18 de junho de 2014

Ataxias hereditárias em Portugal

As células estaminais na neurodegeneração: Desafios e Perspetivas Neuroterapêuticas Futuras

Investigadores da Universidade da Flórida, EUA, liderados pelo Dr. K. Wang demonstraram que a inibição da quinase Rho-associada (ROCK) e posterior desfosforilação cofilina está mediando o crescimento de neurites em células PC12. A falta de regeneração axonal no sistema nervoso central (CNS) adulto é uma das principais causas de doenças neurodegenerativas. Assim, a inibição ROCK mediando o crescimento de neurites é clinicamente relevante para o tratamento de doenças do CNS, tais como a doença de Alzheimer, lesão da medula espinal, lesão cerebral traumática e acidente vascular cerebral (Zhang et al., 2006).
Num estudo de acompanhamento, do Prof. WS Poon e da equipa do Dr. PK Lam da Universidade Chinesa de Hong Kong e do grupo do Dr. Wang, eles transplantaram com sucesso células estaminais mesenquimais (MSCs) para o cérebro através da aplicação tópica de uma lesão cerebral traumática experimental modelo. Com efeito, as MSCs entregues na superfície do cérebro foram capazes de migrar para o local danificado do TBI (traumatic brain injury - traumatismo crânio-encefálico). Esta nova abordagem compensa os inúmeros problemas associados com a infusão sistêmica. Além disso, as CTMs são capazes de neuroreparacão e neuroproteção, o que torna a sua transplantação bem-sucedida ainda mais significativa (Lam et al., 2013).
Uma combinação destes resultados diferentes pode ser terapeuticamente útil para o tratamento de doenças neurodegenerativas. Como ilustrado nesta mini-revisão publicada em Neural Regeneration Research, vol. 9, n °: "outros e os nossos laboratórios estão cada vez mais focados na combinação da utilização de agentes farmacológicos (tais como os inibidores quinase Rho-associados, ROCK, ou outros fatores de crescimento, tais como BDNF – brain-derived neurotrophic factor, fator neurotrófico derivado do cérebro) e tratamentos com células estaminais para melhorar a capacidade de sobrevivência e/ou diferenciação de células estaminais transplantadas em neurotrauma ou outros modelos animais de neurodegeneração”. No entanto, o autor destacou o fato de "nós ainda não termos entendido completamente o conceito de neurogénese e como realmente funciona", embora seja primordial se queremos conceber novas técnicas terapêuticas para doenças neurodegenerativas e lesões.


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11 de junho de 2014

Investigadores cubanos publicam estudo importante numa revista britânica



Investigadores cubanos publicaram o primeiro e mais longo estudo longitudinal sobre portadores assintomáticos de ataxias hereditárias, neste caso a ataxia espinocerebelosa tipo 2 (SCA2), em The Lancet Neurology.




Esta é a primeira vez que investigadores da ilha divulgam um artigo original nesta prestigiada publicação sem colaborações estrangeiras, o que representa um marco para a publicação médica cubana, garante o site digital Infomed, Portal da Saúde.

A investigação, liderada por Luis Velázquez, diretor do Centro de Investigação e Reabilitação de Ataxias Hereditárias (CIRAH), Cuba, mostra que mais de uma década antes do início da doença aparece um importante conjunto de manifestações clínicas, tais como contrações musculares dolorosas, neuropatia periférica, alteração dos reflexos osteotendinosos e alterações motoras subtis.

Caracterizou-se o padrão de progressão desta sintomatologia e comprovou-se o papel preponderante da mutação genética na progressão de alterações clínicas.

A importância destes resultados baseia-se na caracterização de uma fase prodrómica da doença e a identificação de marcadores clínicos importantes sobre quais os tratamentos iniciais devem incidir, quando os níveis de neurodegeneração são mais baixos e, portanto, o efeito das terapias deve ser mais eficaz, diz o estudo.

Há algum tempo, foi determinado que a maior concentração de pacientes do país afetado pela ataxia hereditária, uma doença caracterizada pela perda de coordenação dos movimentos, alterações no equilíbrio, na linguagem e marcha, encontra-se na província oriental cubana de Holguín.

Foi também detetada que a população dessa região tem um maior risco de desenvolver a doença, causada por uma lesão ao nível do cerebelo, medula espinhal e/ou nervos periféricos, particularmente a ataxia espinocerebelosa tipo 2 (SCA2).

Por esse motivo, no ano 2000 foi criado o CIRAH, que fornece assistência médica gratuita e desenvolve projetos de investigação neste campo da medicina através de programas institucionais e comunitários.

Entre as linhas de trabalho que ali se desenvolvem, estão: estudos de neuroproteção, oligoelementos, stress oxidativo, genes modificadores, identificação de marcadores da evolução da doença, danos genéticos, bancos terapêuticos, neuroreabilitação.

Também se desenvolvem ensaios clínicos controlados.

Velázquez recentemente dividiu o prêmio de investigação Georg Forster, atribuído pela Fundação Alexander von Humboldt, na Alemanha, com a antropóloga social argentina Irina Podgorny, especializada em História da Ciência, e com o médico turco Ismail Cakmak, Professor da Universidade Sabanci em Istambul.



Fonte:

Programa de teste preditivo e aconselhamento genético

Progressão das características iniciais da ataxia espinocerebelosa tipo 2 em indivíduos em risco: um estudo longitudinal


Progressão das características iniciais da ataxia espinocerebelosa tipo 2 em indivíduos em risco: um estudo longitudinal (a 1.ª parte deste estudo foi publicada neste blogue em 05/04/2014)

Velazquez-Pérez L, Rodriguez-Labrada R, Canales-Ochoa N, Montero JM, Sanchez-Cruz G, Aguilera-Rodriguez R, Almaguer-Mederos LE, Laffita-Mesa JM


Neste artigo se apresenta o primeiro e mais longo estudo longitudinal realizado em portadores assintomáticos de ataxias hereditárias, no caso de SCA2. Se demonstra que mais de uma década antes do início da ataxia, aparece um importante conjunto de manifestações clínicas, tais como contrações musculares dolorosas, neuropatia periférica, alterações motoras subtis e alteração dos reflexos osteotendinosos. Se caracteriza o padrão da progressão dessas manifestações, demonstrando-se o papel preponderante da mutação genética (número de repetições CAG) na progressão destas altercações clínicas. A importância destes achados baseia-se na caracterização de uma fase prodrómica da doença e a identificação de marcadores clínicos importantes, os quais devem ser visados nos tratamentos iniciais, quando os níveis de neurodegeneração são mais baixos e, portanto, o efeito das terapias deve ser mais eficaz.