26 de agosto de 2013

“Assim Vivemos” – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência no Brasil

Arranca hoje, quarta-feira, a 6.ª edição do Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência “Assim Vivemos” no Rio de Janeiro, Brasil, com 28 filmes inéditos desde documentários, ficção e animações.
 
Arranca hoje, quarta-feira, a 6.ª edição do Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência “Assim Vivemos” no Rio de Janeiro, Brasil, com 28 filmes inéditos desde documentários, ficção e animações.
Esta mostra de cinema vai decorrer no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) e segundo a notícia da Agência Brasil ao longo dos últimos dez anos houve uma evolução das narrativas dos filmes com esta temática, de modo a alcançar uma cada vez maior aproximação aos assuntos abordados.
“Nas primeiras edições, os filmes que eram selecionados, alguns mais antigos, de até 15 anos atrás, víamos que existia um certo distanciamento da pessoa com deficiência que estava sendo retratada. Hoje, percebemos que há muito mais compreensão da abordagem do tema, pois o filme passa a ser um parceiro daquele personagem, passa a ter mais cumplicidade com ele, e isso é um retrato da maior consciência que se tem hoje em relação as dificuldades e possibilidades das pessoas com deficiência”, explicou a esta agência brasileira a curadora do festival, Lara Pozzobon.
Além dos filmes, haverá debates sobre surdez e comunicação, institucionalização de pessoas com deficiência, autismo e seus desafios.
O público desta mostra é essencialmente da área da educação, educação especial, pedagogia, psicologia e psicanálise, mas a organização garante que as atividades e visualizações cinematográficas “são desafiadoras e interessantes para o público em geral”.
Está garantida audiodescrição, que é feita por dois atores em todas as sessões, transmitida para auscultadores para pessoas com deficiência visual. Está previsto, também, serem distribuídos catálogos em braile, e a presença de intérpretes de Língua Gestual Brasileira nos debates.
O documentário britânico “Missão para Lars”, que conta a história de Tom Spicer com síndrome do X Frágil, causa mais comum de autismo, que é fã do baterista Lars Ulrich da banda Metálica, é uma das principais atrações deste festival.
“Assim Vivemos” termina no dia 1 de setembro no Rio e a 1 de outubro volta a estrear no CCBB de São Paulo, ficando até dia 12 desse mês. A entrada é gratuita.
Mais informações em: www.assimvivemos.com.br.
 
FONTE:

Centro de Investigação da Ataxia USF (EUA) leva cabo um ensaio clínico de um possível medicamento para a ataxia de Friedreich

Nos últimos anos, o Centro de Investigação da Ataxia USF e a FARA (Aliança de Investigação para a Ataxia de Friedreich – EUA), têm levado a cabo dois eventos em Tampa: um simpósio nacional, que reúne especialistas em ataxia de Friedreich de todo o mundo e um baile de gala que gera centenas de milhares de dólares para pesquisa.
 
Enquanto se estão a preparar para os eventos deste ano, há um pouco de pressão extra. - o Centro de Investigação da Ataxia USF é também o local líder de um estudo nacional sobre um tratamento antioxidante potente para as doenças neuromusculares degenerativas.
 
A Dra. Theresa Zesiewicz disse que a ataxia de Friedreich normalmente ataca os mais jovens.
 
"Normalmente, estas são crianças que de repente têm problemas com correr, é um pouco mais difícil," ela disse. "A mãe e o pai têm o gene, mas ninguém o sabe, por isso é uma grande surpresa para os pais."
 
A partir daí, Zesiewicz acrescentou, a ataxia de Friedreich “progride implacavelmente para causar desequilíbrio da marcha, dificuldades em falar, problemas de fala, problemas de audição e, eventualmente, diabetes em muitos casos e também problemas cardíacos.”
 
Atualmente, os médicos usam a fisioterapia para trabalhar a força do paciente e equilíbrio, porque não há nenhum tratamento farmacêutico aprovado para a ataxia de Friedreich. Isso pode mudar em breve, pois a USF está a conduzir um estudo nacional sobre o EPI-743.
 
O medicamento, desenvolvido por Edison Pharmaceuticals, Inc., protege as mitocôndrias das células nervosas na medula espinhal dos ataques da ataxia de Friedreich.
 
"É como um antioxidante, mas um antioxidante extremamente forte, muito mais forte do que a CoQ10 ou vitamina E que vemos nas farmácias, por exemplo," diz Zesiewicz.
 
O Hospital Infantil de Filadélfia e a UCLA são os dois outros locais do estudo do EPI-743. Zesiewicz espera que o medicamento possa não estar limitado a ser apenas o primeiro tratamento real para a ataxia de Friedreich.
 
"Pode ter outras implicações para doenças como a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer e outras doenças neuro-degenerativas," ela disse.
 

◊◊♦♦◊◊♦♦◊◊

Natchez Hanson, de 24 anos, tem participado no ensaio há cerca de oito meses. Ela não sabe se ela está a receber o medicamento ou um placebo, mas aparentemente está ver algumas melhoras.
 
"Eu tipo sinto que sou a mesma, mas as pessoas dizem-me que estou melhor, que estou a andar melhor, que falo melhor,", disse Hanson.
 
A professora de matemática do Condado de Polk, que foi formalmente diagnosticada com ataxia de Friedreich aos 17 anos, agora usa um andarilho para se locomover.
 
"Isso apenas abriu muitas portas," ela disse, com um sorriso, "Considerando que as pessoas, principalmente, abrem-me as portas, mas quero dizer, ele carrega todas as minhas coisas, obtendo estacionamento na primeira fila!"
 
Em Setembro, pelo terceiro ano consecutivo, Hanson falará no Simpósio USF-FARA e compartilhará a sua história bastante positiva sobre viver com a doença.
 
"Bem, só temos uma vida para viver e todos temos um fardo", disse Hanson. "Eu sempre digo que podemos rir ou chorar sobre isso, e eu já estou farta de chorar. Eu segui em frente, então agora estou a tentar ser tão feliz quanto possível."
 

Dirigindo a neurogénese no cérebro adulto

As células estaminais neurais no cérebro adulto têm a capacidade de se diferenciarem em tipos celulares distintos, dando origem a células nervosas e glia. Um novo estudo identificou um conjunto de proteínas que é essencial para a aquisição do destino da célula neuronal. 
Nos mamíferos, incluindo os humanos, a grande maioria dos neurónios é gerada durante as fases de desenvolvimento embrionárias e logo após o nascimento. Na vida adulta, a neurogénese é restrita a algumas áreas prosencefálicas dos mamíferos, enquanto o restante sistema nervoso central abrange exclusivamente gliais progenitores. Na verdade o cérebro adulto é um ambiente muito giogénico, tanto que até as células estaminais neurais que são transplantadas em tentativas experimentais para tratar doenças neurodegenerativas, dão origem a células gliais, ao invés de neurónios. Isto tem levado os investigadores a centrar a sua atenção sobre aquelas poucas regiões do cérebro onde a neurogénese continua a ocorrer em mamíferos adultos, a fim de identificar os mecanismos permitindo que as células estaminais neurais possam, com sucesso, gerar neurónios nessa região.
 
O que decide se células estaminais multipotentes se diferenciam em células nervosas ou glia? Quer no desenvolvimento, quer no cérebro adulto, muitos fatores de transcrição são conhecidos por desempenhar um papel na neurogénese, diz a Professora Magdalena Götz, que detém a presidência da Genómica Fisiológica no Instituto LMUs de Fisiologia e é Diretora do Instituto de Investigação de Células Estaminais na Helmholtz Munique (Alemanha). Mas nada ainda se sabe sobre como esses fatores medeiam a neurogénese a nível molecular e em que medida os mecanismos de estabilização podem ser necessários no cérebro adulto onde apenas células gliais são geradas.
 
Uma equipa de investigadores liderados por Götz relatou agora os resultados de um estudo em que foram bem-sucedidos na caracterização de um mecanismo-chave para o processo. O ponto de partida foi descobrir parceiros de interação do fator de transcrição neurogénica Pax6, que é conhecido do trabalho de laboratório de Götz por desempenhar um papel proeminente no desenvolvimento do cérebro e neurogénese adulta. “Mostrámos que o Pax6 interage com o denominado complexo BAF, que é conhecido por modificar a estrutura da cromatina e que essa interação determina o destino neuronal da progenitura de células estaminais neurais”, explica Dr. Jovica Ninkovic, o primeiro autor no novo trabalho.
 
O complexo BAF controla a expressão do gene, alterando a acessibilidade do ADN genómico para fatores de transcrição. A interação entre Pax6 e BAF em progenitores neuronais, assim, provoca alterações locais na estrutura da cromatina que permitem a ativação de genes específicos que promovem a diferenciação neuronal. A interação de Pax6 com BAF resulta na ativação de um conjunto de três fatores de transcrição, que se regulam uns aos outros. Esta rede garante que o nível de expressão dos genes necessários para a diferenciação neuronal é suficientemente aprimorada para estabilizar o destino neuronal, mesmo num ambiente em que normalmente somente células gliais se desenvolvem, diz Ninkovic. Por outro lado, se Pax6 ou BAF estão ausentes, os progenitores neuronais adultos convertem para diferentes tipos de células gliais, dependendo do ambiente local do tecido, em vez de adotar um destino neuronal.
 
Curiosamente, a rede de fatores de transcrição ativada pela interação de Pax6 com o complexo de remodelação da cromatina em células neurogénicas adultas não é necessária para a neurogénese no cérebro em desenvolvimento onde o destino neuronal é o destino de padrão normal, enquanto ainda células gliais não são geradas nesta fase. Assim, a estabilização do destino neuronal por uma rede cruzada de regulação transcricional é uma característica necessária somente no cérebro adulto para superar o ambiente gliogénico. Com estes resultados, Götz e os seus colegas identificaram um mecanismo molecular que é especificamente necessário para a geração de novos neurónios no cérebro adulto. “Isto poderia constituir a base para novas intervenções terapêuticas para estimular a neurogénese em casos de perda de células nervosas devido a doenças neurodegenerativas ou danos cerebrais," diz Ninkovic.
 

Novos modelos avançam o estudo do príon de doenças humanas mortais


Através da manipulação direta de uma parte do gene codificador de proteínas príon, os investigadores do Whitehead Institute (EUA) criaram ratos-modelo de duas doenças neurodegenerativas que são fatais em seres humanos. A altamente precisa reprodução da patologia da doença vista com estes modelos deve avançar o estudo destas doenças incomuns, mas mortais.
 
"Através da alteração dos únicos códons aminoácidos na codificação genética para a proteína príon, no contexto natural do genoma — nenhuma sobre expressão ou outras manipulações artificiais — nós podemos produzir doenças neurodegenerativas completamente diferentes, cada qual gerando espontaneamente um agente príon infecioso," diz Susan Lindquist, membro do Whitehead. "O trabalho estabelece irrefutavelmente a hipótese do príon."
 
De acordo com a hipótese do príon, as proteínas príon infetam passando a sua forma deformada no moda modelo, ao contrário dos vírus ou bactérias, que dependem do ADN ou ARN para transmitir as suas informações. Certas alterações na proteína príon (PrP) criam uma estrutura disforme, que é replicada por contato. As proteínas deformadas acumulam, criando grupos que são tóxicos para o tecido circundante.
 
O PrP é expresso em níveis elevados no cérebro e doenças de príon, incluindo a doença de Creutzfeldt - Jakob (CJD) em humanos, espongiforme encefalopatia bovina (BSE, ou "doença das vacas loucas") em vacas, e o tremor epizoótico dos ovinos, causa estragos no cérebro e outros tecidos neurais. Algumas doenças do príon, como a BSE, podem ser transmitidas a seres humanos, nomeadamente através da ingestão de animais afetados.
 
O estudo destas doenças do príon, extremamente raras mas devastadoras, têm até à data sido frustrado pela falta de modelos animais que imitam fielmente os processos da doença em seres humanos. No entanto, Walker Jackson, um antigo investigador pós-doutoramento no laboratório de Lindquist está mudando isso, criando novos ratos-modelo de insónia humana familiar fatal (FFI) e de CJD. A sua pesquisa é relatada online no “Proceedings of a National Academy of Sciences (PNAS)”.
 
Para gerar os modelos, Jackson criou duas versões mutantes da codificação do gene PrP, alterando um único códon — uma das três “palavras” nucleotide em genes que codificam os diferentes aminoácidos em proteínas. Uma mutação é conhecida por causar a FFI, enquanto a outra induz a CJD. Ao contrário dos modelos anteriores que inseriam aleatoriamente as mutações no genoma, ocasionalmente aumentando a expressão PrP, os modelos de Jackson imitam fielmente a doença humana — desde o aparecimento da doença, à produção de PrP, ao contágio. No cérebro, os seus ratos FFI desenvolvem uma perda neuronal no tálamo e os seus ratos de CJD experimentam espongiose no hipocampo e no cerebelo, refletindo o dano visto no cérebro de pacientes humanos.
 
"O trabalho de Walker (Jackson) fornece dois modelos extraordinários de neurodegeneração," diz Lindquist, que também é professora de biologia no MIT. "A maioria dos ratos-modelo produzem patologia que apenas distantemente assemelha-se a doenças humanas. Estes fazem-no, para duas das doenças humanas mais enigmáticas no mundo."
 
Com os modelos FFI e CJD, Jackson diz que está animado para investigar como a patologia destas doenças se desenvolve.
 
"Agora nós temos dois modelos interessantes que estão a escolher partes específicas do cérebro: o tálamo no FFI e o hipocampo na CJD,", diz Jackson, que agora é um Líder de Grupo do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas. "Mas ao invés de nos focarmos nas áreas que são fortemente afetadas pela doença, estaremos a olhar para as áreas que parecem estar resistindo à doença para ver o que estão a fazer. A proteína está lá, mas por algum motivo, não é tóxica."
 

Doenças hereditárias

Uma grande parte do conhecimento da genética humana baseia-se no estudo das doenças hereditárias. A nossa herança está contida nos genes ou cromossomos. Estes não são estruturas rígidas, mas, pelo contrário, são mutáveis ou variáveis, permitindo-lhes interagir com o ambiente, adaptando-se graças aos seus próprios mecanismos de evolução e reparação. Assim, qualquer estrutura deficiente ou alteração que afete o seu número, conteúdo ou expressão, pode ser motivo de malformações e doenças.
 
No caso de um defeito congénito, as causas podem ser:
 
-CROMOSSOMÁTICAS:
Quando o cromossoma é alterado no seu número ou estrutura.
 
-MENDELIANAS:
Quando a alteração afeta o conteúdo ou mensagens dos cromossomas, ou seja, dos seus genes.
 
-MITOCONDRIAL:
Nem toda a hereditariedade pode ser encontrada nos cromossomas ou ADN nuclear. Há um pequeno número que está nalgumas estruturas celulares chamadas mitocôndrias, fora do núcleo das células, numa região chamada citoplasma.
 
-MULTIFATORIAL:
Quando a doença ou defeito é o resultado da ação combinada de vários genes, aliada à interação destes com fatores exógenos ou ambientais.
 
-AMBIENTAL:
Quando o agente causador é o indivíduo. Para ser capaz de diagnosticar doenças, a primeira coisa que precisamos saber, é o que lhes causou.
 
Muitas vezes usamos como sinónimos quando eles não são, as palavras genéticas, congénitas e hereditárias. É verdade que muitas doenças genéticas são doenças congénitas e hereditárias; Mas há muitos outras que não. Assim sendo, o que significam esses termos?
 
Doença genética:
-É causada por uma alteração no ADN.
 
Doença congénita:
-É a doença que está presente no momento do nascimento.
 
Doença hereditária:
-É a doença que é transmitida de geração em geração.
 
-As doenças hereditárias são congénitas, ou seja, as doenças que são transmitidas de pais para filhos são causadas por alterações no ADN.
 
-As doenças hereditárias são todas genéticas?
 
-A genética não tem que ser hereditária. O cancro é uma doença genética, é causada por mutações no ADN das células. Mas como regra geral, não é transmitida de geração em geração (e, portanto, não é hereditária) e muitas vezes não está presente no momento do nascimento (não é congênita).
 
Outro exemplo é as doenças genéticas tão graves que impedem a reprodução (a esterilidade) e que não são hereditárias.
 
-A genética não tem que ser congénita: algumas doenças causadas por alterações no ADN não estão presentes ao nascimento. Um exemplo é a Doença (ou Coreia) de Huntintong: é genética, hereditária, mas não congénita, uma vez que os sintomas começam na idade adulta.
 
-Congénita nem sempre genética: certas infeções durante a gravidez podem causar malformações no feto (toxoplasmose), que vão estar presentes no nascimento. O mesmo acontece com a ingestão de certas drogas e alguns défices nutricionais.
QUE DOENÇAS SÃO DE CAUSA GENÉTICA?
 
Entre as 6.000 doenças genéticas conhecidas, o gene que causa mais de 2.000 já é conhecido. Portanto, hoje em dia, existem mais de 2.000 diferentes tipos de teste genético, que nos permitem analisar o gene que provoca um grande número de doenças hereditárias em laboratório.
 
A lista de testes genéticos disponíveis cresce progressivamente, graças aos avanços na pesquisa genética. Por este motivo, é quase impossível fornecer uma listagem completa de todas as doenças hereditárias que podemos analisar no laboratório. Estas listas estão disponíveis somente para especialistas em genética, em bancos de dados especializados. Algumas das doenças genéticas mais conhecidas para as quais já há testes genéticos correspondentes são:
 
-Fibrose cística
-Retinite pigmentosa
-Distrofia Muscular
-Ataxias hereditárias
-Neurofibromatose
-Síndroma de Prader - Willi
-Talassemia
-Cancro da mama e do ovário
-Doença renal policística
-A doença de Huntington
-Distrofia miotónica
-Doença de Charcot-Marie-Tooth
-Síndrome de Marfan
-Fenilcetonúria
-Hemofilia
-Cromossoma X frágil
-Acondroplasia
-Hemocromatose
-Hipercolesterolemia Familiar
-Osteogenesis Imperfecta
 
 
Fonte:

Uma repetição do modelo de expansão GAA da ataxia de Friedreich recapitula o contexto genómico e permite a seleção rápida de compostos terapêuticos.

Autor: MM Lufino et al
 
Departamento de Fisiologia, Anatomia e Genética, Universidade de Oxford, Edifício Le Gros Clark, South Parks Road, Oxford OX1 3QX, Reino Unido.
 
Resumo
A ataxia de Friedreich (FRDA) é causada por grandes expansões GAA no intron 1 do gene frataxina (FXN), que levam à expressão reduzida de FXN através de um mecanismo que não é totalmente conhecido. Compreender esse mecanismo é essencial para a identificação de novas terapias para a FRDA, e isto pode ser acelerado pelo desenvolvimento de modelos celulares que recapitulam o contexto genómico do locus FXN e permitem a comparação direta dos loci FXN normais e expandidos, com rápida deteção dos níveis de frataxina. Aqui descrevemos o desenvolvimento do primeiro modelo de FRDA com ADN genómico FXN GAA-expandido. Nós modificamos os vetores BAC carregando todo o locus de ADN genómico FXN através da inserção do gene da luciferase na 5a exon do gene FXN (pBAC-FXN-Luc) e substituir as seis repetições GAA presentes no vetor com uma expansão de repetição 310 GAA (pBAC-FXN-GAA-Luc). Geramos linhas clonais de células humanas carregando os dois vetores usando integração específica para permitir a comparação direta dos loci FXN normais e expandidos. Demonstramos que a presença de repetições GAA expandidas recapitulam as modificações epigenéticas e a repressão da expressão genética, visto na FRDA. Aplicamos o modelo expandido GAA na triagem de uma biblioteca de novas moléculas pequenas e identificámos uma molécula que regula a expressão FXN nas células primárias num paciente com FRDA e restaura a acetilação da histona normal em torno das repetições GAA. Estes resultados sugerem o potencial do uso de modelos genómicos de células para o estudo da FRDA e a identificação de novas terapias, combinando a expressão fisiologicamente relevante com as vantagens da expressão quantitativa do gene.