5 de setembro de 2012

Ataxia telangiectasia

A ataxia telangiectasia, também descrita como Síndrome de Louis-Bar é uma doença rara da infância, uma doença neurodegenerativa, que afecta o cérebro e outras partes do corpo. A ataxia refere-se à descoordenação de movimentos, por exemplo a caminhar. As telangiectasias são vasos sanguíneos (capilares) alargados que se encontram logo abaixo da superfície da pele. Estes vasos sanguíneos surgem com uma aparência pequena, avermelhada, com o aspecto de uma aranha.

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Ataxias Hereditárias

26 de agosto de 2012

Estudo sobre população cigana revela um novo gene da ataxia


Um estudo da universidade australiana ocidental sobre uma população cigana isolada da Europa de Leste desbloqueou pistas sobre uma doença de sério desenvolvimento – ataxia cerebelar congénita.

A Prof. Luba Kalaydjieva e o Dr. Dimitar Azmanov, da Universidade Australiana Ocidental, dizem que a descoberta de uma importante mutação genética deve inspirar outros trabalhos científicos em todo o mundo.

O resultado da sua pesquisa, para o Instituto de Investigação Médica afiliado à Universidade Australiana Ocidental (WAIMR), foi publicado online no prestigiado American Journal of Human Genetics (Jornal Americano de Genética Humana).

Envolveu trabalhar em colaboração com outros investigadores australianos e europeus, para descobrir mutações num gene que nunca tinha sido associado a esta forma de ataxia hereditária em humanos.

As ataxias são um grande grupo de doenças neurodegenerativas que afetam a capacidade de manter o equilíbrio, aprender e manter as capacidades motoras. Enquanto muitos genes já foram implicados nas ataxias hereditárias, compreender a sua base molecular está longe de estar completa. Novos conhecimentos vão ajudar à compreensão do desenvolvimento e função normal do cérebro e aos mecanismos de degeneração.

“Os ciganos são uma população fundadora,” disse a Prof. Kalaydjieva. “Eles derivam de um pequeno número de ancestrais e têm permanecido relativamente isolados das populações que os rodeiam. Este grupo era ideal para estudar, porque são subsolados mais jovens, demonstrando uma diversidade genética limitada.”

“Estudámos uma nova forma de ataxia em 3 famílias, neste grupo étnico. Foram feitas investigações clínicas e de imagens do cérebro na Bulgária, em colaboração com radiologistas do Hospital Sir Charles Gairdner (Perth, Austrália) e do Hospital Princesa Margarida (Perth, Austrália), que foram depois seguidos por estudos genéticos no WAIMR e no Instituto Walter e Eliza Hall (WEHI) (Melbourne, Austrália).”

“Foram detetados sinais de ataxia muito cedo na infância, quando capacidades motoras como gatinhar e rolar não se desenvolveram. Os indivíduos afetados apresentavam atraso no desenvolvimento global, ataxia e défice intelectual. As Ressonâncias Magnéticas mostravam sinais de degeneração do cerebelo, que é a parte do cérebro que controla as capacidades motoras e de aprendizagem. No geral, a esperança de vida não diminui, mas a qualidade de vida é severamente afetada.”

“Os progenitores dos indivíduos afetados não apresentavam quaisquer sintomas clínicos da ataxia, sugerindo uma hereditariedade recessiva,” disse o Dr. Azmanov. “Os nossos estudos genéticos demonstraram alterações únicas na codificação genética metabotrópica do glutamato do recetor 1 (GRM1), que é importante para o desenvolvimento normal do córtex cerebelar. As mutações herdadas pelos indivíduos afetados a partir dos seus progenitores portadores mas não afetados, alterou dramaticamente a estrutura do recetor GRM1.”

A Prof. Kalaydjieva disse que os mecanismos patogenéticos exatos que levam às manifestações clínicas e degeneração cerebelar ainda estão por explicar e que isto abre novas vias de investigação para toda a comunidade científica. “Também fica por esclarecer se outros pacientes de ataxia, em todo o mundo, têm mutações no GRM1,” disse ela.

A Prof. Luba Kalaydjieva, que tem estado a trabalhar na genética do povo Romani nos últimos 20 anos, recentemente reformou-se do WAIMR. Os seus estudos são o foco de investigação a decorrer, sobre várias doenças neurológicas hereditárias.

O Dr. Azmanov tem estado ativamente envolvido nos estudos genéticos da população cigana fundadora nos últimos 5 anos e o seu trabalho tem sido financiado pelo Conselho de Formação e Investigação Médica e Nacional de Saúde.

 

 

20 de agosto de 2012

Orphanet: Ataxia cerebelosa autossómica recessiva

Orphanet: Ataxia cerebelosa autossómica recessiva

As ataxias cerebelosas autossómicas recessivas (ACAR) são um grupo heterogéneo de doenças neurológicas raras que atingem tanto o sistema nervoso central como o periférico e, em alguns casos, outros órgãos e sistemas. O início é habitualmente precoce, ocorrendo antes dos 20 anos de idade. As ACAR podem ser divididas em cinco tipos principais, de acordo com o mecanismo patológico subjacente: ataxias congénitas (patologia do desenvolvimento), ataxias degenerativas e progressivas, ataxias associadas a doenças metabólicas, defeitos da reparação do ADN e outras. As ACAR mais frequentes na população caucasiana são a ataxia de Friedreich (ver entrada) e a ataxia telangiectasia (ver entrada). Outras formas muito menos comuns são a Ataxia (Friedreich-like) com deficiência selectiva em vitamina E (ADVE) (ver entrada), abetalipoproteinemia (ver entrada), ataxia com apraxia oculo-motora (AAO1) (ver entrada), xantomatose cerebrotendinosa (ver entrada), Ataxia cerebelosa de início precoce com reflexos tendinosos preservados (ataxia de Harding) (ver entrada), ataxia espástica de Charlevoix-Saguenay (ver entrada), ataxia espinocerebelosa não-Friedreich tipo 1 (SCAR1), síndrome de Joubert (ver entrada), síndrome de Cockayne tipo I (CKN1), Xerodermia pigmentosa (XP). A prevalência das ACAR foi estimada em 7 por 100.000 indivíduos. Estas doenças são devidas a mutações em genes específicos, alguns dos quais já identificados, que codificam para proteínas, como por exemplo: aprataxina na AAO1, frataxina na ataxia de Friedreich, proteína de transferência do alfa-tocoferol na ADVE. É improvável que na história familiar existam indivíduos afectados dado que o modo de hereditariedade é autossómico recessivo. O diagnóstico clínico deve ser confirmado através de exames auxiliares neuro-imagiológicos (RMN), estudos electrofisiológicos, e análise mutacional quando o gene causador é conhecido. Um correcto diagnóstico clínico e genético é importante para um prognóstico e aconselhamento genético adequados e, em alguns casos, para o tratamento farmacológico. A maioria destas ataxias cerebelosas não têm tratamento específico, à excepção da deficiência em coenzima Q10 e abetalipoproteinemia.

Legislação nova sobre apoios do INR a projectos de apoio a cidadãos portadores de deficiências

Despacho n.º 11171/2012 [Diário da República, 2.ª Série — N.º 158 — 16 de Agosto de 2012]




Considerando que a Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 71.º, sob a epígrafe «Cidadãos portadores de deficiência» dispõe que: «O Estado apoia as organizações de cidadãos portadores de deficiência.»;



Considerando que a Lei n.º 38/2004, de 18 de agosto, que define as bases gerais do regime jurídico da prevenção, habilitação, reabilitação e participação da pessoa com deficiência estabelece, no seu artigo 19.º,

que cabe ao Estado apoiar as ações desenvolvidas pelas organizações não-governamentais na prossecução dos objetivos definidos na referida lei;



Considerando a Lei n.º 127/99, de 20 de agosto, alterada pela Lei n.º 37/2004, de 13 de agosto, dispõe que o apoio financeiro às associações que o solicitarem será prestado pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P.;



Considerando o disposto na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, onde os Estados Partes se comprometeram a promover a participação das pessoas com deficiência sem discriminação e em condições

de igualdade com os demais e encorajar a sua participação na constituição e adesão a organizações não -governamentais (ONG) e a importância destas na prossecução dos princípios consignados na Convenção;



Considerando o trabalho desenvolvido pelas estruturas federativas, confederativas e as organizações não-governamentais de âmbito nacional com delegações, na área da deficiência, junto dos associados, das suas

famílias e das comunidades;



Nos termos do n.º 2 do artigo 7.º da Lei n.º 127/99, de 20 de agosto, na sua redação atual, e do n.º 8 do despacho n.º 14327/2011, de 21 de setembro, determina -se que:



1 — O Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P. (INR, I. P.), de acordo com a sua disponibilidade orçamental, proceda excecionalmente, no ano de 2012, ao apoio ao funcionamento das estruturas federativas,

confederativas e as organizações não-governamentais da área das pessoas com deficiência de âmbito nacional, com delegações.

2 — O apoio deve obedecer a critérios de igualdade e equidade, resultante da aplicação de uma percentagem que incide sobre o valor disponível no orçamento do INR, I. P., tendo em consideração o valor atribuído às entidades referidas no n.º 1 que se tenham candidatado a projetos no âmbito do Regulamento de Financiamento às ONG em 2012, e o valor recebido, em anos transatos, para projetos desenvolvidos pelas entidades referidas no n.º 1.

3 — As entidades referidas no n.º 1 que, por incumprimento das normas anteriores de financiamento, não se puderam candidatar em 2012, estão excluídas deste financiamento excecional.

4 — Este apoio é complementar ao financiamento a projetos constante de regulamento aprovado pelo INR, I. P.

5 — As entidades referidas no n.º 1 que sejam abrangidas pelo financiamento excecional deverão apresentar ao INR, I. P., até 31 de janeiro de 2013, relatório de execução do apoio recebido, com o respetivo balancete de custos.

6 — O não cumprimento do disposto no número anterior impede entidades referidas no n.º 1 de poderem candidatar -se a qualquer apoio concedido no âmbito do INR, I. P., nos anos de 2013 e 2014.

7 — A verba apurada nos termos do n.º 2 deverá ser disponibilizada às entidades referidas no n.º 1 que sejam abrangidas pelo financiamento excecional, que demonstrem ter a sua situação fiscal e contributiva regularizada,

no prazo de 30 dias após a publicação deste despacho.

6 de agosto de 2012. — O Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Marco António Ribeiro dos Santos Costa.».   FONTE: http://manuelaralha.blogspot.pt/2012/08/legislacao-nova-sobre-apoios-do-inr.html#links

6 de agosto de 2012

Mutações genéticas fornecem esperança para melhor diagnosticar e tratar as ataxias espinocerebelares (SCA)

Três continentes, um gene: um trabalho de detetive de ADN descobre a causa de doença neurológica
A mutação genética responsável pela ataxia hereditária descoberta através de sofisticadas análises genéticas a famílias asiáticas, europeias e americanas
Uma imagem dessa investigação, mostrando a presença da proteína codificada pelo gene na esquerda, e uma presença muito reduzida em células com uma forma mutada do gene.
A caça global pela causa da incapacitante doença neurológica hereditária, alcançou o seu alvo. A descoberta abre a porta a formas de melhor diagnosticar e tratar esta doença em particular – mas também a um melhor entendimento da razão dos nervos no centro de controlo de movimento do cérebro morrem, e como as novas técnicas de mapeamento do ADN podem descobrir as causas de outras doenças que possam estar presentes em famílias.
Num novo trabalho nos Anais da Neurologia (“Annals of Neurology”), uma equipa da Formosa, França e do Sistema de Saúde da Universidade do Michigan (EUA), reportaram que mutações no gene KCND3 estavam presentes em seis famílias na Asia, Europa e nos Estados Unidos que têm sido atormentadas pelo mesmo tipo de uma doença denominada ataxia espinocerebelar ou SCA. A doença causa, de forma progressiva, perdas de equilíbrio, controlo muscular e capacidade de andar.
O novo trabalho descobre o gene responsável pela doença numa região do cromossoma 1 onde um grupo holandês já tinha demonstrado uma ligação a uma forma de SCA denominada SCA19, e o grupo da Formosa, no novo trabalho, demonstra ligação similar, numa família, para um tipo da doença que foi então denominada SCA22.
O grupo holandês acabou de publicar os resultados no mesmo número do jornal, que demonstrou dever ser o mesmo gene em que os grupos da Formosa, França e Universidade do Michigan trabalharam.
O gene regula a produção de uma proteína que permite às células nervosas “conversarem” com outras, através do fluxo de potássio. Focar o seu papel como uma causa da ataxia vai agora permitir que mais pessoas com ataxia saibam a causa exata da doença, fornecer um alvo muito específico para os novos tratamentos e talvez permitir às famílias impedir que a doença afete gerações futuras.
Mas as descobertas também têm significado para além da ataxia. Os investigadores também demonstram que quando o KCND3 é mutado, não causa só má comunicação entre as células nervosas e o cerebelo – também causa a morte dessas células. Esta informação pode ajudar na investigação de outras doenças neurológicas, que envolvam equilíbrio e movimento.
A Dra. Margit Burmeister, a geneticista da Universidade do Michigan que ajudou a liderar este trabalho, frisa que o gene não podia ter sido descoberto sem uma grande quantidade de trabalho de detetive de ADN – e da cooperação das famílias que se voluntariaram para permitir aos investigadores que mapeassem o ADN dos múltiplos membros da sua árvore genealógica.
“Combinámos análises das ligações genéticas tradicionais em famílias com doenças hereditárias, com um exame completo à sequência do ADN individual, permitindo-nos descrever e identificar a mutação,” diz ela “Este novo tipo de abordagem já resultou em muitas identificações de novos genes, e vai ajudar em muitas mais.”
O Dr. Vikram Shakkottai, neurologista da Universidade do Michigan, especialista em ataxias e co-autor do trabalho, afirma que a nova informação genética vai ajudar pacientes a descobrirem a causa específica da sua doença – só por si, um aspeto positivo.
Mas ele e os seus colegas já estão a trabalhar para descobrir medicamentos que possam alterar o fluxo de potássio e providenciar um tratamento para um grupo de doenças que atualmente são tratadas apenas através de apoio externo, tal como atividade física e treino de equilíbrio, à medida que o estado do paciente se deteriora.
“Muitas das famílias que vêm à nossa clínica para tratamento, não têm uma mutação genética reconhecida. Assim, é importante descobrir novas mutações genéticas, que possam explicar os seus sintomas,” diz Shakkottai, professor assistente no Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan. “Mas ao mesmo tempo, esta investigação ajuda-nos a compreender o mecanismo comum da disfunção das células nervosas em doenças progressivas e não-progressivas.”
Algumas formas de ataxia, denominadas episódicas, não causa agravamento progressivo dos sintomas – mas investigações passadas têm demonstrado que as mutações nos canais de potássio e cálcio, também estão na sua origem.
Burmeister é membro do Instituo de Neurociência Molecular & Comportamental da Universidade do Michigan e professora nos departamentos de Genética Humana, Medicina Computorizada & Bioinformática (CMB) e Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade do Michigan. O Dr. Jun Li, professor assistente de genética humana e CMB, conduziu o exame às sequências de ADN, utilizando o Núcleo de Sequência de ADN da Escola de Medicina da Universidade do Michigan.
Os investigadores da Universidade do Michigan trabalharem com outros cientistas da Escola de Medicina da Universidade Nacional Yang-Ming em Taipé, Formosa, e do Hospital Geral de Veteranos de Taipé, assim como com equipas da Universidade de Tóquio e do Hospital Pitie-Salpetriere, em Paris. Cada centro identificou uma família que mapeou perto da SCA19, previamente também conhecida como SCA22, e obtiveram a sua permissão para estudarem o seu ADN em profundidade.
A família estudada na Universidade do Michigan tem herança judaica Ashkenazi e Burmeister afirma que outras famílias com os mesmos antecedentes e com ataxias inexplicadas podem também ter a mutação KCND3.
A equipa holandesa que está a publicar as suas descobertas sobre o KCND3, ao mesmo tempo estudou famílias na Holanda. Descobriram que as mutações no gene são responsáveis pela SCA19, que até à data não tinha qualquer causa específica conhecida.
“Em outras palavras, as mutações neste gene não são incomuns e estão presentes em todo o mundo,” diz Burmeister. “Isto significa que, no futuro, este gene deve ser testado para mutações, como parte de um painel de teste genético clínico, para pacientes com sintomas de ataxia. Como pode saltar uma geração, pode até ser relevante em alguns casos esporádicos – aqueles onde o paciente não tem conhecimento de mais nenhum membro da sua família com uma doença semelhante.”