4 de março de 2014

Identificação e caracterização de novas mutações de PDYN em casos de ataxia cerebelosa dominante

Jezierska J, Stevanin G, Watanabe H, Fokkens senhor, Zagnoli F, J Kok, Goas JY, Bertrand P, Robin C, Brice A, Bakalkin G, Durr A, Verbeek DS.

Resumo
Recentemente, identificámos mutações missense em prodinorfina (PDYN), o precursor dos peptídeos opióides da dinorfina, como a causa para ataxia espinocerebelosa (SCA23) nos casos holandeses de ataxia. Relatamos uma tela de PDYN para mutações em 371 casos de ataxia cerebelosa, que tinham uma história familiar positiva; a maioria de origem francesa. O sequenciamento revelou três novas mutações missense putativas e um par de exclusões baseadas em dois heterozigotos em quatro pacientes independentes com SCA. Estas variantes estavam ausentes em 400 controlos correspondentes e localizam-se no domínio da dinorfina altamente conservada. Para resolver a patogenicidade dos variantes heterozigotos, avaliámos a produção de peptídeos das proteínas mutantes PDYN. Duas mutações missense geraram níveis de peptídeos de dinorfina, o par de exclusões baseadas em dois finalizou a síntese de dinorfina, e uma mutação missense não afetou o processamento de PDYN. Tendo em conta o resultado da nossa análise funcional, podemos ter identificado pelo menos duas novas mutações de PDYN num paciente francês e num paciente marroquino, ambos com SCA. Os nossos dados corroboram trabalhos recentes que também mostram que as mutações PDYN só representam uma pequena percentagem (~0.1%) dos casos de SCA na Europa.

Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23471613?dopt=Abstract

3 de março de 2014

Saúde: perto de um tratamento eficaz contra a Ataxia de Friedreich

Pode chegar, dentro de alguns meses, uma terapia para a Ataxia de Friedreich , uma doença genética rara que afeta o sistema nervoso, entre 5 e 15 anos de idade ". Quem o diz, por ocasião do dia dedicado às doenças raras, que se assinala por todo o mundo a 28 de Fevereiro, é Roberto Testi, professor da Universidade "Tor Vergata”, em Roma (Itália), que coordena o projeto 'Fast', financiado pela UE. O defeito genético na Ataxia de Friedreich (FRDA) diz respeito ao gene responsável pela produção de uma proteína chamada frataxina, que funciona mal nos pacientes de FRDA. Os baixos níveis de frataxina causam a morte de células nervosas essenciais para a coordenação motora. "Existem várias maneiras de aumentar os níveis de uma proteína defeituosa, neste caso, a frataxina", disse Testi. "A primeira, a mais comum, é aquela de trabalhar no gene e, portanto, uma vez que, no nosso caso, o gene transcreve pouco, tenta-se recuperar - continuou ele - a transcrição correta, ou maior, do gene. Em alternativa, pode-se tentar introduzir frataxina já feita diretamente nas células dos pacientes. A nossa abordagem é radicalmente diferente e consiste em pensar em como fazer durar mais tempo a frataxina já existente. Na verdade, descobrimos que parte da frataxina produzida é degradada antes mesmo para ser usada. Depois percebemos, em detalhe, como a frataxina é degradada e, por conseguinte, como evitar esta degradação. Estamos a tentar desenvolver moléculas sintéticas capazes de bloquear a degradação da frataxina. Se o programa for bem-sucedido, algumas dessas moléculas poderão, em poucos anos, tornar-se medicamentos". Mas, mesmo antes, uma terapia poderá ser alcançada, graças a uma descoberta do grupo de Testi. "Temos observado - disse o cientista -. que o interferão gama, uma substância produzida naturalmente pelo organismo, atua sobre o gene frataxina e aumenta a transcrição Além disso, os ratos com FRDA tratados com interferão gama mostraram um aumento da frataxina em neurónios críticos para a doença e melhoramento no desempenho da coordenação motora." O que é particularmente interessante nesta descoberta, é que o interferão gama é um medicamento já aprovado para outras indicações, e já comercializado.
Isto significa que, se a eficácia fosse confirmada em humanos, seria rapidamente colocado à disposição dos pacientes com FRDA. Nesse sentido já estão em curso dois ensaios clínicos, um em Roma (Itália) e outro em Filadélfia (EUA), que em poucos meses poderão dar indicações relevantes.




Fonte: 
http://www.babelfamily.org/it/index.php/88-news/latest-news/423-salute-vicini-a-cura-efficace-contro-atassia-di-friedreich

28 de fevereiro de 2014

Dia das Doenças Raras de 2014: Juntos cuidaremos melhor, proclama-se em mais de 80 países

Hoje é o nosso dia. 28 de fevereiro de 2014. Dia das Doenças Raras de 2014. Vamos dizê-lo a todo o mundo! Há muitas formas de espalhar a notícia de que HOJE é o Dia das Doenças Raras!


Está já a desenvolver-se uma multiplicidade de atividades e eventos: uma entrevista televisiva no Quénia; um Dia de Lazer e Jogos no Líbano; uma campanha informativa de sensibilização no Paraguai; uma marcha na Áustria; um leilão no Canadá; uma exposição de fotografia na China; um seminário na Índia – e a lista continua por aí fora, de todos os cantos do mundo onde participantes de mais de 80 países proclamam a uma só voz: Juntos Cuidamos Melhor no Dia das Doenças Raras de 2014!

Descubra o que está a acontecer perto de si.



Louise Taylor, Communications and Development Writer, EURORDIS

 Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira


Fonte: http://www.eurordis.org/pt-pt/news/dia-das-doencas-raras-de-2014-juntos-cuidaremos-melhor-proclama-se-em-mais-de-80-paises

Doenças Raras. A maratona burocrática de 800 mil portugueses


Cartões para melhor identificação nas urgências começaram a ser distribuídos em Dezembro mas ainda não há centros acreditados
O Plano Nacional das Doenças Raras foi aprovado em Setembro de 2008, o ano em que se instituiu a nível mundial o dia dedicado a estes doentes, que se assinala hoje. Cinco anos depois, a maioria dos objectivos nesta estratégia para uma resposta mais integrada e maior formação dos profissionais para lidar com estes casos continua por implementar. Haver cartões especiais que identifiquem os doentes mal dão entrada nos cuidados de saúde foi uma das promessas associadas ao plano, desde 2009 renovada todos os anos. Doentes e associações desconhecem o ponto de situação sobre esta iniciativa mas a Direcção-Geral de Saúde garantiu ontem ao i que já começaram a ser distribuídos, em Dezembro.
Marta Jacinto, presidente da Aliança das Doenças Raras que representa as patologias com maior incidência desconhecia que já estivessem a ser emitidos, não obstante os repetidos pedidos à DGS. "Trabalhámos em vários pontos na elaboração do plano e dos cartões e não temos tido resposta", lamentou a responsável, que defende que para já o impacto do plano que vigora até 2015 é nulo.
O i solicitou à DGS um balanço dos vários indicadores que, de acordo com o plano, deveriam ser monitorizados periodicamente. Era suposto terem sido progressivamente acreditados centros de tratamento por patologia mediante candidaturas dos serviços, que passariam a ser os locais avaliados e para onde deveriam ser encaminhados os doentes perante suspeitas ou diagnósticos. Era também suposto haver um balanço sobre a incidência das doenças ou informação sobre a proporção de doentes com acesso a medicação.
Das várias questões, a DGS apenas esclareceu a situação dos cartões de doente. Começaram a ser testados a 3 de Dezembro e devem solicitados pelos médicos através do portal Plataforma de Dados da Saúde. Visam transmitir informação "clínica mínima essencial" para proteger os doentes quando recorrem a um serviço de urgência, perante "o natural e geral desconhecimento dos clínicos" sobre estas doenças. Estão a ser testados em seis instituições - os centros hospitalares Lisboa Norte, Lisboa Central, de Coimbra, do Porto, do Alto Ave e também em S. João, no Porto. Já foram activados 51 cartões para 24 doenças, entre 137 requisitados. A DGS não esclareceu por que motivo não foram emitidos os restantes mas informa que, das 5441 doenças catalogadas, 68 já têm cuidados de emergência predefinidos, ou seja, existe informação aos profissionais sobre como lidar com estes casos, que por vezes podem não poder fazer medicação simples como aspirina.
No portal Orphanet, gerido em Portugal pelo Centro de Genética Preditiva e Preventiva do Instituto de Biologia Molecular e Celular, existe mais informação. A plataforma visa partilhar informação entre profissionais e doentes e revela que neste momento há 145 consultas especializadas registadas, 1040 testes de diagnóstico disponíveis, 154 projectos de investigação e 24 ensaios clínicos. Há depois 70 associações, para os doentes ouvidos pelo i a principal ajuda não obstante a página portuguesa do Orphanet receber 450 visitas mensais. Estimam-se no país 600 a 800 mil doentes com patologias raras, que afectam uma em cada 2000 pessoas. Não se sabe quantos estão diagnosticados. Este ano o lema do Dia Mundial das Doenças Raras é "Juntos Cuidaremos Melhor". Marta Jacinto sublinha que é um desafio às unidades de saúde, às famílias mas também à sociedade. "Continua a haver estigma", avisa.
01. Joana, uma heroína que quer ser informática 
Foi o “olho clínico” de uma médica nas urgências que facilitou o diagnóstico. Joana ainda não tinha 18 meses e estava com dificuldade em respirar. Os olhos grandes e laringe dilatada chamaram a atenção da médica, que já tinha visto um caso. Passou a informação ao pediatra e o diagnóstico não tardou: Mucopolissacaridose do tipo 1, um das doenças raras genéticas que resulta de erros no metabolismo. Estimam-se menos de 5 casos/ano. Hoje com 15 anos, a mãe Isabel Valério diz que a filha é uma heroína e aprendeu a aceitar a doença. Ela assente: queria ser cozinheira, mas com 1,26 m como ia pegar nos tachos? “Vou ser informática, é um projecto que posso ter.” Ter o tratamento que prolonga a esperança de vida implicou muitos emails para o estrangeiro a maioria sem resposta. A mãe falava alemão e isso facilitou o contacto com um dos maiores especialistas, que prometeu que mal começassem os tratamentos a jovem seria incluído. Acabou por ajudar a que o tratamento chegasse a Coimbra. Fá-lo há cinco anos, todas as semanas, o que permite uma vida normal. Isabel aprendeu a viver com as probabilidades: na região Centro, conheceu cinco crianças com a doença. Só duas sobrevivem.
02. Cristina surpreende a mãe há 46 anos
 É uma história de amor com 46 anos, conta a mãe Elvira Dias, hoje com 70. Amor e  sofrimento. A filha nasceu aparentemente bem, com uma fenda palatina que foi operada e corrigida. Mas depois não cresceu, teve atraso na fala e no andar. O diagnóstico chegou aos oito anos, quando após muito procurar conheceu um médico inglês, que visitou o país. Síndroma de Rubinstein-Taybi. Elvira, que fundou uma associação para ajudar estes doentes, tem conhecimento de 19 casos. A maioria acaba por ter um bom prognóstico, mas Cristina sofreu duas vezes. Aos 17 anos, quando fazia natação e fisioterapia para recuperar fez um aneurisma, ficou numa cadeira de rodas. “Pensei que a culpa fosse minha, por ter puxado por ela. Disseram-me que se não fosse isso talvez não tivesse resistido à operação.” Na mesma altura, uma leucemia fulminante levou-lhe o marido: “Dediquei-me a esta causa não já por nós, mas para que possa passar a minha experiência.” Hoje as forças começam a faltar, precisava de um apoio domiciliário: com o frio e complicações respiratórias, Cristina não pode frequentar o centro ocupacional que a mantém activa desde a adolescência. “Estou cansada mas todos os dias a minha filha me surpreende.”
03. Marta vive um milagre, sem olhar ao futuro 
Há dois anos Marta Gonçalves estava em coma, com os médicos a dizer à família que não tinha hipóteses. Depois de adiar o transplante de fígado na expectativa do medicamento que atrasa a progressão da paramiloidose, os sintomas fizeram-na voltar à lista para receber um fígado. Entrou no bloco no dia 27 de Fevereiro de 2012, três meses antes do SNS aprovar a medicação. Rejeitou o fígado, ficou em coma três dias. “Por descargo de consciência, apareceu um fígado que não era compatível nem no tipo de sangue nem no tamanho e mesmo assim tentaram.” Salvou-a esse milagre. Mas aos 39 anos, está bem. “Se soubesse que o medicamento ia ser aprovado tão rápido, não tinha feito o transplante.” Na altura a incerteza era grande e também não lhe disseram que nos portadores da doença dos pezinhos, a doença rara de origem portuguesa, que afecta cerca de 1500 portugueses, a probabilidade de rejeição do fígado – a operação que à partida cura a doença – era de 80%. Não sabe como não lhe disseram. “Hoje estou curada, canso-me muito e tento tonturas. Falo com quem faz a medicação e alguns queixam-se que adia os sintomas, não resolve. Também fiquei com outros problemas. Quem tem uma doença destas nunca deixa de lutar.”
04. Cristina lida com a doença e com o meio pequeno 
 “Inventam-se tantas coisas. Já disseram que estava numa cama sem me mexer, que não falava. Há muito desconhecimento.” Aos 16 anos, caiu-lhe o mundo. Há algum tempo que andava com perdas de equilíbrio mas o médico de família sempre disse que seriam problemas dos olhos ou da coluna. Numa consulta no Hospital de Serpa, o diagnóstico revelou-se mais grave: ataxia de Friedreich, doença rara neurodegerativa. “Disseram-me que podia deixar de andar, ter problemas de coração.” Pareceu-lhe uma ideia tão remota que ao princípio não acreditou. Até passar a viver numa cadeira de rodas. Seguiu-se o diagnóstico dos dois irmãos gémeos. Os três vivem com a mesma doença em Vila Verde de Ficalho, freguesia de 1400 habitantes no Alentejo. Depois do diagnóstico, Cristina esteve quatro anos em casa sem ir à escola, por falta de transporte. Também por falta de transporte, deixou a fisioterapia. Sente-se a atrofiar, queria completar o 12º ano. Trabalha num centro de internet para pagar a medicação e consultas de medicina alternativa, que lhe deram alguma esperança. No Facebook, uma prima de Lisboa tem procurado ajudar os filhos. “Quem vive isolado e sem meios tem muitas dificuldades”, lamenta.
05. ana Rita sabe o que podia ajudar doentes como ela
Ana Rita foi diagnosticada aos quatro anos com esclerose tuberosa, uma doença rara que pode provocar epilepsia e défice cognitivo. Mas foi com 14, a sair-se mal na escola, que percebeu melhor a doença.“A médica disse-me que não tinha problemas, que podia estudar e muitas crianças como eu não tinham essa possibilidade.” Passou a esforçar-se mais e nem os últimos revezes a fizeram esmorecer: primeiro um tumor no cérebro que teve de ser retirado, depois muitas dores de cabeça, agora um tumor no rim de 8 centímetros. Aos 17 anos, custa-lhe faltar à escola, mas diz que os amigos não a tratam de forma diferente. Mas sabe o que podia mudar: é “especialista em hospitais” e diz que se nota bem a diferença entre enfermeiros, uns muito atenciosos, outros “que não querem saber”. Na escola, mais que os colegas, acredita que devia haver maior sensibilização entre os professores. “Por vezes sinto-me muito exposta. Se sabem que tenho esta doença, porque é que perguntam se vou faltar outra vez ou se não posso fazer ginástica.” Depois do 9º ano, quer seguir artes ou letras. A paixão era o boxe, que descobriu na televisão e no YouTube. Não podendo, gostava de especializar-se em manicure. Mas com espírito de lutadora.

Fonte: 
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/doencas-raras-maratona-burocratica-800-mil-portugueses/pag/-1

24 de fevereiro de 2014

Cuba é o país anfitrião da Conferência Internacional de Restauração Neurológica



A IV Conferência Internacional de Restauração Neurológica terá lugar em Havana, Cuba, de 5 a 7 de Março, segundo os organizadores.

O evento faz parte das atividades do 25º aniversário do Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), disse o Dr. Emilio Villa, diretor da reconhecida instituição.

Entre os tópicos do fórum, destacam-se a neuroplasticidade e neruroreabilitação, investigação em células estaminais, restauração neurológicas em doenças neurodegenerativas, lesões da medula espinhal, epilepsias, alterações na coordenação motora e demência, entre outros.

Também estão previstos vários cursos, como é o que é organizado pela Secção Pan-americana da Sociedade de Distúrbios do Movimento, intitulada "Aspetos Científicos e Clínicos da doença de Parkinson e Ataxias cerebelosas", explicou Jorge Bergado, secretário do comité organizador.

Também se realizará o 6º Simpósio Internacional de Ataxias Hereditárias que organiza o Centro de Investigação de Ataxias Hereditárias em Holguín, Cuba, instituição de grande prestígio nos estudos realizados nesta patologia que afeta principalmente esta província oriental, acrescentou.

São esperadas as participações de especialistas de Espanha, EUA, México, França, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Alemanha, Áustria, Canadá, Dinamarca, Turquia, entre outros.

No seu primeiro quarto de século, o CIREN assistiu mais de 116 mil pacientes de 91 países, a maioria cubanos, usando programas intensivos e personalizados únicos do seu tipo no mundo, onde se interrelaciona investigação, clínica, diagnóstico médico, tratamento, cirurgia e reabilitação, disse Villa.

Ele ressaltou que a instituição está atualmente envolvida no desenvolvimento e refinamento de variantes mais eficientes na cirurgia estereotáxica ou minimamente invasiva em pessoas com distúrbios do movimento.

Além disso, está-se a investigar sobre a aplicação de células estaminais autónomas para o tratamento de um tipo de acidente vascular cerebral, que pode ser promissor em outras condições e está-se a trabalhar em procedimentos para epilepsias refratárias, ataxias e outras doenças degenerativas.
O CIREN também trata doenças cerebrovasculares oclusivas como enfartes do cérebro, tratamentos de traumatismos crânio-encefálicos e oferece um serviço de Neurologia Pediátrica dedicado à recuperação de crianças com lesões estáticas do sistema nervoso. (AIN).

22 de fevereiro de 2014

Baixos níveis de vitamina C associados à inflamação na doença vascular periférica

Os baixos níveis de vitamina C no sangue podem ser associados a uma forma grave de doença arterial periférica, de acordo com um estudo publicado. Esta pesquisa constatou que a doença pode causar inflamação e a libertação de radicais livres de oxigénio que esgotam o aprovisionamento de vitamina C no organismo.

Uma equipa belga comparou os níveis de vitamina C no sangue em três grupos de pessoas: 85 indivíduos com doença arterial periférica, outro grupo de 106 pacientes com hipertensão, mas sem a doença acima citada e um terceiro grupo de 113 pessoas saudáveis.

O coordenador do trabalho, Michel Langlois, especialista em Patologia Clínica no Hospital Universitário de Ghent (Bélgica), diz que "se verificou que as concentrações de vitamina C eram cerca de duas vezes menores nos pacientes com doença arterial periférica, em comparação com os outros dois grupos".

Os autores indicam, no entanto, que "os níveis elevados de proteína C - reativa provavelmente não são a causa direta do dano arterial, mas um subproduto da resposta inflamatória na aterosclerose".

 Verificação

Langlois acrescenta que "com estes dados não se pode concluir que a doença arterial periférica ou aterosclerose pode evitar tomando mais vitamina C, já que tal não foi o objeto deste estudo".

No entanto, outros ensaios clínicos forneceram dados sobre os benefícios dos suplementos antioxidantes – incluindo as vitaminas C e E e betacaroteno - para a prevenção da doença aterosclerótica em indivíduos saudáveis. A este respeito, Langlois, assinala que sua equipa está a projetar um ensaio clínico em que suplementos de vitamina C vão ser administrados a pacientes com doença vascular periférica, para determinar o efeito concreto dos suplementos.

As pessoas que muitas vezes tomam suplementos de vitamina C ou outros antioxidantes são excluídas do trabalho, já que "os suplementos podem interferir com alguns mecanismos biológicos causando a depleção de vitamina C na aterosclerose grave," conclui Langlois.


Ataxias hereditárias

A coenzima Q10 (CoQ10) ou ubiquinona pode ser um tratamento promissor para pacientes com ataxias hereditárias. Seis pacientes com a doença melhoraram significativamente depois de tomar a referida substância, explica o coordenador do trabalho, Salvatore diMauro, Professor de Neurologia na Universidade de Columbia (EUA). "Mesmo um paciente em cadeira de rodas conseguiu andar com ajuda", acrescenta. A equipa descobriu que um bom número de pacientes com formas inexplicáveis de ataxias hereditárias tinha deficiências de CoQ10, um componente natural através do qual as células obtêm energia do oxigénio. Os pacientes tomaram uma dose de entre 300 e 3.000 mg de CoQ10. Um ano depois de iniciar o tratamento, eles tinham melhorado uma média de 25 por cento num teste de nível de ataxia.


Fonte: http://lawrencemejia.tumblr.com/post/75485833434/asocian-niveles-bajos-de-vitamina-c-con-la-inflamacion

20 de fevereiro de 2014

A FDA concede à Edison Pharmaceuticals a classificação de medicamento órfão ao EPI-743 para a Ataxia de Friedreich

A Edison Pharmaceuticals anunciou que a Food and Drug Administration (FDA) concedeu a classificação de medicamento órfão ao vatiquinone para o tratamento da ataxia de Friedreich.

Vatiquinone é o Nome Internacional de Não-Propriedade (INN) para o EPI-743 da Edison. O INN é um nome internacional exclusivo emitido pela Organização Mundial de saúde. Ele é usado para identificar o ingrediente ativo farmacológico de um medicamento e é também conhecido como o nome genérico.

O EPI-743 está atualmente na fase 2 do desenvolvimento para o tratamento da ataxia de Friedreich. Uma fase 2B do ensaio clínico em adultos com ataxia de Friedreich já está completo com nomes de voluntários neste momento.

A classificação órfã foi estabelecida como parte do Orphan Drug Act, que foi aprovada pelo Congresso dos EUA em 1983 para incentivar o desenvolvimento de fármacos para o tratamento de doenças raras (medicamentos órfãos). A FDA concede a classificação de medicamento órfão a medicamentos que estão sendo desenvolvidos especificamente para tratar uma doença rara e têm demonstrado benefício potencial para a indicação. A classificação órfã oferece várias vantagens, nomeadamente, um processo de aprovação dos medicamentos mais acelerado e um longo período de exclusividade de mercado.

A FDA concedeu anteriormente a classificação de medicamento órfão ao EPI-743 para o tratamento de doenças hereditárias da cadeia respiratória. Além disso, o EPI-743 recebeu a classificação de medicamento órfão para o Síndroma de Leigh pelo Comité de Produtos Medicinais Órfãos (COMP) da Agência Europeia de Medicamentos.


Ataxia de Friedreich

A ataxia de Friedreich é que uma doença hereditária autossómica recessiva, que afeta um número estimado de 1 em cada 30.000 indivíduos nos EUA e na Europa. A ataxia de Friedreich é causada por um defeito no gene frataxina, que codifica uma proteína de 210 aminoácidos que participa na montagem do aglomerado de proteínas ferro-enxofre (Fe-S). A maioria destas proteínas de Fe-S está localizada na cadeia respiratória nas mitocôndrias. Consequentemente, os pacientes com ataxia de Friedreich apresentam sintomas de "falha de energia", incluindo ataxia, fraqueza muscular, insuficiência cardíaca, diabetes e deficiências visuais, no discurso e de audição. A ataxia de Friedreich é uma doença altamente debilitante e é um membro de uma família maior de doenças chamado doença mitocondrial. Como um mecanismo bioquímico comum, essas doenças compartilham defeitos no metabolismo energético celular. Não existem medicamentos aprovados pela FDA para a ataxia de Friedreich.

EPI-743

O EPI-743 é uma pequena molécula oralmente biodisponível sendo desenvolvida pela Edison Pharmaceuticals para o tratamento da ataxia de Friedreich e outras doenças hereditárias mitocondriais. O EPI-743 é um membro da classe para-benzoquinona de medicamentos. Através de um mecanismo baseado em redox, o EPI-743 aumenta a biossíntese endógena de glutationa, que é essencial para o controlo do stress oxidativo. O EPI-743 está na fase 2 de desenvolvimento clínico para o tratamento de distúrbios hereditários da cadeia respiratória. Estão a decorrer ensaios para as seguintes indicações: ataxia de Friedreich, Síndroma de Leigh, Defeito na Cobalamina C e Doenças Não-diagnosticadas de Redução da Oxidação.

Edison Pharmaceuticals

A Edison Pharmaceuticals é uma empresa farmacêutica especializada, dedicada ao desenvolvimento de tratamentos para crianças e adultos com doenças mitocondriais.