16 de setembro de 2011

Doentes com ataxia cerebelar que efectuam transplante de medula óssea, alcançam melhorias


Cientistas do Instituto de Neurociência de Castela e Leão da Universidade de Salamanca (Espanha) identificaram que, em ratos que foram submetidos a um transplante de medula óssea, esse mesmo transplante permite a recuperação de algumas funções daqueles que padecem de ataxia cerebelar, uma doença na qual tanto os animais, como os seres humanos, se vêem impedidos de controlar os próprios movimentos.
O rato utilizado como modelo nesta investigação é chamado de Degeneração Celular Purkinje (PCD – Purkinje Cell Degeneration), e é caracterizado pela degeneração das células Purkinje, um tipo de neurónios envolvido no controle dos movimentos de rotina que já foram aprendidos e automatizados, como a postura, a escrita ou a condução.

Todas elas estão localizadas no cerebelo e é por isso que, se elas morrem, emerge a patologia conhecida como ataxia cerebelar, explica o investigador Eduardo Weruaga, autor do estudo, em declarações recolhidas pelo serviço de informação e notícias científicas (SINC).
No caso dos ratos modificados a que falta o gene Nna1, as células Purkinje começam a desaparecer quando o animal já tem entre 30 e 50 dias de vida.

“A função deste gene não é muito conhecida, mas quando a sua falta ocorre, a reorganização dos núcleos celulares e defeitos na reparação do ADN, as células nervosas são carregadas com demasiados defeitos e morrem”, diz o cientista.
Nos roedores, a perda das células Purkinje traduz-se em dificuldades em andar, tremores, quedas, incapacidade para andar e perda de peso. Finalmente, estes animais acabavam por morrer muito mais cedo que roedores saudáveis.

A hipótese defendida pelos investigadores do Instituto de Neurociência de Castela e Leão era de que o transplante de medula óssea pode ter efeitos na ataxia cerebelar neste rato-modelo com PCD.
“Desde a década de 90 do século passado que sabemos, naturalmente, que algumas células da medula óssea viajam para o cérebro e são neurónios e ‘glia’”, indica Weruaga, “embora reconhecendo que este facto científico não seja muito conhecido, a partir da medula óssea normalmente formam-se células sanguíneas, transplantando assim uma forma de cancro medular. Contudo, algumas dessas células também são o fígado, músculos e cérebro, embora muito poucas.”

COMPORTAMENTO DIFERENTE, DE ACORDO COM A LOCALIZAÇÃO
Até agora não se sabia se estas células da medula óssea iam para o cérebro e lá se diferenciavam, tornando-se neurónios, ou se se fundiam com as células existentes. “Descobrimos que depende da área do cérebro: nalguns sítios diferenciam-se, noutros fundem-se.” “No cerebelo fundem-se com as células Purkinje, formando células com duas cores, enquanto que no bolbo olfáctico, elas diferenciam-se”, diz o cientista.

A questão que se tornou mais relevante para os investigadores foi se o transplante de medula óssea podia recuperar células Purkinje para restaurar as funções que os ratos com ataxia tinham perdido. Para responder a essa questão, os movimentos dos roedores podem ser medidos em laboratório como um método para diagnosticar a ataxia e, subsequentemente, controlar os efeitos de possíveis tratamentos.
Um desses testes consiste na análise da planta marcada, ou seja, colocar tinta nos ratos, para que se possa avaliar a forma como andam. Testes de velocidade são outro aspecto chave, já que um animal com ataxia leva muito tempo para percorrer distâncias curtas.

Outro teste consiste na medição de aspectos psicomotores similares e permite aos investigadores concluírem se os ratos têm as suas capacidades motoras comprometidas ou não, através da comparação entre animais saudáveis, animais doentes e animais que foram submetidos a um transplante de medula óssea.
RECUPERAÇÃO PARCIAL

Os resultados indicam que há uma “melhoria significativa” após os transplantes. “A medula saudável recupera alguma parte da funcionalidade do cerebelo”, diz o investigador. Contudo “os roedores não alcançam as velocidades originais, apresentando um progresso a meio-termo entre um rato saudável e um rato doente, assim como falta de coordenação em alguns movimentos, que não estão completamente curados”, ele acrescenta.
Outro aspecto também relevante é “não se ter observado uma recuperação das células Purkinje, pelo que a questão que agora se levanta é de que maneira o transplante pode ajudar o rato a reconquistar a funcionalidade do cerebelo”, indica Weruaga.

De facto, um dos desafios para o grupo de investigadores no futuro imediato, é melhorar os transplantes. “Até agora, plantámos todo o tipo de células na medula óssea, nós não fazemos distinções entre linhas ‘hematopoieticas’”, diz ele.
Para fazer isto, em colaboração com o Serviço de Hematologia do Hospital Universitário de Salamanca, aos investigadores do Instituto de Neurociência de Castela e Leão foi proposto “separar tipos de células e implementar mais uma ou outra para alcançar os melhores resultados, quer dum ponto de vista histológico, assim como funcional.”

Fonte: http://health-med-news.com/health/bone-marrow-transplantation-achieved-improvements-in-mice-with-cerebellar-ataxia/

14 de setembro de 2011

Expandir horizontes acerca da Ataxia de Friedreich

Data: Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011 
Local: Royal Society of Medicine (Sociedade Real de Medicina), 1 Wimpole Street, LONDRES, W1G 0AE
Este encontro tem como finalidade aumentar o nível de conhecimento e melhorar a sensibilização em relação à Ataxia de Friedreich (FRDA).
Os objectivos deste encontro são:
1)    Alcançar uma compreensão profunda acerca das manifestações clínicas da FRDA, incluindo tipos variantes e perceber melhor as complicações potenciais com a progressão da doença, incluindo a necessidade de monitorização.
2)    Ter um melhor conhecimento das terapias disponíveis e perspectiva de possíveis ensaios clínicos para a FRDA.
3)    Perceber melhor a patologia molecular responsável pela FRDA, assim como alvos potenciais para terapias.
4)    Compreender melhor o impacto, social e psicológico, da ataxia progressiva.
18h00  Inscrição, seguida de café e/ou chá
18h30 Perspectivas clínicas da Ataxia de Friedreich: apresentação, complicações e terapias
Dra. Paola Giunti, Associada Principal de Investigação Clínica, Instituto de Neurologia, Londres; Consultante Honorária, Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia, Londres
19h05 Ultrapassando o silencio genético na Ataxia de Friedreich: um novo tratamento?
Professor Richard Festenstein, Professor de Medicina Molecular e Consultante Honorário em Neurogenética no Hospital Nacional e Colégio Imperial Health Care Trust, Londres
19h40   A minha vida, a minha ataxia
Dra. Harriet Bonney, Médica Especializada em Psiquiatria Adulta, Glasgow; Trustee, Ataxia UK
20h00   Finalização e avaliação e comentários finais
20h05   Encerramento dos trabalhos

Expanding horizons in Friedreich's ataxia

Thursday 6 October 2011
Venue: Royal Society of Medicine, 1 Wimpole Street, LONDON, W1G 0AE
This meeting aims to increase knowledge and improve awareness of Friedreich's ataxia (FRDA).

The objectives of this meeting are:

1. To gain an in-depth understanding of the clinical presentation(s) of FRDA, including variant types and appreciate better the potential complications with disease progression including the need for monitoring.

2. To have a better knowledge of available therapies and horizon scanning of therapeutic trials in FRDA.

3. To understand the molecular pathology responsible for FRDA, and the rationale for potential therapeutic targets.

4. To appreciate better the social and psychological impact of progressive ataxia on lives.

6.00 pm

Registration followed by tea and coffee

6.30 pm

Clinical perspectives of Friedreich's ataxia: presentation, complications and therapies

Dr Paola Giunti, Principal Clinical Research Associate, Institute of Neurology, London; Honorary Consultant, National Hospital for Neurology & Neurosurgery, London

7.05 pm

Overcoming gene silencing in Friedreich's ataxia, a novel treatment?

Professor Richard Festenstein, Professor of Molecular Medicine and Honorary Consultant in Neurogenetics, National Hospital and Imperial College Health Care Trust, London

7.40 pm

My life, my ataxia

Dr Harriet Bonney, Speciality Doctor in General Adult Psychiatry, Glasgow; Trustee, Ataxia UK

8.00 pm

Completion of evaluation forms and final remarks

8.05 pm

Close of meeting

12 de setembro de 2011

Irregularidade descoberta em pacientes com tipo especifico de ataxia, que pode ser usada como alvo em tratamentos







Para: HEALTH, EDITORES MÉDICOS E NACIONAIS

Contacto: Mary F. Masson, +1-734-764-2220, mfmasson@umich.edu, Margarita Wagerson, +1-734-764-2220, mbauza@umich.edu

Investigadores da Universidade do Michigan (EUA) descobriram uma disfunção nos neurónios de ratos com Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3; esta descoberta pode ser relevante para uma maior gama de ataxias.

ANN ARBOR, Michigan (EUA), 08/09/2011 / PRNewswire-USNewswire / - Uma irregularidade descoberta, pelos investigadores da Universidade do Michigan, em ratos com Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3, pode representar um alvo para futuras terapias.
Num artigo publicado esta semana no Jornal de Neurociência, os investigadores da Universidade do Michigan descobriram que uma disfunção particular nos neurónios ocorre bem antes da morte destes, que é típico deste tipo de ataxia. Essa disfunção, uma alteração no comportamento neural, pode ser um pode ser um possível alvo para potenciais tratamentos.
“Nós estabelecemos num rato, um modelo da doença com o defeito específico na função neural, que ocorre na fase inicial da doença, bem antes da morte dos neurónios”, disse o autor líder, Dr. Vikram G. Shakkottai, M.B.B.S., professor assistente no Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan.
“Com mais estudo, esperamos descobrir que a disfunção neural inicial, precedendo a perda neural, possa ser relevante para a compreensão dos problemas motores numa gama mais vasta de ataxias.”
Cerca de 300.000 pessoas nos EUA padecem de ataxias e possivelmente até 20.000 padecem do tipo de ataxia que foi foco deste estudo: a Ataxia Espinho-Cerebelar tipo 3, também conhecida como a Doença de Machado-Joseph, especifica o co-autor Dr. Henry Paulson, professor de Neurologia na Universidade do Michigan.
Os sintomas da doença são lentamente progressivos, tais como problemas em andar e manter o equilíbrio, juntamente com dificuldades na deglutição e respiratórias. É uma doença incurável e actualmente não existe qualquer medicação para atrasar o curso da doença.
É o tipo de ataxia hereditária de transmissão dominante mais comum e pertence a uma classe de, pelo menos, nove doenças genéticas, denominadas ‘doenças de expansão poliglutaminica’. As mutações nas ‘doenças poliglutaminicas’ são irregularmente longas repetições duma repetição normal de três letras do código genético ADN.
“A ataxia é, na sua grande parte, um mistério. Muitas formas de ataxia são doenças incuráveis, até fatais, e este estudo providencia uma pista para a disfunção precoce nas células cerebrais, um avanço na forma como pensamos nesta classe de doenças degenerativas”, diz Paulson, que é também o director do Centro da Doença de Alzheimer da Universidade do Michigan.
O estudo mostrou que a activação de um tipo específico de canal de potássio foi bem sucedido em melhorar a disfunção motora nos ratos, e pode significar um potencial rumo para uma terapia para a doença humana.
“As nossas descobertas reenfocam a ideia que as disfunções neurais resultantes de problemas em canais, podem sublinhar alguns dos sintomas motores típicos destas ataxias, particularmente precocemente no curso da doença. Estes defeitos precoces na função neural podem ser um alvo para terapias,” diz Shakkottai.
Autores adicionais: Maria do Carmo Costa e James M. Dell’Orco, ambos do Departamento de Neurologia da Universidade do Michigan; Ananthakrishnan Sankaranarayanan, da Universidade da Califórnia-Davis; e Heike Wulff, da Universidade de Nova Orleães.
Referência do jornal: JN-RM-2798-11



Fonte:



http://news.yahoo.com/abnormality-discovered-patients-specific-ataxia-could-target-treatment-195510795.html