10 de junho de 2014

Deleções e duplicações no Exome podem ajudar a apontar a causa de doenças genéticas inexplicáveis




A análise da variação genética no exome, a sequência de ADN dos genes que são traduzidos em proteínas, pode ajudar na descoberta da causa de doenças para as quais nenhuma causa genética podia ser encontrada anteriormente, e isso pode ter um impacto direto na gestão clínica. A Dra. Jayne Hehir-Kwa, Professora Assistente de Bioinformática no grupo de Investigação Translacional, Departamento de Genética Humana, Radboud UMC, Nijmegen, Holanda, descreve os resultados do estudo de seu grupo que se propôs a determinar se o número de cópias variantes (CNVs), grandes deleções ou duplicações genómicas, podem contribuir para outras doenças, para além das que causam deficiência intelectual.

O papel das CNVs na deficiência intelectual é bem conhecida, mas a sua implicação noutras doenças não o é. "Há, por exemplo, relatos de casos que descrevem deleções em cegueira, mas ninguém determinou a extensão de CNVs em outros grupos de pacientes", a Dra. Hehir-Kwa diz.

A equipa selecionou 600 pacientes para os quais qualquer diagnóstico ou mutação causal podia ser encontrado usando toda a atual metodologia de sequenciamento do exome (WES), e olha para todo o genoma para uma deleção causal ou duplicação. É, dizem, a primeira vez que alguém examina sistematicamente por um mecanismo da doença num grupo de pacientes grande e diversificado, incluindo cinco condições heterogéneas - deficiência intelectual, surdez, cegueira, distúrbios metabólicos e distúrbios de movimento.

"Para esses grupos de pacientes, as abordagens que visam os genes têm sido tradicionalmente utilizadas para deteção de mutações e, portanto, a contribuição de CNVs para esses grupos de doenças nunca foi estabelecido e testes a todo o genoma raramente aplicados", diz a Dra. Hehir-Kwa. "Os nossos resultados mostram que as CNVs são relativamente comuns, eventos clinicamente relevantes."

As CNVs foram encontradas em pacientes com vários tipos diferentes de distúrbios, por exemplo retinite pigmentosa (cegueira), síndrome de Usher (surdez), miopatia de Bethlem / Ulrich (uma forma de distrofia muscular congénita), síndrome de hipotonia-cistinúria (uma desordem metabólica de início neonatal) e imunodeficiência ligada ao X (um distúrbio hereditário do sistema imunitário).

"Embora a WES não seja perfeita em termos de catalogar completamente a variação genómica, o nosso trabalho tem mostrado que pode desempenhar um papel importante no diagnóstico. Além de nos ajudar a elaborar melhores estratégias de gestão clínica para os pacientes, também afeta o seu prognóstico e fornece informações que nos podem ajudar com aconselhamento reprodutivo para os indivíduos afetados", diz a Dra. Hehir-Kwa. "Como resultado, estamos agora a oferecer a triagem CNV realizada no nosso estudo como um procedimento de diagnóstico padrão na análise exome para pacientes onde a causa genética da sua condição não foi encontrada anteriormente."

O alcance do diagnóstico difere entre as diferentes categorias de doenças, dizem os investigadores. A triagem tradicional para as mutações genéticas pode explicar 27% de deficiência intelectual, 52% de cegueira, e até 20% dos indivíduos com doenças mitocondriais e de movimento. "Isso significa que entre a 48-80% dos pacientes triados com WES, não é dado um diagnóstico genético. Ao procurar as CNVs nas regiões exon desses pacientes não diagnosticados, estimamos que podemos encontrar tal diagnóstico em cerca de mais de quatro por cento. Em particular, as condições de cegueira parecem ter o maior alcance de CNVs - até sete por cento," diz a Dra. Hehir-Kwa. "Eu gostaria de ver o rastreio de mais tipos de variações genómicas tornar-se procedimento padrão em diagnósticos genéticos. O genoma de um indivíduo pode conter todos os tipos de diferentes variantes, em todas as formas e tamanhos, e é importante que tomemos todas essas variações em conta.” A WES, quando oferecida como um primeiro nível teste de diagnóstico, pode dar um alcance elevado de diagnóstico, e o resultado é um diagnóstico mais rápido a um custo menor.

"Quanto mais completo e exaustivo podemos fazer tal teste de diagnóstico, mais acessível torna-se o teste genético para o público. No entanto, os profissionais de clínicas de saúde precisam de estar bem informados sobre os diferentes mecanismos da doença genética para oferecer o melhor aconselhamento possível para os pacientes," conclui a Dra. Hehir-Kwa.



9 de junho de 2014

ORPHANET

Pesquisa por doenças raras no site da ORPHANET AQUI

Testes genéticos para efeitos de saúde

Em que situações se prevê o uso de testes genéticos?
Aconselhamento genético profissional
O que se procura com um teste genético
A SUA DECISÃO



FONTE:  http://www.orpha.net/

5 de junho de 2014

A APAHE na Feira e Festa da Ascensão, Chamusca – 27/05/2014





No passado dia 27 de Maio de 2014, pelas 14h30, realizou-se uma Palestra, no Cineteatro da Chamusca, sobre a Doença de Machado-Joseph, uma ataxia hereditária cuja presença mais significativa, a nível continental, se encontra no concelho da Chamusca.
Os oradores presentes foram, a Prof.ª Dra. Paula Coutinho, médica neurologista e investigadora no IBMC - "Instituto de Biologia Molecular e Celular” da Universidade do Porto, com uma intervenção ao tema, "Evolução do Conhecimento da Doença de Machado-Joseph até ao presente"; a Prof.ª Dra. Patrícia Maciel docente e investigadora na Universidade do Minho, com uma intervenção ao tema, "Estudos em modelos animais para identificação de futuros tratamentos para a doença de Machado Joseph"; e a Dra. Gloria Mathias, Assistente de Medicina Geral Familiar na Unidade de Saúde Familiar da Chamusca, com a intervenção ao tema, "Doença de Machado Joseph - Um caso clínico".
No final de todas as intervenções das referidas oradoras, as pessoas da assistência colocaram diversas questões pertinentes ligadas à realidade da própria doença. Tudo isto decorreu em ambiente acolhedor de todos os presentes. Também houve umas ofertas entregues por dois doentes com esta ataxia, José Luís Sousa e Paula Luís, acompanhados por Lina Valador, António Valador e Joana Silva, e de uma forma simbólica, com uma pequena lembrança, a mascote da Associação APAHE, e ramo de flores pela Câmara Municipal da Chamusca.


A APAHE agradece, encarecidamente, às oradoras e a todos os que tornaram possível a realização deste evento, assim como a todos os presentes. Agradece também à Câmara Municipal da Chamusca e à Santa Casa da Misericórdia da Chamusca, pela amável cedência do Cineteatro.

A APAHE na Feira e Festa da Ascensão, Chamusca – de 24/05/2014 a 01/06/2014

Nos nove dias em que decorreu a Feira e Festa da Ascensão houve muita animação. O stand da APAHE foi bastante visitado, tendo suscitado muito interesse e curiosidade.



A APAHE agradece encarecidamente a todos os apoiantes, patrocinadores e voluntários, sem os quais nada seria possível. Uma palavra especial de apreço ao sócio António Valador, que foi o grande impulsionador desta iniciativa. Por, último, um agradecimento muito especial à Câmara Municipal da Chamusca, pelo apoio e facilidades concedidas.

Notícia/Divulgação eventos APAHE no Jornal O Mirante, sobre Ataxia Machado Joseph durante semana Ascensão na Chamusca




3 de junho de 2014

Complexo NuRD essencial para a reprogramação de células adultas

Um estudo desenvolvido no centro de investigação em células estaminais da Universidade de Cambridge, em colaboração com o CNC, identificou pela primeira vez que o complexo NuRD – complexo que regula a forma como o DNA é lido em diferentes células – é extremamente importante para transformar células adultas em células pluripotentes induzidas (iPSCs).

As iPSCs são geradas a partir de células adultas através da adição de genes associados ao estado embrionário. Estas adquirem assim a capacidade de se transformarem em qualquer tipo de tecido do corpo humano, sem a necessidade de destruir embriões, requisito para a geração de células estaminais embrionárias. Esta técnica foi criada em 2006 pelo Japonês Shinya Yamanaka que, em conjunto com o Inglês Sir John Gurdon, foi galardoado com o prémio Nobel da Fisiologia e Medicina em 2012 por esta descoberta.

O investigador do CNC Rodrigo Luiz dos Santos, coautor do artigo publicado na prestigiada revista Cell Stem Cell, explica que este estudo descobre «como aumentar a eficiência de geração de iPSCs, abrindo novas perspetivas para o futuro da medicina personalizada. Atualmente, os transplantes são feitos com células provenientes de um dador, obrigando o paciente a passar o resto da sua vida a tomar medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição. Como as iPSCs são criadas a partir de uma biópsia do paciente (p. ex., uma biópsia de pele), este problema é ultrapassado, já que as células que serão futuramente transplantadas são 100% iguais às do paciente».

No futuro, as iPSCs poderão ser utilizadas no tratamento de várias doenças, como por exemplo, doenças neurodegenerativas, já que «podem ser diferenciadas (transformadas) em células neuronais e corrigir patologias como Parkinson. Estas células facilitam a criação de modelo de doença humana em laboratório, possibilitando igualmente o desenvolvimento de novos e melhores fármacos para diversas patologias», esclarece o investigador associado ao CNC.


Na pesquisa, desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, foram usadas células de pele e de cérebro de ratinhos. Através de técnicas de modificação de DNA, os investigadores verificaram que sem o complexo NuRD, a eficiência da geração de iPSCs é extremamente reduzida. Por outro lado, aumentando artificialmente a atividade do complexo NuRD, a eficiência da geração de células pluripotentes induzidas aumenta de forma muito significativa.

FONTE:  http://www.cnbc.pt/events/event01.asp?id=1098