29 de abril de 2013
27 de abril de 2013
24 de abril de 2013
A primeira conferência do IRDiRC catalisa a colaboração no domínio da investigação sobre doenças raras
A primeira Conferência do IRDiRC realizou-se em Dublin, na Irlanda, a 16 e 17 de abril de 2013, organizada pela Comissão Europeia em associação com a presidência irlandesa do Conselho da União Europeia. Reunindo mais de 400 partes interessadas da área das doenças raras de todo o mundo, a conferência arrancou com uma sessão plenária dedicada às oportunidades e aos desafios com que se deparam as parcerias internacionais e à colaboração no domínio das doenças raras, antes de se repartir por três temas específicos: as terapias, os diagnósticos e as abordagens interdisciplinares. A experiência e perspetiva dos doentes foi parte integrante de toda a agenda.
Avril Daly (vice-presidente da EURORDIS e presidente da Associação de Doenças Genéticas e Raras, da Irlanda) apresentou a perspetiva dos doentes durante a sessão da linha temática «Diagnóstico» The Depth of Rare Diseases (a profundidade das doenças raras), a qual refletiu sobre o impacto que as doenças raras não diagnosticadas têm sobre os cuidados dos doentes e analisou as iniciativas que existem para diagnosticar as mais de 3000 doenças raras cuja causa não foi descoberta até à data. Avril ilustrou o percurso da investigação gerida por doentes, desde o diagnóstico ao desenvolvimento de curas, introduzindo desafios passados e atuais de projetos de investigação de doenças da retina na Irlanda.
A Diretora de Desenvolvimento Terapêutico da EURORDIS, Maria Mavris, contribuiu com o ponto de vista dos doentes para a sessão Facing the Challenges (enfrentar os desafios), que teve em consideração as questões éticas, económicas e políticas relacionadas com a investigação sob a égide do IRDiRC, incluindo os resultados imprevistos e a partilha de dados. Maria mostrou como os doentes encaram os desafios, envolvendo-se de perto em todas as fases da investigação e do desenvolvimento de terapêuticas.
Numa sessão dedicada ao Regulatory Dialogue to Optimise Orphan Drug Development (diálogo ao nível da regulação para otimizar o desenvolvimento de medicamentos órfãos), o diretor executivo da EURORDIS, Yann Le Cam, apelou às entidades reguladoras para que adotem uma declaração sobre flexibilidade regulamentar para a aprovação de medicamentos órfãos: «É necessário que as agências de regulação do outro lado do Atlântico assumam uma política que defina claramente vias mais flexíveis para o desenvolvimento de medicamentos órfãos. Isto é vital para acelerar o acesso dos doentes às terapêuticas.»
Diversos elementos foram identificados como cruciais para atingir os objetivos do IRDiRC: o diálogo entre todas as partes interessadas e em todas as fases do desenvolvimento clínico e científico; a flexibilidade – das entidades reguladoras e de outros intervenientes –; a partilha de dados; e a colaboração a nível financeiro e da investigação. A primeira conferência do IRDiRC serviu para impulsionar e gerar entusiasmo acerca destes temas. Estão já a ser exploradas potenciais colaborações entre as várias partes interessadas.
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
22 de abril de 2013
21 de abril de 2013
14 de abril de 2013
As mudanças de uma vitamina num gene
Um potencial novo tratamento para ataxia de Friedreich?
A ataxia de Friedreich é uma doença debilitante, incurável. Uma doença
neurodegenerativa que frequentemente surge na infância, uma doença hereditária
que rouba a coordenação e funções motoras ao longo do tempo. O discurso
torna-se arrastado, a mobilidade condicionada ao ponto de tornar-se uma deficiência
grave frequentemente até aos 30 anos e estes pacientes estão também nos grupos
de risco de desenvolver diabetes e cardiomiopatia. Mas a nova pesquisa do CSC promete
uma nova abordagem terapêutica, usando um suplemento vitamínico disponível,
para modificar os controlos epigenéticos do defeito genético que causa a
doença.
Os sintomas da ataxia de Friedreich são causados por uma deficiência na
proteína frataxina. Uma mutação que cria triplas que ao repetir os danos do ADN,
danifica o gene que normalmente codifica a proteína frataxina, efetivamente
silenciando-a. Uma pesquisa publicada na
Human Molecular Genetics revela como funciona este processo e sugere como
pode ser combatido. Richard Festenstein (chefe do Mecanismos de Controlo
Genético e da Doença) explica: "O silenciamento de genes é característico
de algo chamado Efeito de Posição Variegação (PEV) – um fenômeno epigenético
arquetípico em que genes são silenciados por heterocromatina e sensível a
modificadores". Esta conclusão abre portas a uma potencial terapia. Se o
mecanismo silencioso pode ser invertido, a expressão desse gene poderia ser
retornada a níveis normais.
"Identificámos algo," diz Festenstein, "que volta a ligar
este gene nas células nos tecidos corretos. Em grandes doses, a nicotinamida –
vitamina B3 – poderia ser capaz de restaurar os níveis de frataxina duas, três
vezes, até níveis assintomáticos." Esta descoberta é o culminar de mais de
uma década de trabalho para Festenstein. "Em 1996 demonstrámos que o PEV
poderia acontecer num mamífero. Em 2003 demonstrámos que a repetição de triplas
poderia induzir este tipo de silenciamento in
vivo em ratos." Agora, aplicar esse conhecimento na ataxia de
Friedreich produziu resultados potencialmente excitantes.
"A nicotinamida está fácil e prontamente disponível e tem um perfil de
segurança forte, pois já é tomado como um suplemento vitamínico”, diz
Festenstein. Então, como funciona? Para a heterocromatina se formar, as
proteínas histonas em torno do qual o ADN se enrola devem ser metilatadas. Para
que isso aconteça, primeiro um grupo acetilénico deve ser removido. Inibindo
uma enzima que remove o grupo acetilénico, a nicotinamida aumenta a acetilação
e, portanto, baixa a redução de metilação-heterocromatinanização. “Descobrimos
que o locus estava numa estrutura mais fisicamente aberta após a adição de
nicotinamida. Isso é o que se esperaria de um gene que está ativo."
Reativando o gene silenciado poderia ser a chave para a luta contra a
neurodegeneração experimentada por pessoas com ataxia de Friedreich. Apesar do
potencial, Festenstein continua a ser cauteloso: "É importante que os pacientes
não começam a tomar o medicamento ainda. Estamos agora a dar início a um ensaio
clínico exploratório, e esperamos que nos dê uma ideia melhor se isto poderia
ser um tratamento eficaz, seguro e de confiança. " E isto pode ser o
início: "Com a ascensão do sequenciamento de última geração torna-se mais
fácil olhar para as sequências de ADN em torno de genes. Este poderia ser um
protótipo para muitas outras doenças. Talvez seja apenas a ponta do
iceberg."
Referência: Chan, P. K., Torres, R., Yandim, C., lei, P. P., Khadayate, s.,
Mauri, M., Grosan, C., Chapman-Rothe, s., Giunti, P., Pook, M., Festenstein,
R., Março de 2013.
10 de abril de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)