2 de agosto de 2012
31 de julho de 2012
Fármaco inovador ataca várias doenças degenerativas
Uma nova classe de fármacos desenvolvidos na Feinberg School of Medicine da Northwestern University, nos EUA, revelou-se promissora enquanto terapia eficaz tanto para a doença de Alzheimer como a doença de Parkinson, a esclerose múltipla e as lesões traumáticas no cérebro através da redução da inflamação.
De acordo com o portal Science Daily, os medicamentos em questão - destinados a ser administrados por via oral e que foram recentemente patenteados - têm como alvo um tipo particular de inflamação cerebral que é um denominador comum em todas estas doenças neurológicas e nas lesões do cérebro resultantes de traumas ou acidente vascular cerebral.
Quando os fármacos foram administrados a ratinhos programados geneticamente para desenvolver Alzheimer, conseguiram impedir que a doença progredisse e se desenvolvesse completamente.
O tratamento em questão oferece uma perspetiva terapêutica diferente daquela que é habitual e que se destina, tradicionalmente, a evitar a multiplicação, no cérebro, das placas beta-amilóides, que são um indicador mas não uma causa provada do Alzheimer. Em vez disso, o fármaco trabalha prevenindo a sobreprodução das citocinas pró-inflamatórias, proteínas prejudiciais ao funcionamento daquele órgão.
"Estes medicamentos - denominados provisoriamente MW151 e MW189 - podem tornar-se parte de um conjunto de fármacos com potencial para serem usados na prevenção do desenvolvimento do Alzheimer", afirmou Martin Watterson, professor de farmacologia molecular e bioquímica na Feinberg School, onde foi desenvolvido.
Uma vez que este mecanismo inflamatório prejudicial também tem um papel no desenvolvimento de outras doenças neurodegenerativas, a nova classe de medicamentos, em particular o MW151, poderá ainda funcionar como terapia adicional para a doença de Parkinson, a esclerose lateral amiotrófica, a esclerose múltipla e várias demências, além de aliviar as lesões cerebrais em consequência de traumas.
Segundo os investigadores, outros testes realizados em ratinhos e que serão aprofundados futuramente evidenciaram que os fármacos conseguem inibir a progressão da esclerose múltipla e, no caso de danos no cérebro, prevenir complicações a longo-prazo como o risco de convulsões e diversos problemas cognitivos.
Etiquetas:
doenças degenerativas,
farmacos,
medicamentos,
terapeutas
28 de julho de 2012
Uma nova estratégia de terapia genética aumenta os níveis de proteína deficiente na ataxia de Friedreich
Uma nova abordagem à terapia genética que instrui as próprias células da pessoa a produzir maior quantidade de uma proteína natural de combate às doenças, pode oferecer uma solução para o tratamento de muitas doenças genéticas. O método foi utilizado para descobrir um aumento de 2 a 3 vezes na produção da proteína deficiente em pacientes com ataxia de Friedreich, como descrito num artigo publicado na Terapia Genética Humana (Human Gene Therapy).
O método inovador de terapia genética descrito por Jacques Tremblay, Pierre Chapdelaine, Zoé Coulombe e Joel Rousseau, da Universidade de Laval, Québec, e da Universidade do Québec, Canadá, aproveita a capacidade de uma família de proteínas, denominadas proteínas de efeito Tal (TALE), visarem sequências de ADN específicas. Como modelo para demonstrar a forma de como este método podia ser usado para tratar doenças genéticas, os autores fizeram com que as proteínas TALE visassem o gene que codifica a proteína frataxina, que é deficiente na ataxia de Friedrech. A capacidade de induzir células a produzir mais frataxina pode reduzir os sintomas da doença e providenciar uma estratégia terapêutica eficaz e a longo prazo, concluem os autores.
“Esta é uma abordagem muito inteligente para tratar uma doença recessiva causada pela quantidade inferior de uma, noutras situações, proteína normal,” diz o Dr. James M. Wilson, Editor Chefe e Diretor do Programa de Terapia Genética, Departamento de Patologia e Laboratório de Medicina, Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pennsylvania, Filadélfia (EUA).
Fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2012/07/120725105212.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+sciencedaily+%28ScienceDaily%3A+Latest+Science+News%29
Etiquetas:
Ataxia de Friedreich,
Freidriech,
Terapia
27 de julho de 2012
Nova esperança para doença neurodegenerativa
Uma equipa portuguesa do
Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra foi capaz de parar a
degeneração cerebral em ratos, através do bloqueio de uma molécula denominada
calpaína.
Os
investigadores estão um passo mais próximos de descobrir um tratamento para a
Doença de Machado-Joseph (DMJ), uma doença neurodegenerativa fatal, após uma
equipa portuguesa do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra ter
sido capaz de parar a degeneração cerebral em ratos, através do bloqueio de uma
molécula denominada calpaína. A calpaína é conhecida por cortar a ataxina-3 (a
proteína mutante por detrás da DMJ) em fragmentos, e o estudo, que vai ser
publicado no jornal Brain (Cérebro), prova que estes fragmentos são cruciais
para acionar a neurodegeneração.
Se este trabalho poder ser
repetido em pacientes humanos – e os resultados preliminares do estudo assim o
sugerem –, os medicamentos que bloqueiam a calpaína podem tornar-se o primeiro
tratamento capazes de travarem a DMJ. Luís Pereira de Almeida – o líder da
equipa de investigação – acrescenta “e mesmo que não consigamos prevenir com
totalidade a clivagem da ataxina-3, dado que esta é uma doença que se revela
mais tarde, reduzir a sua velocidade pode ser o suficiente para travá-la de
aparecer durante o tempo de vida dos pacientes, o que seria uma vitória
incrível numa doença terrível”.
E de facto, a DMJ (também
chamada de ataxia espinocerebelar tipo 3 ou SCA3) é terrível – uma doença
neurodegenerativa que causa ataxia (uma incapacidade de controlar os movimentos
do corpo), confinando os pacientes a cadeiras de rodas e a uma dependência
total, a doença é fatal e não tem tratamento. E apesar de rara, há locais onde
a sua incidência é mais elevada – como a ilha portuguesa açoriana das Flores –,
podendo atingir cerca de 1 em cada 140 indivíduos. Isto, juntamente com o facto
de a severidade da doença tender a aumentar à medida que é transmitida de uma
geração para a próxima, e que é transmitida a metade de todas as crianças com
progenitores afetados, torna a descoberta de um tratamento seriamente urgente.
Também sabemos que a DMJ é
causada por uma parte aberrante de ADN que se multiplica dentro do gene MJD1
(quanto mais longa é a parte, pior é a doença), produzindo a proteína mutante
ataxina-3, proteína que agrega a formação de depósitos nas áreas do cérebro
afetadas pela doença. O que não sabemos é o que leva à neurodegeneração,
tornando mais difícil desenvolver tratamentos capazes de travar o processo.
No estudo agora publicado,
Ana Simões (a primeira autora do trabalho), Pereira de Almeida e colegas
observaram novas terapias, através de outro mistério da DMJ – a razão porque a
ataxina-3 normal “vive” fora dos núcleos celulares, enquanto os depósitos da
sua forma mutada são encontrados dentro (apesar de a proteína mutante ser maior
e, supostamente, haver maior dificuldade em atravessar o núcleo). É normal
pensar que se se descobrisse porque isto acontece, podia ser travado,
interferindo com a doença.
E isto é onde os fragmentos
de ataxina-3 entram – a “hipótese fragmentária tóxica” é uma teoria que afirma
que algumas doenças neurodegenerativas são acionadas através da produção de
fragmentos tóxicos a partir da proteína mutada por detrás da doença. A doença
de Alzheimer tem sido ligada a isso, por exemplo e, mais recentemente, também a
DMJ. De facto, recentemente foi demonstrado que a ataxina-3 mutante, quebrada
pela calpaína, produz fragmentos tóxicos que são capazes não só de escapar aos
mecanismos celulares de controlo de qualidade, como também de acionar a
agregação da ataxina-3 (que vai levar aos depósitos cerebrais). E se a DMJ é
acionada pelos fragmentos tóxicos produzidos pela calpaína, isso explicaria como
é que os depósitos anormais chegam aos núcleos (já que são os fragmentos, e não
a proteína, a entrar) e também, finalmente, dar-nos-ia uma forma de travar a
DMJ (através do bloqueio da calpaína).
Então, poderia a calpaína
ser a chave para a neurodegeneração da DMJ, assim como o seu tratamento? No
trabalho agora publicado, o grupo de Pereira de Almeida investiga a
possibilidade com a ajuda do único inibidor da calpaína conhecido no corpo, uma
molécula chamada calpastatina (ou CAST). A ideia é a de que se a calpaína é
importante para a DMJ, a CAST será capaz de travá-la.
Através da utilização de
ratos com níveis diferentes de CAST no cérebro, assim como a ataxina-3 mutante,
os investigadores descobriram que pondo grandes quantidades de CAST nos
cérebros dos ratos com DMJ, reduz os depósitos anormais de proteínas, assim
como a neurodegeneração e a disfunção neural típica da doença. Estes animais
tratados com CAST também tinham uma atividade calpaínica mais baixa (quando
comparados com os ratos “normais” com DMJ), provando que o CAST estava a afetar
a calpaína. A hipótese de que o CAST estava a agir através da travagem da
formação de fragmentos tóxicos foi ainda confirmada quando fragmentos da
proteína mutante foram encontrados, em grandes quantidades, em animais doentes,
mas em quantidades muito reduzidas nos animais tratados com níveis elevados de
CAST.
De forma interessante,
Simões e os colegas também descobriram que o CAST parecia que tinha um papel na
doença propriamente dita – havia muito menos CAST no cérebro dos ratos doentes
de que nos saudáveis, e quando os níveis da ataxina-3 mutante aumentavam no
cérebro dos ratos com DMJ, o CAST desaparecia (aparentemente apagado pela
proteína mutante?).
Pela primeira vez em
sujeitos vivos (no caso, ratos), estes resultados demonstram uma ligação entre
a quebra da ataxina-3 mutante, a formação de depósitos anormais de proteínas e
os danos neurais que provocam a DMJ. Também provam que os fragmentos tóxicos
são cruciais para acionar a destruição cerebral. Como Pereira explica “é como
se a ataxina-3 ficasse ‘cravada’ pela calpaína, com estes fragmentos ‘armados’
forçando o acesso aos centros de controlo celular, onde bloqueiam as mais
diversas funções e causam a morte celular. Porque são pequenos, têm mais
capacidade de entrar no núcleo celular para provocar danos”. Os resultados também
abrem as portas a investigações similares sobre outras doenças
neurodegenerativas com a “ligação do fragmento tóxico”.
Mas o mais importante de
tudo, é facto deste novo trabalho revelar que o CAST pode travar a
neurodegeneração da DMJ.
A questão que agora se
levanta, é se pode ser repetido em humanos? E na verdade algumas experiências
preliminares, mas muito promissoras, levadas a cabo pela equipa de Pereira de
Almeida, mostram que os níveis de CAST são mais baixos que o normal no cérebro
dos pacientes com DMJ, sugerindo um mecanismo da doença similar nos humanos e
nos ratos (e assim também um efeito terapêutico similar do CAST), o que são
grandes notícias não só para os cientistas envolvidos, mas especialmente para
todas as famílias afetadas. E o grupo já está a testar medicação via oral capaz
de bloquear a calpaína, apesar de por agora, só em animais.
Etiquetas:
Ataxia Machado Machado Joseph,
ataxina 3,
DMJ,
neurodegenerativa
21 de julho de 2012
Ensaios clinicos
Etiquetas:
Apifarma,
ciencia,
Investigação
19 de julho de 2012
Começa um ensaio clínico para a ataxia de Friedreich, em Londres
(13 de Julho de 2012)
Temos o prazer de anunciar
que o ensaio clínico, conduzido pelo Professor Richard Festenstein no Colégio
Imperial de Londres (Imperial College
London), já teve início. A equipa vai testar um tipo promissor de
tratamento potencial para a ataxia de Friedreich (AF) conhecido como inibidores
de histona desacetilase ou HDACi. Este tipo de medicamento é uma proteína que
pode ligar o gene da frataxina. Na AF, o gene da frataxina é desligado,
resultando numa produção limitada da frataxina, proteína essencial.
Nesta altura inicial, o
principal objetivo do ensaio é o de descobrir se o medicamento pode aumentar os
níveis de frataxina. A equipa também vai estudar se o medicamento é bem
tolerado e descobrir mais sobre a sua segurança.
Fonte: http://www.ataxia.org.uk/news.php/257/New%20Friedreich's%20ataxia%20trial%20begins%20in%20LondonDia Internacional das Ataxias
No próximo dia 25 de
Setembro assinala-se, um pouco por todo o mundo, o Dia Internacional das
Ataxias.
A APAHE também pretende
assinalar essa data, mas, por motivos de agenda, tal terá lugar no
final-de-semana imediatamente anterior, dia 22 de Setembro de 2012, Sábado, na
cidade de Coimbra, nas instalações da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade de Coimbra – Anfiteatro A (Rua Sílvio Lima, Univ. Coimbra – Polo
II, 3030-790 Coimbra), pelas 14h15.
Para as devidas inscrições
(gratuitas, mas obrigatórias), agradecemos que consultem o link http://www.apahe.pt.vu/?menu=dia_20120922_inscricao,
até 17/09/2012.
Contamos com a V/ presença!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
