídrome que atingiu o ator Guilherme Karan
O ator Guilherme Karan está afastado de sua profissão há
cerca de 8 anos, isso porque infelizmente ele tem sofrido com a síndrome de
Machado-Joseph.
Diante de sua situação, o artista hoje segue isolado em sua
casa, vivendo uma cadeira de rodas.
A chamada síndrome de Machado-Joseph é uma doença
hereditária que se manifesta na idade adulta de forma degenerativa.
Veja a seguir os detalhes relacionados ao problema que
interrompeu de forma lamentável a carreira de Guilherme Karan:
Segundo matérias publicadas recentemente na mídia, a
pesquisadora e chefe da área de genética do Hospital de Clínicas de Porto
Alegre, Laura Bannach Jardim – que pesquisa há 15 anos essa silenciosa e
inconveniente doença – afirma não existir uma predileção em relação ao sexo dos
indivíduos propensos a herdar o problema. Ela diz ainda que no sul do Brasil os
pacientes costumam manifestar a doença quando têm algo em torno de 34 anos de
idade.
Os sintomas iniciais da “Doença de Machado-Joseph”
A doença que normalmente surge somente em indivíduos que
possuem pelo menos um dos genitores com o problema, apresenta como sintomas
iniciais a falta de coordenação nos movimentos, o desequilíbrio no eixo
corporal e as dificuldades para locomoção.
Em alguns casos ainda no inicio da doença é possível que
ocorram manifestações oculares de insegurança ao descer uma escada, nesse caso
a pessoa se sente como se tivesse consumido alguma bebida alcoólica e se
sentisse incapaz de realizar algumas atividades, das mais simples às que exigem
maiores esforços.
Em um estágio mais avançado da doença, os pacientes que
possuem a síndrome de Machado-Joseph enfrentam uma grande dificuldade em
deglutir os alimentos, engasgando-se facilmente.
Em determinada fase pode ocorrer também de a pessoa sentir
dificuldades na fala, não conseguindo expressar as palavras de forma coerente e
coordenada, somando-se a isso ainda há possibilidade de os olhos perderem a
ação conjugada, dessa forma, cada olho pode passar a se movimentar de uma forma
distinta, de modo que o paciente acaba tendo uma visão dupla.
Em alguns casos de pacientes com a síndrome, é possível
também que a pessoa apresente alguns movimentos involuntários ou perca
gradativamente a sensibilidade no corpo, podendo até mesmo contrair uma rigidez
comum aos pacientes de Parkinson.
Sobre a doença
A síndrome de Machado-Joseph recebe esse nome em uma espécie
de homenagem às duas primeiras famílias que foram diagnosticadas com o problema
nos Estados Unidos.
Diversos rumores apontam que a doença teria surgido nos
Açores, uma vez que as famílias Machado e Joseph eram originárias de região
açoriana. Apesar dos boatos, registros apontam a Ásia como possível responsável
pelo surgimento da doença há mais de 7 mil anos.
Diagnóstico da doença
A recomendação feita por especialistas da área da saúde é a
de que ao perceber os primeiros sintomas o paciente procure imediatamente um
neurologista, para que possa relatar aquilo que vem sentindo.
Tendencialmente o profissional irá perguntar sobre a
existência de algum caso da síndrome de Machado-Joseph na família, em caso
afirmativo, a doença é previamente diagnosticada, podendo ainda ser realizado
um teste genético a partir do DNA do indivíduo.
A síndrome Machado-Joseph em si não leva o paciente à morte,
no entanto, o estado degenerativo é progressivo. Com o passar do tempo o
paciente sente dificuldade em fazer coisas simples do dia a dia, tais como
sentar e engolir seus alimentos, ficando ainda exposto a infecções.
Tratamento da doença de Machado-Joseph
Ainda não existe no mercado um tratamento capaz de
interromper os nocivos efeitos da doença, mas os pacientes devem passar por uma
série de cuidados que são fundamentais para que eles tenham uma qualidade de
vida melhor, contando com o apoio de profissionais como fonoaudiólogos,
fisioterapeutas, neurologistas e psicólogos.
Com a fisioterapia o paciente consegue um fortalecimento dos
músculos e desenvolve as parte que ainda não foram afetadas com a doença. Há
ainda a possibilidade de o paciente receber medicação capaz de proporcionar
redução da rigidez e parkisonismo.
Novos estudos sobre o caso
Informações recentes apontam que a pesquisadora Laura, em
parceria com uma equipe de genética do Hospital das Clínicas de Porto Alegre,
tem realizado estudo que conta com a colaboração de voluntários, a intenção é
realizar testes tendo o Lítio como neuroprotetor.
A expectativa é a de que até no próximo ano seja possível
ter uma resposta sobre o estudo, cujo objetivo, em tese ,é impedir que a doença
cause danos ao sistema neurológico.
Fonte: http://gestaodelogisticahospitalar.blogspot.pt/2014/09/doenca-de-machado-joseph-entenda.html
3 de setembro de 2014
31 de agosto de 2014
Marcas do tempo
Eu me policio frequentemente, com
medo de ficar com aquele jeito espantado, meio alienado, como meu irmão e meu
pai. Já não tenho a meiguice da meninice e nem olhar matreiro da juventude e da
adolescência.
Olho-me no espelho e vejo as marcas
do tempo no meu rosto: mais uma ruga me apareceu, olhar modificado por conta da
questão de saúde: estou diferente. A Doença de Machado Joseph (DMJ) vai
modificando o olhar da gente, o semblante.
Eu me policio frequentemente, com
medo de ficar com aquele jeito espantado, meio alienado, como meu irmão e meu
pai. Já não tenho a meiguice da meninice e nem olhar matreiro da juventude e da
adolescência.
Não posso dizer que não vivi
aventuras na minha vida, mas olhando agora, bem de longe do meu passado, no
alto dos meus 54 anos, e percebo que queria ter vivido mais, com mais
intensidade.
Minhas experiências daquela fase
foram inocentes e desprovidas de malícia e às vezes fico comparando com o
que vivem os jovens de agora. Tive minhas vivências próprias de cada fase
da idade, mas sinto ainda como se faltasse muito para viver.
Quero viajar, conhecer mundos,
pessoas, viver outros momentos da idade de agora. Acho que se eu tiver que ir
agora não iria completa, sem ter vivido tudo o que eu queria e aproveitado a
vida muito mais. Se pudesse ter uma chance de fazer essa reivindicação, eu
pediria. Se pudesse voltar, queria voltar para dar continuidade aos projetos
idealizados, sonhados, desejados.
Fui almoçar no shopping hoje e
encontrei uma colega da pré-adolescência, com a filha. Na década de 1970 ela ia
passar as férias na casa da família, em União e se pôs a perguntar por todo
mundo, queria saber das pessoas, dos nossos amigos e conhecidos, sobre o que
fizeram da vida.
Engraçado esses momentos. Saí dali
pensando em como a vida vai distanciando a gente e nos separando das
pessoas e muitas vezes de tudo. Cada um vai procurando seu caminho: alguns se
perderam, outros foram muito felizes em suas escolhas.
Eu não posso dizer que seja infeliz
nas minhas e se me coloco às vezes pensativa e interrogativa é porque eu penso
que eu poderia estar em situação melhor.
Dizem que a gente colhe o que
planta e que nossa vida é fruto de nossas escolhas, mas eu não escolhi ser
herdeira de um problema hereditário que vai nos limitando a cada dia e nos
impossibilitando os movimentos, ninguém escolhe isso para sua vida.
É um problema que vai limitando
você com um tempo, às vezes rapidamente, em outras situações mais lentamente.
Tem gente que o problema chega com mais intensidade e a pessoa se entrega
com mais facilidade, mas eu não quero me entregar, apesar das limitações.
Eu quero e preciso viver
ainda bons momentos na vida, ter o que compartilhar com outros, escrever muito
e falar dos meus sentimentos; ter boas atitudes, continuar amando meus animais
e procurar ser melhor a cada dia. Boa tarde!
FONTE: http://www.tribunahoje.com/blog/9861/olivia-cerqueira/2014/08/30/marcas-do-tempo.html
FONTE: http://www.tribunahoje.com/blog/9861/olivia-cerqueira/2014/08/30/marcas-do-tempo.html
29 de agosto de 2014
As células estaminais mesenquimais melhoram o movimento e diminuem a neurodegeneração em ratos atáxicos
A ataxia de Friedrich (AF)
resulta de concentrações insuficientes de uma proteína chamada Frataxina. A Frataxina
serve como uma proteína do metabolismo do ferro que coloca ferro em proteínas
que necessitam. Porque várias proteínas que desempenham um papel crucial no
metabolismo energético em células usam ferro, a Frataxina é uma molécula muito
ocupada e sem quantidades suficientes de Frataxina, a energia metabólica diminui
e células metabolicamente ativas, como nervos e músculos, enfraquecem e morrem.
![]() |
| Estrutura cristalina da Frataxina |
Em pacientes com AF, os
gânglios da raiz dorsal, que se encontram em frente da medula espinhal, são os
primeiros a morrer e degenerar. Podem os tratamentos com células estaminais
proporcionar alívio aos estragos da AF?
Para testar essa
possibilidade, Salvador Martinez e os seus colegas da Universidade Miguel
Hernández em Alicante, Espanha examinaram duas populações de ratos, os quais tinham
mutações de perda de funções no gene Frataxina (FXN). Ratos de ambos os grupos
foram injetados com células estaminais mesenquimais derivadas da medula óssea isoladas
quer de qualquer tipo selvagem, quer de ratos YG8. Os ratos YG8 são
geneticamente manipulados para que sofram de uma forma de AF dos ratos, que mostra
várias semelhanças com a AF humana. As injeções de células estaminais
mesenquimais eram injeções "intratecais", o que significa que foram
diretamente injetadas no sistema nervoso.
Como resultado das injeções
de células estaminais, ambos os grupos de ratos não mostraram melhoria motora
em comparação com ratos não tratados. Os gânglios da raiz dorsal, também
mostraram um aumento da expressão da frataxina nos grupos tratados, e menos
morte celular.
Porque é que os ratos
injetados com células estaminais saem melhor? Investigações posteriores
revelaram que as células estaminais
mesenquimais injetadas expressaram os seguintes fatores de crescimento: NT3,
NT4 e BDNF. Todos estes fatores de crescimento podem ligar-se a recetores
específicos incorporados nas membranas daqueles neurónios sensoriais
localizados dentro do gânglio da raiz dorsal e apoiando a sua sobrevivência,
impedindo-os assim de morrer. Os ratos tratados com células estaminais também
aumentaram os níveis de "enzimas antioxidantes.". Estas são enzimas
encontradas nas nossas células que dispõem de moléculas perigosas. As enzimas
como a catalase, dismutase-superóxida e assim por diante, são exemplos de
enzimas antioxidantes. Os ratos tratados com células estaminais tinham níveis
mais elevados de catalase e GPX-1 nos seus gânglios da raiz dorsal, o que é
significativo, porque os ratos YG8 mostram uma diminuição dos níveis destas
enzimas antioxidantes.
Curiosamente, os resultados
não foram significativamente diferentes se as células estaminais injetadas eram
isoladas de tipo selvagem ou ratos YG8. Em ambos os casos, as células
estaminais mesenquimais injetadas melhoraram o estado dos ratos com AF.
Em conclusão, os transplantes
de células estaminais mesenquimais da medula óssea, quer do próprio paciente,
quer de células estaminais doadas, é um procedimento de tratamento viável que
pode retardar o aparecimento da morte celular nos gânglios da raiz dorsal em
pacientes com ataxia de Friedreich.
Etiquetas:
Celulas estaminais,
frataxina,
Freidriech
22 de agosto de 2014
Interferência do ARN* reduz défices motores e neuropatológicos num rato-modelo cerebeloso da Doença de Machado-Joseph
Clévio Nóbrega, Isabel Nascimento Ferreira, Isabel Onofre,
David Albuquerque, Nicole Déglon, Luís Pereira de Almeida
Resumo
A Doença de Machado-Joseph ou ataxia espinocerebelosa tipo 3
é uma doença neurodegenerativa progressiva fatal, causada pela expansão da
proteína poliglutamínica ataxina-3. Estudos recentes demonstram que a
interferência do ARN é uma abordagem promissora para o tratamento da Doença de
Machado-Joseph. No entanto, se o silenciamento do gene em tempo precoce é capaz
de prevenir o aparecimento dos défices motores comportamentais típicos da
doença, quando se iniciam antes do aparecimento da doença, não foi explorado. Aqui,
usando um alelo específico mediado lentiviral para o silenciamento da ataxina-3
mutante num modelo pré-sintomático cerebeloso precoce dum rato com a Doença de
Machado-Joseph, mostramos que esta estratégia dificulta o desenvolvimento das
características motor e fenotípicas neuropatológicas da doença. Ao nível
histológico, o silenciamento específico do ARN da ataxina-3 mutante diminuiu a
formação de ataxinas-3 mutantes agregadas, preservou a morfologia das células
de Purkinje e a expressão dos marcadores neuronais, enquanto reduz a morte
celular. É importante ressaltar que o silenciamento do gene impediu o
desenvolvimento de incapacidades no equilíbrio, coordenação motora, marcha e
hiperatividade observada em ratos de controlo. Estes dados apoiam o potencial
terapêutico da interferência do ARN para a Doença de Machado-Joseph e constitui
uma prova de princípio dos efeitos benéficos do silenciamento precoce do alelo específico
para a terapia desta doença.
*ARN: ácido ribonucleico
Kyle Bryant recebe o seu primeiro prémio de reconhecimento público
"Se não poder voar, então corra, se não poder correr,
então ande, se não poder andar, então gatinhe, mas o que quer que faça, tem que
seguir em frente." - Dr. Martin Luther King Jr.
O Prémio de Reconhecimento Público 2014 é atribuído a Kyle
Bryant pela Associação Americana de Medicina Neuromuscular & Eletrodiagnóstico
(AANEM) pelos seus esforços incansáveis para a sensibilização para a ataxia
de Friedreich (AF) e para a angariação de fundos para a investigação dessa
doença (AF). Este prémio é atribuído a um indivíduo cujo esforço extraordinário
aumente a consciência pública sobre o diagnóstico e tratamento de doenças
musculares e nervosas.
“Aceito este prémio em nome de todos os têm vindo a
trabalhar para e nesta doença rara. Milhares de pessoas dedicam as suas vidas à
sensibilização e angariação de fundos para a investigação desta doença rara que
os afeta, ou aos seus entes queridos. Sinto-me honrado em ser um representante de
todas essas pessoas," disse Bryant. "Obrigado à AANEM por reconhecer
o papel extremamente importante do paciente na pesquisa e no processo
clínico."
Desde a infância, Bryant foi um atleta multitalentoso. Quando
chegou ao ensino secundário, ele praticava golfe, basebol, basquetebol e
futebol americano. Aos 17 anos de idade, a sua vida mudou quando lhe foi
diagnosticada AF. À medida que a doença progredia, ele teve que desistir da
prática dos desportos tão entrelaçados com a sua vida, crescendo no norte da
Califórnia (EUA).
No entanto, em vez de desistir, por completo, da prática
desportiva, Bryant lutou e, através de suas limitações, focou-se em andar de
bicicleta reclinada. Era o início duma nova jornada, melhor resumida nas suas
palavras, "Mal sabia eu que isto foi apenas o começo e que esta doença me
levaria a coisas além da minha imaginação." Bryant começou por uma
distância pequena, com um passeio inicial de sete milhas. No entanto, em quatro
meses, ele tinha conseguido 100 milhas num dia.
Em 2007, Bryant começou a Ride Ataxia, planeando e
completando um passeio de 59 dias a partir de San Diego, CA até Memphis, TN,
com uma distância de 2.500 milhas, para sensibilizar e angariar fundos para a
investigação da AF. Desde então, ele completou passeios de Sacramento a Las
Vegas, de Portland a Seattle, e a Race Across America 3000 milhas (RAAM), e que
a sua equipa de quatro homens terminou em 8 dias, 8 horas e 14 minutos.
"O diagnóstico duma doença rara ou qualquer deficiência
não deve limitar o alcance da ambição; só deve mudar a abordagem a situações
desafiadoras e a forma como lidamos com elas. Ir do ponto A para o ponto B pode
exigir rodas agora, mas isso não muda onde pretendo chegar, " disse
Bryant.
Em 2009, Bryant tornou-se o porta-voz da FARA – Friedreich Ataxia
Research Alliance (Aliança para a Investigação da Ataxia de Friedreich). Com
Bryant como diretor do programa, a Ride Ataxia tornou-se um marco na angariação
de fundos. Ele não só tem sido uma fonte de inspiração e ajuda para aqueles com
AF, mas também tem sido um angariador tremendamente bem-sucedido, trazendo mais
de 2,5 milhões de dólares para a investigação da AF e registrando mais de 20
mil milhas, incluindo treinos e eventos.
"Iniciar a Ride Ataxia foi uma maneira para que
pudéssemos agir, mudar a minha família e eu de um lugar onde nos sentíamos sozinhos,
desamparados, e ameaçados," disse Bryant. "Andar de bicicleta
permite-me retomar o controlo e me sentir habilitado. Quero compartilhar esse
sentimento com outros."
A jornada de Bryant fez aumentar a consciência, de forma
significativa, para a AF e serve como inspiração para os investigadores,
médicos, pacientes e defensores que continuam a lutar pelos pacientes com todos
os tipos de doenças neuromusculares (NM).
Bryant observou que a colaboração é a chave para melhorar a
vida das pessoas que vivem com AF e outras doenças NM raras. Ele disse,
"Todos temos os nossos papéis. Eu não sou um cientista, não posso fazer o
trabalho de laboratório. No entanto, posso angariar o dinheiro que vai manter
os cientistas a avançar, e posso ter certeza de que eles sabem que o seu
trabalho significa tudo para os pacientes e familiares que não pensam em mais
nada.
"Todos nós temos um papel importante a desempenhar,"
continuou ele. "Trabalhando juntos de forma colaborativa, vamos montar
esse quebra-cabeça de tratamentos e curas para doenças raras."
Etiquetas:
Ataxia de Friedreich,
Kyle Bryant
Subscrever:
Mensagens (Atom)



a.jpg)

