28 de fevereiro de 2014

Dia das Doenças Raras de 2014: Juntos cuidaremos melhor, proclama-se em mais de 80 países

Hoje é o nosso dia. 28 de fevereiro de 2014. Dia das Doenças Raras de 2014. Vamos dizê-lo a todo o mundo! Há muitas formas de espalhar a notícia de que HOJE é o Dia das Doenças Raras!


Está já a desenvolver-se uma multiplicidade de atividades e eventos: uma entrevista televisiva no Quénia; um Dia de Lazer e Jogos no Líbano; uma campanha informativa de sensibilização no Paraguai; uma marcha na Áustria; um leilão no Canadá; uma exposição de fotografia na China; um seminário na Índia – e a lista continua por aí fora, de todos os cantos do mundo onde participantes de mais de 80 países proclamam a uma só voz: Juntos Cuidamos Melhor no Dia das Doenças Raras de 2014!

Descubra o que está a acontecer perto de si.



Louise Taylor, Communications and Development Writer, EURORDIS

 Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira


Fonte: http://www.eurordis.org/pt-pt/news/dia-das-doencas-raras-de-2014-juntos-cuidaremos-melhor-proclama-se-em-mais-de-80-paises

Doenças Raras. A maratona burocrática de 800 mil portugueses


Cartões para melhor identificação nas urgências começaram a ser distribuídos em Dezembro mas ainda não há centros acreditados
O Plano Nacional das Doenças Raras foi aprovado em Setembro de 2008, o ano em que se instituiu a nível mundial o dia dedicado a estes doentes, que se assinala hoje. Cinco anos depois, a maioria dos objectivos nesta estratégia para uma resposta mais integrada e maior formação dos profissionais para lidar com estes casos continua por implementar. Haver cartões especiais que identifiquem os doentes mal dão entrada nos cuidados de saúde foi uma das promessas associadas ao plano, desde 2009 renovada todos os anos. Doentes e associações desconhecem o ponto de situação sobre esta iniciativa mas a Direcção-Geral de Saúde garantiu ontem ao i que já começaram a ser distribuídos, em Dezembro.
Marta Jacinto, presidente da Aliança das Doenças Raras que representa as patologias com maior incidência desconhecia que já estivessem a ser emitidos, não obstante os repetidos pedidos à DGS. "Trabalhámos em vários pontos na elaboração do plano e dos cartões e não temos tido resposta", lamentou a responsável, que defende que para já o impacto do plano que vigora até 2015 é nulo.
O i solicitou à DGS um balanço dos vários indicadores que, de acordo com o plano, deveriam ser monitorizados periodicamente. Era suposto terem sido progressivamente acreditados centros de tratamento por patologia mediante candidaturas dos serviços, que passariam a ser os locais avaliados e para onde deveriam ser encaminhados os doentes perante suspeitas ou diagnósticos. Era também suposto haver um balanço sobre a incidência das doenças ou informação sobre a proporção de doentes com acesso a medicação.
Das várias questões, a DGS apenas esclareceu a situação dos cartões de doente. Começaram a ser testados a 3 de Dezembro e devem solicitados pelos médicos através do portal Plataforma de Dados da Saúde. Visam transmitir informação "clínica mínima essencial" para proteger os doentes quando recorrem a um serviço de urgência, perante "o natural e geral desconhecimento dos clínicos" sobre estas doenças. Estão a ser testados em seis instituições - os centros hospitalares Lisboa Norte, Lisboa Central, de Coimbra, do Porto, do Alto Ave e também em S. João, no Porto. Já foram activados 51 cartões para 24 doenças, entre 137 requisitados. A DGS não esclareceu por que motivo não foram emitidos os restantes mas informa que, das 5441 doenças catalogadas, 68 já têm cuidados de emergência predefinidos, ou seja, existe informação aos profissionais sobre como lidar com estes casos, que por vezes podem não poder fazer medicação simples como aspirina.
No portal Orphanet, gerido em Portugal pelo Centro de Genética Preditiva e Preventiva do Instituto de Biologia Molecular e Celular, existe mais informação. A plataforma visa partilhar informação entre profissionais e doentes e revela que neste momento há 145 consultas especializadas registadas, 1040 testes de diagnóstico disponíveis, 154 projectos de investigação e 24 ensaios clínicos. Há depois 70 associações, para os doentes ouvidos pelo i a principal ajuda não obstante a página portuguesa do Orphanet receber 450 visitas mensais. Estimam-se no país 600 a 800 mil doentes com patologias raras, que afectam uma em cada 2000 pessoas. Não se sabe quantos estão diagnosticados. Este ano o lema do Dia Mundial das Doenças Raras é "Juntos Cuidaremos Melhor". Marta Jacinto sublinha que é um desafio às unidades de saúde, às famílias mas também à sociedade. "Continua a haver estigma", avisa.
01. Joana, uma heroína que quer ser informática 
Foi o “olho clínico” de uma médica nas urgências que facilitou o diagnóstico. Joana ainda não tinha 18 meses e estava com dificuldade em respirar. Os olhos grandes e laringe dilatada chamaram a atenção da médica, que já tinha visto um caso. Passou a informação ao pediatra e o diagnóstico não tardou: Mucopolissacaridose do tipo 1, um das doenças raras genéticas que resulta de erros no metabolismo. Estimam-se menos de 5 casos/ano. Hoje com 15 anos, a mãe Isabel Valério diz que a filha é uma heroína e aprendeu a aceitar a doença. Ela assente: queria ser cozinheira, mas com 1,26 m como ia pegar nos tachos? “Vou ser informática, é um projecto que posso ter.” Ter o tratamento que prolonga a esperança de vida implicou muitos emails para o estrangeiro a maioria sem resposta. A mãe falava alemão e isso facilitou o contacto com um dos maiores especialistas, que prometeu que mal começassem os tratamentos a jovem seria incluído. Acabou por ajudar a que o tratamento chegasse a Coimbra. Fá-lo há cinco anos, todas as semanas, o que permite uma vida normal. Isabel aprendeu a viver com as probabilidades: na região Centro, conheceu cinco crianças com a doença. Só duas sobrevivem.
02. Cristina surpreende a mãe há 46 anos
 É uma história de amor com 46 anos, conta a mãe Elvira Dias, hoje com 70. Amor e  sofrimento. A filha nasceu aparentemente bem, com uma fenda palatina que foi operada e corrigida. Mas depois não cresceu, teve atraso na fala e no andar. O diagnóstico chegou aos oito anos, quando após muito procurar conheceu um médico inglês, que visitou o país. Síndroma de Rubinstein-Taybi. Elvira, que fundou uma associação para ajudar estes doentes, tem conhecimento de 19 casos. A maioria acaba por ter um bom prognóstico, mas Cristina sofreu duas vezes. Aos 17 anos, quando fazia natação e fisioterapia para recuperar fez um aneurisma, ficou numa cadeira de rodas. “Pensei que a culpa fosse minha, por ter puxado por ela. Disseram-me que se não fosse isso talvez não tivesse resistido à operação.” Na mesma altura, uma leucemia fulminante levou-lhe o marido: “Dediquei-me a esta causa não já por nós, mas para que possa passar a minha experiência.” Hoje as forças começam a faltar, precisava de um apoio domiciliário: com o frio e complicações respiratórias, Cristina não pode frequentar o centro ocupacional que a mantém activa desde a adolescência. “Estou cansada mas todos os dias a minha filha me surpreende.”
03. Marta vive um milagre, sem olhar ao futuro 
Há dois anos Marta Gonçalves estava em coma, com os médicos a dizer à família que não tinha hipóteses. Depois de adiar o transplante de fígado na expectativa do medicamento que atrasa a progressão da paramiloidose, os sintomas fizeram-na voltar à lista para receber um fígado. Entrou no bloco no dia 27 de Fevereiro de 2012, três meses antes do SNS aprovar a medicação. Rejeitou o fígado, ficou em coma três dias. “Por descargo de consciência, apareceu um fígado que não era compatível nem no tipo de sangue nem no tamanho e mesmo assim tentaram.” Salvou-a esse milagre. Mas aos 39 anos, está bem. “Se soubesse que o medicamento ia ser aprovado tão rápido, não tinha feito o transplante.” Na altura a incerteza era grande e também não lhe disseram que nos portadores da doença dos pezinhos, a doença rara de origem portuguesa, que afecta cerca de 1500 portugueses, a probabilidade de rejeição do fígado – a operação que à partida cura a doença – era de 80%. Não sabe como não lhe disseram. “Hoje estou curada, canso-me muito e tento tonturas. Falo com quem faz a medicação e alguns queixam-se que adia os sintomas, não resolve. Também fiquei com outros problemas. Quem tem uma doença destas nunca deixa de lutar.”
04. Cristina lida com a doença e com o meio pequeno 
 “Inventam-se tantas coisas. Já disseram que estava numa cama sem me mexer, que não falava. Há muito desconhecimento.” Aos 16 anos, caiu-lhe o mundo. Há algum tempo que andava com perdas de equilíbrio mas o médico de família sempre disse que seriam problemas dos olhos ou da coluna. Numa consulta no Hospital de Serpa, o diagnóstico revelou-se mais grave: ataxia de Friedreich, doença rara neurodegerativa. “Disseram-me que podia deixar de andar, ter problemas de coração.” Pareceu-lhe uma ideia tão remota que ao princípio não acreditou. Até passar a viver numa cadeira de rodas. Seguiu-se o diagnóstico dos dois irmãos gémeos. Os três vivem com a mesma doença em Vila Verde de Ficalho, freguesia de 1400 habitantes no Alentejo. Depois do diagnóstico, Cristina esteve quatro anos em casa sem ir à escola, por falta de transporte. Também por falta de transporte, deixou a fisioterapia. Sente-se a atrofiar, queria completar o 12º ano. Trabalha num centro de internet para pagar a medicação e consultas de medicina alternativa, que lhe deram alguma esperança. No Facebook, uma prima de Lisboa tem procurado ajudar os filhos. “Quem vive isolado e sem meios tem muitas dificuldades”, lamenta.
05. ana Rita sabe o que podia ajudar doentes como ela
Ana Rita foi diagnosticada aos quatro anos com esclerose tuberosa, uma doença rara que pode provocar epilepsia e défice cognitivo. Mas foi com 14, a sair-se mal na escola, que percebeu melhor a doença.“A médica disse-me que não tinha problemas, que podia estudar e muitas crianças como eu não tinham essa possibilidade.” Passou a esforçar-se mais e nem os últimos revezes a fizeram esmorecer: primeiro um tumor no cérebro que teve de ser retirado, depois muitas dores de cabeça, agora um tumor no rim de 8 centímetros. Aos 17 anos, custa-lhe faltar à escola, mas diz que os amigos não a tratam de forma diferente. Mas sabe o que podia mudar: é “especialista em hospitais” e diz que se nota bem a diferença entre enfermeiros, uns muito atenciosos, outros “que não querem saber”. Na escola, mais que os colegas, acredita que devia haver maior sensibilização entre os professores. “Por vezes sinto-me muito exposta. Se sabem que tenho esta doença, porque é que perguntam se vou faltar outra vez ou se não posso fazer ginástica.” Depois do 9º ano, quer seguir artes ou letras. A paixão era o boxe, que descobriu na televisão e no YouTube. Não podendo, gostava de especializar-se em manicure. Mas com espírito de lutadora.

Fonte: 
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/doencas-raras-maratona-burocratica-800-mil-portugueses/pag/-1

24 de fevereiro de 2014

Cuba é o país anfitrião da Conferência Internacional de Restauração Neurológica



A IV Conferência Internacional de Restauração Neurológica terá lugar em Havana, Cuba, de 5 a 7 de Março, segundo os organizadores.

O evento faz parte das atividades do 25º aniversário do Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), disse o Dr. Emilio Villa, diretor da reconhecida instituição.

Entre os tópicos do fórum, destacam-se a neuroplasticidade e neruroreabilitação, investigação em células estaminais, restauração neurológicas em doenças neurodegenerativas, lesões da medula espinhal, epilepsias, alterações na coordenação motora e demência, entre outros.

Também estão previstos vários cursos, como é o que é organizado pela Secção Pan-americana da Sociedade de Distúrbios do Movimento, intitulada "Aspetos Científicos e Clínicos da doença de Parkinson e Ataxias cerebelosas", explicou Jorge Bergado, secretário do comité organizador.

Também se realizará o 6º Simpósio Internacional de Ataxias Hereditárias que organiza o Centro de Investigação de Ataxias Hereditárias em Holguín, Cuba, instituição de grande prestígio nos estudos realizados nesta patologia que afeta principalmente esta província oriental, acrescentou.

São esperadas as participações de especialistas de Espanha, EUA, México, França, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Alemanha, Áustria, Canadá, Dinamarca, Turquia, entre outros.

No seu primeiro quarto de século, o CIREN assistiu mais de 116 mil pacientes de 91 países, a maioria cubanos, usando programas intensivos e personalizados únicos do seu tipo no mundo, onde se interrelaciona investigação, clínica, diagnóstico médico, tratamento, cirurgia e reabilitação, disse Villa.

Ele ressaltou que a instituição está atualmente envolvida no desenvolvimento e refinamento de variantes mais eficientes na cirurgia estereotáxica ou minimamente invasiva em pessoas com distúrbios do movimento.

Além disso, está-se a investigar sobre a aplicação de células estaminais autónomas para o tratamento de um tipo de acidente vascular cerebral, que pode ser promissor em outras condições e está-se a trabalhar em procedimentos para epilepsias refratárias, ataxias e outras doenças degenerativas.
O CIREN também trata doenças cerebrovasculares oclusivas como enfartes do cérebro, tratamentos de traumatismos crânio-encefálicos e oferece um serviço de Neurologia Pediátrica dedicado à recuperação de crianças com lesões estáticas do sistema nervoso. (AIN).

22 de fevereiro de 2014

Baixos níveis de vitamina C associados à inflamação na doença vascular periférica

Os baixos níveis de vitamina C no sangue podem ser associados a uma forma grave de doença arterial periférica, de acordo com um estudo publicado. Esta pesquisa constatou que a doença pode causar inflamação e a libertação de radicais livres de oxigénio que esgotam o aprovisionamento de vitamina C no organismo.

Uma equipa belga comparou os níveis de vitamina C no sangue em três grupos de pessoas: 85 indivíduos com doença arterial periférica, outro grupo de 106 pacientes com hipertensão, mas sem a doença acima citada e um terceiro grupo de 113 pessoas saudáveis.

O coordenador do trabalho, Michel Langlois, especialista em Patologia Clínica no Hospital Universitário de Ghent (Bélgica), diz que "se verificou que as concentrações de vitamina C eram cerca de duas vezes menores nos pacientes com doença arterial periférica, em comparação com os outros dois grupos".

Os autores indicam, no entanto, que "os níveis elevados de proteína C - reativa provavelmente não são a causa direta do dano arterial, mas um subproduto da resposta inflamatória na aterosclerose".

 Verificação

Langlois acrescenta que "com estes dados não se pode concluir que a doença arterial periférica ou aterosclerose pode evitar tomando mais vitamina C, já que tal não foi o objeto deste estudo".

No entanto, outros ensaios clínicos forneceram dados sobre os benefícios dos suplementos antioxidantes – incluindo as vitaminas C e E e betacaroteno - para a prevenção da doença aterosclerótica em indivíduos saudáveis. A este respeito, Langlois, assinala que sua equipa está a projetar um ensaio clínico em que suplementos de vitamina C vão ser administrados a pacientes com doença vascular periférica, para determinar o efeito concreto dos suplementos.

As pessoas que muitas vezes tomam suplementos de vitamina C ou outros antioxidantes são excluídas do trabalho, já que "os suplementos podem interferir com alguns mecanismos biológicos causando a depleção de vitamina C na aterosclerose grave," conclui Langlois.


Ataxias hereditárias

A coenzima Q10 (CoQ10) ou ubiquinona pode ser um tratamento promissor para pacientes com ataxias hereditárias. Seis pacientes com a doença melhoraram significativamente depois de tomar a referida substância, explica o coordenador do trabalho, Salvatore diMauro, Professor de Neurologia na Universidade de Columbia (EUA). "Mesmo um paciente em cadeira de rodas conseguiu andar com ajuda", acrescenta. A equipa descobriu que um bom número de pacientes com formas inexplicáveis de ataxias hereditárias tinha deficiências de CoQ10, um componente natural através do qual as células obtêm energia do oxigénio. Os pacientes tomaram uma dose de entre 300 e 3.000 mg de CoQ10. Um ano depois de iniciar o tratamento, eles tinham melhorado uma média de 25 por cento num teste de nível de ataxia.


Fonte: http://lawrencemejia.tumblr.com/post/75485833434/asocian-niveles-bajos-de-vitamina-c-con-la-inflamacion

20 de fevereiro de 2014

A FDA concede à Edison Pharmaceuticals a classificação de medicamento órfão ao EPI-743 para a Ataxia de Friedreich

A Edison Pharmaceuticals anunciou que a Food and Drug Administration (FDA) concedeu a classificação de medicamento órfão ao vatiquinone para o tratamento da ataxia de Friedreich.

Vatiquinone é o Nome Internacional de Não-Propriedade (INN) para o EPI-743 da Edison. O INN é um nome internacional exclusivo emitido pela Organização Mundial de saúde. Ele é usado para identificar o ingrediente ativo farmacológico de um medicamento e é também conhecido como o nome genérico.

O EPI-743 está atualmente na fase 2 do desenvolvimento para o tratamento da ataxia de Friedreich. Uma fase 2B do ensaio clínico em adultos com ataxia de Friedreich já está completo com nomes de voluntários neste momento.

A classificação órfã foi estabelecida como parte do Orphan Drug Act, que foi aprovada pelo Congresso dos EUA em 1983 para incentivar o desenvolvimento de fármacos para o tratamento de doenças raras (medicamentos órfãos). A FDA concede a classificação de medicamento órfão a medicamentos que estão sendo desenvolvidos especificamente para tratar uma doença rara e têm demonstrado benefício potencial para a indicação. A classificação órfã oferece várias vantagens, nomeadamente, um processo de aprovação dos medicamentos mais acelerado e um longo período de exclusividade de mercado.

A FDA concedeu anteriormente a classificação de medicamento órfão ao EPI-743 para o tratamento de doenças hereditárias da cadeia respiratória. Além disso, o EPI-743 recebeu a classificação de medicamento órfão para o Síndroma de Leigh pelo Comité de Produtos Medicinais Órfãos (COMP) da Agência Europeia de Medicamentos.


Ataxia de Friedreich

A ataxia de Friedreich é que uma doença hereditária autossómica recessiva, que afeta um número estimado de 1 em cada 30.000 indivíduos nos EUA e na Europa. A ataxia de Friedreich é causada por um defeito no gene frataxina, que codifica uma proteína de 210 aminoácidos que participa na montagem do aglomerado de proteínas ferro-enxofre (Fe-S). A maioria destas proteínas de Fe-S está localizada na cadeia respiratória nas mitocôndrias. Consequentemente, os pacientes com ataxia de Friedreich apresentam sintomas de "falha de energia", incluindo ataxia, fraqueza muscular, insuficiência cardíaca, diabetes e deficiências visuais, no discurso e de audição. A ataxia de Friedreich é uma doença altamente debilitante e é um membro de uma família maior de doenças chamado doença mitocondrial. Como um mecanismo bioquímico comum, essas doenças compartilham defeitos no metabolismo energético celular. Não existem medicamentos aprovados pela FDA para a ataxia de Friedreich.

EPI-743

O EPI-743 é uma pequena molécula oralmente biodisponível sendo desenvolvida pela Edison Pharmaceuticals para o tratamento da ataxia de Friedreich e outras doenças hereditárias mitocondriais. O EPI-743 é um membro da classe para-benzoquinona de medicamentos. Através de um mecanismo baseado em redox, o EPI-743 aumenta a biossíntese endógena de glutationa, que é essencial para o controlo do stress oxidativo. O EPI-743 está na fase 2 de desenvolvimento clínico para o tratamento de distúrbios hereditários da cadeia respiratória. Estão a decorrer ensaios para as seguintes indicações: ataxia de Friedreich, Síndroma de Leigh, Defeito na Cobalamina C e Doenças Não-diagnosticadas de Redução da Oxidação.

Edison Pharmaceuticals

A Edison Pharmaceuticals é uma empresa farmacêutica especializada, dedicada ao desenvolvimento de tratamentos para crianças e adultos com doenças mitocondriais.




O EUCERD está morto, viva o Grupo de Peritos da Comissão Europeia em matéria de Doenças Raras


Representantes dos doentes no Grupo de Peritos da Comissão

A reunião inaugural do Grupo de Peritos da Comissão em matéria de Doenças Raras teve lugar na Comissão Europeia, no Luxemburgo, a 11 e 12 de fevereiro de 2014.

Este grupo de peritos assume as responsabilidades do Comité de Peritos da União Europeia em matéria de Doenças Raras (EUCERD) no que toca ao aconselhamento da Comissão Europeia no apoio à concretização da Comunicação da Comissão sobre «Doenças raras: Desafios da Europa» (11 de novembro de 2008) e da Recomendação do Conselho da União Europeia relativa a uma ação europeia em matéria de doenças raras (8 de junho 2009).

A principal mudança é que o novo grupo de peritos é agora presidido pela Comissão Europeia (CE). Na reunião inaugural, verificou-se uma elevada representação das diferentes Direções-Gerais da CE: diferentes unidades da DG de Saúde e Defesa do Consumidor, de Investigação e Inovação, das Empresas e da Indústria e o Centro Comum de Investigação. O Presidente do Comité dos Medicamentos Órfãos da Agência Europeia de Medicamentos também esteve presente.

O recém-nomeado Grupo de Peritos da Comissão em matéria de Doenças Raras reúne representantes dos 28 Estados-membros da UE e da Islândia, da Noruega e da Suíça, assim como representantes dos seguintes grupos de partes interessadas: organizações de cúpula das associações de pessoas com doenças raras, associações europeias de produtores ou prestadores de serviços, associações profissionais europeias ou sociedades científicas com ação no domínio das doenças raras, pessoas nomeadas a título individual como peritos com conhecimentos científicos ou sobre saúde pública, a nível da UE, no campo das doenças raras.

Os quatro representantes nomeados dos doentes e os seus suplentes são todos líderes de associações de doentes, abrangendo todas as zonas da Europa e com longa experiência como representantes das pessoas com doenças raras. Estes trabalharão em estreita colaboração entre si e com a EURORDIS, bem como com as Alianças Nacionais de Doenças Raras e as Federações Europeias de doenças raras específicas, a fim de expressar as necessidades e expetativas dos doentes. A EURORDIS deseja agradecer a todos estes representantes dos doentes pelo seu empenho: Amanda Bok, Dorica Dan, Jan Geissler, Lene Jensen, Alastair Kent, Flavio Minelli, Christoph Nachtigäller e Yann Le Cam.

O grupo de peritos da Comissão tem um papel fundamental na produção de recomendações sobre questões relevantes para as pessoas com doenças raras. O antigo EUCERD adotou cinco Recomendações sobre critérios de qualidade para os Centros Especializados, Redes Europeias de Referência, Registos de doenças raras, o fluxo de informações sobre o Valor Acrescentado Clínico dos Medicamentos Órfãos e, por fim, em 21 indicadores essenciais para o acompanhamento dos planos nacionais para as doenças raras. Por último, o EUCERD adotou um parecer sobre o Rastreio em Recém-Nascidos.

Nos próximos dois anos, o desenvolvimento/concretização dos Planos Nacionais para as Doenças Raras continuará a ser uma questão essencial e transversal. As prioridades a trabalhar foram analisadas durante a reunião inaugural. Estas incluem os Serviços Sociais Especializados e a integração das doenças raras nas políticas sociais, os sistemas de fornecimento de informações sobre doenças raras (incluindo serviços web e linhas de atendimento), a codificação das doenças raras, os testes genéticos e a sequenciação de próxima geração, os registos, as orientações sobre diagnóstico e tratamento, as infraestruturas de investigação e as Redes Europeias de Referência.

O trabalho sobre estas questões prioritárias deve levar a futuras recomendações. A EURORDIS irá informar regularmente os seus leitores sobre a evolução do Grupo de Peritos da Comissão Europeia em matéria de Doenças Raras.

Louise Taylor, Communications and Development Writer, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira

Fonte: http://www.eurordis.org/pt-pt/news/o-eucerd-esta-morto-viva-o-grupo-de-peritos-da-comissao-europeia-em-materia-de-doencas-raras

17 de fevereiro de 2014

Moscas da fruta revelam função normal dum gene mutado na ataxia espinocerebelosa tipo 7 (SCA7)


Ataxina-7, um dos vários genes associados a doenças neurodegenerativas, âncoras de um módulo chave enzimático para o complexo SAGA da mosca de fruta, que ajuda a controlar a atividade genética em organismos até aos seres humanos. A preparação cromossomática politene da mosca com Ataxina-7 é mostrada a verde, o ARN polimerase a encarnado e o ADN a azul. Créditos: Dr. Ryan Mohan do Instituto Stowers para a Investigação Médica.



As interrupções aglomeradas de proteínas mutantes são muitas vezes culpadas pelo entupimento das células e interferir com a função cerebral em pacientes com doenças neurodegenerativas conhecidas como ataxias espinocerebelosas. Mas um novo estudo em moscas da fruta sugere que para pelo menos uma dessas doenças, as proteínas defeituosas podem não precisar de formar aglomerados para fazer mal.

O estudo centra-se na ataxina-7, o gene que é uma mutação em pacientes com ataxia espinocerebelosa tipo 7 (SCA-7). Investigadores liderados pelos investigadores Jerry Workman, pH.d. e Susan Abmayr, pH.d., no Instituto Stowers para a Investigação Médica descobriram que as moscas de fruta a que falta a ataxina-7 têm neurodegeneração no cérebro e o olho — em paralelo com os efeitos da doença humana. "A suposição tem sido de que a doença é causada por proteínas agregadas", diz Workman. "Mas na mosca mutante, não há proteínas agregadas. Não há nenhuma proteína solúvel. Não existe mesmo. A falta de ataxina-7 causa neurodegeneração na mosca da fruta."

Workman e Abmayr não se propuseram a estudar a ataxina-7. Por mais de uma década, a equipa de marido e mulher investigaram como um grande complexo de proteínas chamado SAGA, que ajuda a controlar a atividade genética em organismos até aos humanos, influencia os processos de desenvolvimento. O laboratório de Workman descobriu o complexo na levedura na década de 1990. Em moscas da fruta, cerca de 20 proteínas diferentes reúnem-se para formar SAGA, que modifica o empacotamento do ADN de várias maneiras para influenciar a atividade de milhares de genes.

Quando Vikki Weake, pH.d., uma antiga investigadora de pós-doutoramento no laboratório de Workman, começou a investigar os componentes da mosca da fruta do complexo SAGA, ela descobriu uma proteína que anteriormente não tinha sido estudada nas moscas de fruta. O investigador de pós-doutoramento Ryan Mohan, pH.d., focou a sua atenção nessa proteína e através dos resultados de bases de dados genéticos, descobriu uma semelhança com a ataxina-7 humana.

A ataxina-7 é um de vários genes associados a doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Huntington e outras ataxias espinocerebelosas. Estes genes às vezes desenvolvem uma “gaguez” genética na qual um segmento de três letras do código de ADN é repetido várias vezes. "Não se sabe como isso afeta a atividade da proteína," diz Abmayr. "Mas o que se sabe é que pode causar agregação." A expansão no código genético leva a proteínas contendo cadeias longas e redundantes de um único aminoácido chamado glutamina, explica. Estas proteínas anormais são propensas a agregar uma com a outra, no interior das células.

A ataxina-7 era conhecida por se agregar nas células dos pacientes com SCA-7, mas não havia nenhuma evidência direta ligando os agregados à neurodegeneração. Então, quando a equipa se deparou com uma versão da ataxina-7 em moscas da fruta, viram uma oportunidade para aprender mais.

Mohan diz que a maioria dos estudos sobre as ataxinas e proteínas relacionadas tinham-se centrado sobre os efeitos das versões expandidas poliglutamina, em vez da função das proteínas inalteradas. "Pensei que isso era parte de um complexo de proteínas maior que regulava muitos, muitos genes, e eu pensei que era importante descobrir o que a proteína normalmente faz para regular o complexo", diz ele. "A partir dessa posição, eu poderia considerar como uma inserção poliglutamina poderia perturbar essas funções."

Mohan realizou detalhadas análises bioquímicas para entender melhor como a perda de ataxina-7 afeta o complexo SAGA. As suas experiências mostraram que a ataxina-7 âncora um dos módulos enzimáticos do complexo, que é responsável pela remoção de marcadores químicos chamados ubiquitina de embalagens de proteínas do ADN. Sem a ataxina-7, este módulo cai fora do complexo. Por conta própria, o módulo solto torna-se hiperativo, removendo demasiados marcadores ubiquitina. Isto pode levar a uma desregulação genética. Os cientistas estão a planear novas experiências para descobrir quais os genes que são afetados quando a ataxina-7 pára de funcionar.

De seguida, Mohan geneticamente criou moscas sem qualquer ataxina-7. Sem a proteína, a maioria das moscas morreram ainda embriões. Aquelas que sobreviveram até à idade adulta tinham problemas de movimento, demonstrados pela sua incapacidade de escalar. Quando os cientistas olharam para a estrutura dos neurónios no cérebro e os olhos dos insetos, eles viram que enquanto o tecido em moscas muito jovens era mais ou menos intacto, os problemas desenvolveram-se rapidamente. "Inicialmente elas até que estão bem, mas depois de alguns dias vemos degeneração maciça no cérebro e o olho,", explica Abmayr. Efeitos similares foram vistos em moscas cujo gene da ataxina-7 foi desligado apenas nas células do cérebro e olhos. A neurodegeneração que os cientistas observaram foi semelhante ao que outros investigadores tinham encontrado em moscas produzindo uma proteína ataxina-7 humana com expansão poliglutamina.

"Isto lança uma nova luz sobre o que pensamos que poderia ser a causa do fenótipo da doença SCA7," diz Abmayr. "Os problemas associados com a doença podem ser porque estas poliglutaminas realmente derrotam a função da proteína ataxina-7".

A mosca da fruta tem o potencial para revelar mais sobre o papel da ataxina-7 na doença, dizem os cientistas, que estão a planear criar uma mosca mutante cuja ataxina-7 contenha uma expansão poliglutamina. "Esperemos que, com uma combinação de bioquímica e genética, possamos descobrir quanto da neurodegeneração vem do fato de não se ter a proteína ataxina-7 normal, e quanto é por causa da proteína agregada”, diz Abmayr.