27 de abril de 2011

MELHORA DO EQUILÍBRIO NAS ATAXIAS DEGENERATIVAS CEREBELARES DEPOIS DA TERAPIA AYUVÉRDICA: ESTUDO PRELIMINAR

Resumo

São muito poucos os estudos que demonstram uma melhora nas ataxias cerebelares degenerativas. Textos ayuverda descreveram diversos regimes de tratamentos para essa doença. Objetivos: A fim de determinar a alteração nos índices de equilíbrio, se houver, foi usada a posturografia dinâmica (Biodex Balance System, EUA), em seguida ao tratamento ayurveda em ataxias cerebelares progressivas.

Materiais e métodos; Realizamos um estudo preliminar etiquetado aberto em dez pacientes diagnosticados com ataxia cerebelar progressiva. Os pacientes foram tratados por um período de um mês. Com Shirobasti (retenção terapêutica de medicamentos pela cabeça) em pacientes homens e Shirodhara (derramamento regular de medicamentos sobre a testa) em mulheres, conjuntamente com Dhanvantaram tailam (óleo medicinal) por 45 minutos diariamente, seguido por Abhyanga (método de massagem) com Dhanvataram tailam e Bhaspa Sweda (banho de vapor), por 14 dias. Além disso, o tratamento consistiu em Abhyantara Aushadha (medicamentos por via oral) de Maharasnadi kashayam 15 ml três vezes ao dia, cápsulas de Dhanvataram 101 duas cápsulas, três vezes por dia, e um comprimido de Ashwagandha 500 mg, três vezes por dia, por um mês. Os pacientes foram avaliados com o Biodex balance system antes e depois do tratamento. Os resultados foram analisados usando a amostragem emparelhada teste .t. Resultados: Todos os pacientes aceitaram o tratamento bem, sem quaisquer eventos adversos e relataram uma subjetiva melhora na marcha. Houve uma melhora estatisticamente significativa no estado geral e nos índices de equilíbrio anteroposterior na estabilidade dinâmica. Conclusões: Ao longo do curto período do presente estudo, a terapia ayuvérdica se mostrou segura e demonstrou ser efetiva na melhora do equilíbrio em pacientes portadores de ataxia cerebelar progressiva degenerativa. A fim de validar os resultados, fazem-se necessários: estudos duplo cegos, controlados de placebo.

25 de abril de 2011

Almoço / Convivio

Como deve ser do V/ conhecimento, a APAHE, juntamente com o CAS da Carregueira, estão a estudar a melhor forma de celebrar um protocolo entre ambas as partes, que vise a possibilidade de internamento de pessoas com ataxias hereditárias, num lar que o CAS da Carregueira está a construir.

Como tal, o CAS da Carregueira teve a amabilidade de convidar todos os sócios da APAHE a participarem num convívio a ter lugar no próximo dia 30/04/2011 (programa em anexo).

Esta participação tem um custo de EUR: 3,00 € por pessoa.

Solicita-se a todos os interessados que confirmem a sua presença até 28/04/2011, através dos telefones 249741033 e 249741222.

Informamos ainda que está confirmada, nesse mesmo convívio, a presença da médica neurologista Prof. Dra. Paula Coutinho, responsável pelo rastreio, a nível nacional, de ataxias hereditárias.

Identificação de alvos adicionais na ataxia de Friedreich

Conforme deve ser do V/ conhecimento, a APAHE foi uma das sete associações co-financiadoras de um projecto de investigação levado a cabo pelo Dr. Pierre Rustin, sob o título "A identificação de alvos adicionais na Ataxia de Friedreich".

Quanto ao relatório referente ao 1.º ano de trabalho, o mesmo será disponibilizado, tão breve quanto possível
(clique no titulo para ver Artigo referente ao tema)

15 de maio de 2009

Nova descoberta lança luz sobre uma doença genética e neurodegenerativa

Este trabalho de investigação está publicado na revista Nature e Biologia Molecular Estrutural.

Ataxia de Friedreich (FA) foi diagnosticada pela primeira vez em 1863, pelo médico alemão que deu o nome á doença, mas o gene responsável pela FA foi descoberto apenas em 1996. Sabemos agora que os pacientes com FA apresentam mutações genéticas que limitam a produção de uma proteína chamada frataxina. Frataxina é uma proteína crucial que opera no interior das mitocôndrias, os centros produtores da energia na célula, mas o seu papel exacto não era claro até agora.

Assume-se que há muito tempo que a frataxina está envolvida em duas grandes vias metabólicas associadas ao ferro, um elemento que é essencial para a vida, mas também insolúvel e tóxico. Acreditava-se que a frataxina agia como" dama de companhia" do ferro, uma substância transportadora do ferro envolvida na formação do ferro-enxofre. Estas são necessárias para o funcionamento das mitocôndrias e, portanto, para a produção de energia dentro da célula.
Annalisa Pastore, um membro do Departamento da Estrutura Molecular em Nimr, demonstrou que a frataxina não é apenas uma dama de companhia, mas age como um inibidor no processo da formação do complexo ferro-enxofre. Frataxina regula a formação destes complexos para ajustar o número disponível, dependendo da concentração de ferro. Os pacientes com Ataxia de Friedreich, com níveis reduzidos de frataxina, precisam de este importante processo regulamentar. Sem este mecanismo regulador, são produzidos demasiados complexos ferro-enxofre, uma vez que se trata de espécies instáveis. Este processo leva á acumulação do ferro insolúvel que se precipita na célula, como se pode observar nos tecidos dos pacientes com AF. Este, por sua vez, provoca danos metabólicos que leva à morte celular.
Esta noticia foi publicada aqui

30 de janeiro de 2009

Biólogo descobre estratégia para reverter os sintomas da doença Machado-Joseph

‘Esta estratégia de terapia genética para a Machado-Joseph lança-nos na pista certa em busca de possível tratamento da doença’, afirmou Sandro Alves
Sandro Alves, mealhadense, juntamente com Luís Almeida, ambos investigadores da Universidade de Coimbra, demonstraram, recentemente, que é possível reverter os sintomas da doença de Machado-Joseph (doença neurodegenerativa ainda sem tratamento) através de uma nova estratégia científica.Mónica Sofia Lopes, repórter do Jornal da Mealhada, entrevistou Sandro Alves, que é licenciado em Biologia (variante científica) pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e que obteve média de dezanove valores no estágio científico. De momento é aluno de doutoramento da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, especialidade em Tecnologia e Ciências da Saúde, ramo da Biotecnologia, executando actividade científica no grupo de Vectores e Terapia Génica do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra e no Institute of Biomedical Imaging and Molecular Imaging Research Center (MirCen), em Paris, França, sob a orientação do doutor Luís Pereira de Almeida e doutor Nicole Déglon. As suas pesquisas de doutoramento foram já apresentadas em congressos nacionais e também internacionais de Neurociência e de Terapia Genética (Natal - Brasil; Atlanta; Washington, New York – EUA; Roterdão - Holanda, Barcelona - Espanha, Paris - França, Lausanne - Suíça).
O que é a doença de Machado-Joseph?
De um modo sistemático, a doença de Machado-Joseph é uma doença rara, do foro neurológico, podendo ser transmissível de pais para filhos, cuja sintomatologia clínica é composta pela ataxia, isto é, uma condição de descoordenação dos movimentos corporais podendo afectar a força muscular, o equilíbrio e, naturalmente, os movimentos básicos dos membros. É normalmente associada a uma degeneração de áreas específicas do cérebro, nomeadamente, o cerebelo. Além da perda de capacidade motora, presente na maior parte dos pacientes, também a fala é afectada, sendo que outros tipos de manifestações clínicas, tais como as limitações dos movimentos dos olhos, a retracção dos músculos faciais, a dificuldade em deglutir os alimentos, distúrbios durante o sono, entre outros, podem ser observados. Diversos sintomas podem juntar-se a estes, evidenciando a enorme heterogeneidade clínica da doença de Machado-Joseph, fazendo com que cada doente seja um caso único. Normalmente, é uma doença com manifestação tardia, na qual os primeiros sintomas surgem na idade adulta, entre os trinta e os quarenta anos de idade, embora existam casos extremos entre os seis anos e os setenta anos. Regra geral, quanto mais precoce é a doença, mais grave é a sintomatologia. Até à presente data não existe tratamento disponível.
Qual o âmbito da investigação que desenvolveu?
Na doença de Machado-Joseph ocorre degeneração gradual de populações específicas de células nervosas em determinadas regiões do cérebro, devido à mutação de um gene que codifica uma proteína designada ataxina-3. Sendo esta uma doença genética, a investigação foi levada a cabo de modo a tentar tirar partido da descoberta de um mecanismo (designado “interferência de RNA”) que há dois anos atrás “deu” o prémio Nobel da Medicina a dois investigadores internacionais. Esse mecanismo consistia em silenciar, ou seja, eliminar, a expressão de proteínas alteradas, isto é, mutadas, que tenham uma relação directa com o estabelecimento de diversas doenças, tais como a doença de Machado-Joseph, por exemplo. Este trabalho, que foi recentemente publicado na revista americana Plos One, demonstra, pela primeira vez, ser possível reduzir a expressão da cópia mutada de um gene num modelo animal, permitindo que a expressão do gene normal seja preservada. De um modo simples o que foi feito foi “operar” ratos, injectando no cérebro um vírus que transportava o gene com a mutação, de modo a que a proteína mutada fosse expressa, levando a que os ratos ficassem “doentes”. Aqui a finalidade era replicar o que se passa nos doentes de Machado-Joseph. Como tentativa de combate à doença, foram injectados no cérebro dos ratos vírus, que servem de vectores, transportando uma sequência específica para silenciar o gene mutado com o objectivo de eliminar a proteína mutada reduzindo assim os sintomas neuropatológicos referentes à doença de Machado-Joseph. Dois meses após a cirurgia, procedeu-se à análise dos cérebros dos ratos (cerca de trinta) e os resultados revelaram-se bastante promissores, sendo que a acumulação de proteína mutada tinha decaído para os cinquenta por cento e os danos neuronais reduzidos em sensivelmente setenta por cento, o que é fantástico. Quem tiver curiosidade poderá sempre pesquisar o artigo que está disponível na internet utilizando o seguinte endereço: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0003341.
O que muda com esta descoberta?
Em primeiro lugar temos que ser serenos… quando o objectivo é atingir o patamar clínico esta é a regra número um! E digo isto para evitar criar expectativas a curto prazo para os doentes de Machado-Joseph. No entanto, é inequívoco que, pela primeira vez, na doença de Machado-Joseph se publica um estudo pré-clínico em ratos, mostrando de forma clara que é possível reduzir de forma bastante robusta os sinais neuropatológicos desta terrível doença. Com efeito, este estudo demonstra ser possível reverter os sinais neuropatológicos da Machado-Joseph, recorrendo a uma estratégia de terapia genética. Este é um grande passo no combate à doença, sendo que brevemente irei submeter - juntamente com os meus orientadores, doutor Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências de Coimbra, e doutora Nicole Déglon, do Molecular Imaging Research Center, Paris, França, onde fiz parte desta pesquisa de doutoramento - um outro trabalho pré-clínico também com finalidade terapêutica para a Machado-Joseph. Como se compreende, ainda não poderei dar mais detalhes, mas asseguro que também é bastante promissor. Posso mesmo adiantar que esta estratégia de terapia genética para a Machado-Joseph nos lança na pista certa em busca de um possível tratamento da doença. No entanto, estudos adicionais terão obrigatoriamente que ser feitos de modo a poder transpor para humanos a aplicação prática destes estudos, e, em particular, dar maior esperança a quem é portador da Machado-Joseph. A um nível mais global, a técnica que por nós foi utilizada para silenciar o gene mutado da ataxina-3, responsável pela doença de Machado-Joseph, poderá ser também aplicável em outras doenças do foro neurológico, entre as quais a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer. É extremamente importante referir que o vírus, por nós utilizado para transportar os genes para o cérebro de ratos, foi utilizado muito recentemente no tratamento clínico de três doentes de Parkinson, estando este projecto a ser executado em França.
Qual é a sensação de mostrar ser possível reverter os sintomas da doença de Machado-Joseph, uma doença que foi descoberta por um português?
De facto, os primeiros casos foram diagnosticados nos Açores, sendo que os portadores desta doença começaram a ser exaustivamente estudados na década de setenta por dois neurologistas portugueses, doutor Corino Andrade e doutora Paula Coutinho, que, para mim, são a referência máxima nacional a nível clínico da doença de Machado-Joseph. É com grande satisfação que após mais de trinta anos de estudo desta doença possa contribuir com algo, que sinceramente acredito e espero que venha ajudar os portadores desta doença - o desenvolvimento de uma terapia genética para a Machado-Joseph. Nesse dia sentirei que não só todo o meu esforço, mas também o de todas as pessoas empenhadas neste projecto, valeu a pena. Posso dizer que, na primeira vez que analisei as “fatias” de cérebro dos ratos operados senti alguma ansiedade e excitação. Foi um momento simpático, único e bastante gratificante.
Qual a próxima?A próxima doença?
Depois de quase cinco anos a trabalhar na doença de Machado-Joseph, penso ser altura de mudar um pouco de modo a que tudo o que aprendi possa a vir a ser aplicável numa outra doença. Nesse sentido, e após submeter-me à prestação de provas de Doutoramento na Universidade de Coimbra no próximo mês, continuarei, se Deus quiser, uma nova etapa na Unidade de Neurologia e de Terapia Experimental do Hospital “La Pitié- Salpêtrière”, igualmente em Paris, por um período de dois ou três anos, onde irei executar um projecto relacionado com o desenvolvimento para a terapia genética de uma doença também rara designada Ataxia espinocerebelar do tipo 7 (SCA7). Tal como a doença de Machado-Joseph, também esta é uma doença neurodegenerativa com alguns sintomas semelhantes mas que tem a particularidade de afectar não só estruturas cerebrais, mas onde também ocorre degeneração da retina e para a qual actualmente não existe terap
Como surgiu a oportunidade de ir para França?
Após a conclusão do estágio de licenciatura, fui convidado pelo meu orientador, doutor Luís Pereira de Almeida, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, a concorrer à bolsa de doutoramento. Após obter a bolsa, começámos a trabalhar em colaboração com a equipa da doutora Nicole Déglon, perita mundial no desenvolvimento de vectores virais, que tem o seu laboratório sediado em Paris, daí o facto de ter prosseguido com os trabalhos experimentais em Paris sendo que outros foram executados em Coimbra. Queria salientar que embora tenha passado um largo período em França, a minha tese de doutoramento, contendo este trabalho e outros, foi orientado por ambos, sendo de referir que as suas experiências foram muito importantes para levar estes estudos a “bom porto”.
Que balanço faz da vida em França?
Se bem que goste de estar em Portugal por razões óbvias, o balanço destes últimos anos por França tem sido uma experiência muito enriquecedora e positiva para mim, a todos os níveis. A nível profissional as condições são mesmo muito boas e compensam bastante. Além disso, ter tido a oportunidade de poder trabalhar num laboratório estrangeiro, onde, por sua vez, trabalha uma quantidade enorme de estrangeiros oriundos de outros países, é sempre fonte de conhecimento, permitindo aprender outras técnicas sempre susceptíveis de serem importadas. Ao mesmo tempo trata-se igualmente de um ambiente cosmopolita que me permitiu compreender um pouco mais de cada cultura e, ao mesmo tempo, aperfeiçoar línguas estrangeiras o que, nos dias de hoje, é cada vez mais importante. Posso dizer que desde 2004, período no qual tive a primeira oportunidade no estrangeiro, as coisas têm acontecido a um ritmo alucinante sendo algo que me trouxe bastante satisfação pessoal.
O que falta em Portugal para que os cientistas façam cá a sua investigação?
Para ser honesto, o nosso país tem bastantes e excelentes investigadores. Nos dias de hoje faz-se ciência com muita qualidade em Portugal e isso deve-se, em grande parte, ao grande investimento que o nosso Governo, desde há alguns anos para cá, tem vindo a fazer no campo da ciência. No entanto, e se bem que sejamos um país pequeno neste cantinho da Europa, penso que o referido investimento em equipamentos, infra-estruturas e “massa humana” talvez devesse ter sido projectado há mais tempo, investimentos que foram efectuados por outros países europeus como, por exemplo, a Inglaterra, a Alemanha, a França, bem como outros países do Norte da Europa, que por sua vez têm toda uma outra estrutura. Naturalmente, em algumas áreas talvez não estejamos tão avançados quanto esses países, mas as instituições académicas têm trabalhado bastante e bem de modo a que a médio/longo prazo Portugal possa oferecer mais e melhores oportunidades a investigadores nacionais. Temo, no entanto, que a actual grave crise financeira global que nós vivemos a nível mundial se venha a repercutir em investimentos futuros que por esta altura deverão estar previsivelmente a ser estudados pelos responsáveis governativos. Se calhar, e não querendo de modo algum ser pessimista, mas acima de tudo pragmático… tempos difíceis se avizinham!

13 de janeiro de 2009

Pioglitazona e a Ataxia de Friedreich‏

O PPAR-agonistas são um tipo de moléculas utilizadas na medicina clínica para o tratamento do diabetes mellitus. Estudos recentes têm demonstrado um possível papel destas drogas em várias doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica. A exacta causa porque estes fármacos podem ter um efeito protector na morte neuronal nestas doenças ainda não está totalmente esclarecido. Ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa causada pela expansão GAA, tipo tripla hélice no primeiro intron do FXN gene que codifica a proteína mitocondrial frataxina. Há muitas hipóteses explicativas sobre o mecanismo pelo qual as repetições GAA bloqueiam a transcrição da frataxina, a mais aceite relaciona o mecanismo a uma possível replicação do DNA anómalo. Basicamente, na presença do GAA, formando a tripla hélice de DNA ao invés da habitual dupla hélice, com a formação de heterocromatina, o que equivale a uma forma de DNA inacessível para o processo normal de transcrição normal das células. Heterocromatina está relacionado com o bloqueio da produção de frataxina em inúmeros trabalhos publicados. Curiosamente, todos os indivíduos heterozigotos na expansão GAA (ou seja, apresentando um alelo normal e expansões GAA) produzem níveis baixos de frataxina 50% em comparação com pessoas comuns, e são completamente assintomáticos. Este facto leva-nos a concluir que as drogas que aumentam os níveis de 5-35% em frataxina nos pacientes de Ataxia de Friedreich para cerca de 50% pode ser suficiente para curar a doença. A proteína mitocondrial frataxina é essencial para muitas funções celulares. Redução dos níveis de frataxina na Ataxia de Friedreich causa: - Redução de enzimas importantes, como complexo ferro-enxofre mitocondrial, aconitasa (enzima importante para o ciclo de Krebs e no metabolismo energético da célula) e complexos I / III da cadeia respiratória (produção de ATP). - Acúmulo de ferro nas mitocondrias. - Prejuízo na medula espinhal neurónios do córtex e do cerebelo. Na prática, frataxina tem a capacidade de ligar o ferro mitocondrial, na sua ausência ou quando não há suficiente, o ferro livre interage em importantes funções mitocondriais gerando uma significativa toxicidade mitocondrial que leva à morte celular por um processo chamado setresse oxidativo (no cerebelo, no córtex e medula espinhal).
O estudo financiado visa determinar os efeitos de um potente agonista PPAR-gama como Azelaoyl PAF (APAF), uma substância química utilizada em laboratório com culturas de células de pacientes com Ataxia Friedreich (fibroblastos).
Essas drogas agonistas PPAR-gama poderiam entre outras coisas, reduzir o setresse oxidativo e proteger as células da morte.
Os resultados mostram que o tratamento de fibroblastos provenientes de pacientes com AF num modelo de células neurais (SKNBE) de controle com doses crescentes de dois APAF tem aumentado a quantidade de frataxina na célula, com níveis de aprox. 45% para uma pessoa normal.
Inesperadamente, o estudo também mostrou que, na Ataxia de Friedreich não são só os baixos níveis de frataxina, mas também estão reduzidos os níveis de outra proteína importante para a função mitocondrial e activação das defesas celulares contra setresse oxidativo. A proteína chama-se PGC1alfa. A proteína PGC1alfa está presente em níveis baixos nos linfócitos e nos fibroblastos de pacientes com Ataxia Friedreich e em algumas células de modelos animais para a doença (camundongos "KIKO" e "Kiki", com expansões GAA). Estes dados sugerem que esta proteína desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da doença e alguns sintomas clínicos incluindo diabetes. Abrindo uma nova perspectiva para a investigação de novos fármacos. Notavelmente, agonistas PPAR-gama são conhecidos pela sua habilidade de aumentar os níveis de PGC1alfa e este estudo mostra que a APAF tem também a capacidade de aumentar a proteína PGC1alfa em quase duas vezes, assim como aumentar os níveis de frataxina.
Em conclusão, podemos lançar a hipótese de que estas drogas agonistas
do receptor PPAR-gama podem ser consideradas potenciais candidatos para o tratamento de Ataxia Friedreich devido à sua capacidade não só para aumentar frataxina mas também a PGC1-alfa. APAF molécula é um laboratório, enquanto os agonistas PPAR-gama, como as drogas rosiglitazona e pioglitazona bem conhecidas e utilizadas em clínica para tratamento de diabetes mellitus (diabetes tipo 2).

Após um acordo com a farmacêutica TAKEDA, que produz Pioglitazona, iniciou um estudo em modelos animais (ratos KIKO; assintomáticos porque têm um número limitado de repetições GAA) de Ataxia Friedreich. O protocolo prevê o fornecimento de pioglitazona durante 4 semanas, com doses de 25 mg / kg / dia por via oral. O estudo foi realizado com 10 camundongos saudáveis controle e 10 KIKO camundongos tratados com pioglitazona e placebo como controle.
Os dados preliminares de um pequeno grupo de KIKO camundongos não revelaram efeitos tóxicos durante o tratamento:
-Qualquer aumento no peso corporal
-Não há defeito do coração
-Não há toxicidade hepática
-Qualquer mudança no comportamento
Conforme os primeiros dados sobre os efeitos da pioglitazona sobre os níveis de frataxina e PGC1alfa in vivo em camundongos KIKO ainda vai ter que esperar.
As experiências em seres humanos acabam de começar em França pelo Dr. Pierre Rustin. Ainda não há resultados.

Traduzido em 07-01-2009 por
Mário Galinha

12 de outubro de 2008

Doença do Machado com tratamento

Há uma nova estratégia terapêutica que pode ser o primeiro tratamento da doença do Machado, também conhecida por Machado-Joseph, através de uma investigação da Universidade de Coimbra, juntamente com investigadores suíços e franceses.
A descoberta vai permitir que seja possível reverter os sintomas da doença do Machado, que tem forte incidência na ilha açoriana das Flores,ou seja, vai ser possível reverter os sintomas desta doença neurodegenerativa que são a perda progressiva das capacidades e morte gradual de conjuntos específicos de neurónios.A doença tem maior incidência a nível mundial nos Açores, na ilha das Flores, onde uma em cada 140 pessoas é portadora da maleita.O estudo foi publicado numa revista norte-americana, onde os investigadores descrevem a descoberta num modelo animal e a técnica descoberta pode ter aplicações noutras doenças como a de Parkinson ou de Alzheimer.A investigação partiu de um outro estudo que valeu a Craig Mello e Andrew Fire, o prémio Nobel da Medicina, de 2006.