5 de junho de 2014

A APAHE na Feira e Festa da Ascensão, Chamusca – 27/05/2014





No passado dia 27 de Maio de 2014, pelas 14h30, realizou-se uma Palestra, no Cineteatro da Chamusca, sobre a Doença de Machado-Joseph, uma ataxia hereditária cuja presença mais significativa, a nível continental, se encontra no concelho da Chamusca.
Os oradores presentes foram, a Prof.ª Dra. Paula Coutinho, médica neurologista e investigadora no IBMC - "Instituto de Biologia Molecular e Celular” da Universidade do Porto, com uma intervenção ao tema, "Evolução do Conhecimento da Doença de Machado-Joseph até ao presente"; a Prof.ª Dra. Patrícia Maciel docente e investigadora na Universidade do Minho, com uma intervenção ao tema, "Estudos em modelos animais para identificação de futuros tratamentos para a doença de Machado Joseph"; e a Dra. Gloria Mathias, Assistente de Medicina Geral Familiar na Unidade de Saúde Familiar da Chamusca, com a intervenção ao tema, "Doença de Machado Joseph - Um caso clínico".
No final de todas as intervenções das referidas oradoras, as pessoas da assistência colocaram diversas questões pertinentes ligadas à realidade da própria doença. Tudo isto decorreu em ambiente acolhedor de todos os presentes. Também houve umas ofertas entregues por dois doentes com esta ataxia, José Luís Sousa e Paula Luís, acompanhados por Lina Valador, António Valador e Joana Silva, e de uma forma simbólica, com uma pequena lembrança, a mascote da Associação APAHE, e ramo de flores pela Câmara Municipal da Chamusca.


A APAHE agradece, encarecidamente, às oradoras e a todos os que tornaram possível a realização deste evento, assim como a todos os presentes. Agradece também à Câmara Municipal da Chamusca e à Santa Casa da Misericórdia da Chamusca, pela amável cedência do Cineteatro.

A APAHE na Feira e Festa da Ascensão, Chamusca – de 24/05/2014 a 01/06/2014

Nos nove dias em que decorreu a Feira e Festa da Ascensão houve muita animação. O stand da APAHE foi bastante visitado, tendo suscitado muito interesse e curiosidade.



A APAHE agradece encarecidamente a todos os apoiantes, patrocinadores e voluntários, sem os quais nada seria possível. Uma palavra especial de apreço ao sócio António Valador, que foi o grande impulsionador desta iniciativa. Por, último, um agradecimento muito especial à Câmara Municipal da Chamusca, pelo apoio e facilidades concedidas.

Notícia/Divulgação eventos APAHE no Jornal O Mirante, sobre Ataxia Machado Joseph durante semana Ascensão na Chamusca




3 de junho de 2014

Complexo NuRD essencial para a reprogramação de células adultas

Um estudo desenvolvido no centro de investigação em células estaminais da Universidade de Cambridge, em colaboração com o CNC, identificou pela primeira vez que o complexo NuRD – complexo que regula a forma como o DNA é lido em diferentes células – é extremamente importante para transformar células adultas em células pluripotentes induzidas (iPSCs).

As iPSCs são geradas a partir de células adultas através da adição de genes associados ao estado embrionário. Estas adquirem assim a capacidade de se transformarem em qualquer tipo de tecido do corpo humano, sem a necessidade de destruir embriões, requisito para a geração de células estaminais embrionárias. Esta técnica foi criada em 2006 pelo Japonês Shinya Yamanaka que, em conjunto com o Inglês Sir John Gurdon, foi galardoado com o prémio Nobel da Fisiologia e Medicina em 2012 por esta descoberta.

O investigador do CNC Rodrigo Luiz dos Santos, coautor do artigo publicado na prestigiada revista Cell Stem Cell, explica que este estudo descobre «como aumentar a eficiência de geração de iPSCs, abrindo novas perspetivas para o futuro da medicina personalizada. Atualmente, os transplantes são feitos com células provenientes de um dador, obrigando o paciente a passar o resto da sua vida a tomar medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição. Como as iPSCs são criadas a partir de uma biópsia do paciente (p. ex., uma biópsia de pele), este problema é ultrapassado, já que as células que serão futuramente transplantadas são 100% iguais às do paciente».

No futuro, as iPSCs poderão ser utilizadas no tratamento de várias doenças, como por exemplo, doenças neurodegenerativas, já que «podem ser diferenciadas (transformadas) em células neuronais e corrigir patologias como Parkinson. Estas células facilitam a criação de modelo de doença humana em laboratório, possibilitando igualmente o desenvolvimento de novos e melhores fármacos para diversas patologias», esclarece o investigador associado ao CNC.


Na pesquisa, desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, foram usadas células de pele e de cérebro de ratinhos. Através de técnicas de modificação de DNA, os investigadores verificaram que sem o complexo NuRD, a eficiência da geração de iPSCs é extremamente reduzida. Por outro lado, aumentando artificialmente a atividade do complexo NuRD, a eficiência da geração de células pluripotentes induzidas aumenta de forma muito significativa.

FONTE:  http://www.cnbc.pt/events/event01.asp?id=1098

27 de maio de 2014

Feira e Festa da Ascensão – Chamusca, 24/05/2014


No passado dia 24/05/2014, pelas 15h30, teve lugar a apresentação dos livros “Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas” e “Aros de Prata”, da autoria de Fátima d’Oliveira e Sara Madaleno, respetivamente, na Biblioteca Municipal Ruy Gomes da Silva, na Chamusca.

 
Ambas as autoras têm ligações às ataxias hereditárias, pois enquanto que a primeira é, ela própria, paciente de Ataxia de Friedreich (AF), a segunda tem ligações familiares profundas com a Doença de Machado-Joseph (DMJ), ou ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3).

E enquanto que o primeiro livro, “Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas”, é um relato da experiência da relação da autora com a Ataxia de Friedreich, o segundo, “Aros de Prata”, é um romance, não falando da Doença de Machado-Joseph.

Pode encontrar aqui as mini-biografias de cada autora:

Mini-biografia de Fátima d’Oliveira – AQUI (em anexo)

Mini-biografia de Sara Madaleno –AQUI (em anexo)


A sala estava bastante composta e a apresentação; que decorreu num ambiente muito informal, foi bastante participada, com as pessoas na assistência a colocarem questões e a partilharem testemunhos.




23 de maio de 2014

O FERRO NA PATOGÉNESE DA ATAXIA DE FRIEDREICH


Texto do Resumo:

Descrição (fornecida pelo requerente): A ataxia de Friedreich (FRDA) é devido à transmissão homozigoto de expansões de guanina-adenina-adenina (GAA) repetidas de trinucleotídeos nos genes parentais de frataxina (FXN). O resultado é a deficiência de frataxina. A frataxina é uma proteína mitocondrial que sofre maturação específica durante e após a transferência para o interior mitocondrial. A sua função normal putativa é a biogénese de aglomerados de ferro-enxofre (Fe-S) transportando a homeostase de ferro para toda a célula. Um fornecimento inadequado de aglomerados de Fe-S prejudica seriamente as atividades dos complexos I, II e III da cadeia de transporte de eletrão mitocondrial e a enzima do ciclo do ácido cítrico, aconitase. Além da qualidade inferior da biossíntese dos fosfatos de alta energia, a falta de frataxina também aumenta a sensibilidade ao stress oxidativo, que presume-se que deve ser mediado por ferro livre ou frouxamente ligado. O dano tecidual na FRDA é muito diversificado. No coração, a doença causa acumulação limitada de ferro em cardiomiocites, mas semelhante excesso restrito de ferro não tem sido demonstrado em sistemas nervosos centrais ou periféricos. Ensaios de ferro total não identificaram as pequenas quantidades catalíticas do metal que são necessárias para a geração de espécies tóxicas de oxigénio. Também é improvável que tecidos humanos de autópsias sejam adequados para a determinação direta desta pequena piscina de ferro altamente reativo. Não obstante, falhando a homeostase de ferro, pode ainda ser avaliada pelos efeitos "downstream" de ferro em proteínas que respondem ao ferro, entre as quais a ferritina, a ferritina mitocondrial e a ferroportina são as mais suscetíveis de sofrer alterações. Na FRDA, os núcleos cerebelares pectínea e o gânglio da raiz dorsal (DRG) da medula espinhal são altamente vulneráveis. Esta investigação irá testar a hipótese de que o efeito adverso da deficiência de frataxina nesses sítios anatómicos é o resultado de ferro em excesso difuso ou localizado. O aumento regional pode ser determinado diretamente por uma nova tecnologia, raio-x de fluorescência de alta definição (HDXRF); e indiretamente por um exame sistemático às proteínas reativas ao ferro. O investigador irá combinar o HDXRF com técnicas slide e ensaios bioquímicos de ferritina e ferroportina. O HDXRF "mapeia" o ferro em blocos de tecido e permite a sua quantificação com base em padrões. Seções do mesmo bloco exibindo produtos de reação imunocitoquimica às proteínas reativas ao ferro e "mapas" de ferro serão combinados precisamente para chegar a uma correlação de ferro e proteínas. Os níveis de ferritina e ferroportina deverão ser inversamente correlacionados com as concentrações de frataxina. Uma correlação também pode existir com a idade do paciente no momento da morte ou a duração da sua doença. A expressão da ferritina mitocondrial, em resposta à deficiência de frataxina é mais complexa, e os resultados são esperados para ser tudo ou nada, como já relatado por corações com FRDA. A FRDA também pode causar dismetabolismo de ferro devido à maturação incorreta de frataxina intramitocondrial. Este fator de contribuição potencial será examinado pela mancha Ocidental de precursores de frataxina e a proteína funcional madura e, numa abordagem mais robusta, a tecnologia de afinidade isótopo-codificada e espectrometria de massa em tandem. Esta investigação também utiliza tecnologia slide avançada, tais como a microscopia de imunofluorescência duplo-rótulo para quantificar os danos nas células nervosas e a perda de terminais sinápticos em regiões de ferro aumentado; e microscopia eletrônica para revelar a ferritina citosólica e mitocondrial. A concentração elevada de ferro normal num determinado tecido, como o núcleo denteado, não transmite necessariamente maior vulnerabilidade à FRDA. Portanto, o globus pallidus com os seus níveis de ferritina e ferro igualmente altos serão adicionados como um controle interno. Além disso, o fenótipo neuropatológico de algumas ataxias espinocerebelosas (SCAs) inclui lesões do DRG. Amostras de SCA serão estudadas num esforço paralelo para determinar que as mudanças no DRG em pacientes com FRDA são específicas para a deficiência hereditária de frataxina. O trabalho é clinicamente relevante, porque irá resolver questões sobre ferro na patogénese formal e história natural da FRDA e o valor potencial da quelação de ferro.

Declaração de relevância para a saúde pública:

A ataxia de Friedreich (FRDA) é a ataxia hereditária mais comum, afetando 5.000-6.000 crianças e adultos jovens nos Estados Unidos em qualquer altura. A frequência dos portadores é de 1:50 a 1:100. A doença deve-se a uma mutação no gene frataxina, que controla as etapas importantes no metabolismo de ferro e energia de todas as células. O sistema nervoso central e periférico e o coração são mais vulneráveis. A mutação consiste numa expansão da repetição anormal trinucleotídeo de adenina-adenina-guanina, e as pessoas com tal expansão em ambos os alelos parentais têm falta de frataxina suficiente nas suas mitocôndrias. Esta investigação é dedicada ao estudo do metabolismo do ferro perturbado no núcleo denteado de gânglios do cerebelo e raízes dorsais da medula espinhal porque estas estruturas anatómicas são muito suscetíveis a danos na FRDA. A investigação deverá ter impacto elevado na nossa compreensão da história natural da FRDA e terapias futura. Vários ensaios clínicos com medicamentos experimentais estão, atualmente, em curso. A investigação proposta irá fornecer a base científica para a sua eficácia. O medicamento idebenona visa neutralizar o dano oxidativo mediado pelo ferro e pode ser benéfico para as doenças de coração dos pacientes com FRDA. A terapia quelante é um esforço para remover ferro de tecidos afetados e permanece controversa. A investigação proposta ajudará a esclarecer o benefício potencial da terapia de quelação na FRDA.

 

 
Fonte: http://projectreporter.nih.gov/project_info_description.cfm?aid=8655559&icde=0