13 de novembro de 2013

Destinos europeus distinguidos pelo turismo para pessoas com necessidades especiais

Dezanove destinos europeus acabam de ser distinguidos com prémios EDEN-Destino Europeu de Excelência em reconhecimento pelo seu esforço em prol do desenvolvimento do turismo para pessoas com necessidades especiais, informa a Comissão Europeia.
Rampas adaptadas para cadeiras de rodas e carrinhos de bebés, bicicletas adaptadas e acessos facilitados à praia e à montanha são alguns dos equipamentos/serviços disponibilizados no âmbito deste tipo de turismo, que serve também os seniores e as famílias com crianças.

Os prémios EDEN, entregues em Bruxelas, visam distinguir destinos emergentes que contribuíram com sucesso para a sustentabilidade e o alargamento do turismo a todos.

Os 19 destinos premiados situam-se em: Áustria, Bélgica, Croácia, Chipre, República Checa, Estónia, França, Grécia, Hungria, República da Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Holanda, Polónia, Roménia, Eslovénia, Espanha e Turquia.

Fonte: Comissão Europeia
 

Patient Innovation é uma rede social para doentes

Patient Innovation é uma rede social para doentes

 
"Durante o nosso trabalho de investigação, percebemos que há uma quantidade desmesurada de soluções, seja terapias ou equipamentos médicos, que são desenvolvidos pelos próprios pacientes", explica Pedro Oliveira, investigador na Universidade Católica e no Massachusetts Institute of Technology (MIT). O que acontece é que "os pacientes que vivem com doenças crónicas, por exemplo, arranjam forma de viver melhor com o seu próprio problema".
Por isso mesmo, Pedro e a sua equipa multidisciplinar decidiram encontrar "um mecanismo para facilitar a troca de soluções entre os doentes" que facilitasse a partilha destes métodos inovadores. Assim, nasceu a Patient Innovation, uma espécie de rede social dirigida a quem tem ou já teve doenças graves, a que qualquer um pode aceder. Depois, é só começar a partilhar informações, fotografias e outros conteúdos sobre determinada doença.
Para ter acesso ao que os outros publicam, há uma ferramenta de pesquisa, quer por doença quer por sintoma. A língua é automática, tendo em conta a preferência do utilizador, e tudo é traduzido.
Para os mais cépticos, Pedro Oliveira deixa um exemplo: um engenheiro inglês tinha um problema na artéria aorta, sem solução. Foi ele próprio quem desenvolveu a válvula que foi implantada com sucesso pelo seu médico, em 2005, e lhe resolveu o problema. Entretanto, o modelo da válvula já foi utilizado por outros 30 pacientes em todo o mundo.
Uma plataforma universal
Outros dos objetivos é, precisamente, que seja uma plataforma universal. Por isso mesmo, a equipa tenta agora contornar alguns problemas burocráticos e questões legais (principalmente nos Estados Unidos) para poder colocar a rede online já depois do Verão. Ainda assim, a plataforma não está parada. Pacientes de várias instituições parceiras, oriundos de cinco países, estão já inscritos e a partilhar conteúdos, para que a rede social seja lançada já com alguma informação.
Em Portugal, a parceria foi efetuada com a Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras, a Raríssimas, e a Associação Protectora de Diabéticos de Portugal (APDP), que também vão controlar, de alguma forma, os conteúdos colocados online pelos pacientes. "Não vamos editar o que as pessoas dizem, mas se eventualmente for sugerido alguma coisa perigosa, podemos alertar e aconselhar as pessoas", conta Pedro.
Outros dos caminhos a seguir é, em breve, permitir aos doentes "desenvolverem os seus próprios testes clínicos". "Normalmente estes testes saem muito caro, porque as doenças raras, por exemplo, são efectivamente raras e há alguma dificuldade em recrutar pacientes suficientes", explica o investigador. Esta partilha de informações e contactos pode vir a ajudar — e muito — nesse sentido. Afinal, só na Europa, existem 30 milhões de pessoas com doenças raras.
 

12 de novembro de 2013

Estudo: Investigadores identificam a maneira de aumentar o sucesso da terapia genética

Columbus, OH (EUA) - Cientistas no Instituto de Investigação no Hospital Nacional Infantil encontraram uma maneira de superar um dos maiores obstáculos ao uso de vírus para entregar genes terapêuticos: como impedir o sistema imunitário de neutralizar o vírus antes de ele poder entregar a sua carga genética.
Num estudo recentemente publicado na Molecular Therapy, os investigadores descobriram que ao sujeitarem esses a um tratamento, o corpo fica temporariamente livre de anticorpos, fornecendo assim passagem segura aos vírus para as células alvo, permitindo a libertação de um gene corretivo ou de substituição para tratar a doença.
A terapia genética está entre as opções de tratamento mais promissoras para doenças genéticas, tais como a distrofia muscular, cegueira congênita e hemofilia. Os cientistas também estão a investigar a terapia genética como uma cura para alguns tipos de cancro, doenças neurodegenerativas, infeções virais e outras doenças adquiridas. Para obter o gene terapêutico nas células, os investigadores viraram-se para os vírus, que entregam o seu material genético nas células como parte de seu processo de replicação normal. E por inúmeras vezes, estes esforços foram frustrados pelo sistema imunitário do próprio corpo, que ataca o vetor viral. Os genes terapêuticos não são entregues e doença progride.
Agora, uma equipa liderada por Louis G. Chicoine, MD, Louise Rodino-Klapac, PhD e Jerry R. Mendell, MD, investigadores no Centro de Terapia Genética no Hospital Infantil Nacional, mostrou pela primeira vez que usando um processo chamado plasmaferese antes da entrega de um vírus com terapia genética, o vírus é protegido o tempo suficiente entrar na célula e entregar o gene.
A plasmaferese, amplamente utilizada para tratar pacientes com doenças autoimunes, remove o sangue do corpo, separa o plasma e as células, filtra os anticorpos e retorna o sangue ao paciente. A perda de anticorpos é temporária; o corpo começa a produzir novos anticorpos algumas horas após o procedimento.
Num estudo sobre uma terapia genética para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne (DMD), os Drs. Chicoine e Rodino-Klapac usaram a plasmaferese num modelo animal grande, depois injetaram um vírus com um gene micro-distrofina. Quando eles examinaram os níveis de expressão de gene micro-distrofina nos animais, eles encontraram um aumento de 500% sobre a expressão genética em animais que não receberam a plasmaferese. O Dr. Mendell, diretor do Centro de Terapia Genética, ajudou a conceber este tratamento para pacientes com DMD com base na experiência com doenças autoimunes como a miastenia gravis e doenças inflamatórias nervosas.
"Para já, a terapia genética parece funcionar melhor em pacientes que não tenham anticorpos para o vírus que está sendo usado para entregar o gene," diz o Dr. Mendell. "Isso limita o número de pacientes que podem beneficiar da terapia genética".
Usando a plasmaferese aumentaria o potencial da terapia genética, acrescenta o Dr. Chicoine, através da eliminação dum obstáculo da reação imune.
"À medida que a terapia genética se vai tornando mais prevalente, os pacientes podem precisar de receber mais do que um tratamento," diz o Dr. Rodino-Klapac. "O problema é que quando recebem o primeiro tratamento, os corpos vão desenvolver anticorpos contra o vírus usado para entregar o gene. Usar a plasmaferese em alguém que anteriormente recebeu terapia genética poderia permitir-lhe ser tratada novamente."
 

11 de novembro de 2013

O que é Doença de Machado-Joseph

SCA3 - Ataxia Espinocerebelar Tipo 3 – Doença de Machado Joseph

O que é a Doença de Machado-Joseph?



A Doença de Machado-Joseph (DMJ) é uma doença crônica que afeta estruturas neurológicas responsáveis principalmente pela coordenação dos movimentos e pelo equilíbrio. Tem um início sutil, em algum momento a vida adulta, e progride de forma gradual, afetando principalmente o caminhar, produzindo oscilações e desvios para os lados e, com o passar do tempo, até mesmo quedas.

A DMJ é uma doença genética. Ela é herdada de modo autossômico dominante, o que quer dizer que todo(a) doente a herdou de um de seus genitores; e que os(as) filhos(as) de um doente poderão também apresentar a condição.

Como são os seus sintomas?

O início da DMJ quase sempre se manifesta por desequilíbrio para caminhar. Isso pode acontecer nas mais variadas idades: houve pacientes que começaram a apresentar a condição aos 10 anos, e houve outros que a apresentaram aos 72 anos. Uma idade que se pode tomar como a média de início, entretanto, seria a dos 32 anos de idade.

Esse desequilíbrio é chamado pelos médicos de "ataxia", e é progressivo. Mas a ataxia não envolve somente o caminhar. Com o passar do tempo, a ataxia pode atingir também a fala, que se torna mal articulada. Em muitos pacientes, esse vai se tornar seu principal problema: a dificuldade de comunicação. Embora intelectualmente normais, essas pessoas não conseguirão se expressar bem através da fala.

A ataxia também pode, com o tempo, atingir os movimentos finos das mãos: os doentes terão dificuldade em escrever, em usar seus utensílios, etc.

Um outro grupo de sintomas importantes são as manifestações oculares. Entre essas manifestações, poderá haver dificuldade de o movimento dos dois olhos ser bem coordenado. Com isso, os dois olhos não fixarão exatamente a mesma imagem cada um. Cada olho poderá fixar pontos diferentes no seu campo de visão. É isso que provoca mais uma dificuldade importante: a visão dupla. A visão dupla é mais aparente quando o paciente olha para longe. Ela é facilmente corrigida se o paciente fechar um dos olhos.

Outros sintomas também podem aparecer, e são às vezes mais perceptíveis para o médico do que para o doente, pois não provocam muita limitação. Em alguns doentes, poderá aparecer uma rigidez que torna os movimentos mais lentos e difíceis de serem executados. Em outros doentes, poderão aparecer uma redução da massa muscular e algum formigamento nos pés.

A DMJ NÃO CAUSA deterioração mental: os pacientes mantêm-se lúcidos, inteligentes e com a memória normal. Entretanto, como se trata de uma condição muito limitante, muitos sofrerão de depressão e de isolamento social. Por isso, podem ser comuns as dificuldades de conciliar o sono, a tristeza e alguma irritabilidade.

Como ela é herdada?

A DMJ é uma doença de herança autossômica dominante. Isso quer dizer que ela é uma "doença vertical", que aparece em todas as gerações de uma família, até onde as pessoas podem se recordar. O diagrama a seguir apresenta uma possível árvore genealógica de uma família com essa doença. Os quadrados simbolizam homens, as bolas simbolizam mulheres. As bolas ou quadrados escuros simbolizam os doentes e as brancas, os sadios. Cada linha horizontal é uma geração. As linhas verticais unem os pais e seus filhos. Imaginem então que esses desenhos simbolizam avós, pais, filhos e netos:


Pode-se perceber que existem filhos de doentes que não herdam a doença (como o irmão da avó, na figura), enquanto outros a herdam. Como isso acontece?

Todos nós herdamos dois genes para cada função corporal. Um gene nós herdamos da mãe e o outro gene, nós herdamos do pai.

O gene que, quando alterado, provoca a doença de Machado-Joseph, é chamado de MJD1. Como nós herdamos dois genes, todos nós temos duas cópias do gene MJD1 - tanto as pessoas sadias, como as doentes. Entretanto, para que nós não tenhamos a doença, as duas cópias do gene MJD1 (tanto a herdada do pai, como a herdada da mãe) devem ser normais. Se uma estiver alterada, mais cedo ou mais tarde ela vai provocar o início da doença. Então, vejamos agora como fica a herança da mesma família mostrada acima, agora com a anotação dos genes de cada pessoa. O gene MJD1 normal, nós vamos chamar de "N"; o gene alterado, nós vamos chamar de "A". Você pode notar que todo mundo, nessa família, vai ter dois genes anotados embaixo de si.

Agora podemos compreender porque um filho de uma pessoa afetada pode não herdar a doença. Observe o irmão da avó: ele não é doente, porque seus dois genes são N. Ele herdou um gene normal de sua mãe sadia (a bisavó da família) e, por sorte, herdou também um gene normal de seu pai doente (o bisavô da família).

Isso acontece porque as pessoas doentes têm dois genes: um gene será alterado (A) e outro gene será quase sempre normal (N). As pessoas doentes transmitem apenas um desses dois genes para cada um de seus(suas) filhos(as). Qualquer um dos dois genes pode ser transmitido. Isso quer dizer que um(a) filho(a) poderá tanto receber o gene N - e nunca apresentar a doença, nem a transmitir para os seus futuros filhos - como poderá receber o gene A, com as mesmas chances. É por isso que os médicos dizem que o risco de um(a) filho(a) herdar a doença de seu pai ou sua mãe doente é de 50%.

Esse tipo de herança é chamado de herança autossômica dominante. Ela é característica da DMJ, bem como de uma série de outras ataxias semelhantes, porém causadas por outros genes. Como o início da doença acontece, em geral, depois da idade reprodutiva, a maioria das pessoas portadoras da DMJ acaba tendo filhos antes de saber que terá a doença.

Como se diagnostica a DMJ?

Foi somente em 1994 que se descobriu qual era exatamente o gene responsável pela doença. Esse gene - o MJD1 do qual já falamos - está localizado dentro do cromossomo 14. A sua função ainda permanece desconhecida. Apesar de não sabermos exatamente para quê esse gene serve, sabemos que ele apresenta uma seqüência repetitiva de moléculas que varia de tamanho. Essas moléculas que se repetem são representadas pelas letras CAG. Uma seqüência CAG, no código genético, codifica o aminoácido glutamina. Os genes normais (N) contêm entre 12 e 37 repetições da seqüência CAG. Os genes alterados (A) contêm mais de 56 repetições CAG.

Essa descoberta tornou possível a realização de um exame molecular, a partir de uma coleta de sangue do paciente. Esse exame "mede" o tamanho das seqüências CAG dos dois genes de cada pessoa. Se uma das seqüências for maior de 56 repetições, então o exame laboratorial identifica a presença de uma mutação. Nós já sabemos que basta um gene alterado - uma mutação - para causar a doença.

A técnica básica desse exame é denominada de PCR (do inglês "polymerase chain reaction"), seguida do acréscimo de uma sonda de DNA que marca as CAGs. O material genético depois passa por uma eletroforese, o que separa os pedaços de DNA de acordo com seu tamanho. Isso possibilita identificar pedaços pequenos (com poucas CAGs - os que se encontram nos genes normais) e pedaços grandes (com muitas CAGs - os que se encontram nos genes mutantes ou alterados).

O que causa a DMJ?

Se você leu a seção acima, pode compreender o que sabemos sobre a causa da DMJ. Se toda a pessoa doente tem um gene com uma seqüência CAG grande, maior do que 56 repetições, então é isso que causa a doença.

Mas não sabemos ainda exatamente porque isso causa a doença.

O que sabemos é que a seqüência CAG do gene produz, por sua vez, uma proteína na qual haverá repetidos aminoácidos glutamina. Se os genes de uma pessoa contêm, por exemplo, cada um, 15 e 70 repetições CAG, isso quer dizer que uma parte das proteínas por eles produzida terá 15 glutaminas, e outra parte terá 70 glutaminas. Sabemos que, quando uma proteína contém mais de 40 glutaminas, essa proteína não é mais digerida dentro da célula, e passa a se acumular dentro das estruturas celulares. Essa é provavelmente a causa da doença. Nossos neurônios não foram feitos para acumular essas "poliglutaminas". É possível que o seu acúmulo provoque a disfunção dos neurônios e, mesmo, sua morte.

As poliglutaminas expandidas que se depositam no neurônio


O que sabemos da origem histórica da DMJ?

A DMJ foi primeiro descrita em 1972 por dois grupos de investigadores norte-americanos. A primeira família descrita descendia de William Machado, um habitante da ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores. A segunda família também descendia de açorianos provenientes dessa mesma ilha. Essas duas famílias norte-americanas moravam, na ocasião, na costa leste dos Estados Unidos. Em 1976, uma terceira família foi identificada, dessa vez na costa oeste daquele país. Essa família também era de origem açoriana (porém da ilha de Flores) e se chamava "Joseph". A partir desse ano, a comunidade de investigadores clínicos concluiu que as três famílias deveriam ter a mesma doença, que passou a ser chamada com o nome das primeiras famílias reconhecidas: "Machado-Joseph".

Como se reconheceu que em todas havia uma ancestralidade açoriana, um grupo de investigadores partiu para aquelas ilhas. Reconheceu-se, então, que entre os açorianos essa doença era muito mais freqüente do que se esperava.

Hoje em dia, sabemos há doentes com DMJ nas mais variadas populações: entre portugueses, franceses, alemães, norte americanos, negros norte e sul-americanos, entre japoneses, chineses, indianos e até mesmo entre aborígenes australianos. Existem evidências de que muitos desses doentes tenham herdado essa condição de longínquos antepassados portugueses. Você deve se lembrar de como os portugueses eram importantes e dominavam o comércio marítimo há 400-500 anos atrás. Supõe-se que foi justamente através das navegações daquela época, que a DMJ se difundiu.

No Rio Grande do Sul, a história foi mais ou menos semelhante. Nosso Estado praticamente não tinha população até a vinda dos açorianos, a partir de 1750. Com essa imigração, nossa população surgiu e se estabeleceu. É bem possível que alguns dos imigrantes daquela época fossem portadores do gene alterado, e que o tenham transmitido aos seus descendentes até as gerações atuais. Sabemos, por exames moleculares, que os doentes gaúchos herdaram o gene que se originou da ilha de Flores, no arquipélago açoriano.

O que se pode fazer para melhorar seus sintomas?

Embora não exista um tratamento que interrompa o curso da doença, ou que previna a doença entre as pessoas ainda sem sintomas, muitos cuidados podem ser tomados para melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Os principais cuidados são a fisioterapia motora e a fonoaudiologia. Ambas auxiliam na preservação das funções motoras. Ensinam aos pacientes como lidar com situações tais como o engasgo e a marcha desequilibrada.

Eventualmente, pode ser necessário o uso de um medicamento para diminuir algum sintoma. Esse parece ser o caso quando o paciente apresenta muita rigidez. Alguns remédios diminuem a rigidez, mas seu uso deve ser bem ponderado, pois efeitos colaterais podem aparecer. O especialista habilitado na sua prescrição é o neurologista.

Em outros casos, mais comuns, o uso de uma medicação anti-depressiva está indicado e pode trazer grande alívio dos sintomas. Já comentamos que a DMJ traz muita incapacitação funcional: o doente deixa paulatinamente de caminhar, de se comunicar e de realizar suas tarefas. Isso traz um enorme sentimento de perda e de tristeza. Esse sentimento - essa depressão - pode, por sua vez, vir a piorar os sintomas motores, produzindo ainda mais limitação. Por isso, é possível que, em muitos casos, o uso judicioso de um anti-depressivo melhore a qualidade de vida do doente e mesmo de sua família.

O que se pode fazer para ajudar as pessoas que estão em risco de herdarem a DMJ?

As pessoas de uma família que tem o diagnóstico de DMJ, podem querer fazer o teste para saber se herdaram a doença antes mesmo de manifestarem os sintomas. Este teste, realizado em pessoas assintomáticas é chamado de "Teste Preditivo para a DMJ".

Este teste é freqüentemente solicitado pelos interessados, para auxiliar suas decisões relacionadas aos seus planos futuros no que diz respeito à família, ao trabalho, etc. Outras pessoas fazem o teste apenas por "necessitar saber".

Os laboratórios costumam realizar esse teste nos indivíduos que tenham 50% de risco de virem a apresentar a condição. É o caso do segundo filho (da última linha) apresentado na Figura 2. Ele é sadio e jovem, e não se sabe ainda se herdou ou não a mutação de sua mãe.

O Teste Preditivo para DMJ compreende uma pré-avaliação onde serão revisados os motivos que levam à decisão de realizá-lo, e o possível impacto de um resultado positivo ou negativo. Este teste é confidencial e sigiloso. O seu resultado somente é dado para o indivíduo que o realizou. Não fica no arquivo hospitalar dessa pessoa.

Como não se conhece ainda uma cura ou um tratamento preventivo para a DMJ, é importante que se compreenda que esse teste preditivo não trará conseqüências "médicas" - quer dizer, medicações ou outros tratamentos.

Uma vez que a motivação para se realizar esse teste é de foro íntimo e individual, e que ao mesmo tempo não há um tratamento disponível, esse teste preditivo não deve ser realizado em crianças e adolescentes.


Reprodução integral do texto de Doença de Machado-Joseph - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Via Postagem no Blog Ataxia Net
 
FONTE: http://adrianaquevedo.blogspot.pt/p/o-que-e-doenca-de-machado-joseph.html

9 de novembro de 2013

Descoberta revoluciona batalha contra doenças genéticas

Novo método promete transformar a forma como cientistas manipulam genes e pode eliminar problemas hereditários
MASSACHUSETTS - Uma descoberta que entusiasmou geneticistas no mundo promete revolucionar a manipulação do genoma de organismos vivos, incluindo humanos. A técnica tem sido vista como um marco da ciência porque pode transformar o tratamento de uma série de doenças, desde câncer e infecções incuráveis a problemas hereditários, como a anemia falciforme e a síndrome de Down.
Os cientistas fizeram alterações precisas no genoma por meio de um método chamado Crispr, que torna possível editar qualquer parte dos 23 pares de cromossomos humanos sem ter depois mutações inesperadas ou falhas. Eles esperam usá-la em breve em testes de terapia genética em humanos para tratar a infecção por vírus como o HIV ou distúrbios genéticos como a doença de Huntington. Num uso mais polêmico, ela poderia corrigir defeitos genéticos em embriões de fertilização in vitro (FIV). A atual engenharia é imprecisa e geralmente envolve vírus modificados que inserem o DNA no genoma.
- A Crispr é absolutamente formidável. É incrivelmente poderosa e tem muitas implicações para a agricultura e para uma potencial terapia genética em humanos - afirmou Craig Mello, da Escola Médica da Universidade de Massachusetts, que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta da interferência do RNA. - É uma tremenda descoberta com grandes implicações para a genética molecular. É realmente de cair o queixo.
Além da engenharia genética de plantas e animais, podendo acelerar o desenvolvimento da pecuária e de sementes geneticamente modificadas, ela poderia alterar o DNA de esperma, óvulos e embriões, eliminando o risco de doenças genéticas até para as gerações subsequentes.
No entanto, a perspectiva dos chamados “bebês projetados” ainda provoca polêmica, e as técnicas para este tipo de manipulação estão proibidas em vários países, entre eles o Brasil. Mesmo assim, cientistas acreditam ser apenas uma questão de tempo até que elas sejam usadas com o objetivo de eliminar males hereditários.
- Seria difícil argumentar contra o seu uso se ela for segura, confiável e eficiente como parece ser. Quem condenaria uma criança a um terrível sofrimento e talvez à morte prematura quando há uma terapia capaz de reparar o problema? - questionou Dagan Wells, cientista especialista em FIV, da Universidade de Oxford.
O método Crispr foi descoberto inicialmente como parte da defesa imunológica natural de algumas bactérias contra vírus invasores. Só no ano passado que cientistas, liderados por Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, publicaram um primeiro estudo mostrando que ele na verdade funciona em qualquer área de um genoma se associado a uma enzima de restrição (capaz de cortar uma molécula num local bem definido) chamada CAS9.
Desde então, várias equipes vêm mostrando que o sistema Crispr-CAS9 poderia ser adaptado para funcionar em uma série de outras formas de vida, de mosca da fruta a camundongos. No início deste ano, grupos de cientistas demonstraram que o sistema pode ainda ser usado com precisão para projetar o DNA de embriões de camundongos e de células-tronco humanas.
- A eficiência e a facilidade do seu uso não têm precedentes. Estou entusiasmado - disse George Church, geneticista da Universidade de Harvard e coordenador do grupo que usou o Crispr para modificar o genoma humano.
David Adams, geneticista do Instituto Wellcome Trust Sanger, em Cambridge, também celebrou a nova técnica.
- Tivemos outras tecnologias para a manipulação do genoma, mas todas deixam uma ‘cicatriz’ ou um DNA estranho no genoma. Esta não deixa cicatrizes e torna possível editar os nucleotídeos do DNA, as ‘letras’ do livro genético, sem quaisquer outras alterações indesejadas - apontou.
 
 

Cientistas descobrem ferramenta para compreender as células nervosas

Uma equipa de cientistas internacionais é um passo para o entendimento das doenças neurodegenerativas depois de desenvolver uma ferramenta para explorar como as células nervosas tornam-se danificados.
 
A equipa de investigação, liderada por Dr. Marc Hammarlund na Universidade de Yale (EUA), Dr. Hang Lu no Instituto de Tecnologia da Georgia (EUA) e Massimo Hilliard na Universidade de Queensland (Austrália), usou uma proteína fluorescente chamada KillerRed para danificar os neurónios em lombrigas.
O Dr. Massimo Hilliard, do Instituto do Cérebro da Universidade de Queensland (QBI), disse que a equipa usou então um único estímulo de luz sobre as células nervosas produzindo KillerRed e as células, por sua vez, geraram espécies reativas de oxigênio (ROS) que danificam o neurônio.
A ferramenta permitiu que a equipa estudasse como as células nervosas da lombriga responderam ao excesso de radicais livres, desencadeados pela KillerRed.
"Esta nova ferramenta desenvolvida vai-nos permitir não só para investigar a função neuronal, mas também entender como os neurónios respondem aos danos causados pelas ROS, que são geradas em várias doenças neurodegenerativas," disse o Dr. Hilliard.
"Uma das melhor maneiras de interrogar um circuito neuronal é destruir alguns de seus componentes específicos e então estudar os efeitos resultantes."
"O estudo mostrou que a ativação da KillerRed foi eficiente e versátil, funcionando em vários tipos diferentes de neurónios e altamente específicos, deixando ilesos tecidos circunvizinhos e células que não tinham expressão na molécula."
Estes resultados podem ter grandes implicações na pesquisa do cérebro fornecendo informações valiosas na função neuronal, bem como a forma como os neurónios ficam danificados e morrem.